Victoria, você disse que postaria capítulo de Take Care no dia 5....Me lembro bem disso haha só que né, já se passaram alguns e nada D; D: Mas olha, continuo todo dia 5 entrando no Nyah na esperança de que haja atualização hauahauahaua. Veja bem, não estou cobrando U_U apenas deixando claro que a esperança é a ÚLTIMA QUE MORRE :D o/.
Kisses :*
Hoje é meu aniversário. Falo com minha família e todos me dão parabéns. Estou com saudade. Queria vê-los e apertá-los, e prometo que logo vou fazer uma visita. Cora, mãe de Emma, oferece um jantar na casa dela para comemorar a data. Chamou Maura, Jane e uns amigos. Estou feliz.
Flyn me deu um pingente de cristal muito lindo que estou usando com orgulho. Achei uma gracinha da parte dele procurar um presente para mim. Emma me dá uma pulseira de ouro branco maravilhosa, com nossos nomes gravados nela. Fico emocionada. Mas o que mais me deixa arrepiada é quando meu amor me pede para eu tirar o anel que tinha me dado e ler o que está escrito dentro: “Peça-me o que quiser, agora e sempre.”
— Quando foi que você colocou isso? — pergunto surpreendida.
Emma ri. Está feliz.
— Uma noite enquanto você dormia. Tirei do seu dedo, Norbert levou a um joalheiro amigo meu, trouxe de volta algumas horas depois e recoloquei em você. Eu sabia que você não tiraria e não veria.
Me jogo em seus braços. Esse é o tipo de surpresa que adoro: completamente inesperada. Ela me beija e murmura com voz rouca:
— Não se esqueça, Regina. Agora e sempre.
Uma hora mais tarde, acabo de me arrumar e me olho no espelho. Fico satisfeita. O vestido de chiffon preto que comprei para mim caiu superbem. Olho meu cabelo e resolvo deixá-lo solto. Emma gosta de tocá-lo, cheirá-lo, e isso me excita.
A porta do quarto se abre, e aparece uma mulher que me mata de tanto prazer. Está linda num vestido vinho com decote assimétrico. O vestido é colado, o que ressalta suas belas curvas e tem o comprimento na altura dos joelhos, expondo suas lindíssimas pernas.
“Hummm, essas pernas são sexy! Me deixaram com água na boca.”, penso.
— Estou bonita?
Emma me olha de cima a baixo e dá para perceber o quanto ela está me achando gostosa. Ela aperta os lábios e murmura com um sorriso malicioso:
— Sexy. Irresistível. Maravilhosa.
— Hummm, faço minhas suas palavras querida.
Ela me olha toda fogosa, e deixo que me abrace. Suas mãos tocam minhas costas nuas e sorrio quando ela encosta os lábios nos meus. Calor. Por alguns segundos, nos beijamos, curtimos o momento, ficamos excitadas e, quando estou a ponto de descer o zíper de seu vestido , ela se afasta de mim.
— Vamos, Regina. Minha mãe está esperando a gente.
Olho o relógio. Cinco horas.
— Vamos tão cedo pra casa da sua mãe?
— Melhor cedo que tarde, né?
Quando me solta, sorrio. Maldita pressa alemã!
— Me dá cinco minutinhos e eu já desço.
Emma concorda. Me beija de novo e desaparece do quarto. Sem tempo a perder, calço os sapatos de salto alto, me olho no espelho outra vez e retoco o batom. Pego a bolsa que faz jogo com o vestido e, empolgada e ansiosa para me divertir, saio do quarto.
Quando desço a escada, Simona vem falar comigo.
— Está linda, senhorita Regina.
Feliz com o elogio, abro um sorriso e lhe dou um abraço. Adoro abraçá-la. Susto e Calamar vêm me receber. Depois que solto Simona, ela me olha de um jeito carinhoso e diz, levando os cachorros com ela:
— Dona Emma e o Flyn estão na sala esperando a senhorita.
Com um sorriso de orelha a orelha, vou ao encontro deles. Assim que abro a porta, quase caio para trás com o que vejo. Contraio bem os olhos para ter certeza de que não estou delirando, levo a mão à boca e, emocionada como poucas vezes na vida, começo a chorar.
— Fofinhaaaaaaaaa — grita minha irmã.
Bem na minha frente estão meu pai, minha irmã e minha sobrinha. Não consigo falar nada. Não consigo me mexer. Só o que posso fazer é chorar enquanto meu pai corre e me abraça. É tão aconchegante tê-lo por perto! E finalmente consigo dizer:
— Papai! Que bom que você está aqui!
