sexta-feira, 17 de julho de 2015

Peça-me o que Quiser Capítulo 45

 
       Boa tarde, gente! Olha, vou abrir o jogo com vocês: Eu simplesmente esqueço de Peça-me... D: Assim como outras milhões de coisas que tenho que fazer! Sei que isso é uma abuso. Fazer vocês ficarem esperando... Mas olha, eu não tenho culpa kkkkkk  meu esquecimento chega a ser doença D: quem me conhece sabe bem como é. Hoje, por exemplo, eu tinha uma prova oral no curso de francês da qual não pude fazer por ter esquecido e consequentemente não ter me preparado para tal. É um saco isso! Mas esse esquecimento é mais forte que eu U_U Então, ME DESCULPEM HAHAHA

PS: Mari, dado o capítulo, não sei se gostará dele como presente hahahaha mas mesmo assim sinta-se presenteada com ele :*  E parabéns de novo *-*
PS2: Muito obrigada pelos comentários <3

Boa leitura!




    Os dias passam e mergulho no trabalho. É uma delícia trabalhar com Killian. Mais que como secretária, ele me trata como uma colega. Nos fins de tarde, preciso sair de casa. Passeio e às vezes fico agoniada de ver tanta gente. Sinto falta daquelas caminhadas na neve, no bairro solitário em meio às árvores de Munique. Certo dia, na hora do almoço, meu chefe diz:
     — Quer almoçar comigo? Gostaria de te mostrar uma coisa que tenho certeza que você vai adorar.
     Vamos no seu carro e estacionamos no centro de Madri. Agarrada a seu braço, caminho pela rua e vamos conversando, até que entramos numa lanchonete meio suja. Achando graça, olho para ele e digo:
    — Tá doido?
    — Por quê? — pergunta, rindo.
    — É sério que você está me convidando pra comer hambúrguer?
    Killian faz que sim, me olha com um sorriso estranho e diz:
    — Claro. Você sempre gostou, não?
    Dou de ombros e digo, por fim:
    — Tem razão. Mas hoje, como é você quem vai pagar, quero meu sanduíche com o dobro de queijo e também uma porção dupla de batata.
    Ele concorda e entramos na fila. Estamos de papo e, quando chega nossa vez, fico sem palavras ao ver a pessoa que vai anotar nosso pedido. Minha ex-chefe! Aquela idiota de cabelo lindo que enchia meu saco na Müller. Agora trabalha naquela lanchonete. Minha cara de espanto é tão evidente que ela, chateada, diz:
    — Se vocês não sabem o que vão pedir, por favor, deixem o próximo cliente passar.
    Após me recompor do susto, Killian e eu fazemos nossos pedidos. Quando andamos até a mesa com nossas bandejas nas mãos, em meio a risadas, ele comenta:
    — Anda, joga esse hambúrguer fora e vamos comer outra coisa. Essa sujeita é tão mau caráter que pode muito bem ter cuspido ou colocado veneno aí.
    Horrorizada com essa possibilidade, jogo o sanduíche no lixo e vamos embora. Às vezes a vida é justa e agora está dando uma boa lição nessa mulher.
    Meus dias se resumem a trabalhar, passear e, de noite, pensar em Emma. Nunca mais tive notícias dela. Já passou um mês desde que voltei à Espanha e cada dia me sinto mais longe dela, apesar de ter a sensação de que ela está ao meu lado, quando me masturbo com o vibrador que me deu.
    Já estou saindo de novo com meus amigos de sempre e saboreamos juntos os sanduíches de lula da Plaza Mayor. Mas, quando vamos para a balada, me descontrolo. Bebo além da conta para esquecer. Preciso.
     Até agora nenhum homem ou mulher chamou minha atenção. Nenhum mexeu comigo. E, quando algum tenta, eu corto na hora. Sou eu que escolho. Não estou no mercado de carne.
    Certa manhã, num domingo, após uma noitada ótima, alguém toca a campainha da minha casa. Me levanto. A pessoa toca de novo. Minha irmã não pode ser, porque ela tem a chave. Quando espio pelo olho mágico, pisco várias vezes ao ver quem é. Abro a porta e digo:
    — Helena?!
    A mulher me olha, solta uma gargalhada e brinca:
    — Caramba, Regi, ontem deve ter sido uma farra e tanto, hein?
    Abro os braços, ela dá um passo à frente e nos unimos num abraço carinhoso. Segundos depois, ela diz:
    — Vai lá tomar uma ducha. Você precisa recuperar o raciocínio.
    Corro até o banheiro. Ao me olhar no espelho, eu mesma me assusto. Estou uma verdadeira bruxa. A água me reanima e ativa minha circulação. Quando termino e apareço na sala com meu jeans, uma camisa e um coque alto, ela diz:
   — Linda. Assim você está mil vezes mais atraente.
   Rimos. Digo para ela se sentar e pergunto:
    — O que você está fazendo por aqui?
    Helena afasta uma mecha de cabelo do meu rosto, coloca atrás da orelha e responde:
   — Não, linda. A pergunta é: o que você está fazendo aqui?
    Não entendo. Pisco os olhos.
    — Tem que voltar pra Munique.
    — Quê?!
    — Exatamente isso que você ouviu. Emma precisa de você, e precisa já.
    Me endireito no sofá e digo:
    — Não tenho nada pra fazer em Munique, Helena. Você mesmo viu, pelo que aconteceu naquela noite, que as coisas não estavam dando certo entre a gente. Você viu que...
    — O que vi é que você me beijou pra deixá-la com raiva. Foi isso que vi.
    — Droga, Helena! Nem me lembre.
    — Foi tão horrível assim? — zomba. E, quando vou responder, ela dá uma gargalhada e pergunta: — Mas, cá entre nós, querida, por que você fez isso?
    Cada vez mais desconcertada, contraio as sobrancelhas e tento explicar:
    — Te beijei porque Emma precisava apenas de um empurrãozinho pra me expulsar da vida dela. Tinha acabado de dizer isso minutos antes e eu só facilitei as coisas. Quando você chegou, me desculpa, mas te vi e tive que fazer aquilo. Te beijei pra que ela desse o último passo e me mandasse embora da vida dela.
    — Mas ela disse pra você ir embora?
    Penso, penso e por fim respondo:
    — Disse.
     — Não — corrige ela. — Você é quem estava gritando que ia embora, e ela acabou dizendo que, se você quisesse ir, que fosse. Mas foi você, minha cara Regina.
    — Não... mas...
    — Exatamente isso.
    Não! Não foi ela. Meu sangue ferve. Não quero falar disso e, antes que Helena diga qualquer coisa, me levanto do sofá.
    — Olha só, minha filha. Se você veio até aqui pra me enlouquecer falando da babaca da tua amiga, pode sair agora por essa porta, ok?
    Helena sorri e observa:
    — Uau...! Emma tem razão. Você é esquentada, hein?
    Fecho os olhos. Solto o ar bufando. Coço o pescoço e ela diz:
    — Para de se coçar, mulher, que não faz bem pras suas brotoejas.
    Olho para ela, que faz cara de reprovação.
    — Pois é, linda. Emma está me deixando louca. Não para de falar de você e eu já não aguento mais. Sei até das tuas brotoejas, teus ataques de mau humor. Sei que você adora trufas. Chiclete de morango. Por favor, já não aguento mais!
    Seu comentário faz meu coração bater acelerado, mas não quero alimentar falsas esperanças. Em seguida, digo:
    — Emma disse que ia voltar aos joguinhos sexuais. Me disse antes de eu ir embora.
    — Ela disse isso?
    — Disse.
    Helena sorri e murmura:
    — Mas, que eu saiba, linda, não a vi em nenhuma festinha. E mais: acho até que ela vai virar freira.
     Fico em silêncio e ela esclarece:
    — Naquele dia em que você perdeu as estribeiras, minha amiga idiota e cabeça-dura ia te pedir em casamento.
    — Quê?!
   — Pensa bem, Regina — insiste Helena —, por que você acha que eu cheguei com uma garrafa de champanhe? A questão é que ou ela não soube deixar isso claro ou você não quis ouvir.
    Arregalo os olhos.
   Casamento? Emma ia me pedir em casamento? Definitivamente está louca, louca! E, quando vou dizer alguma coisa, Helena prossegue:
    — Quando houve aquela história com Betta e ela descobriu todo o resto, ficou superchateada. A mãe e a irmã lhe deram uma bronca tremenda. Disseram que você não tinha culpa de nada. E que o maior culpado era ela própria, por ser do jeito que é. Ela não se aborreceu contigo, querida, mas com ela mesmo. Não conseguia entender como era capaz de ser tão intolerante a ponto de as pessoas precisarem mentir pra ela e esconder várias coisas. — Pisco os olhos, mal consigo respirar, e Helena  continua: — Quando foi lá em casa e me contou, eu disse o mesmo de sempre. A maneira dela de falar, tão fria, intimida as pessoas, as deixa inibidas pra contar as coisas. Ela custou a entender, mas finalmente a ficha caiu. Ficou dias pensando a respeito, e por isso não falava contigo e, quando se deu conta dos estragos que fez, quis consertá-los, mas tudo foi por água abaixo. Você me beijou. Ela ficou paralisada e você foi embora.
