segunda-feira, 11 de abril de 2016

Peça-me o que Quiser, Capítulo 52

      Boa Leitura :]
                                                       *******************
    Depois de nossa pequena e doce aventura,  às duas e meia da tarde, todos estamos no restaurante da Pachuca exceto Juan Alberto, que foi visitar um possível cliente em Jerez. Para celebrar o nosso aniversário, Emma convidou todos para comer.
    Antes de sair do quarto, ela me entregou meu presente. É um envelope. Ela e seus envelopes. Sorrio. Abro e está escrito:
             "Vale um equipamento completo de motocross."
  Está feliz. O seu rosto, os seus olhos, o seu sorriso me dizem que tudo está bem, e eu sou a mulher mais feliz do mundo. Nem preciso dizer que encho ela de beijos.
    Desde que casamos não falamos sobre esse assunto nem uma única vez e isso me assombra. Estou pensando em entrar em contato com os editores do Guiness - Livro de Records  para nos adicionarem. Pois, como diz a nossa canção, se ela diz branco, eu digo preto, mas a nossa felicidade neste momento é tanta que que nem pensamos em cores. A nossa harmonia é completa e espero que continue assim por muito… muito tempo.
    O meu pai está radiante por estarmos todos reunidos e eu aprecio a sua felicidade. Sempre pensei que é o melhor pai do mundo e cada dia estou mais certa disso. Só por aguentar duas chatas como eu e minha irmã , já vai direto para o céu.
    Emma e ele se dão maravilhosamente bem e eu gosto disso. Adoro ver a cumplicidade que há entre os dois e, ainda que eu saiba que algum dia isso poderá se virar contra mim, não me importo. Essa aliança entre eles é algo que o meu pai nunca teve com o alucinado do meu ex-cunhado.
    Emma o escuta e o respeita e meu pai gosta disso e eu gosto muito mais.
    É claro que são duas pessoas de diferentes classes sociais, mas ambos se moldam às situações e isso é o que acredito que me deixa mais apaixonada por ambos: saberem se moldar.
    Enquanto todos comemos ao redor da mesa, observo que Laura olha para uns rapazes que entraram no restaurante. Graciela saiu do banheiro e eles assobiaram ao vê-la passar.
    Acho graça o olhar duro de Laura. Não sei o que acontecerá entre elas, mas tenho certeza que alguma coisa acontecerá. Só é preciso dar tempo a mexicana.
    A minha irmã parece relaxada. Depois de falar com ela e saber que o idiota do meu ex-cunhado quer voltar, fico tranquila quando Mary deixa claro que não fará isso de jeito nenhum. Já a chateou muito e ela não pensa em lhe dar mais nenhuma oportunidade.
    Por fim, o meu pai a convenceu e, pelo menos durante o primeiro ano de vida da pequena Lucy, elas ficarão com ele em Jerez.
    Depois disso, retornará a Madrid para procurar trabalho. O que me pareceu uma excelente idéia.         Estando com meu pai, Mary estará como uma rainha, ainda que às vezes eles tenham vontade de estrangular-se.
    Flyn e Grace ficaram muito amigos nas férias e quando fico sabendo das brincadeiras que aprontaram, me divirto. Cada vez que comentamos que dentro de alguns dias voltaremos para a Alemanha, eles ficam tristes, mas entendem que o período escolar começará em breve e que todos devem voltar à normalidade.
   Quando a Pachuca traz um bolo, a minha irmã pergunta a Emma:
    - Você gostou do bolo desta manhã?
    A minha garota me olha. Eu sorrio e ela finalmente diz:
   - Foi o melhor bolo que comi durante toda a minha vida.
    Mary, encantada pelo elogio, sorri e oferece:
    - Pois quando você quiser, é só me dizer, que faço outra torta de cereja para você, que sei fazer muito bem.
    - Cereja?! – Murmura Emma, olhando-me – Que delícia!
    Não consigo segurar e caio em gargalhadas e Emma se junta a mim.
    Nos beijamos e a minha irmã que nos observa, diz com a pequena Lucy nos braços:
   - Ai, maluquinha, como é lindo o amor quando se está apaixonado e é correspondido.
    Esse comentário que ela faz em voz baixa, me entristece.
    Espero que Mary conheça alguém e refaça a sua vida. Precisa disso. É o tipo de mulher que precisa de um homem ao seu lado para que seja feliz. E esse homem não é o meu pai.
