segunda-feira, 27 de julho de 2015

Afterburn Capítulo 3

Boa leitura :D


Previously on Afterburn:  "Aproximei-me de Chad, deixando uma possível possibilidade aberta.
   A boca dele se curvou num sorriso, aquele levemente triunfante de quem sabe que está prestes a se dar bem. Chad esticou a mão até a minha, seu olhar passando por cima do meu ombro de um jeito relaxado. Então ele ficou tenso e franziu  a testa.
   — Merda.
    Sabia para quem estava olhando antes mesmo de me virar."


                                    --------------------------------

    Senti na pele uma eletricidade que conhecia bem demais. Resolvi não
me virar nem dar a Emma a satisfação de ver meu rosto, que provavelmente
retratava minha surpresa, frustração e irritação.
    Ela tinha mesmo muita cara de pau para ir até o Maill's depois de ter
partido meu coração. Minha família se lembrava dela — lembrava a última
noite que passamos juntas. Tínhamos ido a Nova York para passar o fim de
semana, só para que eu pudesse apresentá-la à família sobre a qual tanto
falava. Ficáramos até tarde no restaurante, muito tempo depois de fechar,
comendo, bebendo e dando risada com meus irmãos e meus pais. Assim
como eu, eles se apaixonaram por Emma. Naquela noite, acreditei que
realmente daríamos certo juntas.
    Foi a última vez que a vi até entrar no bar do Four Seasons.
Chad me olhou. “Você convidou Stacy também?”
 “Não.” Confusa, finalmente olhei por cima do ombro. Ver Emma
ajudando Stacy a tirar a jaqueta jeans fez meus dentes rangerem. Chad não tinha noção de onde eu ia levá-lo para jantar, mas Emma tinha.
    E, sem mais, ela traçou uma reta até nós, trazendo Stacy junto. Minha
mãe se pôs no caminho, o sorriso largo como sempre, mas com as penas
ouriçadas, em modo mãe coruja.
Olhei para Chad. “A gente pode fugir pelos fundos.”
Ele riu, mas seus olhos estavam sérios.
Angelo veio até nós. “Vocês a estavam esperando?”, perguntou,
apontando Emma com a cabeça.
 “Não…” Fitei Chad. “Eles não vão sentar com a gente.”
 “Ótimo.” Chad recostou-se contra o banco, o olhar fumegante. “Stacy
escolhe a dedo… Ela pode ficar com o negócio do Owen se quiser. Eu fico com
você e a Mondego.”
  “Tá certo.” Angelo olhou para mim. “Vou garantir que eles fiquem em
outra parte do salão.”
    Tomei um gole rápido de vinho enquanto meu irmão se afastava.
Chad me estudou por alguns instantes. “Ele toma conta de você.”
“É o jeito Mills de fazer as coisas.”
“Stacy e eu éramos assim. Antes do Owen aparecer.”
“Sério?” Tentei ignorar a sensação do olhar de Emma em cima de mim.
Podia senti-la me observando. “O que aconteceu?”
Chad encolheu os ombros. “Vai saber. Acho que o poder subiu à cabeça
dela. Nem sei se ainda pensa na comida. Está ocupada pensando em ficar
rica e famosa.”
    Minha mãe apareceu com mais vinho, pousando a mão sobre meu
ombro enquanto enchia mais uma vez nossas taças. Senti o toque suave de
suas unhas feitas e escutei a indagação silenciosa: Tudo bem com você?
    Pus minha mão sobre a dela e apertei, em resposta. Não, não estava
bem, mas o que eu podia dizer? Não daria a Emma a satisfação de recusar o
atendimento, nem minha família. Ela comeria uma excelente refeição, com
nosso melhor garçom e um vinho de sua escolha por conta da casa.
    Minha família pecaria pelo excesso. Ia afogá-la com gentileza.
Demonstraria que não éramos mesquinhos nem baixos. Mas aquilo custaria
caro. A todos nós. Meu cantinho fora invadido, a energia dela permeando o
espaço e meus sentidos. Cada nervo do meu corpo titilava com sua
presença.
    Lori, umas das garçonetes, veio anotar os pedidos. Chad e eu decidimos
dividir uma massa. O tempo todo, durante a entrada e a salada, fiquei
esperando que Emma viesse até nós. Estava terrivelmente ligada em sua
presença, incapaz de dar a Chad a atenção que vinha oferecendo até então.
Ele também desanimou, mantendo o olhar fixo no prato ou em meu rosto.
    Nós dois evitávamos olhar para os outros fregueses.
    Na minha cabeça, Emma estava se divertindo só para me afrontar. Por que
teria levado Stacy para jantar, se ela estava com Owen? Será que Stacy saía
com os dois? Afinal de contas, não havia demonstrado hesitação ao
cumprimentá-la com um beijo no rosto quando Emma tinha aparecido, mais
cedo.
    Antes de servirem o prato principal, Chad foi ao banheiro, e eu dei uma
olhada em meu celular. Tinha uma chamada perdida de Cristina. Quando Chad
voltou com uma cerveja na mão, sorri e disse: “Já volto”.
    Segui na direção dos banheiros, mas desviei e entrei no escritório dos
fundos, fechando a porta para isolar o barulho. Liguei para Cristina e levei o
aparelho ao ouvido.
   “Regina”, atendeu ela. “Tenho que parabenizar você por seu bom gosto.”
   “Escolho bem, não acha?” Andei até a parede oposta, onde havia um
retrato de família pendurado. Eu devia ter uns doze anos, usava aparelho
nos dentes e estava com o cabelo desgrenhado. Nico, Vincent e Angelo
aparentavam diversos níveis de esquisitice adolescente. Meu pai estava
imortalizado em seu auge, assim como minha mãe, que pouco havia
envelhecido desde então. “Como foi, então?”
   “Como esperado. Você adivinhou direitinho. Emma disse que se
envolveu no assunto como um favor a alguém.”
   “Desculpa, ainda não tive tempo de ir atrás dos detalhes… Estou com
Chad desde que saí… Mas aposto que é algum Swan. Quando Emma
não está apostando alguns milhões, está arrumando a bagunça dos outros
membros da família.” E pegando mulheres bonitas… “Quanto ao Chad, ele
está na nossa, mas acho que devemos redigir um contrato novo o mais cedo
possível, antes que algo aconteça e ele mude de ideia. Emma não vai dar o
braço a torcer tão fácil. Chegou do nada aqui no Mill's, e ainda trouxe a
Stacy.”
    Cristina riu. “Desculpe, mas gostei dela.”
    Retorci os lábios com pesar. “Acontece.”
   “Owen ligou.”
   “Ah é? Conte mais.”
   “Pediu para me encontrar hoje à noite.”
   “Ah, talvez seja por isso que Emma está com Stacy. Está de babá.” Para
minha irritação, isso me encheu de alívio.
   “Pode ser. De qualquer forma, recusei. Tenho a impressão de que nossos
adversários estão tentando fechar o cerco contra nós, o que significa que
estamos no caminho certo. Sinceramente, não me divirto tanto há anos.”
     Bufei e me virei a tempo de ver a porta se abrindo… e Emma
aparecendo. “Tenho que ir, Cristina, mas estou aqui se precisar de mim.”
    “Amanhã de manhã a gente conversa melhor, de cabeça fresca. Boa
noite, Regina.”
   “Pra você também.” Pus meu telefone de lado.
    Medimos uma a outra durante um longo minuto. Ela estava vestida com jaqueta
 cinza e a calças jeans escura, um estilo casual ao
qual estava mais acostumada, e que preferia. Seu cabelo loiro estava caido graciosamente por seus ombros, atenuando a severidade de sua beleza. Emma estava
recostada contra a porta, as mãos nos bolsos do jeans, as pernas cruzadas na altura
dos tornozelos, porém apenas uma idiota deixaria de notar o ar predatório
que a cercava. Seus olhos semicerrados estavam vigilantes e atentos.
    “Sinto falta dos seus cabelos logos”, ela disse, afinal.
    Escorei-me contra a escrivaninha do meu pai e cruzei os braços. “Isso é
passado.” Está uns dois anos atrasada…
    “Você estava quase dando o bote quando cheguei. Está pensando em dar
para o Chad Williams porque está a fim dele ou porque quer que assine o
contrato?”
    Outra mulher talvez tivesse ficado de boca fechada, porque a pergunta
não merecia resposta. Permaneci calada porque fiquei magoada. Nunca vira
Emma ser malvada ou cruel de propósito — e ela simplesmente sumira da
minha vida.
    “Regis…”
