Ao sair do Mill's, reparei na BMW elegante esperando do lado de fora. O carro era alugado, mas combinava com Emma. Ela estava de pé, esperando-me para abrir a porta, e seus lábios roçaram em minha bochecha antes de eu sentar no banco do carona.
O jeito como me tocava era viciante, como se não fosse capaz de se conter.
Emma sentou atrás do volante. O motor roncou, e nós partimos.
Recostando-me contra o assento, olhei para ela enquanto dirigia, excitada pela confiança com que manipulava o corro potente. Suas mãos pousavam com leveza sobre o volante, os braços bem torneados estendidos exibindo sua beleza. A sensualidade lhe era inerente, e eu estava perdidamente apaixonada por ela. Era capaz de adorar qualquer coisa que Emma fizesse.
Isso não era justo, percebi. Nunca reconhecera seus defeitos, embora sem dúvidas existissem. Nunca reconhecera que poderia haver dilemas em sua vida, circunstâncias e pessoas que talvez a arrastassem em direções distintas, para longe de mim. Nunca fora além da superfície.
Estendi o braço e pousei a mão em sua coxa, sentindo minha palma formigar assim que percebi sua excitação. Aprofundei o toque e me maravilhei com o quanto ela estava molhada. Emma trocou a mão com que dirigia para segurar a minha, sua pele quente e seca.
Ela olhou para mim. "Nervosa?"
"Não." Apreensiva, eu diria, mas não nervosa. "Quero você."
Ela assentiu e acelerou.
Permanecemos em silêncio durante todo o caminho até o estacionamento do hotel e assim continuamos depois de chegar. Emma parou o carro, e passamos por um portão lateral que se abriu com um cartão, entrando num pátio central. Pegamos um elevador, mantendo-nos de pé em lados opostos do espaço confinado, os olhos fixos no outro à medida que os segundos se passavam.
A tensão era tanta que ficava difícil respirar. Inspirei fundo, e meus lábios se separaram. Podia sentir o desejo que irradiava dela, a sede deixando sua postura contraída e afiando seus sentidos para cada reação que meu corpo tinha ao dela.
Eu estava molhada e pronta, sentindo a dor entre as pernas, os seios cheios e pesados. Meus mamilos estavam tão rígidos que pulsavam e se empinavam descaradamente na direção dela.
Seu olhar estava em meu peito, acariciando-me, a língua deslizando ao longo do lábio inferior numa promessa evidente do que ela ia fazer comigo assim que estivéssemos sozinhas.
O elevador apitou anunciando nossa chegada ao andar em que ela estava hospedada, e Emma veio em minha direção, segurando minha mão e me arrastando atrás de si. Depois de atravessar um longo corredor, abriu apressada a porta do quarto e , num instante, estava em cima de mim, agarrando-me com tanta força que meus pés deixaram o chão. Larguei minha bolsa e me segurei nela.
Emma tomou minha boca na sua assim que a porta se fechou, um braço em volta da minha cintura e a outra mão enfiada em meu cabelo, soltando o elástico que prendia o rabo de cavalo. A elegância que havia demonstrado na noite anterior desaparecera, restando apenas a fome animal em seu lugar. Seus lábios apertavam os meus, a língua invadindo-o ritmicamente, convidando-me a escalar seus corpo esguio, forte, e sensual.
Minhas pernas enlaçaram sua cintura, meus braços envolveram seus ombros, enquanto meus quadris se moviam para esfregar em seu sexo coberto. A pressão me enlouquecia, fazendo-me soltar um gemido, as camadas de jeans entre nós atrapalhavam demais para me proporcionar qualquer alívio.
"Emma." Engoli em seco junto à sua boca.
"Aguente aí.", rosnou ela, espremendo-me contra a porta.
Voltei as pernas ao chão e levei as mãos até o fecho da minha calça. Abri o botão e baixei o zíper, forçando-me contra o corpo de Emma, que estava puxando minha camiseta.
Suas mãos encontraram meus seios e os apertaram através do tecido fino do sutiã. Engoli em seco, assustada com a intimidade.
"Meu Deus, você é linda", suspirou ela, os polegares circulando os mamilos endurecidos.
Minha cabeça pendeu para trás, contra a porta, enquanto meus pulmões lutavam por ar.
Emma baixou o rosto e me lambeu através do sutiã, seus lábios me envolvendo. Chupou com força, e me contorci, arranhando a porta atrás de mim.
"Anda logo, Emma. Caramba!"
Vi sua covinha reaparecer, e então ela estava me beijando de novo, o corpo rígido contra o meu, a mão direita descendo entre minhas pernas. Sua maneira apressada e meio atrapalhada com que ia me tocando, me fez rir. E como num piscar de olhos, Emma me agarrou-me as pernas e me deitou no chão, ficando em cima de mim. Rapidamente fomos chutando nossos sapatos. Nossos braços e pernas se entrelaçando à medida que tentávamos nos livras das roupas ao mesmo tempo que lidávamos com a urgência desesperada. Emma arrancou a camisa, me proporcionando com a bela visão de seus seios firmes, emoldurados com um rústico soutien de renda branca. Afoita, ela tirou uma das pernas da minha calça e murmurou ofegante: "É o bastante."
Rasgou minha calcinha e assobiou por entre os dentes enquanto observava meu sexo inchado de excitação. No momento seguinte, abriu minhas coxas e enterrou seus dedos em mim.
Sua primeira investida foi tão forte que me fez arquear as costas.
"Regis."
Com o pescoço rígido, os ombros tensos e o suor escorrendo entre os seios, Emma não podia estar mais linda. Ela ia com tamanha devoção dentro de mim, rápida e forte, bem fundo. Meus calcanhares enterraram-se no carpete à medida que meus quadris se moviam, tentando acomodá-la.
"Espere", arfou ela, segurando-me pela cintura para me manter parada.
"Emma...por favor!"
Ela me fitou com ferocidade, os olhos brilhando na meia-Luz do quarto, iluminado apenas pela luz da rua.
"É isso que você quer"? Ela afastou-se, tirando seus dedos de dentro de mim. E os enfiou de novo.
"Ah", gemi, trêmula. "Não pare".
Com a mão livre, Emma entrelaçou os dedos nos meu e passou meus braços ao redor de sua cabeça. Girando a mão, moveu-se fundo dentro de mim, esfregando-me com perfeição do lado de fora. Com toda a impaciência que tivera para me conquistar, Emma estava se demorando bastante agora que o conseguira.
Seus lábios roçaram minha orelha, e ela sussurrou: "Mostra pra mim. Me deixa sentir você."
Movendo-me na direção dela, envolvi as pernas em sua cintura e a apertei contra mim, gozando com um gemido rouco e dolorido, tremendo de prazer à medida que meu sexo se tensionava em espasmos desesperados ao redor de seus dedos.
"Assim", ela me incentivou com a voz rouca, voltando a se mexer. "Ah, que delícia."
Segurei firme , suas investidas controladas mantendo-me excitada e sedenta. Senti meu corpo se contorcer, preparando-se para outro orgasmo.
"Você esta sendo tão dura", sussurrei, adorando a sensação dela escorregando rudemente dentro de mim.
"É por sua causa." Emma me beijou, a mão livre apertando as minhas à medida que seu braço se projetava de novo e de novo, reivindicando-me com investidas profundas e demoradas. "Regis...você vai me fazer gozar."
Ela acelerou o ritmo, então ficou tensa, a cabeça jogada para trás ao ser dominada pelo orgasmo. Fiquei assistindo, admirada. Com os olhos bem fechados, Emma gemeu meu nome, tensionando o pescoço e gozando com tanta intensidade que atingi o clímax novamente
Virando a cabeça, enfiei os dentes em seu ombro, abafando assim os gritos.
"Regis." Ela me abraçou com força, aninhando o rosto suado ao meu.
Agarrada a ela, ainda sentindo-a dentro de mim, soltei a mordida e apertei os lábios contra a marca que acabara de deixar, desejando que fosse possível ser tão fácil marcá-la como minha.
Emma rolou para o lado, ficou de costas no chão e gemeu. "Acho que morri. Não consigo sentir meu braço."
Eu ri, sabendo bem como ela se sentia. Estava com o corpo inteiro formigando, como se tivesse acordado de uma longa hibernação.
O que infelizmente era verdade.
Ela virou a cabeça para mim. Eu a fitei.
"Oi.", disse, pegando minha mão e levando-as aos lábios.
"Oi." Fiquei examinando-a, observando aquele calor gentil em seus olhos do qual sentira tanta falta.
"Desculpe não ter conseguido chegar à cama."
"Tudo bem." Sorri. "Não tenho do que reclamar."
"Levo você assim que eu voltar a vida de novo."
