Mals a demora gente :D
PS: Ana, capítulo dedicado especialmente a ti <3
Como já imaginava, durante o tratamento Emma ficou ainda mais insuportável, uma autêntica tirana com todos. Não demonstra interesse por nada do que precisa fazer e reclama todo santo dia. Como a conheço, não dou importância, embora às vezes sinta uma vontade enorme de mergulhar a cabeça dela na piscina.
Marta consultou vários especialistas durante esses dias. Claro, quer o melhor para a irmã e me mantém informada de tudo.
O colírio que Emma tem que pingar nos olhos acabam com ela. Dão dor de cabeça, lhe embrulham o estômago e não a deixam enxergar direito. São uma agonia para ela.
— De novo? — reclama Emma.
— Sim, querida. Está na hora de pingar outra vez — insisto.
Xinga, blasfema, mas, quando vê que não arredo pé, senta e me deixa pingar o remédio, depois de suspirar profundamente.
Seus olhos estão avermelhados. Demais. A cor azul está apagada. Me assusto. Mas procuro não demonstrar. Não quero que Emma se preocupe mais ainda. Ela também está assustada. Eu sei. Não diz nada, mas sua raiva já me diz tudo.
É noite, estamos envoltos pela penumbra do nosso quarto. Não consigo dormir. Nem Emma. Me pega de surpresa quando pergunta:
— Regina, minha doença está piorando. O que você vai fazer?
Sei a que ela se refere. Me dá uma coisa. Tenho vontade de lhe dar uma surra por pensar essas besteiras. Mas, me virando para ela, respondo:
— Por ora, beijar você.
Eu a beijo. Quando minha cabeça volta ao travesseiro, acrescento:
— E naturalmente continuar te amando como te amo agora, querida.
Permanecemos caladas durante um tempo, até que ela insiste:
— Se eu ficar cega, não vou ser uma boa companheira.
Fico arrepiada. Não quero pensar nisso. Não, por favor. Mas ela volta ao ataque.
— Serei um esterro, alguém que vai limitar sua vida e...
— Chega! — grito.
— Precisamos falar, Regi. Por mais que nos doa, temos que falar disso.
Me desespero. Não tenho nada para falar com ela. Tanto faz o que aconteça. Eu a amo e vou continuar amando. Por acaso não se dá conta disso? Mas por fim, me sentando na cama, digo:
— Me dói ouvir você dizer isso. E sabe por quê? Porque faz eu sentir que, se acontecer alguma coisa comigo, devo te deixar.
— Não, querida — murmura, me atraindo.
— Sim, sim, Emma — insisto. — Por acaso eu sou diferente de você? Não. Se eu tenho que pensar em te deixar, você deverá pensar em ter que me deixar, se eu adoecer. — Um tanto agitada, continuo falando: — Santo Deus! Espero que nunca me aconteça nada, porque, se além disso devo viver sem você, sinceramente, não saberia o que fazer.
Depois de um silêncio que me dá a entender que Emma compreendeu o que eu disse, ela me puxa e me beija na testa.
— Isso não vai acontecer porque...
Não a deixo continuar. Me levanto da cama, abro minha gaveta e tiro várias coisas, entre elas uma meia preta. Me sento montada nela e digo:
— Me deixa fazer uma coisa?
— O quê? — pergunta, surpresa com a mudança de rumo da conversa.
— Confia em mim?
Na penumbra de nosso quarto, posso ver que acena que sim.
— Levante a cabeça.
Obedece. Com delicadeza, passo a meia preta em volta de sua cabeça, sobre seus olhos, e amarro atrás.
— Agora você não enxerga absolutamente nada, né?
Não fala, apenas nega com a cabeça. Me deito sobre ela.
— Mesmo que algum dia você não possa me ver, continuarei adorando sua boca — beijo-a —, continuarei adorando seu nariz — beijo-o —, continuarei adorando seus olhos — beijo-os por cima da meia —, e continuarei adorando seu lindo cabelo e, principalmente, sua maneira de resmungar e se zangar comigo.
Me sento sobre ela, pego suas mãos e as levo até meu corpo.
— Mesmo que algum dia você não me veja, tuas mãos fortes poderão continuar me tocando. Meus seios continuarão se excitando com suas carícias. — Você, e só você será a que me fará gemer, enlouquecer e te dizer “Peça-me o que quiser”.
Os cantos de seus lábios se curvam. Ótimo. Estou conseguindo que Emma sorria. Louca para continuar, boto em suas mãos a joia anal e murmuro, levando-a a sua boca:
— Chupe.
Faz o que peço. Depois guio sua mão até minha bunda e digo pertinho de seu rosto:
— Mesmo que algum dia você não me veja, vai poder colocar a joia no “meu lindo cuzinho”, como você diz. E fará isso porque gosta, porque eu gosto e porque é parte de nossa brincadeira, querida. Vamos, coloque agora.
Tateando, Emma toca minha bunda e, quando localiza meu ânus, faz o que pedi. Meu corpo recebe a joia e ambas ofegamos.
Excitada pelo que estou fazendo, passeio minha boca por sua orelha.
— Gostou do que fez, querida?
— Sim, muito — ronrona, enquanto me aperta as nádegas.
Seu desejo cresce em segundos. Isto a excita muito, e enquanto mexe a joia em mim, digo, ansiosa para deixá-la louca:
— Mesmo que algum dia você não veja, vai poder continuar me devorando à vontade. Vou abrir minhas pernas pra você e pra quem você quiser, e te juro que vou ter prazer e te darei prazer como sempre. Vai ser assim porque você vai me guiar, você vai me acariciar e dizer como devo fazer. Sou tua, Emma, e sem você nada dessa brincadeira tem sentido pra mim.
Emma geme, e acrescento.
— Vamos, querida. Brinque comigo.
Saio de cima dela e deito a seu lado. Pego sua mão e a coloco sobre mim. Ela me toca, às cegas; sua boca, desesperada, passeia pelo meu corpo, pescoço, mamilos, umbigo, púbis. Então guio Emma até deixá-la bem entre minhas pernas. Sem que ela precise pedir, me abro para ela.
— Mais abertas? — pergunto.
Emma me toca.
— Sim.
Sorrio e me abro mais.
Em segundos está me devorando. Sua língua entra e busca meu clitóris. Brinca com ele. Puxa-o com os lábios e, quando está estimulado, dá uns toquezinhos que me fazem gritar e arquear de tanto prazer. Me mexo, ofegante. Ela move a joia anal ao mesmo tempo que lambe meu clitóris, e fico louca. Excitada, me agarra as coxas e me movimenta como quer sob sua boca, enquanto eu coloco as mãos em seus cabelos e murmuro, deliciada:
— Não precisa ver pra me fazer gozar. Pra me fazer feliz. Pra me deixar descontrolada. Assim..., querida..., assim!
Por uns minutos, meu louco amor prossegue em seu ataque avassalador.
Que calor, minha nossa, que tesão, e é ela que me deixa assim.
Eu a observo, no escuro do quarto. Com movimentos elegantes, se move sobre mim como uma felina devorando sua presa. Ela não pode me ver — a penumbra e a meia que vedam seus olhos não permitem. Sua respiração se acelera. Sua boca busca a minha e me beija. Instantes depois, sem falar, com uma das mãos toca em minha vagina molhada.
— Estou molhadinha para você, querida — sussurro no ouvido dela. — Só para você.
Com desespero, vai buscando o caminho até mim e, com um movimento certeiro, entra em mim. Nós duas arquejamos. Emma me agarra, se aperta contra meu corpo enquanto mexe os seus dedos dentro de mim. Eu mal posso me mover, seu peso me imobiliza. Emma me dá um chupão no pescoço, e eu mordo um ombro dela.
— Mesmo que algum dia você não me veja, vai continuar me possuindo cheio de tesão e eu te receberei sempre, porque sou tua. Você é a minha fantasia. Eu sou a tua. E gozaremos juntos agora e sempre, querida.
Emma não fala, apenas se deixa levar pelo instante. E quando gozamos, ela me abraça e diz:
— Sim, amor. Agora e sempre.
Durante os dias de tratamento Emma não vai trabalhar. Não consegue. De casa eu a ajudo com os e-mails e, como uma boa secretária, faço tudo o que ela me pede. Quando recebo alguma mensagem de Amanda, tenho vontade de degolá-la. Bruxa! Curiosa, bisbilhoto as mensagens entre elas e arrebento de rir ao ler uma de meses atrás em que Emma exige que ela mude sua atitude em relação a ela. Explica que tem uma namorada e que ela é prioridade sua. Uau, minha Icewoman, uau! Gosto de ver que deixou as coisas bem claras para essa vagabunda.
Muitas vezes, quando age como uma boba resmungona, quero enfiar a cabeça dela na cesta dos papéis ou grampear suas orelhas na mesa. Fica insuportável! Mas quando fica calma, eu a adoro e cubro de beijos!
Sua mãe vem visitá-la e, quando Emma não está prestando atenção na gente, insiste que eu vá pegar a moto de Hannah. E vou mesmo. Depois desses dias de tensão com Emma, preciso relaxar. E, pra mim, saltar com uma moto é a melhor solução.
O dia da cirurgia se aproxima. A ansiedade de Emma aumenta e tento relaxá-la da melhor forma que sei. Com sexo! Numa das noites em que minha Icewoman está deitada na cama com uma máscara de gel fria sobre o rosto para descansar os olhos, decido surpreendê-la para que não pense tanto na cirurgia. Carinhosa, me deito sobre ela e sussurro:
— Oi, senhora Swan!
Emma vai tirar a máscara, mas seguro suas mãos.
— Não, não tire.
— Não te vejo, amor.
Vou pertinho de seu ouvido e murmuro para deixá-la arrepiada:
— Você não precisa ver o que vou fazer.
Sorrimos.
— Vamos fazer várias brincadeiras, queira você ou não.
— Tudo bem... eu quero — diz bem-humorada.
Eu a beijo. Ela me beija. Que paixão gostosa.