    Helena me olha. Olho de volta, estarrecida. Estala os dedos e pergunta:
    — Você está aqui?
    Confirmo com a cabeça e ela conclui:
   — A questão, linda, é que ela disse que você foi embora e você tem que voltar. É tão orgulhosa  que, apesar de saber que errou, não consegue te pedir pra voltar, mesmo que esteja se corroendo por dentro. Então, querida, se você a ama, tome a iniciativa. Todos que convivemos com ela vamos te agradecer.
     Penso, penso, penso e finalmente declaro:
    — Não vou fazer isso, Helena.
    Ela bufa, fica de pé e pergunta:
    — Mas... como vocês duas podem ser tão cabeças-duras?
    — Com a prática — digo ao me lembrar da resposta que Emma me deu uma vez.
    — Vocês se amam. Sentem saudades uma da outra. Por que não resolvem logo essa situação? Da primeira vez vocês terminaram porque ela te largou. Agora é porque você foi embora. Uma das duas vai ter que ceder na terceira vez, não acha?
     Me levanto e, atordoada por tudo o que ouvi, digo:
    — Preciso sair daqui. Vem, vamos tomar alguma coisa.
    Nessa noite eu e Helena saímos por Madri. Falamos muito. Em momento algum tenta alguma coisa. Comporta-se como uma autêntica dama  e como melhor amiga de Emma. Me deixa em casa às nove e vai embora. Precisa pegar um voo de volta a Munique.
      No dia seguinte, no escritório, estou escrevendo um e-mail quando a mulher que me deixa enlouquecida passa na minha frente como um furacão e diz, dando um soco na minha mesa:
     — Senhorita Mills, vá até a minha sala.
     Meu coração sobe pela garganta.
     Emma está aqui?
     Não consigo levantar.
     Minhas pernas tremem.
     Respiro ofegante. Três minutos depois, o telefone toca. Uma ligação interna. Atendo.
    — Senhorita Mills, estou esperando — insiste Emma.
    Me levanto com dificuldade. Estou há muitos dias sem vê-la e de repente ela está ali, a menos de cinco metros de mim, e exige minha presença. Meu pescoço já está coçando. Fecho os olhos, inspiro profundamente e entro na sala. O impacto ao vê-la me deixa sem ar.
     — Fecha a porta.
     Seu tom de voz é baixo e intimidador. Faço o que ela pede e olho pra ela. Ela também me olha fixamente, e de repente diz:
    — O que você estava fazendo ontem à noite zanzando com Helena por Madri?
    Hesito. Tanto tempo sem nos ver e ela me pergunta isso? Quando consigo abrir a boca, respondo:
     — Senhora, eu...
     — Emma... meu nome é Emma, Regina. Para de me chamar de “senhora”.
     Está furiosa, tremendamente furiosa, e seu mau humor começa a me fazer reagir. Seu olhar é frio, mas, agora que sei o que Helena me contou, jogo com uma carta a meu favor e respondo:
    — Olha, não vou mentir pra você. Chega de mentiras! Helena é minha amiga, por que não posso sair com ela por Madri ou por onde me der na telha?
    Minha resposta não a satisfaz, e ela pergunta entredentes:
    — Em Munique vocês saíram juntas alguma vez sem eu saber?
    Abro a boca, surpresa, e murmuro:
    — Sua babaca...!
    Emma olha para cima com cara de impaciência e rosna:
    — Não começa, Regina.
    — Desculpa. Mas não começa você — digo, dando um soco na mesa. — Que besteira é essa que você está me perguntando? Helena é a melhor amiga que você pode ter e você vem com essas idiotices. Olha, minha filha, quer saber? Vou vê-la sempre que me der vontade.
     — Você brinca com ela, Regina?
    Outra pergunta que me pega de surpresa. Como pode pensar isso? E, mal- humorada, decido responder com um desaforo:
    — Só faço o que você faz. Nem mais nem menos.
    Silêncio. Tensão. De novo, Alemanha versus Espanha. Por fim, ela faz que sim com a cabeça, me olha de cima a baixo e diz:
    — Ok.
    Nos olhamos. Nos desafiamos. Estou prestes a gritar que ela me escondeu a separação da minha irmã, mas, sem saber por quê, acabo falando:
    — Vou a Munique no próximo fim de semana.
    Emma se levanta da cadeira, apoia-se na mesa com os olhos fora de órbita e pergunta:
    — Vai à festa de Helena?
    Não sei de que festa ela fala. Helena não me contou nada e nem mesmo sabe da minha viagem. Marquei com Marta em Munique para ver Flyn e todos as pessoas que adoro, mas, apoiando-me na mesa também, reajo lenta e desafiadoramente:
     — E o que você tem com isso?
    O telefone toca. Minha salvação! Corro para atender.
    — Bom dia. Quem fala é Regina Mills. Em que posso ajudar?
   — Fofinha, como você está?
    Minha irmã! Sem deixar de olhar para Emma, respondo:
    — Oi, Cath!
    — Cath?! Mas, fofaaaaaaaa, sou eu, Mary.
    — Eu sei, Cath... eu sei. Se você quiser, a gente pode jantar juntas. Na sua casa? Ótimo! Minha irmã não entende nada e, antes que diga qualquer coisa, continuo: — Te ligo já, já. Estou falando com minha chefe. Até daqui a pouco.
    Quando desligo, o olhar de Emma é assustador. Não faz ideia de quem é Cath e isso a desespera. Achando graça da situação, digo:
    — O que houve? Quem fica te atualizando sobre minha vida não te falou da Cath? — Inclino-me para frente na mesa e esclareço: — Você está muito mal informada. Helena é apenas uma amiga, mas não posso dizer o mesmo de Cath.
     Dito isso, me viro e saio da sala. Estou tremendo toda. Bela maneira de complicar as coisas ainda mais! Sei que não tira os olhos de mim, então pego minha bolsa e saio em disparada. Quando chego à cafeteria, peço uma Coca com muito gelo. Estou morrendo de sede, e ao mesmo tempo furiosa e histérica. Que diabo estou fazendo? E, principalmente, que diabo ela está fazendo? Pego o celular e ligo para Helena.
    — Sua amiguinha Emma está por aqui. Veio correndo me perguntar toda irritadinha o que eu e você estávamos fazendo juntos ontem em Madri.
    — Ela está em Madri?
    Neste momento, Emma entra na cafeteria e olha na minha direção. Senta-se no outro extremo do balcão. Continuo falando ao telefone.
    — Sim. E agora ela está bem na minha frente.
     — Porra! — diz Helena, rindo. — Bem, linda, você já sabe o que eu te disse. Ela precisa de você. E, se você a ama de verdade, não se faça de difícil. Volta logo com ela! Emma só está esperando que você dê o primeiro passo. Seja doce e boazinha.
    Sorrio e me desespero. Doce e boazinha? Em vez de dar um passo, o que fiz foi declarar guerra a ela. Angustiada pela encruzilhada mais louca em que já me meti, murmuro ao ver que Emma me observa:
     — No fim de semana que vem tenho planos de ir a Munique. Comentei com Emma, e ela acha que vou contigo a sei lá que festa.
    — Nossa! Ela deve ter ficado morrendo de raiva — brinca.
    Depois de falarmos mais um pouco sobre minha visita à Alemanha, me despeço de Helena e desligo o celular. Bebo a Coca, pago e saio da cafeteria. Quando volto à minha sala, Emma aparece dois minutos depois. Entra no seu escritório e me olha, me olha e me olha.
     Meu Deus, como me excita quando ela me olha assim!
     Sou mesmo uma masoquista, mas essa frieza em seu olhar foi o que fez eu me apaixonar por ela.
     Tento me concentrar no trabalho. Mas não dou uma dentro. Sei que preciso de Emma. Preciso beijá-la. Preciso da sua boca, do seu contato, mas não sei como conseguir isso e como, e levanto, entro na sala de Killian, que não está, e de lá vou até o arquivo.
     Foi uma boa ideia. Emma não demora a chegar. Nem me dá tempo de respirar e já está atrás de mim. Não me toca. Apenas fica bem perto. Finjo que não me dei conta de sua presença e me viro. Me choco contra ela. Ai, meu Deus! Adoro seu cheiro! Nos olhamos e pergunto:
     — Está precisando de alguma coisa, senhora Swan?
     Sua boca vai direto na minha.
     Nem chupa os meus lábios, como costuma fazer.
     Enfia a língua na minha boca e me beija. Me devora com desespero. Quando suas mãos seguram minha cabeça para beijar melhor, eu me deixo levar. Preciso disso. Aproveito o momento. Enquanto ela me beija com paixão, meu corpo ganha nova vida e, assim que ela para, olho nos seus olhos e, sem limpar os lábios, murmuro:
    — Lembre-se, senhora, que minha boca não é mais só sua.
    Digo isso e a empurro contra os arquivos. Saio eufórica por ter conseguido um beijo. Mas depois me arrependo. O que estou fazendo? Ela precisa que eu dê o primeiro passo, mas meu orgulho não permite.
      Emma não volta a me procurar o resto do dia. Mas não para de me olhar. Me deseja. Sei disso. Me deseja tanto quanto eu a ela.
   
