Burlesque
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Jazz. Essa é uma das minhas preferidas
http://m.fanfiction.com.br/historia/559832/Jazz/ <3
Afrodite. Essa é outra de uma das minhas preferidas <3
http://m.fanfiction.com.br/historia/599230/Afrodite/
É para ler, hein. Rum u.u
Segundo capítulo de Afterburn haha espero que gostem :)
Boa leitura!
Boa leitura!
Um ano depois....
— Estou muito pilhada, — exclamou Cristina, os pés batendo no chão sob a mesa de jantar. — Não me canso disso.
Abri um sorriso, pois, ao longo dos meses em que trabalhamos juntas, aprendi a me sentir da mesma maneira. Experimentáramos diversos momentos de êxtase, mas aquele dia — uma tarde de fim de setembro de céu limpo — era especial. Depois de meses de bajulação e convencimento, estávamos perto de fechar negócio com duas das maiores estrelas de Owen Hunt. Seria uma bela revanche pelo que ele tinha feito a Cristina algum tempo antes , além de ser excelente para nóis.
Cristina tinha se produzido para a ocasião, e eu não ficava atrás. Usava um vestido transpassado Diane von Fürstenberg vintage vermelho, cor que era sua marca registrada. Com botas pretas, ela transmitia um ar destemido e sensual. Eu estreei um conjunto de blusa dourada e calça cigarette da coleção de outono de Donna Karan. O conjunto ficava chique e refletia meu novo eu, uma Regina que havia evoluído muito desde o ano anterior.
Impaciente para fechar o negócio, voltei-me para a entrada do bar do hotel e senti uma onda de adrenalina quando os gêmeos Williams apareceram, como se estivessem esperando meu olhar. Irmão e irmã causavam impressão forte, com seus cabelos castanhos-avermelhados e olhos verdes. Formavam uma grande equipe na cozinha, tendo se estabelecido no mercado com comida caseira do sul dos Estados Unidos, mas modernizada e gourmet. Eles vendiam livros e lindas latinhas de temperos. Eles pareciam ter tudo, mas a realidade era outra: por trás das câmeras, os dois se detestavam.
Esse foi o erro fatal de Hunt ao lidar com a dupla dinâmica. Ele ordenou que engolissem suas diferenças e fizessem o negócio funcionar, porque estavam faturando milhões com a história de sucesso familiar.
Cristina oferecera então o que eles realmente desejavam: a chance de se separar e brilhar por contra própria, capitalizando em cima da rivalidade, como se fosse uma brincadeira. O plano dela era criar uma rede de restaurantes que competissem entre si, dentro dos cassinos e resorts Mondego, mundialmente famosos.
— Chad, Stacy, — Cristina cumprimentou de pé ao mesmo tempo que eu. — Vocês estão ótimos.
Chad se aproximou e me deu um beijo antes mesmo de responder a Cristina.
Ele vinha flertando comigo havia algum tempo, e isso se tornara parte das negociações.
Em determinados momentos eu ficava tentada a fazer mais do que flertar, mas a possibilidade de irritar a irmã me continha. Chad não era nenhum santo e sua ambição não tinha limites. stacy, no entanto, era a que dava mais trabalho, e parecia ter mais ódio de mim do que o irmão.
Apesar de todas as minhas tentativas iniciais, decidiu que não gostava de mim, o que dificultava o processo.
Eu suspeitava que ela estivesse dormindo com Owen Hunt — ou que tivesse pelo menos uma vez — e de alguma forma andva defendendo os interesses dele. Imaginei que era por isso que não gostava muito de Cristina, mas talves ela fosse só uma daquelas mulheres que detestavam todas as outras.
— Espero que os quartos sejam confortáveis, — eu disse, sabendo que não havia dúvidas de que eram. O Four Seasons não era um hotel cinco estrelas por acaso.
Stacy deu de ombros, o cabelo lustroso deslizando sobre a clavícula.
Possuia um rosto lindo e angelical, pálido e olvilhado de sardas. Era desconcertante como alguém de aparência tão doce e inocente, com um sotaque sulista tão açucarado, fosse uma megera tão descontrolada.
— São o.k.
Chad revirou os olhos e puxou a cadeira para mim.
— São ótimos, dormi como uma podra.
