Boa noite! Então, eu disse que não demoraria, lembram? HAHAHAHA
Boa leitura!
Na manhã seguinte, quando desço até a cozinha, Marta, Emma e Cora estão sentadas discutindo. Assim que entro, se calam e isso me faz sentir péssima. Simona carinhosamente me prepara uma xícara de café. E com seu olhar me pede calma. Conhece Emma e sabe que ela está furiosa e também já me conhece. Quando me sento à mesa, olho para Emma e pergunto:
— Como Flyn está?
Com um olhar duro que não me agrada nem um pouco, Emma grunhe:
— Graças a você, todo dolorido.
Cora olha para a filha e reclama:
— Para com isso, Emma! Não é culpa da Regina. Por que você faz questão de jogar a culpa nela?
— Porque ela sabia que não era pra ensinar o Flyn a andar de skate. Por isso eu a culpo — responde irritada.
Minhas pernas tremem. Não sei o que dizer.
— Vem cá, você é burra ou apenas se faz de burra? — intervém Marta.
— Marta... — resmunga Emma.
— Que história é essa de que ela não deveria ensinar? Você não vê que o menino mudou graças a ela? Não vê que Flyn não é mais aquela criança introvertida que era antes da Regina chegar? — Emma não responde e Marta continua: — Você deveria agradecer por ver Flyn sorrir e se comportar como um moleque da idade dele. Porque, sabe, irmãzinha?, as crianças caem, mas levantam e aprendem, o que pelo visto você ainda não aprendeu.
Emma não responde. Levanta-se e sai da cozinha sem olhar para mim. Meu coração está apertado, mas, diante da cara das três mulheres me observando, murmuro:
— Não se preocupem, vou conversar com ela.
— Ela merece é uma bela de uma surra — brinca Marta.
Cora pega minha mão e diz:
— Não se sinta culpada por nada, minha querida. Você não é responsável pelo que aconteceu. E não tem culpa por estar com a moto de Hannah e sair com Jurgen e os amigos dele.
— Eu deveria ter contado pra ela — digo.
— Sim, claro, como se fosse fácil contar alguma coisa pra senhora Resmungona! — protesta Marta. — Você tem paciência demais com ela. E deve amá-la muito pra aguentar tudo isso. Eu a amo, é minha irmã, mas garanto que não tenho mais paciência.
— Marta... — pede Cora —, não seja tão dura com Emma.
Levanta-se e acende um cigarro. Peço outro. Preciso fumar. Vinte minutos depois, saio da cozinha e me dirijo ao escritório de Emma. Respiro fundo e entro. Ao me ver, ela fixa em mim seus olhos acusadores e diz, agressiva:
— O que você quer, Regina?
Chego perto dela.
— Desculpa. Desculpa não ter te contado que...
— Suas desculpas não adiantam nada. Você mentiu pra mim.
— Tem razão. Escondi algumas coisas de você, mas...
— Mentiu pra mim esse tempo todo. Escondeu coisas importantes e sabia que não deveria fazer isso. Será que sou um monstro assim a ponto de você não poder me contar as coisas?
Não respondo. Silêncio. Nos olhamos e por fim ela pergunta:
— O que significa pra você o nosso “agora e sempre”? O que significa pra você o compromisso de estarmos juntas?
Suas perguntas me desconcertam. Não sei o que responder. Ela quebra o silêncio novamente:
— Olha, Regina, estou muito chateada contigo e comigo mesma. Melhor você sair e me deixar sozinha. Preciso pensar. Preciso relaxar ou, do jeito que estou, vou acabar dizendo ou fazendo alguma coisa da qual vou me arrepender depois.
Suas palavras me deixam revoltada e, ignorando-a, contesto:
— Já está me enxotando da sua vida, como faz sempre que se aborrece comigo?
Não responde. Me olha, me olha, me olha, e resolvo lhe dar as costas e sair.
Chego ao quarto com lágrimas nos olhos. Entro e fecho a porta. Sei que ela tem razão de estar chateada. Sei que estou tendo o que procurei, mas ela precisa se dar conta de que se eu não disse nada foi porque tinha medo da sua reação. Estou arrependida, muito arrependida. Mas não há nada a fazer.
Dez minutos depois, Marta e Cora passam para se despedir. Estão preocupadas. Sorrio e lhes asseguro que podem ir tranquilas. Afinal, não vamos partir para a violência.