     No dia seguinte, Emma não aparece no escritório. Ligo para Helena e ela me conta que sua amiga está em Munique. Fico mais tranquila ao saber disso. Na sexta à tarde, quando saio da empresa, tomo um voo para a Alemanha. Marta vai me buscar e, apesar de sua insistência, digo que quero dormir num hotel. Se eu e Emma resolvermos nossa situação, quero ter aonde levá-la. Na manhã de sábado, saio com Maura. Ela me conta que Helena está organizando uma festa para essa noite na casa dela e Emma acha que vou estar lá. Não penso ir. Não quero participar de nenhum joguinho sem ela.
      À tarde, vou à casa de Cora. Emocionada ao me ver, ela me abraça com carinho. Quando menos espero, Simona aparece. Ao saber que eu tinha viajado a Munique, decidiu me visitar. Vai logo me abraçando com ternura e, entre risadas, me conta como anda a novela Loucura Esmeralda. Mas um dos melhores momentos é quando aparece Flyn. Não sabe que estou ali e, quando me vê, se joga em meus braços. Estava sentindo minha falta. Depois de várias manifestações de carinho, me mostra seu braço. Está totalmente recuperado. Flyn me cochicha que ele e Laura agora já conversam. Nós rimos e Cora fica toda feliz com as risadas do neto.
     Depois do almoço, quando eu e Flyn estamos jogando Wii, aparece Emma. Sua expressão, ao me ver, é de frieza. Ela está tão linda como sempre. Aproxima-se de mim e, quando me dá dois beijinhos e sua bochecha encosta na minha, eu estremeço. Fecho os olhos e desfruto de nossa pele se roçando assim delicamente. Alguns minutos depois, Marta e Cora levam Flyn à cozinha. Querem nos deixar a sós. Quando não há mais ninguém em volta, Emma arrisca:
     — Veio pra festinha de Helena?
     Não respondo. Simplesmente olho para ela e sorrio. Emma resmunga e sai.
     Não me dá a oportunidade de falar. Me irrito comigo mesma. Por que eu sorri? Olho com melancolia através das portas de vidro e a vejo ir embora em seu BMW prata. Suspiro. Marta chega perto de mim, me segura pelos ombros e murmura:
    — Ah, essa minha irmã... Se continuar assim, vai acabar ficando louca.
    Eu também vou ficar louca, penso. Depois, volto a jogar videogame com Flyn diante da expressão triste de Cora.
     Às sete, vamos ao hotel. Troco de roupa e, diferentemente do que Emma imagina, saio para uma noitada com Marta. Não quero brincar com ninguém que não seja ela. Não consigo. Partimos para o Guantanamera onde nos esperam Arthur, Anita, Reinaldo e outros amigos.
      Assim que entramos, peço mojitos para me esquecer de Emma. Depois de virar vários, já estou sorrindo e dançando salsa com Reinaldo. Todos esses amigos dos meses que passei na Alemanha me recebem com carinho, abraços e muito amor.
     Às onze, recebo uma mensagem de Maura: “Emma está aqui.” Me inquieto.
    Meu bom humor vai por água abaixo.
    Fico desconcertada ao saber que Emma está numa festinha particular sem mim. Será que vai jogar com outras mulheres?
    Às onze e meia, ela me liga. Olho para o celular, mas não atendo. Não posso. Não sei o que lhe dizer. Me telefona várias vezes e nada de eu atender.
    À meia-noite, Maura me liga. Corro até o banheiro para poder escutar direito.
   — O que houve?
   — Nossa, Regina! Emma está muito irritada.
    — Por quê? Só porque não estou na festinha?
    Maura ri.
    — Está irritada porque não sabe onde você está. Nossa, Regina, que complicado é tudo isso para ela! Essa coisa de saber que você está em Munique e não te ter sob controle está acabando com ela. Coitadinha.
     — Maura, ela participou de algum joguinho?
     — Não, querida. Ela não tem clima pra isso, apesar de ter vindo acompanhada.
     Me descontrolo. Acompanhada?! Saber isso me deixa revoltada. Então Maura diz:
    — Por que você não vem? Tenho certeza que se ela te vir...
     — Não... não... Sem chance.
     — Mas, Regina, não combinamos que você ia facilitar tudo pra ela? Querida, você me confessou que a ama, e nós duas sabemos que ela te ama também e...
     — Sei o que eu falei — rosno, furiosa com o fato de ela estar acompanhada. — E, por favor, não diz pra ela onde estou.
     — Regina, não seja assim...
    — Promete, Maura. Promete que não vai falar nada.
    Depois de conseguir uma promessa da maravilhosa Maura, desligo. Mas o celular volta a tocar. Emma! Não atendo.
     Assim que volto à pista, Marta, que está dançando completamente distraída, me entrega outro mojito. Começo a dançar também e, decidida a me esbaldar, grito:
      — Azúcar!
      Chego ao hotel lá pelas sete da manhã. Estou destruída e desabo na cama. Quando acordo, já são duas da tarde. Minha cabeça não para de girar. Bebi demais na noite anterior. Olho para o celular. Está sem bateria. Pego o cabo na mala e ligo na tomada. Assim que começa a carregar, toca. Emma. Decido atender.
     — Onde você está? — grita.
      Estou quase mandando-a passear, mas me controlo e respondo:
     — Na cama. O que você quer?
     Silêncio. Silêncio. Silêncio. Até que finalmente pergunta:
    — Sozinha?
     Olho ao redor e, espreguiçando-me na cama enorme, rebato:
    — E o que você tem com isso, Emma?
    Bufa. Xinga. Rosna.
    — Regi, com quem você está?
    Me sento na cama, afasto o cabelo do rosto e respondo:
    — Mas então, Emma, o que você quer?
     — Você disse que iria à festa de Helena e não foi.
     — Eu não disse isso — reajo. — Você está enganada. Eu disse que ia a uma festa, mas não necessariamente à de Helena. Deixei claro que ela é só uma boa amiga.
     Silêncio. Ninguém fala, até que Emma murmura:
     — Quero te ver, por favor.
     Gosto disso. Não resisto a um pedido desses. Acabo fraquejando.
     — Às quatro no Jardim Inglês, ao lado do lugar onde compramos sanduíches no dia em que fomos com Flyn, está bem?
     — Combinado.
    Quando desligamos, abro um sorriso. Temos um encontro marcado. Tomo um banho, visto uma saia comprida, uma blusa e um sobretudo de couro. Pego um táxi e, quando chego, ela está me esperando. Meu coração bate com força. Se ela me abraçar e me pedir para voltarmos, não vou conseguir dizer não. Eu a amo demais, apesar de estar chateada por não ter me contado sobre a separação da Mary e por ter ido com alguém à festa de Helena. Quando chego perto, olho para ela e, disposta a facilitar as coisas, digo:
     — Pronto. Estou aqui. O que você quer?
     — Está com cara de cansada.
     Achando graça dessa observação, olho para ela e respondo:
     — Você também não está com uma aparência muito boa.
     — Aonde você foi ontem e com quem?
     — Mas de novo com essa história?!
     — Regi...
     Meu Deus! Ela me chamou de Regi...
    — Tá bom, vou responder a sua pergunta quando você me disser quem era a mulher que foi contigo ontem à festinha de Helena.
     Minha pergunta a surpreende e ela não responde. Fico ainda mais irritada e, tentando sustentar um olhar tão frio quanto o dela, aviso:
     — Meu avião sai às sete e meia. Então, por favor, vamos logo com isso. Fala o que tem que falar porque preciso passar no hotel, arrumar minha mala e pegar o voo.
     Resmunga. Me olha com raiva.
    — Não vai me contar com quem você esteve ontem à noite?
     — Você por acaso respondeu minha pergunta? — Não diz nada. Apenas me olha e prossigo: — Quero que saiba que eu sei que você mentiu pra mim.
     — Quê?! — pergunta desconcertada.
     — Você me escondeu a separação da minha irmã e depois teve a cara de pau de se aborrecer comigo porque eu não te contei certas coisas da sua família.
    — É diferente — defende-se.
     Com frieza, essa mesma frieza que ela me ensinou, olho para ela e digo:
    — Você é uma mentirosa, uma sujeita fria e deplorável sem um pingo de autocrítica. Só vê os defeitos dos outros. E, sobre com quem eu estive ontem à noite, fique você sabendo que sou livre pra passar a noite com quem eu quiser, assim como você. Satisfeita?
     Me olha, me olha, me olha e por fim se levanta e diz:
     — Adeus, Regina.
     E sai. Vai embora. Fico atônita. Vai embora e me deixa sozinha no meio do Jardim Inglês. Com a adrenalina a mil, vejo-a se afastando. Ela nunca dará o braço a torcer. É orgulhosa demais, e eu também.
      Ao fim me levanto, tomo um táxi, volto para o hotel, pego minha mala e vou para o aeroporto. Quando o avião decola, fecho os olhos e murmuro:
    — Maldita cabeça-dura!