— Eu não, — chiou a irmã, ocupando graciosamente seu assento. — Owen ficou me ligando o tempo todo. Está suspeitando de alguma coisa.
— Claro que ele suspeita, — concordou Cristina — Owen é um homem esperto. O que me deixa ainda surpresa que não tenha trabalhado mais para manter vocês contentes. Ele sabe o que faz.
Stacy fes um beicinho. Chad me lançou uma piscadela. Em geral, eu não gostava que piscassem para mim, mas com ele funcionava. Era parte de seu encanto de menino do interior, embora ele fosse muito sexy. Havia algo a seu respeito que sugeria que talvez soubesse uasr uma espátula para disciplinar garotas malvadas tão bem quanto na cozinha.
— Owen fez tanto por nós, — protestou Stacy — Eu me sinto como se estivesse sendo desleal.
— Mas não deveria. você ainda não assinou nada, — respondi. Tinha aprendido que psicologia reversa era a melhor arma contra a natureza opositiva de Stacy. — Se você sente que ser parte dos gêmeos Williams é melhor do que Stacy Williams, deve seguir seu instinto. Foi o que trouxe vocês até aqui.
De canto de olho, vi Cristina contendo um sorriso. Saber que ela ficara satisfeita me fazia vibrar por dentro. Fora ela quem me encinara tudo o que eu sabia sobre usar o ego alheio em meu favor.
— Não seja burra, Stacy, — resmungou chad. —Você sabe que é uma oportunidade que temos de outo para a gente.
— Isso é verdade, mas talvez não seja a única oportunidade, — rebateu ela. — Owen diz que temos que dar uma chance a ele.
— Você contou para ele? —Perguntou o irmão, impaciente e com uma cara feia.— Puta merda, a decisão não é só sua, sabia? A minha carreira também esta em jogo!
Lancei um olhar preocupado para Cristina, mas ela simplesmente balançou a cabeça negativamente, de modo quese imperceptível. Não dava para acreditar que podia se manter tão calma e controlada, considerando que era a oportunidade perfeita de se vingar de seu rival.
Os restaurantes de Hollywood que Owen havia roubado dela foram à falencia quando deixaram de ser novidade para as celebridades investidoras, qua saíram à procura de outras saídas para seus impostos, que não necessitassem tanto de sua presença física. Além disso, dois dos chefs mais importantes tinham voltado para o país de origem, deixando um peso enorme sobre os jovens ombros dos irmãos Williams.
— O acordo com Mondego, como vocês sabem, é exclusivamente da Savor, — Afirmou Cristina. — O que Owen Propôs?
O que tinha dado errado? Olhei de um irmão para o outro, depois para minha chefe. Os contratos estavam na minha bolsa, debaixo da mesa.
Estávamos na reta final e, de uma hora para outra, nosso cavalo reduzia o passo.
Senti um arrepio de reconhecimento, mas imaginei que fosse apenas um pressentimento ruim, como um aviso de que o negócio tinha afundado muito antes daquela reunião.
Então eu a vi.
Tudo dento de mim parou, como se eu pudesse me tornar invisível a um predador caso não me movesse. Ela entrou no bar com um passo provocante que me fez fechar as mão em punho debaixo da mesa. Aquele caminhar, relaxado, suave e confiante. Ainda assim, de alguma maneira ela transmitia ao cérebro feminino que havia um poder intenso, do alto da cabeça à ponta de seus pés. Enquanto vinha em nossa direção falava e gesticulava com as mãos, das quais ela sabia bem demais como usá-las.
Meu Deus, e como sabia.
Usando uma blusa cinza de gola alta e calça social de um tom mais escuro, aparentava ser uma executiva bem-sucedida tirando um dia de folga, mas eu sabia que não era isso. Emma Swan jamais se dava um dia de folga. Ela trabalhava duro, jogava duro e fodia duro.
Estendi a mão trêmula para pegar um copo de água, rezando para que ela não me reconhecesse como a menina que se apaixonara perdidamente por ela. Eu não parecia mais a mesma. Não era mais a mesma.
Emma também estava diferente. O cabelo estava maior. Mais magra. Mais séria, Marcadas pela nitidez das linhas do queixo e das maçãs do rosto, suas feições pareciam mais impressionantes. A visão dela me fez tomar um fôlego profundo e trêmulo, reagindo à sua presença como se tivesse sofrido um golpe físico.