Quando elas saem, me sento no tapete do quarto. Fico horas pensando e me lamentando. Por que agi como agi? De repente, ouço um carro partindo. Me debruço na janela e fico sem palavras ao ver que é Emma. Saio do quarto, vou atrás de Simona, e, antes mesmo que eu pergunte, ela explica:
— Foi ver Helena. Disse que não demora.
Fecho os olhos e suspiro. Subo para o quarto de Flyn, que sorri ao me ver. Está com uma aparência melhor. Me sento na sua cama e pergunto, colocando a mão na cabeça do garoto:
— Como você está?
— Bem.
— Dói o braço?
Flyn confirma e abre um sorriso. Digo:
— Ai, meu Deus, querido! E você quebrou um dente, ainda por cima!
Meu espanto é tamanho que ele explica:
— Não se preocupe. A vó Cora disse que é de leite. Desculpa por ter feito a tia ficar brava. Não vou pegar mais no skate. Você me avisou que não era pra andar sem você por perto. Mas eu estava sem nada pra fazer e...
— Tranquilo, Flyn. Essas coisas acontecem. Sabe, quando eu era menor, uma vez quebrei a perna ao saltar de moto e, anos depois, um braço. As coisas acontecem porque têm que acontecer. Sério, não vale a pena sofrer por isso.
— Não quero que você vá embora, Regina!
Isso mexe comigo.
— E por que eu iria embora? — estranho.
Não responde.
Me olha, e então respondo com um fio de voz:
— Sua tia te disse que eu vou embora?
O garoto nega com a cabeça, mas tiro minhas próprias conclusões.
Ai, meu Deus! De novo não!
Engulo o choro, respiro e tento consolá-lo:
— Escuta, meu amor, mesmo que eu vá embora, vamos continuar amigos, tá bem? — Ele concorda. E eu, com o coração apertado, mudo de assunto. — Que tal se a gente jogar cartas?
Flyn topa e seguro minhas lágrimas. Enquanto jogamos, não tiro da cabeça o que ele me disse. Será que Emma quer que eu vá embora?
Depois do almoço, Emma chega e vai direto para o quarto do sobrinho, e não vou atrás. Passo horas esparramada no sofá, vendo tevê, até que fico de saco cheio e saio com Susto e Calamar. Perambulo pela vizinhança e demoro para chegar em casa na esperança de que Emma saia à minha procura ou ligue para meu celular. Mas nada disso acontece e, quando volto, Simona aparece e diz que sua patroa foi dormir.
Olho o relógio. Onze e meia da noite.
Confusa por Emma ter ido se deitar sem me esperar, entro em casa, dou água aos cãezinhos e subo a escada com cuidado. Abro a porta do quarto de Flyn, que já está dormindo. Dou um beijo em sua testa e vou para meu quarto. Assim que entro, olho para a cama. A escuridão não me permite ver com nitidez, mas sei que o vulto que está ali é dela. Em silêncio, tiro a roupa e me enfio na cama. Meus pés estão congelados. Quero abraçá-la, mas, assim que encosto nela, Emma me dá as costas.
Seu desprezo me magoa, mas decido falar com ela mesmo assim.
— Emma, sinto muito, querida. Por favor, me perdoa. Sei que está acordada.
E, sem se mexer, ela responde:
— Está perdoada. Agora dorme. É tarde.
Com o coração em frangalhos, me encolho na cama e tento dormir sem encostar nela. Minha cabeça fica remoendo tudo, mas acabo adormecendo.
No dia seguinte, acordo sozinha na cama. Não me espanto com isso, mas, quando desço até a cozinha e Simona avisa que sua patroa já saiu para o trabalho, fico indignada e dou um longo suspiro. Por que não acordei mais cedo hoje?
Passo o dia com Flyn, na medida do possível. O menino está irritado. Seu braço dói e ele não está simpático comigo.
Assisto com Simona à Loucura Esmeralda. No capítulo de hoje, Luis Alfredo Quiñones, o amor de Esmeralda Mendoza, acha que ela o está traindo com Rigoberto, o empregado do estábulo dos Halcones de San Juan. Quando termina, Simona e eu nos olhamos desesperadas. Como podemos ficar desse jeito só por causa de uma novela?