    “Não me chame assim.”
    “Como você prefere?”
    Meu pé batucava inquieto. “Prefiro não ver mais você, nem saber nada a
seu respeito.”
    “Por quê?”
    “Imagino que seja óbvio.”
    Sua boca maravilhosa se contraiu. “Não para mim. A gente se conhece e
se dá bem. Muito bem mesmo.”
    “Não vou dormir com você de novo!”, exclamei rispidamente, sentindo
as paredes se fecharem ao nosso redor. Ela tinha sempre o mesmo efeito
sobre mim. Com ela, eu não conseguia prestar atenção em mais nada.
    “Por que não?”
    “Pare de me perguntar isso!”
    Emma se endireitou e o escritório ficou ainda menor. Minha respiração
acelerou e meu olhar disparou para a porta atrás dela.
    “É uma pergunta válida.” Emma tirou as mãos dos bolsos sem tirar os olhos de mim.
    “Diga por que está tão zangada.”
    Fui tomada por um surto de pânico. “Você sumiu!”
    “Sumi?” Ela deu um passo na minha direção. “Está dizendo que não sabia
onde me encontrar?”
    Franzi a testa, confusa. “Como assim?”
    “Tinha que acabar, e acabou.” Emma se aproximou. “Discretamente. Sem
cena. Sem memórias desagradáveis. Nós…”
    “Sem escândalo.” Respirei fundo, mais ofendida do que nunca. Em
seguida, retruquei, em autodefesa. “Então para que cometer o mesmo
erro?”
    “Não podemos ser amigas?”
    “Não.”
    Emma invadiu meu espaço pessoal. “Não podemos fazer negócios juntas?”
    “Não.” Descruzei os braços. “Você tornou isso pessoal logo de cara.”
    Ela sorriu, exibindo a maldita covinha. “Você fica muito gostosa quando
está brava comigo. Devia ter irritado você mais vezes.”
    “Cai fora, Emma.”
    “Eu caí. Parece que não deu certo.”
    “Na verdade, deu, sim. Volta lá pro seu mundo e me esquece.”
    “Meu mundo.” O sorriso sumiu com o brilho em seus olhos. “Certo.”
    Emma tinha interrompido o avanço, então passei por ela depressa, ciente
de que tinha desaparecido havia muito tempo e que Chad estava à minha
espera.
     Emma me segurou pelo braço e falou em meu ouvido: “Não vá pra cama
com ele”.
    Senti um arrepio. Estávamos ombro a ombro, virados para direções
opostas, o que era uma boa representação do nosso relacionamento. Eu
podia sentir seu cheiro, seu calor, e me lembrei de outras ocasiões em que
ela havia falado junto ao meu ouvido.
    Emma era uma sedutora. Mesmo quando eu já estava no papo, ela me
esquentava bem antes de me levar para a cama. Lançava-me longos olhares
sensuais, tocava-me com frequência, murmurando safadezas que me
faziam corar.
    “E você, Emma, está se guardando?”, rebati.
    “Eu me guardo, se você se guardar.”
    Deixei escapar uma risada agressiva. “Ah, tá.”
    Ela sustentou meu olhar. “Posso provar.”
    “Não estou interessada em joguinhos.”
    Alguém chacoalhou a maçaneta, fazendo-me pular de susto. “Regina?
Você está aí?”
    Vincent. “Estou”, respondi alto. “Já saio.”
    “Não vá pra cama com ele”, repetiu Emma, os olhos sombrios e sérios.
“Estou falando sério, Regina.”
    Soltei o braço e me atrapalhei para abrir a tranca, mas logo escancarei a
porta.
    Meu irmão estava com a chave do escritório numa das mãos. Ele olhou
por cima do meu ombro para Emma. “Perdeu a vontade de viver, Swan?”
    Revirando os olhos, empurrei Vincent para trás. “Deixa.”
    “Vá caçar em outro lugar, loira”, insistiu Vincent, bloqueando a passagem
assim que passei por ele.
    Por um instante, pensei em intervir, mas logo desisti da ideia. Eles eram
grandinhos. Podiam se resolver sozinhos.
    Quando cheguei ao salão do restaurante, deparei com uma sacola com a
comida embrulhada para levar na mesa diante de Chad, que se levantou ao
me ver.
    “O que você acha de a gente levar isso aqui de volta para o hotel e comer
em paz?”, perguntou ele.
    Olhei ao redor, notando facilmente o cabelo vivo de Stacy brilhando sob
a meia-luz dos lustres de ferro fundido. Ela nos fitava com ódio mal
disfarçado.
    “Tenho uma ideia melhor”, respondi, pegando minhas coisas. “Conheço
um lugar aonde podemos ir e em que ninguém vai nos encontrar.”
    Levei Chad para o salão de beleza da minha cunhada, que ficava no
Brooklyn. Ela fechou o salão, achou uns pratos de papelão e nós nos
deliciamos com o espaguete à bolonhesa — morno, mas ainda delicioso —
na sala de descanso dos profissionais, nos fundos da loja, longe dos odores
de tinta de cabelo e laquê.
    “Você tem um sotaque de Nova York”, reparou Chad, após passarmos
um tempo comparando histórias de fregueses ensandecidos. “Nunca tinha
notado.”
    Dei de ombros. “Pois é. Como o dos seriados policiais na TV.”
   Chad riu.
    “É porque ela está em casa”, explicou Ruby.
    Não acrescentei mais nada. Não tinha nada de mais ele ter percebido. O
sotaque sempre aparecia quando eu estava com minha família ou meus
amigos, quando baixava minhas defesas e me sentia mais como a pessoa
que era antes.
   “É bonitinho”, comentou ele. “Eu também tenho sotaque”, ele disse,
exagerando.
    “Ela ficou boa nesse negócio de disfarçar o dela”, comentou Ruby, cujo
cabelo escuro com mexas vermelhas estava arrumado em tranças elaboradas.
Tinha piercings no nariz e na sobrancelha, e uma tatuagem no antebraço
esquerdo. Estava grávida de cinco meses, o que me deixava emocionada.
    Estava louca para ser tia.
    Meu celular começou a tocar dentro da bolsa, e estiquei o braço por
cima da bancada para procurá-lo. Talvez Cristina precisasse de mim. Ela não
estava brincando quando falara dos horários no dia em que me contratou.
    Eu recebia ligações às duas da manhã e nos fins de semana, mas adorava,
porque só acontecia quando ela estava realmente empolgada com alguma
coisa.
    Não reconheci o número que apareceu na tela e estava prestes a deixar a
chamada cair na caixa postal quando resolvi demonstrar um pouquinho
mais do meu sotaque para Chad.
    “Escritório de Regina Mills”, atendi com naturalidade. “Como posso
ajudar?”
    Silêncio na linha, e então… “Regis.”
    Prendi a respiração, balançada pelo jeito como Emma dizia meu nome. O
mesmo de quando éramos amantes e ela me ligava só para escutar minha
voz.
    “Fale alguma coisa”, disse ela, abruptamente.
    Fortalecida pela visão da minha cara de espanto no espelho impiedoso,
respondi com frieza. “Como conseguiu este número?”
    “Não venha com essa”, retrucou ela. “Fale como você costumava falar. A
verdadeira Regina.”
    “Foi você quem me ligou.”
    Ela resmungou algo. “Almoce comigo amanhã.”
    “Não.” Levantei da cadeira e caminhei até a frente do salão.
    “Sim. Nós precisamos conversar.”
    “Não tenho nada para dizer.”
    “Então vai me escutar.”
    Arrastei a ponta do sapato sobre uma rachadura num dos azulejos do
piso. Ruby estava apenas começando a recuperar o investimento inicial
no salão, e havia ainda várias melhorias a ser feitas no lugar. A região
estava recuperando sua fama descolada, e ela tinha sido esperta ao
pendurar cartazes vintage nas paredes e fazer uma decoração retrô que
distraía o olhar dos pequenos defeitos.
    Meu Deus, em que estado eu estava por causa de Emma. Meu cérebro
estava disperso, alternando-se entre pensamentos aleatórios.
Procurei me concentrar na pessoa que estava causando tudo aquilo. “Se
eu almoçar com você, jura que vai me deixar em paz depois?”
    “Não posso prometer isso.”
    “Então não vou”, retruquei. “Você não tem direito de invadir minha vida
desse jeito. Não é da sua conta. Você não tinha nada que se intrometer…”
    “Mas que droga! Eu não sabia que você estava apaixonada por mim,
Regina!”
   Fechei os olhos diante da dor de ouvir aquelas palavras saindo de seus
lábios. “Então você não me conhecia mesmo.”
    Desliguei.