— Vou te explicar como se brinca, tá bem? — Emma concorda. — A primeira brincadeira se chama “A pena”. Eu a passo pelo teu corpo, e se você aguentar mais de dois minutos sem rir, sem falar e sem se queixar, farei o que me pedir, combinado?
— Combinado, pequena.
— A segunda brincadeira se chama “A caixa dos desejos e dos castigos”.
— Nome sugestivo. Acho que vou gostar dessa — garante, rindo, enquanto me agarra com força pela cintura.
Brincalhona, afasto suas mãos.
— Concentre-se, querida. Numa caixinha, botei cinco desejos e cinco castigos. Você pega um desejo, eu leio, e se você não fizer o que diz, te darei um castigo. — Emma ri. — A terceira brincadeira é sobre você deixar que eu te faça coisas. Então, quietinha aí, e deixe comigo. Que tal?
— Perfeito — diz, alegre.
— Ótimo. Se não ficar quietinha, vou te amarrar, viu?
Emma dá uma gargalhada gostosa e concorda.
— Muito bem, senhora Swan. A primeira coisa que vou fazer é tirar sua roupa.
Com delicadeza lhe tiro a camisa branca e a calça de algodão preta que está usando. Quando vou tirar a calcinha, uau!, já está pronta, e minha boca seca imediatamente. Emma é tentadora, muito, muito tentadora. Sem dizer nada, ligo a câmera de vídeo. Quero que depois ela se veja. Tenho certeza de que vai gostar e achar graça.
Com Emma nua, pego uma pena que encontrei na cozinha. Começo a passá-la pelo seu corpo. Delicadamente roço o pescoço, depois baixo a pena até seus mamilos, que ficam logo duros. Sorrio. A pena continua pelo abdômen. Contorno o umbigo e, quando chego a sua vagina, a respiração de Emma se altera, abafada. Continuo me divertindo, os minutos passam, sigo passando a pena pelo seu corpo maravilhoso. Finalmente, ela me segura a mão.
— Senhorita Mills, acho que ganhei. Já se passaram mais de dois minutos. Não seja trapaceira.
Olho o relógio, surpresa. Me dou conta de que se passaram sete minutos. Puxa, como o tempo passa rápido enquanto aproveito o meu vício! Sorrio e largo a pena.
— Tem razão, Swan. Que deseja que eu faça?
Me chama com um dedo. Sorrio e me inclino.
— Quero que tire a roupa. Toda.
Tiro o pijama e a calcinha.
— Desejo realizado.
Como não pode me ver por causa da máscara de gel, me procura com as mãos. Uma delas me toca a barriga e sobe lentamente até o seio. Ela o contorna, depois aperta o mamilo.
— Muito bem. Já satisfiz seu desejo. Passemos à brincadeira seguinte.
— A de desejo ou castigo? — pergunta.
— Ahã!
Pego a caixinha onde botei vários papeizinhos e a coloco diante dela. Pego uma de suas mãos e a enfio na caixa.
— Pegue um desejo, que eu leio.
Emma obedece. Largo a caixa e, inventando o que está escrito, digo:
— Desejo uma moto. Você se importa que eu traga a minha da Espanha?
Sua expressão muda.
— Me importo, sim. Não quero que você se mate.
Caio na risada. Mas, como não quero discutir, digo rapidamente:
— Muito bem, Swan. Como não vai satisfazer meu desejo, agora é a hora de escolher um castigo.
Sorri. Tira mais um papel, e leio:
— Seu castigo por não querer satisfazer meu desejo é ficar quieta e não me tocar enquanto faço o que quero com seu corpo.
Concorda. Sei que o negócio da moto cortou um pouco o barato dela, mas assim sei por onde pegá-la, quando trouxer a moto da sua irmã.
Com um pincel e chocolate derretido, começo a pintar o corpo de Emma. A câmera registra tudo. Emma sorri, quando contorno seus mamilos com chocolate. Depois, faço um caminho que contorna seu abdômen, passa pelo umbigo e acaba pelos lados. Molho o pincel de novo e chego, enfim, até seu sexo. Emma sorri e se mexe. Eu o pinto com delicadeza e noto o seu nervosismo. Sua impaciência. Então largo o pincel e aproximo a boca devagarinho de seus seios e começo a chupar seus mamilos. Saboreio o chocolate junto com o gosto delicioso de Emma. Me deleito. Sigo o caminho que tracei com chocolate. Desço minha língua pelo abdômen, e ela não resiste e quer me tocar. Afasto suas mãos e me queixo:
— Não, não, não! Lembre-se, não pode me tocar!
Emma se mexe, nervosa. Eu a estou provocando. Com minha língua, contorno seu umbigo e depois, ansiosa, o lambo pelos lados. E quando, finalmente, ela chega a seu clitóris, Emma geme. Com grande prazer, passo e repasso a língua onde sei que fica louca. Ela se contrai. Com delicadeza, minha boca a toma e morde de levinho tudo aquilo que me dá vontade. Faço isso um bom tempo, até que Emma não aguenta mais e me exige, ainda com a máscara nos olhos:
— Fim da brincadeira, pequena. Vamos, quero te foder....Preciso estar dentro de você agora.
Feliz da vida, puxo sua mão direita e me posiciono sobre seus dedos e, enquanto me sento neles, suspiro. O cheiro de sexo e chocolate nos rodeia. Delicada, subo e desço em busca de nosso prazer enquanto me abro, pouco a pouco, para receber Emma. Mas a impaciência de minha mulher a domina. Joga a máscara de gel no chão e, antes que perceba, me deitou na cama. Me olhando nos olhos, murmura:
— Agora eu estou no comando. Passamos pra terceira etapa da brincadeira. Já sabe, meu amor: fique quietinha ou vou ter que te amarrar.
Sorrio. Ela me beija e me abre as pernas com suas pernas e, sem piedade, volta a me penetra de novo, e eu gemo. Tento me mover, mas seu peso me mantém imobilizada enquanto ela mete seus dedos fundo dentro de mim.
— Uma gravação muito excitante — diz, ao ver a câmera diante de nós.
Não posso falar. Não me deixa. Mete de novo a língua na minha boca e mete seus dedos sem parar, e gemo enlouquecida. Superexcitada com a brincadeira, Emma esqueceu da operação. Com prazer. Nessa noite, dormimos abraçadas. Assistimos à gravação e rimos um bocado. Surpreendi Emma com minhas brincadeiras e, antes de dormir, me diz ao ouvido:
— Quero revanche.
Dois dias depois, acontece a cirurgia.
Marta e sua equipe fazem a tal microbypass trabecular. Só dizer este nome me dá medo. Com a mãe de Emma, aguardo na sala de espera do hospital. Estou nervosa. Meu coração bate acelerado. Meu amor, minha garota, minha namorada, minha alemã está sobre a mesa de cirurgia e sei que não está lidando bem com a situação. Não falou nada, mas sei que está assustada.
Cora me pega as mãos, me dá força, e eu a ela. Ambas sorrimos.
Espero, espero, espero. O tempo passa lentamente. E eu espero.
Quando penso que já transcorreu uma eternidade, Marta sai da sala de cirurgia e nos olha com um sorriso amplo. Foi tudo bem, espetacularmente bem. Ainda que a alta seja imediata, Marta mentiu para Emma e disse que ela tem de passar a noite ali. Concordo. Cora relaxa. Nós três nos abraçamos.
Insisto em ficar essa noite com ela no hospital. Observo Emma na penumbra do quarto. Está dormindo, e eu não consigo dormir. Não imagino uma vida sem ela. Estou tão apaixonada por Emma, que pensar que algum dia o que existe entre nós possa terminar me parte o coração. Fecho os olhos e, finalmente, esgotada, durmo.
Quando acordo, me deparo com o olhar fixo de minha namorada. Prostrada na cama, me observa e me sorri. Sorrio também.
Nessa manhã lhe dão alta, e voltamos para casa. Nosso lar.
Com o passar dos dias, a recuperação de Emma é impressionante. Ela tem uma saúde de ferro e, após as revisões de rotina, os médicos lhe dão alta. Felizes, retomamos nossas vidas.
Uma manhã, quando ela sai para o trabalho, peço que me leve à casa de sua mãe. Quero ver como está a moto de Hannah. Não digo nada a ela, ou viraria bicho. Quando ela vai embora, vamos à garagem. E depois de retirar várias caixas e ficarmos sujas de pó até as sobrancelhas, aparece a moto. É uma Suzuki amarela RMZ 250. Cora se emociona, pega um capacete também amarelo e me diz:
— Querida, espero que você se divirta tanto com ela como minha Hannah.
Abraço Cora, acalmando sua tristeza. Quando me deixa sozinha na garagem, sorrio. Como era de esperar, a moto não pega. Depois de tanto tempo sem uso, a bateria morreu. Dois dias mais tarde, coloco uma nova e pega na hora. Entusiasmada por estar na moto, me despeço de Cora e vou para minha nova casa. É o máximo dirigir a moto, estou quase gritando de felicidade. Quando chego, Simona e Norbert me olham, e ele vai me avisando:
— Senhorita, penso que a patroa não vai gostar.
Desço da moto e, tirando o capacete amarelo, respondo:
— Eu sei. Já conto com isso.
Quando Norbert sai resmungando, Simona se aproxima e cochicha:
— Hoje, em Loucura esmeralda, Luis Alfredo Quiñones descobriu que o bebê de Esmeralda Mendoza é seu e não de Carlos Alfonso. Viu no bumbunzinho dele, do lado esquerdo, um sinal de nascença igual ao que ele tem.
— Deus do céu, e eu perdi! — protesto, levando uma das mãos ao coração.
Simona sorri satisfeita:
— Gravei o capítulo.
Bato palmas, lhe dou um beijo e corremos para a sala para assistir.
Depois de ver o dramalhão mexicano que me fisgou, volto à garagem. Quero fazer uma revisão geral na moto antes de poder sair com ela regularmente e acompanhar Jurgen e seus amigos pelas trilhas de terra. A primeira coisa a ser feita é trocar o óleo. Norbert, contra a vontade, compra o óleo e, então, me posiciono num canto de difícil acesso da garagem e começo a revisão como meu pai me ensinou.
