quarta-feira, 8 de julho de 2015

Peça- me o que Quiser Capítulo 44

   Boa noite e segurem os corações!


 Queria deixar um imenso OBRIGADO às pouquíssimas pessoas que comentam aqui nos capítulos. É sempre bom saber se estão gostando. Continuem <3 E ah, se tudo der certo, amanhã começarei a postar uma outra Fanfic Swan queen aqui hehehe e quando o fizer...Gostaria de saber a opinião de vocês, ok?  Sem mais delongas.... Tenham uma ótima leitura!







   Acordo no dia seguinte com uma ressaca monstruosa, pois a noite foi maravilhosa e só dormi algumas horas na casa de Marta. Quando chego à casa de Emma, e ela me vê entrar com os óculos escuros na cara, vem na minha direção e pergunta furiosa:
    — Posso saber onde você dormiu?
    Surpresa, levanto a mão e respondo:
    — No meio da rua eu te garanto que não foi.
     Ela xinga e resmunga. Dá para perceber o quanto estava preocupada. Não dou bola. Caminho decidida, enquanto sinto seus passos atrás de mim. Está furiosa. Assim que entro no meu quartinho, bato a porta na cara dela. Isso deve tê-la irritado muito. Fico esperando que ela entre e grite comigo, mas não é o que acontece. Ótimo! Não estou a fim de ouvir seus chiliques. Hoje não.
    Tento ser forte enquanto termino de arrumar minhas coisas nas caixas de papelão.
    Não vou chorar. Chega de ficar chorando e chorando por causa da Icewoman. Se ela não me dá valor, não tenho motivo para sofrer por ela. Preciso acabar de arrumar tudo o quanto antes. Logo que fecho uma caixa de livros, decido subir até meu quarto. Tenho muitas coisas aqui. Por sorte, não encontro Emma. Quando entro no quarto, suspiro ao ver que ela também não está lá. Deixo algumas caixas e vou atrás de Flyn.
     O garoto se alegra ao me ver, mas, quando se dá conta de que estou me despedindo, sua cara muda completamente. Me dirige um olhar duro e diz:
    — Você tinha me prometido que não iria embora.
    — Eu sei, meu amor. Sei que te prometi, mas às vezes as coisas entre os adultos não saem como o previsto e, no fim, se complicam mais do que você imaginava.
   — A culpa é toda minha — diz, com a carinha triste. — Se eu não tivesse pegado o skate, não teria caído, e você e a tia não teriam brigado.
    Eu o abraço, aninhando-o. Nunca poderia imaginar que ele choraria por minha causa. Tentando segurar as lágrimas, garanto:
    — Escuta, Flyn. Você não tem culpa de nada, querido. Eu e sua tia...
    — Não quero que você vá embora. Eu me divirto contigo, você é... é boa pra mim.
    — Ouça, meu amor.
   — Por que você tem que ir?
    Sorrio com tristeza. Ele não quer me escutar, e eu não consigo lhe explicar por que estou partindo. No fim, enxugo as lágrimas do seu rosto e tento animá-lo:
    — Flyn, você sempre me mostrou que é um rapazinho tão forte quanto sua tia. Agora vai precisar ser assim outra vez, combinado? — O garoto confirma com a cabeça e continuo: — Cuida bem do Calamar. Não se esquece que ele é seu superamigo e supermascote, e dá muito carinho pro Susto, promete?
    — Prometo.
    Seus olhos vidrados me partem o coração. Dou um beijo na sua bochecha e continuo:
    — Escuta, querido. Prometo que venho te visitar logo, combinado? Vou ligar pra Cora e ela vai ajudar a gente a se encontrar, você quer?
     O garoto levanta o polegar, eu levanto o meu, juntamos os dois e batemos uma palma. Isso nos faz rir. Dou-lhe um abraço e um beijo e, com o coração apertado, saio do quarto.
     Não consigo respirar direito. Levo a mão ao peito e por fim consigo que me entre um pouco de ar. Por que tudo tem que ser tão triste? Abro o armário e observo todas as coisas lindas que Emma comprou para mim. Penso um pouco e decido levar apenas o que trouxe de Madri. Ao pegar minhas botas pretas, vejo uma bolsa e, assim que abro, sorrio com melancolia ao encontrar minha fantasia de policial durona. Nem cheguei a estreá-la. Por um motivo ou outro, acabei não vestindo essa roupa para Emma. Eu a meto numa das caixas, junto com meus jeans e minhas camisetas. Depois entro no banheiro e pego minhas maquiagens e meus cremes. Nada mais ali é meu.
      De volta ao quarto, ando até a mesinha de cabeceira. Esvazio uma gaveta e encontro os brinquedos sexuais. Toco na joia anal  ( OLHA ELA AÍ MONIQUE HAUAHAUAHAUA ) com a pedra verde. Nos vibradores. Nos enfeites para os mamilos. Não quero todo esse arsenal, que me faria lembrar delA. Fecho a gaveta. Deixo os objetos ali dentro. Meus olhos estão cheios d’água. Momento dramático! Tudo por causa do abajur que Emma me deu de presente há alguns meses na feirinha de Madri e com o qual não sei o que fazer. Fico só olhando, olhando e olhando. Foi ela que comprou os dois. Por fim, decido levar comigo. É meu.
    Me viro e Emma está me observando da porta. Está linda com sua calça jeans de cintura baixa, camiseta preta e jaqueta vermelha. Está meio abatida. Preocupada. Mas imagino que estou igual. Não sei há quanto tempo estava ali. O que sei é que seu olhar é frio e impessoal. É como ela fica quando não quer demonstrar o que está sentindo. Não pretendo discutir, não estou com vontade. E, olhando para ela, comento:
    — Convenhamos, esses abajures nunca combinaram com a decoração do seu quarto. Se você não se importar, vou levar o meu.
    Concorda. Entra no quarto e diz ao tocar no seu abajur:
    — Leva. É seu.
    Mordo o lábio. Guardo o abajurzinho na caixa e a ouço dizer:
   — Foi isso que sempre me chamou a atenção em você, o fato de ser totalmente diferente de tudo que me cerca.
    Não respondo. Não consigo. Então, num tom mais calmo, Emma afirma:
    — Regina, sinto muito que tudo acabe assim.
    — Eu sinto mais ainda, pode ter certeza — digo.
    Ela anda pelo quarto. Está nervosa. Até que finalmente pergunta:
   — Podemos conversar um momento como adultos?
    Engulo o choro engasgado na minha garganta e respondo que sim. Já não me chama de “pequena”, nem “moreninha”, nem “amor”. Agora fala “Regina” com todas as letras. Cada um de nós está de um lado da cama. Nossa cama. É o lugar onde nos amamos, nos desejamos e nos beijamos. Emma começa:
     — Escuta, Regina. Não quero que você fique sem trabalho por minha causa. Falei com Gerardo, o chefe do RH da Müller em Madri, e você vai poder assumir novamente a função que ocupava quando nos conhecemos. Como não sei quando você vai querer voltar, eu disse a ele que no prazo de um mês você vai entrar em contato pra pegar essa vaga outra vez.
     Discordo com a cabeça. Não quero trabalhar de novo na sua empresa. Mas Emma continua:
    — Regina, seja adulta. Uma vez você me disse que seu amigo Killian precisava do emprego pra pagar as contas, ter o que comer e poder viver. Você tem que fazer a mesma coisa, e com o desemprego e a crise na Espanha vai ser muito difícil pra você conseguir um trabalho decente. Esse departamento está com chefe novo e tenho certeza de que você não terá problema algum com ele. Quanto a mim, não se preocupe. Você não vai precisar me encontrar. Já te aborreci o suficiente.
     Essa parte final me dói. Sei que ela disse isso pelo que gritei naquela noite, mas não digo nada. Apenas escuto. Minha cabeça não para, fica remoendo tudo, mas sei que ela está certa. Novamente está certa. Contar com um trabalho hoje em dia não é algo que esteja ao alcance de todo mundo. Não posso me dar ao luxo de recusar a oferta.
     — Está bem. Vou falar com Gerardo.
     — Espero que você retome sua vida, Regina, porque eu vou retomar a minha. Como você mesma disse quando beijou Helena, não sou mais a dona da sua boca nem você da minha.
    — E por que isso agora?
    Com o olhar cravado em mim e mudando o tom de voz, ela diz:
    — É que agora você pode beijar quem te der na telha.
    — Você também. Espero que jogue muito.
    — Não tenha dúvida — comenta com um sorriso frio.
    Nos olhamos e, quando não estou mais aguentando, saio do quarto sem me despedir. Não consigo. As palavras não saem da minha boca. Desço a escada a todo o vapor e chego ao meu quartinho. Fecho a porta e então, só então, me permito desabafar com um monte de palavrões.
     Essa noite, quando já está tudo encaixotado, aviso a Simona que um caminhão passará às seis da manhã para levar as coisas ao aeroporto. Vinte caixas chegaram de Madri. Vinte voltarão. Com tristeza, pego um envelope e uma caneta para fazer a última coisa me resta nessa casa. Escrevo “Emma”, arranjo um pedaço de papel e, depois de pensar no que escrever, rabisco simplesmente “Adeus e se cuida”. Melhor algo impessoal.
      Solto a caneta e olho para minha mão. Está tremendo. Tiro o lindo anel que já lhe havia devolvido outra vez e leio o que está escrito na parte de dentro: “Peça-me o que quiser, agora e sempre.”
    Fecho os olhos.
   O “agora e sempre” não foi possível para a gente.
   Aperto o anel na palma da minha mão e por fim, com o coração partido, ponho no envelope. Meu celular toca. É Cora. Está preocupada e me espera na sua casa. Dormirei lá minha última noite em Munique. Não posso nem quero dormir sob o mesmo teto que Emma. Quando chego à garagem e tiro a moto, Norbert e Simona vêm até mim. Com um sorriso forçado, eu os abraço e entrego a Simona o envelope com o anel para entregar a Emma. A mulher soluça e Norbert tenta consolá-la. Minha partida os entristece. Me acolheram com tanto carinho quanto eu a eles.
    — Simona — me esforço para brincar —, daqui a alguns dias eu te ligo e você me conta como anda Loucura Esmeralda, ok?
    Ela balança a cabeça e se esforça para sorrir, mas acaba chorando mais ainda.
    Dou-lhe um último beijo e me preparo para sair, quando, assim que ergo o olhar, vejo Emma nos observando da janela do nosso quarto. Olho para ela. Ela me olha. Meu Deus... como amo essa mulher!  Levanto a mão e dou tchau. Ela faz o mesmo. Instantes depois, com a frieza que aprendi com ela própria, me viro, subo na moto e vou embora sem olhar para trás.
    Nessa noite não consigo dormir. Fico olhando para o vazio e esperando o despertador tocar.