                                       --------------------------

    “Descobri a relação entre Hunt e a família Swan”, contei a Cristina
assim que ela chegou ao trabalho, seguindo-a até sua sala. “Em um artigo na
revista FSR.”
    Ela me olhou de lado. “A que horas você chegou aqui?”
    “Faz meia hora, mais ou menos.” Na verdade, eu tinha ficado acordada
até tarde fazendo minhas pesquisas, sem conseguir dormir. Precisava saber
por que Emma estava se metendo na minha vida e como fazer com que ela
caísse fora mais uma vez.
     Não queria um pedido de desculpas ou uma explicação. Não queria que
fôssemos amigas. Não queria um motivo para ter esperança, porque era
dolorosamente evidente para mim que eu ainda a amava. E ela devia estar
tomando conhecimento desse fato.
    Tinha aprendido da primeira vez, e ela confirmara: nosso
relacionamento tinha que terminar. Sem recaídas.
    Empurrei o artigo da Full-Service Restaurant sobre a mesa dela. “Uma
minúscula menção à contribuição de Hunt em apoio às campanhas
Swan, no meio de um artigo maior sobre restaurateurs na política.”
    “Humm.” Seu olhar astuto se ergueu de encontro ao meu. “Vivi com Owen
por cinco anos. Ele nunca votou na vida. Além do mais, é sovina demais
para gastar a grana necessária para receber atenção personalizada dos
Swan.” Cristina recostou-se em sua cadeira e girou-a de um lado a outro.
“Dito isto, não consigo imaginar por que um investidor de risco preferiria o
negócio do Owen ao meu, a menos que tenha alguma motivação pessoal. Não
faz sentido, do ponto de vista financeiro.”
    Erguendo as mãos, admiti: “Também não consigo entender”.
    “Será que Emma  contaria o que despertou seu interesse em Owen, se
você perguntasse?”
    "Pode ser que sim.” Sentei-me diante de sua mesa. “Mas ela não é o fator
decisivo aqui. Stacy prefere Owen, Chad prefere a gente. Temos isso a nosso
favor.”
    “Você não está curiosa?”
    “Não o suficiente para correr atrás dela. Emma está começando a perceber
que levei nosso caso mais a sério do que deveria, e isso deixa as coisas…
meio esquisitas.”
    O olhar de Cristina irradiava simpatia. “Acho que a melhor solução é fechar
logo o negócio. Vou conversar com a equipe da Mondego hoje sobre seguir
em frente só com Chad. Eles não estão muito animados com a ideia, o que
não é nenhuma surpresa, mas acho que encontrei uma alternativa
atraente.”
    Debrucei-me sobre a mesa para ouvir, e Cristina sorriu diante de meu
evidente interesse.
    “Aqui.” Ela girou o monitor para me mostrar duas mulheres
 extremamente diferentes. Uma morena exótica e uma loira de rosto jovem.
    “Faz meses que estou acompanhando as duas. Isabelle, a morena, é
especialista em culinária regional italiana; Alice, a loira, é especialista em
culinária regional francesa.”
    Um leve sorriso surgiu em seu rosto. “Duelo de cozinhas internacionais.”
    “Dá mais trabalho para fazer o cardápio, mas…”
    “Ótimo.”
    Cristina esfregou as mãos. “Se tivermos sorte, ainda vamos estourar aquela
garrafa de champanhe.”
    Ouvi pela porta aberta o telefone tocar na minha mesa e levantei.
    Cristina empurrou seu telefone na minha direção. “Atenda daqui.”
    Puxei a chamada e atendi.
    “Srta. Mills, aqui é Owen Hunt. Bom dia.”
    Ergui as sobrancelhas, espantada, e articulei Owen com os lábios para Cristina.
    Sua boca se curvou, em desagrado.
    “Bom dia, sr. Hunt. Estava justamente falando do senhor.”
    “Estava esperando sua ligação, mas perdi a paciência.” A afetuosidade
 bem-humorada em seu tom me atingiu da maneira que suspeitava que
atingia a maioria das mulheres. Não havia dúvida alguma: sua voz tinha um
tom íntimo e agradável.
    “Aceita almoçar um dia desses?”, perguntei, assegurando-me com uma
olhada, de que Cristina não se incomodava. Ela assentiu.
    “Fico lisonjeado que me prefira a Emma", disse ele, provocando-me.
    “Mas na verdade estava pensando num jantar. Tenho um compromisso hoje
à noite e preciso de companhia.”
    Acionei o viva-voz. “E Stacy?”
    “Ela é maravilhosa, claro, mas prefiro levar você. Você também vai
querer ir, Cristina”, disse Owen, dirigindo-se diretamente à minha chefe, “para
tomar conta da sua menina, e, por mim, tudo bem. Quanto mais, melhor. É
um evento formal. Estejam no heliporto Midtown às seis.”
    Cristina sorriu largamente, apreciando o teor da conversa, porém não
respondeu.
    “Você está partindo do princípio de que não tenho planos numa sextafeira
à noite”, argumentei.
    “Não se ofenda, srta. Mills.” Ele parecia estar se divertindo. “É um elogio
à sua dedicação profissional. Cristina não a teria contratado se não pusesse o
trabalho em primeiro lugar. Vejo vocês mais tarde.”
     Owen desligou e pus o fone de volta no gancho. “Bem… o que você acha?”
    “Acho que temos que ir às compras.”
    Quando voltei à minha mesa, encontrei um pacote à minha espera.
    Rasguei o embrulho de papel pardo e deparei com uma caixa de
chocolates. A onda de desejo que me varou ao rever aquela marca
específica — Neuhaus — e as memórias que evocava aceleraram minha
respiração. Minha pele se aqueceu.
    Experimentara as trufas belgas apenas uma vez na vida, quando as havia
chupado da ponta dos dedos de Emma. Ela as tinha derretido com o calor de
seu toque… e então escrito em meu corpo, limpando depois com lambidas
perversas.
 