Minha sobrinha me enche de beijos e minha irmã também. Todos me abraçam e por alguns minutos uma confusão de risos, choros e gritos toma conta da sala, e ao mesmo tempo observo a cara séria de Flyn e a emoção de Emma. Quando me refaço dessa surpresa maravilhosa, enxugo as lágrimas e pergunto:
— Mas... mas... quando vocês chegaram?
Mais emocionado que eu, meu pai responde:
— Há uma hora. Que frio desgraçado faz aqui na Alemanha.
— Ai, fofa, você está linda com esse vestido!
Dou uma voltinha para minha irmã e respondo animada:
— Foi presente da Emma. Não é maravilhoso?
— Incrível.
Vendo que meu cunhado não está, pergunto:
— Whale não veio?
— Não, fofa... Sabe como é, né? O trabalho.
Concordo com a cabeça e minha irmã sorri. Grace, que está agarrada à minha cintura, grita:
— Muito legal o avião da tia Emma! A aeromoça me deu chocolate e milkshake de baunilha.
Emma se aproxima, pega minha mão e diz:
— Falei com seu pai e sua irmã há alguns dias e eles adoraram a ideia de passar o aniversário contigo. Está feliz?
Que vontade de enchê-la de beijos! Sorrio como uma menininha e respondo:
— Muito. É o melhor presente.
Nos olhamos nos olhos por alguns segundos. Amor. É isso que Emma me dá. Mas o momento se rompe quando Flyn exige:
— Quero ir logo pra casa da Cora!
Surpresa, me volto para ele. O que esse menino tem? Mas, ao ver sua testa franzida, entendo logo. Está com ciúme. Tanta gente desconhecida ao mesmo tempo é algo que o assusta. Conhecendo o sobrinho, Emma se afasta de mim, faz carinho na cabeça dele e diz:
— Vamos já, já. Não se preocupe.
Flyn se vira e senta no sofá, dando as costas a nós duas. Emma bufa, e minha irmã, para desviar a atenção, intervém:
— Essa casa é linda.
Emma sorri.
— Obrigado, Mary. — E, olhando para mim, diz: — Mostra a casa toda e os quartos que reservamos pra eles. Em duas horas temos que ir pra casa da minha mãe.
Sorrio animada e saio da sala junto com minha família. Vamos em grupo à cozinha, apresento Simona, Norbert e os dois cãezinhos. Depois seguimos para a garagem, onde eles assobiam ao verem os carrões parados ali. Na sequência, mostro os banheiros e os escritórios. Como era de se esperar, minha irmã não para de soltar gritinhos de satisfação enquanto observa tudo. Assim que abro a porta que dá para a enorme piscina, ela quase enlouquece.
— Ai, fofaaaaaaaaaaa, isso é o máximo!
— Que maneiroooooooo! — grita Grace. — Caraca, tia, você tem piscina e tudo!
A menina vai até a beirada e põe a mão na água. Divertindo-se, seu avô avisa:
— Grace da minha vida... se afasta daí senão você vai cair.
Meu pai rapidamente a agarra pela mão, mas minha sobrinha se solta e, já junto de mim e de Mary, cochicha com cara de sapeca:
— Vamos jogar alguém na piscina?
— Grace! — grita minha irmã, olhando meu vestido.
— Essa menina não pode ver uma poça d’água que já fica louca — brinca meu pai.
Todo mundo na família já sabe que ficar com a pequena perto da água é certeza de acabar encharcado. Começo a rir. Se ela molhar meu lindo vestido, vai ser um drama, então olho com cumplicidade para minha sobrinha e aviso:
— Se você me empurrar na piscina com o vestido que Emma me deu, vou ficar muito chateada contigo. E, se você não me empurrar, prometo que amanhã a gente fica um tempão na piscina. O que você prefere?
Imediatamente, minha sobrinha põe o dedo na frente do meu. É nossa maneira de selar um acordo. Coloco meu dedo junto ao dela e nós duas piscamos um olho e sorrimos:
— Tá bom, tia, mas amanhã vamos cair na água, tá?
— Prometo, querida — respondo, rindo.
Levantamos nossos polegares, juntamos os dois e depois batemos uma na palma da outra ao mesmo tempo.
— Grace, não se esquece que amanhã à tarde vamos voltar pra casa — lembra minha irmã.
Ao sairmos da área da piscina, subo com minha família ao primeiro andar. Preciso me controlar para não cair na gargalhada com a cara de admiração que Mary faz diante de tudo o que vê. Ela se empolga até com o papel de parede. Incrível!
