segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Peça-me o que Quiser, Capítulo 49

   

     Depois de 20 dias em nosso paraíso particular, onde tudo é mágico e divertido, chegamos à Cidade do México, Surpreendida, olho da janela do carro para as ruas lotadas de gente. Emma fala ao telefone com sua expressão séria de costume, enquanto o motorista dirige a impressionante limusine.
    Quando chegamos a um dos mais modernos edifícios de arte, um homem de uniforme abre a porta. Saúda Emma e rapidamente chama o elevador. Quando estamos no décimo oitavo andar e as portas se abrem, vejo que Laura vem a nosso encontro. Seu quente sorriso me faz ver o quão feliz ela esta com a nossa visita.
     — Olhem para voçês, que lindas e morenas estão as noivas.  — Todas sorrimos e a mexicana, pegando a minha mão, acrescenta: —Deusa, que bom vê-la novamente.  
     —  E quanto a mim? – ouço Emma protestar.
     Laura bate a mão contra ela, e com conhecimento de causa, sussurra:
     – Desculpe, Emma, mas eu gosto mais da sua esposa do que de você.
    Achando graça, eu me aproximo dela, me agacho até sua cadeira de rodas, e lhe dou dois beijos na bochecha. Laura, feliz por nossa chegada, depois de nos cumprimentar olha para uma mulher que está ao seu lado e nos apresenta:  
    – Esta é Graciela, minha assistente pessoal. Emma  já conhece.  
   – Bem-vinda, Sra. Swan, diz a garota morena.
   Emma a cumprimenta e, com um sorriso inocente, responde:
   – Prazer em vê-la novamente, Graciela. Tudo bem com esta rabugenta mulher?
    A jovem de cabelo escuro olha para Laura com um tímido sorriso e murmura:
   — Agora mesmo está tudo perfeito, senhora.
   Laura, se divertindo, depois de escutá-la, me olha e diz:
   — Regina é a mulher de Emma e estão passando para nos visitar depois de sua lua de mel.
   —Encantada Sra. Swan e parabéns pelo casamento – me parabeniza a garota, me olhando.
   —Por favor – digo rapidamente, enquanto estico minha minissaia – me chame de Regina – pode ser?
    A jovem olha para Laura, ela assente e eu acrescento:
   —Não olhe para ela nem para minha mulher. Não preciso que deem sua autorização para que possa me chamar pelo meu nome, de acordo?
    Sorrio. A mulher sorri e Emma conclui:
    —Já sabe, Graciela... chame-a de Regina.
    —De acordo, senhora – A garota sorri e me olhando, acrescenta: - Encantada, Regina.
    Nós duas sorrimos e isso me tranquiliza.
    Que me chamem continuamente de senhora ou com o meu novo sobrenome , não é algo que me deixa louca. É mas como algo que cheira mal, como odor ranço.
    Resolvido isso, observo Graciela e deduzo que deve ter poucos anos a mais que eu. Seu aspecto é elegante e do meu ponto de vista é bonita. Cabelos escuros, olhos cativantes e uma doçura que relaxa. Agora sim, seu forte não é moda. Veste- se muito antiquada para uma jovem da minha idade.
    Uma vez que nos cumprimentamos, entramos em um salão arejado. Sem obstáculos para que Laura possa se mover bem ali com sua cadeira de rodas.
    Durante uma hora nós quatro conversamos cordialmente e recordamos do casamento. Laura me pergunta por minha irmã e quando fala seu nome pela quarta vez, olho para ela e esclareço:
    — Laura..., fique longe da minha irmã.
    Emma e ela soltam uma gargalhada que eu de certo modo entendo. Não quero nem pensar o que aconteceria com Laura se tivesse um compromisso com minha irmã e propusesse a ela alguma de suas coisas. O bofetão é garantido. Sorrio sozinha pensando nisso.
    Emma, que sabe o que penso, ao ver meu sorriso diz:
    —Fique tranquila, amor. Laura sabe muito bem com quem deve ou não sair.
    Concordo. Quero que isso fique claro quando a maldita da Laura pergunta:
    —Deusa, tem ciúmes de sua linda irmã?
    Com diversão olho para ela.
    Eu, ciúmes da minha irmã?
    Por favorrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr, sim adoro a Mary!
    Disposta a deixar claro, respondo:
    —Não. Simplesmente cuido dela.
    Laura sorri.
    —Tu és muito linda minha querida Regina.
    —Obrigada, Laura – eu provoco —. Mas para sua integridade física deixe  a minha irmã de lado. Quem avisa amigo é! Lembrei-se!
    Nós três rimos, conscientes do que nós referimos e logo me dou conta de que Graciela não o faz. Não sorri. Seus olhos se enchem de lágrimas por um momento e ela olha para o chão. Depois de duas inspirações, volta a levantar a cabeça e seus olhos voltam ao normal.      Nossa... que capacidade de recuperação e sobretudo, quão forte é o que acabo de intuir!    Viva o sexto sentido das mulheres!
    Só precisei de alguns minutos com Graciela pra me dar conta que ela esta caidinha por Laura. Pobrezinha. Fiquei com pena dela.
    Instantes depois a jovem se despede e sai.
    Quando nós três permanecemos sozinhas no enorme salão, Laura nos pergunta como fomos tratadas no hotel durante a lua de mel. Minha menina me olha e eu sorrio como uma boba.
    Tem sido fantástico. A melhor viagem da minha vida. Emma me ama como nunca pensei que uma mulher pudesse me amar e eu estou completamente caidinha por ela.
     Entre risadas e cochichos, Laura nos pergunta se temos jogado em nossa lua de mel, e eu respondo que temos jogado muito... muito... muito..., mas que tem sido jogos somente entre minha esposa  e eu.
   Oh Deus..., só de recordar meu coração dispara.
   O hotel...
   A cama...
   Seus olhos... suas mãos...
   Aquelas conversas quentes e mórbidas...
   Ao me escutar e em especial ver meu rosto, Emma sorri. Diz que em minha expressão se vê claramente o que penso e sem dúvida alguma adivinhou meus pensamentos. Ao ver como nos olhamos, Laura, astuta como sempre, pisca com um olho para mim, olhando minhas pernas bronzeadas.
    — Deusa... quando você quiser estou pronta para jogar.
    Isso me faz sentir ainda mais calor.
   Os jogos de Laura são muito quentes e mórbidos, ao ver o gesto de Emma sorrio. Minha mulher  está sempre disposta. Mas nossa excitante conversa é cortada quando toca um telefone e segundos depois Graciela entra com ele na mão.
     Laura responde e Emma aproximando-se de mim, comenta:
     —Te vejo acalorada, docinho, o que está acontecendo?
     Mas que sem vergonha ela é.
     Sem poder evitá-lo, sorrio e antes que eu possa responder passa a mão por minhas pernas e murmura em tom meloso:
    —Se você quiser, eu estou disposta...  
    Uauuuuuu, que calor... que calor!
    Sei a que se refere e entro no sufoco da morte.
    Sexo!
    Como sempre que a ocasião se apresenta meu estômago contrai e minha vagina se lubrifica em décimos de segundos e estou me convertendo em uma besta sexual.
    Quão forte!
    Quem diria que eu gostaria desse jogo?
    Definitivamente, estou me tornando uma louca do sexo.
    Mas o certo é que eu gosto e me apetece. Meu desejo cresce em um instante e somente de observar como me olha a  minha recém-estreada esposa, já estou a cem e quero jogar.          Minha garota sorri. Eu também. E disposta á diversão, sussurro com sensualidade, sem que Graciela me ouça.
    —Rasga minha calcinha.
    Oh , Deus, o que eu disse?
    Logo o olhar verde de minha Icewoman se torna intenso e mórbido.
    Uauuuuu! De cem eu passei pra duzentos e do jeito que me olha sei que ela está a quinhentos.
    Sou consciente que ela fica louca com  o meu descaramento e minha entrega. Sorrio do jeito que sei que lhe esquenta o sangue e astuta murmura algo que os mexicanos dizem muito:
   —Saborosa!
   Quando Laura termina a chamada e entrega o telefone para Graciela, ela sai e Emma diz:
  —Laura..., que horas chegam os convidados para o jantar?
   Seus olhares se encontram e sei que elas se entenderam perfeitamente. Essas duas!
   —Faltam três horas – responde encantada.
    Eu sorrio. Laura levanta as sobrancelhas, com cumplicidade, depois passa seus olhos com descaramento por meus peitos já duros e pergunta:
    —Que vocês acham de irmos a um lugar mais íntimo?
    Tumtummmmmmm.... Tumtummmmmmm.... Meu coração dispara.
    Sexo!
    Nervosa, me levanto e Emma pega minha mão com força. Eu gosto muito dessa sensação. Caminhamos depois de Laura e me surpreendo quando entramos em seu escritório.  Acreditei que iríamos para um quarto.
     Uma vez que Emma fecha as portas, fico de boca aberta quando a mexicana aperta um botão na biblioteca e esta se movimenta para a direita. Devo ter uma cara assustada porque Laura diz:
    —Deusa..., bem vinda ao quarto do prazer.
    Sem soltar minha mão, Emma me guia. Entramos nesse escuro lugar e quando a biblioteca fecha atrás de nós, uma luz delicada e amarelada se acende.
    Morbidade em estado puro.
    Meus olhos se adaptam a penumbra e vejo um espaço de uns trinta metros com uma cama, uma jacuzzi, uma mesa redonda, uma cruz na parede, gavetas e várias coisas penduradas nas paredes. Ao chegar perto, vejo que são cordas e brinquedos sexuais. Sado!   Eu não quero Sado.
    Minha cara deve ser um poema, pois Emma, aproximando-se de mim pergunta:
    —Assustada?
    Nego com a cabeça. Com ela nada me assusta. Sei que nunca permitiria que eu sofresse e menos ainda me obrigaria fazer nada que não quero.
    Laura, sentada em sua cadeira, se aproxima de um aparelho de som e coloca um CD. Instantes depois o quarto se inunda com uma canção instrumental muito sensual. Quente.  Em seguida se aproxima da mesa redonda e Emma me beija. Enfia sua língua dentro da minha boca e eu desfruto... desfruto e desfruto, enquanto planta suas mãos no meu traseiro e o aperta com prazer.
    O calor me movimenta e meu corpo reage diante do seu contato em décimos de segundos.
    Durante vários minutos nos beijamos e nos tocamos. Sou consciente de que Laura nos observa e desfruta. Quando estou total e completamente excitada por minha linda mulher, ela abandona minha boca e diz, enquanto senta na cama:
    —Fique nua, docinho.
    Os olhos de ambas as mulheres me comem, enquanto observo que Emma não tira a roupa e nem Laura. Somente me olham e esperam que eu faça o que ela me pediu.
    Sem duvidar um instante, abro o botão e o zíper da minissaia e a peça cai no chão.
    As duas cravam os olhos em minha calcinha, mas eu não tiro.
    Laura faz um movimento com a mão e ao entendê-lo, giro o corpo e lhes mostro minha bunda.
    —Mãezinhaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa – murmura a mexicana.
    Quando volto a olhá-las de frente, tiro lentamente minha blusa de alcinhas que uso e me coloco diante delas vestida somente com roupa íntima e sapatos de saltos altos. As conheço e sei que gostam que eu use estes sapatos.
    —Coloque as mãos na cintura e separe um pouquinho as pernas – diz Laura.
    Faço o que me pedem, enquanto minha respiração se acelera e Emma diz:
    —Toque seus seios.
    Com sensualidade, levo minhas mãos até eles, por cima do sutiã, os aperto e os massageio enquanto as duas me olham de cima a baixo e eu queimo de desejo.
    Estou sendo observada por duas mulheres que querem  loucamente me foder.
    Estou sendo observada e quero que me observem porque me excita.
    Minha respiração se acelera. Desejo que me toquem. Laura se aproxima e sem se mover, murmura:
    —Ainda me lembro como aquela mulher na Alemanha desfrutava do seu corpo e de como todas nós  nos delicíavamos. Foi incrível.
    Recordar isso me faz suspirar. Eu gosto muito de Diana, a mulher alemã que Laura falava. Sua maneira de me possuir é tão exigente que pensar nela me lubrifica mais.
    Emma sabe disso.
    Saber disso a excita.
    Nós temos falado durante nossa lua de mel e está tão desejosa quanto eu para voltar a ficar com ela. Agora, ao ver meu gesto, diz:
    —Você verá Laura. Eu sei que Regi está desejando repetir aquele momento com Diana.
    Laura solta a respiração e assente. Depois se dirige a lateral do quarto onde tem um frigobar e vejo que pega uma garrafa de água e um potinho com algo vermelho. Minha curiosidade me pede e eu pergunto.
    —O que tem no pote?
    Laura destampa e me mostrando, responde:
    —Cerejas vermelhas! Eu amo!
    Sem mais, coloca uma na boca, mastiga, saboreia e murmura:
   —Hum..., que doce!
    Emma, ao ver minha expressão, sorri e Laura, depois de deixar a água e o pote de cerejas sobre a mesa, abre uma das gavetas da mesa lateral, pega uma caixa e uma máscara, entregando-os a Emma, e diz:
    —Faça isso.
    Emma pega a máscara, se aproxima de mim e depois de me dar aquela olhada que me deixa louca, me beija e a coloca. Meu mundo se torna escuro. Não vejo nada e ouço o que Laura pede:
    —Senta ela na mesa.
   Minha mulher me guia e quando sento onde Laura tinha dito suas mãos já estão nos meus joelhos. Os toca e a ouço dizer:
   —Deite-se docinho.
   Faço o que ela me pede.
  A mesa está dura e não vejo nada. Não sei onde Emma está e isso me deixa um pouco desconcentrada. Um dedo passeia nesse momento por minha calcinha e meu estômago se desfaz. Estou quente. Excitada e totalmente exposta a elas, enquanto ouço como a cadeira de rodas de Laura dá a volta ao redor da mesa.
    —Deusa..., seu cheiro de sexo me deixa louca, mas quero que seja tua mulher quem rasgue sua calcinha para mim e me convide a pegar de ti tudo que eu fantasio.
    Instantes depois eu sinto a boca de Emma no meu umbigo. Reconheço-a. Ela o beija. Deixa uma trilha de beijos de lá até o inicio de minha calcinha, toca minhas coxas com deleite e depois a tira.
    Acelerada e com a respiração ofegante, tenho a boca seca e murmuro:
    — Tenho sede.
   Um cubo de gelo corre sobre meus lábios. Abro a boca disposta que seu frescor me sacie e Emma diz perto, muito perto de mim:
   —Laura, te convido a tomar tudo o que queres de minha mulher.
   —Obrigado, Emma, o farei encantada.
    Minha boca, úmida pelo gelo, se seca em questão de segundos quando de repente sinto que derrama água fresca sobre meu sexo. Uma toalha suave me seca e a voz de Emma murmura:
    —Agora está pronta, meu amor.
    Meu coração vai sair pela boca. Estou tremendamente excitada e coberta pela máscara, pergunto:
    —Você gosta do que vê?
    Com delicadeza, Emma se deita sobre mim na mesa, abre o sutiã e tira deixando meus peitos no ar, antes de beijá-los contesta:
    —Me deixa louca, pequena.
    Quando deito totalmente nua na mesa, sinto que Emma se afasta e em seu lugar Laura se coloca entre minhas pernas, sentada em sua cadeira. Ela as agarra e coloca sobre seus ombros, e diz:
    —Que maravilhoso manjar me ofereces, bela.
    Estremeço. Sei o que vai ocorrer e solto um gemido. Sem me dar trégua, Laura passeia sua mão sobre minha tatuagem e quando presumo que tenha lido, sussurra:
    —Peço que se entregue a mim.
    Enlouquecida por sentir-me tão desejada, me movo sobre a mesa à espera que me devore, quando de imediato me diz:
    —Coloque os pés no chão. Vire-se e deite sobre a mesa.
    Faço o que me pede. Viro e quando meu rosto toca a madeira, minha bunda fica exposta e me dá vários açoites.
    —Avermelhado...assim... vermelhinho para mim.
    Meu traseiro arde depois das açoitadas. Sei que Emma olha e se controla,  logo sinto a mão de Laura separando as bochechas da minha bunda e diz, enquanto aplica lubrificante em meu ânus:
   —Hoje vamos jogar outra coisa.
    Outra coisa? Que coisa?
    Estou a ponto de protestar, quando sinto as mãos de Emma em meus ombros e sussurra no meu ouvido lentamente:
    —Não se mexa.
    Sua voz me tranquiliza e noto como Laura introduz algo em meu ânus e com uma voz carregada de morbidez, sussurra:
    —Essas bolas anais aumentarão o teu e o nosso prazer..., já verás.
    Deitada sobre a mesa permito que introduza bola por bola no meu interior, enquanto ela me excita por ela, deixo-a fazer.
    Deus como eu amo ser seu brinquedo!
    Laura se diverte com meu ânus e as bolas. A cada uma que introduz, me dá um tapa, seguida de uma terna mordida e uma massagem em minhas nádegas.
    Oh, sim..., eu amo o que ela faz.
    Uma vez terminado, sinto meu ânus completo. É uma sensação rara, mas eu gosto.
    —Deusa, deite-se sobre a mesa como estava antes.
    Com o traseiro vermelho, cheio de bolinhas, a máscara tampando meus olhos, faço o que me pede.
    —Emma..., posso saborear sua mulher agora?
    Meu coração, tumtum...tumtum..., acelera mais a cada segundo.
    Elas são duas mórbidas e experientes jogadoras e me deixam louca sem quase ter me tocado. Abro a boca para respirar e solto um suspiro quando ouço Emma dizer:
    —Saboreie tudo o que quiser.
    Não vejo seus olhos...
    Não vejo seu olhar...
    Não vejo sua expressão...
    Mas imagino e seu tom de voz me faz saber que desfruta muito deste momento. Eu  gemo enlouquecida e minha respiração forte se ouve no quarto.
    Oh, sim.., sim...
    Não quero que parem...
    Quero que joguem...
    Quero que me saboreiem...
    Quero que me fodam.
    Laura abre minhas coxas e fico totalmente exposta diante dela; então sinto que algo redondo e pegajoso passa por meu clitóris e Laura diz:
    —Cerejas vermelhas e Regina. Uma explosiva e maravilhosa mistura.
    E sem mais, sinto como seus dentes prendem a cereja e começa apertá-la contra mim. A dureza e a suavidade da fruta contra a pele golpeiam e estremece com deleite por meu clitóris e eu suspiro enquanto Laura move a boca com destreza e a cereja me esquenta e estimula em décimos de segundos. Percebo que solta a cereja e ela escorrega pelo meu sexo, enquanto ela toca meu clitóris com a língua para depois voltar a pegar a fruta e repetir a ação.
    Oh Deus..., oh Deus!
    Meu corpo reage.
    Suspiro... e enlouqueço quando a boca de Emma toma a minha.
    Me beija...
    Me desfruta...
    Me deixa louca...
    Enquanto Laura suga meu inchado clitóris e eu levanto a pélvis da mesa, disposta a oferecer mais a ela.
   —Assim..., amor..., assim..., - murmura Emma ao notar a minha entrega.
    Durante vários minutos sou o manjar das duas sem poder ver nada. Só sei que uma desfruta entre minhas pernas e a outra desfruta com minha boca. Mas o melhor sou eu que desfruto das duas.
    Que maravilha!
    Logo, Emma se retira da minha boca. Levanto o pescoço em sua busca, mas não a encontro e com a máscara, não a vejo.
    Quero seus beijos...
    Quero seu contato...
    Quando sinto  que jogam água de novo sobre meu sexo, sei que vão trocar o jogo.
    Laura se retira e ouço a cadeira circular a mesa até chegar à altura da minha cabeça. Segura minhas mãos e depois de beijar os nós dos dedos, murmura:
    —Agora você vai receber tudo e mais um pouco do que tua linda e voraz mulher tem a te proporcionar.
    As mãos de Emma me tocam. As reconheço. Sorrio e segurando firme minhas coxas as separam com força e com uma estocada certeira me penetra de uma vez só com seus ágeis dedos.
    Seu gemido rouco me deixa louca.
    Minha respiração acelera. Laura solta minhas mãos e Emma levantando-me da mesa, diz, tirando a máscara:
    —Encaixe-se mais em  mim.
    Arrepio...
    Suspiro...
    Enlouqueço.
    Enquanto a mulher que adoro me penetra uma e outra vez e olho em seus olhos sem necessidade que o peça.
    Oh Deus, seu olhar!
    Seus olhos me perfuram, falam, me dizem o que querem, enquanto Laura bate na minha bunda deixando-a avermelhada como ela gosta.
    De novo, Emma me penetra forte e nesse instante, Laura tira a cordinha das bolas anais. Tira uma e me dá um tapa. De boca aberta pelo que estou sentindo, dou um grito. Isso as enlouquece.
    Emma sorri e me aperta com força, voltando a me penetrar.
    Nova penetração.
    Nova retirada de bola e tapa.
    Novo grito meu.
    Uma a uma, as suaves bolinhas saem de mim, e eu me entrego enlouquecida, enquanto Emma me tem e com seus dedos me fode cada vez mais rápido.
    —Assim...docinho...assim. Olhe pra mim e desfrute.
    Quando saem de mim todas as bolas anais que Laura colocou, esta vai para o lado e Emma toma a iniciativa do nosso momento. Caminha até a parede me apoia nela e devorando minha boca como só ela pode fazer me penetra uma e outra vez... e outra vez. A força de suas estocadas me parte em duas, mas eu gosto. Com a mão livre aperta minha bunda enquanto eu  me abro mais e mais para ela.
    Nossa alegria é imensa. Não quero que acabe. Quero que suas penetrações durem eternamente. Seus gemidos roucos me enlouquecem e quando acredito que vamos explodir soltamos um gemido ao mesmo tempo e depois de uma ultima investida, gozamos e nos deixamos levar pelo prazer.
    Com seus dedos alojado dentro de mim, esgotada apoio minha cabeça em seu pescoço. Adoro seu cheiro. Seu contato. Fecho os olhos e me abraço mais a ela, enquanto meu amor me abraça também, sei que ela sente tudo o que sinto.
    Após alguns instantes, nossas respirações se normalizam e como sempre pergunta no meu ouvido:
    —Tudo bem?
    Concordo e sorrio.
    Emma caminha até a mesa e me deixa sobre ela. Quando se afasta de mim, Laura se aproxima e segurando minha mão beija os nós dos meus dedos e murmura:
    —Obrigado, deusa.
    Eu sorrio e sem um pingo de vergonha por minha nudez, pego a calcinha que está sobre a mesa e enquanto coloco, desejando uma ducha, respondo:
   —Obrigada, eu quem agradeço.