    Os dias passam e a nossa permanência em Jerez é uma maravilha.
    Juan Alberto visita várias empresas na Andaluzia e, encantado, nos conta que vê possibilidades na área.
    Nesses dias, observo como olha para a minha irmã. Está interessado, inclusive percebi que se dá muito bem com a minha sobrinha. Na verdade, é difícil não gostar de Grace, ela é tão inteligente e qualquer um que lhe dê atenção e entra no seu jogo a conquista por toda a vida.
    Juan Alberto viaja todos os dias, mas quer voltar à noite para Jerez. Segundo ele, prefere estar em nossa companhia. Segundo Emma e eu, ele gosta da minha irmã. Dá para ver em seu rosto.
   Claro, Mary não percebe o que está acontecendo e me surpreendo pois os dias se passam e não acontece nada. Mas claro, como sempre digo, a minha irmã é minha irmã, e uma tarde, enquanto tomamos sol na piscina do meu pai sozinhas, diz:
    - É uma boa pessoa esse Juan Alberto, não é?
    - Sim.
    Espero... Sei que ela quer falar sobre o assunto, e depois de alguns minutos em silêncio, insiste:
    - E é muito educado, não é?
    - Sim.
    Sorrio… Vejo que me olha de lado e então pergunta:
    - O que você acha dele como homem?
    - Um bom homem.
    - Sabes o que me disse noutro dia, quando fomos todos jantar?
    - Não.
    - Você quer saber?
    - Claro… me conte.
    Nesse momento aparece Graciela e deita-se ao nosso lado.
    Imagino que a minha irmã vai fechar o bico, mas em vez disso, senta-se na espreguiçadeira e continua:
    - Na outra noite, quando voltávamos após alguns drinques, antes de entrarmos em casa, me olhou nos olhos e disse:
   “ Você é como um delicioso cappuccino: doce, quente e me deixa nervoso”.
    Graciela ao ouvi-la, comenta:
    - Os mexicanos são muito lisonjeiros.
    Surpresa, olho para a minha irmã e pergunto:
    - Ele disse isso?
    - Sim, exatamente como lhe contei.
    - Olha, é um ótimo elogio, você não acha?
    Graciela, que está ao nosso lado, solta uma risada e as três se calam. Minha irmã parece uma boba.
Silêncio. Mary deita-se, mas se bem a conheço sei que essa paz durará pouco. Em menos de dois minutos se senta novamente.
    - E agora, cada vez que cruzo o olhar com ele, me diz "Saborosa!".
    - Saborosa?! – repete Graciela e, sentando-se também, afirma -: Isso no México é como dizer que você é gostosa, ou que te comeria inteira.
    - Sério? – pergunta Mary, excitada, e a jovem chilena assente.
    Prendo o riso. Ver a minha irmã nessa situação é algo novo para mim e ela diz de repente, dando-me um tapa no braço:
    - Chega! Não posso continuar ignorando que esse mexicano lindo, com cara e voz de galã de telenovela que  me atrai, e quando me disse isso de "Saborosa!"… Ui, me deixa louca, me arrepio toda. E agora que sei que esse "Saborosa!" quer dizer isso… Oh, Deus, que calor!
    Caio na gargalhada e ouço-a dizer:
    - Maluquinha, não ria pois estou preocupada.
    - Preocupada?
    Mary assente e, aproximando-se de Graciela e de mim, cochicha:
    - Há várias noites que tenho sonhos muito quentes e nem tomo mais cappuccino, de tão nervosa que estou. Sento na cadeira e olho para Graciela e começo a rir. Sim, é que a minha irmã é uma bomba. Mas ao ver a sua cara de preocupação, pergunto:
    - Vamos lá, você gosta de Juan Alberto?
    Minha irmã louca apanha a sua fanta laranja, bebe um gole e responde:
    - Mais do que comer camarão com as mãos.
    Nós três sorrimos e ela acrescenta:
    - Gostaria de saber dele, maluquinha. É um cara muito legal e adoro a sua simpatia.
    - Não é para você, Mary.
    - Por quê?
    - Porque ele voltará para o México e…
    - E porque eu me importaria com isso?
    Isso me surpreende. Como não se vai importar? Estou boquiaberta quando diz:
   - Não quero que me jure amor eterno nem nada desse tipo. Quero ser moderna pelo menos uma vez na vida e saber o que é ter uma aventura selvagem.
