quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Peça- me o que Quiser, Capítulo 53

   
"La petite mort" para quem não conhece, é uma expressão francesa, que se refere ao orgasmo feminino e que significa "A pequena morte". Não vou entrar em detalhes, mas espero que no contexto vocês venham a entender. Boa leitura!

    
     A chegada ao Aeroporto Internacional Franz Josef Strauss em Munique se faz no tempo previsto e sem complicações. Quando desembarcamos do avião, Emma se distrai falando com o piloto e vejo Norbert no carro. Flynn corre até ele e se joga em seus braços. Encanta-me ver como o homem sorri de felicidade ao ver o menino.
    Uma vez que o pequeno entra no carro com Graciela e Laura, eu olho para Norbert com cumplicidade e lhe dou um abraço. Como sempre fica mais duro do que um pedaço de pau, mas eu não me importo, o abraço da mesma forma e escuto dizer emocionado:
    - Que alegra tê-la de volta em casa, senhora!
    Eu sorrio. Passei de senhorita Regina para senhora!
    - Norbert, não combinados que ia me chamar pelo nome?
    O homem acena com a cabeça e, depois de cumprimentar Emma com um aperto de mão, acrescenta:
    - Isso é coisa da minha mulher, senhora. Que, aliás, está louca para vê-la em casa novamente.
    Quando a bagagem chega, Norbert as coloca no porta-malas do carro, enquanto isso Emma agarra minha cintura com atitude possessiva, me beija e sussurra:
    - De novo está em meu território, pequena.
    Seu gesto é divertido e beliscando sua cintura esclareço:
    - Desculpa bonita, mas este também é meu território agora.
    Sorrindo, entramos no carro para ir à nossa casa. Nosso lar. Ao longo do caminho, Graciela olha pela janela com curiosidade e, enquanto os demais brincam com o pequeno Flynn, eu explico por onde passamos.�
    Emma sorri satisfeita ao ver que sei andar tão bem em Munique, e eu pisco para
ela.
    Chegando em casa, Norbert aperta o controle remoto do carro, e a porta de aço se abre. Assim que cruzamos o belo jardim, vejo na porta da frente Simona, junto com Susto e Calamar. A mulher sorri radiante e corre para o carro, junto com os cães.
    Emocionada, antes que o carro pare, eu abro a porta e salto como uma louca.
    Susto e Calamar se lançam sobre mim, eu os acaricio enquanto saltam e latem de felicidade.    Segundos depois, meus olhos se encontram com os de Simona, a minha Simona! E me derreto em um abraço caloroso com ela.
    Mas, de repente, percebo que alguém agarra meu braço e me puxa. Ao olhar me encontro com o gesto preocupado de Emma. O que está errado?
    - Você ficou louca?
    Surpresa pela sua seriedade e, principalmente, pelo tom de sua voz, pergunto:
    - Por quê? O que houve?
    Flynn, que se joga em uma corrida para abraçar Simona diz:
    - Tia Regi, você não pode abrir a porta com o carro ligado. Isso é perigoso.
    Naquele momento percebo que o que eles dizem é verdade. Minha impulsividade faz com que me comporte mal.
    Horrorizada pisco. Emma não se move. Que mau exemplo sou para Flynn e,olhando para a minha alemã raivosa, murmuro enquanto Susto pede atenção:
    - Sinto muito, Emma. Eu não percebi. Eu vi Simona e...
    O gesto da minha menina grannde relaxa e passando a mão pelo meu rosto, sussurra:
    - Eu sei querida. Mas por favor, tenha mais cuidado, ok?
     Eu sorrio e abraçando-a, suspiro:
    - Eu prometo, mas agora, sorria, por favor.�
    Ela não hesita em fazer. Sua expressão volta a ser alegre e me beijando nos lábios, murmura:
    - Você vai pagar quando estivermos sozinhas.
    Com gesto malicioso, olho para ela e sussurro, antes que Graciela se aproxime:
    - Uauuu... Isto ficou interessante.
    Depois de soltar uma gargalhada, Emma cumprimenta os esbaforidos Susto e Calamar.
    Que emocionados estão meus cachorrinhos ao nos ver novamente!
    Quando Emma, junto com Flynn se agacha e os abraça, meu coraçãozinho transborda. Se lhes dissesse isto há um ano atrás, nenhum desses dois alemães rígidos teria acreditado. Mas lá estão eles, tia e sobrinho esbanjando mil carinhos aos nossos dois animais de estimação.
    Quando Flynn corre para o lado do jardim, os cachorros vão atrás dele. Enquanto Norbert leva as mala, Emma faz o mesmo com a cadeira de rodas de Laura que, uma vez aberta, a mexicana se senta nela.
    - Regina, como estou feliz em te ver!
    - E eu de te ver, Simona. Acredite ou não, tenho sentido sua falta.
    A mulher sorri e vendo que Graciela está do nosso lado, lhe apresento:
    - Simona, quero te apresentar Graciela.
    - Encantada senhorita Graciela.
    - Por favor Simona, diz a jovem em alemão, eu ficaria mais confortável se me
chamasse pelo nome como Regina.
    A história se repete.
Vê-se que as meninas criadas em famílias de classe média, se incomodam ao ser chamadas de “senhorita”, e olhando Simona com cumplicidade, digo:�
    - Você sabe, o senhora podemos ignorar.
    - Agora mesmo esquecido, tudo bem Simona? - Graciela insiste.
    A mulher sorri e, de repente, surpresa, exclama:
    - Você fala como a protagonista de Loucura de Esmeralda!
    Ao ouvir esse nome Graciela nos olha.
    - Você assiste Loucura de Esmeralda na Alemanha?
    Simona e eu balançamos a cabeça e ela insiste:
    - Sério?
    - Totalmente sério, Graciela, - respondo.
    Sorrio para não chorar.
    Eu ainda não entendo como me deixei envolver em uma novela assim, e acrescento:
    - Não sabe a dificuldade que temos com Esmeralda Mendoza e Luis Alfredo Quiñones. Que desagradável quando eles anunciaram o último capítulo. Não vão morrer, né?
    Graciela balança a cabeça, Simona e eu suspiramos agradecidas. Ufa!
    - É a telenovela mais famosa no México. Já finalizou a segunda temporada.
    - Aqui anunciaram que em 23 de setembro recomeça.
    - Mas o que você me diz? - Exclamo entusiasmada.
    Simona acena feliz e Graciela acrescenta:
    - No México já foi repetida algumas vezes. Esmeralda Mendoza ganhou o coração de todas as mexicanas, por seu caráter valente.
    Simona e eu concordamos.     Este mesmo efeito tem provocado nas alemãs.
    - Simona, mulher bonita, como você está? Laura pergunta.�
    Encantada com o nosso retorno, a mulher olha para ela e responde:
- Muito bem Senhora Ramirez. Seja bem-vinda! - E, apontando para Graciela, acrescenta: - Deixe-me dizer-lhe que sua noiva, ou sua esposa é linda.
   Misericórdia!! O que Simona falou!
    Ao ouvir isto, Laura fica paralisada. Graciela fica vermelha como um tomate e eu, como sou uma bruxa, não nego nada, quando Simona, piscando um olho, com
cumplicidade, á Laura, afirma convencida:
    -Você soube escolher muito bem.
    Emma sorri para o meu silêncio. Como me conhece minha alemã.
    Mas Laura, disposta a  esclarecer o que eu não queria esclarecer, diz:
    - Obrigado, mas eu devo dizer que Graciela é apenas a minha assistente pessoal.
    Simona olha para ela, depois olha para a moça, e ao ver sua cara, junta as mãos e implora perdão.
    - Desculpe senhora, a minha indiscrição.
    - Está tudo bem, Simona. - Sorri Laura.
    Entramos todas na casa e quando chegamos na sala, escuto Simona perguntar a Graciela:
    - Você é solteira?
    - Sim.
    A mulher olha. Então ela pisca para mim e diz:
    - Garanto que na Alemanha você vai achar mil pretendentes. As morenas gostam muito deste lugar.
    O rosto de Laura ao ouvir isso é todo um poema e eu, sem poder disfarçar, desvio o olhar para que não me veja rindo�.
    É claro que vai ter de se esclarecer com a chilena de uma vez por todas.

    Na parte da tarde aparecem Cora, a mãe de Emma e Martha, sua irmã com o namorado Arthur. Ao vê-los, Flynn corre até eles e os abraça. Observo o rosto de Cora, que gosta do contato tão próximo de seu neto, enquanto Martha, engraçada, o pega nos braços e dá voltas com ele. Elas nunca ficaram tanto tempo separadas do menino e o reencontro os emociona.
    Como era esperado, ao ver Graciela, as duas pensam o mesmo que Simona, e Laura volta a esclarecer que a jovem não é sua noiva, nem sua esposa.
    Pergunto a Cora por Trevor, ela se aproxima e murmura:
    - Nós rompemos. - E antes que eu diga qualquer coisa, ela acrescenta: - Eu não quero laços na minha idade. Principalmente com homens!
   Concordo e sorrio.
   Minha sogra nunca para de me surpreender. É uma bomba!
    Durante horas conversamos todos com familiaridade ao redor da mesa, enquanto tomamos uma bebida, Emma e eu mostramos nossas fotos da lua de mel.
    Bem, nem todas. Há algumas que reservamos apenas para ela e para mim. São muito íntimas.
    Ao saber que Graciela é solteira, Martha rapidamente a convida para sair uma noite de farra e eu fico aguçada. Estou querendo ir ao Guantanamera ver os meus
amigos, dançar salsa e gritar "Açúcar".
    Emma me olha e em seus olhos vejo que não há nenhuma graça, mas eu não penso em deixar de sair com os amigos pelo simples fato de ser a Senhora Swan agora. Me poupe! De jeito nenhum!
    Voltar para a rotina significa voltar a esclarecer tudo. Uma coisa tem sido todo o turbilhão com o casamento e a lua de mel, e outra muito diferente é o dia-a-dia. E apesar de amar minha esposa e ela me amar, eu sei que nós vamos divergir. E eu sei apenas com esta simples espiada.�

    No dia seguinte saímos para jantar com Helena, Maura e Jane no Jokers, o restaurante do pai de Helena. Laura, Graciela, Emma e eu, depois de cumprimentar o
simpático Klaus, fomos para a mesa que este indica. Pedimos cervejas e começamos a conversar.
    - Oh Deus, eu amo a cerveja dos leões.
    - A Löwenbräu? - Emma pergunta.
    Graciela concorda com a cabeça e, depois de tomar um gole, responde:
    - Há muitos anos, quando eu morava no Chile, tinha um vizinho cujo pai era alemão e levava esta cerveja daqui. É maravilhosa!
    Laura com um enorme sorriso ao vê-la tão feliz, pergunta:
    - Posso pedir outra?
    - Eu adoraria.
    Eu observo...
    Ambas se gostam, mas nenhuma dá o primeiro passo.
    Graciela tem dado, mas agora é Laura que tem que fazer a sua parte.
    Estou convencida de que ela a deseja, porém freia a sua intenção. Eu não entendo como pode ser tão besta. Ela sabe que Graciela conhece suas limitações e ainda assim ela a interessa. Honestamente, não entendo.
    Quando nos trazem uma nova rodada de cervejas, brindamos e o bom humor prevalece entre nós, como sempre. Neste momento, vejo que entra a linda da Helena
acompanhada de uma mulher.    Quem será?
    Ela não nos viu ainda, portanto posso admirar à vontade. A mulher, como era de se esperar, é estupenda. Alta, com salto alto, sexy, loira e bonita, muito bonita�.
    Quando seu pai avisa que estamos esperando, Helena se vira, nossos olhos se encontram e ela pisca para mim.
     É uma grande amiga!
    - Emma sua amiguinha chegou. – sussurro divertida.
    Minha loira, ao escutar-me, levanta da mesa e, quando essas duas titãs que eu gosto tanto se encontram, se dão um longo e afetuoso abraço. Elas se adoram.
Então, Helena me abraça e sussurra no meu ouvido:
    - Bem vinda ao lar Senhora Swan.
    Eu sorrio e observo como sua acompanhante me olha com gesto indelicado.
    Por sua atitude, percebe-se que não se sente muito feliz com esta cena. Helenacontinua sua rodada de saudações e, após comprimentar Laura, e de ser apresentado à Graciela, pergunta:
    - Maura e Jane não chegaram?
    - Estamos aqui! - De repente diz Maura.
    Ouvindo isto, dou um pulo e corro em direção a ela. Minha amiga vem dando pulinhos e, após um longo abraço, pergunta:
    - Como está tudo?
    Me afastando dela, respondo:
   - Maravilhoso. Até agora não nos matamos.
    Maura sorri e agora é Jane que me abraça e me encanta.  Elas são  tão carinhosas comigo, que não consigo parar de sorrir. Vejo que conhecem Graciela de quando viajaram para o México.
    Eu fico olhando para a loira que, com cara de nojo, nos observa de um lado da mesa e digo a Helena:
   - Quer,  por favor,  ser educada e apresentar a sua acompanhante�!
    Ela, que está animada com esta reunião, se aproxima da desconhecida e, puxando-a pela cintura, diz:
    - Bianca, te apresento minhas amigas. Emma e sua esposa Regina. Jane e sua
esposa Maura e Laura e sua namorada Graciela.
    Oops ... Oops ...o que ela disse.
    Sorrio sem poder me conter.
    E antes que Laura volte a esclarecer, Graciela olha para a  linda da Helena e diz:
    - Não somos namoradas. Eu sou apenas sua assistente pessoal.
    Helena ao ouvir isto, olha surpresa para a mexicana depois para a jovem, e em
seguida diz em espanhol, para que Bianca não entenda:
    - Então acho que você e eu vamos ter um encontro.
    Eu quase me quebro. Helena não perde a oportunidade e Graciela, com uma graça que me perturba, concorda.
    - Ficarei encantada.
    Essa chilena não é fácil.
    Não quero olhar para Laura!
    Não posso!
    Coitada!
    Mas ao final, como sou intrometida, zás! Eu olho e vejo como seu rostofica tenso, enquanto retira o olhar escuro do rosto. Els não diz nada e toma um gole de sua cerveja. 
    Oh, puft, me dá pena.
    Após as apresentações, todos nós sentamos e começamos a falar. Klaus, o pai de Helena, rapidamente enche a mesa de guloseimas deliciosas. Reviro os olhos,
enquanto explico à Graciela um pouco sobre tudo aquilo.
    Ufa... Que fome que eu tenho, por favor!�
    - Você sabe quem é esta? – Maura cochicha dissimulada.
    Olho para ela e vejo que aponta para a acompanhante de Helena e pergunto:
    - Quem?
    - Essa garota trabalha no canal de notícias da CNN aqui na Alemanha. É apresentadora de televisão.
    - Não brinca! - sussurro, olhando-a com curiosidade.
    Graciela, que é boa de garfo como eu, rapidamente avança e, depois de comer uma deliciosa almôndega, olha para mim e diz, com sua voz doce:
    - Que delíciaaaaaa!
    Concordo. Estas almôndegas de carne moída estão de matar.
    Determinada que continue descobrindo coisas, pego dois pães quentes e lhe dou um.
    - Prove este bagel salgado mergulhado neste molho e saboreie.
    - Os pães quentes daqui são espetaculares. - Comenta Maura, que pega outro.
    Você vai ver.
    Nós três molhamos o bagel e mastigamos, nossos exagerados gestos dizem tudo. Delicioso!
   As demais nos olham e sorriem. Pedimos mais cerveja. Comer dá sede.
    Enquanto Emma, Jane, Laura e Helena falam, nós usamos bem nossos paladares, até que, de repente, o olhar de Bianca chama minha atenção e pergunto:
   - Você não come?
    Ela balança a cabeça, franzindo o nariz, e responde:
    - Muita gordura para mim.
    - Ótimo, bom que sobra mais! - Responde Graciela em espanhol e eu seguro minha
risada.�
    Eu acho que a cerveja está começando a afetá-la.
    Maura que está ao nosso lado, diz:
    - Mulher, mas algo tem que comer.
    Bianca, com um gesto que me lembra não sei quem, olha e responde:
    - Eu pedi uma salada de batatas e queijo.
    - Só vai comer isso?
    A loira alemã concorda, e levantando o queixo, acrescenta:
    - Tudo o que você come leva um segundo em sua boca e seis meses sobre os quadris. Eu devo isso ao meu público, que quer me ver sempre bonita e magra.
    Ela está certa.
    Mas escute, o segundo da boca é a bomba! E quanto ao segundo que disse prefiro não comentar. Isso é bobagem, bobagem, bobagem...
    Por vários minutos, comemos e comemos e, de repente, eu paro. Já sei quem me lembra a cara de Bianca!
    É igualzinha a um poodle chamado Fosqui que Pachuca teve quando eu era criança. Dou uma risada. Não posso segurar, e Emma vem, me beija no pescoço e
pergunta:
    - Qual o motivo de tanta risada?
    Não posso dizer a verdade e respondo:
    - É Graciela. Você viu como ela está feliz?
    Emma olha, concorda e murmura:
    - Eu acho que você não deve beber mais Löwenbräu.
    Ambas concordamos e, aproximando-me dela, dou um beijo na ponta do nariz.
    - Eu te amo Senhora Swan.
    Emma sorri e, depois de colocar uma mecha de cabelo atrás da orelha, diz:
    - Você sabe?
    - O quê?
    - Há muito tempo que não discutimos e que não me chama de alguma coisa.
    Ao escutá-la solto uma gargalhada e, ao perceber o que quer dizer, tremo e
afirmo:
    - Isto eu só direi quando você merecer, e agora não merece. Portanto, não! Eu me recuso a lhe dar esse prazer.
    - Me deixa louca quando você me chama.
    - Eu sei, - sorrio divertida.
    Ela me faz cócegas na cintura e pede:
    - Vamos, diga-me.
    -Não.
    - Diga-me.
    - Não.., você não merece agora.
    Me beija, e feliz como uma boba, finalmente digo:
    - Babaca.
    Emma solta uma gargalhada. Nos beijamos. Deus ...como beija bem minha garotona
    - Esta salada não é o que eu pedi. - Diz uma voz estridente.
    Emma e eu voltamos para a realidade. Olhamos para Bianca, que com cara de
brava, protesta:
    - Eu pedi uma salada com queijo e...
    -Esta é uma salada de queijo e batatas, - corta Helena, olhando para ela.�
    A estrela da CNN olha o prato que tem a sua frente e, adotando uma expressão mais doce, responde:
    -Ah bem! ... Se você diz que sim, então eu acredito.
    - Se eu te digo?
    Aproximando-se a Helena, que a olha um pouco atordoada, a loira murmura:
    - Sim. Se você me diz.
    Maura e eu nos olhamos e acho que pensamos o mesmo.    É estúpida..., mas exageradamente estúpida. Que pouca personalidade. O que Helena viu nela?
    Bem, tudo bem, eu sei que é uma bonitona, e conhecendo os gostos de minhaamiga, a garota deve ser, no mínimo, uma fera na cama.
    Todas seguimos comendo e a conversa gradualmente se normaliza. Maura, sendo alemã como Bianca, tenta incluí-la na conversa, mas esta não está para
conversa e se recusa.
    Após as sobremesas e risadas, Graciela pede a garçonete:
    - Me traga dez Löwenbräu para levar.
    Todos nós rimos, mas Laura diz a ela.
    - Nem pense... Nem pense.
    Graciela ao ouvir olha para ela e, apoiando o cotovelo na mesa e o queixo com
a mão, pergunta:
    - Por quê? Por que você acha que eu não deveria levar nenhuma cervejinha?
    A mexicana, com um sorriso carinhoso, responde:
    - Você vai ficar mal, acredite.�
    Graciela solta uma gargalhada. Faz algum tempo, que percebo que sua timidez está ausente e, antes que eu consiga parar, ela se aproxima de Laura e diz:
    - Mal eu estou de ver que não você quer nada comigo, quando seria muito legal se nós jogássemos juntas em seu quarto do prazer.
     Uauuuuuu, Graciela se soltou!
     Chile 10. México 0.
    - O que você disse? - Pergunta Laura, totalmente deslocada.
    - Eu sei que você gosta de mim, e Regina também já percebeu.
    Não disfarce, sua sujeita.
    Tome isso!
    Maura olha para mim. Eu olho para ela.
    Emma olha para mim. Eu olho para ela.
    Helena olha para mim. Eu olho para ela.
    Todo mundo me olha, e quando Laura me olha, digo:
    - Vamos ver, Graciela se refere a...
    Porém não posso continuar.
    Graciela lhe puxa o queixo e, diante de todos, dá uma beijoca de torcer parafuso e deixar as pernas tortas, deixando todas na mesa boquiabertas.
   Outra como a minha irmã.    Foda-se as solitárias!
    Quando termina, sorri e a poucos centímetros do rosto da mexicana, explica:
    - Me refiro a isso, querida linda. Eu quero parar de jogar com outros para fazer com você.
    Meu Deus.
    Eu não sei o que fazer.
    Estou bloqueada. Graciela não para de piscar na direção de Laura e ela, olhando para mim, pergunta:�
    - O que ela quer dizer com jogar?
     Eu levanto as sobrancelhas e Laura, alucinada, me entende. Ela olha espantada para Graciela e diz:
    - Mas pelo amor de Deus, com quem você joga?
    - Com os meus amigos.
    - Como? - Ela grita, alto demais.
    Graciela, com muitas cervejas no corpo, responde:
    - Já que você não quer fazer comigo, eu busco na rua.
    Ninguém se mexe.
    Ninguém sabe o que fazer até que Emma, assumindo o comando da situação, diz levantando-se:
    - É tarde, eu acho que é melhor voltarmos para casa.
    Todas nós nos levantamos. Eu me aproximo de Graciela, ao ver que Laura é a primeira a mover sua cadeira de rodas, e pergunto em voz baixa:
    - O que você está fazendo louca?
    Ela encolhe os ombros e responde:
    - Dizendo a verdade de uma vez por todas. Eu acho que as cervejas meajudaram.
    - Eu digo a você, sim te ajudou. Anda, vamos para casa, - sussurro.
    Uma vez que saímos do restaurante, enquanto Laura se acomoda no carro e Emma dobra a cadeira de rodas, Maura e Jane vão embora. Bianca, muito diva, sem despedir-se entra no carro esportivo de Helena. Que mulher mais antipática.
    Helena, que espera até Emma terminar, olha para mim e sorri, sabendo que Laura nos escuta.  Como diz meu pai, essa sabe mais do que os ratos coloridos, e quando
se despede de Graciela sussurra:�
    - Foi um prazer, e o jantar está de pé. Amanhã nos falamos.
    Canalha, sem-vergonha!
    Sem necessidade de pedir colaboração, já está ajudando a estimular Laura.
   Sem mais, dá um beijo em mim e em Graciela e segue para o seu carro.
    Nós duas entramos no carro e, em silêncio, nós quatro chegamos a nossa casa.
    Uma vez lá, Laura, irritada, vai até o seu quarto no piso térreo, enquanto Graciela vai para o seu, Emma olha para mim e, divertida, pergunta:
    - Por que está tão travessa menina?
    - Eu?
    - Sim... Você.
    - Por que você diz isso?
    Se aproximando de mim, insiste:
    - O que é isso de que Graciela joga e de que você sabe que Laura gosta
dessa mulher?
    Divertindo-me ao ver como ela me olha, eu respondo:
    - Ponto um: ela confessou para mim sem eu dizer nada.
    - Que confiança! - Murmura beijando meu pescoço.
    - E ponto dois: é óbvio! Basta olhar para Laura quando alguém se aproxima de Graciela, para perceber que se importa e que se incomoda que alguém se fixe nela.
    Emma sorri, me toma em seus braços e depois de me dar um caloroso beijo, murmura a poucos centímetros da minha boca.
    - O que você acha se jogarmos um pouco, você e eu, e deixarmos os pontos?
    Apertando-me contra a parede, eu devolvo o beijo e respondo:�
    - Oras, achei que não fosse perguntar nunca, senhora Swan!

    Dois dias depois, minha cunhada Marta telefona, combinamos de sair esta noite para a farra com ela.
    Uau, isto me agrada muito!
    Inicialmente, iríamos Graciela e eu, mas ao final, Emma e Laura se animam. Elas não nos deixam ir sozinhas e, quando chegamos à porta do Guantanamera, observo o rosto de minha esposa e sei que não é uma boa idéia estar ali.
    Quando entramos, eu vejo que Anita, Marta com Arthur e alguns amigos já estão dançando na pista.   Eu sorrio. Olha como minha cunhada alemã dança esta
música! Emma a observa. Nunca a tinha visto dançar assim, e surpresa ao ver como ela se mexe, pergunta:
    - Porque minha irmã faz essas caras?
    Divertida, a olho no momento em que Marta nos vê, e soltando uma
gargalhada vem correndo em nossa direção com o seu namorado atrás.
    Cumprimentamos-nos.
    De repente, eu olho para uma mulher que dança na pista com Anita. De onde saiu esse pedaço de bombom? Marta ao ver a direção do meu olhar, sussurra:
    - Impressionante, não é?
    Atordoada, eu concordo. Trata-se de uma morena incrivelmente sexy.
    - Nós a batizamos de la petite mort perfeita. Se chama Paola. - Sussurra Marta.
    - Quem é?
   - Uma amiga de Santiago.
    - É cubana?
    - Não, argentina e é muito boa, não é?�
    - Já te digo.
    Concordo. Negar isso seria uma das maiores mentiras do mundo.
    Paralisadas, estamos observando como Anita dança salsa com a argentina, quando de repente Emma diz ao meu lado:
    - Sua bebida, Regina.
    Ao pegar o que ela me oferece, vejo em seus olhos que ouviu nossa conversa e que está irritada.
    Oh, minha menina é uma ciumenta.
    Eu sorrio. Ela não sorri.
    Eu me aproximo dela, dou lhe um beijo, e murmuro:
    - Eu só gosto de você.
    - E Paola. - Ela zomba.
    Finalmente, depois de dar beijinhos forçados, consigo que sorria e me beije.
    Durante o tempo que o grupo conversa, percebo como Laura e Emma se comunicamcom seus olhos quando passa uma mulher que elas acham atraente. Eu sorrio. Não posso ficar zangada. Eu também tenho olhos em meu rosto.
    Emma paga uma rodada de mojitos quando começa uma música e quase todos
gritamos:
    - Cuba!
    Surpresa, Emma me olha. Eu começo a mexer lenta e pausadamente ao som da
música e vejo como minha mulher me filma com seu olhar esverdeado. O vestido curtoque uso lhe agrada, compramos na nossa lua de mel e, seduzindo-a digo:
   - Vem. Vamos dançar na pista.
    Emma levanta as sobrancelhas e nega com a cabeça.
    Falta apenas dizer: "Nem a pau!"
    Estamos de volta à Alemanha e a naturalidade de seus atos em nossa lua de mel parece ter desaparecido. Sinto muito. Eu gostava muito da Emma desinibida.
Observa-me com o rosto sério e vendo que eu não paro de me mexer, diz:
    - Vá você para a pista.
    Desejando dançar e cantar a canção do grupo Orishas que toca, vou para a
pista com meus amigos e danço com eles. Nossos movimentos são lentos e sensuais. A música vem em nossos corpos e cantamos.

    Represent, represent,
    Cuba orishas underground de la Habana.
    Represent, represent,
    Cuba, hey mi música.

    A pista se enche.
    Nós todos dançamos ao som da música, enquanto cantamos em voz alta,observo que Emma não tira o olho de mim. Está me vigiando. Não está confortável.
    Meu amigo Santiago chega. Ele vê Emma e corre para cumprimentá-la. Ambos sorriem. Minha loira lhe apresenta a Laura e Graciela e aponta onde estou.
Santiago, com seu grande sorriso cubano corre para a pista e agarrando minhacintura, começa a dançar esta canção quentíssima.