    Duas horas mais tarde, depois de tomarmos um banho no quarto que nos foi atribuído e nos arrumamos para o jantar, eu e minha garotona voltamos para o salão que já está cheio de gente.
    Não conheço ninguém, mas todos me cumprimentam com um grande sorriso. São a família e os amigos de Laura. Emma conhece todo mundo e me surpreende vê-la tão relaxada e feliz.
    Claro, quando ela quer a filha da puta  é um amor!
    A família de Laura é encantadora e seus pais são maravilhosos. Como tratam Emma, pode-se ver que eles a consideram muito e quando me apresentam como sua mulher, eles me abraçam e com doces gestos mexicanos, me mimam e me dizem coisas maravilhosas.
    Sem demora, todos me cumprimentam, tios, primos e amigos de Laura me fazendo sentir muito especial. Eles me lembram do povo de Jerez, acolhedor e carinhoso. Sorrio quando vejo Emma com o bebê da irmã de Laura nos braços e me olha.
     Oh Deus! Como coça meu pescoço!
     Quando me vê coçando, minha Icewoman solta uma gargalhada e eu sorrio também.
    Logo vejo um rosto amigo, o primo de Laura!
    Com um sorriso encantador Juan Alberto cumprimenta Emma e se aproxima de mim, o recém-chegado me olhando pergunta:
    —Posso te cumprimentar sem que minha vida corra perigo?
     Eu sorrio.
    Cada vez que lembro as coisas que disse  ao pobre coitado certo dia tenho que rir, mas gosto de ver que ele reagiu bem. Se fosse eu, com meu mau jeito, ainda estaria o crucificando.
    O encontro com essas pessoas é agradável e logo observo Graciela a assistente de Laura. A jovem permanece em segundo plano. Neste momento, se aproxima de nós, Cristina, a mãe de Laura e pegando o braço do sobrinho Juan Alberto, ao qual chama carinhosamente de Juanal, lhe pergunta:
    Eu sorrio.
    —É verdade que você vai com eles para a Espanha amanhã?
    —Sim, tia.
    —E você vai fazer o que? Se é que posso saber!
    Juan Alberto sorri e com carinho responde:
    —Quero visitar a Espanha e alguns países da Europa para ver se posso expandir meu negócio.
    —Mas em breve você voltará certo?
    —Claro que voltarei tia! Minha empresa é aqui e minha vida é no México.
    Vejo que a mulher balança a cabeça. Não sei o que pensa, mas não parece muito convencida do que ele diz, quando ouço o que Laura diz se divertindo:
    —Eu também vou, mãezinha.
    Eu ri. Divirto-me com Laura e suas caras de diabinho.
    —E o que você vai fazer lá, sua sem vergonha, você passa metade da sua vida fora.
    — Mamãe... mamãezinha linda, minha empresa é internacional e requer que eu viaje muito. Mas desta vez fique tranquila, Graciela me acompanhará.
    O rosto da mulher se transforma. Sorri e encantada diz:
    — Oh, eu gosto mais disso. Ela controlará mais os seus horários.
    Volto a rir.
    Para controlar Laura nem Deus. Quando eu acho que a mulher vai desistir, me olha e diz:
    — Querida...arrume um boa mulher para meu sobrinho. Juan necessita de uma bonita e carinhosa esposa, que cuide dele e o mime.
    — Escuta... aproveite e arrume uma para mim também – se diverte Laura.
    Sua mãe olha para ela, diante de todos, abaixa a voz e cochicha:
    —Você se quisesse já tinha! Já te disse mil vezes.
    Laura disfarçando o olhar olha para Graciela que está com o filho de sua irmã nos braços, e murmura:
    —Mãezinha, pare com isso.
    Juan Alberto ao ouvi-la, olha para sua tia e apontando para um par de amigos de Laura que estão ali, diz:
    —Tia, o que menos necessito é uma esposa. Agora que voltei a ficar solteiro posso ter muitas...
    — Deixe de ser um idiota e arrume uma mulher nas condições certas. É isso que você precisa! – diz a mulher e olhando para mim acrescenta: - Eu não sei o que acontece com essa juventude. Ninguém quer ter algo tão bonito como você e Emma.
    —É que Regina é um amor, Cristina – esclarece Emma me agarrando pela cintura. – Mulheres como a minha pequena não tem muitas... pode acreditar. Por isso quando a conheci a amarrei ao meu lado até que consegui que fosse minha mulher.
    Pufttttttttttttttt!
    E Puftttttttttt!
    Se me cortar com uma faca, não sangro.
    Mas que coisa mais bonita e romântica que disse minha mulher.
    Como a devoro... ah  devoro com meus beijos!
    Muito apaixonada, apoio a cabeça em seu braço e respondo ao ver a carinhosa expressão da mulher:
    —O bonito é encontrar alguém especial e eu tive a sorte de conhecer a Emma.
    Minha menina ao ouvir minha resposta me aperta mais a ela e Cristina pergunta:
    — Não tem uma irmã para apresentar a Laura?
    A gargalhada que Emma solta é tão monumental que Laura diz:
    —Sim, mamãe, ela tem, mas segundo a Regina, sua irmã não me convém.
    —Ela é tão má?
    Agora que dá gargalhadas sou eu e respondo:
    —Não, Cristina. Especificamente é muito boa e inocente para sua filha.
    Antes que me perguntem mais coisas sobre minha irmã, Laura pega a mão de sua mãe e leva todos para mesa onde jantaremos.
    Durante a noite, várias amigas de Laura, por certo umas assanhadas, nos acompanham. Para o meu gosto são umas escandalosas e acredito que para o gosto de Cristina, a mãe da anfitriã, também são. A maneira que se aproximam de Laura e Juan Alberto não é certa e quando pensam de fazer com Emma, dou um olhar de “arranco seus olhos” e no final passam por ela. Emma sorri!
    Depois do jantar, passamos ao enorme salão, onde bebemos e conversamos. E como sempre acontece nas festas de família, ao final, Laura pega sua guitarra, chama seu pai e sua mãe, formando sua banda, e começam a cantar músicas típicas.
    Estou certa que se a festa fosse à Espanha, meu pai e o Bicho cantariam uma das nossas músicas típicas.
    Que talento!
    Alucinada, escuto a mãe de Laura e sua voz relembra tristemente a desaparecida Rocío Dúrcal.
    Que força tem essa mulher para cantar o que propôs!
    Meu pai tem todos os seus discos e sorrio ao relembrar como cantarolavam meu pai e minha mãe. São  lindas recordações!
   Uma vez que terminam a canção os aplaudo, e sem pestanejar peço que cantem "Se nos Dejan". Emma me olha e sorri. Oficialmente é a música de nossa lua de mel.
    Cristina não hesita por um segundo e sua filha se junta a ela.
    Oh Deus... Que lindo! Que vozes incríveis elas tem!
    Sentada sobre minha esposa , que me agarra com força, escuto essa bonita, romântica e apaixonada música. Quando terminam, Emma me beija e fala no meu ouvido:
    —Te amo pequena.
    Depois de várias canções, me fazem cantar uma minha.
    Sou espanhola!
    Minha mãe... minha mãe...vou morrer!
    Emma me olha e sorri. Ela sabe que quando se trata de farra eu sou um terremoto!
    Eu canto Macarena e eles morrem de rir. Mas todos conhecem!
    Quando acabamos a música com seus correspondentes passos de dança, o pai de Laura, que toca muito bem, pega a guitarra e toca uma rumba e eu mais alegre que umas castanholas, começo a dançar no estilo Rosarillo Flores, jogo meu cabelo e uso todo o talento que tenho dentro de mim.
    Viva o poder espanhol!
    Quando termino, Emma aplaude orgulhosa e todos a parabenizam pelo talento que tem sua mulherzinha.
    Quando estamos mais tranquilos, fixo meu olhar em Graciela e vejo como ela observa Laura se movimentar pelo salão. Dá pena. Sei que sofre por sua chefe, mas não pode fazer nada para alcançá-la.
    Enquanto Emma conversa com os pais de sua amiga, decido dar uma volta pela festa e acabo ficando ao lado de Graciela, que me olha e sorri, ainda em seu olhar vejo algo que não tinha visto pela manhã: ressentimento. Sim, quando ela olha para Laura o faz com autêntica admiração.
    Ah, que bonito! Isso me faz sorrir e pergunto me concentrando nela:
    —Quanto tempo trabalha para Laura?
    A jovem me olha diretamente e responde:
    —Uns quatro anos.
    Concordo. Quatro anos são muitos anos para desesperar e curiosa, pergunto:
    —E como é Laura como chefe?
    Ela timidamente retira o cabelo do rosto e com resignação diz:
    —É uma boa chefe.  Ocupo-me que esteja bem em sua casa e que não te falte nada.
    Sorrio consciente que ainda que fosse uma tirana nunca me confessaria. Uma dor na minha barriga me faz xingar. Foda-se! Tenho certeza que ficarei menstruada. Quando estou perdida em meus pensamentos, a jovem fala em voz baixa:
      — Em algumas ocasiões é desconcertante, mas agora mesmo com a visita de vocês e essa festa, está muito feliz. Ela gosta muito de vocês.
    Seu sorriso, sua atitude, seu olhar me fazem saber que é uma boa garota e tentando estreitar os laços que me fazem unir a ela, acrescento:
    —Sabia que a Emma era minha chefe também? Ela se comportava como Laura.
    Isso a surpreende e prestando atenção em mim pergunta:
    — A Sra. Swan era sua chefe?
    —Sim, mas eu trabalhava em seu escritório não em sua casa.
    Sua atitude muda e imediatamente me vê de igual para igual.
    —Então me alegra duplamente, que seu amor pode ser real. Que lindo!
    —Obrigada Graciela!
    Emma e Laura nos olham do grupo onde estão. Sei que cochicham e sorriem enquanto Graciela fica corada. Gostaria de perguntar a jovem muita coisa, mas me contenho. Não quero ser uma intrometida como minha irmã, nem eu mesma me perdoaria. Por isso para cortar minha veia de detetive digo algo para fugir:
    — Preciso ir ao banheiro, me diz onde fica?
    Graciela concorda.
    Caminhamos por um corredor muito amplo, quando para, abre uma porta e diz:
    —Te espero aqui para voltarmos juntas, tudo bem?
    Concordo e entro no banheiro.
    Mãe de Deus! Eu fiquei menstruada!
    Consciente de que isso sempre é inconveniente abro a porta e digo:
    —Graciela pode me arrumar um absorvente?
    —Agora mesmo! Já vou trazer.
    A jovem desaparece. Eu fico no banheiro pensando nos familiares e na famosa menstruação quando Graciela volta e me entrega o que pedi, sorrio. Neste momento não sinto dor, mas sei que em algumas horas estarei retorcendo de dor.
    Quando termino abro a porta e saio. A jovem me olha. Conheço esse olhar. Sei que deseja algo e lhe pergunto diretamente:
    —Quer saber alguma coisa?
    Ela concorda e disposta a sanar suas dúvidas a incentivo:
    —Vamos.... pergunte.
    Olhando para todos os lados, Graciela abaixa a voz e vermelha como um tomate, diz:
    —Laura viaja muito para a Alemanha, ela tem alguém especial ali?
    Ah pobre menina! Agora entendo toda sua angustia e desejando abraçá-la, contesto:
    —Se você se refere a uma mulher, não. Não tem nenhuma especial.
    Seu gesto muda. Minha resposta a faz sorrir e agarrando-a pelos braços decido deixar de meias palavras e a empurro para o banheiro, depois que tranco a porta digo a ela:
    —Só estou aqui há algumas horas e já percebi que você gosta muito dela.
    —Deu para perceber?
    —Intuição feminina Graciela. Raramente falha. Já sabe que nós mulheres temos um pouquinho de bruxa.
    Nós sorrimos conscientes de nosso sexto sentido.
    —E quanto a sua pergunta, te digo que na Alemanha não tem nada especial. Te digo isso por que sei que é assim de fato.
    Ficando vermelha até não poder mais, concorda. Sei que tem um grande peso em suas costas, mas sem poder evitar, pergunto:
    —Ela sabe?
    Envergonhada encolhe os ombros e responde:
    —Não sei. Às vezes penso que sim pelo jeito que me trata, mas outras vezes creio que nem sabe que existo. Gostei dela desde o primeiro momento que a vi prostrada na cama. O notei porque me recordou o uma cantora mexina de que gosto muito. Eu trabalhava no hospital quando sua família me ofereceu esse trabalho, não hesitei Era uma maneira de permanecer perto dela. Foi amor a primeira vista.- Eu sorri.- Mas acredito que ela nunca me notou. Me trata bem, é justo e correto com tudo que preciso, mas nada mais.
    — Você nunca se insinuou para ela?
    —Não.
    —Nem sequer um pouquinho?
    —Nada.
    —Mas nada de nada?
    —Nada de nada. Mas não é porque não tenha tentando.
    Solto uma gargalhada. Não posso imaginar Laura negando uma proposta sexual.
    —Não sou de pedra Regina. Tenho minhas necessidades. Mas está claro, como mulher, eu não a atraio. Eu não existo.
    Seu doce tom de voz chega no meu coração e pergunto:
    —Você não é mexicana, certo?
    Ela sorri e murmura:
    —Nasci no Chile especificamente de um maravilhoso lugar chamado Concepción. Embora tenho muitos anos de trabalho no México. Meu pai era daqui. Sou uma mistura chilena e mexicana.
    Engraçado, olho para essa jovem que me fez confidências depois de saber que Emma era minha chefe. É uma menina agradável de ver, mas totalmente assexuada. O vestido que usa e o coque muito apertado não favorece em nada.
    —Olha Graciela eu não sei se você sabe que Laura não pode...
    Ela arregala os olhos.
    —Eu sei. Lembra que a conheci no hospital. Eu sei tudo sobre ela. Na vida nem tudo é sexo convencional.
    Vai...vai...vai... olha a assexuada!
    De boca aberta ao ver que é menos inocente do que pensava pergunto:
    —Ah não?
    Ela nega com a cabeça e se aproximando mais sussurra:
    —Em algumas ocasiões tenho visto seus amigos em seu escritório e no quarto que há dentro do escritório. – Eu olho pra ela e acrescentando diz: - O quarto onde estavam vocês três, eu sei o que passa ali.
    —Você sabe?
    Graciela concorda.
    Agora quem deve estar vermelha como um tomate dever ser eu e entendo o seu olhar de censura.
    Mas sem importar com o que eu penso, olha para o teto e diz:
    —Oh Deus! Laura é tão quente... tão fogosa!!! – E ao ver que solto uma gargalhada de “não estou acreditando nisso”, a coitada diz rapidamente: - Por favor... Por favor... o que estou dizendo? Por que estou contando isso? Perdão... Perdão.
     Ao ver que aterrorizada tampa o rosto com as mãos, me dá pena aproximo dela e digo:
    —Fique tranquila Graciela. Não aconteceu nada. – Disposta a saber o quanto sabe, pergunto: - O que você acha dos jogos de Laura com seus amigos?
    —Mórbidos e excitantes.
    Toma vaiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii.... com a doce puritana. Quem poderia dizer?
    — E você já jogou alguma vez o que ela joga?
    Nervosa, suspiro, mas disposta a dar-lhe toda a confiança do mundo reconheço:
    —Sim, eu tenho jogado, mas fora destas paredes negarei que disse. E você?
    Surpreendida pelo que acabo de dizer, titubeia e finalmente responde:
    —Depois de ver o que ela fazia, pesquisei e conheci algumas pessoas com quem jogo e fantasio que é ela. Mas com Laura nunca me atrevi.
    —Mas você faria?
    Concorda sem um pingo de dúvida e eu sorrio. Está claro que o mórbido e o sexo agradam a todos nós. Como diz Emma, existem os que desfrutam e existem os que passam metade da vida pensando o que gostariam de desfrutar.
    No final ao ver o rosto de interrogação de Graciela, finalmente digo:
    —Fique tranquila Graciela, você me confiou um segredo e eu não serei a pessoa a revelá-lo. Espero que guarde o meu também.
    —Não duvide Regina.
    — Agora é o seguinte, se você gosta de Laura – insisto- acredito que deve fazer alguma coisa para chamar sua atenção.
    —Eu fiz de tudo, mas ela não me vê.
    Sem querer ofendê-la, acrescento:
    —Talvez se você se vestisse de outra maneira, isso mudaria, não acredita?
    Tocando o coque apertado diz:
    —Se eu tiver que me vestir do jeito de suas amigas idiotas pare que ela olhe para mim, não farei.
    —Não me refiro a isso Graciela. – a corto e pergunto: - É verdade que vai acompanhar Laura a esta viagem à Espanha e depois a Alemanha?
    Emocionada, concorda. Disposta a ajudá-la, digo:
    — Incrível! Pois amanhã eu e você teremos um dia de garotas. Nós iremos às compras enquanto elas tratam de negócios, o que você acha?
    —Faria isso por mim?
    —Claro que sim! Nós mulheres temos que nos ajudarmos ainda que às vezes pareça o contrário - respondo convencida que estou me metendo onde não fui chamada.
    Neste momento umas batidas soam na porta. Ao abrir vejo que é Emma que com cara de preocupação, pergunta:
    —Por que demorou tanto? Aconteceu alguma coisa?
    Quando saímos do banheiro, olho para minha esposa e dando um beijo carinhoso em sua boca, respondo:
    —Docinho, fiquei menstruada. A coitada enruga a testa. Sabe que vivo na borda quando estou assim. – Com isso, amanhã irei às compras com a Graciela, algum problema?   Surpreendida por essa repentina amizade, me olha. Sabe que estou armando alguma coisa. Vejo em seus olhos e responde:
    —Por minha parte nenhum e acredito que da parte de Laura também não haverá.
    Ao ouvi-la sorrio.
    Como é inteligente a filha da puta! Inteligência alemã. Não escapa uma.