Após a visita à Müller e a cirurgia de Emma, decido que por ora não quero trabalhar. Agora posso escolher. Quero curtir essa sensação de plenitude sem pressa, sem problemas e fofocas empresariais. Há desconhecidos demais dispostos a me ferrar por ser a estrangeira namorada da chefe. Não, não, senhor! Prefiro passear com Susto, assistir a Loucura esmeralda, nadar na maravilhosa piscina coberta ou ir com Jurgen, o primo de Emma, correr de moto. Ela é um espetáculo e anda que é uma maravilha. Emma não está sabendo de nada. Escondo isso dela, e Jurgen guarda meu segredo. Por ora, é melhor que não saiba.
Numa quarta-feira pela manhã, vou com Marta e Cora ao campo, onde fazem o curso de paraquedismo. Fico empolgada observando o instrutor dizer a elas o que devem fazer quando estiverem no ar. Elas me animam a participar, mas prefiro só olhar. Embora saltar de paraquedas deva ser muito legal, quando vejo a coisa de perto me borro toda. Elas vão fazer seu primeiro salto livre, e estão nervosas. Eu, histérica! Até o momento sempre saltaram com um monitor, mas desta vez é diferente.
Penso em Emma, no que ela diria se soubesse. Me sinto arrasada. Não quero nem imaginar que algo possa dar errado. Cora parece ler meu pensamento:
— Calma, querida. Vai dar tudo certo. Pensamento positivo!
Tento sorrir, mas tenho o rosto congelado de frio e de nervoso.
Antes de embarcarem no aviãozinho, me beijam.
— Obrigada por guardar o segredo — diz Marta.
Elas embarcam; e eu aceno, nervosa. O avião decola, ganha altura e quase desaparece de vista. Um monitor ficou comigo e me explica centenas de coisas.
— Olha, elas já pularam.
Com o coração na mão, identifico uns pontinhos descendo. Angustiada, comprovo que os pontinhos se aproximam, se aproximam e, quando acho que vou gritar, vejo os paraquedas se abrirem e aplaudo, já a ponto de ter um infarto. Minutos depois, em terra, Cora e Marta estão eufóricas. Gritam, pulam e se abraçam. Elas conseguiram!
Eu aplaudo de novo, mas sinceramente não sei se o faço porque conseguiram ou porque não aconteceu um desastre. Só de pensar no que Emma diria, meu sangue gela. Quando elas me veem, correm para mim e me abraçam. Como três meninas, damos pulos emocionadas.
À noite, quando Emma me pergunta onde estive com a mãe e a irmã, minto. Invento que estivemos num spa fazendo massagens de chocolate e coco. Emma sorri. Acha graça da mentira, e eu me sinto mal. Muito mal. Não gosto de mentir, mas Cora e Marta me fizeram prometer que não contaria. Não posso decepcioná-las.
Uma manhã, Maura me liga e uma hora depois aparece em casa com Logan. Que lindinho está o bebê! Conversamos durante horas, e ela me confessa que está viciada em Loucura esmeralda. Rio. Essa é boa! Não sou a única da minha idade que virou fã. No fim das contas, Simona tem razão: essa novela mexicana é mesmo um fenômeno de público na Alemanha. Depois de várias confidências, mostro a moto e Susto para Maura.
— Regina, você gosta de chatear a Emma?
— Não — respondo, brincalhona.
— Mas ela precisa aceitar as coisas de que gosto como eu aceito as dela, não acha?
— Acho.
— Odeio pistolas, e aceito que ela faça tiro olímpico — procuro me justificar.
— Sim, mas ela não vai achar graça nenhuma nesse negócio da moto. Ainda mais que era de Hannah e...
— Seja de Hannah ou do Grilo Falante, Emma vai se chatear do mesmo jeito. Sei disso e assumo. Logo encontrarei o melhor momento para contar. Tenho certeza de que, se falo com jeito e delicadeza, ela vai entender.
Maura sorri e, olhando Susto, que nos observa, comenta:
— Pobrezinho, mais feio não podia ser. Mas tem olhos lindos.
Deslumbrada, rio e dou um beijo na cabeça dele.
— É lindo e maravilhoso — afirmo.
— Ora, Regina, esta raça de cachorro não é das mais bonitas. Se quer um cachorro, tenho um amigo que tem um canil com raças sensacionais.
— Eu não quero um cachorro pra exibir, Maura. Eu quero um cachorro pra amar, e Susto é carinhoso e muito bom.
— Susto? — ela ri. — Você pôs o nome de Susto?
— A primeira vez que o vi me deu um susto desgraçado — explico animada.
Maura compreende. Repete o nome, e o bicho dá um salto no ar enquanto Logan sorri. Horas depois, quando está indo embora, promete me ligar outro dia para nos vermos.
À tarde, telefono para minha irmã. Faz tempo que não falo com ela e preciso ouvir sua voz.
— Fofa, o que foi? — pergunta, alerta.
— Nada.
— Nem vem, Regina. Algo deve estar acontecendo. Você nunca me liga — insiste.
Acho graça. Tem razão, claro, mas, a fim de curtir a tagarelice da minha louca Mary, respondo:
— Pois é, mas agora, que estou longe, tenho muita saudade de você.
— Aiiiii, fofiiiiiiiinhhhhaaaaa! — se emociona.
Falamos um bom tempo. Me põe em dia sobre sua gravidez, seus vômitos e náuseas. Por estranho que pareça, não me fala de seus problemas conjugais. Isso me surpreende. Mas nem toco no assunto. É um bom sinal.
Quando desligo, depois de uma hora de papo, sorrio. Boto o casaco e vou para a garagem. Susto sai do esconderijo quando assobio. Animada, vou dar um passeio com ele.
Dois dias depois, pela manhã, quando Flyn e Emma vão para o colégio e para o trabalho respectivamente, começo a redecorar a sala. Passamos muito tempo ali e preciso lhe dar outro ar. Eu mesma me encarrego de fazer as mudanças. Norbert se horroriza, ao me ver em cima da escada. Diz que a patroa brigaria comigo se me visse.
Mas eu estou acostumada a essas coisas, tiro e boto cortinas feliz da vida. Substituo as almofadas de couro escuro pelas minhas cor de pistache, e a poltrona agora parece moderna e atual, não mais sem graça.
Sobre a bela mesa redonda coloco um vaso de vidro verde com uns maravilhosos antúrios vermelhos. Tiro as figuras escuras que Emma tem sobre a lareira e coloco várias fotografias emolduradas. São tanto de minha família como da de Emma, e fico comovida ao ver minha sobrinha sorrindo.
Como é linda! E quanta saudade sinto dela.
Substituo vários quadros, cada um mais feio que o outro, e ponho os que comprei. Num dos lados da sala, penduro um trio de quadros de umas tulipas verdes. Sensacional!
À tarde, quando volta do colégio e entra na sala, Flyn fecha a cara. O lugar mudou muito. De sombrio se transformou em colorido e cheio de vida. Ele se horroriza, mas pra mim tanto faz. Ele não gosta de nada que faço.
Quando mais tarde Emma chega, fica muda de tão impressionada. Sua sala, sóbria e escura, desapareceu para dar lugar a um espaço cheia de alegria e luz. Ela gosta. Seu rosto, sua expressão me dizem que sim. Quando me beija, eu sorrio com a cara contrariada do baixinho.
No dia seguinte, Emma decide levar Flyn para o colégio. Em geral é Norbert que o leva e o menino aceita contente. Eu os acompanho no carro. Não sei onde fica, mas tenho vontade de dar um passeio por minha conta pela cidade.
Emma não acha muita graça que eu ande sozinha por Munique, mas minha teimosia acaba vencendo a dela. No caminho, damos carona a dois meninos, Robert e Timothy. São bem falantes e me olham com curiosidade. Reparo que ambos levam um skate colorido, justamente o brinquedo proibido. Quando chegamos ao colégio, os meninos desembarcam, Flyn por último, que fecha a porta.
— Puxa, não me deu um beijinho — zombo.
Emma sorri.
— Dê mais tempo pra ele.
Suspiro, viro os olhos e rio.
— E você, me dá um beijinho? — pergunto quando vou sair do carro.
Sorrindo, Emma me puxa.
— Todos os que você quiser, pequena.
Me beija, possessiva, e aproveito enquanto dura.
— Tem certeza de que sabe voltar sozinha pra casa?
Digo que sim, achando graça. Não tenho a menor ideia, mas sei a direção e tenho certeza de que não me perderei. Pisco um olho para ela. }
— Claro. Não se preocupe.
Não está muito convencido de me deixar aqui.
— Tá com o celular, né?
Tiro-o do bolso.
— Bateria no máximo, caso eu tenha de pedir socorro! — respondo na gozação.
Quando o carro dobra à esquerda e o perco de vista, olho para o colégio. Há vários grupos de crianças na entrada e vejo que Flyn está parado num lado. Sozinho. Onde estão Robert e Timothy? Vou para trás de uma árvore e observo que Flyn olha disfarçadamente uma menina, loira e bonita, e me emociono.
Nossa, meu Smurf Bipolar tem um coraçãozinho!
Ele se apoia na grade do colégio e não tira os olhos de cima da menina, que brinca e fala com outros meninos. Sorrio.
Toca o sinal e as crianças começam a entrar. Flyn não se mexe. Espera que a menina e seus amigos entrem para segui-los. Curiosa, fico de olho. De repente vejo que Robert, Timothy e outros dois meninos com seus skates nas mãos se aproximam de Flyn, que para. Falam. Um deles lhe tira o gorro e o joga no chão. Quando ele se abaixa para pegá-lo, Robert lhe dá um chute no traseiro e Flyn cai de bruços no chão. Meu sangue ferve. Estou indignada! O que estão fazendo?
Meninos desgraçados!
