segunda-feira, 25 de maio de 2015

Peça - me o que quiser Capítulo 41

Olá, capítulo mais rápido dessa vez HAHAHA.
Victoria, você disse que postaria capítulo de Take Care no dia 5....Me lembro bem disso haha só que né, já se passaram alguns e nada D; D: Mas olha, continuo todo dia 5 entrando no Nyah na esperança de que haja atualização hauahauahaua. Veja bem, não estou cobrando U_U apenas deixando claro que a esperança é a ÚLTIMA QUE MORRE  :D o/.
Kisses :*






    Hoje é meu aniversário.  Falo com minha família e todos me dão parabéns. Estou com saudade. Queria vê-los e apertá-los, e prometo que logo vou fazer uma visita. Cora, mãe de Emma, oferece um jantar na casa dela para comemorar a data. Chamou Maura, Jane e uns amigos. Estou feliz.
    Flyn me deu um pingente de cristal muito lindo que estou usando com orgulho. Achei uma gracinha da parte dele procurar um presente para mim. Emma me dá uma pulseira de ouro branco maravilhosa, com nossos nomes gravados nela. Fico emocionada. Mas o que mais me deixa arrepiada é quando meu amor me pede para eu tirar o anel que tinha me dado e ler o que está escrito dentro: “Peça-me o que quiser, agora e sempre.”
    — Quando foi que você colocou isso? — pergunto surpreendida. 
    Emma ri. Está feliz. 
   — Uma noite enquanto você dormia. Tirei do seu dedo, Norbert levou a um joalheiro amigo meu, trouxe de volta algumas horas depois e recoloquei em você. Eu sabia que você não tiraria e não veria. 
    Me jogo em seus braços. Esse é o tipo de surpresa que adoro: completamente inesperada. Ela me beija e murmura com voz rouca: 
   — Não se esqueça, Regina. Agora e sempre.
   Uma hora mais tarde, acabo de me arrumar e me olho no espelho. Fico satisfeita. O vestido de chiffon preto que  comprei para mim caiu superbem. Olho meu cabelo e resolvo deixá-lo solto. Emma gosta de tocá-lo, cheirá-lo, e isso me excita.
     A porta do quarto se abre, e aparece uma mulher que me mata de tanto prazer. Está linda num vestido vinho com decote assimétrico. O vestido é colado,  o que ressalta suas  belas curvas e tem o comprimento na altura dos joelhos, expondo suas lindíssimas pernas. 
         “Hummm, essas pernas são sexy! Me deixaram com  água na boca.”, penso. 
     — Estou bonita?
    Emma me olha de cima a baixo e dá para perceber o quanto ela está me achando gostosa. Ela aperta os lábios e murmura com um sorriso malicioso: 
    — Sexy. Irresistível. Maravilhosa.
    — Hummm, faço minhas suas palavras querida. 
  Ela me olha toda fogosa, e deixo que me abrace. Suas mãos tocam minhas costas nuas e sorrio quando ela encosta os lábios nos meus. Calor. Por alguns segundos, nos beijamos, curtimos o momento, ficamos excitadas e, quando estou a ponto de descer o zíper de seu vestido , ela se afasta de mim.
    — Vamos, Regina. Minha mãe está esperando a gente. 
    Olho o relógio. Cinco horas. 
   — Vamos tão cedo pra casa da sua mãe? 
   — Melhor cedo que tarde, né? 
   Quando me solta, sorrio. Maldita pressa alemã! 
   — Me dá cinco minutinhos e eu já desço.
    Emma concorda. Me beija de novo e desaparece do quarto. Sem tempo a perder, calço os sapatos de salto alto, me olho no espelho outra vez e retoco o batom. Pego a bolsa que faz jogo com o vestido e, empolgada e ansiosa para me divertir, saio do quarto.
     Quando desço a escada, Simona vem falar comigo. 
   — Está linda, senhorita Regina.
   Feliz com o elogio, abro um sorriso e lhe dou um abraço. Adoro abraçá-la. Susto e Calamar vêm me receber. Depois que solto Simona, ela me olha de um jeito carinhoso e diz, levando os cachorros com ela: 
   — Dona Emma e o Flyn estão na sala esperando a senhorita.
   Com um sorriso de orelha a orelha, vou ao encontro deles. Assim que abro a porta, quase caio para trás com o que vejo. Contraio bem os olhos para ter certeza de que não estou delirando, levo a mão à boca e, emocionada como poucas vezes na vida, começo a chorar.
     — Fofinhaaaaaaaaa — grita minha irmã. 
    Bem na minha frente estão meu pai, minha irmã e minha sobrinha. Não consigo falar nada. Não consigo me mexer. Só o que posso fazer é chorar enquanto meu pai corre e me abraça. É tão aconchegante tê-lo por perto! E finalmente consigo dizer: 
    — Papai! Que bom que você está aqui! 
    Minha sobrinha me enche de beijos e minha irmã também. Todos me abraçam e por alguns minutos uma confusão de risos, choros e gritos toma conta da sala, e ao mesmo tempo observo a cara séria de Flyn e a emoção de Emma. Quando me refaço dessa surpresa maravilhosa, enxugo as lágrimas e pergunto: 
    — Mas... mas... quando vocês chegaram? 
    Mais emocionado que eu, meu pai responde: 
    — Há uma hora. Que frio desgraçado faz aqui na Alemanha. 
    — Ai, fofa, você está linda com esse vestido! 
   Dou uma voltinha para minha irmã e respondo animada: 
   — Foi presente da Emma. Não é maravilhoso? 
   — Incrível. 
   Vendo que meu cunhado não está, pergunto: 
    — Whale não veio?
    — Não, fofa... Sabe como é, né? O trabalho. 
    Concordo com a cabeça e minha irmã sorri. Grace, que está agarrada à minha cintura, grita: 
    — Muito legal o avião da tia Emma! A aeromoça me deu chocolate e milkshake de baunilha. 
    Emma se aproxima, pega minha mão e diz: 
    — Falei com seu pai e sua irmã há alguns dias e eles adoraram a ideia de passar o aniversário contigo. Está feliz? 
    Que vontade de enchê-la de beijos! Sorrio como uma menininha e respondo: 
   — Muito. É o melhor presente. 
    Nos olhamos nos olhos por alguns segundos. Amor. É isso que Emma me dá. Mas o momento se rompe quando Flyn exige: 
    — Quero ir logo pra casa da Cora!
   Surpresa, me volto para ele. O que esse menino tem? Mas, ao ver sua testa franzida, entendo logo. Está com ciúme. Tanta gente desconhecida ao mesmo tempo é algo que o assusta. Conhecendo o sobrinho, Emma se afasta de mim, faz carinho na cabeça dele e diz: 
    — Vamos já, já. Não se preocupe. 
    Flyn se vira e senta no sofá, dando as costas a nós duas. Emma bufa, e minha irmã, para desviar a atenção, intervém: 
    — Essa casa é linda. 
    Emma sorri. 
    — Obrigado, Mary. — E, olhando para mim, diz: — Mostra a casa toda e os quartos que reservamos pra eles. Em duas horas temos que ir pra casa da minha mãe. 
    Sorrio animada e saio da sala junto com minha família. Vamos em grupo à cozinha, apresento Simona, Norbert e os dois cãezinhos. Depois seguimos para a garagem, onde eles assobiam ao verem os carrões parados ali. Na sequência, mostro os banheiros e os escritórios. Como era de se esperar, minha irmã não para de soltar gritinhos de satisfação enquanto observa tudo. Assim que abro a porta que dá para a enorme piscina, ela quase enlouquece. 
    — Ai, fofaaaaaaaaaaa, isso é o máximo!
    — Que maneiroooooooo! — grita Grace. — Caraca, tia, você tem piscina e tudo! 
    A menina vai até a beirada e põe a mão na água. Divertindo-se, seu avô avisa: 
    — Grace da minha vida... se afasta daí senão você vai cair. 
    Meu pai rapidamente a agarra pela mão, mas minha sobrinha se solta e, já junto de mim e de Mary, cochicha com cara de sapeca: 
    — Vamos jogar alguém na piscina? 
   — Grace! — grita minha irmã, olhando meu vestido.
   — Essa menina não pode ver uma poça d’água que já fica louca — brinca meu pai. 
   Todo mundo na família já sabe que ficar com a pequena perto da água é certeza de acabar encharcado. Começo a rir. Se ela molhar meu lindo vestido, vai ser um drama, então olho com cumplicidade para minha sobrinha e aviso: 
    — Se você me empurrar na piscina com o vestido que Emma me deu, vou ficar muito chateada contigo. E, se você não me empurrar, prometo que amanhã a gente fica um tempão na piscina. O que você prefere? 
    Imediatamente, minha sobrinha põe o dedo na frente do meu. É nossa maneira de selar um acordo. Coloco meu dedo junto ao dela e nós duas piscamos um olho e sorrimos: 
   — Tá bom, tia, mas amanhã vamos cair na água, tá? 
   — Prometo, querida — respondo, rindo. 
   Levantamos nossos polegares, juntamos os dois e depois batemos uma na palma da outra ao mesmo tempo. 
   — Grace, não se esquece que amanhã à tarde vamos voltar pra casa — lembra minha irmã.
   Ao sairmos da área da piscina, subo com minha família ao primeiro andar. Preciso me controlar para não cair na gargalhada com a cara de admiração que Mary faz diante de tudo o que vê. Ela se empolga até com o papel de parede. Incrível!
    Depois de acomodá-los nos quartos, eu os apresso para se vestirem logo. Em uma hora temos que sair para jantar na casa da mãe de Emma. Quando volto à sala, Emma e Flyn estão jogando PlayStation, como sempre a todo volume. Nenhum deles percebe minha presença. Chego mais perto e escuto o garoto dizer:
    — Não gostei daquela menina chata. 
    — Flyn... para com isso. 
    Sem fazer barulho, fico escutando a conversa. 
   — Mas eu não quero que ela... 
   — Flyn... 
   O garoto bufa enquanto mexe no controle do videogame e insiste: 
   — As meninas são um saco, tia. 
   — Não são, não — responde minha namorada. 
  — São bobas e choronas. Só querem ouvir coisas bonitas e receber beijos, você não vê? Incapaz de segurar o riso, me aproximo com cautela e murmuro na orelha de Flyn: 
   — Algum dia você vai adorar beijar uma menina e dizer coisas bonitas pra ela. Você vai ver só!
    Emma  solta uma gargalhada, enquanto Flyn abandona irritado o controle do PlayStation e sai da sala. Mas o que houve? Onde foi parar aquele clima bom entre nós dois? Quando eu e Emma ficamos a sós, desligo a música do jogo, chego perto da minha Swan e, sentando-me no seu colo com cuidado para não amassar nossos  vestidos, sussurro: 
   — Vou te beijar. 
   — Ótimo — diz minha Icewoman. 
   Corro meus dedos pelos seus cabelos e digo com paixão: 
   — Vou te dar um beijo explosivo! 
    — Hummm... gostei da ideia — responde, sorrindo. 
    Encosto meus lábios nos seus, provocando-a, e murmuro: 
   — Hoje você me fez muito feliz trazendo minha família pra sua casa. 
   — Nossa casa, Regina — corrige. 
   Não digo mais nada. Agarro sua nuca e lhe dou um beijo. Enfio a língua na sua boca com voracidade. Ela corresponde. Depois de um beijo incrível, maravilhoso, excitante e delicioso, eu a solto. 
    — Uau, adoro seus beijos explosivos! 
   Rimos e digo num tom sensual: 
   — Nunca ouviu aquela história de que, quando a espanhola beija, ela beija de verdade?
   Emma ri outra vez. 
   É muito bom vê-la tão feliz. Quando estamos quase nos beijando de novo, Flyn aparece de braços cruzados e com cara emburrada. Atrás dele vem Grace num vestidinho azul. Ela pergunta: 
    — Por que o chinês não fala comigo? 
    Putz, olha o que ela acaba de dizer! Chamou Flyn de chinês! 
    Flyn contrai as sobrancelhas mais ainda e respira bufando. Tadinho! Me levanto depressa do colo de Emma e repreendo minha sobrinha. 
   — Grace, o nome dele é Flyn. E não é chinês, é alemão.
   Ela olha para ele. Depois para Emma, que se levantou e está ao lado do sobrinho. Logo se vira para mim e, com sua franqueza de sempre, insiste: 
    — Mas ele tem olhos iguais aos dos chineses. Você não viu, tia? 
    Ai, meu Deus! Quero morrer! Que constrangedor! 
    Por fim Emma se agacha, olha nos olhos de Grace e explica: 
    — Meu amor, Flyn nasceu na Alemanha e é alemão. O pai dele era coreano e a mãe alemã como eu, e... 
   — Se ele é alemão, por que não é louro que nem você? — insiste a criatura. 
   — Ela acabou de explicar, Grace — intercedo. — O pai dele era coreano. 
   — E os coreanos são chineses? 
   — Não, Grace — respondo, olhando-a bem nos olhos para fazê-la ficar quieta. Mas não funciona. Ela é perguntona demais. 
   — E por que os olhos dele são assim? 
   Vou esganar essa menina! Por sorte, bem nessa hora meu pai e Mary  entram na sala em seus melhores trajes. Que lindos eles estão!
    Meu pai, ao ver meu olhar de “socorro!”, logo intui que Grace está aprontando alguma. Ele a pega nos braços e tenta distraí-la com a paisagem da janela. Respiro aliviada. Olho para Flyn e ele fala baixinho em alemão: 
    — Não gosto dessa menina.
    Eu e Emma nos olhamos. Faço cara de espanto e ela pisca um olho num gesto de cumplicidade. Dez minutos depois, estamos todos no Mitsubishi de Emma e partimos para a casa de Cora. 
    Chegamos. A casa está iluminada e há vários carros estacionados de um lado. Surpreso com a suntuosidade daquela residência, meu pai me olha e cochicha: 
    — Esses alemães sabem o que é bom, hein?!
    Acho graça de seu comentário, mas paro de sorrir quando vejo a cara de Flyn. Está muito incomodado. 
    Ao entrarmos na casa, Cora e Marta recebem minha família com muito carinho, e as duas dizem que estou linda com esse vestido. Flyn se afasta e vejo Grace indo atrás dele. Essa garota não é mole. Dez minutos depois, sorrio ao me sentir a mulher mais realizada do planeta, cercada pelas pessoas que mais me amam e me importam no mundo. Sou feliz.
     Conheço o homem com quem Cora está saindo. Esse Trevor não é esse homem todo! Não é bonito. Nem atraente. Mas cinco minutos de conversa com ele me fazem perceber seu carisma. Até Mary, que não fala alemão, sorri para ele como uma pateta. Emma se limita a observá-lo, encarando-o e tirando conclusões. Não digeriu muito bem a ideia de que sua mãe tem um novo namorado, mas respeita a decisão.
     Maura e minha irmã ficam de papo. Lembram de quando se viram na corrida de motocross. As duas são mães e conversam sobre crianças. Escuto por um tempo e, quando Mary se afasta, Maura diz no meu ouvido: 
    — Em breve vai rolar uma festinha particular no Natch. 
    — Sério? Interessante isso... 
    — Muito... muito interessante — brinca Maura, rindo. 
    O sangue me sobe à cabeça. Sexo!
    Dez minutos mais tarde, estou rolando de rir com minha irmã. Ela é uma crítica feroz, e adoro ouvir os comentários que faz em relação a algumas coisas. Em dado momento, Cora, que está supercontente por ter organizado a festa para mim, me leva a um canto da sala. 
   — Filha, que alegria poder comemorar seu aniversário aqui em casa com sua família. 
   — Obrigada, Cora. Foi muito gentil da sua parte receber todos nós. 
    A mulher sorri e, apontando para o menino, quer saber: 
   — Gostou do presente que ele te deu?
  Toco meu pescoço e lhe mostro o pingente. 
    — É lindo. 
    Cora abre um sorriso e cochicha: 
    — Preciso te contar que eu mal acreditei quando meu neto me ligou outro dia pra me pedir que o levasse a um shopping e ajudasse a comprar um presente de aniversário pra você. Pulei de alegria! Fiquei emocionada por ele pedir minha ajuda. É a primeira vez que faz isso. No caminho, conversou comigo de um jeito que nunca tinha feito. Até me perguntou pela mãe dele e quis saber se eu gostaria que ele me chamasse de “vó”. A mulher se emociona e, movendo a cabeça para segurar o choro, prossegue: — Também me confessou que está superfeliz por você morar com eles. 
    — Sério? 
    — Sério, querida. Só não caí pra trás porque estava sentada.
    Rimos, e Cora comenta: 
   — Já te disse quando te conheci, mas repito: você é a melhor coisa que poderia acontecer a Emma. 
    — E sua filha  é a melhor coisa que poderia acontecer na minha vida — digo. 
    cora balança a cabeça afirmativamente. Depois continua baixinho: 
   — Essa minha filha, mandona e cabeça-dura que é, teve muita sorte de te encontrar. E Flyn nem se fala. Você é perfeita pra eles. — Sorri e prossegue: — Aliás, Jurgen me disse que você é uma ótima corredora de motocross. Estou com vontade de te ver qualquer dia. Quando vai haver uma corrida?
     Dou de ombros. Por enquanto não marquei nada. Não quero que Emma fique sabendo. 
    — Quando houver, pode deixar que eu te aviso. E obrigada pela moto. É maravilhosa! Sorrimos. 
    — Mesmo correndo o risco de levar uma bronca de Emma quando ela ficar sabendo, acho ótimo que você esteja aproveitando. Tenho certeza que Hannah estará sorrindo ao ver sua querida moto em ação e bem-cuidada na tua casa.
    “Minha casa.” Como soam bem essas palavras! Não voltei a brigar com Emma por causa disso. Depois da última discussão, nunca mais me referi à casa dela como sendo só dela, e agora Cora faz o mesmo. Emocionada, lhe dou um beijo.
    — Já sabe, né? Se sua filha me expulsar quando descobrir, vou precisar de um abrigo. 
    — Pode ficar à vontade, querida. A casa é sua. 
    — Obrigada. Bom saber. 
    Estamos rindo quando Emma se aproxima. 
    — O que as mulheres mais importantes da minha vida estão tramando? 
    Cora beija sua bochecha e, num tom bem-humorado, comenta enquanto vai se afastando:
   — Pelo que te conheço, querida, você não vai gostar nadinha. 
   Emma  olha para ela desconcertada, depois fica me olhando. Dou de ombros e afirmo com voz angelical: 
    — Não sei do que ela está falando. — E, para mudar de assunto, cochicho: — Maura comentou que vai rolar outra festinha particular no Natch. 
    Minha alemã  sorri, chega bem perto da minha boca e murmura: 
    — Estou sabendo, amor.
    Andamos até a mesa e, dando uma de romântica, Emma puxa a cadeira para mim, depois beija meu ombro nu. Sorrimos e ela se acomoda de frente para mim, ao lado do meu pai e de Flyn. Minha irmã, que está sentada ao meu lado, sussurra de repente:
     — Fofinha, posso te fazer uma pergunta? 
     — Quantas você quiser — respondo. 
     Mary olha disfarçadamente à sua esquerda e, inclinando-se para perto de mim outra vez, afirma: 
     — Estou perdida com tanto garfo, tanta faca e tanta bobagem. Como é mesmo a regra dos talheres? Tem que usar de fora pra dentro ou de dentro pra fora? 
    Entendo perfeitamente essa dificuldade. Aprendi a etiqueta nos almoços da empresa. Na nossa casa, como na maioria das casas do mundo, só usamos um garfo e uma faca para a refeição inteira. Sorrio e respondo: 
     — De fora pra dentro. 
    Mary logo explica ao meu pai, que, aliviado, balança a cabeça. Ele é um fofo! Em seguida ela volta ao ataque: 
     — Qual é o meu pão? 
    Olho para os pequenos potes que estão na nossa frente e respondo: 
    — O da esquerda.
    Mary sorri de novo. Emma percebe a situação, me lança um olhar de cumplicidade e entorto meus olhos para a ponta do nariz, ficando vesga. Sua risada me anima e a gente se diverte. 
    Mais tarde, após uma noite maravilhosa, com direito a “Parabéns pra você” e um monte de presentes lindos, voltamos para casa. Estamos exaustos e felizes. Cora sabe organizar festas como ninguém e isso ficou claro para todo mundo.
     Todos vão se deitar. Eu e Emma entramos no nosso quarto e fechamos a porta. Sem acender as luzes, olhamos uma para a outra. A iluminação da rua que entra pela janela nos permite ver nossos rostos. Incapaz de ficar mais tempo sem tocar nela, chego mais perto, passo os braços pelo seu pescoço e sussurro: 
    — Peça-me o que quiser, agora e sempre. 
    Emma me beija e repete:
    — Agora e sempre.