"Está ficando velha, Swan?", provoquei, sabendo que, aos vinte e nove, ela está no auge.
Emma fitou o teto elaborando. "Estou fora de forma."
"Ah, tá." Cobri o rosto com o braço para esconder minha reação. Não podia pensar dela com outra mulher. Ficava louca louca diante da ideia. "Eu leio o jornal, sabia?"
"Sair com uma mulher e transar com ela são duas coisas completamente diferentes." Ela se aproximou de mim. Segurando meu pulso, Emma puxou meu braço e expôs meu rosto. "Mas é bom saber que você ficou de olho."
"Não fiquei."
Sua covinha apareceu novamente. "Ah, tá."
Ergui o tronco, apoiando-me nos cotovelos, e lambi os lábios. "Vem aqui."
Movi-me em direção a ela.
"Pro chuveiro", disse Emma asperamente, colocando-me de pé e estendendo a mão para mim. "Se não tomar um banho vou fica com gosto salgado."
"Não me importo."
"Mas eu, sim." Emma me colocou de pé. "Depois que tiver sua boca em mim, vou querer que fiquei um tempão lá."
Olhei para ela, analisando-a, achando-a incrivelmente atraente ali de pé na minha frente - alta e de soutien, a calça jeans desabotoada. Ela tinha aparência devassa.
Essa era a Emma que eu conhecia. E amava.
"Olhe para você", murmurou ela, deslizando o polegar ao longo do meu lábio inferior intumescido. "Tão sensual. Tão gostosa e bonita."
"Tá bom." Minha boca se curvou com desagrado enquanto eu avaliava minha situação. Tinha uma das pernas presa na calça, a calcinha rasgada e a camiseta enrolada acima dos seios. Sem duvidas , meu cabelo estava uma bagunça. "Falou como uma mulher que acabou de ter um orgasmo e quer outro."
"Não faça isso." Ela ergueu meu rosto pelo queixo. "Não pode me pedir para te dar tudo o que tenho e depois não me levar a sério. Não é justo."
"Não", concordei. "Não é justo, é?"
Pela forma como ela apertou a mandíbula, sabia que tinha entendido — ela não me levara a sério...e depois me abandonara.
Emma agachou-se para puxar minha calça, liberando minha perna. Em seguida, pegou minha mão e contornou comigo a mesinha de centro de vidro e ferro forjado.
Entramos num quarto com uma cama king-size em que havia uma cabeceira de madeira escura que combinava com a escrivaninha e o armário. Havia uma área de estar perto de uma janela que se entendia até o teto alto, e a entrada para o banheiro era um arco maravilhosamente simples.
Quando Emma acendeu a luz, tentei disfarçar meu assombro, mas fiquei feliz por ela não estar olhando para mim, pois tinha certeza de que havia falhado. O cômodo era enorme, com um chuveiro que poderia acomodar três pessoas e uma banheira de hidromassagem. Havia uma televisão embutida na parede, e a pia dupla estava numa peça da mesma madeira maciça que os móveis do quarto.
Tive que perguntar. "Você reservou este quarto achando que ia me trazer aqui?"
"Torcendo por isso". Emma me soltou para ligar o chuveiro. Deixei escapar um suspiro, impressionada com o imenso chuveiro embutido no teto, que produzia um jato para baixo como o de uma cachoeira. Ela me fitou com um sorriso que me encantou. "Posso terminar de desembrulhar você?"
Uma dor aguda tomou conta de mim. Regis, você é meu presente depois de um dia longo e cheio. Uma das muitas coisas que ela me disse em Las Vegas e que fizeram eu me apaixonar por ela.
Perguntei-me, de repente, se era só seu jeito , e se ela falava aquilo para qualquer uma com quem estivesse. Talvez Emma não tivesse ideia de como bobagens açucaradas como aquelas eram capazes de virar a cabeça de uma pessoa. Ou talvez tivesse. O que me deixava triste.
"Ei." Ela ergueu meu queixo. "Não fique com essa cara. Estou aqui. Por inteira."
"Por quanto tempo? Esse fim de semana?" Afastei-me, com uma sensação incômoda de autopreservação me avisando para sair enquanto por cima. "Não posso fazer isso, Emma."
Ela fez cara feia."Regis..."
Virei-me e corri para o quarto para pegar minhas roupas.
"Que merda é essa?", exclamou ela, segurando-me pelo braço assim que atravessei o batente da sala de estar. "Você quis isso."
"Foi um erro." Um erro terrível. Estava mergulhada demais em meus sentimentos para achar que seria só uma despedida.
"Erro coisa nenhuma." Emma me puxou, obrigando-me a ficar de frente para ela, e me segurou pelos braços, impedindo que escapasse. "Por que fez isso? Você queria vir aqui. Queria dormir comigo."
"Eu queria que você me comesse", rosnei, odiando ver o jeito como ela recuou diante de minhas palavras. "Queria acabar logo com essa tensão para você começar a falar a verdade. Não quero mais essa sua conversinha fiada. É tudo mentira. Você é uma mentira."
"Do que está falando? Isto aqui é a mais absoluta verdade, e você sabe disso."
Soltei-me de seus braços e entrei na sala de estar, sentindo-me uma completa idiota, só de meias e camiseta do Mill's. "Não tenho tempo para isso."
"Tempo de quê? Para mim?" Com passadas largas, Emma me alcançou. Chegou primeiro à minha calça e pisou na barra da perna prendendo-a ao chão.Com os braços cruzados, exibia todo o poder de seu corpo perfeito.
"Não tenho tempo nem paciência para fingir que estamos construindo uma coisa que nunca vamos ter." Prendi o cabelo, tentando me concentrar em manter o controle pelo menos por fora.
Sua carranca se intensificou. "Quem está fingindo?"
Joguei as mão para cima "Por que você fala comigo desse jeito? Toda essa baboseira sobre me desembrulhar e sentir minha falta e...tudo isso! Por que não pode simplesmente ser honesta sobre o que a gente tem, sobre o que a gente sempre teve? Nada além de sexo!"
"Isso não é só sexo", rosnou ela, aproximadamente-se. "Ninguém se apaixona só por sexo.!"
"Ah, então eu tenho que me apaixonar por você? Isso faz você se sentir melhor?" Para meu horror, senti os olhos ardendo com lágrimas. "Você já conseguiu o que queria. Não entendo por que tem de agir como se isso fosse um namoro. Não complique uma coisa que deveria ser simples!"
"Nunca foi simples com a gente." Ela exalou bruscamente e esfregou a nuca com a palma da mão. "O que quer de mim, Regina?"
"Acho que a gente deveria se concentrar no que você quer de mim, já que o que eu quero é irrelevante."
Ela fechou a cara. "Não é verdade."
Levei as mão à cintura. "Quero um compromisso, uma chance, um esforço para tentar descobrir até onde as coisas podem ir entre a gente. Você já arruinou isso. Então só restou o que você quer."
"Quero você."
"Você quer me comer", corrigi. "Por que não pode ser honesta quanto a isso?"
"Regis." Emma balançou a cabeça e soltou um suspiro. "Sou uma babaca com todo mundo na minha vida. Você é a única pessoa a quem dou valor. Não tire isso de mim."
"Está vendo? É disso que estou falando! Por que você tem que falar esse tipo de coisa? Por que não pode simplesmente dizer que gosta de mim ou sei lá o quê....?
"Por que é mais do que gostar de você. Você me enlouquece. Só de pensar em você eu já fica excitada. Vejo você e vejo quem sou. Não tenho ideia do que faz comigo." Sua voz tornou-se perigosamente grave. " Você me faz querer fazer sexo o tempo todo, Regina. Minha vontade é colocar você embaixo de mim e me enterrar bem fundo dentro de você, até fazê-la perder a consciência. Você me deixa sedenta..."
"Cala a boca"! Eu estava tremendo, e minha fome se intensificava numa reação às ondas causticantes de desejo que emanavam dela.
"Você sabe o que estou falando. Também sente o que sinto. Me deixa te dar isso."
"Não!" A recusa doeu fundo, como se eu estivesse imobilizando parte de mim com arame farpado.
"Me dê a noite de hoje." Ela pegou minha mão e apertou com muita força. "Uma noite."
Ri baixinho, mesmo com a visão ficando turva. "Uma noite para depois você me esquecer? Que clichê, Emma. Isso nunca funciona. Sexo bom não deixa de ser bom só porque você fez demais."
"Então vamos ter uma noite de sexo bom. Nós duas queremos isso. Precisamos disso."
"Não preciso disso." Tentei puxar a mão de volta, mas ela não deixou.
"Duvido."
Só a verdade pode funcionar com Emma. Ela lia meus pensamentos com muita facilidade, era um especialista em focar na fraqueza do adversário e explorá-la ao máximo.