Depois de acomodá-los nos quartos, eu os apresso para se vestirem logo. Em uma hora temos que sair para jantar na casa da mãe de Emma. Quando volto à sala, Emma e Flyn estão jogando PlayStation, como sempre a todo volume. Nenhum deles percebe minha presença. Chego mais perto e escuto o garoto dizer:
— Não gostei daquela menina chata.
— Flyn... para com isso.
Sem fazer barulho, fico escutando a conversa.
— Mas eu não quero que ela...
— Flyn...
O garoto bufa enquanto mexe no controle do videogame e insiste:
— As meninas são um saco, tia.
— Não são, não — responde minha namorada.
— São bobas e choronas. Só querem ouvir coisas bonitas e receber beijos, você não vê? Incapaz de segurar o riso, me aproximo com cautela e murmuro na orelha de Flyn:
— Algum dia você vai adorar beijar uma menina e dizer coisas bonitas pra ela. Você vai ver só!
Emma solta uma gargalhada, enquanto Flyn abandona irritado o controle do PlayStation e sai da sala. Mas o que houve? Onde foi parar aquele clima bom entre nós dois? Quando eu e Emma ficamos a sós, desligo a música do jogo, chego perto da minha Swan e, sentando-me no seu colo com cuidado para não amassar nossos vestidos, sussurro:
— Vou te beijar.
— Ótimo — diz minha Icewoman.
Corro meus dedos pelos seus cabelos e digo com paixão:
— Vou te dar um beijo explosivo!
— Hummm... gostei da ideia — responde, sorrindo.
Encosto meus lábios nos seus, provocando-a, e murmuro:
— Hoje você me fez muito feliz trazendo minha família pra sua casa.
— Nossa casa, Regina — corrige.
Não digo mais nada. Agarro sua nuca e lhe dou um beijo. Enfio a língua na sua boca com voracidade. Ela corresponde. Depois de um beijo incrível, maravilhoso, excitante e delicioso, eu a solto.
— Uau, adoro seus beijos explosivos!
Rimos e digo num tom sensual:
— Nunca ouviu aquela história de que, quando a espanhola beija, ela beija de verdade?
Emma ri outra vez.
É muito bom vê-la tão feliz. Quando estamos quase nos beijando de novo, Flyn aparece de braços cruzados e com cara emburrada. Atrás dele vem Grace num vestidinho azul. Ela pergunta:
— Por que o chinês não fala comigo?
Putz, olha o que ela acaba de dizer! Chamou Flyn de chinês!
Flyn contrai as sobrancelhas mais ainda e respira bufando. Tadinho! Me levanto depressa do colo de Emma e repreendo minha sobrinha.
— Grace, o nome dele é Flyn. E não é chinês, é alemão.
Ela olha para ele. Depois para Emma, que se levantou e está ao lado do sobrinho. Logo se vira para mim e, com sua franqueza de sempre, insiste:
— Mas ele tem olhos iguais aos dos chineses. Você não viu, tia?
Ai, meu Deus! Quero morrer! Que constrangedor!
Por fim Emma se agacha, olha nos olhos de Grace e explica:
— Meu amor, Flyn nasceu na Alemanha e é alemão. O pai dele era coreano e a mãe alemã como eu, e...
— Se ele é alemão, por que não é louro que nem você? — insiste a criatura.
— Ela acabou de explicar, Grace — intercedo. — O pai dele era coreano.
— E os coreanos são chineses?
— Não, Grace — respondo, olhando-a bem nos olhos para fazê-la ficar quieta. Mas não funciona. Ela é perguntona demais.
— E por que os olhos dele são assim?
Vou esganar essa menina! Por sorte, bem nessa hora meu pai e Mary entram na sala em seus melhores trajes. Que lindos eles estão!
Meu pai, ao ver meu olhar de “socorro!”, logo intui que Grace está aprontando alguma. Ele a pega nos braços e tenta distraí-la com a paisagem da janela. Respiro aliviada. Olho para Flyn e ele fala baixinho em alemão:
— Não gosto dessa menina.
Eu e Emma nos olhamos. Faço cara de espanto e ela pisca um olho num gesto de cumplicidade. Dez minutos depois, estamos todos no Mitsubishi de Emma e partimos para a casa de Cora.
Chegamos. A casa está iluminada e há vários carros estacionados de um lado. Surpreso com a suntuosidade daquela residência, meu pai me olha e cochicha:
— Esses alemães sabem o que é bom, hein?!
Acho graça de seu comentário, mas paro de sorrir quando vejo a cara de Flyn. Está muito incomodado.