     Chego a Madri e ninguém sabe que voltei. Ninguém para me receber. Não liguei para ninguém. Alugo uma caminhonete no aeroporto e enfio todas as minhas caixas ali. Quando saio do Terminal 4, tento sorrir. Estou de novo em Madri! Ligo o rádio, e as vozes de Andy e Lucas cantam:


                    Te entregaré un cielo lleno de estrellas, intentaré darte una vida entera
                    en la que tú seas tan feliz, muy cerquita estés de mím.
                    Quiero que sepas..., lelelele.

    Tento cantar, mas minha voz está embargada. Não consigo. Simplesmente não consigo. Ao chegar ao meu bairro, a alegria toma conta de mim. Mas em seguida, quando preciso carregar sozinha as vinte caixas, a felicidade logo se transforma em mau humor. O que eu botei ali dentro? Pedras?
     Assim que termino, fecho a porta de casa e me sento no sofá. De volta ao meu lar. Pego o telefone, decidida a ligar para minha irmã. Acabo desistindo. Ainda não estou com vontade de lhe dar explicações, e minha irmã é osso duro de roer. Ligo a geladeira e desço para comprar alguma comida no mercado. Quando volto e guardo minhas compras, a solidão me domina. Me corrói.
     Preciso ligar para minha irmã e meu pai.
     Penso, penso, penso. Por fim decido começar pela minha irmã e, como era de se esperar, dez minutos depois de desligarmos, ela aparece na porta de casa. Abre com sua própria chave e, ao me ver sentada no sofá, diz:
    — Fofaaaaaaaa. Caramba, o que houve contigo, querida?
    Ver minha irmã, seu espanto, o jeito como me olha, é a gota d’água. Ela me abraça e eu caio em prantos. Passo duas horas chorando, e ela me consola e me diz várias vezes para eu não me preocupar com nada. Que tudo vai ficar bem. Quando enfim me acalmo, olho para ela e pergunto:
    — E a Grace onde está?
    — Na casa de uma amiga. Não contei que você está aqui, senão você já sabe...
    Isso me faz sorrir e peço:
    — Não diga nada. Amanhã quero ir a Jerez ver o papai. Quando eu voltar, vou visitá- la, tá?
    — Tá.
    Com carinho, passo a mão por sua barriga saliente e, antes que eu diga qualquer coisa, ela solta:
   — Eu e Whale estamos nos separando.
    Arregalo os olhos, espantada. Ouvi direito? E, com uma frieza que eu não sabia que existia em minha irmã, ela me explica:
    — Eu pedi ao papai e a Emma que não contassem nada pra você não se preocupar. Mas, agora que você está aqui, acho que é hora de saber.
    — Emma?!
   — Sim, fofa... e...
    — Emma sabia? — grito desconcertada.
    Minha irmã, que não está entendendo nada, pega minhas mãos e murmura:
    — Sabia, querida. Mas eu a proibi de te contar. Não fica chateada com ela por causa disso.
    Não acredito. Não acredito!
   Ela se aborrece comigo porque escondo coisas, quando na verdade ela próprio está escondendo também. Inacreditável!
    Fecho os olhos. Tento me acalmar. Minha irmã está com um problemão e, me esforçando para esquecer Emma e minhas próprias questões, procuro entender:
    — Mas... mas o que aconteceu?
    — Ele estava me chifrando com metade de Madri — afirma num tom seco. — Já te falei isso há algum tempo, mas você não acreditou.
    Ficamos horas conversando. Essa notícia foi um baque. Jamais poderia imaginar que o pateta do meu cunhado traía minha irmã. Isso é para aprender a não confiar nos patetas...! Mas o que me surpreende mesmo é minha irmã. Ela, que é tão chorona, de repente está centrada e tranquila. Será que é por causa da gravidez?
    — E Grace? Como ela está com essa história toda?
    Move a cabeça com resignação.