   Passo a manhã na piscina com Grace, como eu tinha prometido. À tarde minha família vai voltar à Espanha no jatinho de Emma. Fico triste de vê-los ir embora, mas ao mesmo tempo estou feliz por ter passado essas horas com eles.
    — Ah, pequena, abre um sorriso — diz Emma, apertando meus pneuzinhos quando paramos num sinal. — Eles estão bem. Você está bem. Não tem por que ficar triste. 
    — Eu sei, mas sinto muita saudade deles — respondo. 
    O sinal fica verde e Emma arranca. Olho pela janela e, de repente, a música começa a tocar a todo volume. Fascinada, me viro para minha gatinha que está cantando a plenos pulmões Highway to hell, do AC/DC. 

                     Living easy, living free, 
                    Season ticket on a one-way ride 
                    Asking nothing leave me be 
                   Taking everything in my stride…

     Deslumbrada, arregalo os olhos. É a primeira vez que a vejo cantar assim. Rio e ela exagera na cara de mau. Adoro seu lado selvagem! Emma movimenta a cabeça no compasso da música e me incentiva com a mão a cantar também. Cantamos juntas, nos olhamos e sorrimos. De repente ela para o carro. Continuamos cantarolando e, quando a música termina, soltamos uma gargalhada.
     — Sempre gostei dessa música — diz Emma. 
     Fico de queixo caído ao saber que ela curte esse som. 
    — Você gostava do AC/DC? 
    Sorri, sorri... abaixa o volume da música e confessa: 
    — Claro. Nem sempre fui tão séria. 
    Por alguns minutos ela me conta sua vida de adolescente roqueira e eu escuto surpresa. Mas, quando ela termina de falar, meu sorriso desaparece. Emma me olha e sabe que estou pensando de novo na minha família. Ela percebe a dor que estou sentindo por terem ido embora, e diz: 
    — Sai do carro. 
    — Quê? 
    — Sai do carro — insiste. 
   Obedeço e ela sorri. Sei o que vai fazer. No rádio está tocando You are the sunshine of my life, de Stevie Wonder. Emma coloca no volume máximo, desce do carro e vem até mim.
     Meu Deus, ela vai mesmo fazer isso? Vai dançar comigo no meio da rua? Inacreditável! Ela para na minha frente e murmura: 
    — Dança comigo.
    Me jogo em seus braços. É maravilhoso ver que Emma é capaz de parar o carro no meio de uma rua super movimentada e dançar comigo sem pudor algum.
    — Como diz a música, você é o sol da minha vida e, se te vejo triste, não consigo ser feliz — sussurra em meu ouvido. — Te prometo, Regina, que vamos pra Espanha sempre que você quiser, que sua família vai vir à nossa casa sempre que quiser, mas, por favor, abre um sorriso. Se não te vejo feliz, não posso ser feliz.
     Suas palavras me comovem. Me emocionam. Nos abraçamos. Danço com ela e aproveito esse momento mágico. As pessoas ao nosso redor nos olham. Não entendem o que estamos fazendo. Mas não me importo com o que pensam, e sei que Emma também não está nem aí. Quando a música termina, olho para ela e digo, toda boba:
    — Te amo do fundo do coração, querida. 
    Dá para ver que minhas palavras a deixam feliz. 
   — Continuo esperando que você queira casar comigo. 
   Esse comentário me faz sorrir. E esclareço: 
   — Amor... aquilo foi um impulso. Não vai dizer que você levou a sério? 
    Minha Icewoman me olha... me olha... e finalmente responde: 
   — Levei. 
   — Mas, Emma, do que você está falando? Não sou dessas que querem casar. 
    Ela me beija. 
   — Temos na geladeira de casa uma garrafa maravilhosa de Moët Chandon rosé. O que acha de a gente beber e conversar sobre essa ideia impulsiva? 
    Calor. Emoção. Nervosismo. Ela realmente está falando em casamento? Mas, controlando meus nervos, sorrio e pergunto toda carinhosa: 
    — Moët Chandon rosé? 
   — Aham! — diz com entusiasmo.
   — Aquele de rótulo rosa que tem cheiro de morangos silvestres — brinco ao me lembrar da primeira vez que Emma levou essa garrafa à minha casa em Madri. 
    — Esse mesmo, pequena. 
    Dou uma risada e digo, sem me afastar dela: 
    — Por enquanto, vamos ficar só com a garrafa. 
    De repente o celular de Emma apita. Chegou uma mensagem. Ela me beija, devora minha boca. Quando nos damos por satisfeitas, entramos no carro. Faz frio. Emma olha para o celular e diz: 
    — Amor, tenho que dar um pulo no escritório, você se importa?
    Loucamente apaixonada por essa mulher,nego com a cabeça e abro um sorriso. Vinte minutos depois, já estamos na porta da empresa. São dez da noite e há pouca gente na rua. Ao passarmos pelo hall, os seguranças nos cumprimentam. Me olham com surpresa e eu sorrio. Eles não sorriem de volta.
    Caramba, como é difícil fazer um alemão sorrir! 
    Chegamos ao andar da presidência — sem ninguém. O escritório está totalmente vazio.   Preciso ir ao banheiro. 
    — Emma, onde é o banheiro?
     Aponta à direita e corro nessa direção, enquanto ela diz: 
    — Te espero na minha sala.
     Depois de fazer o que vim fazer, me olho no espelho e arrumo o cabelo. Minha aparência é suave e jovial. Usando o pulôver rosa que ganhei do meu pai e uma calça jeans, estou parecendo mais nova do que sou.
     Penso no que Emma disse há alguns minutos. Casamento? Será que deveríamos mesmo nos casar? 
    Saio do banheiro sorrindo e ando até a sala de Emma. Assim que abro a porta, quase caio para trás ao ver Amanda bem na frente dela, com um vestido vermelho todo provocante e sexy. Vaca!
    Por alguns segundos elas não notam minha presença. Observo Amanda se inclinando na direção de Emma e lhe mostrando uns papéis. Seus seios estão bem perto dela e dá para perceber que ela quer algo além de trabalho. Emma sorri. Ela toca no ombro dela, e Emma não diz nada. Mato as duas!
    Continuo observando tudo por alguns minutos. Conversam. Consultam a papelada. Ao fim, Amanda senta na mesa, insinuando-se, e cruza as pernas diante da minha  Icewoman. Estou morrendo de ciúme. Morrendo! Quando não consigo mais me segurar, fecho a porta com força e as duas olham para mim.
    Minha cara não é mais a da mocinha meiga do espelho do banheiro. Estou a ponto de gritar como a Shakira! Raivosa! Revoltada com o que acabo de presenciar. Essa mulher e suas artimanhas despertam o que há de pior em mim. A expressão de surpresa de Amanda diz tudo. Não esperava me ver aqui. Com determinação e certo ar de deboche, me aproximo das duas. Emma me olha. Suas sobrancelhas estão arqueadas.
    — Amanda, quanto tempo! 
    Ela desce da mesa, ajeita o vestido e se afasta um pouco de Emma. Toca em seus cabelos louros muito bem cuidados, me olha com seu olhar impessoal e responde com um sorriso falso: 
    — Regina, querida, que bom te ver! 
    Mas que mentirosa...!
    Chega mais perto para me cumprimentar, mas prefiro deixar as coisas bem claras. Eu a detenho e digo num tom mal-humorado: 
    — Nem ouse encostar em mim, ok? 
    Emma se levanta. Já está prevendo problemas. Mas, antes mesmo que ela abra a boca, aponto o dedo na sua cara e digo: 
   — E você, calada. Estou falando com Amanda. Depois falo contigo.
    A mulher sorri. Sente-se bem com o constrangimento estampado no rosto de Emma. Nos olhamos com ódio. Está claro que nunca seremos amigas. Tenho consciência de que nesse momento o visual dela dá de dez a zero no meu. Ela usa um vestido vermelho, todo sexy e decotado, e um sapato com um salto imenso. Já eu estou com um pulôver rosinha, calça jeans e botas sem salto. Cá entre nós, impossível competir.
    Ela também sabe disso. Dá para perceber pelo modo como me olha. Mas estou disposta a deixar claro o que passa pela minha cabeça, então digo num tom confiante:
     — Não preciso me vestir como uma vadia pra atrair alguém. Até porque já tenho namorada, que, olha só que coincidência!, é a mesma mulher em quem você estava dando em cima agorinha, sua cadela! Amanda faz menção de protestar. Mas levanto um dedo e a faço ficar quieta. — Você trabalha pra Emma. Pra minha namorada. Limite-se a isso, a trabalhar, e não tente mais nada. 
    — Regi... — diz Emma, grunhindo. 
    Não presto atenção nela e continuo: 
    — Se eu vir você tentando qualquer coisa com ela outra vez, juro que você vai se arrepender. E não vai ser como da última vez que nos encontramos. Agora, não vou dar as costas e ir embora. Se alguém vai embora, esse alguém é você, entendido? 
    Emma se mexe na cadeira. Amanda nos olha e responde: 
    — Acho... acho que você está cometendo um engano, querida. 
    Empenhada em marcar meu território, coloco um dedo no seu decote acentuado e rebato: 
    — Não vem com “querida” e outras babaquices. Larga a Emma, sua vagabunda! Ouviu bem? 
    — Regi... — me repreende Emma, incrédula.
    Humilhada, Amanda pega suas coisas e sai, mas antes olha para trás e diz: 
   — Te ligo amanhã. 
    Emma concorda num gesto. Ela vai embora e eu, irritada, começo a chiar. 
   — Se você disser que não percebeu como essa sujeita estava se insinuando pra você, juro que pego essa escultura em cima da mesa e quebro na sua cabeça. — Não responde e continuo: — Você acabou de me decepcionar, sua imbecil! Essa idiota estava esfregando os peitos na tua cara e você deixou numa boa. 
    — Não é verdade.
    — É, sim. Você e Amanda têm uma intimidade que você nem percebe, né? Então tá... continuemos por esse caminho! Na próxima vez que eu encontrar Robin, vou sentar no colo dele e esfregar meus peitos na cara dele sem me importar com o que você pensa ou sente. Só porque tenho intimidade com ele. Que tal? 
     — Você está passando dos limites, Regina — reclama furiosa.
     — Merda nenhuma! — grito. — Quem passou dos limites foi você. 
    Sua cara é indescritível. Sei que estou exagerando, que o que vi foi um flerte da parte de Amanda e não de Emma, mas já não posso parar. — Você deveria ter cortado logo as asinhas da Amanda. Eu vi vocês! Vi como ela te olhava e... e... se eu não tivesse entrado na sala, vocês acabariam deitados em cima da mesa como outras vezes, né? 
    — Se eu fosse você, parava por aqui... — insiste com frieza. 
    — Por que você teve que vir ao escritório a essa hora? — Não responde. — Mas... você não reparou como ela estava vestida? Só queria sexo. Nem mais nem menos. E você é tão idiota que nem percebe, né? 
     Emma continua em silêncio. Minhas palavras a incomodam. Revira os papéis que Amanda deixou na sua mesa e diz: 
   — Não existe absolutamente nada entre mim e Amanda. Não vou negar que ela continua tentando me seduzir, mas eu não dou a menor bola e...
   — Babaca! — grito. — Você sabe que ela continua tentando, mas não dá bola. Ótimo, Emma! Da próxima vez que eu encontrar aquele tal de Leonard, o cara do carro que consertei, mesmo que ele tente me seduzir, vou deixar. Ah, mas não se preocupa, tá? Não vou dar a menor bola, por mais que ele insista. Você não liga, né?
     Isso  a  enfurece. Enfia os papéis na pasta e sai da sala sem olhar para mim. Vou atrás. Descemos o elevador em silêncio. Eu a sigo até o carro. Não trocamos uma palavra durante todo o trajeto até nossa casa. O ciúme e a insegurança nos dominam. Quando chegamos, Emma para o carro na garagem e cada uma de nós segue um caminho diferente. Ela se mete no seu escritório e eu vou para o quarto. Bato a porta com força e me sento no tapete felpudo.
    Estou explodindo de raiva! 
    Olho pela janela. Tudo está escuro. Ligo meu computador, checo meus e-mails, falo com minhas amigas no Facebook e a conversa me relaxa.
    As horas vão passando e a gente continua sem se falar. Eu não a procuro, nem ela a mim. Não pensamos naquela conversa diante de uma garrafa de Moët Chandon rosé. O relógio marca duas da manhã e nossos orgulhos estão feridos. De repente, a luz dos meus e-mails começa a piscar. Recebi uma mensagem.
    Emma! Com o coração a mil, abro o e-mail e leio:

        De: Emma Swan
        Para: Regina Mills
        Assunto: Não consigo mais ficar sem falar conigo.
       Amor, sei que você tem razão em tudo o que disse, mas NUNCA te trairia com Amanda  nem com nenhuma outra.
       Te amo loucamente.
        Emma. A babaca.
   
   Abro um sorrisinho bobo ao ler essas palavras. 
   Por que será que ela já me ganhou com esse e-mail? 
   Me seguro para não responder. Sei que é isso que ela está esperando. Mas não posso. Me recuso. Dez minutos depois, chega outra mensagem.


De: Emma Swan
Para: Regina Mills
Assunto: Peça me o que quiser
Pequena, a confiança e a sinceridade são fundamentais na nossa relação. "As palavras Peça-me o que quiser, AGORA E SEMPRE" englobam absolutamente tudo existe entre nós.
Pense nisso.
Emma. Uma babaca atormentada.
  

Volto a sorrir. 
Preciso admitir que nos últimos meses Emma tem estado mais afiada e divertida. Me preparo para responder, mas meus dedos parecem não querer. Até que chega outro e- mail.


De: Emma Swan
Para: Regina Mills
Assunto: Diz que sim
Está afim de beber uma taça de  Moët Chandon rosé? Te espero no escritório.
Emma. Uma louca, apaixonada e atormentada babaca.

    Solto uma gargalhada. 
    Adoro quando ela me faz rir. Passa mais de meia hora. Leio os e-mails mil vezes e em todas elas eu sorrio. Ela não manda mais nenhum. Minha barriga está roncando. Estou morrendo de fome. Ando até a cozinha e, ao entrar, vejo Emma sentada à mesa diante de uma garrafa de Moët Chandon e ao lado de Susto. O cachorro se aproxima para me receber, e eu afago sua cabecinha ossuda. Emma olha para mim. Sabe que li os e-mails e espera que eu dê o próximo passo. Viro o rosto. Não quero olhar para ela, porque senão vou acabar me atirando em seus braços.
    Ando até a geladeira e, quando vou abri-la, sinto o corpo de Emma atrás de mim. Fico arrepiada. Não me mexo. Não respiro. Ela passa as mãos pela minha cintura e cola o corpo no meu. Quando fecho os olhos e apoio a nuca em seus seios, Emma murmura em meu ouvido:
     — Não quero. Não posso. Não quero ficar chateada contigo. 
     — Nem eu.
     Silêncio. 
     Estou tão emocionada por ela me abraçar que não consigo falar nada. Emma morde minha orelha.
    — Eu jamais cairia no jogo de Amanda. Te amo demais pra te perder assim. 
    Suas palavras me enlouquecem. Continuo sem me mover e então ela me vira. Segura meu rosto e beija minha testa, meus olhos, minhas bochechas, a ponta do meu nariz, o queixo... Quando vai beijar minha boca, faz aquilo que eu adoro. Chupa o lábio de cima, depois o de baixo, dá uma mordidinha, e logo devora minha boca. Me pega pela nuca e me estico para ficar da sua altura. Me agarra com seus braços fortes e não me solta. Assim que afasta os lábios dos meus, olha nos meus olhos e diz: 
    — Agora e sempre. Não se esqueça disso, Regina. 
   Concordando, lhe dou um beijo. Sou louca por essa mulher. Abraçadas e sem dizer mais nada, chegamos ao nosso quarto. Meu amor tranca a porta, enquanto tiro a roupa sem deixar de olhar para ela. Instantes depois, nos jogamos na cama e fazemos sexo do jeito que gostamos. Forte e selvagem.