Ao entrarmos na casa, Cora e Marta recebem minha família com muito carinho, e as duas dizem que estou linda com esse vestido. Flyn se afasta e vejo Grace indo atrás dele. Essa garota não é mole. Dez minutos depois, sorrio ao me sentir a mulher mais realizada do planeta, cercada pelas pessoas que mais me amam e me importam no mundo. Sou feliz.
Conheço o homem com quem Cora está saindo. Esse Trevor não é esse homem todo! Não é bonito. Nem atraente. Mas cinco minutos de conversa com ele me fazem perceber seu carisma. Até Mary, que não fala alemão, sorri para ele como uma pateta. Emma se limita a observá-lo, encarando-o e tirando conclusões. Não digeriu muito bem a ideia de que sua mãe tem um novo namorado, mas respeita a decisão.
Maura e minha irmã ficam de papo. Lembram de quando se viram na corrida de motocross. As duas são mães e conversam sobre crianças. Escuto por um tempo e, quando Mary se afasta, Maura diz no meu ouvido:
— Em breve vai rolar uma festinha particular no Natch.
— Sério? Interessante isso...
— Muito... muito interessante — brinca Maura, rindo.
O sangue me sobe à cabeça. Sexo!
Dez minutos mais tarde, estou rolando de rir com minha irmã. Ela é uma crítica feroz, e adoro ouvir os comentários que faz em relação a algumas coisas. Em dado momento, Cora, que está supercontente por ter organizado a festa para mim, me leva a um canto da sala.
— Filha, que alegria poder comemorar seu aniversário aqui em casa com sua família.
— Obrigada, Cora. Foi muito gentil da sua parte receber todos nós.
A mulher sorri e, apontando para o menino, quer saber:
— Gostou do presente que ele te deu?
Toco meu pescoço e lhe mostro o pingente.
— É lindo.
Cora abre um sorriso e cochicha:
— Preciso te contar que eu mal acreditei quando meu neto me ligou outro dia pra me pedir que o levasse a um shopping e ajudasse a comprar um presente de aniversário pra você. Pulei de alegria! Fiquei emocionada por ele pedir minha ajuda. É a primeira vez que faz isso. No caminho, conversou comigo de um jeito que nunca tinha feito. Até me perguntou pela mãe dele e quis saber se eu gostaria que ele me chamasse de “vó”. A mulher se emociona e, movendo a cabeça para segurar o choro, prossegue: — Também me confessou que está superfeliz por você morar com eles.
— Sério?
— Sério, querida. Só não caí pra trás porque estava sentada.
Rimos, e Cora comenta:
— Já te disse quando te conheci, mas repito: você é a melhor coisa que poderia acontecer a Emma.
— E sua filha é a melhor coisa que poderia acontecer na minha vida — digo.
cora balança a cabeça afirmativamente. Depois continua baixinho:
— Essa minha filha, mandona e cabeça-dura que é, teve muita sorte de te encontrar. E Flyn nem se fala. Você é perfeita pra eles. — Sorri e prossegue: — Aliás, Jurgen me disse que você é uma ótima corredora de motocross. Estou com vontade de te ver qualquer dia. Quando vai haver uma corrida?
Dou de ombros. Por enquanto não marquei nada. Não quero que Emma fique sabendo.
— Quando houver, pode deixar que eu te aviso. E obrigada pela moto. É maravilhosa! Sorrimos.
— Mesmo correndo o risco de levar uma bronca de Emma quando ela ficar sabendo, acho ótimo que você esteja aproveitando. Tenho certeza que Hannah estará sorrindo ao ver sua querida moto em ação e bem-cuidada na tua casa.
“Minha casa.” Como soam bem essas palavras! Não voltei a brigar com Emma por causa disso. Depois da última discussão, nunca mais me referi à casa dela como sendo só dela, e agora Cora faz o mesmo. Emocionada, lhe dou um beijo.
— Já sabe, né? Se sua filha me expulsar quando descobrir, vou precisar de um abrigo.
— Pode ficar à vontade, querida. A casa é sua.
— Obrigada. Bom saber.
Estamos rindo quando Emma se aproxima.
— O que as mulheres mais importantes da minha vida estão tramando?
Cora beija sua bochecha e, num tom bem-humorado, comenta enquanto vai se afastando:
— Pelo que te conheço, querida, você não vai gostar nadinha.
Emma olha para ela desconcertada, depois fica me olhando. Dou de ombros e afirmo com voz angelical:
— Não sei do que ela está falando. — E, para mudar de assunto, cochicho: — Maura comentou que vai rolar outra festinha particular no Natch.