    Represent, represent,
    Cuba orishas underground de la Habana.

    Eu olho para Emma e percebo que essa dancinha que estamos fazendo não a está agradando. Rapidamente me solto e toda a pista começa a pular enquanto cantamos.

    Aprenderás que en la rumba está la esencia.
    Que mi guaguancó es sabroso y tiene buena mezcla.
    A mi vieja y linda Habana un sentimiento de mañana.
    Todo eso representas,
    ¡Cuba-a-a!�

    O local inteiro canta e dança, quando termina o DJ troca de ritmo e eu voltopara minha esposa. Com sede pego o mojito e dou um gole considerável.
    - Você não dança querida?
    Emma me olha... me olha e me olha e ao ver como estou suada pergunta, retirando o cabelo do meu rosto:
    - Desde quando eu gosto de dançar?
    Sua resposta é uma afronta, mas como eu não quero discutir nem lembrá-laque em nossa lua de mel dançou tudo o que quis e mais um pouco, eu dou um passo para o alto e agarrando seu pescoço, murmuro:
    - Bem, pois então me beije. Pois disto você gosta, né?
    Sorri finalmente!
    Ela me beija e desfrutamos de nosso beijo, mas de repente Marta me puxa, me leva para a pista e começo a dançar Bemba Colorá. O rosto de Emma novamente
escurece. Está claro que não está gostando nada do Guantanamera.
    Graciela nos olha e faço um sinal para que se junte a nós.  Não pensa duas vezes e vempara a pista conosco, enquanto sacode os quadris. Laura e Emma se olham e bufam.
    Vão pastar as duas!
    Rapidamente nos unimos a Santiago, Anita, Arthur, alguns amigos cubanos e a
Dona la petit mort perfeita.
    Pelo amor de Deus. De perto, a argentina é ainda melhor.
    Como não é a primeira vez que venho nesse local, já sei como se dança.
    Fazemos uma roda e no meio, par a par, demonstramos nossa graça na dança quente e deliciosa. Eu e Marta nos movemos como duas loucas enquanto gritamos "Açúcar".
    Quando a música termina, volto para Emma. Estou de novo com sede, e ela, com um olhar desconfortável, me olha e pergunta:�
    - Será assim a noite toda?
    Observo que Laura diz algo a Graciela e que ela revira os olhos. Eu volto a olhar para a minha menina não latina e pergunto, depois de beber um enoooooooorme gole de meu rico mojito:
    - Não gosta do Vacilón?
    Essa palavra ela não entende, e vendo seu rosto, insisto:
    - Não gosta da festa e das boas vibrações que têm aqui?
    Emma, ou melhor, Icewoman, olha em volta e, com sua sinceridade avassaladora,
responde:
    - Não. Não me agrada em nada. Mas a você sim, certo?
    Depois de terminar o meu mojito, eu olho e, apesar de saber que ela se incomoda, respondo:
    - Você já sabe, meu amor.
    Suas narinas se inflam.
    Uauuuu, excitante!
    Logo, aproximando-me dela, murmuro:
    - Me coloque como uma Ducati, como quando você está tão depravada.
    Colo meu corpo ao dela. Mesmo com saltos alcanço o seu nariz. Emma não se move. Só me olha, e eu começo a mover meu corpo lentamente ao ritmo da música.
    Ela está excitada e beijando-a, pergunto:
    - Você quer que a gente vá para casa?
    Concorda sem hesitar e eu sorrio.
    Quando chegamos, são duas e quinze da madrugada, nos despedimos de Laura e Graciela, e quando entramos em nosso quarto, Emma continua emburrada.
    Eu estou um pouco alterada por causa mojitos e, aproximando-me, digo:
    - Escute querida...
    Porém não consigo dizer mais nada.
    Icewoman me pega em seus braços e, com uma paixão que me deixa sem fôlego, me beija e me devora. Me empurra contra a parede, sobe meu vestido embolando-o em minha cintura e diz perto da minha boca, enquanto rasga minha calcinha.
    - Eu não gosto que dance com outros.
    Seus dedos entram em mim, me penetrando com tanta força que me faz suspirar.
    - Não quero que você volte àquele lugar, entendido?
    Sua paixão me enlouquece, mas não sou boba. Me agarro com força em volta de seu pescoç, olhando-a, respondo sem perder a serenidade:
    - Meus amigos vão para lá, onde está o problema?
    O rosto de Emma torna-se novamente sombrio. Com a mão livre, agarra meu quadril, me aperta contra ela novamente e eu grito. A força com que me fode me deixa louca, me reverbera, e
sussurra:
    - Eu não gosto daquele lugar.
    Eu beijo-a, e quando separo meus lábios dos seus, respondo:
    - Eu gosto. Eu me divirto e não faço mal a ninguém.
    - Faz mal a mim. – Fala entre dentes, me penetrando novamente.
    Sinto falta de ar. Porém eu gosto do nosso jogo quente e, querendo mais,
sussurro:
    - Não, querida. Eu nunca faria mal a você.
    Após uma nova penetração,   Emma suspira e murmura:
    - Havia muitas pessoas te observando.
    - Porém sou só sua.�
    Sua boca volta a tomar a minha. Sua mão desce até a minha bunda. Eume seguro nela como posso enquanto me penetra uma e outra vez. Não descansa. Ela está
furiosa e sua fúria me encanta.  Me abro. Me deleito neste momento tão depravado.
Tão passional até que meu corpo não pode mais e, apertando-me contra ela, um prazer intenso e viciante sai de mim.
    Emma, ao perceber, aumenta suas estocadas mais e mais e mais. Ela funde seus dedosem mim sem descanso, até que um gemido abafado me faz saber que ela chegou ao limite.
    Sem soltar-nos, continuamos contra a parede. Nós amamos este tipo de sexo.
    Nossas respirações estão agitadas e, olhando-a, digo:
    - Diga, o Guantanamera excitou você.
    Ela me olha e ao ver meu sorriso, finalmente sorri também e diz, abraçando￾me:
    - Você me excita Regina... só você.
    Não volta a me proibir de nada. Sabe que não deve. Embora já tenha deixado claro o que pensa do Guantanamera.
    Naquela noite, depois de fazermos amor novamente como duas selvagens sob o chuveiro, dormimos abraçadas e muito... muito apaixonadas.
   
   
   

terça-feira, 17 de maio de 2016

Afterburn, Capítulo 6

 

 
     Quando Emma e eu voltamos ao Mill's, Nico me lançou um olhar de quem entendeu tudo. Mostrei a língua para ele.
    Escolhemos uma mesa e pedimos um vinho. Pedi lasanha para mim, Emma foi de pollo alla cacciatora ( É frango com frutos: tomate, pimentão..., especiarias,  vinho branco e cogumelos). Enquanto esperávamos pela comida,
eu a examinei, admirando o jeito como as pequenas velas na mesa a cobriam com um tom de dourado. Parecia mais calma, mais relaxada, e seu rosto não poderia estar mais bonito.
    Tinha aquela expressão de quem acabou de se esbaldar na cama, um ar
de que, embora estivesse saciada, antecipava os prazeres que estavam por
vir. Eu adorava ser a responsável por aquilo, o que também me deixava
morrendo de raiva. Porque não eram apenas as coisas que ela dizia que
representavam um perigo: tudo a respeito de Emma me tornava vulnerável.  O efeito que ela tinha em mim era em grande parte devido ao efeito que eu tinha nela.
    Eu a fazia feliz. Eu a deixava satisfeita. E era difícil não achar que isso me tornava especial, mesmo não sendo boba.
    “Kathryn é sua madrasta?”, perguntei, tentando pensar em outra coisa.
    “É.” Ela fitou a própria taça.
    “Como foi isso?” Será que ela ia falar de Owen…?
    “Minha mãe morreu dez anos atrás.”
    “Ah.” Ver o modo como ela se fechou me deixou em alerta — aquele era
um assunto espinhoso. “Sinto muito.”
    “Não tanto quanto eu na época”, murmurou Emma, antes de virar a taça
quase cheia em três goles. Ela a encheu novamente e ergueu os olhos para
mim. “Sua mãe parece ótima.”
    Assenti. “Ela está feliz. Os filhos estão bem de vida, o negócio vai bem, e
em breve vai virar avó.”
    “Como Angelo está lidando com a ideia de virar pai?”
    “Bem. Atrapalhou os planos dele de abrir outra filial do Mill's, mas
acho que é melhor assim. Ruby já tem um negócio, então acho que seria
puxado demais os dois tomarem conta de dois empreendimentos e um
casamento novo.”
    “Você gosta dela?”, perguntou Emma, alisando a haste da taça.
    “Muito. Ela é ótima.” Olhei para a mesa ao lado, uma família de quatro
pessoas discutindo animada como a comida estava boa. “Acho que vi
Allison no evento ontem à noite. Como ela e Theodore estão indo?”
    Para falar a verdade, não ligava a mínima para como estavam seu primo
e sua mulher rabugenta, mas a menção à mãe de Emma me fez perceber que
ela sabia mais sobre mim do que eu sobre ela. Tirando seus parentes
políticos que apareciam nos jornais, Allison era a única que eu conhecia.
    “Bem.” Emma deu outro gole. “Ela é tudo de que ele precisa para concorrer
a governador na próxima eleição.”
    “Que bom que ela o apoia.”
    Emma soltou uma risada de desdém. “Os dois mal se falam. Mas Allison
sabe lidar com a imprensa e é muito ativa no planejamento da campanha.
Ted escolheu bem. Ela combina com ele exatamente como Kathryn com meu
pai.”
    “Achei que o estereótipo do casamento como uma parceria de negócios era coisa de Hollywood.”
    “Não.” Emma esticou o braço e alisou de leve as costas da minha mão. “É
preciso lidar com relacionamentos de forma pragmática. Casar por amor
nunca dá certo. Meus pais se amavam e eram infelizes. Agora, Kathryn e o
meu pai… Eles vão dar certo. Ela sabe as regras do jogo.”
    “Ele parece gostar dela de verdade.”
    “Depois do que passou com minha mãe, ela deve ser mesmo fácil.” Emma
deu outro gole e se recostou na cadeira enquanto nossos pratos eram
servidos.
     A mudança de humor foi outro alerta. Ela não parecia à vontade quando falava da mãe. Eu teria que ser cuidadosa ao abordar o assunto. “Foi Owen que apresentou os dois, não foi?”
    “O que fez dele um homem de sorte, não é?”, devolveu Emma, com um tom
de sarcasmo na voz.
    “Porque ele resolveu cobrar a dívida e você apareceu? Você não pode
salvar o cara, Emma.”
    “Não é para isso que estou aqui.” Ela deu de ombros, com uma expressão fria nos olhos. “Meu papel é manter Cristina Yang sob controle. E isso eu posso fazer.”
    Nico se aproximou com um prato de macarrão fumegante nas mãos.
    “Posso me juntar a vocês?”
    Emma empurrou a cadeira diante dele com o pé. “Quanto mais Mills melhor.”
    Infelizmente, quando mais Swan, mais assustador. E fora isso que
tornara Emma quem era.
    Perdi-me em meus pensamentos enquanto Emma e Nico conversavam
 descontraídos, o que me fazia lembrar como ela não tinha qualquer
dificuldade para se encaixar na minha vida… e quão pouco à vontade eu me
sentia na dela.
 

     Depois do jantar, Emma e eu seguimos para seu carro alugado. Antes de entrar, parei por um instante. “Se eu voltar para o hotel agora, você vai ter
que me levar para o apartamento de Nico quando ele sair do restaurante.”
     Emma descansou o braço na porta aberta do carro. “Você não vai passar a
noite comigo? Queria que passasse.”
     Eu também queria. Uma vez, havia muito tempo, largara tudo por Emma e
acabara ficando magoada com ela por causa disso. Podia não ter aprendido
a ficar longe dela, mas agora sabia uma coisa ou outra sobre manter uma
relação mais saudável.
    “Vim para cá para passar um tempo com meu irmão.”
    Ela inspirou e expirou profundamente.
     “Justo. Pode reservar uma
hora para ficar comigo?”
    Estávamos muito próximas uma da outra, espremidas no espaço entre o
carro e a porta, mas era como se houvesse um abismo entre nós. Fora eu
quem criara aquilo, mas ainda desejava que isso não existisse.
    “O que você tem em mente?”
    “Qualquer noite durante a semana e, com certeza, o fim de semana que
vem.”
    Assenti, então entrei no carro. Emma bateu a porta e contornou o carro pela
traseira, dando-me um tempo para conjecturar como o restante da noite ia
 transcorrer. Mais sexo. Mais Emma. Ansiava pelos dois, mas seria bom não ter tantas dúvidas e reservas.  Sentia falta de como éramos descontraídas. Mas acho que era uma ilusão minha. Emma sabia que ia acabar desde o início.
    Ela entrou no carro e fechou a porta, mas não deu a partida de imediato.
    “Escute”, começou, “você deve saber que isso também é difícil para mim."
    “Mas você sabe o que está acontecendo”, argumentei, calmamente.
    “Eu não tenho ideia.”
    Emma virou-se em seu assento e estendeu o braço, me segurando pela nuca e me puxando na sua direção. Fechei os olhos, antecipando o momento em que seus lábios entreabertos tocariam os meus. Sua língua delineou o contorno da minha boca, uma carícia demorada que fez eu me aproximar dela em busca de mais.
    “Tão doce”, murmurou Emma. “Vou colocar você na cama e lamber seu
corpo dos pés à cabeça.”
    “Você é boa nisso”, respondi, ofegante, sentindo um tremor de
ansiedade varar meu corpo.
    Emma se afastou, como que para ligar o carro, então voltou na minha
direção, tomando meus lábios num beijo ardente, molhado e voraz. Ela me
comeu com a boca, a língua movendo-se fundo e veloz dentro da minha.
    Estava tão sedenta quanto ela, minha mão deslizando entre seu cabelo,
segurando os fios  à medida que a saboreava num frenesi. Ela envolveu um de meus seios com a mão, apertando-o, envolvendo o mamilo
dolorido com o polegar e o indicador e puxando-o ritmicamente. Soltei um
gemido, excitada e faminta.
    “Nossa”, murmurou ela, soltando-me e voltando bruscamente para o
assento. “Quero você aqui. Agora.”
    Fiquei mais do que tentada pela ideia. Se estivéssemos em qualquer
outro lugar que não o Mill's talvez tivesse pulado em cima dela e concretizado sua vontade.
    “Pisa fundo nesse acelerador”, falei para ela.
    Emma soltou uma risada gostosa e deitou a cabeça no encosto do banco para olhar para mim. “Tudo bem. Mas, quando estivermos na cama, vou bem
devagar.”