Os garotos, morrendo de rir, se afastam. Flyn se levanta e olha a mão. Vejo que sangra. Ele se limpa com um lenço de papel que tira do casaco, pega o gorro e, sem levantar o olhar do chão, entra no colégio.
Desconcertada, penso no que aconteceu e me pergunto como posso falar disso com Flyn.
Assim que perco o menino de vista, vou embora. Logo estou no tumulto das ruas de Munique. Emma me liga. Digo que estou bem e desligo. Lojas, muitas lojas, e eu me divirto, parando diante de todas as vitrines. Entro numa loja de motocross e compro tudo o que preciso. Quando saio, mais feliz que pinto no lixo, observo os passantes. Quase todos têm uma expressão séria. Parecem chateados. Poucos sorriem. Não são nem um pouco parecidos com os espanhóis.
Passo por uma ponte, a Kabelsteg. Me surpreende a quantidade de cadeados coloridos que há ali. Com carinho, toco essas pequenas amostras de amor e leio nomes ao acaso: Iona e Peter, Benni e Marie. Inclusive há cadeados em que botaram cadeadinhos com outros nomes que imagino serem dos filhos. Sorrio. Acho super- romântico, e adoraria botar um cadeado com Emma. Tenho de falar com ela. Mas dou uma gargalhada. Com certeza pensará que além de idiota fiquei louca.
Depois de visitar uma área bonita da cidade, paro diante de uma sexshop. Toca meu celular. Emma. Minha paixão está preocupada. Garanto a ela que nenhuma gangue de terroristas me raptou, e, depois de fazê-la rir, me despeço. Animada, entro na loja.
Olho ao redor com curiosidade. Vendem todo tipo de brinquedos eróticos e lingerie sexy, e é decorada com bom gosto e refinamento. As paredes são vermelhas, e tudo o que há ali chama minha atenção. Posso bisbilhotar centenas de vibradores coloridos e brinquedos de formas incríveis. Vejo umas penas pretas e as pego. Vão me servir pra brincar outro dia com Emma. Também escolho umas lantejoulas pretas com pompom penduradas para cobrir os mamilos. A balconista me explica que são reutilizáveis e se prendem no mamilo por uma almofadinha adesiva. Rio. Acho graça ao me imaginar com estes enfeites na frente de Emma. Mas vai gostar, se bem a conheço. Quando vou pagar, noto um lado da loja e solto uma gargalhada ao ver umas fantasias. Sorrio ao escolher uma de policial durona. Compro. Esta noite surpreenderei minha Icewoman. Quando saio da loja com minha sacola e um sorriso de orelha a orelha, passo diante de uma loja de ferragem. Lembro de uma coisa. Entro e compro um trinco para a porta. Quero sexo em casa sem convidados inesperados de olhos puxados.
Depois de três horas conhecendo cada pedacinho das ruas de Munique, pego um táxi para casa. Simona e Norbert me cumprimentam. Peço a ele umas ferramentas. Surpreso, concorda, mas não me pergunta nada.
Feliz da vida com as ferramentas que Norbert me trouxe, subo para o quarto que compartilho com Emma e boto o trinco na porta. Espero que Emma não se chateie, mas não quero que Flyn me pegue no flagra, vestida de policial durona ou fazendo sexo selvagem. O que a criança pensaria da gente?
À tarde, quando Flyn volta do colégio, está como sempre emburrado. Se tranca em seu quarto para fazer os deveres. Simona prepara um lanche para ele, e peço a ela que me deixe levá-lo. Quando entro no quarto, o menino está sentado a sua mesinha, concentrado nos deveres. Deixo o prato com o sanduíche e olho sua mão. A ferida está à vista.
— Que aconteceu, Flyn?
— Nada — responde sem me olhar.
— Como nada? E esse arranhão aí?
O menino levanta os olhos e me examina.
— Saia do meu quarto. Estou fazendo meus deveres.
— Flyn, por que está sempre chateado?
— Não estou chateado, mas você vai me chatear.
Acho graça. Esse baixinho é como sua tia, até responde do mesmo jeito! Por fim, desisto e me vou. Na cozinha, pego uma Coca-Cola. Quando estou bebendo, Flyn aparece e me olha. Ofereço a latinha:
— Quer?
Nega com a cabeça e se vai. Cinco minutos depois me sento na sala e ligo a tevê. Olho a hora. Cinco. Falta pouco para Emma chegar. Decido ver um filme e procuro um que me interesse. Não tem nada. Por fim, acho num canal um episódio dos Simpsons e fico assistindo.
Rio com as tiradas de Bart e, quando menos espero, surge Flyn ao meu lado. Me olha, se senta. Tomo mais um trago de Coca-Cola. Ele pega o controle com a intenção de mudar de canal.
— Flyn, se não se importa, estou vendo tevê.
Pensa. Deixa o controle sobre a mesa, se acomoda na poltrona e, de repente, diz:
— Agora quero uma Coca-Cola.
Meu primeiro impulso é responder: “Vamos, pentelho, você tem duas pernas muito bonitas que foram feitas pra andar.” Mas como quero ser amável, me levanto e me ofereço para trazê-la.
— Num copo e com gelo, por favor.
— Mas é claro — concordo, animada com o tom educado.
Toda serelepe, vou à cozinha. Simona não está. Pego um copo, gelo e uma Coca- Cola na geladeira. Quando abro a latinha, zás!, o refrigerante explode na minha cara e me entra nos olhos. Eu e a cozinha ficamos encharchadas.
Largo a lata de qualquer jeito no balcão e procuro às cegas o papel-toalha. Santo Deus, estou ensopada! Mas então, pelo reflexo no micro-ondas, percebo o sorriso cruel de Flyn no vão da porta.
Puta que o pariu!
Claro que ele sacudiu a Coca-Cola! Por isso pediu tão amável.
Respiro..., respiro e respiro, me seco e limpo o chão da cozinha. Menino desgraçado! Quando termino, saio como um touro bravo, e quando vou falar com o baixinho, convencida de que é o culpado de tudo, me deparo com Emma na sala, com ele nos braços.
— Oi, querida! — me cumprimenta com um sorriso amplo.
Tenho duas opções: apagar o sorriso dela num piscar de olhos, contando o que seu maravilhoso sobrinho acaba de fazer, ou dissimular e não dizer nada do minidelinquente. Me decido pela segunda. Então minha Icewoman larga o menino, se aproxima de mim e me dá um doce e gostoso beijo nos lábios.
— Está molhada? O que houve?
Flyn me olha, eu o olho, mas respondo:
— Fui abrir uma Coca-Cola. Ela estourou e me deixou toda suja.
Emma sorri e tira fora a jaqueta.
— Acontece cada coisa com você.
Sorrio — não posso evitar.
Neste momento entra Simona.
— O jantar está pronto. Podem vir quando quiserem.
Emma olha para o sobrinho.
— Vamos, Flyn. Vai com Simona.
O menino corre para a cozinha, e Simona vai atrás. Então Emma me dá um beijo pra valer, que me deixa zonza.
— Como foi teu dia em Munique?
— Ótimo. Mas você já sabe. Me ligou mil vezes, sua chatonilda!
Ela continua sorridente.
— Chatonilda, não. Preocupada. Você não conhece a cidade, e me preocupo que ande sozinha. Suspiro, mas ela segue: — Vamos, me conte, onde esteve?
Explico à minha maneira os lugares que visitei, todos grandiosos e sensacionais. Quando falo da ponte dos cadeados, me surpreende:
— Me parece uma ótima ideia. Quando quiser, vamos à Kabelsteg botar um cadeado. Mas Munique tem mais pontes dos apaixonados. A Thalkirchner, a Großhesseloher.
— Já botou um cadeado em alguma delas? — pergunto, surpresa.
Emma me olha, me olha, com um meio sorriso.
— Não, fofinha. Você é a primeira que conseguiu.
Agora me enlouqueceu. Minha Icewoman é mais romântica do que eu imaginava. Encantada com sua resposta e bom humor, penso em minha fantasia de policial durona. Ela vai adorar!
— Que tal se eu e você fôssemos jantar esta noite na casa de Helena?
Uau!
Esqueço rapidamente da minha fantasia de tira durona. Meu corpo se aquece em zero vírgula um segundo, e fico sem fôlego. Sei o que significa esta proposta. Sexo, sexo e sexo. Sem tirar os olhos de Emma, concordo.
— Acho uma ideia sensacional.
Emma sorri, me solta e vai para a cozinha. Ouço que fala com Simona. Também ouço os protestos de Flyn. Ele se chateia com a saída da tia. Quando volta, minha Swan me pega pela mão e diz:
— Vamos nos vestir.
Emma se espanta com o trinco na porta, quando o mostro. Prometo que só o utilizaremos em certos momentos. Ela entende e concorda.
— Comprei uma coisa que quero te mostrar. Sente-se e espere — digo, ansiosa.
Entro apressada no banheiro. Não digo nada sobre a fantasia de policial durona. Guardo essa surpresa para outro dia. Tiro a roupa e coloco os enfeites nos mamilos. Que lindos! Abro a porta do banheiro e, bancando a Mata Hari, me planto diante de Emma.
— Uau, baby! — exclama Emma — Que foi que comprou?
— São pra você.
Divertida, mexo os ombros e os pompons pendurados se sacodem. Emma ri. Se levanta e fecha o trinco novo. Eu sorrio e me aproximo dela. Antes de me deitar na cama, minha loba faminto murmura:
— Adorei, moreninha. Agora sou eu que vou me divertir com eles. Não, não os tire. Quero que Helena os veja também.
Com um sorriso, aceito seu beijo voraz.
— Ok, meu amor.
Uma hora depois, Emma e eu partimos em seu carro. Estou nervosa, mas isso me excita a cada segundo que passa. Meu estômago está contraído. Nem vou poder jantar. Quando chegamos à casa de Helena, meu coração bate como o de um cavalo desembestado.
Como era de esperar, a gata da Helena nos recebe com o melhor de seus sorrisos. É uma mulher muito sexy. Seu olhar já não é tão inocente como quando estamos com mais gente. Agora é cheio de malícia.