Emma não vem almoçar em casa. Quando volta do escritório, já no fim da tarde, me cumprimenta com um frio movimento de cabeça e vai atrás do sobrinho. Janta com ele e na hora de dormir se comporta como ontem. Me dá as costas e não diz uma palavra. Nem me abraça.
Aguento esse tratamento durante quatro dias. Ela não me dirige a palavra. Não olha para mim. Na quinta-feira me surpreende ao me procurar no quartinho e dizer num tom seco:
— Precisamos conversar.
Ih, essa frase não me cheira nada bem. É assustadora, mas concordo com um gesto.
Diz para eu esperá-la no escritório. Primeiro vai ver Flyn. Faço o que ela pede. Espero por mais de duas horas. Está me provocando. Quando Emma aparece, já estou supernervosa. Ela senta. Me olha como há dias não olhava e se ajeita todo na sua poltrona.
— Fala.
Desconcertada, olho para ela e digo:
— Eu é que tenho que falar?!
— É, você. Te conheço e sei que você tem um monte de coisa pra dizer.
Minha expressão muda na hora. Seu sarcasmo às vezes me tira do sério e acabo explodindo:
— Como você pode ser tão fria? Por favor! Hoje é quinta e estamos desde sábado sem falar uma com a outra. Meu Deus, eu estava quase enlouquecendo! Por acaso você pretende não falar comigo nunca mais? Ficar me torturando? Me pregar numa cruz e me ver sangrando na sua frente? Fria... fria... é isso que você é: uma alemã fria. Todos são iguais. Vocês não têm senso de humor. Quando faço uma piada, vocês nem riem, e quando sou simpática vocês acham que estou dando mole. Fala sério, em que mundo a gente vive? Você me deixou irritada, muito irritada! Como pode ser tão... tão... babaca? — grito. — Chega! Estou de saco cheio! Nesses momentos não sei mais o que estamos fazendo juntas, você e eu. Sou fogo e você é gelo, e estou ficando cansada do esforço para não me deixar consumir pela sua maldita frieza.
Não responde. Apenas me olha e vou em frente:
— Sua irmã Hannah morreu e você cuida do filho dela. Acha que ela aprovaria o que você está fazendo com ele? — Emma bufa. — Eu não a conheci, mas, pelo que sei sobre ela, tenho certeza de que ensinaria Flyn a fazer tudo o que você proíbe. Como Marta disse outra noite, as crianças aprendem. Caem, mas depois levantam. Quando é que você vai se levantar?
— Do que você está falando? — pergunta com raiva.
— De você deixar de se preocupar com as coisas quando elas ainda nem aconteceram. De você deixar os outros viverem e de entender que nem todo mundo gosta das mesmas coisas. De você aceitar que Flyn é uma criança e que deve aprender mil coisas que...
— Chega!
Estou morrendo de raiva e, quando vejo sua cara contrariada, quero saber:
— Emma, você não sente minha falta? Não está com saudades?
— Estou.
— E por quê? Estou aqui. Pode me tocar, me abraçar, me beijar. O que você está esperando pra falar comigo e tentar me perdoar pra valer? Droga, não matei ninguém afinal! Sou humana e cometo erros. Tá bom, o lance da moto eu reconheço. Deveria ter te contado. Mas por acaso eu te proíbo de praticar tiro? Não, né? E por que não te proíbo apesar de eu odiar armas? A resposta é óbvia, Emma: porque eu te amo e respeito seus gostos, por mais que sejam diferentes dos meus. Sobre Flyn, realmente, você disse “não” ao skate, mas o garoto queria muito. Ele precisava fazer o que seus colegas fazem pra provar a esses moleques que o chamam de “chinês”, “merdinha” e “cagão” que ele pode ser um deles e ter um maldito skate. Ah, e isso sem falar que o garoto está a fim de uma menina da turma dele e quer impressioná-la. Sabia disso? — Nega com a cabeça, e eu continuo: — Quanto à história da sua mãe e da sua irmã, elas me pediram pra não te dizer nada, pra guardar segredo. E a pergunta é: quando meu pai guardou o segredo de que você tinha comprado a casa de Jerez, eu deveria ter ficado chateada com ele? Deveria jogar pedras nele? Ah, por favor, convenhamos... Só fiz o que as famílias costumam fazer: guardar pequenos segredos e tentar se ajudar. E, quanto a Betta, ai meu Deus!... Cada vez que lembro que ela te acariciou na minha frente, fico fervendo de tanto ódio. Ah, se eu soubesse... Teria cortado as asinhas dela porque...