Minha alemã sorri, chega bem perto da minha boca e murmura:
— Estou sabendo, amor.
Andamos até a mesa e, dando uma de romântica, Emma puxa a cadeira para mim, depois beija meu ombro nu. Sorrimos e ela se acomoda de frente para mim, ao lado do meu pai e de Flyn. Minha irmã, que está sentada ao meu lado, sussurra de repente:
— Fofinha, posso te fazer uma pergunta?
— Quantas você quiser — respondo.
Mary olha disfarçadamente à sua esquerda e, inclinando-se para perto de mim outra vez, afirma:
— Estou perdida com tanto garfo, tanta faca e tanta bobagem. Como é mesmo a regra dos talheres? Tem que usar de fora pra dentro ou de dentro pra fora?
Entendo perfeitamente essa dificuldade. Aprendi a etiqueta nos almoços da empresa. Na nossa casa, como na maioria das casas do mundo, só usamos um garfo e uma faca para a refeição inteira. Sorrio e respondo:
— De fora pra dentro.
Mary logo explica ao meu pai, que, aliviado, balança a cabeça. Ele é um fofo! Em seguida ela volta ao ataque:
— Qual é o meu pão?
Olho para os pequenos potes que estão na nossa frente e respondo:
— O da esquerda.
Mary sorri de novo. Emma percebe a situação, me lança um olhar de cumplicidade e entorto meus olhos para a ponta do nariz, ficando vesga. Sua risada me anima e a gente se diverte.
Mais tarde, após uma noite maravilhosa, com direito a “Parabéns pra você” e um monte de presentes lindos, voltamos para casa. Estamos exaustos e felizes. Cora sabe organizar festas como ninguém e isso ficou claro para todo mundo.
Todos vão se deitar. Eu e Emma entramos no nosso quarto e fechamos a porta. Sem acender as luzes, olhamos uma para a outra. A iluminação da rua que entra pela janela nos permite ver nossos rostos. Incapaz de ficar mais tempo sem tocar nela, chego mais perto, passo os braços pelo seu pescoço e sussurro:
— Peça-me o que quiser, agora e sempre.
Emma me beija e repete:
— Agora e sempre.
Passo a manhã na piscina com Grace, como eu tinha prometido. À tarde minha família vai voltar à Espanha no jatinho de Emma. Fico triste de vê-los ir embora, mas ao mesmo tempo estou feliz por ter passado essas horas com eles.
— Ah, pequena, abre um sorriso — diz Emma, apertando meus pneuzinhos quando paramos num sinal. — Eles estão bem. Você está bem. Não tem por que ficar triste.
— Eu sei, mas sinto muita saudade deles — respondo.
O sinal fica verde e Emma arranca. Olho pela janela e, de repente, a música começa a tocar a todo volume. Fascinada, me viro para minha gatinha que está cantando a plenos pulmões Highway to hell, do AC/DC.
Living easy, living free,
Season ticket on a one-way ride
Asking nothing leave me be
Taking everything in my stride…
Deslumbrada, arregalo os olhos. É a primeira vez que a vejo cantar assim. Rio e ela exagera na cara de mau. Adoro seu lado selvagem! Emma movimenta a cabeça no compasso da música e me incentiva com a mão a cantar também. Cantamos juntas, nos olhamos e sorrimos. De repente ela para o carro. Continuamos cantarolando e, quando a música termina, soltamos uma gargalhada.
— Sempre gostei dessa música — diz Emma.
Fico de queixo caído ao saber que ela curte esse som.
— Você gostava do AC/DC?
Sorri, sorri... abaixa o volume da música e confessa:
— Claro. Nem sempre fui tão séria.
Por alguns minutos ela me conta sua vida de adolescente roqueira e eu escuto surpresa. Mas, quando ela termina de falar, meu sorriso desaparece. Emma me olha e sabe que estou pensando de novo na minha família. Ela percebe a dor que estou sentindo por terem ido embora, e diz:
— Sai do carro.
— Quê?
— Sai do carro — insiste.
Obedeço e ela sorri. Sei o que vai fazer. No rádio está tocando You are the sunshine of my life, de Stevie Wonder. Emma coloca no volume máximo, desce do carro e vem até mim.
Meu Deus, ela vai mesmo fazer isso? Vai dançar comigo no meio da rua? Inacreditável! Ela para na minha frente e murmura:
— Dança comigo.
Me jogo em seus braços. É maravilhoso ver que Emma é capaz de parar o carro no meio de uma rua super movimentada e dançar comigo sem pudor algum.
