quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Peça- me o que Quiser, Capítulo 53

   
"La petite mort" para quem não conhece, é uma expressão francesa, que se refere ao orgasmo feminino e que significa "A pequena morte". Não vou entrar em detalhes, mas espero que no contexto vocês venham a entender. Boa leitura!

    
     A chegada ao Aeroporto Internacional Franz Josef Strauss em Munique se faz no tempo previsto e sem complicações. Quando desembarcamos do avião, Emma se distrai falando com o piloto e vejo Norbert no carro. Flynn corre até ele e se joga em seus braços. Encanta-me ver como o homem sorri de felicidade ao ver o menino.
    Uma vez que o pequeno entra no carro com Graciela e Laura, eu olho para Norbert com cumplicidade e lhe dou um abraço. Como sempre fica mais duro do que um pedaço de pau, mas eu não me importo, o abraço da mesma forma e escuto dizer emocionado:
    - Que alegra tê-la de volta em casa, senhora!
    Eu sorrio. Passei de senhorita Regina para senhora!
    - Norbert, não combinados que ia me chamar pelo nome?
    O homem acena com a cabeça e, depois de cumprimentar Emma com um aperto de mão, acrescenta:
    - Isso é coisa da minha mulher, senhora. Que, aliás, está louca para vê-la em casa novamente.
    Quando a bagagem chega, Norbert as coloca no porta-malas do carro, enquanto isso Emma agarra minha cintura com atitude possessiva, me beija e sussurra:
    - De novo está em meu território, pequena.
    Seu gesto é divertido e beliscando sua cintura esclareço:
    - Desculpa bonita, mas este também é meu território agora.
    Sorrindo, entramos no carro para ir à nossa casa. Nosso lar. Ao longo do caminho, Graciela olha pela janela com curiosidade e, enquanto os demais brincam com o pequeno Flynn, eu explico por onde passamos.�
    Emma sorri satisfeita ao ver que sei andar tão bem em Munique, e eu pisco para
ela.
    Chegando em casa, Norbert aperta o controle remoto do carro, e a porta de aço se abre. Assim que cruzamos o belo jardim, vejo na porta da frente Simona, junto com Susto e Calamar. A mulher sorri radiante e corre para o carro, junto com os cães.
    Emocionada, antes que o carro pare, eu abro a porta e salto como uma louca.
    Susto e Calamar se lançam sobre mim, eu os acaricio enquanto saltam e latem de felicidade.    Segundos depois, meus olhos se encontram com os de Simona, a minha Simona! E me derreto em um abraço caloroso com ela.
    Mas, de repente, percebo que alguém agarra meu braço e me puxa. Ao olhar me encontro com o gesto preocupado de Emma. O que está errado?
    - Você ficou louca?
    Surpresa pela sua seriedade e, principalmente, pelo tom de sua voz, pergunto:
    - Por quê? O que houve?
    Flynn, que se joga em uma corrida para abraçar Simona diz:
    - Tia Regi, você não pode abrir a porta com o carro ligado. Isso é perigoso.
    Naquele momento percebo que o que eles dizem é verdade. Minha impulsividade faz com que me comporte mal.
    Horrorizada pisco. Emma não se move. Que mau exemplo sou para Flynn e,olhando para a minha alemã raivosa, murmuro enquanto Susto pede atenção:
    - Sinto muito, Emma. Eu não percebi. Eu vi Simona e...
    O gesto da minha menina grannde relaxa e passando a mão pelo meu rosto, sussurra:
    - Eu sei querida. Mas por favor, tenha mais cuidado, ok?
     Eu sorrio e abraçando-a, suspiro:
    - Eu prometo, mas agora, sorria, por favor.�
    Ela não hesita em fazer. Sua expressão volta a ser alegre e me beijando nos lábios, murmura:
    - Você vai pagar quando estivermos sozinhas.
    Com gesto malicioso, olho para ela e sussurro, antes que Graciela se aproxime:
    - Uauuu... Isto ficou interessante.
    Depois de soltar uma gargalhada, Emma cumprimenta os esbaforidos Susto e Calamar.
    Que emocionados estão meus cachorrinhos ao nos ver novamente!
    Quando Emma, junto com Flynn se agacha e os abraça, meu coraçãozinho transborda. Se lhes dissesse isto há um ano atrás, nenhum desses dois alemães rígidos teria acreditado. Mas lá estão eles, tia e sobrinho esbanjando mil carinhos aos nossos dois animais de estimação.