   
     “Emma!” Com as mãos agarradas aos lençóis, eu tinha o corpo arqueado,
tentando escapar da tortura de sua boca, embora quisesse mais. Havia esquecido o que ela podia fazer comigo, como me despia para chegar ao
fundo, como seu controle completo de meu corpo me deixava disposta a
fazer ou dizer qualquer coisa em troca do prazer que ela podia me proporcionar.
    Emma me segurava pelas coxas, a boca colada em meu sexo pulsante, a
língua brincando comigo. As carícias aveludadas em meu clitóris eram de
tirar o fôlego, e a necessidade de alcançar o clímax era tão violenta que eu estava empapada em suor, as pernas tremendo pelo esforço.
    “Por favor”, implorei, rouca, apertando os seios. Os mamilos estavam
inchados e sensíveis pelos longos minutos que Emma passara se dedicando a eles com puxões lentos e calculados da boca.
    Podia sentir seus cabelos macios roçando minha pele. Ela ergueu a cabeça.
    “Por favor o quê?”
    “Eu quero gozar.”
    “Só mais um pouquinho.”
   “Por favor, Emma!” Enfiei a mão entre as pernas, desesperada para chegar ao
alívio.
    Emma mordiscou meus dedos, e eu gritei, ofegante.
    Com a cabeça baixa, sua língua traçava caminhos por minha pele
inchada. Ela circulou meu clitóris, então brincou junto à entrada mais abaixo.
    Agarrei sua cabeça, segurando-a perto de mim e me esforçando para
erguer os quadris contra sua boca. Mas Emma era mais forte e me imobilizou
com facilidade, o hálito quente junto à minha pele sensível. Ela sugava com
carinho, movendo-se devagar ao longo de minha abertura e fazendo a
pressão exata para me enlouquecer.
    “Me deixa virar”, arfei. “Me deixa chupar você.”
    Sua risada soou tão divertida que me deixou  arrepiada.
    Então ela enfiou a língua dentro de mim.
     “Emma!”
    Ela segurou minha bunda e me  levantou, inclinando-me em sua boca
incansável. Sua língua me fodia depressa, os mergulhos rasos em meu sexo trêmulo me conduzindo direto ao orgasmo. Seu rosnado vibrou junto ao
meu clitóris, seu prazer alimentando o  meu.
    Agarrei seus cabelos, gemendo, cravando meus calcanhares no colchão
para me mover contra seus lábios.
    “Não pare”, arfei, tão perto agora, todo o meu corpo formigando.
    Emma ficou de joelhos, erguendo-me. Minhas pernas estavam arreganhadas, dando-lhe acesso ilimitado. Ela me devorou, faminta e gananciosa. O prazer não me deixava respirar. As lambidas frenéticas contra os tecidos sensíveis inundaram meus sentidos. Eu fiquei observando, exatamente como ela queria que eu fizesse. A visão de sua cabeça e de seus cabelos loiros entre as minhas coxas, as investidas rápidas de sua língua, sua beleza… ela era  insuportavelmente maravilhosa e  erótica.
    Emma era linda. Tudo o que sempre quis. E a necessidade feroz estampada
em seu rosto me avisava que ela ia me conduzir ao meu limite antes de
chegar ao fim.
    Outro gemido irrompeu de minha garganta seca. “Ah, Emma… Vou gozar.”
    “Espera”, ordenou ela. “Quero que goze com meus dedos dentro  dentro de você.”
    Soltei um grito frustrado por entre os dentes enquanto ela me colocava de volta na cama. Eu agarrei-a entre os braços e as pernas e a puxei na
minha direção, erguendo-me para ela. Então ela colocou uma das mãos entre nós, para acariciar meu sexo latejante e escorregadio. Engoli em seco. Seus olhos escureceram, as bochechas corando à medida que seus dedos abriam minha entrada sedenta.
    “Emma”, rosnei.
     Ela meteu com força, entrando fundo num único movimento, me fazendo gritar ao ser dominada pelo orgasmo. Com o pescoço arqueado e os
olhos apertados, permaneci rígida, sentindo o prazer correr por meu corpo, meu âmago se tensionando com seus três dedos dentros de mim.
    “Assim”, gemeu ela,
impulsionando os dedos cada vez mais.
    O clímax se intensificou, exacerbado pelas suas investidas rítmicas...a sensasão era maravilhosa.
    Eu me contorci, perdida, completamente entregue a ela, lutando para me
segurar, apesar de querer me render.
    “Isso.” Os lábios de Emma estavam junto da minha orelha, sua respiração
quente e acelerada. “Enterra os dedos em mim.”
    Minhas unhas agarravam suas costas molhadas de suor, sentindo os
músculos se flexionarem, a medida que seu corpo se movimentava para nos satisfazer. O movimento de vai e vem, aumentava o atrito de nossas peles, tornando o momento ainda mais gostoso.
    Ela enfiou os dentes no lóbulo da minha orelha e gemeu, seu suor e o meu grudando-nos.
    “Os barulhos que você faz”, arfou Emma “Me deixam ainda mais louca”
    E ela estava louca. Louquíssima.
    “É tão bom.” Tentei engolir, com a garganta completamente seca. “Emma… é bom demais.”
    “Você foi feita para mim”, disse ela, intensamente. “Ninguém mais, Regina.
Você é minha.”
     E a cada  nova investida provava seu ponto, devorando-me tão
completamente que eu não podia pensar em mais nada além da
necessidade de gozar mais uma vez.
Meu corpo já não me pertencia.
     Emma era a única capaz de fazer aquilo comigo… tirar-me do sério… virar um bicho. Na cama com ela, não era eu mesma, era dela. Pronta e disposta a fazer tudo o que ela quisesse, a aceitar qualquer coisa que me oferecesse, sabendo que me faria gozar de novo e de novo…
    Gemi baixinho, sentindo-a aumentar a velocidade, as paredes da minha vagina enrijecendo à medida que o prazer aumentava.
    Emma baixou o rosto úmido contra o meu. “Tão quente e apertadinha…
Regina.”
    Percebi que estava se agarrando a mim tão desesperadamente quanto
eu a ela, aquela urgência contagiando cada fôlego e cada toque. Emma estava
me comendo como se fosse morrer, como se tivesse que parar, como se fosse possível me foder forte o suficiente para mergulhar ainda mais fundo em mim.
    Quando o orgasmo me atingiu, meus olhos encheram-se de lágrimas,
deixando-me sem fôlego e embaçando minha visão. Um gemido grave que eu
era incapaz de reconhecer como meu escapou.
    “Ah, Regina.” Ela me beijou, absorvendo o som, desacelerando o
movimento. “Adoro o som que você faz quando goza. Assim sei
o quanto você gosta, o quanto ama minha boca… minhas mãos.”
    Eu a amava muito.
    Estava esparramada sob seu corpo, arreganhada e possuída, e Emma
parecia um sonho. Algo que eu havia conjurado.
    “Sinta meu corpo”, sussurrou ela, erguendo o tronco para olhar para
mim. Seus olhos estavam escuros, o rosto corado, a pele tensionada pela
luxúria, os ângulos esculpidos de seu rosto. “Dentro de você…” Ela moveu os dedos. Em seguida, com a outra mão, pegou a minha e a levou até seus seios: “E você em mim”.
    “Emma…”
     Ela tomou minha boca, beijando-me intensamente, a língua se
esfregando na minha. Nossos corpos  se movimentado devagar, o que me permitia sentir cada centímetro delicioso de sua anatomia. Ela se lembrava muito bem do meu corpo, sabia exatamente como me manter
em ponto de bala.
    “Senti saudade, Regina”, sussurrou ela, em meio ao beijo. “Você também
sentiu minha falta?”
    Quando não respondi, Emma ajeitou os fios molhados do meu cabelo e me examinou em busca de uma resposta.
    Meu sexo latejava ao redor de seus dedos. Com os olhos fechados e os
lábios entreabertos, Emma tensionou o corpo. “Ainda não.”
    “Por favor…” Eu estava implorando e não ligava a mínima. Só queria que
ela gozasse também. Queria isso mais do que qualquer coisa.
    “Não vou apressar.” Com a mão livre, apertou minha bunda,
me fazendo se erguer num impulso suave e fácil. “Humm… perfeita. Sempre foi perfeita.”
    Eu queria provocá-la, jogar o jogo com tanta frieza quanto ela, mas não
era capaz.
    “Pare de pensar e sinta”, murmurou Emma, mordiscando o canto da minha
boca. “Me deixa fazer você se sentir bem. É tudo o que quero. Fazer você se
sentir bem.”
    Virando a cabeça, mordi seus lábios e deixei que ela fizesse o que queria.
 

                              ******

     Nico me observou enquanto eu me acomodava num dos bancos do bar
do Mill’s depois do expediente, e eu tinha certeza de que notara que
eu estava sem maquiagem, o que traía a chuveirada que havia tomado meia
hora antes. Meu irmão estava limpando o bar, mas parou e pegou uma
garrafa de cerveja, abrindo-a antes de deslizá-la para mim.
    “Tinha esquecido como gosto de Emma”, ele disse, puxando conversa.
    Concordei com a cabeça. Também gostava de Emma. O problema era que
não sabia qual Emma era a verdadeira.
    “Vocês voltaram?”
    “Não, é temporário. Mas, desta vez, sei as regras do jogo.”
    “Talvez não goste tanto dela assim.” Nico abriu outra garrafa e deu um
longo gole.  “Ela está apaixonado por você, sabia?”
    “Ela sente tesão por mim”, corrigi, secamente, descascando o rótulo da
garrafa. “E, por mim, tudo bem, posso viver com isso. Minha dificuldade é lidar com as outras coisas: o jeito como ela fala comigo às vezes, como se
fosse mais do que isso, e a piração na minha cabeça sobre por que foi
embora e agora voltou.”
    “Minha oferta sobre dar um chega pra lá na sujeita para ver se ela cria juízo ainda está de pé.”
    Sorri. “Talvez fosse mais fácil e eficaz fazer com que eu criasse um pouco
de juízo.”
    “ Também possoo fazer isso.” Nico bateu sua garrafa contra a minha, num
brinde. “Mas você já é muito ajuizada. Sabe o que está fazendo. Só queria
não estar fazendo. Emma obviamente não tem ideia, pois se tivesse não
correria o risco de deixar você escapar. Nunca vai encontrar alguém melhor
que você.”
    “Ah, por favor, não venha com esse papo para cima de mim. Não vou
aguentar.” Não era brincadeira. Estava me sentindo chorosa e sentimental.
    Sexo com Emma me deixava assim.
    Nico sorriu. “Tudo bem. Levanta essa bunda da cadeira e me ajuda a
limpar este lugar pra gente poder sair logo daqui.”
    Desci do banco com um suspiro. “Droga. Devia ter aceitado o papinho."


                              *****

    No domingo de manhã, acordei com uma batida insistente na porta.
    Rolei para fora do sofá com um palavrão e tropecei, decidida a praguejar contra quem fosse.
    Ao usar o olho mágico, no entanto, o que vi foram rostos queridos.
    Soltei a corrente de segurança e girei a maçaneta para abrir a porta para
meus irmãos e Ruby. “O que aconteceu?”, resmunguei.
     “Pois é. O que aconteceu?” Nico surgiu do quarto vestindo uma calça de
moletom que mal se segurava na cintura dele. O sem vergonha sabia ser bonito.
    “Vocês sabem que horas são?”
    Vincent foi o primeiro a entrar. “Hora de acordar.”
    Angelo veio logo atrás de Ruby, segurando sua mão.      “Você deixou a Regina dormir no sofá? Sério?
    “Eu ofereci a cama.” Nico cruzou os braços. “Ela não quis.”
      “Mais que compreensível”, disse Vincent. “Se aquela cama falasse, teria o
próprio reality show.”
     “Deixe de ser ciumento”, retrucou Nico. “Tenho certeza de que sua cama
um dia vai ver algum tipo de ação. Apesar de tudo, você ainda é um Mills”
    “O que estão fazendo aqui?”, interrompi. Estava feliz de vê-los. Ter
minha família ao redor trazia de volta um pouco da normalidade que
perdera na última noite na cama de Emma. Estava me sentindo como Regina Mills de novo — sem acreditar que era a mulher se contorcendo, gemendo e unhando que gozara meia dúzia de vezes em uma questão de horas. Era como se eu fosse duas pessoas diferentes.
    E você está com raiva de Emma por ter duas caras…
    “Estamos esperando vocês se vestirem pra gente ir tomar café”,
respondeu Ruby. Seu cabelo estava preso em duas trancinhas que
emolduravam seu rosto branco. O batom combinava com o tom de rosa do
cabelo, fazendo-a parecer algum tipo de heroína de mangá. “Estou morrendo de fome.”
    “Vocês têm problemas”, murmurou Nico. “É cedo demais para comer ou
fazer qualquer coisa.”
    “São nove horas”, observou Vincent.
    Nico me lançou um olhar e falou com a voz arrastada: “Então”.