— Como diz a música, você é o sol da minha vida e, se te vejo triste, não consigo ser feliz — sussurra em meu ouvido. — Te prometo, Regina, que vamos pra Espanha sempre que você quiser, que sua família vai vir à nossa casa sempre que quiser, mas, por favor, abre um sorriso. Se não te vejo feliz, não posso ser feliz.
Suas palavras me comovem. Me emocionam. Nos abraçamos. Danço com ela e aproveito esse momento mágico. As pessoas ao nosso redor nos olham. Não entendem o que estamos fazendo. Mas não me importo com o que pensam, e sei que Emma também não está nem aí. Quando a música termina, olho para ela e digo, toda boba:
— Te amo do fundo do coração, querida.
Dá para ver que minhas palavras a deixam feliz.
— Continuo esperando que você queira casar comigo.
Esse comentário me faz sorrir. E esclareço:
— Amor... aquilo foi um impulso. Não vai dizer que você levou a sério?
Minha Icewoman me olha... me olha... e finalmente responde:
— Levei.
— Mas, Emma, do que você está falando? Não sou dessas que querem casar.
Ela me beija.
— Temos na geladeira de casa uma garrafa maravilhosa de Moët Chandon rosé. O que acha de a gente beber e conversar sobre essa ideia impulsiva?
Calor. Emoção. Nervosismo. Ela realmente está falando em casamento? Mas, controlando meus nervos, sorrio e pergunto toda carinhosa:
— Moët Chandon rosé?
— Aham! — diz com entusiasmo.
— Aquele de rótulo rosa que tem cheiro de morangos silvestres — brinco ao me lembrar da primeira vez que Emma levou essa garrafa à minha casa em Madri.
— Esse mesmo, pequena.
Dou uma risada e digo, sem me afastar dela:
— Por enquanto, vamos ficar só com a garrafa.
De repente o celular de Emma apita. Chegou uma mensagem. Ela me beija, devora minha boca. Quando nos damos por satisfeitas, entramos no carro. Faz frio. Emma olha para o celular e diz:
— Amor, tenho que dar um pulo no escritório, você se importa?
Loucamente apaixonada por essa mulher,nego com a cabeça e abro um sorriso. Vinte minutos depois, já estamos na porta da empresa. São dez da noite e há pouca gente na rua. Ao passarmos pelo hall, os seguranças nos cumprimentam. Me olham com surpresa e eu sorrio. Eles não sorriem de volta.
Caramba, como é difícil fazer um alemão sorrir!
Chegamos ao andar da presidência — sem ninguém. O escritório está totalmente vazio. Preciso ir ao banheiro.
— Emma, onde é o banheiro?
Aponta à direita e corro nessa direção, enquanto ela diz:
— Te espero na minha sala.
Depois de fazer o que vim fazer, me olho no espelho e arrumo o cabelo. Minha aparência é suave e jovial. Usando o pulôver rosa que ganhei do meu pai e uma calça jeans, estou parecendo mais nova do que sou.
Penso no que Emma disse há alguns minutos. Casamento? Será que deveríamos mesmo nos casar?
Saio do banheiro sorrindo e ando até a sala de Emma. Assim que abro a porta, quase caio para trás ao ver Amanda bem na frente dela, com um vestido vermelho todo provocante e sexy. Vaca!
Por alguns segundos elas não notam minha presença. Observo Amanda se inclinando na direção de Emma e lhe mostrando uns papéis. Seus seios estão bem perto dela e dá para perceber que ela quer algo além de trabalho. Emma sorri. Ela toca no ombro dela, e Emma não diz nada. Mato as duas!
Continuo observando tudo por alguns minutos. Conversam. Consultam a papelada. Ao fim, Amanda senta na mesa, insinuando-se, e cruza as pernas diante da minha Icewoman. Estou morrendo de ciúme. Morrendo! Quando não consigo mais me segurar, fecho a porta com força e as duas olham para mim.
Minha cara não é mais a da mocinha meiga do espelho do banheiro. Estou a ponto de gritar como a Shakira! Raivosa! Revoltada com o que acabo de presenciar. Essa mulher e suas artimanhas despertam o que há de pior em mim. A expressão de surpresa de Amanda diz tudo. Não esperava me ver aqui. Com determinação e certo ar de deboche, me aproximo das duas. Emma me olha. Suas sobrancelhas estão arqueadas.
— Amanda, quanto tempo!