    Quando Flynn corre para o lado do jardim, os cachorros vão atrás dele. Enquanto Norbert leva as mala, Emma faz o mesmo com a cadeira de rodas de Laura que, uma vez aberta, a mexicana se senta nela.
    - Regina, como estou feliz em te ver!
    - E eu de te ver, Simona. Acredite ou não, tenho sentido sua falta.
    A mulher sorri e vendo que Graciela está do nosso lado, lhe apresento:
    - Simona, quero te apresentar Graciela.
    - Encantada senhorita Graciela.
    - Por favor Simona, diz a jovem em alemão, eu ficaria mais confortável se me
chamasse pelo nome como Regina.
    A história se repete.
Vê-se que as meninas criadas em famílias de classe média, se incomodam ao ser chamadas de “senhorita”, e olhando Simona com cumplicidade, digo:�
    - Você sabe, o senhora podemos ignorar.
    - Agora mesmo esquecido, tudo bem Simona? - Graciela insiste.
    A mulher sorri e, de repente, surpresa, exclama:
    - Você fala como a protagonista de Loucura de Esmeralda!
    Ao ouvir esse nome Graciela nos olha.
    - Você assiste Loucura de Esmeralda na Alemanha?
    Simona e eu balançamos a cabeça e ela insiste:
    - Sério?
    - Totalmente sério, Graciela, - respondo.
    Sorrio para não chorar.
    Eu ainda não entendo como me deixei envolver em uma novela assim, e acrescento:
    - Não sabe a dificuldade que temos com Esmeralda Mendoza e Luis Alfredo Quiñones. Que desagradável quando eles anunciaram o último capítulo. Não vão morrer, né?
    Graciela balança a cabeça, Simona e eu suspiramos agradecidas. Ufa!
    - É a telenovela mais famosa no México. Já finalizou a segunda temporada.
    - Aqui anunciaram que em 23 de setembro recomeça.
    - Mas o que você me diz? - Exclamo entusiasmada.
    Simona acena feliz e Graciela acrescenta:
    - No México já foi repetida algumas vezes. Esmeralda Mendoza ganhou o coração de todas as mexicanas, por seu caráter valente.
    Simona e eu concordamos.     Este mesmo efeito tem provocado nas alemãs.
    - Simona, mulher bonita, como você está? Laura pergunta.�
    Encantada com o nosso retorno, a mulher olha para ela e responde:
- Muito bem Senhora Ramirez. Seja bem-vinda! - E, apontando para Graciela, acrescenta: - Deixe-me dizer-lhe que sua noiva, ou sua esposa é linda.
   Misericórdia!! O que Simona falou!
    Ao ouvir isto, Laura fica paralisada. Graciela fica vermelha como um tomate e eu, como sou uma bruxa, não nego nada, quando Simona, piscando um olho, com
cumplicidade, á Laura, afirma convencida:
    -Você soube escolher muito bem.
    Emma sorri para o meu silêncio. Como me conhece minha alemã.
    Mas Laura, disposta a  esclarecer o que eu não queria esclarecer, diz:
    - Obrigado, mas eu devo dizer que Graciela é apenas a minha assistente pessoal.
    Simona olha para ela, depois olha para a moça, e ao ver sua cara, junta as mãos e implora perdão.
    - Desculpe senhora, a minha indiscrição.
    - Está tudo bem, Simona. - Sorri Laura.
    Entramos todas na casa e quando chegamos na sala, escuto Simona perguntar a Graciela:
    - Você é solteira?
    - Sim.
    A mulher olha. Então ela pisca para mim e diz:
    - Garanto que na Alemanha você vai achar mil pretendentes. As morenas gostam muito deste lugar.
    O rosto de Laura ao ouvir isso é todo um poema e eu, sem poder disfarçar, desvio o olhar para que não me veja rindo�.
    É claro que vai ter de se esclarecer com a chilena de uma vez por todas.

    Na parte da tarde aparecem Cora, a mãe de Emma e Martha, sua irmã com o namorado Arthur. Ao vê-los, Flynn corre até eles e os abraça. Observo o rosto de Cora, que gosta do contato tão próximo de seu neto, enquanto Martha, engraçada, o pega nos braços e dá voltas com ele. Elas nunca ficaram tanto tempo separadas do menino e o reencontro os emociona.