Me mostra sua casa espetacular e me surpreende quando, ao abrir uma porta, me explica que ali é o escritório onde trabalham seus cinco advogados, três homens e duas mulheres. Quando passamos por uma das escrivaninhas, Emma diz:
— Aqui trabalha Helga. Lembra dela?
Emma e Helena me olham. Sendo tão sincera como elas, explico:
— Claro, Helga é a mulher com quem formamos um trio aquela noite no hotel, né?
Minha alemã se mostra espantada com minha franqueza.
— Aliás, Emma, vamos ao meu escritório — diz Helena. — Já que estamos aqui, assine os documentos de que falamos outro dia.
Entramos num belo escritório. É clássico, tão clássico quanto o de Emma em casa. Por uns segundos, Helena e Emma folheiam uns papéis, enquanto me dedico a bisbilhotar. Elas estão calmas. Eu não — não posso deixar de pensar no que desejo. Observo-as e me excito. Os enfeites nos mamilos me endurecem os seios enquanto ouço Helena e Emma falarem. Desejo que me possuam. Quero sexo. Elas provocam em mim um tesão que anula minha razão. Quando não aguento mais, me aproximo de Emma e lhe tiro os papéis da mão. Com um descaramento de que nunca pensei que fosse capaz, eu a beijo.
Oh, sim! Sou uma predadora!
Mordo sua boca com excitação, e Emma corresponde num segundo. Com o canto do olho vejo que Helena nos olha. Mas não me toca. Não se aproxima. Apenas nos olha enquanto Emma, que já tomou as rédeas da situação, passeia suas mãos por meu traseiro, puxando meu vestido para cima. Quando separa os lábios dos meus, sei o que despertei nela e sussurro, extasiada, disposta a tudo:
— Tira a minha roupa. Brinque comigo. — Emma me olha. Ansiosa por sexo, murmuro contra sua boca: — Entregue-me.
Sua boca toma a minha de novo, e sinto suas mãos no zíper do meu vestido. Sim, sim, ela o abre! Quando chega ao fim, me aperta a bunda. Calor.
Sem falar, me tira o vestido, que cai nos meus pés. Estou sem sutiã, e os enfeites em meus mamilos ficam expostos para ela e sua amiga. Excitação.
Helna não fala, só observa. Emma me senta sobre a escrivaninha, vestida apenas com a calcinha preta e os enfeites nos seios. Loucura.
Me abre as pernas e me beija. Ai Deus! Ela estva o tempo todo com o dildo e eu nem percebi. Aproxima sua "ereção" e se aperta contra mim. Desejo.
Me deita sobre a escrivaninha, se inclina e me lambe em volta dos enfeites nos mamilos. Depois sua boca desce até meu púbis e, após beijá-lo, enlouquecida, agarra a calcinha e a rasga. Exaltação.
Sem mais, vejo que olha sua amiga e lhe faz um sinal. Oferecimento.
Helena se aproxima dela, e as duas me observam. Me devoram com o olhar. Estou deitada na escrivaninha, nua, mas com os enfeites nos mamilos e a calcinha rasgada ainda vestida. Helena sorri e, depois de passear seu olhar excitado por meu corpo, murmura enquanto um de seus dedos puxa a calcinha:
— Tesão.
Exposta assim e ansiosa para ser o objeto da loucura delas, subo meus pés até a escrivaninha, tomo impulso e me ajeito melhor. Levo um de meus dedos à boca e o chupo. Depois, diante do olhar atento das mulheres a quem estou me oferecendo sem nenhum pudor, eu o enfio em minha vagina. A respiração delas se acelera, e fico enfiando e tirando o dedo. Me masturbo para elas. Sim, sim!
Seus olhos me devoram. Seus corpos estão ansiosos para me possuir, e eu que comecem. Eu as provoco, as desafio com meus movimentos. Emma pergunta:
— Regi, tem na bolsa o...?
— Sim — interrompo.
Emma pega na bolsa o vibrador em forma de batom e se surpreende ao ver também a joia anal. Sorri e volta para mim.
— Se vire e fique de quatro na escrivaninha.
Obedeço — minha dona pediu e tenho prazer em obedecer. Helena me dá um tapa na bunda e depois a aperta, enquanto Emma coloca a joia em minha boca para que a umedeça com saliva. Eu as deixo loucas, eu sei. Então Emma retira a joia da minha boca, abre bem minhas pernas e introduz a joia no meu ânus. Entra de uma vez só. Gemo. E gemo mais ainda quando ela a gira, me dando um prazer maravilhoso, enquanto me acariciam.
Curiosa, olho para trás. As duas olham minha bunda, enquanto suas mãos enlouquecidas passeiam por minhas coxas e minha vagina.
— Regi — diz Emma —, fique como antes.
Me deito de novo sobre a escrivaninha, sentindo a joia em mim. Emma me abre as pernas, me expõe a Helena também, e depois se mete entre elas e beija meu clitóris. Ardo. Sua língua, exigente e firme, me toca, e eu me remexo.
— Não feche as pernas — pede Helena.
Me seguro com força à escrivaninha e faço o que me pede, enquanto Emma me pega pelos quadris e me encaixa em sua boca. Gemo de prazer e me deixo levar, mas ainda consigo ver que Helena tira seu jeans e acopla o dildo à cinta.
De repente, Emma para, entrega a Helena o pequeno vibrador em forma de batom e sai de entre minhas pernas, dando lugar a amiga. Emma fica a meu lado, afasta meu cabelo para trás e sorri. Me faz carinho, me beija. Helena, que entendeu a mensagem, liga o vibrador. Emma, com voz carregada de erotismo, murmura:
— Vamos brincar com você e depois vamos te foder, como você está desejando.
As mãos de Helena percorrem minhas pernas. Acaricia-as. Depois se coloca entre elas e passa um de seus dedos por meus grandes lábios molhados. Em seguida, dois e, quando deixa exposto meu estimulado clitóris, bota o vibrador sobre ele. Eu grito e mexo. Este contato tão direto me deixa louca.
— Não feche as pernas, minha linda — insiste Helena, e me impede de fazê-lo.
Emma me beija. Põe uma de suas mãos sobre meu abdômen para que eu não me mexa, enquanto Helena aperta o vibrador em meu clitóris, e eu grito cada vez mais. Isto é devastador. Incrível. Vou explodir. A joia ocupa meu ânus. Meu clitóris, enlouquecido. Meus mamilos, duros. Duas mulheres brincam comigo e não me deixam me mexer, e acho que não vou aguentar. Mas sim, meu corpo aceita os espasmos de prazer que tudo isto provoca e, depois que gozo, Helena com o dildo, me penetra, e Emma mete sua língua em minha boca.
— Assim, pequena, assim.
Ardo. Queimo. Me abraso.
Entregue a estas mulheres , ao que me pedem, me delicio, enquanto minha Icewoman me beija a boca, e Helena não para de me penetrar.
Nunca havia imaginado que eu pudesse gostar tanto de uma coisa dessas.
Nunca havia imaginado que eu pudesse aceitar uma coisa dessas.
Nunca havia imaginado que eu iniciaria uma brincadeira tão sensual, mas sim, eu a comecei.
Eu me ofereci a elas e desejo que brinquem, me chupem, façam o que quiserem comigo. Sou sua. Delas. Gosto dessa sensação, quero continuar. Desejo mais.
A excitação é abrasadora. Emma, entre um beijo e outro, me diz coisas sacanas e sensuais, e fico louca de tesão. Enquanto isso, Helena continua me penetrando e às vezes dá uns tapinhas no meu traseiro.
Enfim gozo e grito enquanto me abro para que Helena entre mais fundo. Emma me morde o queixo. Segundos depois, é Helen a quem grita e goza.
Respiro com dificuldade, excitada, exaltada, arrebatada. Mas quero continuar brincando. Emma me ergue em seus braços, eu ainda com a joia anal e a calcinha rasgada, e saímos do escritório. Passamos por outro, vazio, e entramos na casa de Helena. Vamos até um banheiro. Helena, que nos segue, não entra. Sabe quando e onde deve estar, e sabe que esse momento é íntimo entre mim e Emma.
No banheiro, Emma me larga e tira os enfeites de meus mamilos. Depois se agacha e, com delicadeza, retira os restos da calcinha. Eu sorrio e digo, quando ela se levanta com eles na mão:
— Você gosta mesmo de rasgar minha lingerie.
Emma sorri. Joga a calcinha na cesta de papéis e diz, enquanto tira sua blusa e soutian:
— Gosto mais de você nua.
Com o olhar risonho, pergunto:
— E a joia?
Emma sorri e me dá um tapa na bunda.
— A joia fica onde está. Só vou tirar pra meter outra coisa lá, se você quiser.
Então liga o chuveiro, e entramos embaixo d’água. Meu cabelo molha, e Emma me abraça. Não me ensaboa.
— Tudo bem, querida?
Faço um gesto de concordância, mas ela, desejosa de ouvir minha voz, se separa de mim uns centímetros. Eu a olho e murmuro:
— Eu queria fazer, Emma, ainda quero.
Minha alemã sorri e levanta uma sobrancelha.
— Você me deixa louca, pequena.
Me agarro a seu pescoço e dou um salto para chegar a sua boca. Ela me pega no ar. Enquanto a água corre por nossos corpos, nos beijamos. A joia me pressiona por dentro.
— Quero mais — confesso. — Gosto da sensação que tenho quando você me oferece a outra e brinca comigo. Me excita que fale, que diga coisas sacanas. Ser compartilhada me deixa louca. Quero que faça isso de novo milhares de vezes.
Seu sorriso sedutor me faz tremer. Sua delicadeza, ao me abraçar, é extrema, e eu me sinto plena de felicidade.
Quando saímos do chuveiro, Emma me envolve com uma tolha macia, me pega no colo de novo e, ainda nua, sem se secar, sai do banheiro e me leva até um quarto cor de vinho e me pousa na cama. Acho que é o quarto de Helena, que neste momento sai de outro banheiro, nua e molhado. Também tomou uma chuveirada.