Ela desce da mesa, ajeita o vestido e se afasta um pouco de Emma. Toca em seus cabelos louros muito bem cuidados, me olha com seu olhar impessoal e responde com um sorriso falso:
— Regina, querida, que bom te ver!
Mas que mentirosa...!
Chega mais perto para me cumprimentar, mas prefiro deixar as coisas bem claras. Eu a detenho e digo num tom mal-humorado:
— Nem ouse encostar em mim, ok?
Emma se levanta. Já está prevendo problemas. Mas, antes mesmo que ela abra a boca, aponto o dedo na sua cara e digo:
— E você, calada. Estou falando com Amanda. Depois falo contigo.
A mulher sorri. Sente-se bem com o constrangimento estampado no rosto de Emma. Nos olhamos com ódio. Está claro que nunca seremos amigas. Tenho consciência de que nesse momento o visual dela dá de dez a zero no meu. Ela usa um vestido vermelho, todo sexy e decotado, e um sapato com um salto imenso. Já eu estou com um pulôver rosinha, calça jeans e botas sem salto. Cá entre nós, impossível competir.
Ela também sabe disso. Dá para perceber pelo modo como me olha. Mas estou disposta a deixar claro o que passa pela minha cabeça, então digo num tom confiante:
— Não preciso me vestir como uma vadia pra atrair alguém. Até porque já tenho namorada, que, olha só que coincidência!, é a mesma mulher em quem você estava dando em cima agorinha, sua cadela! Amanda faz menção de protestar. Mas levanto um dedo e a faço ficar quieta. — Você trabalha pra Emma. Pra minha namorada. Limite-se a isso, a trabalhar, e não tente mais nada.
— Regi... — diz Emma, grunhindo.
Não presto atenção nela e continuo:
— Se eu vir você tentando qualquer coisa com ela outra vez, juro que você vai se arrepender. E não vai ser como da última vez que nos encontramos. Agora, não vou dar as costas e ir embora. Se alguém vai embora, esse alguém é você, entendido?
Emma se mexe na cadeira. Amanda nos olha e responde:
— Acho... acho que você está cometendo um engano, querida.
Empenhada em marcar meu território, coloco um dedo no seu decote acentuado e rebato:
— Não vem com “querida” e outras babaquices. Larga a Emma, sua vagabunda! Ouviu bem?
— Regi... — me repreende Emma, incrédula.
Humilhada, Amanda pega suas coisas e sai, mas antes olha para trás e diz:
— Te ligo amanhã.
Emma concorda num gesto. Ela vai embora e eu, irritada, começo a chiar.
— Se você disser que não percebeu como essa sujeita estava se insinuando pra você, juro que pego essa escultura em cima da mesa e quebro na sua cabeça. — Não responde e continuo: — Você acabou de me decepcionar, sua imbecil! Essa idiota estava esfregando os peitos na tua cara e você deixou numa boa.
— Não é verdade.
— É, sim. Você e Amanda têm uma intimidade que você nem percebe, né? Então tá... continuemos por esse caminho! Na próxima vez que eu encontrar Robin, vou sentar no colo dele e esfregar meus peitos na cara dele sem me importar com o que você pensa ou sente. Só porque tenho intimidade com ele. Que tal?
— Você está passando dos limites, Regina — reclama furiosa.
— Merda nenhuma! — grito. — Quem passou dos limites foi você.
Sua cara é indescritível. Sei que estou exagerando, que o que vi foi um flerte da parte de Amanda e não de Emma, mas já não posso parar. — Você deveria ter cortado logo as asinhas da Amanda. Eu vi vocês! Vi como ela te olhava e... e... se eu não tivesse entrado na sala, vocês acabariam deitados em cima da mesa como outras vezes, né?
— Se eu fosse você, parava por aqui... — insiste com frieza.
— Por que você teve que vir ao escritório a essa hora? — Não responde. — Mas... você não reparou como ela estava vestida? Só queria sexo. Nem mais nem menos. E você é tão idiota que nem percebe, né?
Emma continua em silêncio. Minhas palavras a incomodam. Revira os papéis que Amanda deixou na sua mesa e diz:
— Não existe absolutamente nada entre mim e Amanda. Não vou negar que ela continua tentando me seduzir, mas eu não dou a menor bola e...
— Babaca! — grito. — Você sabe que ela continua tentando, mas não dá bola. Ótimo, Emma! Da próxima vez que eu encontrar aquele tal de Leonard, o cara do carro que consertei, mesmo que ele tente me seduzir, vou deixar. Ah, mas não se preocupa, tá? Não vou dar a menor bola, por mais que ele insista. Você não liga, né?