    Como era esperado, ao ver Graciela, as duas pensam o mesmo que Simona, e Laura volta a esclarecer que a jovem não é sua noiva, nem sua esposa.
    Pergunto a Cora por Trevor, ela se aproxima e murmura:
    - Nós rompemos. - E antes que eu diga qualquer coisa, ela acrescenta: - Eu não quero laços na minha idade. Principalmente com homens!
   Concordo e sorrio.
   Minha sogra nunca para de me surpreender. É uma bomba!
    Durante horas conversamos todos com familiaridade ao redor da mesa, enquanto tomamos uma bebida, Emma e eu mostramos nossas fotos da lua de mel.
    Bem, nem todas. Há algumas que reservamos apenas para ela e para mim. São muito íntimas.
    Ao saber que Graciela é solteira, Martha rapidamente a convida para sair uma noite de farra e eu fico aguçada. Estou querendo ir ao Guantanamera ver os meus
amigos, dançar salsa e gritar "Açúcar".
    Emma me olha e em seus olhos vejo que não há nenhuma graça, mas eu não penso em deixar de sair com os amigos pelo simples fato de ser a Senhora Swan agora. Me poupe! De jeito nenhum!
    Voltar para a rotina significa voltar a esclarecer tudo. Uma coisa tem sido todo o turbilhão com o casamento e a lua de mel, e outra muito diferente é o dia-a-dia. E apesar de amar minha esposa e ela me amar, eu sei que nós vamos divergir. E eu sei apenas com esta simples espiada.�

    No dia seguinte saímos para jantar com Helena, Maura e Jane no Jokers, o restaurante do pai de Helena. Laura, Graciela, Emma e eu, depois de cumprimentar o
simpático Klaus, fomos para a mesa que este indica. Pedimos cervejas e começamos a conversar.
    - Oh Deus, eu amo a cerveja dos leões.
    - A Löwenbräu? - Emma pergunta.
    Graciela concorda com a cabeça e, depois de tomar um gole, responde:
    - Há muitos anos, quando eu morava no Chile, tinha um vizinho cujo pai era alemão e levava esta cerveja daqui. É maravilhosa!
    Laura com um enorme sorriso ao vê-la tão feliz, pergunta:
    - Posso pedir outra?
    - Eu adoraria.
    Eu observo...
    Ambas se gostam, mas nenhuma dá o primeiro passo.
    Graciela tem dado, mas agora é Laura que tem que fazer a sua parte.
    Estou convencida de que ela a deseja, porém freia a sua intenção. Eu não entendo como pode ser tão besta. Ela sabe que Graciela conhece suas limitações e ainda assim ela a interessa. Honestamente, não entendo.
    Quando nos trazem uma nova rodada de cervejas, brindamos e o bom humor prevalece entre nós, como sempre. Neste momento, vejo que entra a linda da Helena
acompanhada de uma mulher.    Quem será?
    Ela não nos viu ainda, portanto posso admirar à vontade. A mulher, como era de se esperar, é estupenda. Alta, com salto alto, sexy, loira e bonita, muito bonita�.
    Quando seu pai avisa que estamos esperando, Helena se vira, nossos olhos se encontram e ela pisca para mim.
     É uma grande amiga!
    - Emma sua amiguinha chegou. – sussurro divertida.
    Minha loira, ao escutar-me, levanta da mesa e, quando essas duas titãs que eu gosto tanto se encontram, se dão um longo e afetuoso abraço. Elas se adoram.
Então, Helena me abraça e sussurra no meu ouvido:
    - Bem vinda ao lar Senhora Swan.
    Eu sorrio e observo como sua acompanhante me olha com gesto indelicado.
    Por sua atitude, percebe-se que não se sente muito feliz com esta cena. Helenacontinua sua rodada de saudações e, após comprimentar Laura, e de ser apresentado à Graciela, pergunta:
    - Maura e Jane não chegaram?
    - Estamos aqui! - De repente diz Maura.
    Ouvindo isto, dou um pulo e corro em direção a ela. Minha amiga vem dando pulinhos e, após um longo abraço, pergunta:
    - Como está tudo?
    Me afastando dela, respondo:
   - Maravilhoso. Até agora não nos matamos.
    Maura sorri e agora é Jane que me abraça e me encanta.  Elas são  tão carinhosas comigo, que não consigo parar de sorrir. Vejo que conhecem Graciela de quando viajaram para o México.