"Não posso fazer isso", repeti, sustentando seu olhar. "Não sou como as mulheres com quem você está acostumado a transar. Não posso fazer isso por diversão ou para matar a vontade. Não com você. Na última vez, eu me apaixonei. Não posso fazer isso de novo."
"Você ainda está apaixonada", respondeu ela, sem rodeios. "Me dê uma chance de fazer você parar de se arrepender disso.
Dei as costas para ela, e corri o olhar pela sala de estar, que era maior que meu quarto. "Quero que você me leve de volta para o Mill's."
"Então temos um problema." Emma me abraçou por trás. Com os lábios junto ao meu pescoço, sussurrou: "Quero levar você para a cama, e se você quiser eu fico caladinha."
Fechei os olhos, absorvendo a sensação dela atrás de mim. O calor de seu corpo, o cheiro de sua pele, a carícia suave de sua respiração.
"Você deixou o chuveiro ligado", falei, agarrando-me a algo vazio e muito menos pessoal.
"Eu não quero. Quero que você fique por vontade própria. Quero a Regina que exigiu que a trouxemos aqui e desse a ela o que queria."
Olhei para ela por cima do ombro e vi seus olhos brilhando para mim por entre as sombras que acariciavam o seu lindo rosto. Senti a pulsão dentro de mim, aquela atração inexorável entre nós. Não sabia como eliminá-la ou ignora-lá. Alguma piada cósmica doentia tinha me programado para desejar Emma com todas as fibras do meu ser.
Será que eu tinha o que era preciso para convencê-la a ficar? Eu tinha o que era preciso para fazê-la querer mais...já era um começo.
"Uma noite não é o suficiente", disse, em voz baixa.
"Graças a Deus. Só falei isso para ganhar tempo e convencer você a ficar."
"Você não pode simplesmente ir embora sem se despedir, como da última vez." Virei-me em seus braços. "Quando cansar de mim, quero que me olhe nos olhos e diga que acabou."
Emma estreitou os lábios, mas fez que sim com a cabeça.
"Quero exclusividade."
"Sem dúvidas!" Não vou dividir você com ninguém."
"Estou falando de você", retruquei, secamente.
"Isso é óbvio." Ela segurou meu rosto. "O que mais?"
"Meus horários são irregulares. Meu trabalho é prioridade."
"Eu me encaixai na sua vida antes...posso fazer isso de novo."
Segurei-a pelos pulsos. Podia seguir em frente com minha lista de exigências, mas o que precisava naquele momento era de espaço para colocar as coisas em perspectiva. Precisa de tempo para me recompor, recuperar o fôlego e minha autoconfiança; só então talvez fosse capaz de concluir qual seria o melhor passo a dar. "Quero que você desligue aquela merda de chuveiro e me leve para jantar. Estou com fome."
Emma riu, mas sua gargalhada soou forçada. "Você sempre fica faminta depois do sexo. A gente não pode tomar banho antes?"
"Não." Aproximei-me dela. " Quero que você fique com meu cheiro na pele durante as próximas horas."
Ela soltou um gemido. "Você quer me punir."
"É", concordei. "Isso também."
domingo, 17 de abril de 2016
segunda-feira, 11 de abril de 2016
Peça-me o que Quiser, Capítulo 52
Boa Leitura :]
*******************
Depois de nossa pequena e doce aventura, às duas e meia da tarde, todos estamos no restaurante da Pachuca exceto Juan Alberto, que foi visitar um possível cliente em Jerez. Para celebrar o nosso aniversário, Emma convidou todos para comer.
Antes de sair do quarto, ela me entregou meu presente. É um envelope. Ela e seus envelopes. Sorrio. Abro e está escrito:
"Vale um equipamento completo de motocross."
Está feliz. O seu rosto, os seus olhos, o seu sorriso me dizem que tudo está bem, e eu sou a mulher mais feliz do mundo. Nem preciso dizer que encho ela de beijos.
Desde que casamos não falamos sobre esse assunto nem uma única vez e isso me assombra. Estou pensando em entrar em contato com os editores do Guiness - Livro de Records para nos adicionarem. Pois, como diz a nossa canção, se ela diz branco, eu digo preto, mas a nossa felicidade neste momento é tanta que que nem pensamos em cores. A nossa harmonia é completa e espero que continue assim por muito… muito tempo.
O meu pai está radiante por estarmos todos reunidos e eu aprecio a sua felicidade. Sempre pensei que é o melhor pai do mundo e cada dia estou mais certa disso. Só por aguentar duas chatas como eu e minha irmã , já vai direto para o céu.
Emma e ele se dão maravilhosamente bem e eu gosto disso. Adoro ver a cumplicidade que há entre os dois e, ainda que eu saiba que algum dia isso poderá se virar contra mim, não me importo. Essa aliança entre eles é algo que o meu pai nunca teve com o alucinado do meu ex-cunhado.
Emma o escuta e o respeita e meu pai gosta disso e eu gosto muito mais.
É claro que são duas pessoas de diferentes classes sociais, mas ambos se moldam às situações e isso é o que acredito que me deixa mais apaixonada por ambos: saberem se moldar.
Enquanto todos comemos ao redor da mesa, observo que Laura olha para uns rapazes que entraram no restaurante. Graciela saiu do banheiro e eles assobiaram ao vê-la passar.
Acho graça o olhar duro de Laura. Não sei o que acontecerá entre elas, mas tenho certeza que alguma coisa acontecerá. Só é preciso dar tempo a mexicana.
A minha irmã parece relaxada. Depois de falar com ela e saber que o idiota do meu ex-cunhado quer voltar, fico tranquila quando Mary deixa claro que não fará isso de jeito nenhum. Já a chateou muito e ela não pensa em lhe dar mais nenhuma oportunidade.
Por fim, o meu pai a convenceu e, pelo menos durante o primeiro ano de vida da pequena Lucy, elas ficarão com ele em Jerez.
Depois disso, retornará a Madrid para procurar trabalho. O que me pareceu uma excelente idéia. Estando com meu pai, Mary estará como uma rainha, ainda que às vezes eles tenham vontade de estrangular-se.
Flyn e Grace ficaram muito amigos nas férias e quando fico sabendo das brincadeiras que aprontaram, me divirto. Cada vez que comentamos que dentro de alguns dias voltaremos para a Alemanha, eles ficam tristes, mas entendem que o período escolar começará em breve e que todos devem voltar à normalidade.
Quando a Pachuca traz um bolo, a minha irmã pergunta a Emma:
- Você gostou do bolo desta manhã?
A minha garota me olha. Eu sorrio e ela finalmente diz:
- Foi o melhor bolo que comi durante toda a minha vida.
Mary, encantada pelo elogio, sorri e oferece:
- Pois quando você quiser, é só me dizer, que faço outra torta de cereja para você, que sei fazer muito bem.
- Cereja?! – Murmura Emma, olhando-me – Que delícia!
Não consigo segurar e caio em gargalhadas e Emma se junta a mim.
Nos beijamos e a minha irmã que nos observa, diz com a pequena Lucy nos braços:
- Ai, maluquinha, como é lindo o amor quando se está apaixonado e é correspondido.
Esse comentário que ela faz em voz baixa, me entristece.
Espero que Mary conheça alguém e refaça a sua vida. Precisa disso. É o tipo de mulher que precisa de um homem ao seu lado para que seja feliz. E esse homem não é o meu pai.
Antes de sair do quarto, ela me entregou meu presente. É um envelope. Ela e seus envelopes. Sorrio. Abro e está escrito:
"Vale um equipamento completo de motocross."
Está feliz. O seu rosto, os seus olhos, o seu sorriso me dizem que tudo está bem, e eu sou a mulher mais feliz do mundo. Nem preciso dizer que encho ela de beijos.
Desde que casamos não falamos sobre esse assunto nem uma única vez e isso me assombra. Estou pensando em entrar em contato com os editores do Guiness - Livro de Records para nos adicionarem. Pois, como diz a nossa canção, se ela diz branco, eu digo preto, mas a nossa felicidade neste momento é tanta que que nem pensamos em cores. A nossa harmonia é completa e espero que continue assim por muito… muito tempo.
O meu pai está radiante por estarmos todos reunidos e eu aprecio a sua felicidade. Sempre pensei que é o melhor pai do mundo e cada dia estou mais certa disso. Só por aguentar duas chatas como eu e minha irmã , já vai direto para o céu.
Emma e ele se dão maravilhosamente bem e eu gosto disso. Adoro ver a cumplicidade que há entre os dois e, ainda que eu saiba que algum dia isso poderá se virar contra mim, não me importo. Essa aliança entre eles é algo que o meu pai nunca teve com o alucinado do meu ex-cunhado.
Emma o escuta e o respeita e meu pai gosta disso e eu gosto muito mais.