— Cala a boca! — grita Emma, enfurecida. — Já ouvi o suficiente.
Isso me revolta. E não consigo ficar quieta.
— Está esperando que eu vá embora, né?
Minha pergunta a surpreende. Eu a conheço e dá pra ver isso nos seus olhos. Mas, como estou histérica, não lhe dou trégua e insisto:
— Por que você disse a Flyn que talvez eu fosse embora daqui? Por acaso é isso que você vai me pedir e já está preparando o garoto?
Faz cara de surpresa.
— Eu não disse nada disso a Flyn. Do que você está falando?
— Não acredito em você.
Ela não responde. Me olha, me olha e me olha, mas acaba dizendo:
— Não sei o que fazer contigo, Regina. Te amo, mas você me enlouquece. Preciso de você, mas você me deixa desesperada. Te adoro, mas...
— Sua babaca...!
Levanta-se da mesa e exclama com expressão contraída:
— Chega! Para de me ofender!
— Babaca, babaca e babaca!
Meu Deus, como estou exagerando! Mas fazer o quê, né? Depois de três dias sem falar com ela, virei um tsunami.
Emma me olha furiosa. Tomo ainda mais coragem e a recrimino desaforada:
— Você deveria mudar seu nome para Senhora Perfeita. Que foi? Você não erra nunca? Ah, não, a senhora Swan é Deus!
— Quer calar a boca e me escutar? Preciso te dizer uma coisa e quero te pedir que...
— Quer me pedir pra eu ir embora, né? Só falta eu descumprir mais uma regra pra você me expulsar de novo da sua vida.
Não responde. Nos olhamos como rivais.
Meu desejo é beijá-la. Mas não é o momento para isso. Então a porta do escritório se abre e Helena aparece com uma garrafa de champanhe. Olha para nós duas e, antes de dizer qualquer coisa, chego perto dela, seguro seu pescoço e beijo seus lábios. Enfio a língua na sua boca, e ela me olha com espanto. Não entende o que estou fazendo. Em seguida me viro para Emma e digo diante da expressão de incredulidade de Helena:
— Acabo de descumprir uma regra superimportante: a partir de agora, minha boca não é mais sua.
A cara de Emma é indescritível. Sei que não esperava isso de mim. E, diante do olhar assustado de Helena, explico:
— Vou facilitar para você. Não precisa me expulsar, porque agora quem decidiu ir embora fui eu. Vou juntar minhas coisas e desaparecer da sua casa e da sua vida pra sempre. Estou por aqui contigo. Cansei de ter que esconder as coisas de você. Cansei das suas regrinhas. Cansei! — grito. Mas, antes de sair e com a respiração entrecortada, digo: — Só vou te pedir um último favor: preciso que seu avião me leve pra Madri, junto com minhas coisas e Susto. Não quero colocar o Susto numa gaiola e no compartimento de carga de um avião e...
— Por que não cala a boca? — diz Emma, furiosa.
— Porque não estou a fim.
— Crianças, por favor, acalmem-se — pede Helena. — Acho que vocês estão exagerando e...
— Fiquei calada — prossigo, ignorando Helena e olhando para Emma — durante quatro dias e você não estava nem aí pro que eu poderia estar pensando ou sentindo. Não se importou com a minha dor, minha raiva ou minha frustração. Então não vem agora me pedir pra calar a boca, porque não vou te obedecer.
Helena nos observa sem saber o que fazer e Emma murmura:
— Por que está falando tanta bobagem?
— Pra mim não é.
Tensão. Nos encaramos exasperadas e minha alemã pergunta:
— Por que você vai levar o Susto?
Fervendo de raiva, me aproximo dela.
— Que foi agora? Vai querer lutar pela guarda do cachorro?
— Nem você nem ele vão embora. Esquece isso!
Depois do seu grito, levanto a cabeça, afasto o cabelo do rosto e esclareço:
— Tudo bem, então. Já vi que você não vai me emprestar seu maldito jatinho particular. Ótimo! Susto fica contigo. Logo, logo, eu encontro um jeito de buscá-lo, porque me recuso a deixá-lo junto com a carga do avião. Mas fique você sabendo que no domingo eu estou de partida.