    Eu fico olhando para a loira que, com cara de nojo, nos observa de um lado da mesa e digo a Helena:
   - Quer,  por favor,  ser educada e apresentar a sua acompanhante�!
    Ela, que está animada com esta reunião, se aproxima da desconhecida e, puxando-a pela cintura, diz:
    - Bianca, te apresento minhas amigas. Emma e sua esposa Regina. Jane e sua
esposa Maura e Laura e sua namorada Graciela.
    Oops ... Oops ...o que ela disse.
    Sorrio sem poder me conter.
    E antes que Laura volte a esclarecer, Graciela olha para a  linda da Helena e diz:
    - Não somos namoradas. Eu sou apenas sua assistente pessoal.
    Helena ao ouvir isto, olha surpresa para a mexicana depois para a jovem, e em
seguida diz em espanhol, para que Bianca não entenda:
    - Então acho que você e eu vamos ter um encontro.
    Eu quase me quebro. Helena não perde a oportunidade e Graciela, com uma graça que me perturba, concorda.
    - Ficarei encantada.
    Essa chilena não é fácil.
    Não quero olhar para Laura!
    Não posso!
    Coitada!
    Mas ao final, como sou intrometida, zás! Eu olho e vejo como seu rostofica tenso, enquanto retira o olhar escuro do rosto. Els não diz nada e toma um gole de sua cerveja. 
    Oh, puft, me dá pena.
    Após as apresentações, todos nós sentamos e começamos a falar. Klaus, o pai de Helena, rapidamente enche a mesa de guloseimas deliciosas. Reviro os olhos,
enquanto explico à Graciela um pouco sobre tudo aquilo.
    Ufa... Que fome que eu tenho, por favor!�
    - Você sabe quem é esta? – Maura cochicha dissimulada.
    Olho para ela e vejo que aponta para a acompanhante de Helena e pergunto:
    - Quem?
    - Essa garota trabalha no canal de notícias da CNN aqui na Alemanha. É apresentadora de televisão.
    - Não brinca! - sussurro, olhando-a com curiosidade.
    Graciela, que é boa de garfo como eu, rapidamente avança e, depois de comer uma deliciosa almôndega, olha para mim e diz, com sua voz doce:
    - Que delíciaaaaaa!
    Concordo. Estas almôndegas de carne moída estão de matar.
    Determinada que continue descobrindo coisas, pego dois pães quentes e lhe dou um.
    - Prove este bagel salgado mergulhado neste molho e saboreie.
    - Os pães quentes daqui são espetaculares. - Comenta Maura, que pega outro.
    Você vai ver.
    Nós três molhamos o bagel e mastigamos, nossos exagerados gestos dizem tudo. Delicioso!
   As demais nos olham e sorriem. Pedimos mais cerveja. Comer dá sede.
    Enquanto Emma, Jane, Laura e Helena falam, nós usamos bem nossos paladares, até que, de repente, o olhar de Bianca chama minha atenção e pergunto:
   - Você não come?
    Ela balança a cabeça, franzindo o nariz, e responde:
    - Muita gordura para mim.
    - Ótimo, bom que sobra mais! - Responde Graciela em espanhol e eu seguro minha
risada.�
    Eu acho que a cerveja está começando a afetá-la.
    Maura que está ao nosso lado, diz:
    - Mulher, mas algo tem que comer.
    Bianca, com um gesto que me lembra não sei quem, olha e responde:
    - Eu pedi uma salada de batatas e queijo.
    - Só vai comer isso?
    A loira alemã concorda, e levantando o queixo, acrescenta:
    - Tudo o que você come leva um segundo em sua boca e seis meses sobre os quadris. Eu devo isso ao meu público, que quer me ver sempre bonita e magra.
    Ela está certa.
    Mas escute, o segundo da boca é a bomba! E quanto ao segundo que disse prefiro não comentar. Isso é bobagem, bobagem, bobagem...
    Por vários minutos, comemos e comemos e, de repente, eu paro. Já sei quem me lembra a cara de Bianca!
    É igualzinha a um poodle chamado Fosqui que Pachuca teve quando eu era criança. Dou uma risada. Não posso segurar, e Emma vem, me beija no pescoço e
pergunta:
    - Qual o motivo de tanta risada?
    Não posso dizer a verdade e respondo:
    - É Graciela. Você viu como ela está feliz?
    Emma olha, concorda e murmura:
    - Eu acho que você não deve beber mais Löwenbräu.