      Dez dias depois, há uma convenção da Müller em Munique da qual sou obrigada a participar. Tento escapar, mas Gerardo e Killian não deixam, e imagino que a senhora Swan tenha algo a ver com isso. Quando meu avião aterrissa, sou dominada pelas lembranças. De novo estou nessa cidade majestosa. Acompanhada de Killian e outros chefes de todas as sucursais da Espanha, chegamos ao local da convenção às onze da manhã. Me sento ao lado de Killian e um pouco depois o evento começa. Procuro Emma em meio à multidão de participantes e acabo localizando. Está na primeira fila, e meu coração fica apertado quando a  vejo com Amanda. Bruxa!
      Como sempre parecem muito compenetradas e, quando Emma sobe ao palco para falar diante de mais de três mil pessoas vindas de todas as sucursais, olho para ela com orgulho. Ouço tudo o que diz e reparo como ela está gata, gatíssima. Quando seu discurso acaba e Amanda sobe ao palco, fico tensa. Emma a pega pela cintura, e ela, encantada, cumprimenta a todos com uma expressão de triunfo.}
      Killian me olha. É um momento difícil de engolir, mas tento sorrir. Uma vez aberta a convenção, os garçons começam a passar taças de champanhe e canapés. Protegida entre meus colegas espanhóis, estou a par de tudo o que acontece. Emma se aproxima junto com Amanda. As duas cumprimentam todos os participantes e sinto vontade de sair correndo quando o vejo chegar ao meu grupo. Com um sorriso encantador, porém frio, olha para todos nós. Não presta uma atenção especial em mim e, quando me cumprimenta, nem sequer me olha nos olhos. Aperta minha mão como se eu fosse qualquer um e depois se afasta para continuar saudando as outras pessoas. Amanda me lança um olhar de gozação. Cachorra!
     Enquanto cumprimentam os outros, percebo que Emma volta a pegar Amanda pela cintura e fotografam as duas juntas. Em nenhum momento faz menção de olhar para mim. Nada, absolutamente nada. É como se nunca tivéssemos nos conhecido. Eu nem pisco vendo-a ser fotografada com outras mulheres, e fico arrepiada ao notar que diz algo a uma delas olhando para seus lábios. Eu a conheço. Sei o que significa esse olhar e onde ele vai dar. Meu pescoço está coçando. As brotoejas! Ai, não! O ciúme me domina. Não consigo suportar!
     Quando não aguento mais, procuro uma saída. Preciso ir embora o quanto antes. Assim que encontro uma porta, alguém pega minha mão. Me viro com o coração acelerado e me deparo com Killian. Por um instante cheguei a pensar que fosse Emma.
     — Aonde você vai?
     — Preciso pegar um pouco de ar. Está muito quente aqui dentro.
     — Vou contigo — diz Killian.
    Quando afinal encontramos uma saída, Killian saca um maço de cigarros e peço um. Preciso fumar. Após as primeiras tragadas, meu corpo começa a relaxar. A frieza de Emma, a presença incômoda de Amanda e a forma como ela olhou para outras mulheres foram demais para mim.
     — Está tudo bem, Regina? — pergunta Killian.
    Sorrio. Tento ser a garota animada de sempre.
    — Sim, é só que está muito calor aqui.
    Killian concorda. Sei que está imaginando coisas, mas não quero me abrir com ele. Depois do cigarro, sugiro que a gente volte para dentro. Preciso ser forte e tenho que demonstrar isso a Emma, a Amanda, a Killian e a todo mundo.
     Com passos firmes, volto ao grupo da Espanha e tento me integrar na conversa, mas não consigo. Cada vez que me viro, Emma está próxima, elogiando alguma mulher. Todas querem tirar fotos com ela. Todas menos eu.
      Duas horas depois, quando estou num banheiro, ouço uma dessas mulheres contando que a chefona Emma Swan lhe disse que ela é linda. Que imbecil! Sem poder evitar, olho para ela. É um mulherão. Uma italiana ruiva de seios enormes e curvas marcantes. Está visivelmente nervosa e eu entendo. Quando Emma diz algo assim nos encarando é impossível não ficar nervosa.
      Quando saio do banheiro, cruzo com Amanda. A bruxa pisca para mim com deboche. Sinto uma vontade irrefreável de agarrá-la pelos cabelos louros e arrastá-la pelo chão. Mas não. Não devo. Estou numa convenção; tenho que ser profissional e, principalmente, prometi ao meu pai que não voltaria a me comportar como uma barraqueira.
      Ao chegar ao meu grupo, me surpreendo quando vejo Emma conversando com eles. Ao seu lado há uma morena bonita da sucursal de Sevilha que fica babando por ela. Consciente do magnetismo que provoca nas mulheres, Emma brinca com ela. A moça passa a mão pelo cabelo e se mexe toda nervosa. Fecho os olhos. Não quero vê-las. Mas, ao abri-los, encontro o olhar de Emma, e ela diz:
      — A senhorita Mills  os levará ao lugar da festa. Ela conhece Munique. — Ergo a cabeça, e Emma conclui, entregando-me um cartão:
     — Espero todos lá.
     Diz isso e se afasta. Fico desconcertada.
     Todos me olham e começam a me perguntar como chegar ao local que a chefona indicou. Olho o cartão e, depois de lembrar onde fica esse salão de festas, nos dirigimos até o ônibus que nos levará ao hotel. Ficaremos ali até chegar a hora do evento da noite. Já no quarto, aproveito para tomar uma chuveirada. Estou muito tensa. Não quero ir a essa festa, mas sou obrigada. Não dá para escapar. Emma já se encarregou disso.
      Depois de secar o cabelo, ouço uns tapas e uns gemidos. Presto atenção aos barulhos e acabo sorrindo. O quarto ao lado é o de Killian, e pelo visto ele está se divertindo à beça.
      Dou umas batidinhas na parede e os gemidos param. Não quero ficar escutando isso! Troco o terninho cinza-claro por um vestido preto com strass na cintura. Calço uns sapatos de salto que me caem superbem e prendo o cabelo num coque alto. Quando me olho no espelho, sorrio. Sei que estou sexy. Com certeza Emma não olhará para mim, mas minha aparência atrairá os olhares de outros. Que eles pelo menos levantem minha moral, né?
     Às nove, após jantar no hotel, nos reunimos todos no hall. Como era de se esperar, todos me procuram para levá-los à festa conforme informou o chefão. Dou umas orientações ao motorista do ônibus e em seguida mergulhamos no trânsito de Munique. Sorrio ao passarmos ao lado do Jardim Inglês. Olho com carinho para os lugares onde passeei com Emma e fui muito feliz numa época maravilhosa da minha vida, mas esse clima gostoso acaba quando o ônibus chega ao destino e temos que descer.
      Entramos no local. É enorme e, como eu já previa, Swan organizou uma festa e tanto. Todos elogiam. Killian me olha e comento, rindo:
     — Cara, eu quase gritei pra você “olé!”.
     Ele ri também e aponta para uma garota.
    — Meu Deus, menina! Patricia é um furacão. Nem te conto.
     Nós dois rimos e nesse momento escuto ao meu lado:
    — Boa noite.
     Ao erguer o olhar, topo com Emma. Está linda num vestido preto com decote em v .     Nossos olhos se cruzam e sua frieza é extrema. Meu coração quase sai pela boca e o estômago se contrai. Até que vejo que a mulher que está ao seu lado é a italiana ruiva do banheiro. Merda!