domingo, 25 de outubro de 2015

Peça- me o que Quiser, Capítulo 48

    Naquela noite há uma festa no hotel. Depois do jantar, Emma e eu nos sentamos confortavelmente nos pufs dispostos a apreciar o show. As danças coloridas e gosto mexicano estão presentes o tempo todo e passamos um grande momento enquanto canto:
                       

                                   “Altanera preciosa y orgullosa, no permite la quieran consolar.
                                    Dicen que alguien ya vino y se fue, dicen que pasa las noches
                                                                      llorando por él.
                                                          La bikina, tiene pena y dolor
                                                          La bikina, no conoce el amor.”


      Surpresa, Emma olha para mim. Ela sorri e pergunta: 

     – Também sabe esta canção? 
     Assento e aproximando-me dela, digo:
    – Querid
a, eu já estive em vários shows do Luis Miguel na Espanha e sei todas elas!
    Beijamos-nos. Desfrutamos o momento enquanto os mariachis cantam La bikina e quando terminam e uma nova canção começa, um dos homens  vestido de vaqueiro me convida para dançar, como outras turistas. Eu não sou preguiçosa e acabo aceitando. Diversão para mim!
      De mãos dadas chego à pista, onde o resto dos dançarinos e os turistas fazem o que podem com a música e eu encantada, os imito. Eu não tenho vergonha de dançar, ao contrário, aprecio como uma louca, enquanto Emma me observa e sorri. Ela parece tão relaxada, aproveita o que vê e eu estou prestes a explodir de felicidade.
     Mas de repente, em uma das minhas voltas, meus olhos se encontram com a mulher que esta manhã me ofereceu um coquetel na praia e me seguiu até a água. A de blusa azul! 
     Meu Deus... Meu Deus, se ela vier me abordar outra vez serei uma mentirosa. 
     Eu fico nervosa, mas por quê?
     Rapidamente eu olho para Emma que pisca para mim, e quando vejo que a desconhecida vai diretamente para ela e a cumprimenta, eu perco o meu equilíbrio e se não fosse pelo dançarino que me segura pela mão eu teria caído diante de todo o público do hotel.
    A partir desse momento eu não estou bem. 
    Eu não sei nem dançar! 
    Observo que Emma fala amigavelmente com a mulher e a convidada a sentar no meu puff.  
    Meu puff!
    Poucos minutos depois, a dança termina e o dançarino me acompanha até a minha mesa. Quando saio, eu olho para Emma, que me dá um beijo e diz:
    – Você dançou lindamente.
    Assento e com um sorriso artificial, eu vou dizer uma coisa, quando ela acrescenta: 
   –
Amor, esse é Marina Velaz, prima de Laura. Marina Velaz, esta é a minha linda esposa, Regina. 
    A outra mulher, com um sorriso zombeteiro pega a minha mão e galantemente, beijando-me, dizendo:
    –
Regina, é um prazer te conhecer... Finalmente. 
   – Finalmente? - E
mma pergunta surpresa
    E antes que eu possa dizer qualquer coisa, Marina esclarece divertida
  – Minha prima falou muito bem dela. 
    Eu coro.  
    Meu Deus... Meu Deussss. O que Laura lhe disse?
    Vendo minha cara, Emma sorri. Sabe o que estou pensando, quando Marina continua: 
    – Mas eu digo finalmente porque esta manhã eu tentei conhecê-la. Mas nossa, que gênio tem tua mulher. Jogou-me para escanteio e me avisou que se continuasse a incomodá-la eu teria um problema muito sério. 
    Emma sota uma sonora  gargalhada. Ela gostou de ouvir isso, mas intrigada porque eu não lhe disse nada, me olha e eu esclareço: 
    – Eu disse que sozinha sei defender-me d
e predadores.
    Marina ri e diz: 
    – Oh, sim... Posso te assegurar, Emma. Deixou-me com medo.
    Emma se senta no puff, me senta em seu colo e me dá um abraço protetor, com sorriso zombeteiro, pergunta: 
    – Est
a mexicana tentou dar em cima de você?
    Eu sorrio e Marina logo responde:
    – Não, só estava tentando conhecer a mulher da minha amiga. Laura me disse que estavam se hospedando neste hotel e quando eu a vi soube que essa jovem linda era Rgina. 
    Emma sorri. Marina também e, finalmente, eu também. Tudo está claro. 
    Nós três nos divertimos bebendo deliciosas Margaritas e a música soa deliciosamente no bar. Marina é tão divertida e espirituosa como Laura. Inclusive fisicamente se parecem. Ambas são  atraentes, mas ao contrário de sua prima, não me olha com desejo. 
     Nós conversamos... Conversamos e conversamos e descubro que Marina vai nos acompanhar para a Espanha e, em seguida, viajar ao redor da Europa. Ela trabalha projetando sistemas de segurança para as empresas. 
    A conversa dura até duas horas da manhã, quando Marina nos diz com cumplicidade levantando-se:
     – Bem... Eu vou dormir para que vocês tenham um bom tempo e desfrutem. 
     Eu dou um sorriso e Emma me fazendo levantar, pergunta, estendendo-lhe a mão:
    – Vai ao jantar organizado na casa d
e Laura no México? 
    – Eu não sei - Marina responde. – El
a comentou comigo e eu tentarei ir. Se eu não puder, nos vemos no aeroporto, de acordo?
    Emma concorda, Marina também e depois de me dar dois beijos no rosto, ela sai. 
    Uma vez que estamos sozinhas, Emma coloca a boca no meu pescoço e murmura: 
    – Eu gostei de saber que sabe se defender sozinha dos predadores.
    Manhosa eu a olho. 
   – Te disse, querida.
   – O que acha de Marina?
   Vendo seu olhar, levanto uma sobrancelha e pergunto:
    – Em que sentido?
    – Acha ela uma mulher sexy? 
    Eu sorrio. Creio que entendi o que pergunta e respondo:
    – Só você me parece sexy.
    – Mmmmm... Me excita saber disso. – sussurra sobre a minha boca.
    Nossos olhos se encontram. Estamos a poucos centímetros uma da outra e eu sei o que quero e a desejo. Sua respiração acelera e a minha também.
    Uhulll!
   Sorrimos e, de repente, eu sinto sua mão debaixo da minha saia longa e com calor pergunto: 
   – O que você está fazendo?
    Emma... Minha Emma sorri perigosamente e com a voz baixa acrescento:
    – Aqui?
   Confirma e vejo que está brincalhona. E eu fico com mais calor.
   Quer me masturbar aqui?
  As pessoas ao nosso redor sorriem, se divertem e bebem Margaritas, enquanto ouvem o som das ondas e a música que toca. Estou olhando ao redor o tempo todo, sentada no puff em frente ao meu amor, sentindo que sua mão chegar em minha coxa. Desenha círculos e em seguida chega à minha calcinha.
    – Emma...  
    – Shiiiuu
    Histérica e nervosa, sorrio.
     Ai, meu Deus...
    Disfarçando, eu olho para ambos os lados. As pessoas estão na delas, quando Emma, chegando mais perto de mim, sussurra brincalhona: 
    – Amor, ninguém está olhando.
    – Emma...
    – Fica tranquila...
    Remove o tecido fino da minha calcinha e rapidamente um dos seus dedos brinca com meu clitóris. Eu fecho meus olhos e minha respiração fica mais profunda.
    Oh, Deus... Eu amo o que faz.
    A sensação do proibido me excita. Me excita muito e quando Emma mete um dos seus dedos no meu interior eu suspiro e ao abrir meus olhos me encontro com seu magnífico sorriso. 
    – Gosta?
   Como uma marionete, confirmo enquanto o meu estômago se decompõe em mil pedaços.
    Eu não quero que pare!
    Ela sorri enquanto seu dedo brinca dentro de mim e as pessoas ficam alheias se divertindo ao redor do nosso jogo quente.
    Que sem vergonha!
    Mas eu gosto... Eu gosto e eu gosto e me movimento em busca de mais profundidade e prazer através da sua mão.
    Minha expressão excitada a faz bufar.
    Sim... Eu a deixo louca.
    Sim...
    E trazendo sua boca na minha sussurra tremendamente excitada:
    – Não se mova se não quer que percebam.
    Deus... Deus... Deussssssssssss, que tortura...
    Estou quase gozando!
    Mas como eu não vou me mover?
    Sua maneira de tocar-me leva-me a querer mais e mais e quando meu rosto revela o que eu penso, Emma puxa a mão da minha umidade e  da minha saia, levanta-se, pega a minha mão e diz:
    – Vamos.
    Excitada... Nervosa... E disposta eu a sigo. Sigo-a até o fim do mundo!
    Estou surpresa quando vejo que ela não vai para o quarto. Ela vai em direção à praia. Uma vez que as luzes do bar deixam de iluminar e a escuridão da noite e a brisa nos rodeiam, meu amor me beija desesperadamente.
    Desejando  tocá-la, ela desabotoa a blusa e me deleito com seu corpo. Macio, gostoso e ardente.
    Eu toco. Ela me toca. E o calor dos nossos corpos cresce a cada segundo.
    Entre beijos e toques chegamos à tenda na praia, onde são preparadas as maravilhosas Magaritas pelas manhãs. Agora está fechada e Emma quer jogar. Com pressa desata a camisa que eu amarrei na cintura e quando meus mamilos aparecem, murmura:
    – Isso é o que eu quero...
   Como uma loba faminta, se ajoelha e beija meus mamilos. Primeiro um e depois o outro. A camisa cai no chão e eu fico só de saia longa. Empolgada com o momento, eu olho para o bar onde as pessoas continuam se divertindo. Eles estão a cem metros de distância, mas não me importo se podem nos olhar. Agarro-a pelos cabelos e murmuro, colocando meu peito direito à sua boca:
    – Saboreia-me.
    Encantada, se derrete em atenções ao meu peito, enquanto suas mãos percorrem minhas pernas e sobem a saia lentamente. Quando o mamilo fica duro, sem necessidade de que eu peça, Emma presta atenção ao meu outro mamilo, enquanto sussurro:
    – Sim... Assim... Assim que eu gosto...  
   Enlouquecida  pelo momento, suas mãos apertam minha bunda e ouço quando minha calcinha é rasgada.  Quando eu olho, ela diz se divertindo:
    – Está sobrando.
   Solto uma risada. Com uma puxada tira minha saia e fico totalmente nua na barraca, minha risada fica nervosa.
    Estou a poucos metros dos turistas do hotel, nua, com a calcinha rasgada e disposta a passar um bom tempo assim. Nesse momento, uma risada de mulher que não é a minha se ouve perto de nós. Emma e eu olhamos e achamos do outro lado da tenda uma mulher e um homem na mesma situação.
    Nós não falamos. Não há necessidade. Sem nos aproximarmos uns dos outros, cada par continua o seu tempo maravilhoso.
    Excita-nos sua presença.
    Emma me beija. Anseia minha boca como eu preciso dela. Suas mãos agarram meus pulsos e os eleva acima da cabeça. Seu corpo esmaga o meu contra a madeira da barraca, vejo em seus olhos o quanto me quer. Isso me excita ainda mais.
    Duro e forte, é como quero que ela me coma. Me encarando intensamente, ela  sussurra:
   – Me deixa louca.
   Eu sorrio. Fecho meus olhos e estou imensamente feliz. De repente, o gemido da mulher faz com que nós duas voltemos a olhar. Ela agora está no chão, de quatro, e seu companheiro a penetra por trás uma e outra vez.
    Impossível tirar os olhos do show. Assisto a expressão da mulher. Sua boca, seu rosto, seus olhos extasiados me fazem ver o quanto desfruta me excitando ainda mais.
    Gosto de olhar.
    Olhar me excita.
    Olhando leva-me a querer jogar.
   – Gosta do que vê?
   Emma pergunta no meu ouvido.
   Essa pergunta me lembra da nossa primeira visita ao Moroccio, aquele restaurante tão especial que me levou em Madrid. Eu sorrio, lembrando da minha cara de horror e suspiro ao imaginar minha cara agora. Tudo é diferente. Graças a Emma que a minha percepção de sexo mudou e para o meu gosto, melhor.
    Agora eu sou uma mulher que desfruta do sexo. Que fala de sexo. Que joga com o sexo e já não o vê como um tabu.
    Assento. Sua voz cheia de erotismo, junto com o show que observamos são, na melhor das hipóteses, prazerosos, enquanto os gemidos da mulher são ouvidos cada vez mais e as investidas são cada vez mais duras e certeiras.
    Incapaz de desviar o olhar, percebo que Emma com uma das mãos que pendiam a minha no alto,  me vira de costas e diz no meu ouvido:
    – Agora a quero ouvir gemer.
    Sem mais, abre minhas pernas e passa sua mão pela minha bunda até  a entrada do meu sexo e depois de um segundo me provocando, me penetra.
     Ah, sim... Sim.
    Sua estocada é precisa e certeira como nós gostamos. Seus longos dedos  entram totalmente em mim e minha boceta os suga e os aperta, com prazer de recebê-la. O prazer é enorme...   O calor me queima...
    Arqueio e meu amor, minha amante, minha alemã me agarra possessiva pela cintura, ansiosa para se divertir, enquanto uma e outra vez me penetra, arrancando- nos gemidos e nos deixando loucas.
    Eu olho para a direita, e vejo como os que antes gemiam nos observam e sei que agora sou eu que mostro a outra mulher o meu prazer.
    Ah, sim... Eu quero mostrar.
   Eu quero que saiba o quanto eu gosto.
   A altura de Emma e a sua força me levantam do chão várias vezes e eu me agarro a madeira da tenda para que ela continue entrando e saindo de mim. Eu gosto da maneira que ela faz.
    Uma e outra vez ela faz. Eu gosto. Ela gosta. O outro casal gosta, até que minhas forças acabam, meu corpo torna-se uma gelatina e me deixo ir com um gemido de prazer. Emma chega momentos depois ao prazer com um suspiro rouco.
    Durante alguns segundo permanecemos quietas, sem nos movermos. Estamos exaustas, até que um movimento nos faz voltar à realidade e ver que o outro casal está se vestido e, depois de um aceno, eles se vão.
    Emma, ainda me abraçando, retira os dedos  de dentro de mim. Beija minhas costas e quando vê que eu me encolho, me vira e me levando em seus braços, murmura:
    – O que você acha de um mergulho na água?
   Ah, sim... Com ela me apetece tudo e sem hesitação, aceito.
   Eu adoro senti-la natural.
   Eu amo senti-la tão natural. Tão pouco sério. Nuas, felizes e de mãos dadas, corremos para a praia. Na chegada, ambos mergulhamos e quando nossas cabeças emergem da água, meu amor me abraça e depois de me beijar, sussurra:
    – Cada dia estou mais louca por você, Sra. Mills Swan.
    Eu sorrio.
    Como não sorrir... Babar... e gritar de alegria. Pedaço de mulher que eu tenho!
    Enrosco minhas pernas em torno de seu corpo, pego sua mão e a levo até onde quero e necessito. Ela sabe o que fazer! E como lhar engraçado olho para minha insaciável, gostosa, quente mulher e sussurro:
    – Peça-me o que quiser. 