Emma e Helena se olham e, sem dizerem uma palavra, se entendem. A brincadeira continua. Helena se dirige a um lado do quarto, e me arrepio ao ouvir a canção Cry me a river na voz de Michael Bublé.
— Emma comentou que você gosta muito desse cantor. É verdade, né? — pergunta Helena.
— Sim, adoro — digo, depois de olhar para minha Icewoman e sorrir.
Helena se aproxima.
— Comprei este CD especialmente pra você.
Como uma gata no cio e com vontade de excitá-las de novo, fico de pé. Tiro a toalha, acaricio os seios e brinco com eles ao compasso da música. Eles me devoram com o olhar. Sedutora, me remexo na cama e fico de quatro. Mostro a elas meu traseiro, onde ainda está a joia, e rebolo ao ritmo da canção. Elas me olham, e vejo em seus olhos que estão prontas para mim. Desço da cama e obrigo-as a se aproximarem. Quero dançar com as duas. Emma me olha enquanto a seguro pela cintura e faço Helena me agarrar por trás. Durante uns minutos — nós nuas, molhadas e excitadas —, dançamos essa melodia doce e sensual. Enquanto Emma me devora a boca com paixão, Helena me beija o pescoço e aperta a joia em meu ânus.
Tesão. Tudo é tesão entre nós neste quarto. As duas são mais altas que eu, e gosto de me sentir pequena entre elas. Seus respectivos dildos se chocam contra meu corpo, e eu as desejo, a boca me seca, e sorrio para Emma. Minha alemã, depois de me beijar, me vira, e vejo os olhos de Helena. Sua boca deseja me beijar, eu sei, mas ela se contém e se limita a me beijar os olhos, o nariz, as faces, e quando seus lábios roçam os meus, me olha com desejo.
— Brinque comigo, me acaricie — lhe sussurro
Helena concorda, e uma de suas mãos desce para minha vagina. Toca. Explora. Enfia um de seus dedos nela, me fazendo gemer. Emma me morde o ombro enquanto suas mãos voam por meu corpo até terminar na joia. Ela a roda, e minhas pernas fraquejam. Emma me agarra pela cintura, e me entrego. Sou seu brinquedo. Quero que brinquem comigo.
Dançamos, nos lambendo, nos acariciamos, nos excitamos...
Gosto de ser o centro da atenção dessas duas. Adoro. Me sentir sacana, enquanto elas me acariciam e me desejam é sensacional. Fecho os olhos, e elas me apertam contra seus corpos. Essa sensação me deixa louca. Adoro ser o objeto de desejo delas. A canção acaba, e começa Kissing a fool, e minha excitação está nas nuvens. Emma e Helena estão como eu. Por fim, Emma exige com a voz carregada de tensão:
— Helena, me ofereça Regina.
Helena se senta na cama, me faz sentar diante dela, passa seus braços por baixo de minhas pernas e as abre. Meu Deus, que tesão! Fico totalmente aberta para meu amor. Emma se agacha entre minhas pernas, morde meu púbis, depois meus grandes lábios. Tremo. Sua língua ávida me acaricia e logo encontra meu clitóris. Brinca com ele. Tortura-o. Me enlouquece, e pra completar seus dedos rodam a joia dentro de mim. Grito.
— Gosto de ouvir você gritar de prazer — cochicha Helena em meu ouvido.
Emma se levanta. Está enlouquecida. Me come. Assim... seus movimentos são firmes e devastadores. Helena continua dizendo:
— Vou te foder, gostosa. Não vejo a hora de enfiar em você.
As penetrações sensuais maravilhosas de Emma me fazem gritar de prazer, conseguindo me arrancar a cada vez uma centena de gemidos deliciados. Indecentes. Então Emma para e, sem sair de mim, me agarra pela cintura, me levanta e me aperta mais contra ela. Helena se levanta da cama, e suspensa, como se eu estivesse numa cadeira invisível, Emma continua me comendo enquanto os braços de Helena me seguram e me lançam contra minha Icewoman, uma vez depois da outra.
Sou uma boneca. Me descabelo entre seus braços e meu grito de prazer faz com que Emma saiba que cheguei ao orgasmo e sai de dentro de mim. Helena me deita na cama. Emma se aproxima, segurando o dildo ereto, me agarra pela cabeça e o enfia na minha boca com brutalidade. Chupo — chupo enlouquecida. Ouço Helena se aproximando. Segundos depois, ela abre minhas pernas sem hesitar e com um dildo bem firme, me penetra. Sim! Extasiada com o momento que essas duas estão me proporcionando, me deleito com o "pau" de Emma. Santo Deus, eu adoro! Dali a pouco, ela tira o "pau" da minha boca, e me beija loucamente.
Helena está muito excitada com o que vê e então me agarra pelos quadris e começa a me comer com toda a força.
Oh, sim! Uma, duas, três, quatro, cinco, seis...
Meus gemidos de prazer saem descontrolados enquanto as duas mulheres tomam meu corpo. Me possuem como bem entendem, e eu consinto. Eu quero. Eu me abro para elas, até que Helena goza, e eu com ela.
A música vai in crescendo, e nossos corpos seguem o ritmo. Emma me beija e eu me derreto. Depois de sair de dentro de mim, põe a cabeça entre minhas pernas e procura o clitóris. Deseja mais. Aperta-o entre os lábios e o puxa. Me contorço. Helena mexe a joia dentro de mim. Grito. Ela me morde a face interna das coxas, enquanto Emma me massageia a cabeça e me olha. Excitação. Estou tão excitada que vou gozar de novo. Mas quando estou quase gozando, ouço Emma:
— Ainda não, pequena. Vem cá.
Senta na cama, me pega uma das mãos e me puxa. Faz eu me sentar montada nela, e outra vez me penetra.
Quero gozar. Preciso gozar. Me mexo como louca em busca do prazer e grito:
— Não pare, Emma! Quero mais! Quero vocês duas dentro.
Vejo que Emma concorda. Helena abre uma gaveta e pega lubrificante. Emma, ao me ver tão enlouquecida, interrompe seus movimentos.
— Olha, meu amor, Helena vai colocar lubrificante pra facilitar. — Meu olhar diz que sim. — Fica calma, jamais eu permitiria que te machucasse. Se doer, me avise e paramos, tá?
Digo que sim, e ela me beija. Me aperto contra ela, suspiro. Emma me aproxima mais de seu corpo, enquanto segue com o dildo me dando prazer. Helena por trás, me dá um de seus tapas na bunda. Sorrio. Ela tira a joia e me sussurra, enquanto sinto algo frio e molhado no ânus:
— Você não sabe o quanto te desejo, Regina. Não via a hora de comer este cuzinho lindo. Vou brincar com você. Vou te foder. Você vai me receber agora.
Concordo. É isso que quero. Emma continua:
— Você é minha, pequena, e eu te ofereço. Me faça gozar com teu orgasmo.
Com um dedo, Helena brinca dentro de mim, enquanto Emma me come e me diz coisas sacanas. Muito sacanas. Calientes. Elas me conhecem e sabem que isso me excita. Segundos depois, Helena pede a Emma que me abra para ela. Minha Icewoman, sem retirar seus maravilhosos olhos de mim, me agarra pelas nádegas e me morde o lábio inferior. Emma não me solta, e sinto a a cabeça do "pau" de Helena entrando por trás, me pressionando, centímetro a centímetro.
— Assim, querida, devagarinho... — murmura Emma depois de soltar meu lábio.
— Não tenha medo. Dói? — Nego com a cabeça. — Divirta-se, meu amor. Aproveite.
— Sim, linda, sim... Você tem um cuzinho fantástico — diz Helena entre dentes, me penetrando. — Minha nossa, eu adoro isso! Sim, menina, sim...
Abro a boca e gemo. A sensação dessa dupla penetração é indescritível, e ouvir o que cada uma delas me diz me excita cada vez mais. Emma me olha com olhos brilhantes de expectativa e, diante de meus gemidos, me pede:
— Não deixe de me olhar, querida.
Obedeço.
— Assim, assim... Junte-se a nós... Devagar... curtindo...
Estou entre duas maravilhosas mulheres que me possuem. Duas mulheres que me desejam. Duas mulheres que eu desejo.
Quatro mãos me seguram em diferentes lugares, e Emma e Helena me preenchem com delicadeza e paixão. Sinto que quase se tocam dentro de mim, e gosto de estar entregue a elas. Emma me olha, toca minha boca com a sua e toma para ela cada um de meus gemidos, enquanto me diz palavras de amor, doces e excitantes. Helena, me possuindo por trás, me belisca os mamilos e cochicha em meu ouvido:
— Estamos te fodendo... Sinta nossos "paus" dentro de você.
Calor. Sinto um tesão fortíssimo e, de repente, noto como se todo o meu sangue me subisse para a cabeça. Grito, extasiada. Estou sendo penetrada pelas duas e fico enlouquecida de tanto prazer. Emma e Helena me apertam contra elas, me exigindo mais, e de novo grito até que me arqueio e começo a gozar. Elas não param. Emma, Helena. Emma, Helena. Suas respirações descontroladas e seus movimentos me fazem trepidar entre as duas, até que soltam uns gemidos fortes, e sei que a brincadeira acabou por ora.
Com cuidado, Helena sai de dentro de mim e se deita na cama. Emma não, e fico estendida sobre ela, que me abraça. Por uns segundos, nós três respiramos com dificuldade, enquanto a voz de Michael Bublé ressoa no quarto, e recuperamos o controle de nossos corpos.
Cinco minutos depois, Helena pega minha mão, beija-a e sussurra com um meio sorriso:
— Se me permitem, vou tomar uma chuveirada.
Eu e Emma continuamos abraçadas. Quando ficamos sós na cama, eu a olho. Tem os olhos fechados. Mordo o queixo dela.
— Obrigada, amor.
Surpresa, abre os olhos.
— Por quê?
Dou um beijo na ponta de seu delicado nariz. Ela sorri.
— Por me ensinar a brincar e a gostar mais de sexo.