     Sem mudar minha expressão, eu a cumprimento e ela continua andando com ela. Não quero que se dê conta de que sua presença mexe comigo, mas a verdade é que me deixa nocauteada. Está bem claro que Emma retomou sua vida e eu preciso aceitar isso.
     De braços dados com Killian, vou até o balcão e peço uma bebida. Estou morrendo de sede. Killian fica junto comigo durante uma hora. Rimos e conversamos, até que a música começa. Contrataram uma banda de soul. Adoro! As pessoas vão para a pista e Killian decide tirar o furacão Patricia para dançar.
      Fico sozinha e, enquanto tomo minha bebida, dou uma olhada à minha volta. Não vi Emma de novo, mas logo a localizo dançando com a italiana. Isso me inquieta. Música após música, sou testemunha do quanto as mulheres estão doidas para dançar com Emma. E ela, toda orgulhosa, aceita. Desde quando gosta tanto de dançar?
      Quem adora uma pista de dança sou eu, e aqui estou, encostada no balcão. Merda! Mas fico fora de mim quando vejo Emma dançar com Amanda. Que idiota que eu sou! Não consigo aguentar o olhar dela e a forma possessiva como a pega pelo pescoço enquanto move um dedo e acaricia o cabelo dela.
      Me viro. Não posso continuar olhando. Vou ao banheiro, jogo um pouco de água no rosto para me refrescar e volto à festa.
     Ao sair, esbarro com Xavi Dumas, da sucursal de Barcelona, e ele me chama para dançar. Aceito na hora. Depois, vários outras pessoas  me convidam também, e isso me faz recuperar minha autoestima.
     De repente, Emma está ao meu lado e pede ao meu acompanhante permissão para dançar comigo. O cara concorda numa boa. Eu, nem tanto. Quando ela põe a mão na minha cintura e eu coloco meus braços em torno do seu pescoço, a banda toca Blue moon. Engulo em seco e danço. Ela me olha de cima e finalmente diz:
      — Está se divertindo, senhorita Mills?
     — Sim, senhora — confirmo num tom rude.
     Suas mãos nas minhas costas me queimam. Meu corpo reage a seu contato, sua proximidade e seu cheiro.
     — Como vai a vida? — volta a perguntar de um jeito impessoal.
     — Bem — consigo dizer. — Muito trabalho. E a sua?
     Emma sorri, mas seu sorriso me assusta quando chega perto do meu ouvido e murmura:
      — Muito bem. Retomei meus joguinhos e preciso reconhecer que são muito melhores do que eu lembrava. Aliás, Laura mandou lembranças outro dia para a senhorita, para a “deusa caliente” dela.
      Que idiota! Tento me desvencilhar do seu abraço, mas ela não deixa. Me aperta contra si.
     — Termine de dançar comigo esta música, senhorita Mills. Depois, pode fazer o que lhe der vontade. Seja profissional.
       Meu pescoço pinica, mas não me coço. Aguento até o fim, diante do seu olhar severo, e quando a música termina ela dá um beijo frio e cortês na minha mão. Antes de se afastar, murmura:
     — Como sempre, foi um prazer vê-la novamente. Desejo-lhe tudo de bom.
     Sua proximidade, suas palavras e sua frieza tocam fundo na minha alma. Ando até o balcão e peço uma cuba-libre. Estou precisando. Bebo uma, depois peço outra e tento ser profissional e fria como ela. Tive o melhor professor. Nenhuma Emma Swan vai conseguir me derrubar.
      Olho furiosa na sua direção, enquanto ela se esbalda com as mulheres. Todas ficam caidinhas a seus pés e sei muito bem com quem ela vai embora esta noite. Não é com a italiana. É com Amanda. Seus olhares me dizem isso.
     Como eu odeio essas duas!
      Lá pela uma da manhã, dou por terminada a festa. Não aguento mais! Killian já foi embora com seu próprio furacão sexual, e um ou outro cara fica me alugando.
     Quando saio à rua, respiro fundo. Me sinto livre. Aparece um táxi e faço sinal. Dou o endereço ao motorista e, em silêncio, volto ao hotel. Subo até meu quarto e tiro os sapatos. Estou fervendo de raiva! Emma me tirou do sério. Que novidade!
      Escuto os gemidos do quarto ao lado. Killian e seu furacão.
      Respiro fundo. Que noitezinha mais agradável me espera!
      Me sento na cama, tapo os olhos e tento segurar o choro.
      Que diabo estou fazendo aqui? Os gemidos ao lado ficam mais altos. Como são escandalosos! Ao fim, irritada, dou batidinhas na parede. Eles ficam quietos.
      Instantes depois, batem na minha porta. Que desmancha-prazeres eu sou! Deve ser Killian para me pedir desculpas. Sorrio e, quando abro, deparo com a cara amarrada de Emma. Minha expressão muda imediatamente.
      — Nossa... pelo visto não sou quem a senhorita estava esperando, senhorita Mills.
      Sem pedir permissão, entra no quarto e fecho a porta. Não saio do lugar. Não sei o que ela faz aqui. Emma dá uma volta pelo quarto e, depois de se certificar de que estou sozinha, me olha e eu pergunto:
     — O que você quer?
     Icewoman me olha, me olha, me olha e responde com indiferença:
     — Não a vi ir embora da festa e queria ter certeza de que estava bem.
     Sem me aproximar dela, balanço a cabeça. Continuo chateada pelo que me disse durante a noite.
    — Se a senhora  veio para ver com quem vou brincar aqui, sinto decepcioná-la, mas eu não brinco com funcionários da empresa e nem quando eles estão por perto. Sou discreta. E, quanto a estar ou não estar bem, não se preocupe, senhora, sei cuidar muito bem de mim sozinha. Portanto, a senhora já pode se retirar.
     Fica perturbada por eu ter dito que jogo com outras pessoas. Dá para ver pela sua expressão. E, antes que ela diga mais alguma coisa que me aborreça, eu solto:
     — Saia do meu quarto agora mesmo, senhora Swan.
     Não se move.
    — Quem a senhora pensa que é para entrar aqui sem ser chamada. Certamente a esperam em outros quartos. Corra, não perca tempo; tenho certeza de que Amanda ou qualquer outra de suas mulheres deseja ser o centro de sua atenção. Não desperdice o seu tempo aqui comigo. Vá logo brincar com elas.
      Tensão. Muita tensão.
      Nos olhamos como autênticas rivais e, quando ela chega mais perto de mim, me afasto depressa. Não estou a fim de cair no seu jogo, por maiores que sejam minha vontade, meu desejo e minha necessidade.
      Ouço-o praguejar e em seguida, sem me olhar, vai até a porta, abre e sai furiosa.
      Fico sozinha no quarto. Meu coração está a mil. Não sei o que Emma quer. O que sei é que quando estou a sós com ela não tenho controle sobre meu corpo.
     Na noite em que volto da convenção em Munique, decido que devo retomar minha vida. Preciso esquecer Emma e procurar outro emprego. Preciso voltar a ser eu mesma, porque senão não sei o que vai ser de mim.
     No dia seguinte, quando chego ao escritório, converso com Killian. Ele não entende por que quero ir embora. Tenta me convencer a ficar, mas deduz que a história entre mim e a chefona não acabou. Me acompanha até a sala de Gerardo e ali dou entrada no meu pedido de demissão.
     Depois de uma manhã surreal em que Gerardo não sabe o que fazer comigo, no fim das contas consigo fazer valer minha decisão. Estou saindo definitivamente da Müller. De tarde, quando saio do escritório, sorrio aliviada. É o primeiro dia da minha vida.