— Então vai, sua desgraçada! Se manda! — grita descontrolada.
Sem dizer mais nada, saio do escritório sentindo meu coração dilacerado.
À noite durmo no quartinho. Emma não me procura. Não se preocupa comigo e isso me desanima completamente. Conseguiu o que queria. Facilitei sua vida ao decidir eu mesma ir embora. Deitada no tapete felpudo junto com Susto, fico olhando pela porta de vidro, enquanto me dou conta que minha linda história de amor com essa alemã chegou ao fim.
No dia seguinte, quando Emma sai para trabalhar, estou morta. O tapete é supermacio, mas minhas costas estão doendo à beça. Quando entro na cozinha, Simona, sem saber do meu sofrimento, me dá bom dia. Tomo o café em silêncio, até que lhe peço para sentar ao meu lado. Assim que conto que vou embora, seu rosto se contrai e, pela primeira vez desde que cheguei aqui, vejo a mulher chorar copiosamente. Nos abraçamos.
Passo horas recolhendo minhas coisas pela casa. Guardo fotos, livros, CDs, e cada vez que fecho uma caixa, meu coração fica mais apertado. À tarde, combino de encontrar Marta no bar de Arthur. Quando conto que estou de partida, ela diz, surpresa:
— Peraí... minha irmã é mesmo idiota?
Sua espontaneidade me faz sorrir. Tento acalmá-la e respondo:
— É melhor assim, Marta. Está bem claro que eu e sua irmã nos amamos, mas somos completamente incapazes de solucionar nossos problemas.
— Você e minha irmã, não. Minha irmã! — insiste ela. — Conheço essa cabeça-dura. Se você vai embora, com certeza é porque ela não tem sido nada fácil. Mas te juro pela minha mãe que ela vai me ouvir. Vou dizer umas poucas e boas. Como pode te deixar ir embora? Como?!
Maura também fica triste e conversamos por horas. Consolamos umas às outras, enquanto Arthur aparece para trazer bebidas geladas. Não tem ideia do que está acontecendo. A única coisa que sabe é que passamos do choro ao riso e do riso ao choro com a mesma facilidade. De repente, me lembro de uma coisa. Olho o relógio. Hoje é sexta e são 19h20.
— Sabem onde fica a Trattoria de Vicenzo?
— Ah, não! — diz Maura ao captar meu olhar.
— Nem pense! Se Emma souber, vai ficar mais puta ainda contigo e...
— E o quê? — pergunto. — Que diferença faz agora?
Nós três nos entreolhamos e, como umas bruxas, desatamos a rir. Pegamos o carro de Marta e vinte minutos depois já estamos em frente à trattoria. Bolamos um plano. Desta vez Betta vai saber quem é Regina Mills e do que sou capaz. Entramos no restaurante e dou uma olhada ao redor procurando por ela. Como imaginava, está numa mesa com várias pessoas. Fico observando por um tempo. Parece animada e feliz.
— Regina, se você quiser, podemos desistir — sussurra Marta.
Nego com a cabeça. Vou levar a vingança até o fim. Ando com determinação até a mesa, e, quando Betta nos vê, fica pálida. Sorrio e pisco para ela. Não presto! E então Maura diz:
— Betta, você por aqui!
— Caramba, que coincidência! — digo, rindo, e Betta fecha a cara. As outras pessoas na mesa olham na nossa direção e eu me apresento. — Meu nome é Regina Mills e sou espanhola também, como Betta. — Todos acenam e com um sorriso meigo e angelical, digo: — Prazer em conhecê-los. Eles sorriem e, sem perder tempo, pergunto:
— Um passarinho me contou que hoje alguém ia te fazer uma pergunta importante. É verdade que te pediram em casamento?
Com um sorrisinho sem graça, ela faz que sim e sua noiva, uma mulher não exatamente jovem, afirma todo alegre:
— Sim, senhorita. E essa mulher linda aceitou. — Pegando a mão dela, continua: — De fato, minha mãe acabou de lhe dar o anel de compromisso da família, uma verdadeira joia.