Nem percebi que Owen Hunt caminhava ao seu lado, até que eles pararam junto à nossa mesa.
— Será que Emma Swan é parente da senadora Swan?, — perguntou Cristina placidamente, ao nos acomodarmos no banco traseiro de seu sedan. — Ou de qualquer um dos Swans, aliás?
O motorista saiu como o carro, e eu mexi no tablet só para ter uma desculpa para evitar contato visual. Temia revelar demais, temia que os olhos perspicazes de Cristina notassem o quanto eu estava abalada.
— Ela é, —respondi, com os olhos fixos na tela do tablet e no rosto maravilhoso que achava que nunca tornaria ver — ou melhor, que eu torcera para nunca mais ver. — Emma e a senadora são irmãs.
— O que Owen está fazendo com um Swan?
Eu tinha me perguntado a mesma coisa quendo vi o negócio pelo qual havia trabalhdo tanto desmoronar na minha frente — tínhamos chegado com contratos e canetas em punho e saímos com as mãos abanando.
Infelizmente, perdi o fio da meada da conversa no memento em que Emma deu um beijo no rosto de stacy. O sangue latejando em meus ouvidos abafou todo o resto.
As unhas vermelhas de Cristina tamborilavam em silêncio no apoio de mão acolchoado do carro. Manhattan se expandia à nossa volta, as ruas formigando de carros, e as calçadas, de gente. O vapor se erguia sinuosamente do metrô abaixo de nós, e as sombras nos cobriam, a luz do sol se escondia pelos arranha-céus.
— Não sei, — respondi, um tanto intimidada pela energia irradiada por aquela mulher, uma tigresa à procura da presa. Será que Emma tinha noção do que estava fazendo ao se meter no caminho de Cristina? — Emma é a única da família Swan que não ocupa um cargo político em algum canto do país, ela gerencia a Swan Capital, uma firma de capital de risco.
— É casada? Tem filhos?
Odiava que eu soubesse a resposta sem ter que consultar a internet.
— É lésbica e não, não está casada e nem tem filhos. Está sempre com uma mulher diferente. Em público, prefere as loiras de famílias importantes, mas jamais deixa passar a oportunidade de dar uns amassos em alguém mais...chamativo.
Não me esquecia de como a mulher do primo de Emma, Allison Kelsey, uma vez me descrevera. "Você chama atenção, Regina. Homens e mulheres como minha prima, gostam de comer mulheres assim. Eles ficam imaginando que estão com uma atriz pornô. Mas é isso que os espanta depois. Aproveite enquanto pode."
A voz melodiosa e as palavras cruéis de Allison ecoavam em minha mente, relembrando-me da razão pela qual cortei meus longos e escuros cabelos e deixei de usar unhas postiças que faziam eu me sentir mais sensual. Não era culpa minha a genética ter me presenteado com uma bunda generosa e seios fartos, mas passei a buscar um perfil mais discreto e ser menos chamativa.
Cristina virou para mim seu olhar aguçado.
—Você concluiu tudo isso com cinco minutos de internet?
— Não.— suspirei. —Concluí tudo isso de cinco semanas na cama dela.
— Ah. — um brilho de interesse tomou conta de seus olhos escuros. — Então é ela. Agora está ficando interessante.
Estava preparada para ouvir Cristina me dizer que o conflito de interesses seria um problema. Fazia um enorme esforço mental para achar um jeito de diminuir a importância do fato.
— Não foi nada sério. — afirmei enquanto subíamos no elevador. "Pelo menos não para ela..." — Foi mais um lance de uma noite só que se esticou. Acho que ela nem me reconheceu.
E isso doera. Emma nem olhara para mim.
— Você não é uma mulher que alguém esquece, Regina. — ela parou, pensativa. — Acho que podemos dar um jeito na situação, mas se for pessoal demais para você, precisamos conversar sobre isso agora. Não quero te deixar desconfortável. Também não quero colocar meu negócio em risco.
Meu primeiro instinto foi mentir. Queria que Emma significasse tão pouco para mim quanto eu para ela. Entretanto, respeitava Cristina e gostava do meu emprego demais para ser falsa naquele momento.
— Não posso dizer que sou indifrerente a ela.