É claro que são duas pessoas de diferentes classes sociais, mas ambos se moldam às situações e isso é o que acredito que me deixa mais apaixonada por ambos: saberem se moldar.
Enquanto todos comemos ao redor da mesa, observo que Laura olha para uns rapazes que entraram no restaurante. Graciela saiu do banheiro e eles assobiaram ao vê-la passar.
Acho graça o olhar duro de Laura. Não sei o que acontecerá entre elas, mas tenho certeza que alguma coisa acontecerá. Só é preciso dar tempo a mexicana.
A minha irmã parece relaxada. Depois de falar com ela e saber que o idiota do meu ex-cunhado quer voltar, fico tranquila quando Mary deixa claro que não fará isso de jeito nenhum. Já a chateou muito e ela não pensa em lhe dar mais nenhuma oportunidade.
Por fim, o meu pai a convenceu e, pelo menos durante o primeiro ano de vida da pequena Lucy, elas ficarão com ele em Jerez.
Depois disso, retornará a Madrid para procurar trabalho. O que me pareceu uma excelente idéia. Estando com meu pai, Mary estará como uma rainha, ainda que às vezes eles tenham vontade de estrangular-se.
Flyn e Grace ficaram muito amigos nas férias e quando fico sabendo das brincadeiras que aprontaram, me divirto. Cada vez que comentamos que dentro de alguns dias voltaremos para a Alemanha, eles ficam tristes, mas entendem que o período escolar começará em breve e que todos devem voltar à normalidade.
Quando a Pachuca traz um bolo, a minha irmã pergunta a Emma:
- Você gostou do bolo desta manhã?
A minha garota me olha. Eu sorrio e ela finalmente diz:
- Foi o melhor bolo que comi durante toda a minha vida.
Mary, encantada pelo elogio, sorri e oferece:
- Pois quando você quiser, é só me dizer, que faço outra torta de cereja para você, que sei fazer muito bem.
- Cereja?! – Murmura Emma, olhando-me – Que delícia!
Não consigo segurar e caio em gargalhadas e Emma se junta a mim.
Nos beijamos e a minha irmã que nos observa, diz com a pequena Lucy nos braços:
- Ai, maluquinha, como é lindo o amor quando se está apaixonado e é correspondido.
Esse comentário que ela faz em voz baixa, me entristece.
Espero que Mary conheça alguém e refaça a sua vida. Precisa disso. É o tipo de mulher que precisa de um homem ao seu lado para que seja feliz. E esse homem não é o meu pai.
Os dias passam e a nossa permanência em Jerez é uma maravilha.
Juan Alberto visita várias empresas na Andaluzia e, encantado, nos conta que vê possibilidades na área.
Nesses dias, observo como olha para a minha irmã. Está interessado, inclusive percebi que se dá muito bem com a minha sobrinha. Na verdade, é difícil não gostar de Grace, ela é tão inteligente e qualquer um que lhe dê atenção e entra no seu jogo a conquista por toda a vida.
Juan Alberto viaja todos os dias, mas quer voltar à noite para Jerez. Segundo ele, prefere estar em nossa companhia. Segundo Emma e eu, ele gosta da minha irmã. Dá para ver em seu rosto.
Claro, Mary não percebe o que está acontecendo e me surpreendo pois os dias se passam e não acontece nada. Mas claro, como sempre digo, a minha irmã é minha irmã, e uma tarde, enquanto tomamos sol na piscina do meu pai sozinhas, diz:
- É uma boa pessoa esse Juan Alberto, não é?
- Sim.
Espero... Sei que ela quer falar sobre o assunto, e depois de alguns minutos em silêncio, insiste:
- E é muito educado, não é?
- Sim.
Sorrio… Vejo que me olha de lado e então pergunta:
- O que você acha dele como homem?
- Um bom homem.
- Sabes o que me disse noutro dia, quando fomos todos jantar?
- Não.
- Você quer saber?
- Claro… me conte.
Nesse momento aparece Graciela e deita-se ao nosso lado.
Imagino que a minha irmã vai fechar o bico, mas em vez disso, senta-se na espreguiçadeira e continua:
- Na outra noite, quando voltávamos após alguns drinques, antes de entrarmos em casa, me olhou nos olhos e disse:
“ Você é como um delicioso cappuccino: doce, quente e me deixa nervoso”.
Graciela ao ouvi-la, comenta:
- Os mexicanos são muito lisonjeiros.
Surpresa, olho para a minha irmã e pergunto:
- Ele disse isso?
- Sim, exatamente como lhe contei.
- Olha, é um ótimo elogio, você não acha?
Graciela, que está ao nosso lado, solta uma risada e as três se calam. Minha irmã parece uma boba.
Silêncio. Mary deita-se, mas se bem a conheço sei que essa paz durará pouco. Em menos de dois minutos se senta novamente.
- E agora, cada vez que cruzo o olhar com ele, me diz "Saborosa!".
- Saborosa?! – repete Graciela e, sentando-se também, afirma -: Isso no México é como dizer que você é gostosa, ou que te comeria inteira.
- Sério? – pergunta Mary, excitada, e a jovem chilena assente.
Prendo o riso. Ver a minha irmã nessa situação é algo novo para mim e ela diz de repente, dando-me um tapa no braço:
- Chega! Não posso continuar ignorando que esse mexicano lindo, com cara e voz de galã de telenovela que me atrai, e quando me disse isso de "Saborosa!"… Ui, me deixa louca, me arrepio toda. E agora que sei que esse "Saborosa!" quer dizer isso… Oh, Deus, que calor!
Caio na gargalhada e ouço-a dizer:
- Maluquinha, não ria pois estou preocupada.
- Preocupada?
Mary assente e, aproximando-se de Graciela e de mim, cochicha:
- Há várias noites que tenho sonhos muito quentes e nem tomo mais cappuccino, de tão nervosa que estou. Sento na cadeira e olho para Graciela e começo a rir. Sim, é que a minha irmã é uma bomba. Mas ao ver a sua cara de preocupação, pergunto:
- Vamos lá, você gosta de Juan Alberto?
Minha irmã louca apanha a sua fanta laranja, bebe um gole e responde:
- Mais do que comer camarão com as mãos.
Nós três sorrimos e ela acrescenta:
- Gostaria de saber dele, maluquinha. É um cara muito legal e adoro a sua simpatia.
- Não é para você, Mary.
- Por quê?
- Porque ele voltará para o México e…
- E porque eu me importaria com isso?
Isso me surpreende. Como não se vai importar? Estou boquiaberta quando diz:
- Não quero que me jure amor eterno nem nada desse tipo. Quero ser moderna pelo menos uma vez na vida e saber o que é ter uma aventura selvagem.
- Como? – Pergunto chocada.
- Maluquinha, quero me divertir. Esquecer meus problemas. Me sentir bonita e desejada, só não gostaria de me divertir com ele se fosse casado. Não gostaria de fazer outra mulher sofrer.
Vamos ver… Vamos ver…
A minha irmã é a pessoa mais tradicional que existe sobre a face da terra e de repente quer ser moderna e ter uma aventura selvagem? Estou impressionada. Muito impressionada.
Como vejo que ela me olha à espera que eu lhe diga algo sobre a sua possível aventura, olho para a Graciela. Ela conhece o Juan Alberto melhor do que eu, mas disposta a provocar Mary, pergunto:
- Aventura selvagem?
Ela sorri. Fica linda quando sorri assim, e ao ver a brincadeira em meu olhar,
diz:
- Ai, maluquinha, devo estar muito carente de atenção, porque quando estou com ele e me diz isso de "Saborosa!", sinto uma vontade infernal de agarrá-lo pelo pescoço, levá-lo para o meu quarto e fazer de tudo com ele. Deus, ele me enlouquece!
Enlouquece?!
A minha irmã disse que Juan Alberto a enlouquece?
Morrendo de rir, olho para ela. Deus… Mary necessita urgentemente de sexo e ao ver que ela me olha à espera de respostas, digo:
- Graciela, você o conhece melhor do que eu, por favor, tire as dúvidas da minha irmã e lhe conte sobre Juan Alberto.
A jovem chilena sorri, olha para Mary e explica:
- Está se divorciado e…
- Divorciado?!
- Sim…
Minha irmã gosta disso. Nervosa, bebe mais fanta laranja e Graciela acrescenta:
- Chama-se Juan Alberto Riquelme de San Juan Bolívares.
- Fala sério, tem nome de personagem de novela – sussurra Mary, contente.
- Já te digo – respondo divertida.
Tem quarenta anos e é primo de Laura por parte de mãe. Não tem filhos. A sua ex-mulher, Jazmina, é uma víbora perigosa, nunca quis lhe dar esse prazer nos seis anos de matrimônio. Mas depois que se divorciou dele, engravidou do seu novo marido.