Isso a enfurece. Enfia os papéis na pasta e sai da sala sem olhar para mim. Vou atrás. Descemos o elevador em silêncio. Eu a sigo até o carro. Não trocamos uma palavra durante todo o trajeto até nossa casa. O ciúme e a insegurança nos dominam. Quando chegamos, Emma para o carro na garagem e cada uma de nós segue um caminho diferente. Ela se mete no seu escritório e eu vou para o quarto. Bato a porta com força e me sento no tapete felpudo.
Estou explodindo de raiva!
Olho pela janela. Tudo está escuro. Ligo meu computador, checo meus e-mails, falo com minhas amigas no Facebook e a conversa me relaxa.
As horas vão passando e a gente continua sem se falar. Eu não a procuro, nem ela a mim. Não pensamos naquela conversa diante de uma garrafa de Moët Chandon rosé. O relógio marca duas da manhã e nossos orgulhos estão feridos. De repente, a luz dos meus e-mails começa a piscar. Recebi uma mensagem.
Emma! Com o coração a mil, abro o e-mail e leio:
De: Emma Swan
Para: Regina Mills
Assunto: Não consigo mais ficar sem falar conigo.
Amor, sei que você tem razão em tudo o que disse, mas NUNCA te trairia com Amanda nem com nenhuma outra.
Te amo loucamente.
Emma. A babaca.
Abro um sorrisinho bobo ao ler essas palavras.
Por que será que ela já me ganhou com esse e-mail?
Me seguro para não responder. Sei que é isso que ela está esperando. Mas não posso. Me recuso. Dez minutos depois, chega outra mensagem.
De: Emma Swan
Para: Regina Mills
Assunto: Peça me o que quiser
Pequena, a confiança e a sinceridade são fundamentais na nossa relação. "As palavras Peça-me o que quiser, AGORA E SEMPRE" englobam absolutamente tudo existe entre nós.
Pense nisso.
Emma. Uma babaca atormentada.
Volto a sorrir.
Preciso admitir que nos últimos meses Emma tem estado mais afiada e divertida. Me preparo para responder, mas meus dedos parecem não querer. Até que chega outro e- mail.
De: Emma Swan
Para: Regina Mills
Assunto: Diz que sim
Está afim de beber uma taça de Moët Chandon rosé? Te espero no escritório.
Emma. Uma louca, apaixonada e atormentada babaca.
Solto uma gargalhada.
Adoro quando ela me faz rir. Passa mais de meia hora. Leio os e-mails mil vezes e em todas elas eu sorrio. Ela não manda mais nenhum. Minha barriga está roncando. Estou morrendo de fome. Ando até a cozinha e, ao entrar, vejo Emma sentada à mesa diante de uma garrafa de Moët Chandon e ao lado de Susto. O cachorro se aproxima para me receber, e eu afago sua cabecinha ossuda. Emma olha para mim. Sabe que li os e-mails e espera que eu dê o próximo passo. Viro o rosto. Não quero olhar para ela, porque senão vou acabar me atirando em seus braços.
Ando até a geladeira e, quando vou abri-la, sinto o corpo de Emma atrás de mim. Fico arrepiada. Não me mexo. Não respiro. Ela passa as mãos pela minha cintura e cola o corpo no meu. Quando fecho os olhos e apoio a nuca em seus seios, Emma murmura em meu ouvido:
— Não quero. Não posso. Não quero ficar chateada contigo.
— Nem eu.
Silêncio.
Silêncio.
Estou tão emocionada por ela me abraçar que não consigo falar nada. Emma morde minha orelha.
— Eu jamais cairia no jogo de Amanda. Te amo demais pra te perder assim.
Suas palavras me enlouquecem. Continuo sem me mover e então ela me vira. Segura meu rosto e beija minha testa, meus olhos, minhas bochechas, a ponta do meu nariz, o queixo... Quando vai beijar minha boca, faz aquilo que eu adoro. Chupa o lábio de cima, depois o de baixo, dá uma mordidinha, e logo devora minha boca. Me pega pela nuca e me estico para ficar da sua altura. Me agarra com seus braços fortes e não me solta. Assim que afasta os lábios dos meus, olha nos meus olhos e diz:
— Agora e sempre. Não se esqueça disso, Regina.
Concordando, lhe dou um beijo. Sou louca por essa mulher. Abraçadas e sem dizer mais nada, chegamos ao nosso quarto. Meu amor tranca a porta, enquanto tiro a roupa sem deixar de olhar para ela. Instantes depois, nos jogamos na cama e fazemos sexo do jeito que gostamos. Forte e selvagem.