sábado, 5 de setembro de 2015

Peça-me o que Quiser, Capítulo 47

      Jéssica Rodrigues, obrigada pela recomendação :D


                                                                           ***
 
   Às seis e meia da manhã eu acordo e ouço Emma  no banho. Eu quero dar-lhe um beijo antes de sair, mas estou com muito sono, então esperarei ela terminar. Mas quando eu acordo são dez e meia da manhã e só posso murmurar:
      – Merdaaaaa.
  Tombando de novo na maravilhosa e enorme cama que compartilho com o meu amor, pego meu celular e teclo:
        "Você está bem?"
 
   Eu me preocupo com minha  garotona tanto quanto ela se preocupa comigo. E um minuto depois recebo a resposta:

      "Quando estiver com você, tudo vai ficar bem. Eu te amo."
 
     Eu sorrio como uma boba, rolo na cama e aprecio o seu cheiro nos lençóis. Espreguiço-me um pouco e, em seguida, abro o meu Facebook no meu laptop e posto uma foto minha e de Emma na praia. Dois segundos depois, meu mural está cheio de comentários das minhas amigas “As Guerreiras”. Achando graça, eu leio coisas como: "Coma sua esposa!", “Se você não quiser, dê para mim!” E outro dizendo "Eu quero uma Emma na minha vida."
     Eu rio. “As Guerreiras”, Essas amigas que um dia eu conheci através de uma rede social, estão felizes pelo meu casamento e não param de fazer piada sobre a minha lua de mel.    Será que me invejam?
     Depois de uma ducha fresquinha, eu decido ligar para o meu pai. Eu quero falar com ele. Olho o relógio e calculo a diferença de horário. Na Espanha é de manhãzinha, mas eu sei que ele já está de pé. É como Emma, dorme pouco.
      Sento-me na cama, digito o número, escuto dois toques e quando tiro do gancho, digo:
     – Oi, papaiii. Bom diaaaa!
     Ao reconhecer a minha voz, meu pai ri.
    – Olá, minha vida. Como está minha moreninha?
    – Bem, pai, Está tudo ótimo! – E depois de ouvi-lo sorrir, eu acrescento: – Este é um grande momento e eu estou me divertindo muito com Emma.
    – Fico feliz em saber, bonita.
    – É sério, pai, você tem que se animar e vir. Deveria dizer ao Bicho e Lucena que a próxima viagem tem que ser aqui. Vocês vão adorar.
     Meu pai ri.
    – Nossa, moreninha, Lucena não sai da Espanha por nada! Foi ao seu casamento na Alemanha apenas porque era você. E te digo mais!
    – Passou muito mal na viagem?
    – Não, filha, ela passou muito bem. Mas leva muito mal a questão da comida. Segundo ela, como em sua casa não se come em nenhum lugar!
    – Pois faça essa viagem com Bicho e sua esposa, com certeza se encantarão!
   – É isso mesmo... É seguro que eles gostarão .
   Nós conversamos por um tempo. Conto-lhe mil coisas e ele me conta como vai tudo. É  um pouco preocupado com a crise. Ele teve que demitir um dos seus mecânicos e isso atingiu o coração do meu pai. Quando eu consigo que sorria novamente, pergunto:
    – Flynn está se comportando?
    – Como um doce, é uma boa criança para a babá. Ele a come com beijos! - Eu sorrio ao imaginar e ele continua: – É sério, querida, ele está se divertindo com grace e os meninos da rua. Formam uma quadrilha perigosa aqueles dois! Certamente, não vê o que aquele pequeno gosta. E ele tem bom gosto. Eu lhe  dei presunto corrientito, e ele rapidamente olhou para mim e disse: "Henry, este presunto está ruim?”.
      – Não me diga!
     –Te digo. E o salmorejo da Pachuca. Nossa! O deixa loquinho. -Eu sorrio. – Não tem vez que não entramos no bar que aquele garotinho não peça um salmorejo. E eu lhe digo, com Grace está ótimo. Ensinou a ele a andar de bicicleta e...
    – Por Deus, papai, se alguma coisa acontecer. -  Eu digo preocupada.
     Por favorrrrrrrr, eu acabo de falar como Emma.
    – Calma, filha... O rapaz é difícil e embora tenha dado dois bons golpes contra o portão...
    – Papaaaaaaaaai...
    – Nada de mais, mulher. É um menino. Só esta com uns galos na cabeça e uns arranhõezinhos, mas nada de grave. É isso mesmo... Você tem que ver como anda de bicicleta.
    Eu sorrio ao imaginá-los. Grace e Flynn, quem teria pensado? Ainda me lembro da primeira vez que se encontraram e minha sobrinha me perguntou: "Por que ele não fala chinês?". Mas surpreendentemente, em seguida, se conheceram e se merecem. Tanto  que Flynn exigiu ir para Jerez durante nossa lua de mel.
    – E Mary? Eu pergunto, mudando de assunto.
    – Sua irmã me tira do sério, filha.
    Eu sorrio e tenho pena dele. Quando minha irmã voltou para Espanha depois do meu casamento, decidiu passar algum tempo em Jerez com meu pai. Eu ofereci a casa que  Emma me deu, para que vivesse lá com as meninas, mas nem meu pai nem ela aceitaram.     Eles querem ficar juntos.
    – Vamos ver pai, o que ocorre com Mary?
    – Sua irmã está me deixando descabelado. Você pode acreditar que é a dona do controle remoto da TV? - Eu sorrio e ele acrescenta: – Estou farto de ver as fofocas, novelas e assuntos do coração. Como pode gostar tanto dessas besteiras? Sem saber o que responder e quando vou dizer algo, ele acrescenta: – E você sabe que ela me disse que, quando vocês voltarem da lua de mel para pegar Flynn, vai falar com Emma para ajudar a procurar um emprego. De acordo com ela, tem que começar a sua vida trabalhando de novo. E, claro, há também as ligações de Whale.
    – Whale? O que esse imbecil quer a essa hora?
    – Segundo sua irmã, só para ver como as meninas estão e falar com ela.
    – Você acha que ela quer voltar com ele? Eu ouço meu pai bufar e finalmente responde:
    – Não, graças a Deus isso pra ela está muito claro.
    Saber dessas ligações não tem um pingo de graça. O idiota do meu ex- cunhado deixou a minha irmã enquanto ela estava grávida, para viver a sua vida louca. Só espero que Mary seja esperta e não se deixe enganar por este lobo em pele de cordeiro.
     Tentando não falar sobre esse assunto, eu sei que o meu pai não gosta, acrescento:
    – E quanto ao fato dela querer trabalhar, papai eu sinto muito, mas tenho que lhe dar razão.
     – Mas reflita moreninha, com o que eu ganho posso manter ela e as meninas. Por que  ela quer trabalhar?
    Convencida que entendo minha irmã e meu pai, digo:
    – Ouça pai, tenho certeza de que Mary é muito feliz com você e te agradece por tudo o que pode fazer por ela. Mas sua intenção não é ficar em Jerez e você sabe disso. Quando nos falamos, ela te disse que seria algo temporário e...
     – Mas, o que ela irá fazer sozinha em Madrid com as meninas? Aqui ela estaria comigo, eu cuidaria delas e saberia que estão bem.
     Impotente, eu sorrio. Meu pai é tão super protetor quanto minha esposa. Tentando conciliar, acrescento:
    – Pai... Mary tem que voltar a viver. E se elar ficar com você em Jerez, levará mais tempo para retomar a sua vida. Você não entende?
     Meu pai é o ser mais gentil e generoso do mundo e tento compreendê-lo. Mas eu também entendo a minha irmã. Ela quer seguir adiante e conhecendo-a, eu sei que conseguirá. Espero que não seja com Whale.
     Quarenta e cinco minutos mais tarde, depois de me despedir do meu pai, vou ao restaurante comer. Tudo está ótimo e penso no que vou fazer quando eu terminar. Coloco meu biquíni verde fluorescente que acaba me deixando mais bronzeada. Vou para praia.  Uma vez lá, procuro por uma rede livre com guarda-sol e quando a vejo, me dirijo até lá e deito.
      Eu amo o sol!
      Eu retiro o meu iPod e coloco os fones de ouvido, aperto o play e meu amado Pablo Alborán canta:
     
                                    Si un mar separa continentes, cien mares nos separan a los dos.
                                    Si yo pudiera ser valiente, sabría declararte mi amor...
                                    que en esta canción derrite mi voz.
                                    Así es como yo traduzco el corazón.
                                    Me llaman loco, por no ver lo poco que dicen que me das.
                                    Me llaman loco, por rogarle a la luna detrás del cristal.
                                    Me llaman loco, si me equivoco y te nombro sin querer.
                                    Me llaman loco, por dejar tu recuerdo quemarme la piel.
                                    Loco... loco... loco... loco... locoooooooooooooo.”