- Que nojenta! – resmunga minha irmã.
- Muito nojenta – afirmo, pensando que também não quero ter filhos.
- Juan é dono de uma empresa de segurança muito bem sussedida no México e com esta viagem tenta expandir o seu negócio pela Europa. É um homem de família, carinhoso e muito amigo dos seus amigos.
Durante uns instantes, observo que minha irmã processa a informação que Graciela lhe deu e, uma vez que o faz, solta:
- Sobre não ter filhos já imaginava. Basta olhar como ele segura Lucy para saber que ele nunca teve um bebê nos braços na vida.
-Emma também não tem filhos e…
- Mas ela é diferente – afirma Mary.
- Diferente por quê? – pergunto curiosa.
- Porque ela é mulher, e além do mais, criou sozinha o seu sobrinho e estou certa de que quando Flynn era bebê, era super carinhosa com ele. Só é preciso reparar como mima Grace e como se derrete por Lucy. E falando de crianças…
- Não – corto-a -. Nunca pensei em ter filhos. Por isso, vamos esquecer esse assunto.
Após dizer isso, vejo os olhares da minha irmã e da Graciela. Droga, droga! E caindo na cadeira, Mary diz:
- Ai maluquinha… vocês teriam filhos lindos.
Quando se cala, respiro mais tranquilamente.
Mas porque todo mundo insiste que eu tenha filhos?
Por fim, sem querer retornar ao assunto, me deito e aproveito o sol da minha Andalucía.
Viva a minha terra!
Juan Alberto visita várias empresas na Andaluzia e, encantado, nos conta que vê possibilidades na área.
Nesses dias, observo como olha para a minha irmã. Está interessado, inclusive percebi que se dá muito bem com a minha sobrinha. Na verdade, é difícil não gostar de Grace, ela é tão inteligente e qualquer um que lhe dê atenção e entra no seu jogo a conquista por toda a vida.
Juan Alberto viaja todos os dias, mas quer voltar à noite para Jerez. Segundo ele, prefere estar em nossa companhia. Segundo Emma e eu, ele gosta da minha irmã. Dá para ver em seu rosto.
Claro, Mary não percebe o que está acontecendo e me surpreendo pois os dias se passam e não acontece nada. Mas claro, como sempre digo, a minha irmã é minha irmã, e uma tarde, enquanto tomamos sol na piscina do meu pai sozinhas, diz:
- É uma boa pessoa esse Juan Alberto, não é?
- Sim.
Espero... Sei que ela quer falar sobre o assunto, e depois de alguns minutos em silêncio, insiste:
- E é muito educado, não é?
- Sim.
Sorrio… Vejo que me olha de lado e então pergunta:
- O que você acha dele como homem?
- Um bom homem.
- Sabes o que me disse noutro dia, quando fomos todos jantar?
- Não.
- Você quer saber?
- Claro… me conte.
Nesse momento aparece Graciela e deita-se ao nosso lado.
Imagino que a minha irmã vai fechar o bico, mas em vez disso, senta-se na espreguiçadeira e continua:
- Na outra noite, quando voltávamos após alguns drinques, antes de entrarmos em casa, me olhou nos olhos e disse:
“ Você é como um delicioso cappuccino: doce, quente e me deixa nervoso”.
Graciela ao ouvi-la, comenta:
- Os mexicanos são muito lisonjeiros.
Surpresa, olho para a minha irmã e pergunto:
- Ele disse isso?
- Sim, exatamente como lhe contei.
- Olha, é um ótimo elogio, você não acha?
Graciela, que está ao nosso lado, solta uma risada e as três se calam. Minha irmã parece uma boba.
Silêncio. Mary deita-se, mas se bem a conheço sei que essa paz durará pouco. Em menos de dois minutos se senta novamente.
- E agora, cada vez que cruzo o olhar com ele, me diz "Saborosa!".
- Saborosa?! – repete Graciela e, sentando-se também, afirma -: Isso no México é como dizer que você é gostosa, ou que te comeria inteira.
- Sério? – pergunta Mary, excitada, e a jovem chilena assente.
Prendo o riso. Ver a minha irmã nessa situação é algo novo para mim e ela diz de repente, dando-me um tapa no braço:
- Chega! Não posso continuar ignorando que esse mexicano lindo, com cara e voz de galã de telenovela que me atrai, e quando me disse isso de "Saborosa!"… Ui, me deixa louca, me arrepio toda. E agora que sei que esse "Saborosa!" quer dizer isso… Oh, Deus, que calor!
Caio na gargalhada e ouço-a dizer:
- Maluquinha, não ria pois estou preocupada.
- Preocupada?
Mary assente e, aproximando-se de Graciela e de mim, cochicha:
- Há várias noites que tenho sonhos muito quentes e nem tomo mais cappuccino, de tão nervosa que estou. Sento na cadeira e olho para Graciela e começo a rir. Sim, é que a minha irmã é uma bomba. Mas ao ver a sua cara de preocupação, pergunto:
- Vamos lá, você gosta de Juan Alberto?
Minha irmã louca apanha a sua fanta laranja, bebe um gole e responde:
- Mais do que comer camarão com as mãos.
Nós três sorrimos e ela acrescenta:
- Gostaria de saber dele, maluquinha. É um cara muito legal e adoro a sua simpatia.
- Não é para você, Mary.
- Por quê?
- Porque ele voltará para o México e…
- E porque eu me importaria com isso?
Isso me surpreende. Como não se vai importar? Estou boquiaberta quando diz:
- Não quero que me jure amor eterno nem nada desse tipo. Quero ser moderna pelo menos uma vez na vida e saber o que é ter uma aventura selvagem.
- Como? – Pergunto chocada.
- Maluquinha, quero me divertir. Esquecer meus problemas. Me sentir bonita e desejada, só não gostaria de me divertir com ele se fosse casado. Não gostaria de fazer outra mulher sofrer.
Vamos ver… Vamos ver…
A minha irmã é a pessoa mais tradicional que existe sobre a face da terra e de repente quer ser moderna e ter uma aventura selvagem? Estou impressionada. Muito impressionada.
Como vejo que ela me olha à espera que eu lhe diga algo sobre a sua possível aventura, olho para a Graciela. Ela conhece o Juan Alberto melhor do que eu, mas disposta a provocar Mary, pergunto:
- Aventura selvagem?
Ela sorri. Fica linda quando sorri assim, e ao ver a brincadeira em meu olhar,
diz:
- Ai, maluquinha, devo estar muito carente de atenção, porque quando estou com ele e me diz isso de "Saborosa!", sinto uma vontade infernal de agarrá-lo pelo pescoço, levá-lo para o meu quarto e fazer de tudo com ele. Deus, ele me enlouquece!
Enlouquece?!
A minha irmã disse que Juan Alberto a enlouquece?
Morrendo de rir, olho para ela. Deus… Mary necessita urgentemente de sexo e ao ver que ela me olha à espera de respostas, digo:
- Graciela, você o conhece melhor do que eu, por favor, tire as dúvidas da minha irmã e lhe conte sobre Juan Alberto.
A jovem chilena sorri, olha para Mary e explica:
- Está se divorciado e…
- Divorciado?!
- Sim…
Minha irmã gosta disso. Nervosa, bebe mais fanta laranja e Graciela acrescenta:
- Chama-se Juan Alberto Riquelme de San Juan Bolívares.
- Fala sério, tem nome de personagem de novela – sussurra Mary, contente.
- Já te digo – respondo divertida.
Tem quarenta anos e é primo de Laura por parte de mãe. Não tem filhos. A sua ex-mulher, Jazmina, é uma víbora perigosa, nunca quis lhe dar esse prazer nos seis anos de matrimônio. Mas depois que se divorciou dele, engravidou do seu novo marido.
- Que nojenta! – resmunga minha irmã.
- Muito nojenta – afirmo, pensando que também não quero ter filhos.
- Juan é dono de uma empresa de segurança muito bem sussedida no México e com esta viagem tenta expandir o seu negócio pela Europa. É um homem de família, carinhoso e muito amigo dos seus amigos.
Durante uns instantes, observo que minha irmã processa a informação que Graciela lhe deu e, uma vez que o faz, solta:
- Sobre não ter filhos já imaginava. Basta olhar como ele segura Lucy para saber que ele nunca teve um bebê nos braços na vida.
-Emma também não tem filhos e…
- Mas ela é diferente – afirma Mary.
- Diferente por quê? – pergunto curiosa.
- Porque ela é mulher, e além do mais, criou sozinha o seu sobrinho e estou certa de que quando Flynn era bebê, era super carinhosa com ele. Só é preciso reparar como mima Grace e como se derrete por Lucy. E falando de crianças…
- Não – corto-a -. Nunca pensei em ter filhos. Por isso, vamos esquecer esse assunto.