Sua gargalhada me faz rir e, mais ainda, quando diz:
— Você tá começando a ficar perigosa. Muito perigosa.
Meia hora mais tarde, banho tomado, vamos as três para a cozinha de Helena. Lá, sentadas em uns bancos, comemos e conversamos. Admito que o comando e a rudeza delas em certos momentos me excitam, e rimos. Duas horas depois, já estou nua de novo, agora no balcão da cozinha, enquanto elas voltam a me possuir. Eu, deliciada, me entrego.
quarta-feira, 18 de março de 2015
quarta-feira, 4 de março de 2015
Peça - me o que Quiser Capítulo 36
Oi gente, boa noite! Então, como prometido a algumas pessoa, está aqui o capítulo QUÊ, comparado aos outros está "pequeno" rs. Prometo que compenso no próximo :D. Beijocas :*
São só vinte caixas, mas estou vibrando! O resto vai continuar lá em casa. Nunca se sabe.
Ter minhas coisas é importante, e durante dias me dedico a distribuí-las pela casa toda. Emma e eu estamos bem. Depois daquela noite esplendorosa de sexo, no dia da discussão, não conseguimos parar de nos beijar. Eu a surpreendi. Eu a tentei e a deixei louca. É só nos vermos e já queremos nos tocar. É ficarmos sozinhas e nos despimos com a maior paixão.
A estas alturas, posso garantir que fui fisgada pela Loucura esmeralda. Que novela genial! Quando começa, Simona me avisa, e sentamos juntinhas na cozinha para ver Esmeralda Mendoza sofrer. Pobre garota!
Uma manhã toca o telefone. Simona me passa o aparelho.
— Papai! — grito, entusiasmada.
— Oi, moreninha. Como está?
— Bem, mas morta de saudade de você.
Falamos um pouco, e lhe conto o problema que tenho com Flyn.
— Calma, querida. Esse menino precisa de paciência e carinho. Observe-o e tente surpreendê-lo. Com certeza, se você o surpreender, o menino vai te adorar.
— A única maneira de surpreendê-lo assim é indo embora desta casa. Pode crer, papai, esse menino é...
— Um menino, filha. Com 9 anos é só um menino.
Dou um suspiro profundo.
— Papai, Flyn parece um velho. Não tem nada a ver com nossa Grace. Reclama de tudo, me odeia! Pra ele sou um pé no saco. Você precisa ver como me olha.
— Moreninha, moreninha. Esse menino sofreu muito pra idade dele. Tenha paciência. Ele perdeu a mãe, e mesmo que a tia cuide dele, tenho certeza que se sente perdido.
— Não nego isso. Tento me aproximar dele, mas não deixa. Só o vejo feliz quando está grudado no Wii e no PlayStation, sozinho ou com a tia.
Meu pai ri.
— É porque ainda não te conhece. Tenho certeza de que quando conhecer minha moreninha não poderá mais viver sem você.
Desligo com um enorme sorriso. Meu pai é o melhor. Ninguém como ele para levantar minha autoestima e me dar força em tudo.
No domingo, Emma propõe que a acompanhe ao campo de tiro. Flyn e eu vamos com ela. Me apresenta a todos os seus amigos e, como sempre, quando ficam sabendo que sou espanhola, tenho de ouvir “olé, touro e paella”, claro. Chatos demais!
Surpresa, vejo que Emma é uma perfeita atiradora. Com o problema nos olhos nunca teria pensado que pudesse praticar um esporte desses.
Não gosto de armas. Nunca gostei, e quando Emma me propõe atirar, me recuso.
— Emma, já te disse que não gosto.
Sorri. Me olha e diz, me beijando nos lábios:
— Experimente. Talvez se surpreenda.
— Não. Já disse que não. Se você gosta, vá em frente. Eu não serei estraga- prazeres. Mas eu não quero atirar, me recuso! E tem mais, não me parece aceitável que Flyn veja isso com tanta naturalidade. As armas são perigosas, mesmo que façam parte das Olimpíadas.
— Em casa, estão trancadas à chave. Ele não toca nelas. Está proibido — se defende.
— É o mínimo que você pode fazer. Manter as armas trancadas.
Minha alemã sorri e desiste. Já me conhece, e se digo não, é não.
Alguns dias depois, decido tornar a casa mais alegre. Levo Simona às compras. A mulher adora e ri quando vê as cortinas cor de pistache com forro branco que compro para a sala. Segundo ela, a senhora Swan não vai gostar; mas, segundo eu, ela tem que gostar. É sim ou sim.
Não consigo que Norbert e Simona me chamem de Regina. É impossível. O “senhorita” parece meu primeiro nome. Afinal desisto.
Durante dias compramos tudo o que me dá na telha. Emma está feliz por me ver tão motivada e me dá carta branca para tudo o que quero fazer na casa. Só quer que eu seja feliz, e isso é um alívio.
Depois de decidir sozinha, sem dizer nada, transfiro Susto para a garagem. Faz muito frio e sua tosse miserável me preocupa. A garagem é enorme, e o pobre animal não passará tanto frio. Troco o cachecol dele por outro azul que fiz. Ficou divino. Simona, ao ver o cão, protesta, leva as mãos à cabeça. “A senhora Swan vai se chatear. Nunca quis animais em casa.” Mas digo que não se preocupe. Eu me ocupo de Swan. Sei que vou encrencá-la quando ela souber, mas já não dá para voltar atrás.
Susto é superbonzinho. Não late. Não faz nada, fora dormir sobre o cobertor limpo e seco que pus num lugar discreto da garagem. Inclusive, quando Emma chega com o carro, espio e sorrio ao ver que Susto é muito esperto e que sabe que não deve se mexer. Com a ajuda de Simona, eu o tiro para fora do pátio para que faça suas necessidades. Poucos dias depois, Simona já adora o cachorro tanto ou mais que eu. Uma manhã, depois do café, Emma por fim me chama para ir ao escritório da empresa. Animada, boto um terninho escuro e uma camisa branca, para passar uma imagem profissional. Quero que os empregados do minha namorada tenham uma boa impressão de mim.
Nervosa, chego à empresa Müller. Um enorme edifício e dois anexos compõem os escritórios centrais em Munique. Emma está linda com sua camisa de seda creme , e calça social de cintura alta escura. Como sempre, é uma delícia olhar para ela. Transpira sensualidade pelos poros, e autoridade. Isso da autoridade me excita. Quando entramos no impressionante hall, a loira da recepção nos olha, e os seguranças cumprimentam a chefona. Minha namorada! A mim olham com curiosidade, e quando vou passar pela roleta, me param. Emma, rapidamente, com voz de comando, diz que sou sua namorada, e me deixam passar sem o crachá com o V de visitante.
Uau, minha gata!
Eu sorrio, mas o rosto de Emma é sério, profissional. No elevador, entramos com uma bela morena. Emma e ela se cumprimentam. Disfarçando, observo como essa mulher a olha e sei que a deseja. Estou para pisar no pé dela, mas me contenho. Não devo ser assim. Tenho que me controlar. Quando saímos do elevador no andar presidencial, me escapa um “nossa!”. Isto não tem nada a ver com os escritórios de Madri. Tapete preto. Paredes cinza. Móveis brancos. Modernidade absoluta. Enquanto ando ao lado de minha Icewoman, observo a expressão séria das pessoas. Todas me olham e especulam, principalmente as mulheres, que me examinam atentamente. Estou meio intimidada com a situação.
Quando paramos diante de uma mesa, Emma diz a uma loira muito elegante e bonita:
— Bom dia, Leslie, essa é minha namorada, Regina. Por favor, venha a minha sala e me atualize.
A jovem me olha e me cumprimenta, surpresa.
— Prazer, senhorita Regina. Sou a secretária da senhora Swan. Quando precisar de algo, não hesite em me chamar.
Sorrio:
— Obrigada, Leslie.
Sigo as duas até o escritório impressionante. Como era de esperar, é como o resto do prédio, moderno e minimalista. Admirada, me sento na cadeira que Emma me oferece e, durante um bom tempo, presto atenção na conversa delas. Emma assina vários papéis que Leslie lhe entrega e, quando por fim ficamos a sós, ela me olha e pergunta:
— Que achou?
— É tudo sensacional. Nem se compara aos escritórios na Espanha.
Emma sorri, se mexendo na cadeira.
— Prefiro os de lá. Aqui não tem arquivo.
Começo a rir, levanto, me aproximo e falo baixinho:
— Melhor. Se eu não estou aqui, não quero que você tenha arquivo.
Rimos alegres. Emma me senta em suas pernas. Tento levantar, mas ela me segura com força.
— Ninguém entra sem avisar. É uma norma importantíssima.
Rio e a beijo. Mas então ergo a sobrancelha.
— Importantíssima desde quando?
— Desde sempre.
Toc, toc! — o ciúme batendo. Antes que eu pergunte, Emma confessa:
— Sim, Regina, é verdade o que você está pensando. Tive uma ou outra relação neste escritório, mas isso acabou faz tempo. Agora só desejo você.
Tenta me beijar. Me afasto.
— O que é isso, está virando a cara pro meu beijo de novo? — pergunta, divertida.
Dou de ombros. Estou com ciúme. Muito ciúme.
— Querida — murmura Emma —, quer parar de pensar bobagem?
Me livro das mãos dela. Contorno a mesa.
— Com Betta, né?
Um instante depois de mencionar esse nome, me dou conta de que não devia ter falado. Saco! Mas Emma responde com sinceridade:
— Sim.
Depois de um silêncio incômodo, pergunto:
— Teve alguma coisa com Leslie?
Emma se estica toda na cadeira e suspira.
— Não.
— Mesmo?
— Claro que não.
Mas enervada pelos ciúmes, insisto. E meu pescoço começa a comichar, e eu me coço.
— E com a morena que subia com a gente no elevador?
Pensa um pouco antes de responder:
— Não.
— E com a loira que estava na recepção?
— Não. E não se coce, ou a alergia piora.