    Cantarolo, enquanto assisto as ondas que vêm e vão.
    Que canção maravilhosa para ouvir contemplando mar!
    Feliz pelo momento que desfruto, abro meu livro e sorrio. Às vezes eu sou capaz de ler  e cantar. Algo raro, mas eu posso fazer. Mas 20 minutos depois, quando Paulo canta La vie en rose, minhas pálpebras pesam e a maravilhosa brisa me faz fechar o livro. Sem  perceber, me jogo nos braços de Morfeu. Eu não sei quanto tempo eu dormi, quando de repente eu ouço:
    – Senhorita... Senhorita...
    Abro os olhos. O que esta acontecendo?
    Sem entender o que acontece, eu tiro meus fones de ouvido e um garçom que está  diante de mim com um encantador sorriso me oferece um coquetel de  Margarita e diz:
    – Da parte de uma loira de camiseta azul que está na no bar.
    Eu sorrio. Emma está de volta.
    Sedenta, bebo a bebida. É tão gostosa! Mas quando eu olho para o bar com um sorriso mais charmoso e sexy, eu me petrifico. Quem me enviou o coquetel não é Emma.
    Deus, e agora?!
    A mulher de camiseta azul em questão é uma mulher de cerca de uns trinta e cindo anos, alta, cabelo liso e louro. Ao ver que eu olho para ela, sorri e eu quero que a terra me  engula.
     Agora, o que eu faço? Cuspo a bebida?
     Mas não estou disposta a fazer nada disso. Eu agradeço como bem posso. Deixo de olhá-la e abro o livro. Mas com o canto do meu olho eu vejo que sorri e se senta em um banquinho que há no bar e continua bebendo.
     Por mais de meia hora me dedico a ler, mas na verdade não me intero de nada. A mulher está me colocando histérica. Ela não se move, e não deixa de me olhar. No final, eu fecho o livro, tiro meus óculos de sol e decido dar um mergulho na praia.
    A água está agradável e eu adoro isso.
    Eu ando alguns metros e quando a água chega na cintura eu vejo que vem uma onda, como uma sereia me lanço para frente e mergulho para depois começar a nadar.
    Oh, sim... Que sensação maravilhosa.
    Cansada de nadar, finalmente flutuo de costas na água. Estou prestes a tirar a parte cima do biquíni, mas no final eu não faço. Algo me diz que a mulher no bar continua me olhando, e ela pode tomar isso como um convite.
    – Oi.
    Surpresa ao ouvir uma voz ao meu lado, eu sobressalto e quase me afogo. Mãos desconhecidas me seguram rapidamente, quando consigo me levantar, me solta. Enxugando o rosto e a boca, pisco e quando vejo que se trata da mulher que estava me observando, pergunto:
    – O que você quer?
    Ela, com um sorriso zombeteiro, responde:
    – Para começa, não quero que se afogue. Desculpe se te assustei. Eu só quero conversar moça bonita.
    Sem poder evitar eu sorrio. Eu sou tão boba e risonha. Seu sotaque mexicano é muito doce, mas me recompondo, me separo um pouco dela.
    – Ei, olha... Muito obrigada pela bebida, mas eu sou casada e não quero conversar nada com você, ou com qualquer um, certo?
    Ela assente e pergunta:
    – Recém casada?
    Estou a ponto de mandá-la passear. E o que importa a ela? Respondo:
    – Eu disse que sou casada, então, você seria amável de sua parte me deixar em paz antes que eu fique brava e você se arrependa? Ah... E antes que insista, eu  vou dizer que eu posso deixar se ser uma moça bonita e passo a ser uma Fera. Portanto, fique longe de mim e não me encha!
     A mulher acena com a cabeça e quando está longe, eu ouço dizer:
    – Meu Deus, que mulher!
    Sem tirar o olho, vejo que sai da água e vai direto para o bar. Pega uma toalha vermelha, seca o rosto, a enrola na cintura e vai embora. Feliz com a vida. Sorrio e nado de volta para a costa. Sento-me na areia e começo a fazer o que tanto gosto: cobrir as pernas com areia.        Perdida em pensamentos, eu pego a areia molhada e a deixo cair em cima de mim, quando vejo que alguém senta ao meu lado. É uma menina.
    Encantada, dou um sorriso e a pequena me diz, entregando-me um balde de praia.
    – Quer brincar?
    Incapaz de recusar, concordo e enquanto o encho de areia, pergunto:
    – Como se chama?
    Ela com um precioso sorriso me olha e responde:
    – Angelly, e você?
    – Regina.
    A menina sorri.
    – Tenho seis anos, e você?
    Ihhh... Outra curiosa como a minha sobrinha querida Grace e com um sorriso bagunço o seu cabelo, pegando o balde. É a minha vez de perguntar:
    – Vamos fazer um castelo?
    Maravilhada. Eu começo a brincar, enquanto o sol me seca. Estou ficando muito... Muito morena, como meu pai diria: Igual a uma cigana!
    Uma hora depois, a menina vai embora com os pais e quando eu volto para a minha rede em dois segundos um rapaz mais jovem que eu senta na areia e diz:
    – Oi. Meu nome é Georg. Está sozinha?
    Sem conseguir evitar-lo dou um sorriso. Nossa!! Como se paquera aqui !!!!!!
    – Oi, meu nome é Regina e não, eu não estou sozinha.
    – Espanhola?
    – Sim. – Empino o nariz e acrescento: – Com certeza você gosta de paella e sangria, certo?
    – Oh, sim... Como sabe?
    Acho graça. Esse sotaque tão característico eu conheço. Olhando para ele, pergunto:
    – Alemão, certo?
    Boquiaberto me olha.
    – Como você sabe?
    Me dá vontade de dizer coisas como  Frankfurt! Audi!, Mas achando graça, eu respondo:
    – Eu sei um pouco de alemão e reconheci o seu sotaque.
    Dito isto, eu pego o protetor solar e começo a passar em mim. Quando ele pergunta:
    – Quer que eu passe?
    Paro.  O olho de cima a baixo e digo:
    – Não, obrigada. Eu sozinha faço muito bem.
    Georg assente. E vejo que ele quer falar.
    – Eu tenho observado você a manhã toda e ninguém sentou aqui com você, exceto eu, tem certeza que você não está sozinha?
    – Eu já respondi.
    – Eu vi que você brincou com uma menina e deu um fora em uma loira. - Ele ri.
    Incrível, esse moleque me observou o tempo todo?
    – Olha, George, eu não quero ser antipática, mas eu quero saber porque estava me assistindo?
    – Eu não tinha nada melhor para fazer. Estou de férias com meus pais e eu estou entediado. Você vai me deixar pagar uma bebida?
    – Não, obrigada.
    – Você tem certeza?
    – Absoluta, Georg.
   Sua insistência e juventude me fazem rir, justo quando meu celular toca. Uma mensagem.
         "Paquerando, Sra. Mills Swan?"
    Rapidamente me viro. Olho em volta e vejo. Emma está no bar me observando.
    Eu sorrio, mas ela não sorri de volta. Oops... Oops... Oops...
    Pelo seu olhar eu sei que está pensando no que fazes um desconhecido  ao meu lado. E eu pronta para acabar com isso, eu olho para o jovem e digo:
    – Você vê aquela mulher alta, loira e linda olhando para nós do bar?
    – Aquela que nos olha com uma cara irritada, diz o jovem, olhando na direção que meu dedo aponta.
    Sem poder evitar, solto uma gargalhada e aceno com a cabeça.
    – Exatamente. Bem, eu quero que você saiba que é alemã como você.
    – E daí?
    – Só que é minha esposa. E pelo o rosto dela creio não está gostando de ver você ao meu lado.
    Seu rosto contrai.
    Coitado!
    Emma olha para o adolescente da forma mais canrrancuda que consegue. Olhando para mim com a cara séria, Georg levanta-se e resmunga enquanto se distancia.
    – Sinto muito. Desculpa. Eu estou indo. Estou certo que meus pais estão se perguntando onde eu estou.
    Dou um sorriso enquanto ele se vai. Então eu olho para minha linda esposa com cara de mau, mas ela não sorri. Eu rolo meus olhos e eu faço um sinal para que se aproxime. Isso não acontece. Eu faço uma careta e, finalmente, eu vejo que o canto direito de sua boca se curva para cima.
       Muito bemmm!
       Insisto com o dedo para que se aproxime, mas ela não vem, decido eu ir. Se a montanha não vem a Maomé, Maomé vai até a montanha.
    Levanto-me e então penso em algo.
    Com um sorriso maquiavélico, eu tiro a parte de cima do biquíni e deixo-o na rede dando boas vistas para minha mulher. Caminho sinuosamente para ela.
    Que descarada eu sou!
    Emma me olha... me olha e me olha. Ela me come com os olhos e eu sinto calor terrível em meu atrevimento, e meus mamilos se contraem.
    Deus... Como pode me olha desse jeito?
    Ao chegar fico na ponta dos pés, beijou-a nos lábios e murmurou:
    – Eu senti sua falta.
    Ela está imóvel e observando-me. É minha intimidação particular.
    – Você estava muito entretida conversando com esse menino. Quem era?
    – Georg.
    – E quem é Georg?
    Divertindo-me ao ver seu cenho franzido, respondo:
    – Vamos ver, carinho, George é um menino que está de férias com seus pais. Ele estava entediado e se sentou para falar comigo. Não comece de novo com isso sobre os predadores.
    Emma não diz nada e eu me lembro da mulher de camiseta azul.
    Meu Deus... Meu Deus... Se ela chega a ver que ela se meteu na água comigo. Essa sim era uma predadora. Uma coisa é Georg, um rapaz muito jovem e outra coisa era o tipo que me enviou uma Margarita.
    Depois de alguns segundos minha Icewoman me observa e eu estou prestes a quebrar o pescoço olhando para seu rosto, finalmente sorri e diz:
    – No nosso quarto, no gelo, tem algo que tem adesivo rosa.
    Deixo escapar uma risada e sem mais, eu corro para a minha rede. Recolho minhas coisas com pressa e quando eu volto com a língua no chão e mamilos ao vento, Emma me coloca em seus braços e depois de dar-me um beijo suave nos lábios, murmura:
    – Vamos aproveitar, Sra. Mills Swan.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Afterburn Capítulo 3

Boa leitura :D


Previously on Afterburn:  "Aproximei-me de Chad, deixando uma possível possibilidade aberta.
   A boca dele se curvou num sorriso, aquele levemente triunfante de quem sabe que está prestes a se dar bem. Chad esticou a mão até a minha, seu olhar passando por cima do meu ombro de um jeito relaxado. Então ele ficou tenso e franziu  a testa.
   — Merda.
    Sabia para quem estava olhando antes mesmo de me virar."