 

     Ao meio-dia, já tínhamos comido e estávamos na quadra de basquete do
condomínio. Modéstia à parte, eu era muito boa. Tinha acabado de fazer uma cesta de três pontos e estava dispensando as provocações e as zombarias com um aceno de mão quando avistei Emma caminhando na nossa direção. Parei onde estava, admirando suas pernas compridas expostas pelo short jeans e a camiseta folgada. Estava de óculos escuros e girava as chaves do carro no dedo. Quando Nico jogou a bola para ela , Emma pegou-a e me presenteou com seu sorriso e suas covinhas.
    “Oi”, disse, aproximando-se de mim e pressionando os lábios contra
minha testa corada.
    “Você nos achou.” Uma onda quente de prazer passou por mim. Ela havia me pegado e me deixado no Mill's, portanto, encontrar o
condomínio de Nico havia exigido iniciativa e empenho.
    “Senti falta de acordar do seu lado”, ela sussurrou contra minha pele.
    Os óculos de sol tornavam impossível ler seu olhar. Peguei a bola e andei
com ela, para recuperar o fôlego.
“Swan”, Angelo cumprimentou, irritado.
    “Segura a onda, nervosinho”, advertiu Ruby, levantando da cadeira que seu marido tinha arrastado da área da piscina. “Oi, sou Ruby. Mulher do
Angelo.”
    Emma apertou a mão dela. “Prazer.”
    “Ouvi muito a seu respeito”, comentou minha cunhada. “Só coisa ruim. Espero que mostre que eles estavam errados.”
    Emma me fitou de sobrancelhas arqueadas.
    “Ah, ela não fala uma vírgula sobre você”, continuou Ruby, fazendo-me
sorrir. Ela sabia dar suas alfinetadas.
    Vincent e Angelo apertaram relutantes a mão de Emma. E então Vincent perguntou: “A gente vai jogarou ou quê?”.
    “Eu entro quando der”, disse Swan, surpreendendo-me.
    Nico passou a mão pelo cabelo. “Entre no meu lugar, no time da Regina.
Estou exausto, graças a umas visitas que resolveram aparecer cedo demais.”
   “Bundão”, murmurou Angelo.
    “A gente estava destruindo vocês.”
    “Porque a gente estava pegando leve”, respondeu Vincent, segurando a
bola que arremessei na direção dele. “Já que ninguém aguenta ouvir sua
ladainha.”
    “Vocês não precisavam ouvir nada, era só ter ficado em casa.”
    “Já chega”, exclamei. “Vamos jogar.
    “Assim que eu gosto”, disse Emma com um sorriso.
    Recomeçamos o jogo. Emma era boa. Muito boa.
     "Jogava basquete de vez em quando. Não como você. Nunca me dediquei
muito." Lembrei-me das palavras que dissera um dia, sussurradas junto ao meu ouvido depois do sexo, enquanto ficávamos abraçadAs. Ela obviamente
havia treinado desde que nos separáramos.
    Será que fora por minha causa? Ou será que era viagem minha?
    Emma passou a bola, e eu fiz a cesta.
    Se ao menos compreendê-la fosse assim tão fácil.
 
 
   
   
   
 

domingo, 17 de abril de 2016

Afterburn, capítulo 5

  Ao sair do Mill's, reparei na BMW elegante esperando do lado de fora. O carro era alugado, mas combinava com Emma. Ela estava de pé, esperando-me para abrir a porta, e seus lábios roçaram em minha bochecha antes de eu sentar no banco do carona.
    O jeito como me tocava era viciante, como se não fosse capaz de se conter.
    Emma sentou atrás do volante. O motor roncou, e nós partimos.
    Recostando-me contra o assento, olhei para ela enquanto dirigia, excitada pela confiança com que manipulava o corro potente. Suas mãos pousavam com leveza sobre o volante, os braços bem torneados estendidos exibindo sua beleza. A sensualidade lhe era inerente, e eu estava perdidamente apaixonada por ela. Era capaz de adorar qualquer coisa que Emma fizesse.
    Isso não era justo, percebi. Nunca reconhecera seus defeitos, embora sem dúvidas existissem. Nunca reconhecera que poderia haver dilemas em sua vida, circunstâncias e pessoas que talvez a arrastassem em direções distintas, para longe de mim. Nunca fora além da superfície.
    Estendi o braço e pousei a mão em sua coxa, sentindo minha palma  formigar assim que percebi sua excitação. Aprofundei o toque e me maravilhei com o quanto ela estava molhada. Emma trocou a mão com que dirigia para segurar a minha, sua pele quente  e seca.
    Ela olhou para mim. "Nervosa?"
    "Não." Apreensiva, eu diria, mas não nervosa. "Quero você."
    Ela assentiu e acelerou.
    Permanecemos em silêncio durante todo o caminho até o estacionamento do hotel e assim continuamos depois de chegar. Emma parou o carro, e passamos por um portão lateral que se abriu com um cartão, entrando num pátio central. Pegamos um elevador, mantendo-nos de pé em lados opostos do espaço confinado, os olhos fixos no outro à medida que os segundos se passavam.
    A tensão era tanta que ficava difícil respirar. Inspirei fundo, e meus lábios se separaram. Podia sentir o desejo que irradiava dela, a sede deixando sua postura contraída e afiando seus sentidos para cada reação que meu corpo tinha ao dela.
    Eu estava molhada e pronta, sentindo a dor entre as pernas, os seios cheios e pesados. Meus mamilos estavam tão rígidos que pulsavam e se empinavam descaradamente na direção dela.
    Seu olhar estava em meu peito, acariciando-me, a língua deslizando ao longo do lábio inferior numa promessa evidente do que ela ia fazer comigo assim que estivéssemos sozinhas.
    O elevador apitou anunciando nossa chegada ao andar em que ela estava hospedada, e Emma veio em  minha direção, segurando minha mão e me arrastando atrás de si. Depois de atravessar um longo corredor, abriu apressada a porta do quarto e , num instante, estava em cima de mim, agarrando-me com tanta força que meus pés deixaram o chão. Larguei minha bolsa e me segurei nela.
    Emma tomou minha boca na sua assim que a porta se fechou, um braço em volta da minha cintura e a outra mão enfiada em meu cabelo, soltando o elástico que prendia o rabo de cavalo. A elegância que havia demonstrado na noite anterior desaparecera, restando apenas a fome animal em seu lugar. Seus lábios apertavam os meus, a língua invadindo-o ritmicamente, convidando-me a escalar seus corpo esguio, forte, e sensual.
    Minhas pernas enlaçaram sua cintura, meus braços envolveram seus ombros, enquanto meus quadris se moviam para esfregar em seu sexo coberto. A pressão me enlouquecia, fazendo-me soltar um gemido, as camadas de jeans entre nós atrapalhavam demais para me proporcionar qualquer alívio.
    "Emma." Engoli em seco junto à sua boca.
    "Aguente aí.", rosnou ela, espremendo-me contra a porta.
    Voltei as pernas ao chão e levei as mãos até o fecho da minha calça. Abri o botão e baixei o zíper, forçando-me contra o corpo de Emma, que estava puxando minha camiseta.
    Suas mãos encontraram meus seios e os apertaram através do tecido fino do sutiã. Engoli em seco, assustada com a intimidade.
    "Meu Deus, você é linda", suspirou ela, os polegares circulando os mamilos endurecidos.
    Minha cabeça pendeu para trás, contra a porta, enquanto meus pulmões lutavam por ar.
    Emma baixou o rosto e me lambeu através do sutiã, seus lábios me envolvendo. Chupou com força, e me contorci, arranhando a porta atrás de mim.
    "Anda logo, Emma. Caramba!"
    Vi sua covinha reaparecer, e então ela estava me beijando de novo, o corpo rígido contra o meu, a mão direita descendo entre minhas pernas. Sua maneira  apressada e meio atrapalhada com que ia me tocando, me fez rir. E como num piscar de olhos, Emma me agarrou-me as pernas e me deitou no chão, ficando em cima de mim. Rapidamente fomos  chutando nossos sapatos. Nossos braços e pernas se entrelaçando à medida que tentávamos nos livras das roupas ao mesmo tempo que lidávamos com a urgência desesperada. Emma arrancou a camisa, me proporcionando com a bela visão de seus seios firmes, emoldurados com um rústico soutien de renda branca. Afoita, ela tirou uma das pernas da minha calça e murmurou ofegante: "É o bastante."
    Rasgou minha calcinha e assobiou por entre os dentes enquanto observava meu sexo inchado de excitação. No momento seguinte, abriu minhas coxas e enterrou seus dedos em mim. 
     Sua primeira investida foi tão forte que me fez arquear as costas.
    "Regis."
    Com o  pescoço rígido, os ombros tensos e o suor escorrendo entre os seios, Emma não podia estar mais linda. Ela ia com tamanha devoção dentro de mim, rápida e forte, bem fundo. Meus calcanhares enterraram-se no carpete à medida que meus quadris se moviam, tentando acomodá-la.
    "Espere", arfou ela, segurando-me pela cintura para me manter parada.
    "Emma...por favor!"
    Ela me fitou com ferocidade, os olhos brilhando na meia-Luz do quarto, iluminado apenas pela luz da rua.
    "É isso que você quer"? Ela  afastou-se, tirando seus dedos de dentro de mim. E os enfiou de novo.
    "Ah", gemi, trêmula. "Não pare".
    Com a mão livre, Emma entrelaçou os dedos nos meu e passou meus braços ao redor de sua cabeça. Girando a mão, moveu-se fundo dentro de mim, esfregando-me com perfeição do lado de fora. Com toda a impaciência que tivera para me conquistar, Emma estava se demorando bastante agora que o conseguira.
    Seus lábios roçaram minha orelha, e ela sussurrou: "Mostra pra mim. Me deixa sentir você."
     Movendo-me na direção dela, envolvi as pernas em sua cintura e a apertei contra mim, gozando com um gemido rouco e dolorido, tremendo de prazer à medida que meu sexo se tensionava em espasmos desesperados ao redor de seus dedos.
    "Assim", ela me incentivou com  a voz rouca, voltando a se mexer. "Ah, que delícia."
    Segurei firme , suas investidas controladas mantendo-me excitada e sedenta. Senti meu corpo se contorcer, preparando-se para outro orgasmo.
    "Você esta sendo tão dura", sussurrei, adorando a sensação dela escorregando rudemente dentro de mim.
    "É por sua causa." Emma me beijou, a mão livre  apertando as minhas à medida que seu braço se projetava de novo e de novo, reivindicando-me com investidas profundas e demoradas. "Regis...você vai me fazer gozar."
    Ela acelerou o ritmo, então ficou tensa, a cabeça jogada para trás ao ser dominada pelo orgasmo. Fiquei assistindo, admirada. Com os olhos bem fechados, Emma gemeu meu nome, tensionando o pescoço e gozando com tanta intensidade que atingi o clímax novamente
     Virando a cabeça, enfiei os dentes em seu ombro, abafando assim os gritos.
    "Regis." Ela me abraçou com força, aninhando o rosto suado ao meu.
    Agarrada a ela, ainda sentindo-a dentro de mim, soltei a mordida e apertei os lábios contra a marca que acabara de deixar, desejando que fosse possível ser tão fácil marcá-la como minha.
    Emma rolou para o lado, ficou de costas no chão e gemeu. "Acho que morri. Não consigo sentir meu braço."
    Eu ri, sabendo bem como ela se sentia. Estava com o corpo inteiro formigando, como se tivesse acordado de uma longa hibernação.
    O que infelizmente era verdade.
    Ela virou a cabeça para mim. Eu a fitei.
    "Oi.", disse, pegando minha mão e levando-as aos lábios.
    "Oi." Fiquei examinando-a, observando aquele calor gentil em seus olhos do qual sentira tanta falta.
    "Desculpe não ter conseguido chegar à cama."
    "Tudo bem." Sorri. "Não tenho do que reclamar."
    "Levo você assim que eu voltar a vida de novo."
    "Está ficando velha, Swan?", provoquei, sabendo que, aos vinte e nove, ela está no auge.
    Emma fitou o teto elaborando. "Estou fora de forma."
    "Ah, tá." Cobri o rosto com o braço para esconder minha reação. Não podia pensar dela com outra mulher. Ficava louca louca diante da ideia. "Eu leio o jornal, sabia?"
    "Sair com uma mulher e transar com ela são duas coisas completamente diferentes." Ela se aproximou de mim. Segurando meu pulso, Emma puxou meu braço e expôs meu rosto. "Mas é bom saber que você ficou de olho."
    "Não fiquei."
    Sua covinha apareceu novamente. "Ah, tá."
    Ergui o tronco, apoiando-me nos cotovelos, e lambi os lábios. "Vem aqui."
    Movi-me em direção a ela.
    "Pro chuveiro", disse Emma asperamente, colocando-me de pé e estendendo a mão para mim. "Se não tomar um banho vou fica com gosto salgado."
    "Não me importo."
    "Mas eu, sim." Emma me colocou de pé. "Depois que tiver sua boca em mim, vou querer que fiquei um tempão lá."
    Olhei para ela, analisando-a, achando-a incrivelmente atraente ali de pé na minha frente - alta e de soutien, a calça jeans desabotoada. Ela tinha aparência devassa.
    Essa era  a Emma que eu conhecia. E amava.
    "Olhe para você", murmurou ela, deslizando o polegar ao longo do meu lábio inferior intumescido. "Tão sensual. Tão gostosa e bonita."
    "Tá bom." Minha boca se curvou com desagrado enquanto eu avaliava minha situação. Tinha uma das pernas presa na calça, a calcinha rasgada e a camiseta enrolada acima dos seios. Sem duvidas , meu cabelo estava uma bagunça. "Falou como uma mulher que acabou de ter um orgasmo e quer outro."
     "Não faça isso." Ela ergueu meu rosto pelo queixo. "Não pode me pedir para te dar tudo o que tenho e depois não me levar a sério. Não é justo."
    "Não", concordei. "Não é justo, é?"
     Pela forma como ela apertou a mandíbula, sabia que tinha entendido 
—  ela não me levara a sério...e depois me abandonara.
    Emma agachou-se para puxar minha calça, liberando minha perna. Em seguida, pegou minha mão e contornou comigo a mesinha de centro de vidro e ferro forjado.
    Entramos num quarto com uma cama king-size em que havia uma cabeceira de madeira escura que combinava com a escrivaninha e o armário. Havia uma área de estar perto de uma janela que se entendia até o teto alto, e a entrada para o banheiro era um arco maravilhosamente simples.
    Quando Emma acendeu a luz, tentei disfarçar meu assombro, mas fiquei feliz por ela não estar olhando para mim, pois tinha certeza de que havia falhado. O cômodo era enorme, com um chuveiro que poderia acomodar três pessoas e uma banheira de hidromassagem. Havia uma televisão embutida na parede, e a pia dupla estava numa peça da mesma madeira maciça que os móveis do quarto.