Não dou a mínima, mas, insatisfeita com as respostas, pergunto:
— Mas você disse que fez sexo neste escritório?
— Sim.
Que ardência no pescoço! Não acredito e digo, fora de mim:
— Está me dizendo que jogou com alguém que trabalha na empresa.
— Não.
Emma se levanta e se aproxima.
— Mas se acaba de dizer quê...
— Espera lá, Regina — me corta, tirando minha mão do pescoço. — Não fui uma freira e transei com várias mulheres da empresa e fora da empresa. Sim, amor, não vou negar. Mas jogar, o que nós chamamos de jogar, não. Ninguém aqui entrou em brincadeira nenhuma, fora Betta e Amanda.
Ao lembrar essas megeras, meu coração bate descompassado.
— Claro, Amanda, a senhorita Fischer.
— Que, por sinal — esclarece Emma enquanto me sopra o pescoço —, se mudou pra Londres pra desenvolver a Müller lá.
Fico feliz. Tê-la longe me agrada. Emma, divertindo-se com minhas perguntas, me abraça e me beija na testa.
— Para mim, atualmente, a única mulher que existe é você, pequena. Confie em mim, querida. Lembre: entre a gente não há segredos nem desconfianças. Precisamos que tudo seja assim para nossa relação funcionar.
Nos olhamos. Nos desafiamos. Emma chega perto da minha boca:
— Se tento te beijar, vai virar a cara de novo?
Não respondo.
— Você confia em mim? — digo.
— Totalmente. Sei que não me esconde nada
Concordo, mas a verdade é que escondo várias coisas. O sentimento de culpa me golpeia. Que mal me sinto! Nada que tenha a ver com sexo, mas escondo coisas, entre elas um cachorro na garagem, que dei uma volta na moto de Jurgen, e que sua mãe e Marta estão num curso de paraquedismo.
Minha nossa, olha só quantos segredos! Emma me olha. Sorrio e depois suspiro:
— Olha como ficou meu pescoço. Por sua culpa!
Emma ri e me abraça.
— Acho que vou mandar fazer um arquivo aqui no escritório pra quando você vier me visitar. Que acha, hein?
Solto uma gargalhada. Depois a beijo e, esquecendo das culpas e dos ciúmes, digo baixinho:
— É uma excelente ideia, senhora Swan.
Nos fins de semana consigo desgrudar o Smurf Ranzinza e a Smurf bipolar do sofá. Esses dois, minha nossa! Vamos ao cinema, ao teatro, comer hambúrgueres, e eles se divertem, claro. Por que lhes custa tanto sair de casa? Às vezes, à noite, Emma me surpreende e me convida para jantar num restaurante. Depois me leva a uma boate fenomenal, e aproveitamos muito esse tempinho ali bebendo, nos beijando e conversando.
Não comentou mais nada sobre nosso complemento sexual. Quando estamos transando na nossa cama, sussurramos nossas fantasias sacanas no ouvido uma da outra, o que nos deixa loucas, mas por ora não compartilhamos sexo com ninguém. Me quer só para ela? Tanto assim?
Num domingo, consigo que saiam para um passeio. Deixamos o carro num estacionamento e caminhamos até o Jardim Inglês, um lugar maravilhoso no centro de Munique. Flyn não fala comigo, mas me meto o tempo todo na conversa. Ele se chateia, mas no fim das contas não tem outro jeito a não ser aceitar.
À tarde, eu os obrigo a entrar no estádio do Bayern de Munique. A ideia os horroriza. Gostam é de basquete. O lugar é enorme, grandioso. Como se fosse eu a alemã, explico a eles que esse time é o que ganhou mais vezes a Bundesliga. Me escutam, concordam, mas não dão a mínima. Por fim sorrio ao ver suas caras de tédio e, pelas sete e meia da noite, sugerem irmos jantar. Rio. Eu, a essa hora, faço um lanchinho. Mas, levando em conta que Flyn, especialmente, segue o horário alemão, me adapto.
Me levam a um restaurante típico, onde provo diferentes tipos de cerveja. A Pilsen é loira, a Weissbier é branca e a Rauchbier, escura. Emma me olha, degusto todas e, afinal, concluo, fazendo-a rir:
— Como a Mahou cinco estrelas, não tem nenhuma!
A base dos pratos alemães é a farinha. Usam farinha para fazer absolutamente tudo. Isso me explica Emma, enquanto devoro uma weissburst ou salsicha branca. É feita de picadinho de vitela, temperos e manteiga. Está de matar de tão bom! Flyn, mais animado com a atenção que sua tia e eu lhe damos, mordisca uma rosquinha salgada em forma de oito chamada brenz. O clima entre mim e Flyn melhorou, e Emma curte esse momento. Vão nos trazendo diferentes pratos. Como o jantar dos alemães é leve, ainda estou com um pouco de fome e peço rabanete em fatias finas salpicadas de sal. Me dizem que isso se chama radi. Depois nos servem obatzda, que é um queijo à base de camembert, manteiga, cebola e pimentão doce. Na sobremesa fico louca com o germknödel, um bolo recheado de geleia de ameixa, feito com açúcar, fermento, farinha e leite quente, e servido com açúcar cristal e sementes de papoulas. Eu, hein? Tudo muito light.
À noite, quando voltamos para casa, estamos moídos. Andamos horrorres, e Flyn cai na cama como um tronco. Largados no sofá da sala de jantar, vemos um filme, e então proponho um banho de piscina. Emma está com os olhos fechados e diz que não.
— O que há, meu amor?
— Nada — responde rapidamente.
— Está com dor de cabeça? — pergunto, preocupada.
Olho para ela. Ela me olha. De repente, brincalhona, me pega como um saco de batatas e me leva até a piscina. Ligamos apenas a luz interna. Quando Emma menos espera, eu a jogo n’água com roupa e tudo. Quando ela vem à tona, me olha. Levanto as sobrancelhas e pergunto, risonha:
— Não me diga que vai ficar chateada?
Minha risada o contagia. Mais ainda quando também me atiro n’água vestida. Emma me agarra e, enquanto me faz cosquinhas, diz:
— Moreninha, você é uma menina muito travessa.
Sei que minhas risadas aconchegam sua alma, a fazem feliz. Por um instante, brincamos de nos afogar enquanto vamos tirando as roupas. Nuas, nos beijamos, nos provocamos. Por fim, fazemos amor.
Nunca, até agora, tinha feito numa piscina. Mas é excitante, sensual. E mais ainda com Emma cochichando no meu ouvido coisas que me deixam alucinada.
Já refeitas, sugiro uma disputa de natação, mas não rola. Emma só quer me beijar e me acariciar. Vinte minutos depois, saímos da água. Vou pegar as toalhas e volto para o lado dela. Enroladas, nos sentamos num bela e confortável rede cor de café. É do tipo que fica presa entre duas árvores. Aqui, na falta delas, está presa a duas colunas.
Emma se deixa cair a meu lado. Eu a abraço. Assim nos balançamos, como se estivéssemos flutuando. Beijos, carícias — e, quando me dou conta, estou sobre ela, chupando seus belos seios. Deitada de barriga para cima, ela curte minhas brincadeiras, os beijos ardentes e sacanas. Adoro seus seios. Adoro a sensação de tê-lo em minha boca. Adoro sua maciez. Adoro como Emma me toca os cabelos e me anima a continuar chupando-a. Mas a impaciência a domina. Ela não se sacia nunca. Se ergue, com a rede entre as pernas e, me virando, murmura em minha orelha enquanto rapidamente, com seus dedos me penetra:
— Isto é por me jogar na piscina.
— Vou te jogar de novo.
— Pois vou te foder uma vez depois da outra por ser uma menina tão má.
Sorrio. Ela me morde de um lado, enquanto com o corpo me aperta e com paixão mete, mete, mete.
— Empine essa bunda! Mais, mais! — exige, me agarrando pelos cabelos. Me dá uma palmada que chega a ressoar. Gemo e faço o que me pede. Me arqueio, e ela mete mais fundo. Extasiada, meus gemidos ecoam pela sala. Enquanto isso, suspensa na rede, vou e venho com os fortes e maravilhosos movimentos do meu amor. Uma hora depois, saciadas, vamos para nosso quarto. Precisamos descansar.
Pela manhã, quando me levanto e desço à cozinha, Simona informa que Emma não foi trabalhar e está no escritório. Surpresa, vou até lá e, pelo seu rosto, sei que está mal. Me assusto, mas, quando chego perto, ela diz:
— Regi, não me incomode, por favor.
Nervosa, não sei o que fazer. Sento diante dela e a olho, retorcendo as mãos.
— Ligue pra Marta — pede, finalmente.
Ligo com rapidez.
Tremo.
Estou assustada.
Emma, minha forte e corajosa Icewoman, está sofrendo. Vejo na sua expressão contraída. Nos olhos avermelhados. Quero me aproximar. Quero beijá-la. Fazer carinho. Quero lhe dizer que não se preocupe. Mas Emma não deseja nada disso. Emma só deseja que a deixe em paz. Respeito sua vontade e me mantenho em segundo plano.
Meia hora depois, Marta chega com sua maleta. Ao ver meu estado, me tranquiliza com seu olhar. Tento ficar calma, e ela examina cuidadosamente a irmã. Observo, atenta. Emma não é uma boa paciente e protesta o tempo todo. Está insuportável.
Marta, sem se alterar com seus resmungos, senta diante dela.
— O nervo óptico está pior. Você vai ter que operar de novo.
Emma diz palavrões. Protesta. Não me olha. Só xinga.
— Eu te avisei que isso podia acontecer — explica Marta com calma. — Você sabe. Precisa começar o tratamento pra poder fazer o microbypass trabecular.
Ouvir uma coisa dessas me tira do sério. Nunca comentou absolutamente nada disso durante esse tempo todo. Mas não quero discutir. Não é a hora. Com o que está passando já tem o bastante. Mas faço questão de participar:
— Qual é o tratamento?
Marta explica. Emma não me olha, e quando ela termina, digo com segurança:
— Muito bem, Emma. Me diga quando começamos.
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