                                    --------------------------------

    Senti na pele uma eletricidade que conhecia bem demais. Resolvi não
me virar nem dar a Emma a satisfação de ver meu rosto, que provavelmente
retratava minha surpresa, frustração e irritação.
    Ela tinha mesmo muita cara de pau para ir até o Maill's depois de ter
partido meu coração. Minha família se lembrava dela — lembrava a última
noite que passamos juntas. Tínhamos ido a Nova York para passar o fim de
semana, só para que eu pudesse apresentá-la à família sobre a qual tanto
falava. Ficáramos até tarde no restaurante, muito tempo depois de fechar,
comendo, bebendo e dando risada com meus irmãos e meus pais. Assim
como eu, eles se apaixonaram por Emma. Naquela noite, acreditei que
realmente daríamos certo juntas.
    Foi a última vez que a vi até entrar no bar do Four Seasons.
Chad me olhou. “Você convidou Stacy também?”
 “Não.” Confusa, finalmente olhei por cima do ombro. Ver Emma
ajudando Stacy a tirar a jaqueta jeans fez meus dentes rangerem. Chad não tinha noção de onde eu ia levá-lo para jantar, mas Emma tinha.
    E, sem mais, ela traçou uma reta até nós, trazendo Stacy junto. Minha
mãe se pôs no caminho, o sorriso largo como sempre, mas com as penas
ouriçadas, em modo mãe coruja.
Olhei para Chad. “A gente pode fugir pelos fundos.”
Ele riu, mas seus olhos estavam sérios.
Angelo veio até nós. “Vocês a estavam esperando?”, perguntou,
apontando Emma com a cabeça.
 “Não…” Fitei Chad. “Eles não vão sentar com a gente.”
 “Ótimo.” Chad recostou-se contra o banco, o olhar fumegante. “Stacy
escolhe a dedo… Ela pode ficar com o negócio do Owen se quiser. Eu fico com
você e a Mondego.”
  “Tá certo.” Angelo olhou para mim. “Vou garantir que eles fiquem em
outra parte do salão.”
    Tomei um gole rápido de vinho enquanto meu irmão se afastava.
Chad me estudou por alguns instantes. “Ele toma conta de você.”
“É o jeito Mills de fazer as coisas.”
“Stacy e eu éramos assim. Antes do Owen aparecer.”
“Sério?” Tentei ignorar a sensação do olhar de Emma em cima de mim.
Podia senti-la me observando. “O que aconteceu?”
Chad encolheu os ombros. “Vai saber. Acho que o poder subiu à cabeça
dela. Nem sei se ainda pensa na comida. Está ocupada pensando em ficar
rica e famosa.”
    Minha mãe apareceu com mais vinho, pousando a mão sobre meu
ombro enquanto enchia mais uma vez nossas taças. Senti o toque suave de
suas unhas feitas e escutei a indagação silenciosa: Tudo bem com você?
    Pus minha mão sobre a dela e apertei, em resposta. Não, não estava
bem, mas o que eu podia dizer? Não daria a Emma a satisfação de recusar o
atendimento, nem minha família. Ela comeria uma excelente refeição, com
nosso melhor garçom e um vinho de sua escolha por conta da casa.
    Minha família pecaria pelo excesso. Ia afogá-la com gentileza.
Demonstraria que não éramos mesquinhos nem baixos. Mas aquilo custaria
caro. A todos nós. Meu cantinho fora invadido, a energia dela permeando o
espaço e meus sentidos. Cada nervo do meu corpo titilava com sua
presença.
    Lori, umas das garçonetes, veio anotar os pedidos. Chad e eu decidimos
dividir uma massa. O tempo todo, durante a entrada e a salada, fiquei
esperando que Emma viesse até nós. Estava terrivelmente ligada em sua
presença, incapaz de dar a Chad a atenção que vinha oferecendo até então.
Ele também desanimou, mantendo o olhar fixo no prato ou em meu rosto.
    Nós dois evitávamos olhar para os outros fregueses.
    Na minha cabeça, Emma estava se divertindo só para me afrontar. Por que
teria levado Stacy para jantar, se ela estava com Owen? Será que Stacy saía
com os dois? Afinal de contas, não havia demonstrado hesitação ao
cumprimentá-la com um beijo no rosto quando Emma tinha aparecido, mais
cedo.
    Antes de servirem o prato principal, Chad foi ao banheiro, e eu dei uma
olhada em meu celular. Tinha uma chamada perdida de Cristina. Quando Chad
voltou com uma cerveja na mão, sorri e disse: “Já volto”.
    Segui na direção dos banheiros, mas desviei e entrei no escritório dos
fundos, fechando a porta para isolar o barulho. Liguei para Cristina e levei o
aparelho ao ouvido.
   “Regina”, atendeu ela. “Tenho que parabenizar você por seu bom gosto.”
   “Escolho bem, não acha?” Andei até a parede oposta, onde havia um
retrato de família pendurado. Eu devia ter uns doze anos, usava aparelho
nos dentes e estava com o cabelo desgrenhado. Nico, Vincent e Angelo
aparentavam diversos níveis de esquisitice adolescente. Meu pai estava
imortalizado em seu auge, assim como minha mãe, que pouco havia
envelhecido desde então. “Como foi, então?”
   “Como esperado. Você adivinhou direitinho. Emma disse que se
envolveu no assunto como um favor a alguém.”
   “Desculpa, ainda não tive tempo de ir atrás dos detalhes… Estou com
Chad desde que saí… Mas aposto que é algum Swan. Quando Emma
não está apostando alguns milhões, está arrumando a bagunça dos outros
membros da família.” E pegando mulheres bonitas… “Quanto ao Chad, ele
está na nossa, mas acho que devemos redigir um contrato novo o mais cedo
possível, antes que algo aconteça e ele mude de ideia. Emma não vai dar o
braço a torcer tão fácil. Chegou do nada aqui no Mill's, e ainda trouxe a
Stacy.”
    Cristina riu. “Desculpe, mas gostei dela.”
    Retorci os lábios com pesar. “Acontece.”
   “Owen ligou.”
   “Ah é? Conte mais.”
   “Pediu para me encontrar hoje à noite.”
   “Ah, talvez seja por isso que Emma está com Stacy. Está de babá.” Para
minha irritação, isso me encheu de alívio.
   “Pode ser. De qualquer forma, recusei. Tenho a impressão de que nossos
adversários estão tentando fechar o cerco contra nós, o que significa que
estamos no caminho certo. Sinceramente, não me divirto tanto há anos.”
     Bufei e me virei a tempo de ver a porta se abrindo… e Emma
aparecendo. “Tenho que ir, Cristina, mas estou aqui se precisar de mim.”
    “Amanhã de manhã a gente conversa melhor, de cabeça fresca. Boa
noite, Regina.”
   “Pra você também.” Pus meu telefone de lado.
    Medimos uma a outra durante um longo minuto. Ela estava vestida com jaqueta
 cinza e a calças jeans escura, um estilo casual ao
qual estava mais acostumada, e que preferia. Seu cabelo loiro estava caido graciosamente por seus ombros, atenuando a severidade de sua beleza. Emma estava
recostada contra a porta, as mãos nos bolsos do jeans, as pernas cruzadas na altura
dos tornozelos, porém apenas uma idiota deixaria de notar o ar predatório
que a cercava. Seus olhos semicerrados estavam vigilantes e atentos.
    “Sinto falta dos seus cabelos logos”, ela disse, afinal.
    Escorei-me contra a escrivaninha do meu pai e cruzei os braços. “Isso é
passado.” Está uns dois anos atrasada…
    “Você estava quase dando o bote quando cheguei. Está pensando em dar
para o Chad Williams porque está a fim dele ou porque quer que assine o
contrato?”
    Outra mulher talvez tivesse ficado de boca fechada, porque a pergunta
não merecia resposta. Permaneci calada porque fiquei magoada. Nunca vira
Emma ser malvada ou cruel de propósito — e ela simplesmente sumira da
minha vida.
    “Regis…”
    “Não me chame assim.”
    “Como você prefere?”
    Meu pé batucava inquieto. “Prefiro não ver mais você, nem saber nada a
seu respeito.”
    “Por quê?”
    “Imagino que seja óbvio.”
    Sua boca maravilhosa se contraiu. “Não para mim. A gente se conhece e
se dá bem. Muito bem mesmo.”
    “Não vou dormir com você de novo!”, exclamei rispidamente, sentindo
as paredes se fecharem ao nosso redor. Ela tinha sempre o mesmo efeito
sobre mim. Com ela, eu não conseguia prestar atenção em mais nada.
    “Por que não?”
    “Pare de me perguntar isso!”
    Emma se endireitou e o escritório ficou ainda menor. Minha respiração
acelerou e meu olhar disparou para a porta atrás dela.
    “É uma pergunta válida.” Emma tirou as mãos dos bolsos sem tirar os olhos de mim.
    “Diga por que está tão zangada.”
    Fui tomada por um surto de pânico. “Você sumiu!”
    “Sumi?” Ela deu um passo na minha direção. “Está dizendo que não sabia
onde me encontrar?”
    Franzi a testa, confusa. “Como assim?”
    “Tinha que acabar, e acabou.” Emma se aproximou. “Discretamente. Sem
cena. Sem memórias desagradáveis. Nós…”
    “Sem escândalo.” Respirei fundo, mais ofendida do que nunca. Em
seguida, retruquei, em autodefesa. “Então para que cometer o mesmo
erro?”
    “Não podemos ser amigas?”
    “Não.”
    Emma invadiu meu espaço pessoal. “Não podemos fazer negócios juntas?”
    “Não.” Descruzei os braços. “Você tornou isso pessoal logo de cara.”
    Ela sorriu, exibindo a maldita covinha. “Você fica muito gostosa quando
está brava comigo. Devia ter irritado você mais vezes.”
    “Cai fora, Emma.”
    “Eu caí. Parece que não deu certo.”
    “Na verdade, deu, sim. Volta lá pro seu mundo e me esquece.”
    “Meu mundo.” O sorriso sumiu com o brilho em seus olhos. “Certo.”
    Emma tinha interrompido o avanço, então passei por ela depressa, ciente
de que tinha desaparecido havia muito tempo e que Chad estava à minha
espera.
     Emma me segurou pelo braço e falou em meu ouvido: “Não vá pra cama
com ele”.
    Senti um arrepio. Estávamos ombro a ombro, virados para direções
opostas, o que era uma boa representação do nosso relacionamento. Eu
podia sentir seu cheiro, seu calor, e me lembrei de outras ocasiões em que
ela havia falado junto ao meu ouvido.
    Emma era uma sedutora. Mesmo quando eu já estava no papo, ela me
esquentava bem antes de me levar para a cama. Lançava-me longos olhares
sensuais, tocava-me com frequência, murmurando safadezas que me
faziam corar.
    “E você, Emma, está se guardando?”, rebati.
    “Eu me guardo, se você se guardar.”
    Deixei escapar uma risada agressiva. “Ah, tá.”
    Ela sustentou meu olhar. “Posso provar.”
    “Não estou interessada em joguinhos.”
    Alguém chacoalhou a maçaneta, fazendo-me pular de susto. “Regina?
Você está aí?”
    Vincent. “Estou”, respondi alto. “Já saio.”
    “Não vá pra cama com ele”, repetiu Emma, os olhos sombrios e sérios.
“Estou falando sério, Regina.”
    Soltei o braço e me atrapalhei para abrir a tranca, mas logo escancarei a
porta.
    Meu irmão estava com a chave do escritório numa das mãos. Ele olhou
por cima do meu ombro para Emma. “Perdeu a vontade de viver, Swan?”
    Revirando os olhos, empurrei Vincent para trás. “Deixa.”
    “Vá caçar em outro lugar, loira”, insistiu Vincent, bloqueando a passagem
assim que passei por ele.
    Por um instante, pensei em intervir, mas logo desisti da ideia. Eles eram
grandinhos. Podiam se resolver sozinhos.
    Quando cheguei ao salão do restaurante, deparei com uma sacola com a
comida embrulhada para levar na mesa diante de Chad, que se levantou ao
me ver.
    “O que você acha de a gente levar isso aqui de volta para o hotel e comer
em paz?”, perguntou ele.
    Olhei ao redor, notando facilmente o cabelo vivo de Stacy brilhando sob
a meia-luz dos lustres de ferro fundido. Ela nos fitava com ódio mal
disfarçado.
    “Tenho uma ideia melhor”, respondi, pegando minhas coisas. “Conheço
um lugar aonde podemos ir e em que ninguém vai nos encontrar.”
    Levei Chad para o salão de beleza da minha cunhada, que ficava no
Brooklyn. Ela fechou o salão, achou uns pratos de papelão e nós nos
deliciamos com o espaguete à bolonhesa — morno, mas ainda delicioso —
na sala de descanso dos profissionais, nos fundos da loja, longe dos odores
de tinta de cabelo e laquê.
    “Você tem um sotaque de Nova York”, reparou Chad, após passarmos
um tempo comparando histórias de fregueses ensandecidos. “Nunca tinha
notado.”
    Dei de ombros. “Pois é. Como o dos seriados policiais na TV.”
   Chad riu.
    “É porque ela está em casa”, explicou Ruby.
    Não acrescentei mais nada. Não tinha nada de mais ele ter percebido. O
sotaque sempre aparecia quando eu estava com minha família ou meus
amigos, quando baixava minhas defesas e me sentia mais como a pessoa
que era antes.
   “É bonitinho”, comentou ele. “Eu também tenho sotaque”, ele disse,
exagerando.
    “Ela ficou boa nesse negócio de disfarçar o dela”, comentou Ruby, cujo
cabelo escuro com mexas vermelhas estava arrumado em tranças elaboradas.
Tinha piercings no nariz e na sobrancelha, e uma tatuagem no antebraço
esquerdo. Estava grávida de cinco meses, o que me deixava emocionada.
    Estava louca para ser tia.
    Meu celular começou a tocar dentro da bolsa, e estiquei o braço por
cima da bancada para procurá-lo. Talvez Cristina precisasse de mim. Ela não
estava brincando quando falara dos horários no dia em que me contratou.
    Eu recebia ligações às duas da manhã e nos fins de semana, mas adorava,
porque só acontecia quando ela estava realmente empolgada com alguma
coisa.
    Não reconheci o número que apareceu na tela e estava prestes a deixar a
chamada cair na caixa postal quando resolvi demonstrar um pouquinho
mais do meu sotaque para Chad.
    “Escritório de Regina Mills”, atendi com naturalidade. “Como posso
ajudar?”
    Silêncio na linha, e então… “Regis.”
    Prendi a respiração, balançada pelo jeito como Emma dizia meu nome. O
mesmo de quando éramos amantes e ela me ligava só para escutar minha
voz.
    “Fale alguma coisa”, disse ela, abruptamente.
    Fortalecida pela visão da minha cara de espanto no espelho impiedoso,
respondi com frieza. “Como conseguiu este número?”
    “Não venha com essa”, retrucou ela. “Fale como você costumava falar. A
verdadeira Regina.”
    “Foi você quem me ligou.”
    Ela resmungou algo. “Almoce comigo amanhã.”
    “Não.” Levantei da cadeira e caminhei até a frente do salão.
    “Sim. Nós precisamos conversar.”
    “Não tenho nada para dizer.”
    “Então vai me escutar.”
    Arrastei a ponta do sapato sobre uma rachadura num dos azulejos do
piso. Ruby estava apenas começando a recuperar o investimento inicial
no salão, e havia ainda várias melhorias a ser feitas no lugar. A região
estava recuperando sua fama descolada, e ela tinha sido esperta ao
pendurar cartazes vintage nas paredes e fazer uma decoração retrô que
distraía o olhar dos pequenos defeitos.
    Meu Deus, em que estado eu estava por causa de Emma. Meu cérebro
estava disperso, alternando-se entre pensamentos aleatórios.
Procurei me concentrar na pessoa que estava causando tudo aquilo. “Se
eu almoçar com você, jura que vai me deixar em paz depois?”
    “Não posso prometer isso.”
    “Então não vou”, retruquei. “Você não tem direito de invadir minha vida
desse jeito. Não é da sua conta. Você não tinha nada que se intrometer…”
    “Mas que droga! Eu não sabia que você estava apaixonada por mim,
Regina!”
   Fechei os olhos diante da dor de ouvir aquelas palavras saindo de seus
lábios. “Então você não me conhecia mesmo.”
    Desliguei.

                                       --------------------------

    “Descobri a relação entre Hunt e a família Swan”, contei a Cristina
assim que ela chegou ao trabalho, seguindo-a até sua sala. “Em um artigo na
revista FSR.”
    Ela me olhou de lado. “A que horas você chegou aqui?”
    “Faz meia hora, mais ou menos.” Na verdade, eu tinha ficado acordada
até tarde fazendo minhas pesquisas, sem conseguir dormir. Precisava saber
por que Emma estava se metendo na minha vida e como fazer com que ela
caísse fora mais uma vez.
     Não queria um pedido de desculpas ou uma explicação. Não queria que
fôssemos amigas. Não queria um motivo para ter esperança, porque era
dolorosamente evidente para mim que eu ainda a amava. E ela devia estar
tomando conhecimento desse fato.
    Tinha aprendido da primeira vez, e ela confirmara: nosso
relacionamento tinha que terminar. Sem recaídas.
    Empurrei o artigo da Full-Service Restaurant sobre a mesa dela. “Uma
minúscula menção à contribuição de Hunt em apoio às campanhas
Swan, no meio de um artigo maior sobre restaurateurs na política.”
    “Humm.” Seu olhar astuto se ergueu de encontro ao meu. “Vivi com Owen
por cinco anos. Ele nunca votou na vida. Além do mais, é sovina demais
para gastar a grana necessária para receber atenção personalizada dos
Swan.” Cristina recostou-se em sua cadeira e girou-a de um lado a outro.
“Dito isto, não consigo imaginar por que um investidor de risco preferiria o
negócio do Owen ao meu, a menos que tenha alguma motivação pessoal. Não
faz sentido, do ponto de vista financeiro.”
    Erguendo as mãos, admiti: “Também não consigo entender”.
    “Será que Emma  contaria o que despertou seu interesse em Owen, se
você perguntasse?”
    "Pode ser que sim.” Sentei-me diante de sua mesa. “Mas ela não é o fator
decisivo aqui. Stacy prefere Owen, Chad prefere a gente. Temos isso a nosso
favor.”
    “Você não está curiosa?”
    “Não o suficiente para correr atrás dela. Emma está começando a perceber
que levei nosso caso mais a sério do que deveria, e isso deixa as coisas…
meio esquisitas.”
    O olhar de Cristina irradiava simpatia. “Acho que a melhor solução é fechar
logo o negócio. Vou conversar com a equipe da Mondego hoje sobre seguir
em frente só com Chad. Eles não estão muito animados com a ideia, o que
não é nenhuma surpresa, mas acho que encontrei uma alternativa
atraente.”
    Debrucei-me sobre a mesa para ouvir, e Cristina sorriu diante de meu
evidente interesse.
    “Aqui.” Ela girou o monitor para me mostrar duas mulheres
 extremamente diferentes. Uma morena exótica e uma loira de rosto jovem.
    “Faz meses que estou acompanhando as duas. Isabelle, a morena, é
especialista em culinária regional italiana; Alice, a loira, é especialista em
culinária regional francesa.”
    Um leve sorriso surgiu em seu rosto. “Duelo de cozinhas internacionais.”
    “Dá mais trabalho para fazer o cardápio, mas…”
    “Ótimo.”
    Cristina esfregou as mãos. “Se tivermos sorte, ainda vamos estourar aquela
garrafa de champanhe.”
    Ouvi pela porta aberta o telefone tocar na minha mesa e levantei.
    Cristina empurrou seu telefone na minha direção. “Atenda daqui.”
    Puxei a chamada e atendi.
    “Srta. Mills, aqui é Owen Hunt. Bom dia.”
    Ergui as sobrancelhas, espantada, e articulei Owen com os lábios para Cristina.
    Sua boca se curvou, em desagrado.
    “Bom dia, sr. Hunt. Estava justamente falando do senhor.”
    “Estava esperando sua ligação, mas perdi a paciência.” A afetuosidade
 bem-humorada em seu tom me atingiu da maneira que suspeitava que
atingia a maioria das mulheres. Não havia dúvida alguma: sua voz tinha um
tom íntimo e agradável.
    “Aceita almoçar um dia desses?”, perguntei, assegurando-me com uma
olhada, de que Cristina não se incomodava. Ela assentiu.
    “Fico lisonjeado que me prefira a Emma", disse ele, provocando-me.
    “Mas na verdade estava pensando num jantar. Tenho um compromisso hoje
à noite e preciso de companhia.”
    Acionei o viva-voz. “E Stacy?”
    “Ela é maravilhosa, claro, mas prefiro levar você. Você também vai
querer ir, Cristina”, disse Owen, dirigindo-se diretamente à minha chefe, “para
tomar conta da sua menina, e, por mim, tudo bem. Quanto mais, melhor. É
um evento formal. Estejam no heliporto Midtown às seis.”
    Cristina sorriu largamente, apreciando o teor da conversa, porém não
respondeu.
    “Você está partindo do princípio de que não tenho planos numa sextafeira
à noite”, argumentei.
    “Não se ofenda, srta. Mills.” Ele parecia estar se divertindo. “É um elogio
à sua dedicação profissional. Cristina não a teria contratado se não pusesse o
trabalho em primeiro lugar. Vejo vocês mais tarde.”
     Owen desligou e pus o fone de volta no gancho. “Bem… o que você acha?”
    “Acho que temos que ir às compras.”
    Quando voltei à minha mesa, encontrei um pacote à minha espera.
    Rasguei o embrulho de papel pardo e deparei com uma caixa de
chocolates. A onda de desejo que me varou ao rever aquela marca
específica — Neuhaus — e as memórias que evocava aceleraram minha
respiração. Minha pele se aqueceu.
    Experimentara as trufas belgas apenas uma vez na vida, quando as havia
chupado da ponta dos dedos de Emma. Ela as tinha derretido com o calor de
seu toque… e então escrito em meu corpo, limpando depois com lambidas
perversas.
 
        Regina. Sexy. Doce. E minha preferida: Minha.
Senti as coxas se contraírem e cruzei os tornozelos, meu âmago se
apertando com um desejo sedento. Meu corpo não ligava que ela tivesse me
largado sem dizer uma palavra. Queria Emma. Desesperadamente.
O bilhete colado ao pacote era simples e não continha assinatura.

    Reconheceria você até vendada.