    — Bem. Está aceitando. Ficou muito triste quando eu disse que ia me separar do pai dela, mas, desde que Whale saiu de casa, há um mês e meio, dá pra perceber que ela está bem. Demonstra isso todo dia pelo seu sorriso.
     Falamos, falamos e falamos. Depois de ver com meus próprios olhos o quanto minha irmã é forte e o quanto está calma apesar do desgosto e da gravidez, pergunto:
    — Meu carro está no estacionamento?
    — Está, sim, querida. Funciona que é uma maravilha. Eu usei nos últimos meses. Afasta uma mecha de cabelo do meu rosto. Em seguida ela sussurra: — Não me conte o que houve entre você e Emma. Não quero saber. Só preciso ter certeza de que você está bem.
    Fico aliviada por ela dizer isso e, emocionada, afirmo:
    — Estou, sim, Mary. Estou bem.
    Nos abraçamos de novo e me sinto em casa.
   À noite, quando ela vai embora e fico sozinha, percebo que já consigo respirar. Desabafei. Chorei tudo o que tinha para chorar e me sinto muito melhor. Mas estou ainda mais chateada com Emma. Como ela pôde me esconder essa história?
     Decido não ligar para o meu pai. Vou fazer uma surpresa.
    Às sete da manhã me levanto e entro na garagem. Vejo meu Leãozinho e sorrio. Como ele é lindo! Dou partida e sigo para Jerez. No caminho, há tempo para tudo. Para rir. Para chorar. Para cantar ou para xingar Emma à vontade.
     Ao chegar a Jerez, vou direto à oficina do papai. Quando paro o carro na porta, eu o vejo conversando com dois amigos e, de repente, ao me ver, fica paralisado. Sorri e corre na minha direção. Ao receber abraço carinhoso, tenho a certeza de que ele vai me paparicar muito. Em seguida ele olha ao redor e pergunta:
    — Cadê a Emma?
   Não respondo. Meus olhos se enchem de lágrimas e, ao ver minha cara, ele sussurra:
   — Ah, moreninha! O que aconteceu, minha vida?
   Segurando o choro, volto a abraçá-lo. Preciso do carinho do meu pai.
   Nessa noite, depois de jantar, estou contemplando as estrelas, quando meu pai senta no sofá.
    — Por que não me contou sobre Mary e Whale? — pergunto com tristeza.
    — Sua irmã não queria te preocupar. Ela falou com Emma e pediu pra ela não te dizer nada.
    — Ah, que ótimo! — exclamo, louca para arrancar a cabeça de Emma por ela ser tão falsa comigo.
    — Escuta, moreninha. Sua irmã sabia que, se te contasse alguma coisa, você iria até Madri. Só fiz o que ela pediu. Mas pode ficar tranquila, ela está bem.
    — Eu sei, pai, já vi com meus próprios olhos e fiquei bastante surpresa.
   — Fico muito triste com o que aconteceu, mas, se Whale não valorizava minha filha como ela merecia, melhor que a tenha deixado em paz. Aquele sem-vergonha desgraçado! — diz. — Torço pra que ela encontre um homem que lhe dê valor, que a ame e, principalmente, que a faça voltar a sorrir.
    Olho para ele com ternura. Papai é um romântico incorrigível.
    — Mary é uma joia rara — prossegue e eu sorrio. — Ah, moreninha! Sinceramente, eu não esperava que Whale fosse capaz de fazer o que fez. Brincou com os sentimentos da minha filha e minha netinha, e isso eu não vou perdoar.
     Concordo e abro uma lata de Coca-Cola  (  REGINA E A COCA COLA HSUAHUSAHSU LIKE ANA LUIZA GERODETTI HAHAHA ) que meu pai deixou na minha frente. Ele pergunta:
    — E você? Vai me contar o que aconteceu com Emma?
     Me sento ao seu lado e, após dar um gole na Coca, murmuro:
    — Somos incompatíveis, pai.
    Balança a cabeça de um lado para outro e cochicha:
    — Você sabe, minha linda, que os opostos se atraem. E antes que você diga qualquer coisa: vocês não são como Whale e Mary. Não têm nada a ver com eles. Quando estive na Alemanha no seu aniversário, vi que vocês estavam superbem. Você, feliz. E Emma, completamente apaixonada. Por que isso de repente?