        Regina. Sexy. Doce. E minha preferida: Minha.
Senti as coxas se contraírem e cruzei os tornozelos, meu âmago se
apertando com um desejo sedento. Meu corpo não ligava que ela tivesse me
largado sem dizer uma palavra. Queria Emma. Desesperadamente.
O bilhete colado ao pacote era simples e não continha assinatura.

    Reconheceria você até vendada.


    Não saberia dizer aonde foi que Cristina nos levou para comprar vestidos
longos. Era uma loja pequena, sem letreiro na fachada e com uma placa de
fechado na porta. Atendiam apenas com hora marcada. Assim que o sedan
de Cristina parou na frente, fomos acompanhadas até um elegante showroom,
onde nos serviram champanhe com morangos. Não havia etiqueta de preço
em lugar nenhum.
    A hora seguinte transcorreu num revoar de sedas e tafetás. Fiquei
encantada.
    Havia momentos em meu trabalho com Cristina em que eu era exposta a um
mundo muito além de qualquer coisa que já imaginara. Sempre batalhava
para ocultar minha expressão de deslumbre, os olhos arregalados, e
tentava imitar Cristina, que parecia à vontade e natural. Precisava ficar me
recordando de que suas origens não eram tão distintas das minhas. Ela
tinha adquirido o refinamento necessário ao longo dos anos, e eu podia
fazer o mesmo.
     Estava namorando um longo preto com mangas de renda quando Cristina
pousou a mão em meu ombro.
    “Muito de velha para você”, disse.
    Olhei-a de relance. “Achei discreto e elegante.”
    “E é, para uma mulher da minha idade. Você tem vinte e cinco anos.
Aproveite.”
    “Preciso ser cuidadosa”, expliquei. Minha chefe era magérrima, graciosa
e esbelta. Já eu, era curvilínea. “Meus peitos são grandes. Que nem
minha bunda.”
    “Você tem um corpão”, afirmou ela, sem rodeios. “Disfarça no trabalho, o
que eu entendo e respeito, mas não desperdice isso. É um mito que uma
mulher de sucesso não pode ser sexy sem arruinar sua credibilidade. Não
engula isso.”
    Mordi o lábio inferior. Olhando ao redor, senti-me intimidada pelo ar de
opulência que o lugar projetava. Aquilo estava muito acima do meu nível.
    As paredes, por exemplo, eram cobertas por uma seda marfim esvoaçante,
em vez de papel de parede. Os canapés vinham numa travessa de prata
maciça. “Você me ajuda? Tenho medo de escolher errado.”
    “É para isso que estou aqui, Regina.”  Cristina gesticulou para uma das três
atendentes que nos ajudavam. “Vamos ver o que vocês têm para uma jovem
linda e voluptuosa.”

     Os assovios com que me receberam quando saí do quarto algumas horas
depois me deixaram ao mesmo tempo empolgada e nervosa. Ruby tinha
voltado mais cedo do trabalho para fazer meu cabelo e trouxera Tinker, uma
de suas maquiadoras. Angelo estava largado no sofá, matando o tempo até
seu turno no Mill's vendo TV.
    “Uau”, disse meu irmão, endireitando-se no sofá. “Quem é você e o que
fez com minha irmã?”
    “Cala a boca”, Ruby e eu respondemos em uníssono.
    “Ela está parecendo uma estrela de cinema”, disse Tinker, voltando da
cozinha, onde tinha ido limpar seus pincéis. “Uma diva. Como Audrey Hepnurn
ou Sophia Loren.”
    “Quem?” Ruby franziu a testa.
     Mas eu sabia de quem ela falava. Sempre tinha pensado em minha mãe
da mesma maneira.
     No final das contas, o vestido que escolhemos também era preto, mas
muito mais sexy. Um broche de brilhantes prendia uma das alças. Com
cetim franzido no busto, o vestido era cingido na cintura por um fino cinto
de diamantes e fendido na perna direita até o meio da coxa. Vincent já
estava no Mill's, mas teria tido um ataque se tivesse visto o quanto da
minha perna estava à mostra. Nico, que agora morava em Jersey, teria
adorado.
     Com duas cervejas nas mãos, Ruby se deixou cair no sofá, passou uma
para o marido e pôs a outra na mesinha de centro para Tinker. Desde que
soubera do neném, não estava bebendo.
    Argolas douradas brilhavam de dentro da massa de cabelos frisados.
    “Chad também vai?”, ela perguntou.
     “Não faço ideia.”
    “E Emma?”, acrescentou Angelo, apreensivo.
     Dei de ombros, mas meu coração disparou. Procurara não pensar em Emma
enquanto me preparava, mas não podia deixar de torcer para que ela me
visse toda arrumada. Eu estava maravilhosa.
    “Você sabe que não deve, não sabe?”, disse meu irmão.
    “Sim”, concordei. “Eu sei.”
    Meu celular tocou. O motorista de Cristina tinha chegado. “Tenho que ir!”
    Apressei-me para pegar sapatos, bolsa e echarpe junto à entrada e
acenei para Tinker enquanto saía pela porta. Decidi não esperar o antigo e
temperamental elevador de carga e desci os três lances de escada até a rua.
     O motorista já estava acostumado com a demora.
    Nico, Vincent e Angelo haviam comprado aquele apartamento na
expectativa de reformar e revender para ganhar algum dinheiro. Eu me
mudara depois da faculdade e acabara comprando a parte de Nico quando
ele fora para Nova Jersey. Depois disso, eu e Vincent tínhamos comprado a
parte de Angelo quando ele foi morar com Ruby, deixando-nos com
cinquenta por cento cada. Estávamos cogitando vender o lugar quando
Ruby descobriu que estava grávida, e ela e Angelo voltaram, para
economizar.
    Eu gostava de entrar em uma casa cheia no fim do dia e sentia falta de
Nico. Não sabia bem o que seria de mim se morasse sozinha. Ter alguém
presente a qualquer momento me ajudara a me concentrar no trabalho e a
sair menos. Nunca me importara com aquilo, mas talvez estivesse só me
recuperando de um coração partido. Talvez devesse ter encarado isso
antes. Agora, sem dúvida, era hora de enfrentar a situação.
    Ofegante devido à correria, entrei no banco traseiro do sedan, e nos
dirigimos à casa de Cristina. A região em que minha chefe morava era bem
diferente da minha. Ela vivia a uma ponte de mim, em Manhattan, mas
podia ser outro mundo. Atravessamos o East River, com o sol ainda
brilhando no céu e refletindo na água perturbada apenas por um rebocador
esforçado.
     Espantava-me que alguma vez tivesse acreditado que Emma poderia se
encaixar naquela vida. Eu passara a associá-la tão completamente a
Washington que não podia mais imaginá-la em qualquer outro lugar.
Exceto em minha cama. Era bem fácil imaginá-la ali…