    Ambas concordamos e, aproximando-me dela, dou um beijo na ponta do nariz.
    - Eu te amo Senhora Swan.
    Emma sorri e, depois de colocar uma mecha de cabelo atrás da orelha, diz:
    - Você sabe?
    - O quê?
    - Há muito tempo que não discutimos e que não me chama de alguma coisa.
    Ao escutá-la solto uma gargalhada e, ao perceber o que quer dizer, tremo e
afirmo:
    - Isto eu só direi quando você merecer, e agora não merece. Portanto, não! Eu me recuso a lhe dar esse prazer.
    - Me deixa louca quando você me chama.
    - Eu sei, - sorrio divertida.
    Ela me faz cócegas na cintura e pede:
    - Vamos, diga-me.
    -Não.
    - Diga-me.
    - Não.., você não merece agora.
    Me beija, e feliz como uma boba, finalmente digo:
    - Babaca.
    Emma solta uma gargalhada. Nos beijamos. Deus ...como beija bem minha garotona
    - Esta salada não é o que eu pedi. - Diz uma voz estridente.
    Emma e eu voltamos para a realidade. Olhamos para Bianca, que com cara de
brava, protesta:
    - Eu pedi uma salada com queijo e...
    -Esta é uma salada de queijo e batatas, - corta Helena, olhando para ela.�
    A estrela da CNN olha o prato que tem a sua frente e, adotando uma expressão mais doce, responde:
    -Ah bem! ... Se você diz que sim, então eu acredito.
    - Se eu te digo?
    Aproximando-se a Helena, que a olha um pouco atordoada, a loira murmura:
    - Sim. Se você me diz.
    Maura e eu nos olhamos e acho que pensamos o mesmo.    É estúpida..., mas exageradamente estúpida. Que pouca personalidade. O que Helena viu nela?
    Bem, tudo bem, eu sei que é uma bonitona, e conhecendo os gostos de minhaamiga, a garota deve ser, no mínimo, uma fera na cama.
    Todas seguimos comendo e a conversa gradualmente se normaliza. Maura, sendo alemã como Bianca, tenta incluí-la na conversa, mas esta não está para
conversa e se recusa.
    Após as sobremesas e risadas, Graciela pede a garçonete:
    - Me traga dez Löwenbräu para levar.
    Todos nós rimos, mas Laura diz a ela.
    - Nem pense... Nem pense.
    Graciela ao ouvir olha para ela e, apoiando o cotovelo na mesa e o queixo com
a mão, pergunta:
    - Por quê? Por que você acha que eu não deveria levar nenhuma cervejinha?
    A mexicana, com um sorriso carinhoso, responde:
    - Você vai ficar mal, acredite.�
    Graciela solta uma gargalhada. Faz algum tempo, que percebo que sua timidez está ausente e, antes que eu consiga parar, ela se aproxima de Laura e diz:
    - Mal eu estou de ver que não você quer nada comigo, quando seria muito legal se nós jogássemos juntas em seu quarto do prazer.
     Uauuuuuu, Graciela se soltou!
     Chile 10. México 0.
    - O que você disse? - Pergunta Laura, totalmente deslocada.
    - Eu sei que você gosta de mim, e Regina também já percebeu.
    Não disfarce, sua sujeita.
    Tome isso!
    Maura olha para mim. Eu olho para ela.
    Emma olha para mim. Eu olho para ela.
    Helena olha para mim. Eu olho para ela.
    Todo mundo me olha, e quando Laura me olha, digo:
    - Vamos ver, Graciela se refere a...
    Porém não posso continuar.
    Graciela lhe puxa o queixo e, diante de todos, dá uma beijoca de torcer parafuso e deixar as pernas tortas, deixando todas na mesa boquiabertas.
   Outra como a minha irmã.    Foda-se as solitárias!
    Quando termina, sorri e a poucos centímetros do rosto da mexicana, explica:
    - Me refiro a isso, querida linda. Eu quero parar de jogar com outros para fazer com você.
    Meu Deus.
    Eu não sei o que fazer.
    Estou bloqueada. Graciela não para de piscar na direção de Laura e ela, olhando para mim, pergunta:�
    - O que ela quer dizer com jogar?
     Eu levanto as sobrancelhas e Laura, alucinada, me entende. Ela olha espantada para Graciela e diz:
    - Mas pelo amor de Deus, com quem você joga?