sábado, 23 de maio de 2015

Peça - me o que quiser Capitulo 40

    Com o passar dos dias, meu rosto vai voltando ao normal. Quando o médico tira os pontos do meu queixo diante do olhar atento de Emma, sorri ao ver sua obra de arte. Não dá para notar nada, o que me deixa superfeliz.
     A chegada de Susto e Calamar transformou a casa num lugar repleto de risos, latidos e loucura. Nos primeiros dias, Emma reclama. Deparar-se com o xixi do Calamar no chão a irrita, mas no fim das contas ela acaba cedendo. Susto e Calamar a adoram, e a recíproca é verdadeira.
     Às vezes quando acordo gosto de me debruçar na janela, e lá fora está minha Icewoman jogando uma vareta para Susto, para ele ir buscar. O animal já se acostumou com a brincadeira. Antes de Emma sair para o trabalho, o bichinho leva a vareta aos seus pés, e Emma joga e sorri. Em alguns fins de semana convenço Emma e Flyn a passear no campo nevado com os animais. Susto adora, e Emma brinca com ele enquanto Flyn corre ao nosso redor com o filhote. Tudo isso me emociona. Principalmente quando vejo Emma se agachar e abraçar Susto. Minha fria e rígida Icewoman vai se descongelando aos poucos, e a cada dia estou mais apaixonada por ela.
     Também acompanhei Emma várias vezes ao campo de tiro esportivo. Continuo não gostando desse lance de armas; mesmo assim, curto ver como ela é hábil no esporte. Me sinto orgulhosa. Uma das manhãs em que estamos ali, Emma me apresenta a alguns amigos, e um deles pergunta se sou espanhola.
    — Não — digo logo. — Brasileira!
    Imediatamente o homem diz: “Samba, caipirinha!” Concordo e rio. Está provado que, dependendo de qual seja seu país, uma cantilena vai te perseguir. Emma me olha surpresa e acaba sorrindo. Nessa noite, quando transamos, ela cochicha de brincadeira no meu ouvido:
    — Vem, brasileira, dança pra mim.
    Flyn avançou muito com o skate e os patins. O garoto é esperto e aprende rápido. Fazemos tudo isso às escondidas, quando Emma não está. Se nos visse, ia querer nos matar! Simona sorri e Norbert torce o nariz. Me avisa que Swan vai se aborrecer, quando ficar sabendo. Sei que tem razão, mas não posso mais interromper nossas aulas. O comportamento de Flyn comigo mudou muito, e agora ele me procura e pede minha ajuda o tempo todo.
     Emma às vezes nos observa e sabe que entre mim e Flyn aconteceu alguma coisa para que o garoto me trate assim. Quando pergunta, atribuo a mudança à chegada dos cachorrinhos. Ela faz que sim com a cabeça, mas sei que não está convencida. Depois não pergunta mais.
     O primeiro dia que posso sair às escondidas com Jurgen para dar umas voltas com a moto é uma beleza. Estava quase enlouquecendo com tanto tempo ocioso dentro de casa. E por isso eu salto, cantando os pneus e gritando com Jurgen e os amigos dele pelas estradinhas de cabras nos subúrbios de Munique. Penso em Emma. Tenho que contar a ela. O problema é que nunca encontro o momento certo. Isso está começando a me incomodar. Nossa relação é baseada na confiança, e desta vez sei que estou pisando na bola.
     Uma tarde, quando estou enrolada com a moto na garagem, Flyn chega do colégio. Ele me procura e olha alucinado para a moto. Ele se lembra dela. Quando digo que é a moto de sua mãe e peço para guardar segredo, o garoto pergunta:
    — Você sabe dirigir?
    — Sei — respondo com as mãos sujas de graxa.
    — 
A tia Emma vai ficar brava.
    Seu comentário me faz rir. Todos, absolutamente todos, sabem que Emma vai ficar brava. E respondo, olhando em seus olhos:
    — Eu sei, querido. Mas
a tia Emma, quando me conheceu, já sabia que eu praticava motocross. Ela precisa entender que gosto desse esporte.
    — El
a sabe?
    — Sabe — afirmo e sorrio ao lembrar como ela descobriu.
    — E ela deixa?
     A pergunta não me surpreende e, olhando para ele, explico:
    — S
ua tia não tem que deixar. Sou eu que decido se quero ou não quero praticar motocross. Os adultos fazem suas próprias escolhas, querido.
    Não muito convencido, o garoto concorda com a cabeça e volta a perguntar:
    —
Cora te deu de presente a moto da minha mãe?
    Antes de responder, pergunto:
   — Você ficaria chateado com isso?
    Flyn pensa um pouco e, para minha surpresa, responde:
    — Não. Mas vai prometer que vai me ensinar.
    Sorrio, solto uma gargalhada e digo enquanto ele ri também:
    — Você quer o quê? Que sua tia me mate?
    Uma hora depois, Emma me liga. Tem um jogo de basquete e quer que eu vá ao ginásio assistir. Aceito na hora. Ponho uma calça jeans, minha bota preta e uma blusa da Armani. Visto o sobretudo por cima, chamo um táxi e, quando chego, abro um sorriso ao vê-la me esperando encostada em seu carro.
    Emma paga o taxista e, enquanto caminhamos até os vestiários, comento:
    — Por que você não me falou antes sobre essa partida?
    Minha linda sorri, me beija e explica:
    — Por incrível que pareça, eu tinha esquecido. Se Jane  não tivesse ligado pro escritório, eu não lembraria de jeito nenhum.
    Quando chegamos aos vestiários, ela me beija.
    — Vai ficar na arquibancada. Com certeza
Maura está por lá.
    Feliz da vida, vou andando até a quadra. Maura está ali com Lora e Ginny. Minha relação com elas mudou. Me aceitam como namorada de Emma e fico aliviada por isso. Lora, que tem cabelos claros, sorri e diz:
     — Chegou minha heroína.
     Surpresa, arregalo os olhos e ela cochicha:
    — Já fiquei sabendo que você deu a Betta o que ela merecia.
    Faço uma cara de reprovação para Maura por ter espalhado a história, mas ela diz:
    — Não olha para mim, porque não fui eu.
    Lora sorri, aproxima-se de mim e comenta:
    — Quem me contou foi a mulher que estava com Betta.
    Balanço a cabeça, sorrindo.
    — Por favor, não deixem Emma saber. Não quero lhe dar outro desgosto.
    Todas concordam e pouco depois as mulheres  surgem na quadra. Como era de se esperar, minha  namorada me deixa louca. Adoro vê-la assim, correndo, ágil e ativa. Mas, desta vez, apesar da sua garra, o time perde o jogo por três pontos. Quando termina, descemos até a quadra e Emma vai logo me beijando. Está toda suada.
     — Vou tomar banho,
amor. Volto já.
    Na salinha onde costumamos esperá-las, só estamos eu e Maura. Lora e Ginny foram embora. Fofocamos, animadas, até que Emma e Jane saem, e Jane diz:
    — Linda, mudança de planos. Vamos voltar pra casa.
    Maura se surpreende e reclama:
    — Mas tínhamos combinado com Laura no hotel dela.
    Jane explica:
    — Vou desmarcar o encontro. Surgiu um problema que preciso resolver.
    Maura torce o nariz.
    — Quem é Laura? — pergunto.
    A jovem me olha e, diante do olhar atento de Icewoman, responde:
    — Uma amiga com quem jogamos quando vem a Munique. Emma a conhece também, né?
    Minha linda faz que sim.
    — É uma mulher  maravilhosa.
    Brincar? Sexo? Fico excitada só de pensar.
   Chego mais perto de Emma e pergunto:
   — Por que não vamos nós a esse encontro?
    Ela me olha surpresa e insisto:
  — Estou com vontade de brincar. Ah, por favor... vamos.
   Minha  Icewoman sorri e se vira para Maura; depois me olha e avisa:
  Regina, não sei se você vai gostar das brincadeiras de Laura.
    Olho para Emma sem entender e, como não diz nada, pergunto a Maura:
   — El
a curte sado?
   — Não e sim — responde Jane, e Emma ri.
    Maura encolhe os ombros.
    —
Laura gosta de dominar, brincar com as mulheres e dar ordens. Sado não é bem a dela. É exigente, meio tarada e insaciável. Sempre me divirto muito quando estamos com ela.
     Emma acena para uma de suas amigas que está indo embora e diz, agarrando-me pela cintura:
    — Vem, vamos pra casa.
   Eu a detenho e insisto:
    — Emma, quero conhecer Laura.
    Minha Icewoman me olha, me olha e me olha... e ao fim acaba cedendo.
   — Tá bom, Regina. Vamos lá.
   Jane liga para ela e avisa da mudança de planos. Laura  aceita, animada. Em meio a risadas, chegamos aos carros, nos despedimos, e cada casal segue seu caminho. Eu e Emma mergulhamos no trânsito de Munique. Está calada. Pensativa. Cantarolo uma música do rádio e, de repente, vejo que ela para numa rua. Vira-se para mim e pergunta:
    — Está mesmo com tanta vontade de brincar?
    A pergunta me pega de surpresa. Respondo:
   — Olha, se isso te incomoda, a gente não precisa ir. Achei que você fosse gostar.
   — Já te disse que pra mim os jogos sexuais são um complemento, Regina, e...
   — Pra mim também, querida — afirmo. Olhando-
a  nos olhos, explico: — Você me mostrou que essa é uma coisa entre duas pessoas. Quando você me propõe, eu topo numa boa. Por que você não topa numa boa quando sou eu quem propõe?
    Não responde, apenas me olha. Dando de ombros, continuo:
    — No fim das contas, é um complemento que nós duas curtimos, não?
    Após um silêncio em que ouço apenas sua respiração, ela diz num tom mais carinhoso:
   —
Laura  é um mulher bacana. A gente se conhece há anos e costuma se ver quando ela vem a Munique.
    — Pra jogar? — pergunto com sarcasmo.
    — Pra jogar, jantar, sair pra beber ou apenas fazer negócios.
    — Te excita que eu tenha pedido pra brincar com el
a?
    Minha alemã crava em mim seus olhos incríveis e confirma:
    — Muito.
    Descemos do carro. Está um frio dos diabos. Me encolho no meu casaco vermelho e ando de mãos dadas com Emma, que me segura com força. Sua mão se encaixa tão bem na minha que sorrio, alegre. Em seguida caminhamos direto para um hotel. Na fachada está escrito “NH Munchën Dornach”.
    Quando entramos, Emma pergunta pelo quarto de Laura Montierres. Nos informam o número, ligam para ela avisando de nossa chegada, e eu e Emma pegamos o elevador. Estou nervosa. Essa Laura é tão especial assim? Me segurando pela cintura, Emma sorri, me beija e murmura:
     — Não se preocupe. Vai dar tudo certo. Prometo.
    Paramos diante de uma porta entreaberta. Emma bate e ouço alguém dizer de dentro:
   — Entra, E
mma.
    Começo a ficar excitada. Emma me pega pelo braço e nós entramos. Fecha a porta e escutamos:
    — Já estou saindo. Só um minutinho.
    Estamos numa sala ampla e bonita. À direita, há uma porta aberta de onde vemos a cama. Emma me observa. Sabe que estou olhando tudo com a maior curiosidade. Chega mais perto de mim e pergunta:
    — Excitada?
    Confirmo com a cabeça. Não vou mentir. Nesse momento, aparece uma homem da idade de Emma numa cadeira de rodas.
    — E
mma, e aí? Beleza?
   Bate sua mão na dela. Depois a mulher diz enquanto passa os olhos pelo meu corpo:
   — E você deve ser Regina, a deusa que deixa minha amiga toda boba e apaixonada, não é? Sorrio com seu comentário, embora esteja um pouco assustada de vê-la nessa cadeira.
   — Isso — respondo. — E saiba que eu adoro que el
a esteja boba e apaixonada. A mulher troca um olhar divertido com Emma, pega minha mão e fala com malícia:
   — Deusa, eu sou
a Laura, uma mexicana que cai rendida aos seus pés.
   Uau, mexicano! Como a novela Loucura esmeralda. Isso me faz sorrir, apesar de ter pena de vê-la assim. Tão jovem para estar numa cadeira de rodas! Mas, depois de cinco minutos de conversa com ela, percebo sua energia e seu bom humor.
    — Quer beber o quê?
    Laura abre um minibar e prepara os drinques que pedimos. Me observa com curiosidade, e Emma me beija. Quando nos entrega as bebidas, dou um grande gole na minha cuba-libre.
    — Adorei as botas da sua mulher.
   Fico surpresa com seu comentário e toco nas minhas botas. Emma sorri e diz, após beijar meu pescoço:
    — Tira a roupa,
amor.
    Assim? Do nada?
    Nossa, que direta!
    Mas obedeço sem nenhuma vergonha. Quero brincar. Eu mesma que pedi. Laura e Emma não tiram os olhos de cima de mim, enquanto vou me despindo e me divirto ao vê- las excitadas. Quando estou completamente nua, Laura diz:
     — Quero que você calce as botas de novo.
    Emma me olha. Bem que Maura me avisou que o que ela gosta é de dar ordens. Sigo seu jogo, pego as botas e volto a calçar. Nua e com botas pretas que vão até a metade da coxa, me sinto sexy e depravada.
    — Anda até a outra ponta do quarto. Quero te ver. Enquanto caminho, sei que as duas estão olhando minha bunda; requebro um pouco. Chego ao fundo do quarto e volto. A mulher fica olhando meu púbis.
    — Linda tatuagem! Extraordinária!
    Emma dá um gole no uísque e responde sem tirar os olhos de mim e concorda:
  — Maravilhosa.
    Laura estende a mão, passa pela minha tatuagem e, olhando para Emma, diz:
   — Leva ela pra cama. Estou louca pra brincar com sua mulher.
    Emma me pega pela mão, levanta-se e me conduz ao quarto ao lado. Me põe de quatro na cama, abre minhas pernas e diz enquanto se despe:
   — Não se mexe.
   Excitante. Acho tudo isso excitante. Olho para trás e vejo Laura vindo com sua cadeira. Chega até a cama. Toca minhas coxas, a parte de dentro das minhas pernas, e suas mãos alcançam minhas nádegas: ela aperta e dá um tapa. Depois outro, outro e outro, e então diz:
    — Gosto de bundas vermelhinhas.
   Passa a mão pela abertura da minha vagina e brinca com meus lábios molhados.
   — Senta na cama e olha pra mim.
    Obedeço.
   — Deusa... como é maravilhosa,   eu fico muito excitada e adoro tocar, dar ordens e olhar. Emma sabe o que gosto. — As duas sorriem. — Sou um pouco mandona, mas espero que a gente se divirta muito, apesar de sua namorada já ter me avisado que sua boca é só dela.
    — Isso mesmo. Só dela — confirmo.
    A mexicana sorri e, antes que ela diga alguma coisa, acrescento:
   — Emma sabe do que você gosta, mas eu quero saber de que maneira você gosta das mulheres.
    — Calientes e pervertidas. — Sem deixar de me olhar, pergunta: — Emma, sua mulher é assim?
    Minha Icewoman me olha de cima a baixo e garante.
    — Ela é, sim.
    Sua segurança me faz gemer. Disposta a ser tudo isso que ela diz que sou, eu a incentivo:
    — O que você quer de mim, Laura?
    A mulher se vira para Emma — que faz que sim com a cabeça — e especifica:
   — Quero te tocar, te amarrar, te chupar e te masturbar. Eu é que vou comandar as brincadeiras, vou pedir que fiquem em determinadas posições e vou delirar com o que fizerem. Topa?
    — Topo.
    Laura pega uma bolsa que está pendurada na cadeira e diz, estendendo-a para mim:
   — Tenho uns brinquedinhos que ainda não usei e gostaria de experimentar contigo. Abro a bolsa. Vejo uma nova joia anal. Um cristal rosa. Me surpreendo e sorrio. Será que isso está na moda na Alemanha? Com curiosidade, abro uma caixinha onde há uma corrente com uma espécie de pinça em cada ponta. Quando a fecho, vejo um par de pênis de borracha. São macios e rugosos. Um deles vem numa cinta e tem vibração. Toco neles e Laura diz:
   — Quero enfiar em você; se você deixar, claro.
   Emma me aperta contra si e afirma com voz rouca:
   — Você vai deixar, né, Regi?
    Concordo com a cabeça. Calor... estou morrendo de calor. Laura pega a bolsa, tira a caixinha que abri há alguns segundos, me mostra a corrente e murmura:
    — Me dá seus peitos. Vou colocar esses clamps.
    Não sei o que é isso. Olho para Emma e ela me explica:
   — Não se preocupa, não vai doer. Essas pinças são suaves.
   Aproximo meus seios daquela mulher e tenho calafrios ao sentir aquela espécie de pinça escura prendendo um mamilo e depois o outro. Meus seios ficam unidos por uma corrente e, quando ela puxa, meus mamilos se alargam e solto um gemido enquanto sinto um formigamento excitante. Laura sorri. Está curtindo a situação e, sem tirar seus olhos escuros de mim, sussurra:
   — Quero te ver amarrada na cama pra te masturbar e depois quero ver como Emma te fode.
    Estou ofegando e, disposta a tudo, me levanto, pego as cordas na bolsa, entrego ao meu amor e murmuro:
     — Me amarra.
    Emma me olha, pega as cordas e diz baixinho:
    — Tem certeza?
    Olho bem em seus olhos e, totalmente excitada pelo que está acontecendo ali, respondo:
    — Tenho.
   Me deito na cama. Quando me estico, meus mamilos se contraem. Emma amarra minhas mãos e passa a corda pela cabeceira. Depois, prende um dos meus tornozelos com um nó de um lado da cama, e em seguida o outro. Estou com as pernas escancaradas e imobilizada para elas. Com habilidade, Laura passa da cadeira para a cama e me olha. Puxa a corrente dos meus mamilos e isso me faz gemer.
    — Emma... você tem uma mulher muito caliente.
   — Eu sei — diz, olhando para mim.
   Estou totalmente excitada, e Laura quer saber:
   — Gosta de sado, deusa?
    Emma sorri e eu respondo:
   — Não.
    Laura balança a cabeça concordando e faz outra pergunta:
   — Te excita que a gente use seu corpo em busca do nosso próprio prazer?
   — Sim — respondo.
   Volta a puxar a corrente e meus mamilos se arrepiam como nunca. Respiro ofegante e solto gritos.
   — Você fica louca com o que eu faço?
   — Fico.
   Passa um dos objetos pela minha vagina molhada.
   — Quer que eu te use e desfrute do seu corpo?
   Cheia de tesão, olho para Emma. Seu olhar diz tudo. Ela está adorando. E com voz sensual sussurro:
   — Sim. Quero tudo.
   Da boca de Emma sai um gemido. Ela enlouqueceu com o que eu disse. Segura a correntinha dos meus peitos e puxa. Respiro ofegante e ela me beija. Mete a língua no fundo da minha boca enquanto meus mamilos sentem cócegas a cada puxada. Fascinada com o que vê, a mexicana acaricia a parte interna das minhas coxas com suas mãos suaves. Emma para com os beijos e nos observa. Suas perguntas me excitaram e ela chega bem perto da minha boca e ordena:
    — Abre.
    Faço o que ela manda e ela enfia o brinquedinho azul na minha boca.
    — Chupa — exige.
    Por alguns minutos Laura se delicia com as lambidas que dou, até que o retira da minha boca.
   — Emma... agora quero que ela te chupe.
   Minha alemã me oferece sua vagina, colocando- a na direção de minha boca, e chupo com prazer. Eu a  fodo com minha boca, até que escuto:
   — Stop.
   Fico frustrada. Minha Icewoman retira-se de pertto de mim. Laura molha a ponta do pênis de borracha com bastante lubrificante e diz enquanto coloca na abertura da minha vagina.
    — Agora por aqui.
    Emma senta no outro lado da cama, me abre com seus dedos para lhe facilitar o acesso, e Laura lentamente o enfia.
    — Gosta disso? — pergunta Laura.
   Solto um gemido, me mexo e faço que sim com a cabeça, enquanto Emma, meu amor, me olha e me oferece a amiga.
    — Que delícia! — murmura a mexicana.
   Por alguns segundos a mulher move o objeto dentro de mim. Enfia... tira... gira... puxa a corrente dos meus mamilos, e solto gemidos. Fecho os olhos e me deixo levar pelo momento. Meu corpo amarrado começa a ficar desconfortável. Tento me mexer e grito. Mas, ao mesmo tempo excitada por estar presa desse jeito, abro os olhos e vejo meu amor. Ela sorri e se masturba. Está tão molhada, prontinha para brincar.
   — Adoro seu cheiro de sexo — murmura Laura e enfia o objeto de um jeito que me faz gritar novamente e arquear as costas.
   — Assim... vamos, deusa, goza pra mim!
   O objeto entra e sai de mim, arrancando-me gemidos incontroláveis. Quando minha vagina estremece e envolve o brinquedinho, Laura o retira. Emma se coloca entre minhas pernas e  me preenche. Grito de tanto prazer. Laura volta à sua cadeira. Puxa a corrente dos meus mamilos e eu me mexo como posso. Estou com os pés e mãos atados e só posso gemer e receber o meu amor, enquanto Laura  tira os clamps dos meus mamilos doloridos e sussurra:
   — Deusa, levanta os quadris... Vamos... Assim... Isso.
   Faço o que ela manda. Me delicio com os movimentos quando ouço ela sussurrar:
   — Emma, porra... Forte... Mete forte.
   Emma me beija.  Coloca a cinta e devorando minha boca , entra com força em mim, me fazendo gritar. Laura pede. Exige. Damos o que ela quer. Desfrutamos o momento e, quando não dá mais para segurar, gozamos. Com as respirações entrecortadas, Emma me desamarra as mãos enquanto sinto que Laura me desamarra os pés. Emma me abraça e sorri. Faço o mesmo.
   — Deusa, você é gostosa demais. Tenho certeza que vai me dar muito prazer. Vem. Levanta.
   Obedeço. Laura me agarra pela bunda, me aperta e aproxima a boca do meu encharcado púbis e o morde. Seus olhos se detêm na minha tatuagem e ela sorri. Emma se ergue, fica atrás de mim e com seus dedos me abre para sua amiga. Meu Deus, que delícia!