   
       Estava pensando na melhor maneira de extrair informações de Owen
Hunt quando o carro encostou diante do prédio de Cristina.
      Eu havia visto seu vestido na loja, mas agora que a via com a maquiagem
e o cabelo arrumado o impacto era outro. O tecido verde-esmeralda do
vestido em estilo grego flutuava sobre seu corpo esguio à medida que ela
atravessava a portaria do prédio, sorrindo para o porteiro. A cor viva
realçava sua pele perfeita e enfatizava o vermelho de seus lábios, enquanto
um lindo prendedor de pedras preciosas acentuava os fios ondulados junto
da têmpora direita.
     Cristina sentou-se no banco ao meu lado, e notei sua tensão de cara.
    “Você está bem?”
    “Claro.”
    Percorremos o curto trajeto até o heliporto em silêncio, ambas
distraídas com nossos pensamentos. Ao virar uma esquina, minha visão
parou num parque canino e nos animais barulhentos correndo livres e sem
freios lá dentro. A exuberância brincalhona e a alegria incontida deles me
fizeram sorrir, apesar do tom sombrio de minhas reflexões ao longo do dia.
     Detestava admitir, mas estava chateada com o fato de que Owen sabia do
convite de Emma para almoçar. Quando Emma havia ligado, achara que era
pessoal e que ela queria mesmo recuperar o contato, nem que fosse só para
se desculpar. Sempre tinha esperado demais dela. No que se referia a Emma,
meus instintos eram péssimos.
    Em pouco tempo, estávamos num helicóptero, com os cintos afivelados e
levantando voo. Minha atenção se voltou para Cristina. Ela fitava a paisagem
pela janela enquanto o chão se distanciava cada vez mais, exibindo a cidade
para nosso deleite, um mar espetacular de concreto e vidro reluzente
tingido pela luz do sol. Fiz o mesmo, absorvendo o panorama. O dia inteiro
havia sido um reflexo de minha experiência de trabalho com Cristina. Minha
família tinha uma visão microscópica do mundo, e preferia as coisas assim.
Já eu sempre desejara algo maior, queria ver o mundo através de uma
grande-angular.
     “Você sabe para onde estamos indo?”, perguntei.
    Cristina fez que não com a cabeça. “Owen está querendo marcar uma posição
com esse passeio. Imagino que vamos nos surpreender.”
    Perto das oito horas, eu me vi saindo de uma limusine diante de uma
mansão gigantesca em Washington. A cada quilômetro percorrido, eu ficara
mais ansiosa, e isso só piorou quando embarcamos num jato particular no
aeroporto e a comissária de bordo anunciou nosso destino.
    “Ele se superou”, resmungou Cristina quando Hunt desceu os degraus da
larga escadaria na frente da enorme mansão para nos receber.
    O restaurateur estava muito elegante num smoking clássico, os cabelos
ruívos penteados para trás com gel. Ele me cumprimentou primeiro,
com um beijo no dorso da mão, então virou os olhos azuis para Cristina.
    “Você está brincando com alguém da minha equipe”, disse ela friamente,
observando-o impassível erguer sua mão até os lábios. “Você jamais foi
cruel.”
    “Eu tinha um coração”, respondeu ele, com a fala carregada, “mas então
alguém o partiu.”
    Olhei de um para o outro rapidamente, tentando fazer uma leitura da
tensão entre os dois. Tive a sensação de que era um peão em um jogo cujas
regras todos sabiam, menos eu.
    Tudo bem. Se eu ficasse de boca fechada e ouvidos abertos, poderia
acompanhar o passo.
    Owen ofereceu-me o braço. “Vamos?”
    Ele me conduziu escada acima, e Cristina nos seguiu sozinha. Uma olhadela
para trás confirmou que o fazia majestosamente, com a cabeça erguida
sobre aquele pescoço comprido que eu invejava. Uma luz se derramava
pelas portas duplas abertas, e, atrás de nós, limusines deixavam
passageiros em levas regulares. Era uma festa incrível, e eu nem tinha
passado pela porta.
    “Espero que os voos tenham sido do seu agrado”, disse Owen.
    Fitei-o de relance e vi que estava me observando com cuidado excessivo.
    “Sim, obrigada.”
    “Já esteve em Washington antes?”
    “Primeira vez.”
    “Ah.” Ele sorriu, e pude notar um traço de seu charme. “Talvez considere
passar o fim de semana. Tenho uma casa em Georgetown. Pode ficar lá, se
quiser.”
    “Que gentil.”
    Rindo, Owen desenlaçou nossos braços, pôs a mão de leve nas minhas
costas e fez com que eu passasse pelas portas. “Espero que diga mais do
que duas ou três palavras no decorrer da noite, srta. Mills. Gostaria de
conhecer você melhor, especialmente considerando que tanto Cristina quanto
Emma parecem muito interessados em você.”
     Ao deparar com o que parecia ser uma fila de cumprimentos, diminui o
passo. “O que é esta festa?”
    “É um evento para arrecadar fundos”, murmurou ele, junto ao meu
ouvido.
    De repente, entendi o que Emma queria dizer com crueldade. “Para um
Swan?”
    “Para quem mais?”, perguntou ele, a voz traindo seu divertimento.
    A fila andou depressa, os homens oferecendo um aperto de mão brusco
e as mulheres ligeiramente mais delicadas. Estavam todos arrumadíssimos,
nem um fio de cabelo fora do lugar, e exibiam dentes ofuscantes de tão
brancos em imensos sorrisos bem treinados.
    Foi um alívio quando os cumprimentos terminaram e pude aceitar uma
taça de champanhe de um garçom sorridente. Fiquei ainda mais satisfeita
de ver Chad, que parecia tão pouco à vontade quanto eu. Seu rosto se
iluminou ao notar nossa presença, rostos familiares em meio a uma
multidão de desconhecidos, e ele veio na nossa direção.
    “Tomei a liberdade de colocar Chad como seu par, Cristina”, disse Owen,
deixando o olhar deslizar pelo corpo dela.
    Olhei ao redor em busca de Emma. Não consegui encontrá-la, mas havia
gente demais perambulando pelo salão de baile. Um salão de baile, meu
Deus… Na casa de alguém.
    Quem poderia ter uma casa daquelas?
    Dei um longo gole no espumante gelado. Emma poderia ter uma casa
daquelas. A elegante executiva que eu vira na Savor poderia se encaixar
muito bem no ambiente, mas não a amante que eu conhecera.
    Você só achava que a conhecia…
    Chad se aproximou de mim, deslizando o indicador ao longo do
colarinho da camisa. “Dá para acreditar neste lugar? Acabei de conhecer o
governador da Louisiana. E ele sabia quem eu era!”
     Owen abriu um sorriso presunçoso, mas eu ainda não estava entendendo…
    “Qual é a relação entre política e indústria alimentícia?”, perguntei a ele.
    “Tenho que admitir que é uma parceria incomum.”  Owen pegou minha taça
vazia e a entregou a um garçom que passava por nós, trocando-a por uma
cheia. “Mas todo mundo tem que comer.”
    “Nem tudo mundo vota”, observou Cristina, pegando ela mesma uma nova
taça.
     “Você sempre foi muito mais responsável nesse aspecto do que eu”,
concordou Owen. “E você, Regina? Exerce seu direito de votar?”
    “Achei que não era elegante discutir política.” Dei uma olhada numa
bandeja de canapés que passou por perto e percebi que estava ansiosa
demais para pensar em comer.
    “Por que não dançamos então?”, sugeriu ele.
    Considerando que provavelmente seria uma chance única de falar com
Owen a sós, concordei. Chad pegou minha taça de champanhe e virou.
    “Já vou avisando que não danço muito bem”, eu disse enquanto Owen me
levava para a pista. Eu tinha feito algumas aulas, para ganhar um pouco de
confiança, mas nunca tivera a oportunidade de dançar formalmente fora da
academia e me faltava tempo para praticar. Definitivamente, jamais
dançara ao som de uma orquestra antes.
    “Pode deixar que eu conduzo”, murmurou ele, puxando-me para junto
de si.
    Nós nos misturamos aos poucos casais na pista.
    Eu estava tão concentrada em não pisar no pé dele que não disse uma
palavra por mais de um minuto.
   “Como você conheceu Emma?”, perguntou Owen.
    “Não a conheço.” E era verdade, em todos os sentidos que importavam.
    Owen ergueu as sobrancelhas, os olhos azuis me estudando. “Ontem não
foi a primeira vez que vocês se viram.”
    “E como tenho certeza de que você sabia disso antes de envolver Emma,