Cristina fez que sim com a cabeça
— Deu para notar. Ainda bem que está sendo honesta comigo a respeito. Vamos manter você no negócio por enquanto. Pode destabilizar Swan, e precisamos disso. E você é minha porta de entrada com Chad Williams. Ele gosta de negociar com você.
Soltei um suspiro de alívio. Ela estava errada sobre Emma, mas eu não ia estragar tudo ressaltando isso.
— Obrigada!
Saímos do elevador e esperamos pelo zumbido das potas de vidro. A recepcionista, LaConnie, ergueu as sobrancelhas ao me ver, notando nossa agitação. Deveríamos retornar triunfantes, e não frustradas.
— Alguma ideia de por que Swan de repente teria interesse na indústria de restaurantes?, — Cristina perguntou enquanto nos dirigíamos para sua sala.
— Se eu tivesse que dar um chute, diria que alguém da família devia um favor a Hunt.
Era assim que os Swan operavam. Trabalhavam juntos como uma equipe bem entrosada e, apesar de Emma não ser da política, sabia desempehar seu papel.
Cristina foi direto para a mesa e se sentou.
— Precisammos descobrir em que moeda ele está recebendo.
Notei o tom sutil de irritação em sua voz e o compriendi. Havia anos que Owen Hunt a vinha sabotando de incontáveis maneiras, mas Cristina esperava sua hora — um exército de paciência que a tinha tornado uma executiva melhor. Minha chefe estava determinada a provar que havia aprendido bem sua última lição sobre traição, e eu estava determinada a ajudá-la nisso.
— Certo.
Eu entedia um pouco o que Cristina estava passando. Ainda tinha raiva de mim mesma por ter ido para a a cama com Emma. Sabia quem era, conhecia sua reputação, mas ainda assim pensei que era sofisticada o suficiente para ela.
Pior, iludi-me a ponto de achar que Emma se importava. Ela morava em Washington, eu, em Las Vegas. durante cinco semanas, Emma pegava um avião para me ver todo fim de semana e um outro dia da semana. Eu me dizia que uma mulher tão bonita e sensual como ela não teria todo esse trabalho e destresa só para comer alguém.
O que eu não tinha levado em conta era como Emma era rica. O suficiente para achar divertido atravessar o país de avião só para pegar alguém e cautelosa o bastante para manter sua amante proibida bem longe dos olhos do público e da família.
O telefone da minha mesa começa a tocar e corri da sala de Cristina para atendê-lo. Eu trabalhava perto da porta do escritório dela, o que fazia de mim a última barreira que qualquer um visitante enfrentaria antes de uma reunião com Cristina.
— Regina — a voz de LaConnie chegou cortada e breve. — Emma Swan está na portaria, querendo falar com Cristina.
Odiava o jeito como meu coração pulava ao escutar aquele nome.
— Ela está aqui?
— Foi o que eu acabei de dizer, — caçoou ela.
— Mande subir. Eu a acompanho até a sala de reuniões.— coloquei o fone no gancho e voltei á sala de Cristina. — Swan está subindo.
Suas sobrancelhas se ergueram. —Está com Owen?
— LaConne não falou.
— Interessante. — ela olhou para o relógio de pulso incrustado de diamante. — São quase cinco da tarde. Você pode ficar para a reunião com Swan ou pode ir para casa, você é quem sabe.
Sabia que devia ficar. Já tinha a sensação de que tinha dado mancada no Four Seasons. A aparição de Emma me chocara demais para lidar com a situação com os gêmeos Willimas. infelizmente, eu não estava em melhores condições agora.
— Em vez de ficar por aqui, talvez eu devesse aproveitar para falar com chad, — sugeri. — Tentar sacar o que ele acha disso tudo. Sei que queríamos levar os dois de uma vez, mas mesmo que condigamos só um gêmeo , já vai ser um golpe e tanto em Hunt.
— Boa ideia. — ela sorriu. — Vai fazer bem a Swan me conhecer um pouco melhor, não acha? É melhor deixar bem claro que não sou uma cretina, caso Owen a tenha convencido do contrário.
Quase sorri ao imaginar Emma e Cristina batendo de frente. Ela Estava acostumada com mulheres caindo ao seus pés, tanto por sua aparência devastadora quanto pelo sobrenome que era a coisa mais próxima de realeza que os Estados Unidos tinham para oferecer.