Após dizer isso, vejo os olhares da minha irmã e da Graciela. Droga, droga! E caindo na cadeira, Mary diz:
- Ai maluquinha… vocês teriam filhos lindos.
Quando se cala, respiro mais tranquilamente.
Mas porque todo mundo insiste que eu tenha filhos?
Por fim, sem querer retornar ao assunto, me deito e aproveito o sol da minha Andalucía.
Viva a minha terra!
Essa noite, quando todos se reúnem na casa do meu pai para o jantar, observo com mais atenção minha irmã e Juan Alberto. Formam um belo casal.
Depois de jantar, Mary desliga o celular depois de falar com o idiota do meu ex-cunhado, e vejo que o mexicano se aproxima dela e a tranquiliza. Cada vez que o idiota liga, tira a minha irmã do sério.
O meu pai me olha, eu levanto as sobrancelhas e, logo, vejo que sorri apontando para Juan Alberto. Não quero nem imaginar o que está pensando. Pai, te conheço!
Depois de jantar, Mary desliga o celular depois de falar com o idiota do meu ex-cunhado, e vejo que o mexicano se aproxima dela e a tranquiliza. Cada vez que o idiota liga, tira a minha irmã do sério.
O meu pai me olha, eu levanto as sobrancelhas e, logo, vejo que sorri apontando para Juan Alberto. Não quero nem imaginar o que está pensando. Pai, te conheço!
Os dias passam e temos que voltar para a Alemanha. As férias acabaram. Emma tem que trabalhar, as aulas de Flyn retornaram e nossa vida tem que voltar ao normal.
Depois de uma deliciosa comida no restaurante da Pachuca, onde Flynn e eu comemos até nos fartar, decidimos sair essa última noite e beber alguma coisa.
O meu pai prefere não nos acompanhar. Prefere ficar em casa cuidando dos cachorros, como ele diz.
Às oito da noite, depois de Juan Alberto voltar de uma viajem a Málaga, passamos pela casa do meu pai para buscar Mary, vamos todos jantar e beber algo.
Quando chegamos ao barzinho de Sérgio e Elena, como sempre, o mais movimentado de Jerez, meus amigos levantam-se para nos cumprimentar. Me parabenizam pelo meu casamento e Emma convida-os para um drinque. Rocío, minha amiga, está feliz. Estou feliz e isso a deixa também. De repente, toca uma música e ela puxa minha mão e me leva até a pista de dança, enquanto cantamos como loucas:
Depois de uma deliciosa comida no restaurante da Pachuca, onde Flynn e eu comemos até nos fartar, decidimos sair essa última noite e beber alguma coisa.
O meu pai prefere não nos acompanhar. Prefere ficar em casa cuidando dos cachorros, como ele diz.
Às oito da noite, depois de Juan Alberto voltar de uma viajem a Málaga, passamos pela casa do meu pai para buscar Mary, vamos todos jantar e beber algo.
Quando chegamos ao barzinho de Sérgio e Elena, como sempre, o mais movimentado de Jerez, meus amigos levantam-se para nos cumprimentar. Me parabenizam pelo meu casamento e Emma convida-os para um drinque. Rocío, minha amiga, está feliz. Estou feliz e isso a deixa também. De repente, toca uma música e ela puxa minha mão e me leva até a pista de dança, enquanto cantamos como loucas:
Never can say goodbye, no, no, no, no,
never can say goodbye.
Every time I think I´ve had enough
And start heading for the door.
never can say goodbye.
Every time I think I´ve had enough
And start heading for the door.
Nós sorrimos. Centenas de recordações de verões loucos vêm à nossa memória enquanto cantamos em voz alta e dançamos essa canção na voz de Jimmy Somerville.
Quando a música acaba, vamos ao banheiro, local de pura fofoca, e lhe conto tudo o que quer saber. Falamos… falamos e falamos. Durante dez minutos colocamos todo o assunto em dia e quando saímos estamos com sede e paramos no bar para pedir umas bebidas. Logo alguém me agarra pela cintura e fala no meu ouvido:
- Olá, preciosa.
Reconheço a sua voz…
Rapidamente me viro e vejo Ruby Lucas. Uma amiga das competições de motocross. Me dá dois beijos e me abraça. Convencida de que Emma não gostará da forma como me abraça, saio de seus braços como posso e pergunto:
- Como você está? Como estão as coisas por aqui?
Ruby, conquistadora como ela é, passeia os olhos pelo meu corpo e, dando mais um passo até mim me pressionando contra o bar, responde:
- Cheguei ontem. E vim até aqui para ver se te encontrava.
Rocío me olha. Eu olho para ela e, antes que possa dizer algo, aparece minha alemã, minha Icewoman, com uma cara chateada, por trás de Ruby e diz:
- Poderias se afastar da minha mulher para que ela possa respirar?
Ao ouvir isso, Ruby olha para trás e, ao vê-la, sem sair do lugar, responde:
-Você de novo – E antes que eu possa dizer qualquer coisa, fala: -Olha amiga, esta não é a tua mulher e, pelo que imagino, nunca vai ser. Por isso, que tal dar uma voltinha e nos deixar em paz?
Meu Deus, a cara de minha Icewoman. Ela bufa pelo nariz e eu rapidamente digo:
- Ruby, você tem que…
Mas não consigo dizer mais nada. Emma agarra-a pelo braço com as suas mãos, separa-a de mim e, num tom nada calmo, grita na sua cara:
- Quem vai dar uma voltinha vai ser você. Porque se você voltar a se aproximar da minha mulher como fez hoje, vai ter problemas comigo, entendeu?
A motociclista fica parada. Eu levanto a mão e mostrando o anel no meu dedo esclareço:
- Ruby, Emma é minha esposa. Nós estamos casadas.
A cara dela muda completamente. No fundo é uma boa pessoa e diz rapidamente, levantando as mãos:
- Sinto muito, Emma. Eu achei que as coisas ainda estavam como da última vez.
A expressão de Emma se relaxa. Sua raiva diminui e, pegando-me pela mão, me puxa e, antes de sair do local, acrescenta:
- Pois bem, agora já sabe. Não se engane novamente.
Rocío me olha do bar e sorrio enquanto me afasto com Emma. Apesar de não aprovar seu ciúme, reconheço que este momento territorial da minha mulher excitou-me. Que sexy ela fica, quando me olha assim.
Sem falar, saímos do local e logo vejo Robin aparecer. Os nossos olhares se cruzam e ambos sorrimos. Está de mãos dadas com a mesma moça agradável que o acompanhou ao meu casamento na Alemanha e, quando nos aproximamos dele, Emma me solta e Robin e eu damos um enorme abraço.
- Olá jerezana.
Em seguida, me solta e estende a mão a Emma, dizendo:
- Como você está?
- Tudo bem. Tudo vai muito bem.
No seu código, entendem-se. Finalmente, depois de tudo o que aconteceu entre nós três, conseguimos normalizar nossa relação e nos tornamos amigos. Eu adoro isso. Robin é uma das melhores pessoas que conheço e fico feliz ao ver que Emma e ele por fim se dão bem.
Depois de cumprimentar Aurora, que é como se chama a garota que está com ele, tomamos algo juntos até que Robin, olhando o seu relógio, diz:
- Temos de ir. Marcamos com alguns amigos.
Sorrio. Nos despedimos e, quando se vão, Emma me agarra pela cintura e pergunta:
- Você está feliz, pequena?
Beijando-a, feliz da vida, respondo:
- Muitíssimo, grandalhona.
Quando voltamos para o nosso do grupo, falamos durante horas e nos divertimos. Estar com meus amigos é só alegria, piadas e diversão.
Sorrio para mim mesma ao ver a excitação que Graciela provoca.
Essa chilena de voz doce deixa-se levar pelos jerezanos, enquanto Laura observa e bufa. Ela resiste. Isto vai demorar mais do que eu acreditava a princípio.
Todos estão bem dispostos, quando a minha irmã, que está sentada ao meu lado, diz com um gesto contrariado:
- Ai maluquinha….
A sua atitude e a sua voz me alertam:
- Que foi?
Com uma careta, me olha e cochicha:
- Acabo de ver Whale estacionar o carro.
Meu sangue ferve. Como o idiota do meu ex-cunhado tem coragem de aparecer aqui, vou dar-lhe um tapa tão grande que vai chegar voando em Madrid. Atordoada, olho ao meu redor e Emma, ao perceber, pergunta:
- O que aconteceu?
- O imbecil do Whale está aqui.
Seu rosto se contrai, e me olhando, sussurra:
- Calma, Regina. Somos adultos e civilizados.