    Espera uma explicação e sei que não vai desistir até conseguir. Então respondo:
    — Pai, quando eu e Emma reatamos, prometemos que nunca esconderíamos nada uma da outra e que seríamos cem por cento sinceras. Mas eu não cumpri a promessa, e pelo visto ela também não.
    — Você não cumpriu?
    — Não, pai... Eu...
    Conto a história toda: o curso de paraquedismo de Marta e Cora, a moto, minhas saídas com Jurgen e os amigos dele, as aulas de skate e patins que dei a Flyn, o tombo que o menino levou e a surra que dei numa ex de Emma que azucrinava nossa vida. Meu pai me escuta com os olhos arregalados e depois exclama:
      — Você bateu numa mulher?
     — Bati, pai. Ela mereceu.
    — Mas, filha, isso é horrível! Uma moça como você não faz essas coisas.
    Concordo e prometo a ele que isso não vai se repetir.
    — Só dei o que essa cadela vadia mereceu.
     — Moreninha, olha a boca suja! Vou ter que lavar sua boca com sabão?
    Caio na gargalhada com seu comentário e ele também acaba rindo. Dando uns tapinhas de leve na minha mão, lembra:
     — Não te ensinei a se comportar assim.
     — Eu sei, pai, mas o que você queria que eu fizesse? Ela me provocou e você sabe que sou impulsiva demais.
    Achando graça, ele toma um gole da sua cerveja e diz:
    — Está bem, filha. Entendo o que você fez, mas ouça bem: que isso não volte a acontecer, ok? Você nunca foi barraqueira e não quero que comece a ser.
    Suas palavras me fazem rir. Dou-lhe um abraço e ele sussurra na minha orelha:
    — Conhece aquela frase que diz que, se você tem um pássaro, deve deixá-lo voar? Se ele voltar, é porque é seu; se não, é porque nunca te pertenceu. Emma vai voltar. Você vai ver, moreninha.
     Não respondo. Não tenho forças para dizer nada nem para pensar em ditados.
     Na manhã seguinte, saio com minha moto e libero minhas energias saltando como um camicase pelos campos de Jerez. É meu melhor remédio. Faço manobras arriscadas e no fim acabo me esborrachando. Levo um belo de um tombo! No chão, penso em como Emma se preocuparia comigo se visse isso e, quando me levanto, toco no meu traseiro dolorido e resmungo.
    À tarde, estou vendo tevê quando meu celular toca. É Robin. Seu pai, o Bichão, contou que estou em Jerez sem Emma. Dois dias depois, ele aparece na cidade. Assim que me vê, nos abraçamos e ele me chama para almoçar. Conversamos. Comento que eu e Emma terminamos e Fernando sorri. Depois o idiota diz:
    — Essa alemã não vai te deixar escapar.
     Sem querer falar mais do assunto, pergunto sobre sua vida e me surpreendo quando ele conta que está saindo com uma garota de Valência. Fico feliz por Robin, ainda mais quando ele admite que está completamente envolvido. Gosto de saber disso. Quero vê-lo bem.
     Os dias passam e meu humor fica oscilando entre a alegria e a tristeza. Sinto falta de Emma. Não entrou em contato comigo, o que é uma novidade. Eu a amo demais para esquecê-la tão depressa. Toda noite, quando já estou deitada na cama, fecho os olhos e quase consigo senti-la ao meu lado, enquanto escuto no meu iPod as músicas que eu ouvia junto com ela. Meu nível de masoquismo aumenta cada dia mais. Trouxe uma camiseta dela e fico cheirando. Adoro seu cheiro. Preciso senti-la para dormir. É um péssimo hábito meu, mas não estou nem aí. É um mau hábito assumido.