    - Com os meus amigos.
    - Como? - Ela grita, alto demais.
    Graciela, com muitas cervejas no corpo, responde:
    - Já que você não quer fazer comigo, eu busco na rua.
    Ninguém se mexe.
    Ninguém sabe o que fazer até que Emma, assumindo o comando da situação, diz levantando-se:
    - É tarde, eu acho que é melhor voltarmos para casa.
    Todas nós nos levantamos. Eu me aproximo de Graciela, ao ver que Laura é a primeira a mover sua cadeira de rodas, e pergunto em voz baixa:
    - O que você está fazendo louca?
    Ela encolhe os ombros e responde:
    - Dizendo a verdade de uma vez por todas. Eu acho que as cervejas meajudaram.
    - Eu digo a você, sim te ajudou. Anda, vamos para casa, - sussurro.
    Uma vez que saímos do restaurante, enquanto Laura se acomoda no carro e Emma dobra a cadeira de rodas, Maura e Jane vão embora. Bianca, muito diva, sem despedir-se entra no carro esportivo de Helena. Que mulher mais antipática.
    Helena, que espera até Emma terminar, olha para mim e sorri, sabendo que Laura nos escuta.  Como diz meu pai, essa sabe mais do que os ratos coloridos, e quando
se despede de Graciela sussurra:�
    - Foi um prazer, e o jantar está de pé. Amanhã nos falamos.
    Canalha, sem-vergonha!
    Sem necessidade de pedir colaboração, já está ajudando a estimular Laura.
   Sem mais, dá um beijo em mim e em Graciela e segue para o seu carro.
    Nós duas entramos no carro e, em silêncio, nós quatro chegamos a nossa casa.
    Uma vez lá, Laura, irritada, vai até o seu quarto no piso térreo, enquanto Graciela vai para o seu, Emma olha para mim e, divertida, pergunta:
    - Por que está tão travessa menina?
    - Eu?
    - Sim... Você.
    - Por que você diz isso?
    Se aproximando de mim, insiste:
    - O que é isso de que Graciela joga e de que você sabe que Laura gosta
dessa mulher?
    Divertindo-me ao ver como ela me olha, eu respondo:
    - Ponto um: ela confessou para mim sem eu dizer nada.
    - Que confiança! - Murmura beijando meu pescoço.
    - E ponto dois: é óbvio! Basta olhar para Laura quando alguém se aproxima de Graciela, para perceber que se importa e que se incomoda que alguém se fixe nela.
    Emma sorri, me toma em seus braços e depois de me dar um caloroso beijo, murmura a poucos centímetros da minha boca.
    - O que você acha se jogarmos um pouco, você e eu, e deixarmos os pontos?
    Apertando-me contra a parede, eu devolvo o beijo e respondo:�
    - Oras, achei que não fosse perguntar nunca, senhora Swan!

    Dois dias depois, minha cunhada Marta telefona, combinamos de sair esta noite para a farra com ela.
    Uau, isto me agrada muito!
    Inicialmente, iríamos Graciela e eu, mas ao final, Emma e Laura se animam. Elas não nos deixam ir sozinhas e, quando chegamos à porta do Guantanamera, observo o rosto de minha esposa e sei que não é uma boa idéia estar ali.
    Quando entramos, eu vejo que Anita, Marta com Arthur e alguns amigos já estão dançando na pista.   Eu sorrio. Olha como minha cunhada alemã dança esta
música! Emma a observa. Nunca a tinha visto dançar assim, e surpresa ao ver como ela se mexe, pergunta:
    - Porque minha irmã faz essas caras?
    Divertida, a olho no momento em que Marta nos vê, e soltando uma
gargalhada vem correndo em nossa direção com o seu namorado atrás.
    Cumprimentamos-nos.
    De repente, eu olho para uma mulher que dança na pista com Anita. De onde saiu esse pedaço de bombom? Marta ao ver a direção do meu olhar, sussurra:
    - Impressionante, não é?
    Atordoada, eu concordo. Trata-se de uma morena incrivelmente sexy.
    - Nós a batizamos de la petite mort perfeita. Se chama Paola. - Sussurra Marta.
    - Quem é?
   - Uma amiga de Santiago.
    - É cubana?
    - Não, argentina e é muito boa, não é?�
    - Já te digo.
    Concordo. Negar isso seria uma das maiores mentiras do mundo.