    - Como? – Pergunto chocada.
    - Maluquinha, quero me divertir. Esquecer meus problemas. Me sentir bonita e desejada, só não gostaria de me divertir com ele se fosse casado. Não gostaria de fazer outra mulher sofrer.
    Vamos ver… Vamos ver…
    A minha irmã é a pessoa mais tradicional que existe sobre a face da terra e de repente quer ser moderna e ter uma aventura selvagem? Estou impressionada. Muito impressionada.
   Como vejo que ela me olha à espera que eu lhe diga algo sobre a sua possível aventura, olho para a Graciela. Ela conhece o Juan Alberto melhor do que eu, mas disposta a provocar Mary, pergunto:
    - Aventura selvagem?
    Ela sorri. Fica linda quando sorri assim, e ao ver a brincadeira em meu olhar,
diz:
    - Ai, maluquinha, devo estar muito carente de atenção, porque quando estou com ele e me diz isso de "Saborosa!", sinto uma vontade infernal de agarrá-lo pelo pescoço, levá-lo para o meu quarto e fazer de tudo com ele. Deus, ele me enlouquece!
    Enlouquece?!
    A minha irmã disse que Juan Alberto a enlouquece?
    Morrendo de rir, olho para ela. Deus… Mary necessita urgentemente de sexo e ao ver que ela me olha à espera de respostas, digo:
    - Graciela, você o conhece melhor do que eu, por favor, tire as dúvidas da minha irmã e lhe conte sobre Juan Alberto.
    A jovem chilena sorri, olha para Mary e explica:
    - Está se divorciado e…
    - Divorciado?!
    - Sim…
    Minha irmã gosta disso. Nervosa, bebe mais fanta laranja e Graciela acrescenta:
    - Chama-se Juan Alberto Riquelme de San Juan Bolívares.
    - Fala sério, tem nome de personagem de novela – sussurra Mary, contente.
    - Já te digo – respondo divertida.
    Tem quarenta anos e é primo de Laura por parte de mãe. Não tem filhos. A sua ex-mulher, Jazmina, é uma víbora perigosa, nunca quis lhe dar esse prazer nos seis anos de matrimônio. Mas depois que se divorciou dele, engravidou do seu novo marido.
    - Que nojenta! – resmunga minha irmã.
    - Muito nojenta – afirmo, pensando que também não quero ter filhos.
    - Juan é dono de uma empresa de segurança muito bem sussedida no México e com esta viagem tenta expandir o seu negócio pela Europa. É um homem de família, carinhoso e muito amigo dos seus amigos.
    Durante uns instantes, observo que minha irmã processa a informação que Graciela lhe deu e, uma vez que o faz, solta:
    - Sobre não ter filhos já imaginava. Basta olhar como ele segura Lucy para saber que ele nunca teve um bebê nos braços na vida.
    -Emma também não tem filhos e…
    - Mas ela é diferente – afirma Mary.
    - Diferente por quê? – pergunto curiosa.
    - Porque ela é mulher, e além do mais, criou sozinha o seu sobrinho e estou certa de que quando Flynn era bebê, era super carinhosa com ele. Só é preciso reparar como mima Grace e como se derrete por Lucy. E falando de crianças…
    - Não – corto-a -. Nunca pensei em ter filhos. Por isso, vamos esquecer esse assunto.
    Após dizer isso, vejo os olhares da minha irmã e da Graciela. Droga, droga! E caindo na cadeira, Mary diz:
    - Ai maluquinha… vocês teriam filhos lindos.
    Quando se cala, respiro mais tranquilamente.
    Mas porque todo mundo insiste que eu tenha filhos?
    Por fim, sem querer retornar ao assunto, me deito e aproveito o sol da minha Andalucía.
   Viva a minha terra!
    Essa noite, quando todos se reúnem na casa do meu pai para o jantar, observo com mais atenção minha irmã e Juan Alberto. Formam um belo casal.
    Depois de jantar, Mary desliga o celular depois de falar com o idiota do meu ex-cunhado,  e vejo que o mexicano se aproxima dela e a tranquiliza. Cada vez que o idiota liga, tira a minha irmã do sério.
    O meu pai me olha, eu levanto as sobrancelhas e, logo, vejo que sorri apontando para Juan Alberto.     Não quero nem imaginar o que está pensando. Pai, te conheço!