estou mais interessada em saber como vocês dois se conheceram.”
    “Sou amigo do pai dela, James Swan. Ele nos apresentou.”
ergueu o olhar para além de mim. “E por falar no diabo…”
    Minha coluna ficou rígida. Virei a cabeça, e meus pés vacilaram à medida
que eu observava um homem assustadoramente parecido com Emma dançar
com uma mulher muito bonita e mais jovem.
    O desejo de deixar a festa foi quase incontrolável. Aquilo não era lugar
para mim, um evento político, um mundo que não tinha nada a ver comigo.
    Não conseguia entender como uma dupla de chefs gêmeos tinha me levado
àquilo e realmente não estava interessada em dar sentido às coisas naquele
momento. A sensação de que a noite ia ser péssima foi se intensificando.
    “Por que você nos trouxe aqui, Owen?”
    Ele respondeu com outra pergunta: “Quão ambiciosa você é, Regina?”
    “Sou fiel a Cristina.”
    Ele sorriu. “Também já fui. Infelizmente, vai perceber que ela já não é
tão fiel. Você sabe tão bem quanto eu que se separar não é do interesse de
Chad nem de Stacy. Eles precisam um do outro.”
    “Eles podem se dar muito bem sozinhos. Os dois são talentosos.” Minha
irritação aumentou. “Não podíamos discutir isso em Nova York?”
     “Estou só defendendo o que é meu. Você tem que entender que não vou
poupar esforços.”
    “Sua briga é com Cristina, não comigo.”
    “Você se sente deslocada aqui”, disse ele com uma voz suave e
reconfortante. “Eu conheço essas pessoas. Adoraria ajudar você a fazer
conexões e encontrar seu caminho.”
    Encarei-o. “Por que está me oferecendo isso? Por causa de Emma? Se
acha que quero entrar na vida dela, não poderia estar mais enganado ao
meu respeito.”
    A música terminou, e eu me afastei, pronta para encontrar Cristina e ver se
ela também queria ir embora.
    Hunt entendeu o recado e me conduziu para fora da pista de dança.
    Eu estava quase a salvo quando uma figura alta entrou em meu caminho.
    Olhei para cima e perdi o fôlego, achando por um instante que Ema tinha
aparecido afinal.
    Então percebi que era seu pai.
    “Owen”, disse James, estendendo a mão. Sua voz transmitia poder, assim
como sua postura. O patriarca Swan comandava uma família de grande
poder no mundo da política. Seu alcance e sua influência eram
surpreendentes quando se pensava no assunto, o que eu não podia deixar
de fazer à medida que ele voltava os olhos claros para mim. “Acho que
não fui apresentado ao seu belíssimo par esta noite.”
     Fiquei surpresa ao ouvir o leve sotaque, incapaz de identificar de onde
era.
   Owen fez as honras. “James, esta é Regina Mills. Regina, Emma Swan.”
    “Olá”, cumprimentei.
    “É um prazer, srta. Mills. Esta é minha esposa, Kathryn.”
    Olhei para a loira ao lado dele, a mesma com quem estava dançando
antes e que não poderia ser muito mais velha que eu. Sem dúvida não tinha
idade para ser mãe de Emma . Cirurgião plástico nenhum poderia preservar
alguém tão bem. “Olá, sra. Swan.”
    Seu sorriso não se refletiu em seus olhos. “Kathryn, por favor.”
    “Dance comigo, Kathryn”, disse Owen, estendendo a mão num floreio.
    Ela voltou-se para James, que assentiu com a cabeça. Então se virou
para Owen. “Fale mais sobre esse chef novo que você trouxe hoje à noite. É
especialista em que?”
    “Culinária do sul, mas com uma abordagem moderna.”
    “Sério?” Eles seguiram para a pista de dança. “Vou organizar um jantar
daqui a algumas semanas. Será que…?”
    “Olhando assim, você jamais desconfiaria”, comentou James, pousando
a mão em minha cintura antes que eu pudesse recusar a dança. “Mas
Kathryn adora comer.”
    “Acho difícil entender quem não gosta.”
    James me conduziu para a dança com um floreio, e eu me segurei firme,
respirando fundo.
    “Ela também adora uma festa”, continuou ele. “Mas até aí, ela é jovem e
bonita. Como você.”
    “Obrigada.”
    “Você é do ramo da culinária também, não? Acho que foi isso que Owen
disse. Também deve gostar de uma boa festa. O que está achando desta?”
    “É…” Procurei uma resposta. “Preciso de um tempo para assimilar tudo
isso.”
    James riu, e o som não pareceu nem um pouco com o das risadas
cálidas de Emma. Seu pai tinha uma gargalhada estrondosa, do tipo que chama
atenção. Era estranhamente contagiante. Relutando, senti meus lábios se
curvando num sorriso.
    “Regina”, ele disse, mais uma vez traindo um sotaque regional. “Um
nome incomum, não é? Emma conheceu uma Regina em Las Vegas, alguns
anos atrás.”
    Exatamente como previra, a noite estava evoluindo de desconfortável a
desastrosa numa velocidade assustadora. Eu achava que ninguém sabia.
    Mas Emma parecia ter contado sobre mim. E isso não me deixava mais à
vontade.
     “Nem tanto”, respondi, controlando-me e me sentindo extremamente
desconfortável.
    “Deve ter sido uma surpresa e tanto encontrar Emma de novo.”
      Examinei seu rosto. Emma se parecia muito com James.
     “Estou mais surpresa com o fato de Owen ter sentido necessidade de
envolver sua filha no trabalho.”
    “Eu envolvi Emma”, murmurou ele, estreitando os olhos enquanto
fitava alguém atrás de mim. “Owen me fez um grande favor ao me apresentar
a Kathryn, então eu o ajudo sempre que posso.” Ele voltou a olhar para mim.
     “Mas não sabia de você. Imagino que Owen soubesse.”
      Senti uma onda de inquietação tomar conta de mim. Parecia um peixe
nadando em meio aos tubarões.
     “Com licença.”
     Meu Deus. O som da voz de Emma reverberara em mim.
     “Minha vez.”
     James parou de dançar, e eu virei a cabeça, o coração pulando dentro
do peito ao ficar cara a cara com Emma.
    “Achei que você não vinha mais”, James disse a filha.
    Emma me fitou de relance, então se voltou para o pai. “Você não me deu
opção.”
     Por um segundo, pensei em escapar enquanto os dois se ocupavam em
olhar feio um para o outro. Então Emma passou o braço por minha cintura e
me afastou dali.
     James me olhou de lado. “Vejo você no jantar, Regina. Aproveite a
festa.”
      Emma me contornou, impedindo-me de ver as costas de seu pai se
afastando da pista de dança. “Você está linda”, ela disse baixinho, puxando-me
para junto de si.
     Meus ombros doíam de nervosismo. “Que bom que tenho sua
aprovação.”
     Ela deu o primeiro passo, e eu a segui.
     “Respire, Regis”, Emma advertiu. “Deixe comigo.”
      “Quero ir embora.”
     “Então somos duas.” Ela acariciou minhas costas, num gesto
reconfortante. “Odeio estes eventos.”
    “Mas você se encaixa neles perfeitamente.”
     Seus olhos se encobriram com a sombra de uma emoção que não fui
capaz de identificar. “Nasci neste meio. Mas não vivo nele.”
     O calor de seu corpo passava para o meu. A cada fôlego, seu cheiro me
invadia; cada movimento que fazia me inundava com ecos de antigas
memórias.
     “Agora sim”, prosseguiu ela. “Relaxe, baby.”
     “Não começa.”
     “Você está no meu mundo, Regina. Eu faço as regras.”
      Balancei a cabeça. “Só estou aqui porque caí numa armadilha.”
      Emma me puxou para junto de si, levando os lábios junto à minha têmpora.
     “Desculpe.”
     “Você tinha que ter contado para todo mundo, não é? Não entendo você.
  Está na cara que não era o segredinho sujo que achei que fosse.”
     “Sujo, não.” Ela baixou a voz. “Tirando quando você queria que fosse. Ou
pesado. Você me tirava do sério.”
     Pisei no pé dela de propósito.
     Sua risada me atingiu.
    “Você bebeu”, acusei, sentindo o cheiro de álcool em seu hálito.
    “Não teve jeito.” Ela se afastou, com a mandíbula rígida. “Não sabia que
ia ser tão difícil ver você de novo.”
    “Vou facilitar as coisas para você então. Me ajude a sair daqui com Cristina.”
    “Ainda não.” Emma deslizou os lábios macios por minha testa. “Passei uma
noite com sua família. Você me deve uma com a minha.”
    “E depois posso desaparecer para sempre?”
     Era o que eu queria. Passar de Cinderela a Gata Borralheira.
     Emma me apertou, e senti seus seios contra os meus. “É esse o plano.”
 