O seu comentário me faz sorrir ao recordar o que ocorreu antes com Ruby, mas para acalmar a ânsia que tenho de abrir-lhe a cabeça e fazê-lo sofrer tanto como fez sofrer a minha irmã, apanho o meu copo e bebo um gole, quando vejo que Mary se levanta. Onde ela vai? Vou agarrar seu braço para que não se aproxime de Whale, mas ela me deixa sem palavras. Vai até Juan Alberto, que está falando com Laura, agarra seu pescoço, senta em seu colo e beija sua boca.
Assutador!
Eu engasguei.
Emma segura a minha mão.
Laura me olha e eu, surpresa, vejo que a minha irmã se derrete como uma adolescente, ali, diante de todos.
O meu ex-cunhado, que se aproxima, ao ver isso fica paralisado e grita:
- Mary!
Mas ela continua o seu beijo devastador em Juan Alberto. Desde logo, está devorando-o, safada. Vejo ela dizendo: "Saboroso!".
Mas isso não parou por aí. O mexicano, animado pelo momento, passou os braços pela cintura da minha irmã e aprofundou o beijo enquanto uma das suas mãos vai até a sua bunda e a aperta.
Pelo amor de Deus, o que eles estão fazendo?
O tempo parece passar em câmara lenta enquanto eles se beijam sem pressa nenhuma, até que os seus lábios se separam e eu ouço que Juan Alberto diz:
- Mary, você acredita em amor à primeira vista, ou tenho que te beijar novamente?
Uauuuuuuuuuu, não posso acreditar!
Novela mexicana ao vivo e a cores!
Um ex-marido, um novo amante e a protagonista, que não é outra senão a minha irmã. Que forte, por favor!
Boquiaberta, pisco, enquanto Emma, ao meu lado, observa muito tranquila a situação. A mulher é puro gelo quando quer. E então, com uma cara de travessa, que me deixa totalmente paralisada, a minha alucinante irmã olha para meu ex-cunhado que está parado diante dela e pergunta:
- O que você quer, seu chato?
Ele não consegue nem falar. Está tremendo até a sua barba e estou a ponto de gritar: "Toma, toma, seu babaca de merda!".
Instantes depois, quando Whale consegue se recompor, com os olhos marejados diz:
- Mary, não levarei isto em conta, mas temos que conversar.
Não levará isto em conta?
Meu Deus, eu levanto a minha cabeça. Que sem vergonha!
Mas Emma, que vê como me mexo na cadeira, me olha e, sem soltar a minha mão, me pede tranquilidade com os olhos.
- Olha, Whale – responde Mary, surpreendendo-me -, leve isso em conta, porque eu vou voltar a repetir quantas vezes eu quiser. Estamos separados! E antes que você comece seu discurso, a resposta é NÃO!
- Mas, fofaaaaaaaa…
- Já não sou a sua fofa – grita ela.
Whale a encara e, pela sua careta, vejo que não a reconhece e cá entre nós, eu também estranho, nem eu a reconheço!
De repente, surpreendendo a todos, Juan Alberto se levanta, com a minha irmã ainda entre os seus braços e, com uma expressão séria e intimidante, diz ao meu ex-cunhado:
- Escuta cara, esta linda mulher não tem mais nada para conversar contigo. A partir de agora, cada vez que ligar para o seu celular vais falar comigo, porque estamos cansados das suas ligações e das sua insistência. Ela não quer nem almoçar, nem jantar, nem tomar um café com um cara como você. Primeiro, porque não te deseja e segundo, porque esta maravilhosa mulher está comigo e eu sou muito possessivo. E o que é meu, é só meu e não permito que ninguém toque. Pague a pensão das meninas, que é o que tens de fazer, porque você é o pai, e no que se refere à minha rainha, agora sou eu quem cuidarei dela. Por isso, vai e desaparece da minha vista, entendido?
Boquiaberta…
Alucinada…
E surpreendida, pisco, quando a minha irmã, agarrada ao gigante mexicano, olha para o seu ex com um sorrisinho de satisfação e diz:
- Você já ouvi Whale. Adeus!
- Mas as meninas…
- Quanto as meninas, você vai vê-las sempre que for a sua vez. Quanto a isso não se preocupe – afirma Mary.
Assim que o idiota processa o que aconteceu ali, dá a volta e vai embora. Quando desaparece da nossa vista, eu olho para a minha irmã ainda com a boca aberta e ela, recompondo-se por segundos por seu atrevimento, balbucia olhando para Alberto com uma cara assustada:
- Obri… Obrigada pela sua ajuda.
Ele, soltando-a, volta a sentar onde estava e, passando o olhar pelo corpo de Mary, murmura num tom meloso:
- Sempre que quiser, querida.
- Foda – murmuro e ouço Emma rir.
Como você pode rir num momento assim?
Vejo que a minha irmã fica totalmente bloqueada depois do que aconteceu, decido entrar em ação e, puxando sua mão, afasto-me dos olhares debochados dos demais. Quando chegamos ao banheiro, solto sua mão e ela abre a torneira e joga água na nuca. Não sei o que dizer até que Mary exclama:
- Ai maluquinha…
- Eu sei…
- Ai que calor, Regina...
- Normal.
Totalmente perturbada, a decente da minha irmã me pergunta:
- Acabo de fazer o que acho que fiz?
- Sim.
- Sério?
- Confirmo. Acaba de fazer.
- Acabo de beijar o… o… o Juan Alberto?
- Sim. – E ao ver que não reage, acrescento - Acaba de dar um espetáculo com a tua aventura selvagem e não faltou nada. Só faltou você dizer "Saboroso!" cantando.
Eu pisco.
Nós duas piscamos e, logo, a atrevida diz:
- Minha mãe… minha mãe, mas você viu aquele beijo?
Afirmo com a cabeça. Vi, eu e metade de Jerez e, antes que eu diga alguma coisa, acrescenta:
- Me joguei no seu colo e… e… logo ele me apertou e... e… tocou a minha bunda indecentemente, além de meter sua língua até a minha garganta! Oh Deus… Que calor! E depois ainda disse que acreditava em amor à primeira vista ou…
- …Ou te beijava outra vez. Sim… Muito novela mexicana – finalizo.
Ou eu a abano ou ela desmaia, porque é muuuuuuuuuito, mais é muuuuuuuuuito exagerada.
Volta a jogar água na nuca e arfa como um cachorrinho. Ainda não pode acreditar no que fez. Mas desejando que sorria, digo:
- Acho que hoje você tirou Whale de vez da sua vida. – E, divertida, acrescento - : Esse mexicano deixou tudo muito claro.
- Ai, maluquinha, não fique rindo.
- Não posso evitar, Mary..
Olhando-se no espelho, horrorizada, sussurra:
- Esse homem vai pensar que sou uma vadia.
- Mas, você estava dizendo que queria ser moderna?
- Sim, mas não uma vadia – insiste chateada.
Consciente que precisa reanimar a sua vida, olho e digo:
- Olha, Mary, deixe que ele pense o que quiser. Você gostou do beijo?
Não hesita e responde em menos de um segundo:
- Sim… Não vou negar isso.
- Pois então. Seja positiva e pense em duas coisas. A primeira, é que se livrou de Whale e, a segunda, é que um mexicano, como os atores das novelas que você gosta, te deu um beijo que tirou seus sentidos.
Ao ouvir isso, ela sorri e eu a imito. Alguns segundos depois, me olha e diz:
- Meu Deus, maluquinha… Como ele com tomate!
As despedidas nunca me agradam e menos ainda quando são meu pai, minha irmã e minhas sobrinhas. Afastar-me deles novamente me corta o coração, mas aí esta minha Emma para me fazer sorrir e prometendo-me que vamos vê-los sempre que eu quiser.
No aeroporto de Jerez o jato nos aguarda. Minha sobrinha está determinada a subir. Quer chocolate e a aeromoça lhe dá encantada. Mas o relógio avança e precisamos ir, então finalmente não há outra escolha senão dizer adeus.
- Escuta moreninha, - diz meu pai enquanto me abraça: - Você está muito feliz. Eu vejo isso. Sempre gostei de Emma, desde o primeiro minuto, você sabe, certo? – Eu concordo. – Pois então, sorria e aproveite a vida e eu aproveitarei também.
Eu faço o que meu pai diz, mas respondo:
- Papai, é que vejo vocês muito pouco. E isto de não saber quando eu vou voltar a vê-los me mata e...
Meu pai sorri, coloca um dedo em meus lábios e diz:
- Eu prometi a Emma, que no próximo Natal passaremos todos juntos na Alemanha. Essa mulher te ama e não parou de me pedir até que me convenceu.
- Sério?
Meu sorriso se alarga e volto a abraçar meu pai. Enquanto estou em seus braços, olho para Emma, que neste momento se despede de minha irmã e sorri. Nunca imaginei que uma mulher como ela se preocuparia tanto com o meu bem estar. Porém, aí está, esta alemã quadrada que eu amo, conseguindo me fazer sorrir novamente.