    Tive que perguntar. "Você reservou este quarto achando que ia me trazer aqui?"
    "Torcendo por isso". Emma me soltou para ligar o chuveiro. Deixei escapar um suspiro, impressionada com o imenso chuveiro embutido no teto, que produzia um jato para baixo como o de uma cachoeira. Ela me fitou com um sorriso que me encantou. "Posso terminar de desembrulhar você?"
    Uma dor aguda tomou  conta de mim. Regis, você é meu presente depois de um dia longo e cheio. Uma das muitas coisas que ela me disse em Las Vegas e que fizeram eu me apaixonar por ela.
    Perguntei-me, de repente, se era só seu jeito , e se ela falava aquilo para qualquer uma com quem estivesse. Talvez Emma não tivesse ideia de como bobagens açucaradas como aquelas eram capazes de virar a cabeça de uma pessoa. Ou talvez tivesse. O que me deixava triste.
    "Ei." Ela ergueu meu queixo. "Não fique com essa cara. Estou aqui. Por inteira."
    "Por quanto tempo? Esse fim de semana?" Afastei-me, com uma sensação incômoda de autopreservação me avisando para sair enquanto por cima. "Não posso fazer isso, Emma."
    Ela fez cara feia."Regis..."
    Virei-me e corri para o quarto para pegar minhas roupas.
    "Que merda é essa?", exclamou ela, segurando-me pelo braço assim que atravessei o batente da sala de estar. "Você quis isso."
    "Foi um erro." Um erro terrível. Estava mergulhada demais em meus sentimentos para achar que seria só uma despedida.
    "Erro coisa nenhuma." Emma me puxou, obrigando-me a ficar de frente para ela, e me segurou pelos braços, impedindo que escapasse. "Por que fez isso? Você queria vir aqui. Queria dormir comigo."
    "Eu queria que você me comesse", rosnei, odiando ver o jeito como ela recuou diante de minhas palavras. "Queria acabar logo com essa tensão para você começar a falar a verdade. Não quero mais essa sua conversinha fiada. É tudo mentira. Você é uma mentira."
    "Do que está falando? Isto aqui é a mais absoluta verdade, e você sabe disso."
    Soltei-me de seus braços e entrei na sala de estar, sentindo-me uma completa idiota, só de meias e camiseta do Mill's. "Não tenho tempo para isso."
    "Tempo de quê? Para mim?" Com passadas largas, Emma me alcançou. Chegou primeiro à minha calça e pisou na barra da perna prendendo-a ao chão.Com os braços cruzados, exibia todo o poder de seu corpo perfeito.
    "Não tenho tempo nem paciência para fingir que estamos construindo uma coisa que nunca vamos ter." Prendi o cabelo, tentando me concentrar em manter o controle pelo menos por fora.
    Sua carranca se intensificou. "Quem está fingindo?"
    Joguei as mão para cima "Por que você fala comigo desse jeito? Toda essa baboseira sobre me desembrulhar  e sentir minha falta e...tudo isso! Por que não pode simplesmente ser honesta sobre o que  a gente tem, sobre o que a gente sempre teve? Nada além de sexo!"
    "Isso não é só sexo", rosnou ela, aproximadamente-se. "Ninguém se apaixona só por sexo.!"
    "Ah, então eu tenho que me apaixonar por você? Isso faz você se sentir melhor?" Para meu horror, senti os olhos ardendo com lágrimas. "Você já conseguiu o que queria. Não entendo por que tem de agir como se isso fosse um namoro. Não complique uma coisa que deveria ser simples!"
    "Nunca foi simples com a gente." Ela exalou bruscamente e esfregou a nuca com a palma da mão. "O que quer de mim, Regina?"
    "Acho que a gente deveria se concentrar no que você quer de mim, já que o que eu quero é irrelevante."
    Ela fechou a cara. "Não é verdade."
    Levei as mão à cintura. "Quero um compromisso, uma chance, um esforço para tentar descobrir até onde as coisas podem ir entre a gente. Você já arruinou isso. Então só restou o que você quer."
    "Quero você."
    "Você quer me comer", corrigi. "Por que não pode ser honesta quanto a isso?"
    "Regis." Emma balançou a cabeça e soltou um suspiro. "Sou uma babaca com todo mundo na minha vida. Você é a única pessoa a quem dou valor. Não tire isso de mim."
    "Está vendo? É disso que estou falando! Por que você tem que falar esse tipo de coisa? Por que não pode simplesmente dizer que gosta de mim ou sei lá o quê....?
    "Por que é mais do que gostar de você. Você me enlouquece. Só de pensar em você eu já fica excitada. Vejo você e vejo quem sou. Não tenho ideia do que faz comigo." Sua voz tornou-se perigosamente grave. " Você me faz querer fazer sexo o tempo todo, Regina. Minha vontade é colocar você embaixo de mim e me enterrar bem fundo dentro de você, até fazê-la perder a  consciência. Você me deixa sedenta..."
    "Cala a boca"! Eu estava tremendo, e minha fome se intensificava numa reação às ondas causticantes de desejo que emanavam dela.
    "Você sabe o que estou falando. Também sente o que sinto. Me deixa te dar isso."
    "Não!" A recusa doeu fundo, como se eu estivesse imobilizando parte de mim com arame farpado.
    "Me dê a noite de hoje." Ela pegou minha mão e apertou com muita força. "Uma noite."
    Ri baixinho, mesmo com a visão ficando turva. "Uma noite para depois você me esquecer? Que clichê, Emma. Isso nunca funciona. Sexo bom não deixa de ser bom só porque você fez demais."
    "Então vamos ter uma noite de sexo bom. Nós duas queremos isso. Precisamos disso."
    "Não preciso disso." Tentei puxar a mão de volta, mas ela não deixou.
    "Duvido."

     Só a verdade pode funcionar com Emma. Ela lia meus pensamentos com muita facilidade, era um especialista em focar na fraqueza do adversário e explorá-la ao máximo.
    "Não posso fazer isso", repeti, sustentando seu olhar. "Não sou como as mulheres com quem você está acostumado a transar. Não posso fazer isso por diversão ou para matar a vontade. Não com você. Na última vez, eu me apaixonei. Não posso fazer isso de novo."
    "Você ainda está apaixonada", respondeu ela, sem rodeios. "Me dê uma chance de fazer você parar de se arrepender disso.
    Dei as costas para ela, e corri o olhar pela sala de estar, que era maior que meu quarto. "Quero que você me leve de volta para o Mill's."
    "Então temos um problema." Emma me abraçou por trás. Com os lábios junto ao meu pescoço, sussurrou: "Quero levar você para a cama, e se você quiser eu fico caladinha."
    Fechei os olhos, absorvendo a sensação dela atrás de mim. O calor de seu corpo, o cheiro de sua pele, a carícia suave de sua respiração.
    "Você deixou o chuveiro ligado", falei, agarrando-me a algo vazio e muito menos pessoal.
    "Eu não quero. Quero que você fique por vontade própria. Quero a Regina que exigiu que a trouxemos aqui e desse a ela o que queria."
   Olhei para ela por cima do ombro e vi seus olhos brilhando para mim por entre as sombras que acariciavam o seu lindo rosto. Senti a pulsão dentro de mim, aquela atração inexorável entre nós. Não sabia como eliminá-la ou ignora-lá. Alguma piada cósmica doentia tinha me programado para desejar Emma com todas as fibras do meu ser.
    Será que eu tinha o que era preciso para convencê-la a ficar? Eu tinha o que era preciso para fazê-la querer mais...já era um começo.
    "Uma noite não é o suficiente", disse, em voz baixa.
    "Graças a Deus. Só falei isso para ganhar tempo e convencer você a ficar."
    "Você não pode simplesmente ir embora sem se despedir, como da última vez." Virei-me em seus braços. "Quando cansar de mim, quero que me olhe nos olhos e diga que acabou."
    Emma estreitou os lábios, mas fez que sim com a cabeça.
    "Quero exclusividade."
    "Sem dúvidas!" Não vou dividir você com ninguém."
    "Estou falando de você", retruquei, secamente.
    "Isso é óbvio." Ela segurou meu rosto. "O que mais?"
    "Meus horários são irregulares. Meu trabalho é prioridade."
    "Eu me encaixai na sua vida antes...posso fazer isso de novo."
    Segurei-a pelos pulsos. Podia seguir em frente com minha lista de exigências, mas o que precisava naquele momento era de espaço para colocar as coisas em perspectiva. Precisa de tempo para me recompor, recuperar o fôlego e minha autoconfiança; só então talvez fosse capaz de concluir qual seria o melhor passo a dar. "Quero que você desligue aquela merda de chuveiro e me leve para jantar. Estou com fome."
    Emma riu, mas sua gargalhada soou forçada. "Você sempre fica faminta depois do sexo. A gente não pode tomar banho antes?"
    "Não." Aproximei-me dela. " Quero que você fique com meu cheiro na pele durante as próximas horas."
    Ela soltou um gemido. "Você quer me punir."
    "É", concordei. "Isso também."
    

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Peça-me o que Quiser, Capítulo 52