Os convidados aplaudem. Eu, Marta e Maura também. Todos sorriem e nos oferecem taças de champanhe. Sorridentes, aceitamos e bebemos. Abrem espaço na mesa. Nos sentamos com eles, e Betta me observa. Eu sorrio e, olhando para sua futura esposa, digo:
— Ruth, ela sim é que é uma joia... uma autêntica joia.
A mulher concorda, orgulhosa. Achando graça de tudo, me junto às minhas duas cúmplices e incentivamos todo mundo a gritar: “Beija, beija, beija!”
Betta me olha furiosa, enquanto aplaudo curtindo a situação, até que por fim elas se beijam. Faço um sinal de aprovação e digo com voz angelical:
— E quem é o primo Alfred?
Um cara da minha idade ergue a mão e, olhando para ele, solto:
— Contou a Ruth que você também dorme com a Betta? Acho que ela merece saber, embora esteja tudo em família.
As caras de todos mudam. Ruth, a noiva, se levanta e pergunta:
— O que você disse, moça?
Apoio a mão no ombro da coitado da Ruth, me levanto e sussurro tristemente:
— Vamos, Alfred. Conta pra ele!
Todos olham para o rapaz envergonhado, e Maura insiste:
— Vamos lá, Alfred... é sua prima. É o mínimo que você pode fazer.
Betta está vermelha. Não sabe onde se enfiar, e os seus ex-futuros sogros exigem que ela devolva o anel da família.
Radiante, viro para Ruth e observo:
— Sei que essa notícia deve ser um baque, mas com o tempo você vai me agradecer, Ruth. Essa mulher só ia se casar pelo dinheiro. Ela vai pra cama com metade da Alemanha. E, antes que você pergunte, sim, eu posso te provar.
Fora de si, Betta se levanta e grita enquanto a mãe de Ruth puxa seu dedo para recuperar o anel.
— Mentira, isso é mentira! Ruth, não dê ouvidos a ela!
Marta, que estava calada até agora, sorri com malícia e aponta:
— Betta... Betta... nós te conhecemos. — E, voltando-se para as outras pessoas da mesa, revela: — Minha irmã se chama Emma Swan, saiu com Betta um tempo, mas terminou com ela quando a flagrou com o pai dela na cama. O que acham disso? Coisa feia, né?
Indignados, todos se levantam para pedir explicações. Maura murmura:
— Ai, Betta, quando é que você vai aprender?!
Ruth está furiosa. Seus pais e os outros convidados não conseguem acreditar no que escutam. Alfred não sabe onde enfiar a cara. Todos gritam. Todos opinam. Betta não consegue dizer nada e então, sem tocá-la, chego perto dela e digo em espanhol:
— Te avisei. Te disse que comigo ninguém mexe, sua vadia! Volte a se aproximar de Emma, da família dela, dos amigos ou de mim, e eu juro que te escorraçam da Alemanha.
Em seguida, eu, Maura e Marta vamos embora do restaurante. Minha vingança está completa. Com a adrenalina a mil, decidimos ir dançar no Guantanamera. Não quero voltar para casa. Não quero ver Emma, e um pouquinho de salsa cubana vai me fazer bem.
OMG ainda não tô acreditando que a Regina realmente fez isso bem que a Betta mereceu isso é muito mais... Espero que a Em a faca algo não quero que a Regina e ela terminem assim.. ela não pode deixar a Regina ir embora pra Madri
ResponderExcluirCaralho meu!
ResponderExcluirBem vamos lá, pelo visto os planos da Emma não era que a Regina fosse embora e sim algo completamente contrária, afinal a Helena entrou no escritório com champanhe e essa bebida só é servida em comemorações e eventos festivos então não faria sentido a Emma querer que a Mills fosse embora e comemorar com a Helena depois, a não ser que ela não ame a morena ai é outra coisa.
Agora vamos falar da parte boa.... BEM FEITO BETTA SUA VADIA FILHA DA PUTA DESGRAÇADA MAU AMADA! Adorei cara! Eu adorei simplesmente adorei! Chupa sua otaria fdp!
Sen-or eu amo sua fic e essa Betta merecia muito mais que isso.
ResponderExcluirEspero que Emma e Regina se acertem logo, porque quero ver a familia feliz e completa.
Voltei com tudo ja estava com saudades de ler esta fic.
ResponderExcluirEla foi a primeira que li em toda minha vida. 😍