Depois que me afasto do meu pai, é minha irmã que se aproxima de mim e, com cara de patinho triste, sussurra:
- Mas você nem se foi e eu já sinto saudades.
Eu sorrio, a abraço e digo:
- Oh, minha maluquinhaaaaaaaaaa, como eu te amo!
Nós duas rimos e eu insisto:
- Seja gentil com o mexicano. E, mesmo que você queira ser moderna, pense nas coisas antes de fazer, já que de moderna você tem muito pouco, certo?
Minha irmã louca sorri e, mais perto do meu ouvido, sussurra:
- Ele me pediu para acompanhá-lo a Madrid.
- Sério? -Mary concorda com a cabeça e eu pergunto: - Quando?
- Em três semanas. Amanhã ele irá para Barcelona e quando voltar, prometi que irei acompanhá-lo. Bem, no fundo é bom que eu vá, assim posso trazer as coisas de Grace que preciso, e fique tranquila, eu sou moderna, mas não dormirei com ele. Eu não estou assim desesperada! – Ao ver minha cara de brincadeira, acrescenta: - Ontem à noite eu comentei com papai sobre a viagem e ele aceitou bem. Além disso, ele disse que gosta do mexicano. Que é um homem que se veste pelos pés.
Isso me faz rir. Meu pai e os seus homens que se vestem pelos pés.
- Olha Mary, você tem certeza do que vai fazer?
Ela sorri. Olha para onde está Juan Alberto e o resto do grupo e diz:
- Não Regina. Mas eu preciso fazer algo louco. Nunca fui espontânea e quero experimentar algo diferente com esse homem. A nossa história vai durar o tempo que ele estiver na Espanha, mas...
- Mary, você vai sofrer quando ele se for. Eu te conheço!
Minha irmã balança a cabeça e com uma serenidade que ultimamente me deixa surpresa, responde:
- Eu sei, Regina.., mas o tempo que estiver aqui quero aproveitar-lo. Estou ciente da minha situação e que eu tenho duas filhas, mas acho que algumas emoções loucas eu posso ter na vida. Portanto, vou aproveitar, nem que sejam dois dias!
Eu sorrio, mas eu sinto muito que ela se sinta assim. Ela é muito jovem para acreditar que sua vida nunca mais será emocionante e quando eu vou dizer algo, Emma se aproxima e, me agarrando pela cintura, diz:
- Desculpe interromper este momento, mas o piloto disse que temos de partir.
Neste momento, se aproxima de nós o tão falado mexicano e, enquanto minha irmã e Emma se despedem, eu olho, mas antes que eu possa dizer qualquer coisa, ele diz:
- Eu sei. Não se preocupe. Eu me encarregarei de que ela e todos fiquem bem. Certamente, a Emma já falei, mas agradeço a você por deixar-me ficar em Villa Moreninha.
Eu não posso dizer nada.
Eu não posso reprovar nada.
E, sorrindo, eu bato nele com o punho no peito.
- Já sabe cara, como eu faço se algo não me agrada. Entendido? – Advirto-o.
O ficante selvagem de Mary sorri e me dá dois beijos. Quando me separo dele, volto a abraçar meu pai, minha irmã, beijo a minha Grace que está se lamentando porque Flynn vai embora, Tá pra morrer!!! E enquanto beijo a minha pequena Lucy e volto a falar balbuciando, meu pai diz:
- Lembre-se moreninha, quero mais netos e se vier um menino, melhor!
- Eu prefiro outra moreninha - sussurra minha esposa.
Eu não respondo.
Meu rosto diz tudo.
Ambos sorriem e eu viro os olhos enquanto coço o pescoço.
Filhos. Mas será que não me deixaram em paz sobre esse assunto?!
No aeroporto de Jerez o jato nos aguarda. Minha sobrinha está determinada a subir. Quer chocolate e a aeromoça lhe dá encantada. Mas o relógio avança e precisamos ir, então finalmente não há outra escolha senão dizer adeus.
- Escuta moreninha, - diz meu pai enquanto me abraça: - Você está muito feliz. Eu vejo isso. Sempre gostei de Emma, desde o primeiro minuto, você sabe, certo? – Eu concordo. – Pois então, sorria e aproveite a vida e eu aproveitarei também.
Eu faço o que meu pai diz, mas respondo:
- Papai, é que vejo vocês muito pouco. E isto de não saber quando eu vou voltar a vê-los me mata e...
Meu pai sorri, coloca um dedo em meus lábios e diz:
- Eu prometi a Emma, que no próximo Natal passaremos todos juntos na Alemanha. Essa mulher te ama e não parou de me pedir até que me convenceu.
- Sério?
Meu sorriso se alarga e volto a abraçar meu pai. Enquanto estou em seus braços, olho para Emma, que neste momento se despede de minha irmã e sorri. Nunca imaginei que uma mulher como ela se preocuparia tanto com o meu bem estar. Porém, aí está, esta alemã quadrada que eu amo, conseguindo me fazer sorrir novamente.
Depois que me afasto do meu pai, é minha irmã que se aproxima de mim e, com cara de patinho triste, sussurra:
- Mas você nem se foi e eu já sinto saudades.
Eu sorrio, a abraço e digo:
- Oh, minha maluquinhaaaaaaaaaa, como eu te amo!
Nós duas rimos e eu insisto:
- Seja gentil com o mexicano. E, mesmo que você queira ser moderna, pense nas coisas antes de fazer, já que de moderna você tem muito pouco, certo?
Minha irmã louca sorri e, mais perto do meu ouvido, sussurra:
- Ele me pediu para acompanhá-lo a Madrid.
- Sério? -Mary concorda com a cabeça e eu pergunto: - Quando?
- Em três semanas. Amanhã ele irá para Barcelona e quando voltar, prometi que irei acompanhá-lo. Bem, no fundo é bom que eu vá, assim posso trazer as coisas de Grace que preciso, e fique tranquila, eu sou moderna, mas não dormirei com ele. Eu não estou assim desesperada! – Ao ver minha cara de brincadeira, acrescenta: - Ontem à noite eu comentei com papai sobre a viagem e ele aceitou bem. Além disso, ele disse que gosta do mexicano. Que é um homem que se veste pelos pés.
Isso me faz rir. Meu pai e os seus homens que se vestem pelos pés.
- Olha Mary, você tem certeza do que vai fazer?
Ela sorri. Olha para onde está Juan Alberto e o resto do grupo e diz:
- Não Regina. Mas eu preciso fazer algo louco. Nunca fui espontânea e quero experimentar algo diferente com esse homem. A nossa história vai durar o tempo que ele estiver na Espanha, mas...
- Mary, você vai sofrer quando ele se for. Eu te conheço!
Minha irmã balança a cabeça e com uma serenidade que ultimamente me deixa surpresa, responde:
- Eu sei, Regina.., mas o tempo que estiver aqui quero aproveitar-lo. Estou ciente da minha situação e que eu tenho duas filhas, mas acho que algumas emoções loucas eu posso ter na vida. Portanto, vou aproveitar, nem que sejam dois dias!
Eu sorrio, mas eu sinto muito que ela se sinta assim. Ela é muito jovem para acreditar que sua vida nunca mais será emocionante e quando eu vou dizer algo, Emma se aproxima e, me agarrando pela cintura, diz:
- Desculpe interromper este momento, mas o piloto disse que temos de partir.
Neste momento, se aproxima de nós o tão falado mexicano e, enquanto minha irmã e Emma se despedem, eu olho, mas antes que eu possa dizer qualquer coisa, ele diz:
- Eu sei. Não se preocupe. Eu me encarregarei de que ela e todos fiquem bem. Certamente, a Emma já falei, mas agradeço a você por deixar-me ficar em Villa Moreninha.
Eu não posso dizer nada.
Eu não posso reprovar nada.
E, sorrindo, eu bato nele com o punho no peito.
- Já sabe cara, como eu faço se algo não me agrada. Entendido? – Advirto-o.
O ficante selvagem de Mary sorri e me dá dois beijos. Quando me separo dele, volto a abraçar meu pai, minha irmã, beijo a minha Grace que está se lamentando porque Flynn vai embora, Tá pra morrer!!! E enquanto beijo a minha pequena Lucy e volto a falar balbuciando, meu pai diz:
- Lembre-se moreninha, quero mais netos e se vier um menino, melhor!
- Eu prefiro outra moreninha - sussurra minha esposa.
Eu não respondo.
Meu rosto diz tudo.
Ambos sorriem e eu viro os olhos enquanto coço o pescoço.
Filhos. Mas será que não me deixaram em paz sobre esse assunto?!
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