 
     Emma  dançou mais duas músicas comigo, impedindo-me grosseiramente
de dançar com Owen e outros dois homens que tentaram me convidar.
     Entendi o recado tão bem quanto qualquer um ali: eu chegara à festa com
Owen, mas agora era de Emma.
     Em determinado momento, decidi desempenhar à risca meu papel de
Cinderela. Espantei a voz em minha cabeça que havia dois dias me deprimia
e ajeitei os dedos dentro de meus sapatinhos de cristal.
    “Quero mais champanhe”, anunciei abruptamente.
     Emma me fitou, desconfiada. “Ah é?”
    “É.”
    Seus olhos adquiriram um brilho perverso que eu reconhecia muito
bem. “Venha.”
    Segurando minha mão, ela me conduziu para fora da pista de dança e
pela multidão. Ela crescia ao redor, como se estivesse tentando nos
prender ali, mas Emma era boa em cumprimentos e réplicas bruscos. Avistei
um rosto familiar, a bela Allison Kelsey — esposa do sujeito cuja despedida
de solteiro tinha trazido Emma para minha vida —, e então entramos num
corredor. Em seguida, passamos por uma porta vaivém e entramos numa
imensa cozinha industrial, fervilhando.
    Olhei ao redor, observando as várias estações de cozinha e os uniformes
parecidos com os dos filmes. Emma roubou uma garrafa de champanhe das
mãos de um garçom, envolveu a haste de uma taça com os dedos num gesto
experiente e me levou por uma porta lateral para outro corredor.
    “Para onde estamos indo?”, perguntei, ainda tensa diante da ideia de
ficar sozinha com ela. Ainda a desejava. Nunca deixara de desejá-la.
    “Você vai ver.”
    O som da festa ficou mais alto, e ignorei a pontada de decepção que senti
diante da possibilidade de voltar para o salão. No que eu estava pensando?
     Emmame conduziu por uma porta dupla de vidro para uma varanda com
vista para um jardim encantado. Pelo menos era assim que parecia para
mim, com seus caminhos de cascalho iluminados por tochas e árvores
antigas com lampadinhas brancas brilhando.
    "De quem é esta casa?”, perguntei.
    “É patrimônio Swan.”
     O jeito como ela respondeu transmitia mais propriedade do que as
palavras em si. “Certo.”
     “Finja que estamos aqui de penetra”, disse, fazendo-me descer por uma
escada de paralelepípedos até um banco de mármore em forma de meia lua.
Sentei e fiquei observando enquanto ela servia o champanhe e me
passava a taça. “Parece que o fingimento nunca acaba, não é?”
      Emma bebeu direto da garrafa e limpou a boca com as costas da mão,
indolente e rebelde. “Talvez. Mas conheço você melhor do que pensa.”
     “Tenho a impressão de que não sei nada de você.”
     “Então fique sabendo”, desafiou ela. “Do que tem medo?”
     Tomei um gole do champanhe. “Dos becos sem saída e de ficar rodando
em círculos.”
     “Por que você simplesmente não aproveita?”
     Eu adoraria fazer isso. Uma onda de desejo me dominou.
     Ela colocou a garrafa no banco ao meu lado. “Vou beijar você.”
     Perdi o fôlego. “Não, não vai.”
     “Tente me impedir.”
     Fiquei de pé. “Emma…”
    “Cale a boca, Regina.” Ela segurou meu rosto com as mãos e me beijou.
     Por um momento fiquei estática, imóvel pela sensação de seus lábios
nos meus, macios e firmes ao mesmo tempo. Uma sensação dolorosamente
familiar. Enternecedora. Sua língua percorreu o contorno da minha boca.
     Eu a abri com um gemido grave, e ela deslizou para dentro.
     Deixei a taça cair. Ouvi, ao longe, o barulho do cristal se espatifando, mas
nem liguei. Meus braços envolveram seus ombros, meus dedos
entrelaçaram seu cabelo macio. Eu a estava saboreando, sentindo o gosto
de champanhe misturado com Emma, na ponta dos pés para intensificar o
contato.
     Como sempre, ela me ofereceu o que eu tinha exigido.
     Segurando-me com firmeza, refestelou-se na minha boca, dando golpes
com sua língua aveludada, mordiscando com os lábios e os dentes,
deslizando a boca ao longo da minha. Saboreando-me. Transformando um
simples beijo numa mistura erótica que me fazia tremer de prazer.
     Eu estava morrendo de saudades. Sentira muita falta da forma como ela
me fazia sentir.
     Emma gemeu, o som rouco vibrando em mim. Desceu as mãos, alisando
minhas costas, segurando-me firme à medida que girava os quadris e
esfregava coxa  contra minha virilha. Fui invadida pelo
desejo, a pele ficando corada. Seu cheiro era delicioso, uma fragrância sutil
de sabonete  que só ela possuía. Queria me deleitar do jeito que eu fazia antes, apertando meu corpo nu contra o seu até nenhum fio de ar ser capaz de passar entre nós duas.
     “Regina”, ela murmurou com a voz rouca, os lábios passeando por meu
rosto. “Quero você agora.”
      Fechei os olhos, e minhas mãos fecharam-se em meio aos fios  dourados
seu cabelo. Estava pegando fogo, minha pele parecia sensível e esticada
demais. “Você me teve um dia.”
      “Ir embora foi a decisão certa.” Senti seu hálito contra minha têmpora.
 “Isso não significa que não me arrependa.”
      Uma pequena voz de alerta berrava dentro da minha cabeça. “Você vai
me machucar.”
     “Vou venerar você.” Com uma das mãos, ela segurou minha nuca. Com a
outra, firmou meu quadril, deslizou mais sua perna esquerda entre as minhas, fazendo força ali. “Você lembra como a gente era. Horas com minhas mãos e minha boca em você, meus dedos
 bem lá dentro…”
     “Por quanto tempo?” Eu estava me contorcendo por dentro, louca por
um orgasmo.
    “Semanas.” Ela gemeu. “Meses. Estou tão excitada que dói.”
     Tentei me desvencilhar dela. “Preciso de mais do que sexo.”
     Emma me soltou, mas seu olhar continuava feroz e sensual. “Vou dar tudo o
que eu tiver.”
     “Por algumas semanas?” O esforço para me manter afastada, quando
tudo o que eu queria era ela, me deixou trêmula. “Meses?”
     “Regina.” Emma levou as mãos ao rosto. “Que merda. Aceite o que estou
oferecendo.”
     “Não é o bastante!”
     “Tem que ser. Caramba… Não me peça para transformar você num
deles!”
     Dei um passo para trás, assustada com sua veemência. “Do que você está
falando?”
     Emma virou de costas para a casa, pegou a garrafa de champanhe e deu um
longo gole.
     Examinei-a, confusa, e tudo o que vi foi teimosia. Concentrei o olhar
além dela, no salão de festas e nos casais glamorosos lá dentro. Foi quando
Cristina apareceu, entrando na varanda de braço dado com Chad.
     Naquele momento, entendi que precisava desvendar o mistério de Emma, o
suficiente para não me importar com o custo que isso teria para mim.
     “Se importam se nos juntarmos a vocês?”, perguntou Cristina, aproximando-se.
      Nossos olhares se cruzaram. Desabei no banco, o corpo ainda latejando
de sede insaciada.
      Notei, de relance, os olhos de Emma em mim. Havia um desafio naquelas
profundezas verdes. Estendi a mão para a garrafa de champanhe e a
segurei pelo gargalo assim que ela a entregou para mim.
     Ergui-a num brinde e bebi àquele desafio.
   