      Boa Leitura :]
                                                       *******************
    Depois de nossa pequena e doce aventura,  às duas e meia da tarde, todos estamos no restaurante da Pachuca exceto Juan Alberto, que foi visitar um possível cliente em Jerez. Para celebrar o nosso aniversário, Emma convidou todos para comer.
    Antes de sair do quarto, ela me entregou meu presente. É um envelope. Ela e seus envelopes. Sorrio. Abro e está escrito:
             "Vale um equipamento completo de motocross."
  Está feliz. O seu rosto, os seus olhos, o seu sorriso me dizem que tudo está bem, e eu sou a mulher mais feliz do mundo. Nem preciso dizer que encho ela de beijos.
    Desde que casamos não falamos sobre esse assunto nem uma única vez e isso me assombra. Estou pensando em entrar em contato com os editores do Guiness - Livro de Records  para nos adicionarem. Pois, como diz a nossa canção, se ela diz branco, eu digo preto, mas a nossa felicidade neste momento é tanta que que nem pensamos em cores. A nossa harmonia é completa e espero que continue assim por muito… muito tempo.
    O meu pai está radiante por estarmos todos reunidos e eu aprecio a sua felicidade. Sempre pensei que é o melhor pai do mundo e cada dia estou mais certa disso. Só por aguentar duas chatas como eu e minha irmã , já vai direto para o céu.
    Emma e ele se dão maravilhosamente bem e eu gosto disso. Adoro ver a cumplicidade que há entre os dois e, ainda que eu saiba que algum dia isso poderá se virar contra mim, não me importo. Essa aliança entre eles é algo que o meu pai nunca teve com o alucinado do meu ex-cunhado.
    Emma o escuta e o respeita e meu pai gosta disso e eu gosto muito mais.
    É claro que são duas pessoas de diferentes classes sociais, mas ambos se moldam às situações e isso é o que acredito que me deixa mais apaixonada por ambos: saberem se moldar.
    Enquanto todos comemos ao redor da mesa, observo que Laura olha para uns rapazes que entraram no restaurante. Graciela saiu do banheiro e eles assobiaram ao vê-la passar.
    Acho graça o olhar duro de Laura. Não sei o que acontecerá entre elas, mas tenho certeza que alguma coisa acontecerá. Só é preciso dar tempo a mexicana.
    A minha irmã parece relaxada. Depois de falar com ela e saber que o idiota do meu ex-cunhado quer voltar, fico tranquila quando Mary deixa claro que não fará isso de jeito nenhum. Já a chateou muito e ela não pensa em lhe dar mais nenhuma oportunidade.
    Por fim, o meu pai a convenceu e, pelo menos durante o primeiro ano de vida da pequena Lucy, elas ficarão com ele em Jerez.
    Depois disso, retornará a Madrid para procurar trabalho. O que me pareceu uma excelente idéia.         Estando com meu pai, Mary estará como uma rainha, ainda que às vezes eles tenham vontade de estrangular-se.
    Flyn e Grace ficaram muito amigos nas férias e quando fico sabendo das brincadeiras que aprontaram, me divirto. Cada vez que comentamos que dentro de alguns dias voltaremos para a Alemanha, eles ficam tristes, mas entendem que o período escolar começará em breve e que todos devem voltar à normalidade.
   Quando a Pachuca traz um bolo, a minha irmã pergunta a Emma:
    - Você gostou do bolo desta manhã?
    A minha garota me olha. Eu sorrio e ela finalmente diz:
   - Foi o melhor bolo que comi durante toda a minha vida.
    Mary, encantada pelo elogio, sorri e oferece:
    - Pois quando você quiser, é só me dizer, que faço outra torta de cereja para você, que sei fazer muito bem.
    - Cereja?! – Murmura Emma, olhando-me – Que delícia!
    Não consigo segurar e caio em gargalhadas e Emma se junta a mim.
    Nos beijamos e a minha irmã que nos observa, diz com a pequena Lucy nos braços:
   - Ai, maluquinha, como é lindo o amor quando se está apaixonado e é correspondido.
    Esse comentário que ela faz em voz baixa, me entristece.
    Espero que Mary conheça alguém e refaça a sua vida. Precisa disso. É o tipo de mulher que precisa de um homem ao seu lado para que seja feliz. E esse homem não é o meu pai.
    Os dias passam e a nossa permanência em Jerez é uma maravilha.
    Juan Alberto visita várias empresas na Andaluzia e, encantado, nos conta que vê possibilidades na área.
    Nesses dias, observo como olha para a minha irmã. Está interessado, inclusive percebi que se dá muito bem com a minha sobrinha. Na verdade, é difícil não gostar de Grace, ela é tão inteligente e qualquer um que lhe dê atenção e entra no seu jogo a conquista por toda a vida.
    Juan Alberto viaja todos os dias, mas quer voltar à noite para Jerez. Segundo ele, prefere estar em nossa companhia. Segundo Emma e eu, ele gosta da minha irmã. Dá para ver em seu rosto.
   Claro, Mary não percebe o que está acontecendo e me surpreendo pois os dias se passam e não acontece nada. Mas claro, como sempre digo, a minha irmã é minha irmã, e uma tarde, enquanto tomamos sol na piscina do meu pai sozinhas, diz:
    - É uma boa pessoa esse Juan Alberto, não é?
    - Sim.
    Espero... Sei que ela quer falar sobre o assunto, e depois de alguns minutos em silêncio, insiste:
    - E é muito educado, não é?
    - Sim.
    Sorrio… Vejo que me olha de lado e então pergunta:
    - O que você acha dele como homem?
    - Um bom homem.
    - Sabes o que me disse noutro dia, quando fomos todos jantar?
    - Não.
    - Você quer saber?
    - Claro… me conte.
    Nesse momento aparece Graciela e deita-se ao nosso lado.
    Imagino que a minha irmã vai fechar o bico, mas em vez disso, senta-se na espreguiçadeira e continua:
    - Na outra noite, quando voltávamos após alguns drinques, antes de entrarmos em casa, me olhou nos olhos e disse:
   “ Você é como um delicioso cappuccino: doce, quente e me deixa nervoso”.
    Graciela ao ouvi-la, comenta:
    - Os mexicanos são muito lisonjeiros.
    Surpresa, olho para a minha irmã e pergunto:
    - Ele disse isso?
    - Sim, exatamente como lhe contei.
    - Olha, é um ótimo elogio, você não acha?
    Graciela, que está ao nosso lado, solta uma risada e as três se calam. Minha irmã parece uma boba.
Silêncio. Mary deita-se, mas se bem a conheço sei que essa paz durará pouco. Em menos de dois minutos se senta novamente.
    - E agora, cada vez que cruzo o olhar com ele, me diz "Saborosa!".
    - Saborosa?! – repete Graciela e, sentando-se também, afirma -: Isso no México é como dizer que você é gostosa, ou que te comeria inteira.
    - Sério? – pergunta Mary, excitada, e a jovem chilena assente.
    Prendo o riso. Ver a minha irmã nessa situação é algo novo para mim e ela diz de repente, dando-me um tapa no braço:
    - Chega! Não posso continuar ignorando que esse mexicano lindo, com cara e voz de galã de telenovela que  me atrai, e quando me disse isso de "Saborosa!"… Ui, me deixa louca, me arrepio toda. E agora que sei que esse "Saborosa!" quer dizer isso… Oh, Deus, que calor!
    Caio na gargalhada e ouço-a dizer:
    - Maluquinha, não ria pois estou preocupada.
    - Preocupada?
    Mary assente e, aproximando-se de Graciela e de mim, cochicha:
    - Há várias noites que tenho sonhos muito quentes e nem tomo mais cappuccino, de tão nervosa que estou. Sento na cadeira e olho para Graciela e começo a rir. Sim, é que a minha irmã é uma bomba. Mas ao ver a sua cara de preocupação, pergunto:
    - Vamos lá, você gosta de Juan Alberto?
    Minha irmã louca apanha a sua fanta laranja, bebe um gole e responde:
    - Mais do que comer camarão com as mãos.
    Nós três sorrimos e ela acrescenta:
    - Gostaria de saber dele, maluquinha. É um cara muito legal e adoro a sua simpatia.
    - Não é para você, Mary.
    - Por quê?
    - Porque ele voltará para o México e…
    - E porque eu me importaria com isso?
    Isso me surpreende. Como não se vai importar? Estou boquiaberta quando diz:
   - Não quero que me jure amor eterno nem nada desse tipo. Quero ser moderna pelo menos uma vez na vida e saber o que é ter uma aventura selvagem.
    - Como? – Pergunto chocada.
    - Maluquinha, quero me divertir. Esquecer meus problemas. Me sentir bonita e desejada, só não gostaria de me divertir com ele se fosse casado. Não gostaria de fazer outra mulher sofrer.
    Vamos ver… Vamos ver…
    A minha irmã é a pessoa mais tradicional que existe sobre a face da terra e de repente quer ser moderna e ter uma aventura selvagem? Estou impressionada. Muito impressionada.
   Como vejo que ela me olha à espera que eu lhe diga algo sobre a sua possível aventura, olho para a Graciela. Ela conhece o Juan Alberto melhor do que eu, mas disposta a provocar Mary, pergunto:
    - Aventura selvagem?
    Ela sorri. Fica linda quando sorri assim, e ao ver a brincadeira em meu olhar,
diz:
    - Ai, maluquinha, devo estar muito carente de atenção, porque quando estou com ele e me diz isso de "Saborosa!", sinto uma vontade infernal de agarrá-lo pelo pescoço, levá-lo para o meu quarto e fazer de tudo com ele. Deus, ele me enlouquece!
    Enlouquece?!
    A minha irmã disse que Juan Alberto a enlouquece?
    Morrendo de rir, olho para ela. Deus… Mary necessita urgentemente de sexo e ao ver que ela me olha à espera de respostas, digo:
    - Graciela, você o conhece melhor do que eu, por favor, tire as dúvidas da minha irmã e lhe conte sobre Juan Alberto.
    A jovem chilena sorri, olha para Mary e explica:
    - Está se divorciado e…
    - Divorciado?!
    - Sim…
    Minha irmã gosta disso. Nervosa, bebe mais fanta laranja e Graciela acrescenta:
    - Chama-se Juan Alberto Riquelme de San Juan Bolívares.
    - Fala sério, tem nome de personagem de novela – sussurra Mary, contente.
    - Já te digo – respondo divertida.
    Tem quarenta anos e é primo de Laura por parte de mãe. Não tem filhos. A sua ex-mulher, Jazmina, é uma víbora perigosa, nunca quis lhe dar esse prazer nos seis anos de matrimônio. Mas depois que se divorciou dele, engravidou do seu novo marido.
    - Que nojenta! – resmunga minha irmã.
    - Muito nojenta – afirmo, pensando que também não quero ter filhos.
    - Juan é dono de uma empresa de segurança muito bem sussedida no México e com esta viagem tenta expandir o seu negócio pela Europa. É um homem de família, carinhoso e muito amigo dos seus amigos.
    Durante uns instantes, observo que minha irmã processa a informação que Graciela lhe deu e, uma vez que o faz, solta:
    - Sobre não ter filhos já imaginava. Basta olhar como ele segura Lucy para saber que ele nunca teve um bebê nos braços na vida.
    -Emma também não tem filhos e…
    - Mas ela é diferente – afirma Mary.
    - Diferente por quê? – pergunto curiosa.
    - Porque ela é mulher, e além do mais, criou sozinha o seu sobrinho e estou certa de que quando Flynn era bebê, era super carinhosa com ele. Só é preciso reparar como mima Grace e como se derrete por Lucy. E falando de crianças…
    - Não – corto-a -. Nunca pensei em ter filhos. Por isso, vamos esquecer esse assunto.
    Após dizer isso, vejo os olhares da minha irmã e da Graciela. Droga, droga! E caindo na cadeira, Mary diz:
    - Ai maluquinha… vocês teriam filhos lindos.
    Quando se cala, respiro mais tranquilamente.
    Mas porque todo mundo insiste que eu tenha filhos?
    Por fim, sem querer retornar ao assunto, me deito e aproveito o sol da minha Andalucía.
   Viva a minha terra!
    Essa noite, quando todos se reúnem na casa do meu pai para o jantar, observo com mais atenção minha irmã e Juan Alberto. Formam um belo casal.
    Depois de jantar, Mary desliga o celular depois de falar com o idiota do meu ex-cunhado,  e vejo que o mexicano se aproxima dela e a tranquiliza. Cada vez que o idiota liga, tira a minha irmã do sério.
    O meu pai me olha, eu levanto as sobrancelhas e, logo, vejo que sorri apontando para Juan Alberto.     Não quero nem imaginar o que está pensando. Pai, te conheço!
    Os dias passam e temos que voltar para a Alemanha. As férias acabaram. Emma tem que trabalhar, as aulas de Flyn retornaram e nossa vida tem que voltar ao normal.
    Depois de uma deliciosa comida no restaurante da Pachuca, onde Flynn e eu comemos até nos fartar, decidimos sair essa última noite e beber alguma coisa.
    O meu pai prefere não nos acompanhar. Prefere ficar em casa cuidando dos cachorros, como ele diz.
    Às oito da noite, depois de Juan Alberto voltar de uma viajem a Málaga, passamos pela casa do meu pai para buscar Mary, vamos todos jantar e beber algo.
    Quando chegamos ao barzinho de Sérgio e Elena, como sempre, o mais movimentado de Jerez, meus amigos levantam-se para nos cumprimentar. Me parabenizam pelo meu casamento e Emma convida-os para um drinque. Rocío, minha amiga, está feliz. Estou feliz e isso a deixa também. De repente, toca uma música e ela puxa minha mão e me leva até a pista de dança, enquanto cantamos como loucas:
                        Never can say goodbye, no, no, no, no,
                        never can say goodbye.
                        Every time I think I´ve had enough
                       And start heading for the door.
 