      Às sete da manhã, ainda estou na cama quando meu celular começa a tocar. Olho o visor e não reconheço o número. Atendo e escuto:
     — O que você fez?
     — Quê? — pergunto, ainda meio grogue, sem entender nada.
     — Por que você pediu demissão, Regina?
     Emma!
    Gerardo já deve ter informado o que eu fiz e ela grita irada:
    — Pelo amor de Deus, pequena, você precisa de um trabalho! O que pretende fazer? Pensa em trabalhar com o quê? Quer voltar a ser garçonete?
     Irritada por essas perguntas e principalmente por ela me chamar de “pequena”, rosno:
    — Não sou sua “pequena” e faça o favor de não me ligar nunca mais.
    — Regi...
    — Esquece que eu existo.
    Desligo na cara dela.
    Emma liga de novo. Corto a chamada. Acabo desligando o celular e, antes que ela telefone para o fixo, tiro o aparelho da tomada. Furiosa, me viro na cama e tento pegar no sono outra vez. Quero dormir e me esquecer do mundo.
     Mas não consigo e me levanto. Me visto e saio. Não quero ficar em casa. Ligo para Graham e vamos a seu estúdio. Fico horas olhando as tatuagens que ele faz enquanto conversamos. Na hora de fechar, ligamos para uns amigos nossos e caímos na farra. Preciso comemorar a minha saída da Müller.
      Chego em casa às três da manhã. Desabo na cama. Enchi a cara essa noite.
     Lá pelas dez, a campainha toca. Levanto de má vontade. Meu queixo cai quando vejo que é um entregador com um lindo buquê de rosas vermelhas. Tento fazer com que leve de volta. Sei de quem são, mas o entregador resiste. Por fim, acabo ficando com elas e jogo direto no lixo. Mas meu lado curioso leva a melhor, procuro o cartãozinho e meu coração bate forte quando leio:

 Como te disse há algum tempo, te levo na minha mente desesperadamente.
 Te amo, pequena.
 Emma Swan

       Atordoada, releio o bilhete.
      Fecho os olhos. Não, não, não. Outra vez, não!
      A partir desse momento, sempre que ligo o celular surge uma chamada de Emma. Agoniada, decido desaparecer. Eu a conheço e sei que é uma questão de horas para que bata na porta da minha casa. Alugo pela internet uma casinha de campo. Pego meu Leãozinho e sigo para Astúrias, especificamente para Llanes.
      Ligo para meu pai e não digo onde estou. Não confio que ele guarde segredo de Emma. Eles se dão bem demais. Garanto que estou bem e meu pai fica mais aliviado. Apenas me exige que telefone todos os dias para dizer como estou e que o avise quando chegar a Madri. Segundo ele, precisamos ter uma conversa séria. Aceito.
       Durante uma semana passeio por essa cidadezinha linda, durmo bastante e reflito. Tenho que decidir o que vou fazer da minha vida depois de Emma. Mas sou incapaz de pensar com clareza. Emma está tão enraizada na minha mente, no meu coração e na minha vida que eu mal consigo raciocinar.
     Ela insiste.
     Me entope de mensagens e, quando vê que não dou a menor bola, começa a me mandar e-mails que leio toda noite no quarto da casa linda que aluguei.