    Laura mete a lingua bem dentro de mim e exige que eu me mova sobre sua boca. Faço o que ela manda. Subo em seus ombros para lhe dar mais acesso ao meu corpo, enquanto Emma me segura pelas costas. Meus quadris oscilam para a frente e para trás. Laura me aperta com força contra sua boca e pressiona minha bunda, deixando-a vermelha como ela gosta.
     Em silêncio sou delas durante vários minutos. Não há música. Só escutamos nossos corpos, nossos gemidos e o barulho das lambidas deliciosas de Laura. Enlouquecida pelo que vê, Emma me toca os mamilos enquanto sua amiga brinca com o clitóris, e murmuro deliciada:
   — Isso... aí... aí. Sexo... Isso é sexo selvagem em estado puro.
   Meus gemidos aumentam. Vou gozar de novo, mas então  para, dá um beijo no meu púbis, me faz descer dos seus ombros e sussurra enquanto joga a cadeira de rodas para trás:
   — Ainda não, deusa... ainda não.
    Estou acalorada. Ardendo. Emma senta na cama, beija meu pescoço e diz, assumindo o controle da situação:
    — Apoia em mim e abre as pernas da mesma forma que você faz quando eu te entrego a uma mulher. 
    Meu estômago se contrai. Estou com calor, molhada e morrendo de vontade de gozar. Quando me coloco na posição que ela pediu, apoia seu queixo no meu ombro direito, toca um dos meus mamilos com o polegar e, diante do olhar atento de Laura, pergunta:
   — Gosta de ser nosso brinquedinho?
   Minha resposta, mesmo num fio de voz, é clara e determinada:
   — Gosto.
   A risada de Emma no meu ouvido me deixa excitada, ainda mais quando ela diz depois de beijar meu ombro:
   — Na próxima vez vou compartilhar você com uma mulher ou talvez duas, que tal?
    Olho direto para Laura. Ela sorri. Respiro ofegante, mas consigo responder:
   — Acho ótimo. Eu quero.
    Emma me expõe totalmente a sua amiga e avisa:
   — Quando estivermos com elas, abrirei tuas pernas assim... Faz um movimento com minhas pernas, mostrando o que está dizendo, e solto um gemido, enquanto Laura nos olha com luxúria.
     — Vou te oferecer. Vou convidá-las a te saborear. Elas vão te possuir da forma que eu deixar e você vai obedecer. — Concordo com a cabeça. — Quando eu já estiver satisfeita com teus orgasmos, vou te comer enquanto elas observam e, depois que eu terminar, vou mandar elas te comerem. Vão te foder, vão te possuir e você vai gritar de prazer. Quer brincar disso, Regina?
    Tento responder, mas não consigo. Sinto um nó na garganta que me impede de falar qualquer coisa, então ela repete:
   — Quer brincar disso ou não?
   — Quero — consigo responder.
   Um zumbido me deixa arrepiada. Emma está segurando o vibrador em formato de batom que carrego na bolsa. Quando ela pegou? Depois, me mostra a joia anal de cristal rosa e o lubrificante.
   — Agora você vai até a Laura — diz. — E vai pedir pra ela enfiar a joia no seu bonito cuzinho e depois vai voltar pra cá.
   Pego a joia e o lubrificante que Emma me entrega e, excitada, faço o que ela pede. Totalmente nua, exceto pelas botas, ando até Laura. Lhe passo a joia e o lubrificante. Alucinada, ela olha para meu púbis. Minha tatuagem a excita.
   — Quero encostar nela. É tão maravilhosa...
   Chego mais perto. Ela passa a mão pelo meu púbis e me devora com o olhar. Em seguida me viro, empino a bunda na frente dela e, sem falar nada, ouço-a destampando o lubrificante. Segundos depois, sinto uma pressão no meu ânus, até que ela enfia a joia anal.
   — Lindo — eu a escuto murmurar.
   Quando me ergo, Laura me segura pelos quadris e, movendo a joia dentro de mim, diz:
   — Sua tatuagem vai me fazer pedir mil coisas, deusa; não se esqueça disso.
   Volto para perto de Emma, que me senta sobre ela, e Laura murmura com voz rouca:
   — Me oferece ela, Emma.
   Minha Icewoman passa seus braços por baixo das minhas pernas e as abre. Minha vagina molhada fica exposta e latejante bem diante da cara de Laura. A mulher respira com dificuldade e não tira os olhos dali. Minha entrega a enlouquece. Eu também respiro com dificuldade. Estou muito excitada. Exaltada. À beira do orgasmo. Solto gemidos e balanço os quadris em busca de algo, de alguém, e é meu próprio dedo que afinal passa pelo meu sexo encharcado. Sem nenhum pudor, eu mesma o enfio dentro de mim enquanto Emma me estimula a continuar com a brincadeira e sei que Laura está louca de prazer. Dá para ver no seu rosto. Arreganhada, do jeito que ela quer, sinto-a retirar meu dedo para meter um dos pênis de borracha. Grito de excitação enquanto, com o objeto, Laura entra e sai de dentro de mim.
   Mas quero mais. Preciso de mais. Quando, além desse brinquedinho, ela põe o vibrador no meu clitóris inchado, grito outra vez. Com habilidade, enquanto Emma segura minhas pernas, Laura aproxima e afasta o vibrador do meu ponto exato de prazer. Tenho espasmos e solto gemidos. Até que a escuto dizer:
    — Deusa... goza agorinha pra gente.
    — Sim — grito enlouquecida.
   Toca meu clitóris com o dedo e reajo com gritos. Estou molhada, completamente molhada. Para a surpresa dela, peço:
   — Laura... me chupa, por favor.
   Meu pedido a excita. Emma se inclina para trás a fim de facilitar o trabalho da amiga, que instantes depois coloca a boca sobre minha vagina. Laura me chupa, me lambe e me estimula até chegar ao meu clitóris. É só ela tocá-lo e já começo a gemer. Ela o puxa com os lábios e me deixa louca. Quando gozo na sua boca, murmura:
    — Você é uma delícia.
    Exausta, sorrio quando Emma me agarra com força, me põe de quatro na cama e, de forma brusca e sem falar nada, me penetra. Superexcitada pelo que viu, enlouquecida, ela enfia  o dildo em mim e eu me abro com prazer para recebê-la. Uma, duas, três..., mil vezes entra fundo, me agarrando pela cintura e me comendo por trás sem pena. Depois um tapinha, dois, três. Grito. Puxa meu cabelo.
    — Empina os quadris. Faço o que ela manda. — Mais — exige em meu ouvido. Me sinto dominada enquanto Emma me penetra várias vezes diante do olhar atento de Laura.
    De repente, Emma para, tira a joia do meu ânus e enfia "seu pênis". Desabo na cama e respiro ofegante, agarrando-me nos lençóis. Sem lubrificante é mais difícil, dói muito... mas é uma dor que me agrada. Me faz pedir mais. Emma me aperta contra seu corpo, me dá outro tapa e diz:
    — Mexa-se, Regina... Mexa-se.
   Me mexo. Seu ritmo é devastador. Quente. Me enfio algumas vezes nela, até que Emma me pega pela cintura e entra tão fundo que me faz gritar, e nós duas enlouquecemos com um devastador orgasmo ao mesmo tempo.
    Estamos esgotadas. Laura nos observa de sua cadeira. Ela está adorando tudo que vê. Emma sugere um banho e, quando estamos a sós, pergunta num tom carinhoso:
    — Tudo bem, pequena?
    — Tudo.
   Adoro essa preocupação dela comigo. A água escorre pelos nossos corpos e rimos. Pergunto a Emma por que Laura está numa cadeira de rodas e ela comenta que foi por causa de um acidente com seu parapente. Fico morrendo de pena. É tão jovem... Mas Emma, exigente, me beija. Não quer falar disso e me faz voltar à realidade quando enfia de novo a joia na minha bunda. Saímos do banheiro e Laura continua onde a tínhamos deixado, com o vibrador na mão. Ela o está cheirando e, assim que me vê, diz:
     — Adoro cheiro de sexo.
    Pelos seus olhos, vejo o quanto me deseja. Sem pensar duas vezes, aproximo meu rosto do seu e falo baixinho:
   — Agora é você quem vai me comer, Laura.
   Emma me olha surpresa. Depois de explicar a Emma meu objetivo, ela abre um sorriso. Com sua ajuda, sentamos Laura numa cadeira sem braços e acoplamos nela um dos vibradores que vêm com cinta. Zombando, Laura olha para a borracha dura diante dela e ri.
    — Meu Deus, há quanto tempo não me via assim!
    Sem esperar mais, beijo Emma e coloco minha bunda na altura de Laura. Emma me abre e mexe na joia anal. Laura entra no jogo e belisca minha bunda, avermelhando-a. Emma me beija e sussurra para mim:
    — Você me deixa louca, Regina.
    Sorrio. Emma também. Olha para sua amiga e pede:
   — Laura, me oferece pra minha mulher.
   A mulher  me pega pela mão, me faz sentar sobre ela e abre minhas pernas. Toca na joia e murmura na minha orelha:
   — Deusa... você é muito caliente. Estou adorando esse seu jeito de se entregar.
    Quando Emma põe a boca na minha vagina, eu me contraio. Laura me segura, e me mexo gemendo e gritando pelas coisas maravilhosas que meu amor está fazendo. Mas quero estimulá-las mais ainda, então falo baixinho:
    — Isso... Aí... Assim... Continua... Mais... Ah, tá muito bom... Não para... Assim.
    Emma toca meu clitóris várias vezes com sua língua. Descreve pequenos círculos e o aperta com os lábios, enquanto Laura me oferece e apalpa meus seios. Com a ponta dos dedos ela os endurece e belisca. Minha Icewoman, com a boca no meio das minhas pernas, me arranca gemidos enlouquecidos. A respiração de Laura se acelera em alguns momentos e, quando Emma me ergue e me come, nós três ofegamos. Meu amor me apoia contra a parede para enfiar várias vezes com força, até que nós duas finalmente gozamos. Tomada pelo prazer e excitação olho para Laura, que está ardendo de desejo. Me aproximo dela:
    — Agora você.
   Monto nela e introduzo em mim o brinquedo que está preso à sua cintura. Ligo e ele começa a vibrar. Sorrio. Laura também. Como uma estrela do cinema pornô, rebolo em cima dela em busca do meu próprio prazer, enquanto me esfrego em seu corpo e meus seios balançam perto da sua boca. Laura me segura pela cintura e começa a se movimentar no mesmo ritmo que eu. Mete com força e eu grito enlouquecida.
    Emma está ao nosso lado, atenta ao que fazemos. Não diz nada. Apenas observa enquanto Laura me agarra e entra em mim várias vezes. Excitada, digo bem alto:
   — Assim... Me come assim... Isso, vai!
   Estou totalmente aberta em torno da cinta, e solto gemidos, olhando Laura nos olhos.
   — Vem, Laura, me mostra o quanto você me deseja.
   Minhas palavras a estimulam. Seu desejo cresce e sinto que ela está quase tendo vertigens, tamanho é seu prazer. Laura me enfia fundo aquela objeto. Está adorando. Dá para ver. Sua respiração está entrecortada.
   — Não para... Não para! — grito.
   Laura não poderia parar nem se quisesse. E, quando me aperta uma última vez contra o brinquedinho e solta um grunhido de satisfação, sei que atingi meu objetivo. Laura aproveitou tanto quanto eu e Emma.