    Não saberia dizer aonde foi que Cristina nos levou para comprar vestidos
longos. Era uma loja pequena, sem letreiro na fachada e com uma placa de
fechado na porta. Atendiam apenas com hora marcada. Assim que o sedan
de Cristina parou na frente, fomos acompanhadas até um elegante showroom,
onde nos serviram champanhe com morangos. Não havia etiqueta de preço
em lugar nenhum.
    A hora seguinte transcorreu num revoar de sedas e tafetás. Fiquei
encantada.
    Havia momentos em meu trabalho com Cristina em que eu era exposta a um
mundo muito além de qualquer coisa que já imaginara. Sempre batalhava
para ocultar minha expressão de deslumbre, os olhos arregalados, e
tentava imitar Cristina, que parecia à vontade e natural. Precisava ficar me
recordando de que suas origens não eram tão distintas das minhas. Ela
tinha adquirido o refinamento necessário ao longo dos anos, e eu podia
fazer o mesmo.
     Estava namorando um longo preto com mangas de renda quando Cristina
pousou a mão em meu ombro.
    “Muito de velha para você”, disse.
    Olhei-a de relance. “Achei discreto e elegante.”
    “E é, para uma mulher da minha idade. Você tem vinte e cinco anos.
Aproveite.”
    “Preciso ser cuidadosa”, expliquei. Minha chefe era magérrima, graciosa
e esbelta. Já eu, era curvilínea. “Meus peitos são grandes. Que nem
minha bunda.”
    “Você tem um corpão”, afirmou ela, sem rodeios. “Disfarça no trabalho, o
que eu entendo e respeito, mas não desperdice isso. É um mito que uma
mulher de sucesso não pode ser sexy sem arruinar sua credibilidade. Não
engula isso.”
    Mordi o lábio inferior. Olhando ao redor, senti-me intimidada pelo ar de
opulência que o lugar projetava. Aquilo estava muito acima do meu nível.
    As paredes, por exemplo, eram cobertas por uma seda marfim esvoaçante,
em vez de papel de parede. Os canapés vinham numa travessa de prata
maciça. “Você me ajuda? Tenho medo de escolher errado.”
    “É para isso que estou aqui, Regina.”  Cristina gesticulou para uma das três
atendentes que nos ajudavam. “Vamos ver o que vocês têm para uma jovem
linda e voluptuosa.”

     Os assovios com que me receberam quando saí do quarto algumas horas
depois me deixaram ao mesmo tempo empolgada e nervosa. Ruby tinha
voltado mais cedo do trabalho para fazer meu cabelo e trouxera Tinker, uma
de suas maquiadoras. Angelo estava largado no sofá, matando o tempo até
seu turno no Mill's vendo TV.
    “Uau”, disse meu irmão, endireitando-se no sofá. “Quem é você e o que
fez com minha irmã?”
    “Cala a boca”, Ruby e eu respondemos em uníssono.
    “Ela está parecendo uma estrela de cinema”, disse Tinker, voltando da
cozinha, onde tinha ido limpar seus pincéis. “Uma diva. Como Audrey Hepnurn
ou Sophia Loren.”
    “Quem?” Ruby franziu a testa.
     Mas eu sabia de quem ela falava. Sempre tinha pensado em minha mãe
da mesma maneira.
     No final das contas, o vestido que escolhemos também era preto, mas
muito mais sexy. Um broche de brilhantes prendia uma das alças. Com
cetim franzido no busto, o vestido era cingido na cintura por um fino cinto
de diamantes e fendido na perna direita até o meio da coxa. Vincent já
estava no Mill's, mas teria tido um ataque se tivesse visto o quanto da
minha perna estava à mostra. Nico, que agora morava em Jersey, teria
adorado.
     Com duas cervejas nas mãos, Ruby se deixou cair no sofá, passou uma
para o marido e pôs a outra na mesinha de centro para Tinker. Desde que
soubera do neném, não estava bebendo.
    Argolas douradas brilhavam de dentro da massa de cabelos frisados.
    “Chad também vai?”, ela perguntou.
     “Não faço ideia.”
    “E Emma?”, acrescentou Angelo, apreensivo.
     Dei de ombros, mas meu coração disparou. Procurara não pensar em Emma
enquanto me preparava, mas não podia deixar de torcer para que ela me
visse toda arrumada. Eu estava maravilhosa.
    “Você sabe que não deve, não sabe?”, disse meu irmão.
    “Sim”, concordei. “Eu sei.”
    Meu celular tocou. O motorista de Cristina tinha chegado. “Tenho que ir!”
    Apressei-me para pegar sapatos, bolsa e echarpe junto à entrada e
acenei para Tinker enquanto saía pela porta. Decidi não esperar o antigo e
temperamental elevador de carga e desci os três lances de escada até a rua.
     O motorista já estava acostumado com a demora.
    Nico, Vincent e Angelo haviam comprado aquele apartamento na
expectativa de reformar e revender para ganhar algum dinheiro. Eu me
mudara depois da faculdade e acabara comprando a parte de Nico quando
ele fora para Nova Jersey. Depois disso, eu e Vincent tínhamos comprado a
parte de Angelo quando ele foi morar com Ruby, deixando-nos com
cinquenta por cento cada. Estávamos cogitando vender o lugar quando
Ruby descobriu que estava grávida, e ela e Angelo voltaram, para
economizar.
    Eu gostava de entrar em uma casa cheia no fim do dia e sentia falta de
Nico. Não sabia bem o que seria de mim se morasse sozinha. Ter alguém
presente a qualquer momento me ajudara a me concentrar no trabalho e a
sair menos. Nunca me importara com aquilo, mas talvez estivesse só me
recuperando de um coração partido. Talvez devesse ter encarado isso
antes. Agora, sem dúvida, era hora de enfrentar a situação.
    Ofegante devido à correria, entrei no banco traseiro do sedan, e nos
dirigimos à casa de Cristina. A região em que minha chefe morava era bem
diferente da minha. Ela vivia a uma ponte de mim, em Manhattan, mas
podia ser outro mundo. Atravessamos o East River, com o sol ainda
brilhando no céu e refletindo na água perturbada apenas por um rebocador
esforçado.
     Espantava-me que alguma vez tivesse acreditado que Emma poderia se
encaixar naquela vida. Eu passara a associá-la tão completamente a
Washington que não podia mais imaginá-la em qualquer outro lugar.
Exceto em minha cama. Era bem fácil imaginá-la ali…

   
       Estava pensando na melhor maneira de extrair informações de Owen
Hunt quando o carro encostou diante do prédio de Cristina.
      Eu havia visto seu vestido na loja, mas agora que a via com a maquiagem
e o cabelo arrumado o impacto era outro. O tecido verde-esmeralda do
vestido em estilo grego flutuava sobre seu corpo esguio à medida que ela
atravessava a portaria do prédio, sorrindo para o porteiro. A cor viva
realçava sua pele perfeita e enfatizava o vermelho de seus lábios, enquanto
um lindo prendedor de pedras preciosas acentuava os fios ondulados junto
da têmpora direita.
     Cristina sentou-se no banco ao meu lado, e notei sua tensão de cara.
    “Você está bem?”
    “Claro.”
    Percorremos o curto trajeto até o heliporto em silêncio, ambas
distraídas com nossos pensamentos. Ao virar uma esquina, minha visão
parou num parque canino e nos animais barulhentos correndo livres e sem
freios lá dentro. A exuberância brincalhona e a alegria incontida deles me
fizeram sorrir, apesar do tom sombrio de minhas reflexões ao longo do dia.
     Detestava admitir, mas estava chateada com o fato de que Owen sabia do
convite de Emma para almoçar. Quando Emma havia ligado, achara que era
pessoal e que ela queria mesmo recuperar o contato, nem que fosse só para
se desculpar. Sempre tinha esperado demais dela. No que se referia a Emma,
meus instintos eram péssimos.
    Em pouco tempo, estávamos num helicóptero, com os cintos afivelados e
levantando voo. Minha atenção se voltou para Cristina. Ela fitava a paisagem
pela janela enquanto o chão se distanciava cada vez mais, exibindo a cidade
para nosso deleite, um mar espetacular de concreto e vidro reluzente
tingido pela luz do sol. Fiz o mesmo, absorvendo o panorama. O dia inteiro
havia sido um reflexo de minha experiência de trabalho com Cristina. Minha
família tinha uma visão microscópica do mundo, e preferia as coisas assim.
Já eu sempre desejara algo maior, queria ver o mundo através de uma
grande-angular.
     “Você sabe para onde estamos indo?”, perguntei.
    Cristina fez que não com a cabeça. “Owen está querendo marcar uma posição
com esse passeio. Imagino que vamos nos surpreender.”
    Perto das oito horas, eu me vi saindo de uma limusine diante de uma
mansão gigantesca em Washington. A cada quilômetro percorrido, eu ficara
mais ansiosa, e isso só piorou quando embarcamos num jato particular no
aeroporto e a comissária de bordo anunciou nosso destino.
    “Ele se superou”, resmungou Cristina quando Hunt desceu os degraus da
larga escadaria na frente da enorme mansão para nos receber.
    O restaurateur estava muito elegante num smoking clássico, os cabelos
ruívos penteados para trás com gel. Ele me cumprimentou primeiro,
com um beijo no dorso da mão, então virou os olhos azuis para Cristina.
    “Você está brincando com alguém da minha equipe”, disse ela friamente,
observando-o impassível erguer sua mão até os lábios. “Você jamais foi
cruel.”
    “Eu tinha um coração”, respondeu ele, com a fala carregada, “mas então
alguém o partiu.”
    Olhei de um para o outro rapidamente, tentando fazer uma leitura da
tensão entre os dois. Tive a sensação de que era um peão em um jogo cujas
regras todos sabiam, menos eu.
    Tudo bem. Se eu ficasse de boca fechada e ouvidos abertos, poderia
acompanhar o passo.
    Owen ofereceu-me o braço. “Vamos?”
    Ele me conduziu escada acima, e Cristina nos seguiu sozinha. Uma olhadela
para trás confirmou que o fazia majestosamente, com a cabeça erguida
sobre aquele pescoço comprido que eu invejava. Uma luz se derramava
pelas portas duplas abertas, e, atrás de nós, limusines deixavam
passageiros em levas regulares. Era uma festa incrível, e eu nem tinha
passado pela porta.
    “Espero que os voos tenham sido do seu agrado”, disse Owen.
    Fitei-o de relance e vi que estava me observando com cuidado excessivo.
    “Sim, obrigada.”
    “Já esteve em Washington antes?”
    “Primeira vez.”
    “Ah.” Ele sorriu, e pude notar um traço de seu charme. “Talvez considere
passar o fim de semana. Tenho uma casa em Georgetown. Pode ficar lá, se
quiser.”
    “Que gentil.”
    Rindo, Owen desenlaçou nossos braços, pôs a mão de leve nas minhas
costas e fez com que eu passasse pelas portas. “Espero que diga mais do
que duas ou três palavras no decorrer da noite, srta. Mills. Gostaria de
conhecer você melhor, especialmente considerando que tanto Cristina quanto
Emma parecem muito interessados em você.”
     Ao deparar com o que parecia ser uma fila de cumprimentos, diminui o
passo. “O que é esta festa?”
    “É um evento para arrecadar fundos”, murmurou ele, junto ao meu
ouvido.
    De repente, entendi o que Emma queria dizer com crueldade. “Para um
Swan?”
    “Para quem mais?”, perguntou ele, a voz traindo seu divertimento.
    A fila andou depressa, os homens oferecendo um aperto de mão brusco
e as mulheres ligeiramente mais delicadas. Estavam todos arrumadíssimos,
nem um fio de cabelo fora do lugar, e exibiam dentes ofuscantes de tão
brancos em imensos sorrisos bem treinados.
    Foi um alívio quando os cumprimentos terminaram e pude aceitar uma
taça de champanhe de um garçom sorridente. Fiquei ainda mais satisfeita
de ver Chad, que parecia tão pouco à vontade quanto eu. Seu rosto se
iluminou ao notar nossa presença, rostos familiares em meio a uma
multidão de desconhecidos, e ele veio na nossa direção.
    “Tomei a liberdade de colocar Chad como seu par, Cristina”, disse Owen,
deixando o olhar deslizar pelo corpo dela.
    Olhei ao redor em busca de Emma. Não consegui encontrá-la, mas havia
gente demais perambulando pelo salão de baile. Um salão de baile, meu
Deus… Na casa de alguém.
    Quem poderia ter uma casa daquelas?
    Dei um longo gole no espumante gelado. Emma poderia ter uma casa
daquelas. A elegante executiva que eu vira na Savor poderia se encaixar
muito bem no ambiente, mas não a amante que eu conhecera.
    Você só achava que a conhecia…
    Chad se aproximou de mim, deslizando o indicador ao longo do
colarinho da camisa. “Dá para acreditar neste lugar? Acabei de conhecer o
governador da Louisiana. E ele sabia quem eu era!”
     Owen abriu um sorriso presunçoso, mas eu ainda não estava entendendo…
    “Qual é a relação entre política e indústria alimentícia?”, perguntei a ele.
    “Tenho que admitir que é uma parceria incomum.”  Owen pegou minha taça
vazia e a entregou a um garçom que passava por nós, trocando-a por uma
cheia. “Mas todo mundo tem que comer.”
    “Nem tudo mundo vota”, observou Cristina, pegando ela mesma uma nova
taça.
     “Você sempre foi muito mais responsável nesse aspecto do que eu”,
concordou Owen. “E você, Regina? Exerce seu direito de votar?”
    “Achei que não era elegante discutir política.” Dei uma olhada numa
bandeja de canapés que passou por perto e percebi que estava ansiosa
demais para pensar em comer.
    “Por que não dançamos então?”, sugeriu ele.
    Considerando que provavelmente seria uma chance única de falar com
Owen a sós, concordei. Chad pegou minha taça de champanhe e virou.
    “Já vou avisando que não danço muito bem”, eu disse enquanto Owen me
levava para a pista. Eu tinha feito algumas aulas, para ganhar um pouco de
confiança, mas nunca tivera a oportunidade de dançar formalmente fora da
academia e me faltava tempo para praticar. Definitivamente, jamais
dançara ao som de uma orquestra antes.
    “Pode deixar que eu conduzo”, murmurou ele, puxando-me para junto
de si.
    Nós nos misturamos aos poucos casais na pista.
    Eu estava tão concentrada em não pisar no pé dele que não disse uma
palavra por mais de um minuto.
   “Como você conheceu Emma?”, perguntou Owen.
    “Não a conheço.” E era verdade, em todos os sentidos que importavam.
    Owen ergueu as sobrancelhas, os olhos azuis me estudando. “Ontem não
foi a primeira vez que vocês se viram.”
    “E como tenho certeza de que você sabia disso antes de envolver Emma,
estou mais interessada em saber como vocês dois se conheceram.”
    “Sou amigo do pai dela, James Swan. Ele nos apresentou.”
ergueu o olhar para além de mim. “E por falar no diabo…”
    Minha coluna ficou rígida. Virei a cabeça, e meus pés vacilaram à medida
que eu observava um homem assustadoramente parecido com Emma dançar
com uma mulher muito bonita e mais jovem.
    O desejo de deixar a festa foi quase incontrolável. Aquilo não era lugar
para mim, um evento político, um mundo que não tinha nada a ver comigo.
    Não conseguia entender como uma dupla de chefs gêmeos tinha me levado
àquilo e realmente não estava interessada em dar sentido às coisas naquele
momento. A sensação de que a noite ia ser péssima foi se intensificando.
    “Por que você nos trouxe aqui, Owen?”
    Ele respondeu com outra pergunta: “Quão ambiciosa você é, Regina?”
    “Sou fiel a Cristina.”
    Ele sorriu. “Também já fui. Infelizmente, vai perceber que ela já não é
tão fiel. Você sabe tão bem quanto eu que se separar não é do interesse de
Chad nem de Stacy. Eles precisam um do outro.”
    “Eles podem se dar muito bem sozinhos. Os dois são talentosos.” Minha
irritação aumentou. “Não podíamos discutir isso em Nova York?”
     “Estou só defendendo o que é meu. Você tem que entender que não vou
poupar esforços.”
    “Sua briga é com Cristina, não comigo.”
    “Você se sente deslocada aqui”, disse ele com uma voz suave e
reconfortante. “Eu conheço essas pessoas. Adoraria ajudar você a fazer
conexões e encontrar seu caminho.”
    Encarei-o. “Por que está me oferecendo isso? Por causa de Emma? Se
acha que quero entrar na vida dela, não poderia estar mais enganado ao
meu respeito.”
    A música terminou, e eu me afastei, pronta para encontrar Cristina e ver se
ela também queria ir embora.
    Hunt entendeu o recado e me conduziu para fora da pista de dança.
    Eu estava quase a salvo quando uma figura alta entrou em meu caminho.
    Olhei para cima e perdi o fôlego, achando por um instante que Ema tinha
aparecido afinal.
    Então percebi que era seu pai.
    “Owen”, disse James, estendendo a mão. Sua voz transmitia poder, assim
como sua postura. O patriarca Swan comandava uma família de grande
poder no mundo da política. Seu alcance e sua influência eram
surpreendentes quando se pensava no assunto, o que eu não podia deixar
de fazer à medida que ele voltava os olhos claros para mim. “Acho que
não fui apresentado ao seu belíssimo par esta noite.”
     Fiquei surpresa ao ouvir o leve sotaque, incapaz de identificar de onde
era.
   Owen fez as honras. “James, esta é Regina Mills. Regina, Emma Swan.”
    “Olá”, cumprimentei.
    “É um prazer, srta. Mills. Esta é minha esposa, Kathryn.”
    Olhei para a loira ao lado dele, a mesma com quem estava dançando
antes e que não poderia ser muito mais velha que eu. Sem dúvida não tinha
idade para ser mãe de Emma . Cirurgião plástico nenhum poderia preservar
alguém tão bem. “Olá, sra. Swan.”
    Seu sorriso não se refletiu em seus olhos. “Kathryn, por favor.”
    “Dance comigo, Kathryn”, disse Owen, estendendo a mão num floreio.
    Ela voltou-se para James, que assentiu com a cabeça. Então se virou
para Owen. “Fale mais sobre esse chef novo que você trouxe hoje à noite. É
especialista em que?”
    “Culinária do sul, mas com uma abordagem moderna.”
    “Sério?” Eles seguiram para a pista de dança. “Vou organizar um jantar
daqui a algumas semanas. Será que…?”
    “Olhando assim, você jamais desconfiaria”, comentou James, pousando
a mão em minha cintura antes que eu pudesse recusar a dança. “Mas
Kathryn adora comer.”
    “Acho difícil entender quem não gosta.”
    James me conduziu para a dança com um floreio, e eu me segurei firme,
respirando fundo.
    “Ela também adora uma festa”, continuou ele. “Mas até aí, ela é jovem e
bonita. Como você.”
    “Obrigada.”
    “Você é do ramo da culinária também, não? Acho que foi isso que Owen
disse. Também deve gostar de uma boa festa. O que está achando desta?”
    “É…” Procurei uma resposta. “Preciso de um tempo para assimilar tudo
isso.”
    James riu, e o som não pareceu nem um pouco com o das risadas
cálidas de Emma. Seu pai tinha uma gargalhada estrondosa, do tipo que chama
atenção. Era estranhamente contagiante. Relutando, senti meus lábios se
curvando num sorriso.
    “Regina”, ele disse, mais uma vez traindo um sotaque regional. “Um
nome incomum, não é? Emma conheceu uma Regina em Las Vegas, alguns
anos atrás.”
    Exatamente como previra, a noite estava evoluindo de desconfortável a
desastrosa numa velocidade assustadora. Eu achava que ninguém sabia.
    Mas Emma parecia ter contado sobre mim. E isso não me deixava mais à
vontade.
     “Nem tanto”, respondi, controlando-me e me sentindo extremamente
desconfortável.
    “Deve ter sido uma surpresa e tanto encontrar Emma de novo.”
      Examinei seu rosto. Emma se parecia muito com James.
     “Estou mais surpresa com o fato de Owen ter sentido necessidade de
envolver sua filha no trabalho.”
    “Eu envolvi Emma”, murmurou ele, estreitando os olhos enquanto
fitava alguém atrás de mim. “Owen me fez um grande favor ao me apresentar
a Kathryn, então eu o ajudo sempre que posso.” Ele voltou a olhar para mim.
     “Mas não sabia de você. Imagino que Owen soubesse.”
      Senti uma onda de inquietação tomar conta de mim. Parecia um peixe
nadando em meio aos tubarões.
     “Com licença.”
     Meu Deus. O som da voz de Emma reverberara em mim.
     “Minha vez.”
     James parou de dançar, e eu virei a cabeça, o coração pulando dentro
do peito ao ficar cara a cara com Emma.
    “Achei que você não vinha mais”, James disse a filha.
    Emma me fitou de relance, então se voltou para o pai. “Você não me deu
opção.”
     Por um segundo, pensei em escapar enquanto os dois se ocupavam em
olhar feio um para o outro. Então Emma passou o braço por minha cintura e
me afastou dali.
     James me olhou de lado. “Vejo você no jantar, Regina. Aproveite a
festa.”
      Emma me contornou, impedindo-me de ver as costas de seu pai se
afastando da pista de dança. “Você está linda”, ela disse baixinho, puxando-me
para junto de si.
     Meus ombros doíam de nervosismo. “Que bom que tenho sua
aprovação.”
     Ela deu o primeiro passo, e eu a segui.
     “Respire, Regis”, Emma advertiu. “Deixe comigo.”
      “Quero ir embora.”
     “Então somos duas.” Ela acariciou minhas costas, num gesto
reconfortante. “Odeio estes eventos.”
    “Mas você se encaixa neles perfeitamente.”
     Seus olhos se encobriram com a sombra de uma emoção que não fui
capaz de identificar. “Nasci neste meio. Mas não vivo nele.”
     O calor de seu corpo passava para o meu. A cada fôlego, seu cheiro me
invadia; cada movimento que fazia me inundava com ecos de antigas
memórias.
     “Agora sim”, prosseguiu ela. “Relaxe, baby.”
     “Não começa.”
     “Você está no meu mundo, Regina. Eu faço as regras.”
      Balancei a cabeça. “Só estou aqui porque caí numa armadilha.”
      Emma me puxou para junto de si, levando os lábios junto à minha têmpora.
     “Desculpe.”
     “Você tinha que ter contado para todo mundo, não é? Não entendo você.
  Está na cara que não era o segredinho sujo que achei que fosse.”
     “Sujo, não.” Ela baixou a voz. “Tirando quando você queria que fosse. Ou
pesado. Você me tirava do sério.”
     Pisei no pé dela de propósito.
     Sua risada me atingiu.
    “Você bebeu”, acusei, sentindo o cheiro de álcool em seu hálito.
    “Não teve jeito.” Ela se afastou, com a mandíbula rígida. “Não sabia que
ia ser tão difícil ver você de novo.”
    “Vou facilitar as coisas para você então. Me ajude a sair daqui com Cristina.”
    “Ainda não.” Emma deslizou os lábios macios por minha testa. “Passei uma
noite com sua família. Você me deve uma com a minha.”
    “E depois posso desaparecer para sempre?”
     Era o que eu queria. Passar de Cinderela a Gata Borralheira.
     Emma me apertou, e senti seus seios contra os meus. “É esse o plano.”
 