— Vou fazer um pesquisa depois de conversar com Chad e ver se descubro a conexão entre Hunt e a família Swan — eu disse, retirando-me da sala de costas.
— Ótimo! — ela juntou as mãos com os dedos esticados e descansou o queixo sobre eles, avaliando-me. — Desculpe a intromissão, Regina, mas você se apaixonou por Emma?
— Achei que estávamos apaixonadas.
Cristina suspirou. — Quaria que essa fosse uma lição que nós, mulheres, não tívessemos que aprender da pior maneira.
Antes de rumar para a recepção, peguei a bolsa na minha mesa e a segurei como se fosse um talismã que me permitiria me afastar de Emma antes que ela percebesse quem eu era. O caminho até a saída pareceu demorar uma eternidade.
Era duro engolir o fato de que ela ainda me afetava tanto. Emma só estivera em minha vida por um período. Eu saíra com outras pessoas e achava que já a tinha superado.
Quando fiz a curva para passar pela recepção, vi que ela estava estudando um mostruário dos nossos livros de culinária mais vendidos e pedi o fôlego por um intante. Sua forma alta e poderosa era realçada à perfeição por um terno feminino feito sobmedida, uma marca de respeito por Cristina que eu tinha que reconhecer. Nunca a vira arrumada com tanta formalidade. Por incrível que pareça, tínhamos nos conhecido num bar. Eu havia saído com uns colegas , e ela estava numa despedida de solteira.
Eu deveria saber que não podia acabar bem.
Mas ela era incrível. O cabelo louro, lindo e brilhante que ia até a altura dos ombros. Os olhos verdes escuros implacáveis em sua intensidade, e sorriso angelical. Como eu podia ter pensado que eram meigos ecarinhosos? Aquela boca lasciva e sensual me cegara, assim como a covinha. Não havia nada de leve a respeito de Emma Swan. Ela era uma mulher dura e cínica, fruto de uma estirpe impiedosa.
Emma virou-se para mim, olhando-me de cima a baixo, devagar e intensamente, e meus dedos se fecharam de nervoso.
Todos sabiam que Emma era um connaisseur de mulheres. Eu disse a mim mesma que qualquer uma receberia aquela olhada, mas, no fundo, sabia que não era verdade. Meu corpo se lembrava dela. Lembrava-se do seu toque, do seu cheiro, da sensação de sua pele...
A julgar pelo modo como ela me fitava, as mesmas memórias faziam o sangue dela esquentar.
— Olá, sra. Swan, — cumprimentei formalmente, pois até então Emma não dera sinal de que soubesse quem eu era. Enunciei cada palavra com cuidado, numa voz contida que não era bem a minha. Em geral, já não tinha mais que me esforçar para esconder o sotaque do Brooklyn, mas ela fazia com que eu me esquecesse de mim mesma.
Emma fazia com que eu quisesse esquecer de tudo.
— A sra. Yang já está vindo, — prossegui, parando a poucos passos dela de próposito. —Vou acompanhar você até a sala de reuniões. Aceita água? Café? Chá?
Seu peito expandiu-se com uma inspiração profunda.
— Não, obrigado.
— Por aqui.
Passei por ela, conseguindo ainda lançar um sorriso forçado para LaConnie ao passar por sua mesa. Eu sentia o cheiro dela, aquele traço sútil de canela e especiarias. Sentia seus olhos em minhas costas, na minha bunda, nas minhas pernas. Fiquei extremamente consciente de meu caminhar, o que por sua vez me fez sentir desengonçada.
Emma não proferiu uma palavra sequer. Eu tinha medo de falar, a garganta seca demais para que eu soasse natural. Sentia um impulso terrível — quase desesperador— de tocá-la como um dia fizera. Era difícil acreditar que já tivera aquela mulher em minha cama. Que já a tivera dentro de mim. Como era possível que tivesse reunido coragem para encará-la?
Senti um alívio ao tocar a maçaneta abençoadamente fria da porta da sala de reuniões e abril-la.
O hálito de Emma soprou de leve em minha orelha.
— Até quando vai fingir que não me conhece, Regis?
Ao ouvi-la susurrar o apelido que apenas ela usava, fechei os olhos.