    Paralisadas, estamos observando como Anita dança salsa com a argentina, quando de repente Emma diz ao meu lado:
    - Sua bebida, Regina.
    Ao pegar o que ela me oferece, vejo em seus olhos que ouviu nossa conversa e que está irritada.
    Oh, minha menina é uma ciumenta.
    Eu sorrio. Ela não sorri.
    Eu me aproximo dela, dou lhe um beijo, e murmuro:
    - Eu só gosto de você.
    - E Paola. - Ela zomba.
    Finalmente, depois de dar beijinhos forçados, consigo que sorria e me beije.
    Durante o tempo que o grupo conversa, percebo como Laura e Emma se comunicamcom seus olhos quando passa uma mulher que elas acham atraente. Eu sorrio. Não posso ficar zangada. Eu também tenho olhos em meu rosto.
    Emma paga uma rodada de mojitos quando começa uma música e quase todos
gritamos:
    - Cuba!
    Surpresa, Emma me olha. Eu começo a mexer lenta e pausadamente ao som da
música e vejo como minha mulher me filma com seu olhar esverdeado. O vestido curtoque uso lhe agrada, compramos na nossa lua de mel e, seduzindo-a digo:
   - Vem. Vamos dançar na pista.
    Emma levanta as sobrancelhas e nega com a cabeça.
    Falta apenas dizer: "Nem a pau!"
    Estamos de volta à Alemanha e a naturalidade de seus atos em nossa lua de mel parece ter desaparecido. Sinto muito. Eu gostava muito da Emma desinibida.
Observa-me com o rosto sério e vendo que eu não paro de me mexer, diz:
    - Vá você para a pista.
    Desejando dançar e cantar a canção do grupo Orishas que toca, vou para a
pista com meus amigos e danço com eles. Nossos movimentos são lentos e sensuais. A música vem em nossos corpos e cantamos.

    Represent, represent,
    Cuba orishas underground de la Habana.
    Represent, represent,
    Cuba, hey mi música.

    A pista se enche.
    Nós todos dançamos ao som da música, enquanto cantamos em voz alta,observo que Emma não tira o olho de mim. Está me vigiando. Não está confortável.
    Meu amigo Santiago chega. Ele vê Emma e corre para cumprimentá-la. Ambos sorriem. Minha loira lhe apresenta a Laura e Graciela e aponta onde estou.
Santiago, com seu grande sorriso cubano corre para a pista e agarrando minhacintura, começa a dançar esta canção quentíssima.

    Represent, represent,
    Cuba orishas underground de la Habana.

    Eu olho para Emma e percebo que essa dancinha que estamos fazendo não a está agradando. Rapidamente me solto e toda a pista começa a pular enquanto cantamos.

    Aprenderás que en la rumba está la esencia.
    Que mi guaguancó es sabroso y tiene buena mezcla.
    A mi vieja y linda Habana un sentimiento de mañana.
    Todo eso representas,
    ¡Cuba-a-a!�

    O local inteiro canta e dança, quando termina o DJ troca de ritmo e eu voltopara minha esposa. Com sede pego o mojito e dou um gole considerável.
    - Você não dança querida?
    Emma me olha... me olha e me olha e ao ver como estou suada pergunta, retirando o cabelo do meu rosto:
    - Desde quando eu gosto de dançar?
    Sua resposta é uma afronta, mas como eu não quero discutir nem lembrá-laque em nossa lua de mel dançou tudo o que quis e mais um pouco, eu dou um passo para o alto e agarrando seu pescoço, murmuro:
    - Bem, pois então me beije. Pois disto você gosta, né?
    Sorri finalmente!
    Ela me beija e desfrutamos de nosso beijo, mas de repente Marta me puxa, me leva para a pista e começo a dançar Bemba Colorá. O rosto de Emma novamente
escurece. Está claro que não está gostando nada do Guantanamera.
    Graciela nos olha e faço um sinal para que se junte a nós.  Não pensa duas vezes e vempara a pista conosco, enquanto sacode os quadris. Laura e Emma se olham e bufam.
    Vão pastar as duas!
    Rapidamente nos unimos a Santiago, Anita, Arthur, alguns amigos cubanos e a
Dona la petit mort perfeita.
    Pelo amor de Deus. De perto, a argentina é ainda melhor.
    Como não é a primeira vez que venho nesse local, já sei como se dança.