   De: Emma Swan
   Para: Regina Mills
   Assunto: Me perdoa
   Estou preocupada, amor.
   Eu errei. Te acusei de  me esconder coisas qaundo eu própria sabia da tua irmã e não te contei. Sou uma idiota. Estou ficando louca. Por favor, me ligua.
   Te amo.
    Emma

14 comentários:

  1. Menina, não maltrate a gente assim não, Regina está sendo totalmente irracional, ok, Emma pode ter errado, mas as duas se amam, não aguento mais esta separação delas, estou angustiada, posta logo outro capítulo, por favor, bjus!!!

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  2. Tinha perdido as esperanças já :/ mais Ae fiufiu vc voltou 🎉

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  3. Olha não seu quem é pior nessa relação delas! É muita picuinha nesse rolo! E agora eu quero mais + como que eu faço para ter mais postagem??

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  4. sua talentosa linda <3 não nos torture demorando de postar senhorita! sei que tem uma vida ocupada mas não esquece da gente pls ? parabéns, estou completamente apaixonada pela fic

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  5. Sinceramente ja nao sei quem esta mais errada nessa historia toda ambas esconderam coisa umas das outras,as duas ja erraram a partir desse momento ja que elas prometeram nao esconder nada uma da outra.

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  6. Eu quero matar você e o filho da **** que escreveu a porra desse livro. Para de fazer a Regina ser idiota e cabeça-dura mas que inferno caralho. Se eu pudesse eu juro que matava todo mundo nessa droga! Por que raios elas não ficam juntas logo? Que saco!

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  7. Cadê a atualização!? Sinceramente eu li o livro mais lógico que é a mesma história mais sou muito mais a sua versão parece que a Emma e a Regi foram feitas para essa fic! Eu sei que tem muita gente que fala que é uma mera cópia mais eu acho sua versão bem mais criativa até pq na original o papel da Emma é um homem que faz kkk adoro essa fic vou sentir saudades quando terminar :(

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  8. Como eu já disse em um comentário dessa fanfiction... Sem duvidas, uma das melhores histórias que eu já li!!! E não é porque conta sobre um amor impossível, tragédias, aventuras e outras coisas, mas porque mexe realmente com o coração da gente e nos faz acreditar que até os mais singelos sentimentos são carregados de algum tipo de paixão. Se um dia eu tivesse que escolher qual o melhor conto lindo em toda a minha vida, com certeza esse estaria entre um dos primeiros da lista! Simplesmente belo e perfeito.

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  9. Olá meus amores, estou aqui para recomenda está história divina, que apenas em um capítulo ter faz sentir varias coisas diferentes e nossa a autora é perfeita em todo o sentido, como ela consegue te prender na história.sei que se vocês derem uma chance para a história iram se apaixonar como eu mesma fiz ao ler está história perfeita.

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  10. Não demore muito para atualizar amiga,pois estou ansiosa com essa declaração de Emma e estou louquinha para saber qual vai ser a atitude de Regina depois de receber essa linda declaração....
    Please,estou angustiada,posta logo esse capítulo amiga e me tire dessa agonia!!!

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  11. Pelo amor de Zeus, esquece as provas, mas não esquece de atualizar a fic rapidinho auahuah
    Serio fic maravilhosa, por causa dela eu quero comprar o livro, mas fico com receio e ai vc acha que devo ler o original?rs

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  12. Regi ela é difícil dificílima, como pode ?to com dozinha da Emma.

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  13. Só dando nessas duas com gato morto até miar. Pelo amor dos Sete Reinos que isso . Meu core não aguenta . 😢😢😢

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  14. Regina está sendo totalmente irracional,Emma pode ter errado, mas as duas se amam, não aguento mais esta separação delas, estou angustiada!!

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