Empurrei a porta e dei um passo para dentro, ainda segurando a maçaneta para não deixar dúvidas de que não ficaria ali.
Emma chegou bem perto de mim, e ficamos cara a cara. Era um pouco mais que um palmo mais alta que eu mesmo que estivesse sem saltos — embora eu estando de salto. Suas mão estavam nos bolsos, sua cabeça estava inclinada a minha direção.
Invadindo meu espaço pessoal. Era íntimo demais. Familiar demais.
— Por favor, volte para o seu lugar,— falei baixinho.
Ela se moveu, mas não se afastou. Sua mão direita deixou o bolso e desceu ao longo do meu braço, do cotovelo ao pulso. Senti seu toque atráveis da seda da blusa, agradecendo às mangas compridas por esconderem meus pelos arrepiados.
— Você mudou tanto,— murmurou ela.
— Tanto que nem me reconheceu hoje mais cedo.
— Meu Deus. Você acha que eu não sabia que era você? — Emma virou as costas, mas isso não diminuiu seu impacto. A vista de trás era tão esplêndida quanto a da frente. — Você não é capaz de se esconder de mim, Regina. Reconheceria você até vendada.
Fiquei paralisada com o choque e a confusão por um instante. Havíamos passado de distantes e impessoais a perigosamente íntimas num piscar de olhos.
— O que está fazendo aqui, Emma?
Ela caminhou até as janelas e fitou a cidade lá fora. Não longe dali, o Central Park era uma mancha verde já pincelada com os vermelhos e laranjas do outono, uma explosão vibrante de cores numa selva de pedra.
— Vou oferecer a Cristina Yang o que for necessário para ela ir brincar no quintal de outra pessoa.
— Isso não vai funcionar. É pessoal.
— Negócios nunca deveriam ser pessoais.
Dei um passo para trás, em direção a porta à porta, ansiosa para escapar. A sala de reuniões era espaçosa e arejada, com janelas do piso até o teto de um lado e uma divisória de vidro do outro. As paredes eram de um azul leve, e havia um bar bem equipado à direita e um grande monitor à esquerda.
Ainda assim, Emma dominava o ambiente, dando-me a sensação de ser um bicho enjaulado.
— Nada é pessoal, certo?, — retruque, lembrando-me de como um dia ela simplesmente sumiu. E nunca mais apareceu.
— Já foram entre nós,— ela disse com sua voz grave e um pouco rouca.
" Um dia"
— Não, não foram. " Não para você"
Ela se virou de repente , e eu dei mais um passo cauteloso para trás, mesmo tendo quase a sala inteira entre nós.
— Então, nada de ressentimentos. Ótimo. Não há motivos para não recomeçarmos de onde paramos. Minha reunião com Yang não vai demorar nada. Quando terminar, podemos ir para meu hotel e botar o papo em dia.
— Vá se foder — devolvi.
Sua boca se curvou num sorriso, revelando aquela covinha deliciosa.
Aquilo a transformava, maquiava o perigo que representava com um toque de charme juvenil. Eu detestava e amava aquilo,
— Agora sim — comentou Emma, com uma nota inconfundível de triunfo na voz, — Estava quase achando que a Regina que eu tinha conhecido não existia mais.
— Não brinque comigo, Emma. Você está acima disso.
— Quero estar em cima de você.
Sabia que ia dizer aquilo, caso eu desse a deixa, mas precisava ouvir.
Tinha que escutá-la pronunciar aquelas palavras. Emma era muito direta quando se tratava de sexo, sensual e natural como um animal. Eu adorava aquilo, porque tratava o sexo da mesma maneira.
Eu era insaciável. Nada mais na vida me fazia sentir daquele jeito.
— Estou saindo com alguém, — menti.
Emma pareceu não titubear, mas , de algum jeito, fiquei com a impressão de que havia tocado em uma ferida.
— Aquele tal de Chad Williams?, — ela perguntou tranquila demais.
— Olá, sra Swan, — anunciou-se Cristina, inrrompendo na sala com seus sapatos jimmy Choo matadores. — Presumo que tem boas notícias.
— Talvez tenha.
Emma voltou sua atenção para Cristina tão completamente que me senti dispensada.