     Quando já faz uma semana que estou em Jerez, ligo para Cora. Ela fica supercontente com meu telefonema e eu me surpreendo ao saber que Flyn está ali com ela. Emma viajou. Fico tentada a perguntar se ela foi a Londres, mas decido não tocar no assunto. Já me torturei o bastante. Ela passa a ligação para Flyn e conversamos um tempinho. Nenhum de nós menciona sua tia. Depois ele devolve o telefone a Cora e ela pergunta:
     — Você está bem, querida?
     — Estou. Vim visitar meu pai em Jerez e ele me paparica do jeito que estou precisando. Cora ri e diz:
    — Sei que você não quer escutar, mas vou falar mesmo assim: está insuportável. Essa minha filha, com esse temperamento dela, é uma sujeita intratável.
    Sorrio com tristeza. Imagino como está. Cora comenta:
    — Não diz nada, mas sente muita saudade de você. Eu sei disso. Sou a mãe dela e, apesar de Emma não abrir a guarda e não me deixar cuidar dela, eu sei.
     Conversamos durante quinze minutos. Antes de desligar peço que por favor não diga que liguei. Não quero que Emma pense que estou tentando colocar sua família contra ela.
     Após passar dez dias em Jerez com meu pai e me sentir aconchegada no seu amor, decido voltar a Madri. Ele viaja comigo. Quer ver minha irmã e ter certeza de que nós duas estamos bem. A primeira coisa que fazemos ao chegar é visitar minha sobrinha. Assim que me vê, a garota me abraça e me cobre de beijos, mas logo pergunta por sua tia Emma.
    Depois do almoço, e diante da sua insistência em saber onde está sua tia, decido conversar a sós com ela. Não sei como lhe pode afetar a separação de seus pais e agora a minha. Quando ficamos sozinhas, Grace me pergunta pelo “chinês”. Repreendo-a por não chamar Flyn pelo nome, mas, quando ela não está olhando, dou uma risadinha. Essa menina é danada. Assim que conto que Emma e eu não estamos mais juntas, ela protesta e faz cara feia. Adora a tia Emma. Faço carinho nela e tento convencê-la de que Emma continua gostando dela. Por fim, Grace acaba aceitando. Mas de repente me olha nos olhos e pergunta:
     — Titia, por que meus pais não se amam mais?
    Que perguntinha difícil! O que posso responder? Enquanto penteio seus lindos cabelos castanhos, respondo:
    — Seus pais vão se amar a vida toda. O que acontece é que perceberam que são mais felizes vivendo separados.
    — E, se eles se amam, por que brigavam tanto?
    Dou um beijo carinhoso no alto de sua cabeça.
    — Grace, as pessoas que se amam também podem brigar. Eu mesma, se fico muito tempo com sua mãe, acabo brigando, né? — A menina concorda e continuo: — Então nunca duvide que eu a amo muito, mesmo quando brigo com ela. Mary é minha irmã e uma das pessoas mais importantes da minha vida. A questão é que os adultos têm opiniões diferentes sobre muitas coisas e acabam discutindo. E por isso seus pais se separaram.
     — Por isso também que você não está mais com a tia Emma? Por terem opiniões diferentes?
    — Pode-se dizer que sim. Grace crava seus olhinhos em mim e pergunta de novo: — Mas você ainda a ama?
    Suspiro. Grace e suas perguntas! Mas, incapaz de deixá-la sem resposta, digo:
    — Claro que sim. As pessoas não deixam de se amar de um dia para o outro.
    — E ela ainda te ama também?
    Penso, penso, penso e, após refletir sobre a resposta, digo:
    — Ama. Tenho certeza que sim.
    A porta se abre e minha irmã aparece. Está lindíssima com seu vestido de grávida. Em seguida entra meu pai. Que dor de cabeça ele foi arrumar com suas duas filhas!
    — Estão prontas pra irmos tomar alguma coisa no parque?
    — Siiiiim! — Grace e eu vibramos.
    Meu pai pega a câmera fotográfica.
    — Juntem-se aí, quero tirar uma foto. Estão lindas. — Assim que bate o retrato, exclama: — Que beleza! Como estou orgulhoso! Que três mulheres tão bonitas eu tenho!