    Fazemos uma roda e no meio, par a par, demonstramos nossa graça na dança quente e deliciosa. Eu e Marta nos movemos como duas loucas enquanto gritamos "Açúcar".
    Quando a música termina, volto para Emma. Estou de novo com sede, e ela, com um olhar desconfortável, me olha e pergunta:�
    - Será assim a noite toda?
    Observo que Laura diz algo a Graciela e que ela revira os olhos. Eu volto a olhar para a minha menina não latina e pergunto, depois de beber um enoooooooorme gole de meu rico mojito:
    - Não gosta do Vacilón?
    Essa palavra ela não entende, e vendo seu rosto, insisto:
    - Não gosta da festa e das boas vibrações que têm aqui?
    Emma, ou melhor, Icewoman, olha em volta e, com sua sinceridade avassaladora,
responde:
    - Não. Não me agrada em nada. Mas a você sim, certo?
    Depois de terminar o meu mojito, eu olho e, apesar de saber que ela se incomoda, respondo:
    - Você já sabe, meu amor.
    Suas narinas se inflam.
    Uauuuu, excitante!
    Logo, aproximando-me dela, murmuro:
    - Me coloque como uma Ducati, como quando você está tão depravada.
    Colo meu corpo ao dela. Mesmo com saltos alcanço o seu nariz. Emma não se move. Só me olha, e eu começo a mover meu corpo lentamente ao ritmo da música.
    Ela está excitada e beijando-a, pergunto:
    - Você quer que a gente vá para casa?
    Concorda sem hesitar e eu sorrio.
    Quando chegamos, são duas e quinze da madrugada, nos despedimos de Laura e Graciela, e quando entramos em nosso quarto, Emma continua emburrada.
    Eu estou um pouco alterada por causa mojitos e, aproximando-me, digo:
    - Escute querida...
    Porém não consigo dizer mais nada.
    Icewoman me pega em seus braços e, com uma paixão que me deixa sem fôlego, me beija e me devora. Me empurra contra a parede, sobe meu vestido embolando-o em minha cintura e diz perto da minha boca, enquanto rasga minha calcinha.
    - Eu não gosto que dance com outros.
    Seus dedos entram em mim, me penetrando com tanta força que me faz suspirar.
    - Não quero que você volte àquele lugar, entendido?
    Sua paixão me enlouquece, mas não sou boba. Me agarro com força em volta de seu pescoç, olhando-a, respondo sem perder a serenidade:
    - Meus amigos vão para lá, onde está o problema?
    O rosto de Emma torna-se novamente sombrio. Com a mão livre, agarra meu quadril, me aperta contra ela novamente e eu grito. A força com que me fode me deixa louca, me reverbera, e
sussurra:
    - Eu não gosto daquele lugar.
    Eu beijo-a, e quando separo meus lábios dos seus, respondo:
    - Eu gosto. Eu me divirto e não faço mal a ninguém.
    - Faz mal a mim. – Fala entre dentes, me penetrando novamente.
    Sinto falta de ar. Porém eu gosto do nosso jogo quente e, querendo mais,
sussurro:
    - Não, querida. Eu nunca faria mal a você.
    Após uma nova penetração,   Emma suspira e murmura:
    - Havia muitas pessoas te observando.
    - Porém sou só sua.�
    Sua boca volta a tomar a minha. Sua mão desce até a minha bunda. Eume seguro nela como posso enquanto me penetra uma e outra vez. Não descansa. Ela está
furiosa e sua fúria me encanta.  Me abro. Me deleito neste momento tão depravado.
Tão passional até que meu corpo não pode mais e, apertando-me contra ela, um prazer intenso e viciante sai de mim.
    Emma, ao perceber, aumenta suas estocadas mais e mais e mais. Ela funde seus dedosem mim sem descanso, até que um gemido abafado me faz saber que ela chegou ao limite.
    Sem soltar-nos, continuamos contra a parede. Nós amamos este tipo de sexo.
    Nossas respirações estão agitadas e, olhando-a, digo:
    - Diga, o Guantanamera excitou você.
    Ela me olha e ao ver meu sorriso, finalmente sorri também e diz, abraçando￾me:
    - Você me excita Regina... só você.
    Não volta a me proibir de nada. Sabe que não deve. Embora já tenha deixado claro o que pensa do Guantanamera.
    Naquela noite, depois de fazermos amor novamente como duas selvagens sob o chuveiro, dormimos abraçadas e muito... muito apaixonadas.