— Vou deixar vocês trabalharem, — disse, retirando-me. O olhar de Cristina cruzou o meu, e capitei a mensadem silenciosa. Teríamos que conversar em breve.
Não tornei a olhar para Emma, mas ainda assim recebi o mesmo recado dela.
Liguei para Chad Willians assim que passei pela catraca da portaria.
— Oi, — eu disse assim que escutei seu sotaque sulista arrastado — Sou eu.
— Estava esperando que você ligasse.
— Tem planos para o jantar?
— Hã...Posso não ter.
Sorri, um pouquinho culpada de ter tomado o lugar de quem quer que ia levar um bolo, mas era gostoso massagear um pouco meu ego. Reencontrar Emma acabara com minha autoconfiança.
Não podia esquecer como ela era. Atrevida, provocante, afetuosa. Se fechasse os olhos, ainda era capaz de senti-la chegando por trás, tirando meu cabelo do caminho e beijando meu pescoço com aquela boca gostosa.
Ainda podia ouvi-la gemendo meu nome quando estava dentro de mim. com se o prazer fosse demais para suportar.
— Alô? Regina?
— Oi, desculpa, — comecei a arrancar os granpos que prendiam meu cabelo liso num coque. —Conheço um restaurante italiano que é uma delícia. Aconchegante e informal. A comida é excelente.
— Fechado!
— Vou chamar um táxi. Te pego em uns quinze minutos. Combinado?
— Espero você.
Como prometido, chad estava na calçada quando o carro encostou.
Usava calça Jeans preta, botas e uma camisa Henley verde-clara do tom de seus olhos. Em se tratando de companhia para o jantar, era da melhor qualidade
Chad deu um passo em direção ao táxi mas quase foi atropelado por um motoboy e pulou para trás, xingando.
— Meu Deus, — resmungou, ao se ajeitar ao meu lado no assento. Em seguida, olhou para mim, enquanto o carro saía e se misturava ao trânsito da hora do rush. — Gostei do seu cabelo solto. Fica bem.
— Obrigada. — Tenho que confessar uma coisa...., — eu comecei.
— Espero que seja um belo pecado.
— Humm, não. É que vamos nos meus pais.
Ele pareceu surpreso. — Vai me apresentar ao seus pais?
— É isso aí. Eles têm um restaurante. Assim não precisamos ficar esperando por uma mesa, coisa que é difícil em uma quinta à noite, e podemos ficar o tempo que quisermos.
— Você tem planos comigo muito tempo, é? — brincou ele.
— Bem que eu gostaria. Acho que a gente ia funcionar muito bem juntos.
Chad fez que sim, retomando a seriedade.
— Stacy sabe que o que vocês estão oferecendo é extamente o que queremos, mas.. ela está tendo um caso com Owen e isso complica tudo.
— Imaginei — Owen Hunt era um cinquentão arrumado e diferente, de cabelos ruivo chamativos e olhos azuis penetrantes. Não era propriamente bonito, mas tinha um carisma e uma conta bancária que atraíam muitas mulheres.
Stacy tinha um desafio nas mãs: desde Cristina, ele não mantinha um relacionamento longo. — Qual é a proposta dele para vocês ficarem?
E onde entra Emma nessa história? Será que ao me ver ela tinha ao menos um pouco abalada?
— Owen diz que pode montar um negócio parecido com o de vocês ou até melhor, porque Cristina não tem o cacife necessário. E é por isso que ela está tentando roubar os chefs dele.
— Você sabe que isso é balela.
— É, eu sei. — ele sorriu — Você não trabalharia para Cristina se ela não fosse a melhor.
— E a rede de hotéis Mondego é cinco estrelas em todos os quesitos,— aproveitei para relembrar. — Eles não topariam trabalhar com alguém que não fosse top. É um oportunidade única, Chad. Não deixe Stacy tirar isso de você.
— Droga — ele apoiou a cabeça contra o encosto do carro, — Acho que não funcionamos separados. É por isso que essa ideia de vocês não vai dar certo.
— Vai dar certo. Mas você é capaz disso sozinho também.
Chad tornou a me olhar, buscando alguma dica.
— Abra o jogo, Regina. Você vai dizer qualquer coisa para fechar esse negócio, não vai?