      Certa manhã, após muito tempo indecisa, telefono para o escritório da Müller e converso com Gerardo. Encantado de falar comigo, ele diz que estava mesmo esperando minha ligação. Pergunto por Killian, e Gerardo responde que ele está viajando e volta na segunda-feira. Depois falamos de trabalho e ele me pergunta quando assumo minha função de novo. Hoje é quarta. Decido começar na segunda. Quando desligo, meu coração bate acelerado. Vou voltar ao lugar onde tudo começou.
     Na sexta, passo no estúdio de tatuagens do meu amigo Graham. Assim que me vê na porta, abre os braços e corro para ele. Mais tarde saímos para beber e ficamos conversando até altas horas.
    No domingo, não consigo dormir. Volto à Müller no dia seguinte. O despertador toca, me levanto, tomo um banho, pego o carro e dirijo até a empresa. No estacionamento meu coração começa a bater com força. E parece que vai sair pela boca, de tão disparado que está, depois que passo pelo RH e entro na minha sala. Estou nervosa. Muito nervosa.
     Assim que me veem, vários colegas vêm logo falar comigo. Todos parecem felizes por me reencontrar e sou grata pela forma gentil como me receberam. Quando fico sozinha, milhares de recordações atravessam minha mente. Me sento à minha mesa, mas meus olhos se voltam para a direita, para a sala de Emma, da minha louca e sexy Swan. Sem conseguir me segurar, vou até lá, abro a porta e olho ao redor. Está tudo como no dia em que fui embora. Passo a mão pela mesa onde sei que ela encostou e, assim que entro no arquivo, sinto vontade de chorar. Quantos momentos maravilhosos e excitantes já vivi com ela aqui...
    Ao ouvir um barulho na sala ao lado, imagino que meu chefe tenha chegado. Saio do arquivo com cuidado, passando pela antiga sala de Emma, e volto à minha mesa. Ajeito o blazer do meu terninho azul e, de cabeça erguida, decido me apresentar. Bato à porta e, ao entrar, exclamo com os olhos arregalados:
     — Killian?!
    Sem me importar com quem possa nos ver, lhe dou um abraço. Eu realmente não esperava por isso. Meu ex-colega, Killian, o metido a sedutor, agora é meu chefe! Depois dos abraços calorosos, Killian me olha e diz num tom de brincadeira:
    — Nem sonhe, linda. Não me envolvo com minha secretária.
    Isso me faz rir. Me sento na cadeira e ele se acomoda ao lado.
    — Mas... desde quando você é o chefe? — pergunto, ainda sem poder acreditar.
    — Há uns dois meses.
    — Sério?
    — Sério, linda. Depois de demitirem a chefe e, dois dias mais tarde, a retardada da irmã dela, me botaram aqui porque eu era o único que sabia como esse departamento funcionava. E, quando eu vi que eles estavam comendo na minha mão, pedi o cargo e pelo visto a patroa aceitou.
    Isso me surpreende. Emma nunca comentou nada comigo. Mas fico contente por Killian e digo:
    — Meu Deus, Killian, estou muito feliz por você!
    Meu amigo olha para mim, passa a mão pelo meu rosto e comenta:
    — Não posso dizer o mesmo de você. Sei que você foi viver em Munique com Swan. — Isso me espanta. Não era para ninguém saber, e ele explica:
    — Calma. Encontrei sua irmã outro dia e ela me contou. Ninguém sabe. Mas... o que houve? O que você está fazendo de novo por aqui?
    Sabendo que preciso lhe dar uma explicação, comunico:
    — A gente terminou.
    — Ah, sinto muito, linda — diz Killian lamentando.
    Dou de ombros.
    — Não deu certo. Eu e a senhora Swan somos muito diferentes.
    Killian me olha fixamente e opina:
    — Diferentes vocês são mesmo. Isso é evidente. Mas você sabe que os opostos se atraem.
     Seu comentário me faz rir. Ele disse a mesma coisa que meu pai.
    Dez minutos depois, estamos na cafeteria. Killian avisou a meus amigos doidos Raul e Paco sobre minha volta. E, como fazíamos há alguns meses, nós quatro ficamos de papo e trocamos confidências.
    Passamos um bom tempo ali, colocando as fofocas em dia. Quando já estou na sala de Killian e ele está me entregando uns documentos, ouço umas batidinhas na porta.
    Killian e eu viramos para ver quem é, e um entregador com boné vermelho pergunta:
    — Por favor, a senhorita Regina Mills?
    Confirmo que sou eu e fico parada quando me entrega um buquê todo colorido. Sorrio. Olho para Killian, que levanta os braços e diz:
    — Não fui eu.
    Abro o cartão e meu coração dispara quando leio:
 