    Não desapareça. Quero ver você de novo…
    As últimas palavras de Emma, suspiradas ao pé do meu ouvido quando nos
despedimos, atormentaram-me no voo de volta para Nova York.
     Se me envolvesse com ela, eu me machucaria, porque teria esperanças.
     Eu queria mais. Mas que opção tinha? Precisava descobrir o que tinha
acontecido antes e o que a continha agora. Sempre imaginara que a questão
era me manter afastada — por quem eu era e de onde vinha —, e não o que
ela era e queria no longo prazo.
     Olhei de relance para Cristina, sentada na minha frente no avião, enquanto
abria sua bolsa de festa e retirava uma folha dobrada de papel. Ela a
deslizou ao longo da mesa entre nós, e eu a abri. Li o primeiro parágrafo e
baixei o olho para a assinatura no final, então ergui a cabeça.
     “Você conseguiu fazer Chad assinar?”
     “É um acordo provisório”, observou ela. “Depende de conseguirmos
trazer Isabelle e Alice para a jogada, e de você coordenar o primeiro
restaurante. Mas conseguimos o cara.”
      “Uau.” Dobrei o documento com cuidado, assimilando o fato de que
acabara de receber uma responsabilidade tremenda. “Não acredito que
você trouxe isso na bolsa. Sabia que Chad estaria na festa?”
      “Conhecendo Owen, suspeitei.”
        Devolvi o contrato.
     “Swan monopolizou você esta noite”, ela comentou. “Owen tentou jogar
você no covil dos lobos, mas Emma a manteve por perto.”
      E me queria mais perto ainda.
     Respondi dando de ombros, nem um pouco interessada em falar de algo
tão pessoal. “Aliás, James Swan explicou a conexão. Owen apresentou
James  à atual sra. Swan.”
    “Ah é?” Cristina ergueu as sobrancelhas elegantes. “Então deve ser porque
conhece Kathryn Swan intimamente.”
     “Não brinca?”
     “Estou falando sério.”
     “Então tá.”
      Ela recostou-se contra o assento da poltrona. “Vamos aproveitar o fim
de semana. Desligue o telefone, esqueça um pouco o trabalho. Recarregue
as baterias. Vamos com tudo na segunda.”
      A ideia era maravilhosa. “Eu topo, mas vou deixar o telefone ligado caso
você precise de mim.”
     Cristina sorriu. “Prometo que não vou precisar de você. Tenho um encontro
esse fim de semana.”
     “O fim de semana inteiro?”
      “Preciso tirar o atraso.”
      Eu ri. Em um ano de trabalho com Cristina, jamais soubera de um encontro.
      Ela merecia se divertir. E eu também. “Vai com tudo.”
      Cristina me lançou um olhar. “A ideia é essa.”

9 comentários:

  1. Vc como sempre maravilhosa!! Já amei ....

    ResponderExcluir
  2. Quanto mistério! A Regis já começou a ceder tadinha e mais forte que ela! Tomara que a Emma tenha que rebolar bastante para conseguir a Regis denovo.. Ansiosa por mais não demora tanto please

    ResponderExcluir
  3. Aiiii meu formo caiu com essas duas quero mais

    ResponderExcluir
  4. Vc esta postando em outro lugar e eu não estou sabendo?? Aparece por favor sou viciada nas duas fic! Vc esta bem?? Aconteceu alguma coisa??

    ResponderExcluir
  5. Cê ainda ta postando? To surtando pelo 46!!!!! Aparece PFFFFF 💙

    ResponderExcluir
  6. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  7. Não abandone as fics moça... Hahahaha

    ResponderExcluir