    Os dias passam e temos que voltar para a Alemanha. As férias acabaram. Emma tem que trabalhar, as aulas de Flyn retornaram e nossa vida tem que voltar ao normal.
    Depois de uma deliciosa comida no restaurante da Pachuca, onde Flynn e eu comemos até nos fartar, decidimos sair essa última noite e beber alguma coisa.
    O meu pai prefere não nos acompanhar. Prefere ficar em casa cuidando dos cachorros, como ele diz.
    Às oito da noite, depois de Juan Alberto voltar de uma viajem a Málaga, passamos pela casa do meu pai para buscar Mary, vamos todos jantar e beber algo.
    Quando chegamos ao barzinho de Sérgio e Elena, como sempre, o mais movimentado de Jerez, meus amigos levantam-se para nos cumprimentar. Me parabenizam pelo meu casamento e Emma convida-os para um drinque. Rocío, minha amiga, está feliz. Estou feliz e isso a deixa também. De repente, toca uma música e ela puxa minha mão e me leva até a pista de dança, enquanto cantamos como loucas:
                        Never can say goodbye, no, no, no, no,
                        never can say goodbye.
                        Every time I think I´ve had enough
                       And start heading for the door.
 
    Nós sorrimos. Centenas de recordações de verões loucos vêm à nossa memória enquanto cantamos em voz alta e dançamos essa canção na voz de Jimmy Somerville.
    Quando a música acaba, vamos ao banheiro, local de pura fofoca, e lhe conto tudo o que quer saber. Falamos… falamos e falamos. Durante dez minutos colocamos todo o assunto em dia e quando saímos estamos com sede e paramos no bar para pedir umas bebidas. Logo alguém me agarra pela cintura e fala no meu ouvido:
    - Olá, preciosa.
    Reconheço a sua voz…
    Rapidamente me viro e vejo Ruby Lucas. Uma amiga das competições de motocross. Me dá dois beijos e me abraça. Convencida de que Emma não gostará da forma como me abraça, saio de seus braços como posso e pergunto:
    - Como você está? Como estão as coisas por aqui?
    Ruby, conquistadora como ela é, passeia os olhos pelo meu corpo e, dando mais um passo até mim me pressionando contra o bar, responde:
    - Cheguei ontem. E vim até aqui para ver se te encontrava.
    Rocío me olha. Eu olho para ela e, antes que possa dizer algo, aparece minha alemã, minha Icewoman, com uma cara chateada, por trás de Ruby e diz:
    - Poderias se afastar da minha mulher para que ela possa respirar?
    Ao ouvir isso, Ruby olha para trás e, ao vê-la, sem sair do lugar, responde:
    -Você de novo – E antes que eu possa dizer qualquer coisa, fala: -Olha amiga, esta não é a tua mulher e, pelo que imagino, nunca vai ser. Por isso, que tal dar uma voltinha e nos deixar em paz?
    Meu Deus, a cara de minha Icewoman. Ela bufa pelo nariz e eu rapidamente digo:
    - Ruby, você tem que…
    Mas não consigo dizer mais nada. Emma agarra-a pelo braço com as suas mãos, separa-a de mim e, num tom nada calmo, grita na sua cara:
    - Quem vai dar uma voltinha vai ser você. Porque se você voltar a se aproximar da minha mulher como fez hoje, vai ter problemas comigo, entendeu?
    A motociclista fica parada. Eu levanto a mão e mostrando o anel no meu dedo esclareço:
    - Ruby, Emma é minha esposa. Nós estamos casadas.
    A cara dela muda completamente. No fundo é uma boa pessoa e diz rapidamente, levantando as mãos:
    - Sinto muito, Emma. Eu achei que as coisas ainda estavam como da última vez.
    A expressão de Emma se relaxa. Sua raiva diminui e, pegando-me pela mão, me puxa e, antes de sair do local, acrescenta:
  - Pois bem, agora já sabe. Não se engane novamente.
    Rocío me olha do bar e sorrio enquanto me afasto com Emma. Apesar de não aprovar seu ciúme, reconheço que este momento territorial da minha mulher excitou-me. Que sexy ela fica, quando me olha assim.