Lembrei-me do que Emma dissera sobre nunca deixar os negócios se tornarem pessoais. Pra mim, era sempre pessoal. eu me importava.
— Tenho minhas razões,— admiti, e agora Emma era uma delas. Tinha me sacrificado demais para ela chegar com quem não queria nada, valeando-se de sua fortuna, e arruinar tudo. — Mas, não, não tenho porque enganar você. Cristina e eu não ganharíamos nada se você não tivesse sucesso. Não vou sumir assim que sua assinatura secar, prometo.
— E agora sempre vou poder achar você, através dos seus pais, — ele brincou, relaxando um pouco.
— Há mais de trinta anos no mesmo estabelecimento.
— Imagino que seja uma garantia tão boa quanto qualquer outra.
Tendo deduzido quem Chad era pelas descrições que eu havia feito dele, minha família não poupou esforços para recebê-la quando chegamos ao Mill's. Ocupamos uma mesa de canto e todos vieram se apresentar, dando a Chad uma dose de cavalar de hospitalidade Mills.
Coloquei-o na cadeira de frente para o salão se sentei do outro lado da mesa. Queria que ele sentisse a energia, que visse a cara dos clientes saboreando uma ótima refeição. Queria que recordasse por que desejava o que a Savor estava oferecendo.
Após um brinde, ele declarou:
— Você tinha razão! Esse lugar é ótimo.
— Jamais mentiria para você.
Chad soltou uma risada. Era um pouco desmetida, porémbastante livre, e gostei dela. Um tanto como ele próprio. Chad me atraía num nível confortável. Nada como a explosão de corpo e mente que sentira no segundo que botara os olhos em Emma. Ninguém havia gerado aquela reação senão ela.
— Boa jogada me trazer aqui, — disse Chad, correndo a ponta do dedo ao redor da borda da taça de vinho. Seuspeitava que fosse pediir uma cerveja, mas não. — Para demonstrar que tem o negócio no sangue. Não é só no sangue.
— Minha família acaba de a brir a primeira filial do Mill's em Upper Saddle River.
— Onde fica isso?
— Nova Jersey. Um lugar fino. Meu irmão Nico está encabeçando o negócio. Acabamos de completar três meses de funcionamento.
— Então porque você não coloca sua família na jogada com Mondego?
— Eles não querem. Gostam daqui..,— gesticulei para o restaurante com um movimento largo de mão, — Comunidade. Abrir franquias nunca foi o sonho deles.
Ele me estudou.
— Você faz soar como se seus sonhos fossem diferentes dos deles.
Reconstei-me na cadeira.
— E acho que são mesmo. Quero ajudar minha família a alcançar o que deseja, mas quero algo diferente.
— Tipo o quê?
— Não descobri ainda. " Apersar de um dia ter achado que tinha descoberto" Um dia...—Acho que só vou saber quando estiver bem na minha cara.
— Talvez eu possa ajudar você a matar o tempo enquanto espera, — sugeriu ele, ousado.
sorri.
— É uma ideia.
Fazia muito tempo que eu não namorava. Vinha trabalhando demais e socializando de menos. Não me enganaria a ponto de achar que um pouco de sexo me daria uma imunidade mágica contra Emma, mas certamente não faria mal. Sem dúvidas amenizaria o problema, e Emma não ficaria em Nova York por muito tempo. Sua vida e seu trabalho se dividiam entre Washigton e o norte da Virgínia e logo, logo outro Swan a chamaria para algum serviço. Ela era a faz-tudo da família.
Aproximei-me de Chad, deixando uma possível possibilidade aberta.
A boca dele se curvou num sorriso, aquele levemente triunfante de quem sabe que está prestes a se dar bem. Chad esticou a mão até a minha, seu olhar passando por cima do meu ombro de um jeito relaxado. Então ele ficou tenso e franziu a testa.
— Merda.
Sabia para quem estava olhando antes mesmo de me virar.
Não imaginei que elas teriam uma história e que se reencontrariam num momento um tanto quanto delicado de negociações. Vamos ver no que vai dar isso, ainda mais que provavelmente a Emma que entrou no restaurante e viu a Regina com o Chad.
ResponderExcluirHahah quero mais... Tá ficando bom demais
ResponderExcluirAqui no tédio,esperando que alguma dessas 2 maravilhas do mundo atualizem.
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