     Numa tarde em que eu e Flyn patinamos de mãos dadas na garagem, a porta automática começa a abrir de repente. Emma chega antes da sua hora habitual. Ficamos paralisados.
     Que flagra desgraçado... E que bela bronca ela vai nos dar! Reajo depressa, puxo o garoto e saímos da garagem. Mas Emma está chegando bem perto e não sei o que fazer. Não dá nem tempo de a gente tirar os patins ou entrar em algum lugar. Desesperada, abro a porta que dá na piscina coberta. O menino me olha e pergunto:
    — Bronca ou piscina?
    Não há o que pensar. Vestidos e de patins, pulamos na água. Assim que botamos a cabeça para fora, a porta se abre e Emma nos vê. Disfarçadamente, nos apoiamos na beira da piscina. Não dá para ver os patins nos nossos pés, já que estão no fundo. Assustada, Emma se aproxima e pergunta:
    — Desde quando alguém entra na piscina de roupa?
    Eu e Flyn nos entreolhamos, rimos e enfim respondemos:
   — Foi uma aposta. Estávamos jogando PlayStation e combinamos que o perdedor teria que pular na piscina.
    — E por que os dois estão na água? — insiste, rindo.
   — Porque Regina é uma trapaceira — queixa-se Flyn. — E, como eu ganhei dela, logo depois que ela se jogou na piscina, me jogou também.
    Emma ri. Adora ver como eu e o sobrinho estamos nos entendendo ultimamente. Com doçura, deixo que ela me beije, mas com o cuidado de não mostrar meus pés.
   — Como está a água? — pergunta.
   — Uma delícia! — dizemos Flyn e eu ao mesmo tempo.
   Emma toca a cabeça molhada de seu sobrinho e, antes de sair, diz:
   — Coloquem roupa de banho se quiserem continuar na água.
   — Venha, querida. Anime-se e venha!
   Icewoman me olha e, antes de desaparecer pela porta, responde com ar cansado:
   — Tenho um monte de coisa pra fazer, Regina.
   Depois que Emma sai, eu e Flyn nos sentamos na beira da piscina. Tiramos os patins e escondemos num armário que fica num canto.
   — Foi por pouco — comento, ensopada.
   O garoto ri, eu também, e logo voltamos à piscina. Uma hora depois, quando saímos, Flyn se agarra à minha cintura.
    — Promete que não vai embora nunca?
    Emocionada pelo carinho do garoto, beijo sua cabeça.
   — Prometo.
   Nessa tarde, Flyn vai para a casa de Cora. Disse que tem umas coisas para fazer lá. Seus segredinhos me fazem rir. Emma está séria. Não ficou aborrecido, mas vejo pela sua expressão que está acontecendo alguma coisa. Tento falar com ela e por fim consigo saber que está com dor de cabeça. Fico alarmada! Seus olhos! Sem dizer nada, vai até nosso quarto para descansar. Não vou atrás. Ela quer ficar sozinha.
     Lá pelas seis, Susto, entediado porque Flyn levou Calamar, me pede à sua maneira para levá-lo para passear. Emma saiu do quarto e agora está no escritório. Sua aparência melhorou. Sorri. Fico mais tranquila. Tento convencê-la a ir comigo, a tomar um ar. Mas ela recusa o convite. Acabo desistindo.
    Abrigada com meu casaco vermelho, meu gorro, minhas luvas e o cachecol, saio de casa. Não está frio. Susto corre e eu vou atrás. Quando atravessamos o portão, começo a atirar bolas de neve na direção dele. O cachorro se diverte e corre, dando voltas ao meu redor.
    Passeamos um pouco pela estrada. O bairro onde moramos é enorme e decido aproveitar a tarde e caminhar, apesar de já estar anoitecendo. De repente, vejo um carro parado no acostamento. Me aproximo com curiosidade. Um homem de terno, de uns 40 anos, fala ao telefone, franzindo as sobrancelhas.
   — Estou há mais de uma hora esperando esse maldito reboque. Manda logo!
   Desliga o telefone e olha para mim. Sorrio e pergunto:
    — Está com algum problema?
    O homem confirma com a cabeça e, sem muita vontade de falar, responde:
   — As lanternas do carro.
   Curiosa, olho para o automóvel. Um Mercedes.
   — Posso dar uma olhada nele?
   — A senhorita?
   Esse “senhorita” com um risinho de superioridade não me agrada nem um pouco, mas suspiro e respondo:
   — Sim, eu. — E, ao ver que não se move, insisto: — Não tem nada a perder, né?
   Ele fica meio desconfiado, mas acaba aceitando. Susto está ao meu lado. Peço para o homem abrir o capô. Pego a haste e ajusto para mantê-lo aberto. Meu pai sempre me disse que a primeira coisa que tenho que ver quando as luzes dão defeito são os fusíveis. Procuro a caixa onde ficam guardados, dou uma olhada dentro dela e descubro o que está havendo.
   — Tem um fusível queimado.
   O cara me olha como se eu estivesse falando chinês.
   — Está vendo isso aqui? — digo, mostrando o fusível de cor azul. O homem faz que sim com a cabeça. — Se você olhar bem, vai reparar que está queimado. Não se preocupe, a lanterna do carro está boa. Só tem que trocar o fusível pra lâmpada do carro voltar a funcionar.
   — Incrível — diz o homem, observando a peça que eu lhe mostro.
   Ai, meu Deus! Como gosto de deixar os homens boquiabertos por essas coisas. Valeu, pai! Agradeço muito por ele me ensinar a ser mais que uma princesa. Me afasto um pouco do homem e pergunto:
   — Tem outros fusíveis? Novamente percebo que ele não faz ideia do que estou falando e, achando graça, insisto: — Sabe onde fica a caixa de ferramentas?
    O bonitão de terno abre a porta de trás do carro e me entrega o que pedi. Diante do seu olhar atento, procuro o fusível da amperagem que preciso e enfio no lugar correspondente. Segundos depois, a lanterna dianteira volta a funcionar. A cara do sujeito é impagável. Acabo de deixá-lo sem palavras. É surreal para ele o fato de que uma completa desconhecida, uma mulher, se aproxime e conserte seu carro num piscar de olhos.
   — Muito obrigada, senhorita.
   — De nada — digo, sorrindo.
   Crava seus olhos claros em mim, estende a mão e diz:
   — Meu nome é Leonardo Guztle, e a senhorita é...?
   — Regina. Regina Mills.
   — Espanhola?
   — Sim — respondo, fascinada.
   — Adoro os espanhóis, seus vinhos, a tortilla de batata.
   Suspiro. Pelo menos ele não disse “olé!”.
   — Posso chamá-la de “você”?
   — Claro, Leonard.
   Por alguns segundos, sinto que ele me observa de cima a baixo com seus olhos claros, até que pergunta:
   — Gostaria de te convidar pra tomar alguma coisa. Depois do que você fez por mim, é o mínimo que posso fazer pra te agradecer.
   Uau, ele está dando em cima de mim? Mas, disposta a cortar o mal pela raiz, sorrio e respondo:
   — Obrigada, mas não. Estou com pressa.
   — Posso te dar uma carona? — insiste.
   Nesse momento, Susto late e corre na direção de um carro que se aproxima de nós. É Emma. Nossos olhares se cruzam e, caramba, como está séria... Para o carro, desce, vem até mim, me beija, me agarra pela cintura e murmura:
    — Fiquei preocupada. Você estava demorando muito. — Depois, olha para o cara, que nos observa, e diz:
    — Oi, Leo! E aí?
   Caraca, eles se conhecem! Surpreso com a presença de Emma, o homem nos olha e minha linda esclarece:
   — Estou vendo que você conheceu minha namorada.
   Um silêncio tenso toma conta da situação, e fico sem entender nada, até que Leonard faz que sim e dá um passo para trás.
    — Não sabia que Regina era sua namorada. Mas você não imagina: ela sozinha acabou de consertar meu carro.
   — Ah, bobagem... só troquei um fusível.
   Leonard sorri e murmura, tocando com o dedo a ponta congelada do meu nariz:
   — Você conseguiu fazer uma coisa que eu jamais conseguiria. E isso, mocinha, me deixou surpreso.
   Tensão. Emma não sorri.
   — Como está sua mãe? — pergunta o homem.
  — Bem.
   — E Flyn?
   — Ótimo — responde Emma num tom frio.
   O que está acontecendo? O que houve com eles? Não estou entendendo nada. Nos despedimos dele. Leonard dá partida na sua Mercedes, acende os faróis e vai embora. Eu, Emma e Susto entramos no carro. Emma liga o motor, mas, sem sairmos do lugar, ela quer saber:
    — O que você estava fazendo sozinha com Leo?
    — Nada.
    — Como nada?
    — Ele estava sem luzes no carro e eu troquei um fusível. Só isso. Não tem por que ficar chateada.
    — E por que você precisava fazer isso?
    Espantada com a pergunta absurda, respondo:
   — Porque, Emma... porque eu sou assim, ué. Meu pai me educou dessa forma. Aliás, de onde você conhece esse cara?
   Emma me olha.
   — Esse idiota, dono do carro que você consertou, era o namorado de Hannah quando ocorreu tudo aquilo, e foi ele que se afastou de Flyn sem pensar nele.
    Estou passada! Esse é o babaca que não quis saber do garoto quando Hannah morreu? Se eu soubesse disso, iria deixá-lo na mão, e ele que arrumasse algum trouxa para consertar seu fusível. Os olhos de Emma estão injetados de raiva. Está muito irritada. Triste pelas lembranças que isso traz, ela dá um soco no volante.
    — Parecia muito à vontade com ele.
    Não quero discutir. Tento manter o controle e digo:
   — Olha, querida, eu não sabia quem era o cara. Apenas fui simpática e...
   — Então não seja — me corta. — Você tem que se tocar que, quando é tão simpática, as pessoas ficam achando que você está dando mole pra elas.
    Isso me faz rir. Os alemães são meio esquisitos em muitas coisas, e essa é uma delas.
   — Está com ciúme?
   Emma não responde. Crava em mim seus olhos enormes que me deixam louca. Por fim, diz:
    — É pra eu estar?
   Nego com a cabeça. Ligo o CD do carro e me surpreendo ao descobrir que Emma está ouvindo minhas músicas. Enquanto Emma reclama e eu sorrio, Luis Miguel canta:

       Tanto tiempo disfrutamos de este amor,
       nuestras almas se acercaron tanto así,
      que yo guardo tu sabor, pero tú llevas también, sabor a mí.

   Nossa, que bolero mais romântico! Olho para Emma. Sua testa contraída me faz suspirar e, sem deixá-la continuar resmungando, pergunto:
   — Melhorou da dor de cabeça?
   — Melhorei.
   Preciso fazer alguma coisa. Preciso fazê-la relaxar e sorrir. Então digo:
   — Sai do carro.
   Ela me olha surpresa e pergunta:
   — Como assim?!
   Abro a porta e repito:
    — Sai do carro.
   — Pra quê?
   — Sai do carro e você vai saber — insisto.
   Ela sai e bate a porta com força. Antes de sair também, coloco a música no volume máximo e deixo minha porta aberta. Susto desce junto. Depois caminho até minha resmungona preferida, dou-lhe um abraço e digo diante da sua cara emburrada:
   — Dança comigo.
   — Quê?!
   — Dança comigo — insisto.
   — Aqui?
   — É.
   — No meio da rua?
   — Sim... E debaixo da neve. Não acha romântico e perfeito?
   Emma resmunga. Eu sorrio. Faz menção de dar meia-volta, mas eu puxo seu braço e exijo:
    — Dança comigo!
   Duelo de titãs. Alemanha contra Espanha. No fim, quando faço uma careta e sorrio, ela acaba cedendo. Dá-lhe, fúria espanhola!
   Me abraça. É um momento mágico. Uma cena inesquecível. Dança comigo. Relaxa. Fecho os olhos abraçada com meu amor, enquanto a voz de Luis Miguel diz:
             
                Pasarán más de mil años, muchos más.
                Yo no sé si tendrá amor la eternidad.
               Pero allá, tal como aquí, en la boca llevarás sabor a mí.


 — Acho bonitinho te ver com ciúme, mas você não tem razão pra isso. Você é única e insubstituível pra mim — murmuro sem olhar para ela e aninhada em seus braços.
   Percebo que está sorrindo. Eu também estou. Dançamos em silêncio. Quando a música termina, olho para ela e pergunto:
   — Está mais calma? — Não responde. Apenas me observa. E eu digo: — Te amo, Icewoman.
   Emma me beija. Devora meus lábios e balbucia:
  — Eu é que te amo, Regina.