 
     Emma  dançou mais duas músicas comigo, impedindo-me grosseiramente
de dançar com Owen e outros dois homens que tentaram me convidar.
     Entendi o recado tão bem quanto qualquer um ali: eu chegara à festa com
Owen, mas agora era de Emma.
     Em determinado momento, decidi desempenhar à risca meu papel de
Cinderela. Espantei a voz em minha cabeça que havia dois dias me deprimia
e ajeitei os dedos dentro de meus sapatinhos de cristal.
    “Quero mais champanhe”, anunciei abruptamente.
     Emma me fitou, desconfiada. “Ah é?”
    “É.”
    Seus olhos adquiriram um brilho perverso que eu reconhecia muito
bem. “Venha.”
    Segurando minha mão, ela me conduziu para fora da pista de dança e
pela multidão. Ela crescia ao redor, como se estivesse tentando nos
prender ali, mas Emma era boa em cumprimentos e réplicas bruscos. Avistei
um rosto familiar, a bela Allison Kelsey — esposa do sujeito cuja despedida
de solteiro tinha trazido Emma para minha vida —, e então entramos num
corredor. Em seguida, passamos por uma porta vaivém e entramos numa
imensa cozinha industrial, fervilhando.
    Olhei ao redor, observando as várias estações de cozinha e os uniformes
parecidos com os dos filmes. Emma roubou uma garrafa de champanhe das
mãos de um garçom, envolveu a haste de uma taça com os dedos num gesto
experiente e me levou por uma porta lateral para outro corredor.
    “Para onde estamos indo?”, perguntei, ainda tensa diante da ideia de
ficar sozinha com ela. Ainda a desejava. Nunca deixara de desejá-la.
    “Você vai ver.”
    O som da festa ficou mais alto, e ignorei a pontada de decepção que senti
diante da possibilidade de voltar para o salão. No que eu estava pensando?
     Emmame conduziu por uma porta dupla de vidro para uma varanda com
vista para um jardim encantado. Pelo menos era assim que parecia para
mim, com seus caminhos de cascalho iluminados por tochas e árvores
antigas com lampadinhas brancas brilhando.
    "De quem é esta casa?”, perguntei.
    “É patrimônio Swan.”
     O jeito como ela respondeu transmitia mais propriedade do que as
palavras em si. “Certo.”
     “Finja que estamos aqui de penetra”, disse, fazendo-me descer por uma
escada de paralelepípedos até um banco de mármore em forma de meia lua.
Sentei e fiquei observando enquanto ela servia o champanhe e me
passava a taça. “Parece que o fingimento nunca acaba, não é?”
      Emma bebeu direto da garrafa e limpou a boca com as costas da mão,
indolente e rebelde. “Talvez. Mas conheço você melhor do que pensa.”
     “Tenho a impressão de que não sei nada de você.”
     “Então fique sabendo”, desafiou ela. “Do que tem medo?”
     Tomei um gole do champanhe. “Dos becos sem saída e de ficar rodando
em círculos.”
     “Por que você simplesmente não aproveita?”
     Eu adoraria fazer isso. Uma onda de desejo me dominou.
     Ela colocou a garrafa no banco ao meu lado. “Vou beijar você.”
     Perdi o fôlego. “Não, não vai.”
     “Tente me impedir.”
     Fiquei de pé. “Emma…”
    “Cale a boca, Regina.” Ela segurou meu rosto com as mãos e me beijou.
     Por um momento fiquei estática, imóvel pela sensação de seus lábios
nos meus, macios e firmes ao mesmo tempo. Uma sensação dolorosamente
familiar. Enternecedora. Sua língua percorreu o contorno da minha boca.
     Eu a abri com um gemido grave, e ela deslizou para dentro.
     Deixei a taça cair. Ouvi, ao longe, o barulho do cristal se espatifando, mas
nem liguei. Meus braços envolveram seus ombros, meus dedos
entrelaçaram seu cabelo macio. Eu a estava saboreando, sentindo o gosto
de champanhe misturado com Emma, na ponta dos pés para intensificar o
contato.
     Como sempre, ela me ofereceu o que eu tinha exigido.
     Segurando-me com firmeza, refestelou-se na minha boca, dando golpes
com sua língua aveludada, mordiscando com os lábios e os dentes,
deslizando a boca ao longo da minha. Saboreando-me. Transformando um
simples beijo numa mistura erótica que me fazia tremer de prazer.
     Eu estava morrendo de saudades. Sentira muita falta da forma como ela
me fazia sentir.
     Emma gemeu, o som rouco vibrando em mim. Desceu as mãos, alisando
minhas costas, segurando-me firme à medida que girava os quadris e
esfregava coxa  contra minha virilha. Fui invadida pelo
desejo, a pele ficando corada. Seu cheiro era delicioso, uma fragrância sutil
de sabonete  que só ela possuía. Queria me deleitar do jeito que eu fazia antes, apertando meu corpo nu contra o seu até nenhum fio de ar ser capaz de passar entre nós duas.
     “Regina”, ela murmurou com a voz rouca, os lábios passeando por meu
rosto. “Quero você agora.”
      Fechei os olhos, e minhas mãos fecharam-se em meio aos fios  dourados
seu cabelo. Estava pegando fogo, minha pele parecia sensível e esticada
demais. “Você me teve um dia.”
      “Ir embora foi a decisão certa.” Senti seu hálito contra minha têmpora.
 “Isso não significa que não me arrependa.”
      Uma pequena voz de alerta berrava dentro da minha cabeça. “Você vai
me machucar.”
     “Vou venerar você.” Com uma das mãos, ela segurou minha nuca. Com a
outra, firmou meu quadril, deslizou mais sua perna esquerda entre as minhas, fazendo força ali. “Você lembra como a gente era. Horas com minhas mãos e minha boca em você, meus dedos
 bem lá dentro…”
     “Por quanto tempo?” Eu estava me contorcendo por dentro, louca por
um orgasmo.
    “Semanas.” Ela gemeu. “Meses. Estou tão excitada que dói.”
     Tentei me desvencilhar dela. “Preciso de mais do que sexo.”
     Emma me soltou, mas seu olhar continuava feroz e sensual. “Vou dar tudo o
que eu tiver.”
     “Por algumas semanas?” O esforço para me manter afastada, quando
tudo o que eu queria era ela, me deixou trêmula. “Meses?”
     “Regina.” Emma levou as mãos ao rosto. “Que merda. Aceite o que estou
oferecendo.”
     “Não é o bastante!”
     “Tem que ser. Caramba… Não me peça para transformar você num
deles!”
     Dei um passo para trás, assustada com sua veemência. “Do que você está
falando?”
     Emma virou de costas para a casa, pegou a garrafa de champanhe e deu um
longo gole.
     Examinei-a, confusa, e tudo o que vi foi teimosia. Concentrei o olhar
além dela, no salão de festas e nos casais glamorosos lá dentro. Foi quando
Cristina apareceu, entrando na varanda de braço dado com Chad.
     Naquele momento, entendi que precisava desvendar o mistério de Emma, o
suficiente para não me importar com o custo que isso teria para mim.
     “Se importam se nos juntarmos a vocês?”, perguntou Cristina, aproximando-se.
      Nossos olhares se cruzaram. Desabei no banco, o corpo ainda latejando
de sede insaciada.
      Notei, de relance, os olhos de Emma em mim. Havia um desafio naquelas
profundezas verdes. Estendi a mão para a garrafa de champanhe e a
segurei pelo gargalo assim que ela a entregou para mim.
     Ergui-a num brinde e bebi àquele desafio.
   

    Não desapareça. Quero ver você de novo…
    As últimas palavras de Emma, suspiradas ao pé do meu ouvido quando nos
despedimos, atormentaram-me no voo de volta para Nova York.
     Se me envolvesse com ela, eu me machucaria, porque teria esperanças.
     Eu queria mais. Mas que opção tinha? Precisava descobrir o que tinha
acontecido antes e o que a continha agora. Sempre imaginara que a questão
era me manter afastada — por quem eu era e de onde vinha —, e não o que
ela era e queria no longo prazo.
     Olhei de relance para Cristina, sentada na minha frente no avião, enquanto
abria sua bolsa de festa e retirava uma folha dobrada de papel. Ela a
deslizou ao longo da mesa entre nós, e eu a abri. Li o primeiro parágrafo e
baixei o olho para a assinatura no final, então ergui a cabeça.
     “Você conseguiu fazer Chad assinar?”
     “É um acordo provisório”, observou ela. “Depende de conseguirmos
trazer Isabelle e Alice para a jogada, e de você coordenar o primeiro
restaurante. Mas conseguimos o cara.”
      “Uau.” Dobrei o documento com cuidado, assimilando o fato de que
acabara de receber uma responsabilidade tremenda. “Não acredito que
você trouxe isso na bolsa. Sabia que Chad estaria na festa?”
      “Conhecendo Owen, suspeitei.”
        Devolvi o contrato.
     “Swan monopolizou você esta noite”, ela comentou. “Owen tentou jogar
você no covil dos lobos, mas Emma a manteve por perto.”
      E me queria mais perto ainda.
     Respondi dando de ombros, nem um pouco interessada em falar de algo
tão pessoal. “Aliás, James Swan explicou a conexão. Owen apresentou
James  à atual sra. Swan.”
    “Ah é?” Cristina ergueu as sobrancelhas elegantes. “Então deve ser porque
conhece Kathryn Swan intimamente.”
     “Não brinca?”
     “Estou falando sério.”
     “Então tá.”
      Ela recostou-se contra o assento da poltrona. “Vamos aproveitar o fim
de semana. Desligue o telefone, esqueça um pouco o trabalho. Recarregue
as baterias. Vamos com tudo na segunda.”
      A ideia era maravilhosa. “Eu topo, mas vou deixar o telefone ligado caso
você precise de mim.”
     Cristina sorriu. “Prometo que não vou precisar de você. Tenho um encontro
esse fim de semana.”
     “O fim de semana inteiro?”
      “Preciso tirar o atraso.”
      Eu ri. Em um ano de trabalho com Cristina, jamais soubera de um encontro.
      Ela merecia se divertir. E eu também. “Vai com tudo.”
      Cristina me lançou um olhar. “A ideia é essa.”