  Prezada senhorita Mills:
  Bem-vinda à empresa.
  Emma Swan.
    Fecho os olhos. Killian chega perto de mim e, depois de ler o cartão por cima do meu ombro, diz:
    — Que chefona mais bem informada! Você terminou com a sujeita e ela já sabe que você voltou pra empresa.
    Meu estômago se contrai. O coração palpita enlouquecido. O que Emma está fazendo?

31 comentários:

  1. Eu achei q as duas não iriam termina :( mas mesmo assim o capitulo ficou ótima, sério sou viciada nessa fic, e claro q se vc fizer uma nova fic eu vou ler sem dúvidas

    ResponderExcluir
  2. Estou super feliz com essas atualizações rápidas.... Estou amando só que estou bem m triste por esse casal 1000 ter se separado mais o final me deu uma esperança que já já tem mais u.u,espero que sim

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Aaaaaaah eu demorava pra atualizar por falta de tempo D;. Mas agora com férias, as atualizações serão mais constantes, prometo! Obrigada por comentar :*

      Excluir
  3. Historia maravilhosa, esse e o final?Se é, muito tristes por elas mas estou torcendo para que tenha continuação.

    ResponderExcluir
  4. Nossa que triste 😭😭 eu tbm não esperava pelo término! Tomara que elas se reconciliem logo até pq elas se amam

    ResponderExcluir
  5. E eu tbm lógico que acompanho sua nova história! Te acompanho desde o Nyah ou seja faz tempo já kkkk

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Leitora das antigas *-*. Espero que você venha gostar haha

      Excluir
  6. Sou completamente apaixonada por essa FIC *-*

    ResponderExcluir
  7. Mesmo que eu nunca tenha comentado aqui, eu acompanho sua historia há tempos. Amo lê-la! E sem dúvida alguma acompanharei sua nova fic.
    Ps: Não demore para postar.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É revigorante ler um comentário assim! Espero que você goste da nova fic tanto quento Peça-me haha

      Excluir
  8. Acho que nunca tinha comentado aqui antes, mas acompanho essa fic desde que era postada no Nyah... Chorei com o término das duas. Queria saber o que Emma iria dizer quando Helena entrou no escritório aquela hora. Bom, ainda há esperanças né. Vamos lá.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Leitora das antigas então! Sim, a esperança é sempre a última que morre, né?!

      Excluir
  9. Queria tanto um capítulo tipo agora p ver o desenrolar delas! Ansiosa e nervosa p saber oq a Emma irá fazer p reconquistar a Regina e todo temperamento espanhol dela kkkk

    ResponderExcluir
  10. Nossa, que bom que vc voltou menina, nem sempre comento, mas acompanho esta fic e amoooooo.Louca pra ver mais Emma e Regina juntas de novo. Bjus

    ResponderExcluir
  11. Ainda nao to acreditando que a Emma realmente deixou a Regina ir embora...na da pra aceedutar que elas terminaram...espero que elas voltem

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Estou com você! Elas tem de ficarem juntas hahaha Casam mais lindo da vida, né?!

      Excluir
  12. Amor atualize a fic please vc tinha prometido eu estou chorando aqui... :(

    ResponderExcluir
  13. Acompanho sua fic desde o nyah ela não poderia ser mais top do que já é ou pode já que vc sempre me surpreende!

    ResponderExcluir
  14. Acompanho sua fic desde o nyah ela não poderia ser mais top do que já é ou pode já que vc sempre me surpreende!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Surpreender. Isso é ótimo hahaha fico feliz em saber disso :D

      Excluir
  15. Hahah cadê a postagem?! Preciso de atualização.. Please não some não

    ResponderExcluir
  16. Ei amiga,estava com saudades!!!!
    Nem sempre comento,mas lhe acompanho desde o Nyah!!...
    Amei o primeiro cap. de sua nova fic e espero que ela seja tão surpreendende quanto Peça-me o que Quiser...
    Fiquei muito decepcionada com a atitude da Emma,só por que Flyn caiu do Skate ela não tinha o direito de tratar a Regina desse jeito,com essa frieza toda,acidentes acontecem e ela deveria ter a consciência disso,mas sendo a senhora de gelo fica difícil né...
    Espero que não demore muito para elas reatarem,mas gostaria que dessa vez a Regina à fizesse implorar por perdão,pois todas as vezes que acontece um desentedimento entre elas a Regina é sempre a que sofre mais e acaba cedendo fácil as suas investidas.
    Amo essas duas e torço para que elas reatem o mais rápido possível e que a Emma dessa vez seje mais humilde,pois ela a ama e que pare de fazer a Regina se sentir sempre culpada por tudo que acontece de ruim nesse relacionamento.
    Uma curiosidade: O que a Emma queria dizer a Regina quando a Helena entrou no escritório com champanhe aquela hora??? E esse final heím??
    Queria tanto um capítulo agora,só para ver o desenrolar delas!!O que será que a Emma estará aprontando para ter de volta a sua linda moreninha espanhola??!!
    Ansiosa e nervosa à espera do que Emma irá fazer!!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Leitora antiga hahaha sua linda! A Emma tem gênio forte e muita das vezes é incompreensível. Regina também possuí gênio forte e é muito explosiva hauahaua. Junta tudo isso e o resultado é: as brigas delas são sempre uma tempestade kkkkkkk. Mas não se preocupe, tudo irá se resolver hahaha
      Continue acompanhando e terá todas as suas respostas haha
      Beijos!

      Excluir
  17. A fic é maravilhosa mas Emma e Regina às vezes precisam de uma boa surra . Isso é falar de coça como brigam e se separam por nada e por causa dos outros. Affs . Vc escreve muito bem para bens 😆😙

    ResponderExcluir