    Sem falar, saímos do local e logo vejo Robin aparecer. Os nossos olhares se cruzam e ambos sorrimos. Está de mãos dadas com a mesma moça agradável que o acompanhou ao meu casamento na Alemanha e, quando nos aproximamos dele, Emma me solta e Robin e eu damos um enorme abraço.
    - Olá jerezana.
    Em seguida, me solta e estende a mão a Emma, dizendo:
    - Como você está?
    - Tudo bem. Tudo vai muito bem.
    No seu código, entendem-se. Finalmente, depois de tudo o que aconteceu entre nós três, conseguimos normalizar nossa relação e nos tornamos amigos. Eu adoro isso. Robin é uma das melhores pessoas que conheço e fico feliz ao ver que Emma e ele por fim se dão bem.
    Depois de cumprimentar Aurora, que é como se chama a garota que está com ele, tomamos algo juntos até que Robin, olhando o seu relógio, diz:
    - Temos de ir. Marcamos com alguns amigos.
    Sorrio. Nos despedimos e, quando se vão, Emma me agarra pela cintura e pergunta:
    - Você está feliz, pequena?
    Beijando-a, feliz da vida, respondo:
    - Muitíssimo, grandalhona.
    Quando voltamos para o nosso do grupo, falamos durante horas e nos divertimos. Estar com meus amigos é só alegria, piadas e diversão.
    Sorrio para mim mesma ao ver a excitação que Graciela provoca.
    Essa chilena de voz doce deixa-se levar pelos jerezanos, enquanto Laura observa e bufa. Ela resiste. Isto vai demorar mais do que eu acreditava a princípio.
     Todos estão bem dispostos, quando a minha irmã, que está sentada ao meu lado, diz com um gesto contrariado:
    - Ai maluquinha….
    A sua atitude e a sua voz me alertam:
    - Que foi?
    Com uma careta, me olha e cochicha:
    - Acabo de ver Whale estacionar o carro.
    Meu sangue ferve. Como o idiota do meu ex-cunhado tem coragem de aparecer aqui, vou dar-lhe um tapa tão grande que vai chegar voando em Madrid. Atordoada, olho ao meu redor e Emma, ao perceber, pergunta:
    - O que aconteceu?
    - O imbecil do Whale está aqui.
    Seu rosto se contrai, e me olhando, sussurra:
    - Calma, Regina. Somos adultos e civilizados.
    O seu comentário me faz sorrir ao recordar o que ocorreu antes com Ruby, mas para acalmar a ânsia que tenho de abrir-lhe a cabeça e fazê-lo sofrer tanto como fez sofrer a minha irmã, apanho o meu copo e bebo um gole, quando vejo que Mary se levanta. Onde ela vai? Vou agarrar seu braço para que não se aproxime de Whale, mas ela me deixa sem palavras. Vai até Juan Alberto, que está falando com Laura, agarra seu pescoço, senta em seu colo e beija sua boca.
    Assutador!
    Eu engasguei.
    Emma segura a minha mão.
    Laura me olha e eu, surpresa, vejo que a minha irmã se derrete como uma adolescente, ali, diante de todos.
    O meu ex-cunhado, que se aproxima, ao ver isso fica paralisado e grita:
    - Mary!
    Mas ela continua o seu beijo devastador em Juan Alberto. Desde logo, está devorando-o, safada.         Vejo ela dizendo: "Saboroso!".
    Mas isso não parou por aí. O mexicano, animado pelo momento, passou os braços pela cintura da minha irmã e aprofundou o beijo enquanto uma das suas mãos vai até a sua bunda e a aperta.
    Pelo amor de Deus, o que eles estão fazendo?
    O tempo parece passar em câmara lenta enquanto eles se beijam sem pressa nenhuma, até que os seus lábios se separam e eu ouço que Juan Alberto diz:
    - Mary, você acredita em amor à primeira vista, ou tenho que te beijar novamente?
     Uauuuuuuuuuu, não posso acreditar!
    Novela mexicana ao vivo e a cores!
    Um ex-marido, um novo amante e a protagonista, que não é outra senão a minha irmã. Que forte, por favor!
    Boquiaberta, pisco, enquanto Emma, ao meu lado, observa muito tranquila a situação. A mulher é puro gelo quando quer. E então, com uma cara de travessa, que me deixa totalmente paralisada, a minha alucinante irmã olha para meu ex-cunhado que está parado diante dela e pergunta:
    - O que você quer, seu chato?