    Nós sorrimos. Centenas de recordações de verões loucos vêm à nossa memória enquanto cantamos em voz alta e dançamos essa canção na voz de Jimmy Somerville.
    Quando a música acaba, vamos ao banheiro, local de pura fofoca, e lhe conto tudo o que quer saber. Falamos… falamos e falamos. Durante dez minutos colocamos todo o assunto em dia e quando saímos estamos com sede e paramos no bar para pedir umas bebidas. Logo alguém me agarra pela cintura e fala no meu ouvido:
    - Olá, preciosa.
    Reconheço a sua voz…
    Rapidamente me viro e vejo Ruby Lucas. Uma amiga das competições de motocross. Me dá dois beijos e me abraça. Convencida de que Emma não gostará da forma como me abraça, saio de seus braços como posso e pergunto:
    - Como você está? Como estão as coisas por aqui?
    Ruby, conquistadora como ela é, passeia os olhos pelo meu corpo e, dando mais um passo até mim me pressionando contra o bar, responde:
    - Cheguei ontem. E vim até aqui para ver se te encontrava.
    Rocío me olha. Eu olho para ela e, antes que possa dizer algo, aparece minha alemã, minha Icewoman, com uma cara chateada, por trás de Ruby e diz:
    - Poderias se afastar da minha mulher para que ela possa respirar?
    Ao ouvir isso, Ruby olha para trás e, ao vê-la, sem sair do lugar, responde:
    -Você de novo – E antes que eu possa dizer qualquer coisa, fala: -Olha amiga, esta não é a tua mulher e, pelo que imagino, nunca vai ser. Por isso, que tal dar uma voltinha e nos deixar em paz?
    Meu Deus, a cara de minha Icewoman. Ela bufa pelo nariz e eu rapidamente digo:
    - Ruby, você tem que…
    Mas não consigo dizer mais nada. Emma agarra-a pelo braço com as suas mãos, separa-a de mim e, num tom nada calmo, grita na sua cara:
    - Quem vai dar uma voltinha vai ser você. Porque se você voltar a se aproximar da minha mulher como fez hoje, vai ter problemas comigo, entendeu?
    A motociclista fica parada. Eu levanto a mão e mostrando o anel no meu dedo esclareço:
    - Ruby, Emma é minha esposa. Nós estamos casadas.
    A cara dela muda completamente. No fundo é uma boa pessoa e diz rapidamente, levantando as mãos:
    - Sinto muito, Emma. Eu achei que as coisas ainda estavam como da última vez.
    A expressão de Emma se relaxa. Sua raiva diminui e, pegando-me pela mão, me puxa e, antes de sair do local, acrescenta:
  - Pois bem, agora já sabe. Não se engane novamente.
    Rocío me olha do bar e sorrio enquanto me afasto com Emma. Apesar de não aprovar seu ciúme, reconheço que este momento territorial da minha mulher excitou-me. Que sexy ela fica, quando me olha assim.
    Sem falar, saímos do local e logo vejo Robin aparecer. Os nossos olhares se cruzam e ambos sorrimos. Está de mãos dadas com a mesma moça agradável que o acompanhou ao meu casamento na Alemanha e, quando nos aproximamos dele, Emma me solta e Robin e eu damos um enorme abraço.
    - Olá jerezana.
    Em seguida, me solta e estende a mão a Emma, dizendo:
    - Como você está?
    - Tudo bem. Tudo vai muito bem.
    No seu código, entendem-se. Finalmente, depois de tudo o que aconteceu entre nós três, conseguimos normalizar nossa relação e nos tornamos amigos. Eu adoro isso. Robin é uma das melhores pessoas que conheço e fico feliz ao ver que Emma e ele por fim se dão bem.
    Depois de cumprimentar Aurora, que é como se chama a garota que está com ele, tomamos algo juntos até que Robin, olhando o seu relógio, diz:
    - Temos de ir. Marcamos com alguns amigos.
    Sorrio. Nos despedimos e, quando se vão, Emma me agarra pela cintura e pergunta:
    - Você está feliz, pequena?
    Beijando-a, feliz da vida, respondo:
    - Muitíssimo, grandalhona.
    Quando voltamos para o nosso do grupo, falamos durante horas e nos divertimos. Estar com meus amigos é só alegria, piadas e diversão.
    Sorrio para mim mesma ao ver a excitação que Graciela provoca.
    Essa chilena de voz doce deixa-se levar pelos jerezanos, enquanto Laura observa e bufa. Ela resiste. Isto vai demorar mais do que eu acreditava a princípio.
     Todos estão bem dispostos, quando a minha irmã, que está sentada ao meu lado, diz com um gesto contrariado:
    - Ai maluquinha….
    A sua atitude e a sua voz me alertam:
    - Que foi?
    Com uma careta, me olha e cochicha:
    - Acabo de ver Whale estacionar o carro.
    Meu sangue ferve. Como o idiota do meu ex-cunhado tem coragem de aparecer aqui, vou dar-lhe um tapa tão grande que vai chegar voando em Madrid. Atordoada, olho ao meu redor e Emma, ao perceber, pergunta:
    - O que aconteceu?
    - O imbecil do Whale está aqui.
    Seu rosto se contrai, e me olhando, sussurra:
    - Calma, Regina. Somos adultos e civilizados.
    O seu comentário me faz sorrir ao recordar o que ocorreu antes com Ruby, mas para acalmar a ânsia que tenho de abrir-lhe a cabeça e fazê-lo sofrer tanto como fez sofrer a minha irmã, apanho o meu copo e bebo um gole, quando vejo que Mary se levanta. Onde ela vai? Vou agarrar seu braço para que não se aproxime de Whale, mas ela me deixa sem palavras. Vai até Juan Alberto, que está falando com Laura, agarra seu pescoço, senta em seu colo e beija sua boca.
    Assutador!
    Eu engasguei.
    Emma segura a minha mão.
    Laura me olha e eu, surpresa, vejo que a minha irmã se derrete como uma adolescente, ali, diante de todos.
    O meu ex-cunhado, que se aproxima, ao ver isso fica paralisado e grita:
    - Mary!
    Mas ela continua o seu beijo devastador em Juan Alberto. Desde logo, está devorando-o, safada.         Vejo ela dizendo: "Saboroso!".
    Mas isso não parou por aí. O mexicano, animado pelo momento, passou os braços pela cintura da minha irmã e aprofundou o beijo enquanto uma das suas mãos vai até a sua bunda e a aperta.
    Pelo amor de Deus, o que eles estão fazendo?
    O tempo parece passar em câmara lenta enquanto eles se beijam sem pressa nenhuma, até que os seus lábios se separam e eu ouço que Juan Alberto diz:
    - Mary, você acredita em amor à primeira vista, ou tenho que te beijar novamente?
     Uauuuuuuuuuu, não posso acreditar!
    Novela mexicana ao vivo e a cores!
    Um ex-marido, um novo amante e a protagonista, que não é outra senão a minha irmã. Que forte, por favor!
    Boquiaberta, pisco, enquanto Emma, ao meu lado, observa muito tranquila a situação. A mulher é puro gelo quando quer. E então, com uma cara de travessa, que me deixa totalmente paralisada, a minha alucinante irmã olha para meu ex-cunhado que está parado diante dela e pergunta:
    - O que você quer, seu chato?
    Ele não consegue nem falar. Está tremendo até a sua barba e estou a ponto de gritar: "Toma, toma, seu babaca de merda!".
    Instantes depois, quando Whale consegue se recompor, com os olhos marejados diz:
    - Mary, não levarei isto em conta, mas temos que conversar.
    Não levará isto em conta?
    Meu Deus, eu levanto a minha cabeça. Que sem vergonha!
    Mas Emma, que vê como me mexo na cadeira, me olha e, sem soltar a minha mão, me pede tranquilidade com os olhos.
    - Olha, Whale – responde Mary, surpreendendo-me -, leve isso em conta, porque eu vou voltar a repetir quantas vezes eu quiser. Estamos separados! E antes que você comece seu discurso, a resposta é NÃO!
    - Mas, fofaaaaaaaa…
    - Já não sou a sua fofa – grita ela.
    Whale a encara e, pela sua careta, vejo que não a reconhece e cá entre nós, eu também estranho, nem eu a reconheço!
    De repente, surpreendendo a todos, Juan Alberto se levanta, com a minha irmã ainda entre os seus braços e, com uma expressão séria e intimidante, diz ao meu ex-cunhado:
    - Escuta cara, esta linda mulher não tem mais nada para conversar contigo. A partir de agora, cada vez que ligar para o seu celular vais falar comigo, porque estamos cansados das suas ligações e das sua insistência. Ela não quer nem almoçar, nem jantar, nem tomar um café com um cara como você. Primeiro, porque não te deseja e segundo, porque esta maravilhosa mulher está comigo e eu sou muito possessivo. E o que é meu, é só meu e não permito que ninguém toque. Pague a pensão das meninas, que é o que tens de fazer, porque você é o pai, e no que se refere à minha rainha, agora sou eu quem cuidarei dela. Por isso, vai e desaparece da minha vista, entendido?
    Boquiaberta…
    Alucinada…
    E surpreendida, pisco, quando a minha irmã, agarrada ao gigante mexicano, olha para o seu ex com um sorrisinho de satisfação e diz:
    - Você já ouvi Whale. Adeus!
    - Mas as meninas…
    - Quanto as meninas, você vai vê-las sempre que for a sua vez. Quanto a isso não se preocupe – afirma Mary.
    Assim que o idiota processa o que aconteceu ali, dá a volta e vai embora. Quando desaparece da nossa vista, eu olho para a minha irmã ainda com a boca aberta e ela, recompondo-se por segundos por seu atrevimento, balbucia olhando para Alberto com uma cara assustada:
    - Obri… Obrigada pela sua ajuda.
    Ele, soltando-a, volta a sentar onde estava e, passando o olhar pelo corpo de Mary, murmura num tom meloso:
    - Sempre que quiser, querida.
    - Foda – murmuro e ouço Emma rir.
    Como você pode rir num momento assim?
    Vejo que a minha irmã fica totalmente bloqueada depois do que aconteceu, decido entrar em ação e, puxando sua mão, afasto-me dos olhares debochados dos demais. Quando chegamos ao banheiro, solto sua mão e ela abre a torneira e joga água na nuca. Não sei o que dizer até que Mary exclama:
    - Ai maluquinha…
    - Eu sei…
    - Ai que calor, Regina...
    - Normal.
    Totalmente perturbada, a decente da minha irmã me pergunta:
    - Acabo de fazer o que acho que fiz?
    - Sim.
    - Sério?
    - Confirmo. Acaba de fazer.
    - Acabo de beijar o… o… o Juan Alberto?
    - Sim. – E ao ver que não reage, acrescento - Acaba de dar um espetáculo com a tua aventura selvagem e não faltou nada. Só faltou você dizer "Saboroso!" cantando.
    Eu pisco.
    Nós duas piscamos e, logo, a atrevida diz:
   - Minha mãe… minha mãe, mas você viu aquele beijo?
    Afirmo com a cabeça. Vi, eu e metade de Jerez e, antes que eu diga alguma coisa, acrescenta:
   - Me joguei no seu colo e… e… logo ele me apertou e... e… tocou a minha bunda indecentemente, além de meter sua língua até a minha garganta! Oh Deus… Que calor! E depois ainda disse que acreditava em amor à primeira vista ou…
- …Ou te beijava outra vez. Sim… Muito novela mexicana – finalizo.
    Ou eu a abano ou ela desmaia, porque é muuuuuuuuuito, mais é muuuuuuuuuito exagerada.
    Volta a jogar água na nuca e arfa como um cachorrinho. Ainda não pode acreditar no que fez. Mas desejando que sorria, digo:
    - Acho que hoje você tirou Whale de vez da sua vida. – E, divertida, acrescento - : Esse mexicano deixou tudo muito claro.
    - Ai, maluquinha, não fique rindo.
    - Não posso evitar, Mary..
    Olhando-se no espelho, horrorizada, sussurra:
    - Esse homem vai pensar que sou uma vadia.
    - Mas, você estava dizendo que queria ser moderna?
    - Sim, mas não uma vadia – insiste chateada.
    Consciente que precisa reanimar a sua vida, olho e digo:
    - Olha, Mary, deixe que ele pense o que quiser. Você gostou do beijo?
    Não hesita e responde em menos de um segundo:
    - Sim… Não vou negar isso.
   - Pois então. Seja positiva e pense em duas coisas. A primeira, é que se livrou de Whale e, a segunda, é que um mexicano, como os atores das novelas que você gosta, te deu um beijo que tirou seus sentidos.
    Ao ouvir isso, ela sorri e eu a imito. Alguns segundos depois, me olha e diz:
    - Meu Deus, maluquinha… Como ele com tomate!
   
     As despedidas nunca me agradam e menos ainda quando são meu pai, minha irmã e minhas sobrinhas. Afastar-me deles novamente me corta o coração, mas aí esta minha Emma para me fazer sorrir e prometendo-me que vamos vê-los sempre que eu quiser.
    No aeroporto de Jerez o jato nos aguarda. Minha sobrinha está determinada a subir. Quer chocolate e a aeromoça lhe dá encantada. Mas o relógio avança e precisamos ir, então finalmente não há outra escolha senão dizer adeus.
    - Escuta moreninha, - diz meu pai enquanto me abraça: - Você está muito feliz. Eu vejo isso. Sempre gostei de Emma, desde o primeiro minuto, você sabe, certo? – Eu concordo. – Pois então, sorria e aproveite a vida e eu aproveitarei também.
    Eu faço o que meu pai diz, mas respondo:
    - Papai, é que vejo vocês muito pouco. E isto de não saber quando eu vou voltar a vê-los me mata e...
    Meu pai sorri, coloca um dedo em meus lábios e diz:
    - Eu prometi a Emma, que no próximo Natal passaremos todos juntos na Alemanha. Essa mulher te ama e não parou de me pedir até que me convenceu.
    - Sério?
    Meu sorriso se alarga e volto a abraçar meu pai. Enquanto estou em seus braços, olho para Emma, que neste momento se despede de minha irmã e sorri. Nunca imaginei que uma mulher como ela se preocuparia tanto com o meu bem estar. Porém, aí está, esta alemã quadrada que eu amo, conseguindo me fazer sorrir novamente.
    Depois que me afasto do meu pai, é minha irmã que se aproxima de mim e, com cara de patinho triste, sussurra:
    - Mas você nem se foi e eu já sinto saudades.
    Eu sorrio, a abraço e digo:
    - Oh, minha maluquinhaaaaaaaaaa, como eu te amo!
    Nós duas rimos e eu insisto:
    - Seja gentil com o mexicano. E, mesmo que você queira ser moderna, pense nas coisas antes de fazer, já que de moderna você tem muito pouco, certo?
    Minha irmã louca sorri e, mais perto do meu ouvido, sussurra:
    - Ele me pediu para acompanhá-lo a Madrid.
    - Sério? -Mary concorda com a cabeça e eu pergunto: - Quando?
    - Em três semanas. Amanhã ele irá para Barcelona e quando voltar, prometi que irei acompanhá-lo. Bem, no fundo é bom que eu vá, assim posso trazer as coisas de Grace que preciso, e fique tranquila, eu sou moderna, mas não dormirei com ele. Eu não estou assim desesperada! – Ao ver minha cara de brincadeira, acrescenta: - Ontem à noite eu comentei com papai sobre a viagem e ele aceitou bem. Além disso, ele disse que gosta do mexicano. Que é um homem que se veste pelos pés.
    Isso me faz rir. Meu pai e os seus homens que se vestem pelos pés.
    - Olha Mary, você tem certeza do que vai fazer?
    Ela sorri. Olha para onde está Juan Alberto e o resto do grupo e diz:
    - Não Regina. Mas eu preciso fazer algo louco. Nunca fui espontânea e quero experimentar algo diferente com esse homem. A nossa história vai durar o tempo que ele estiver na Espanha, mas...
    - Mary, você vai sofrer quando ele se for. Eu te conheço!
    Minha irmã balança a cabeça e com uma serenidade que ultimamente me deixa surpresa, responde:
    - Eu sei, Regina.., mas o tempo que estiver aqui quero aproveitar-lo. Estou ciente da minha situação e que eu tenho duas filhas, mas acho que algumas emoções loucas eu posso ter na vida. Portanto, vou aproveitar, nem que sejam dois dias!
    Eu sorrio, mas eu sinto muito que ela se sinta assim. Ela é muito jovem para acreditar que sua vida nunca mais será emocionante e quando eu vou dizer algo, Emma se aproxima e, me agarrando pela cintura, diz:
    - Desculpe interromper este momento, mas o piloto disse que temos de partir.
    Neste momento, se aproxima de nós o tão falado mexicano e, enquanto minha irmã e Emma se despedem, eu olho, mas antes que eu possa dizer qualquer coisa, ele diz:
    - Eu sei. Não se preocupe. Eu me encarregarei de que ela e todos fiquem bem. Certamente, a Emma já falei, mas agradeço a você por deixar-me ficar em Villa Moreninha.
    Eu não posso dizer nada.
    Eu não posso reprovar nada.
    E, sorrindo, eu bato nele com o punho no peito.
    - Já sabe cara, como eu faço se algo não me agrada. Entendido? – Advirto-o.
O ficante selvagem de Mary sorri e me dá dois beijos. Quando me separo dele, volto a abraçar meu pai, minha irmã, beijo a minha Grace que está se lamentando porque Flynn vai embora, Tá pra morrer!!! E enquanto beijo a minha pequena Lucy e volto a falar balbuciando, meu pai diz:
    - Lembre-se moreninha, quero mais netos e se vier um menino, melhor!
    - Eu prefiro outra moreninha - sussurra minha esposa.
    Eu não respondo.
    Meu rosto diz tudo.
   Ambos sorriem e eu viro os olhos enquanto coço o pescoço.
   Filhos. Mas será que não me deixaram em paz sobre esse assunto?!