    Ele não consegue nem falar. Está tremendo até a sua barba e estou a ponto de gritar: "Toma, toma, seu babaca de merda!".
    Instantes depois, quando Whale consegue se recompor, com os olhos marejados diz:
    - Mary, não levarei isto em conta, mas temos que conversar.
    Não levará isto em conta?
    Meu Deus, eu levanto a minha cabeça. Que sem vergonha!
    Mas Emma, que vê como me mexo na cadeira, me olha e, sem soltar a minha mão, me pede tranquilidade com os olhos.
    - Olha, Whale – responde Mary, surpreendendo-me -, leve isso em conta, porque eu vou voltar a repetir quantas vezes eu quiser. Estamos separados! E antes que você comece seu discurso, a resposta é NÃO!
    - Mas, fofaaaaaaaa…
    - Já não sou a sua fofa – grita ela.
    Whale a encara e, pela sua careta, vejo que não a reconhece e cá entre nós, eu também estranho, nem eu a reconheço!
    De repente, surpreendendo a todos, Juan Alberto se levanta, com a minha irmã ainda entre os seus braços e, com uma expressão séria e intimidante, diz ao meu ex-cunhado:
    - Escuta cara, esta linda mulher não tem mais nada para conversar contigo. A partir de agora, cada vez que ligar para o seu celular vais falar comigo, porque estamos cansados das suas ligações e das sua insistência. Ela não quer nem almoçar, nem jantar, nem tomar um café com um cara como você. Primeiro, porque não te deseja e segundo, porque esta maravilhosa mulher está comigo e eu sou muito possessivo. E o que é meu, é só meu e não permito que ninguém toque. Pague a pensão das meninas, que é o que tens de fazer, porque você é o pai, e no que se refere à minha rainha, agora sou eu quem cuidarei dela. Por isso, vai e desaparece da minha vista, entendido?
    Boquiaberta…
    Alucinada…
    E surpreendida, pisco, quando a minha irmã, agarrada ao gigante mexicano, olha para o seu ex com um sorrisinho de satisfação e diz:
    - Você já ouvi Whale. Adeus!
    - Mas as meninas…
    - Quanto as meninas, você vai vê-las sempre que for a sua vez. Quanto a isso não se preocupe – afirma Mary.
    Assim que o idiota processa o que aconteceu ali, dá a volta e vai embora. Quando desaparece da nossa vista, eu olho para a minha irmã ainda com a boca aberta e ela, recompondo-se por segundos por seu atrevimento, balbucia olhando para Alberto com uma cara assustada:
    - Obri… Obrigada pela sua ajuda.
    Ele, soltando-a, volta a sentar onde estava e, passando o olhar pelo corpo de Mary, murmura num tom meloso:
    - Sempre que quiser, querida.
    - Foda – murmuro e ouço Emma rir.
    Como você pode rir num momento assim?
    Vejo que a minha irmã fica totalmente bloqueada depois do que aconteceu, decido entrar em ação e, puxando sua mão, afasto-me dos olhares debochados dos demais. Quando chegamos ao banheiro, solto sua mão e ela abre a torneira e joga água na nuca. Não sei o que dizer até que Mary exclama:
    - Ai maluquinha…
    - Eu sei…
    - Ai que calor, Regina...
    - Normal.
    Totalmente perturbada, a decente da minha irmã me pergunta:
    - Acabo de fazer o que acho que fiz?
    - Sim.
    - Sério?
    - Confirmo. Acaba de fazer.
    - Acabo de beijar o… o… o Juan Alberto?
    - Sim. – E ao ver que não reage, acrescento - Acaba de dar um espetáculo com a tua aventura selvagem e não faltou nada. Só faltou você dizer "Saboroso!" cantando.
    Eu pisco.
    Nós duas piscamos e, logo, a atrevida diz:
   - Minha mãe… minha mãe, mas você viu aquele beijo?
    Afirmo com a cabeça. Vi, eu e metade de Jerez e, antes que eu diga alguma coisa, acrescenta:
   - Me joguei no seu colo e… e… logo ele me apertou e... e… tocou a minha bunda indecentemente, além de meter sua língua até a minha garganta! Oh Deus… Que calor! E depois ainda disse que acreditava em amor à primeira vista ou…
- …Ou te beijava outra vez. Sim… Muito novela mexicana – finalizo.
    Ou eu a abano ou ela desmaia, porque é muuuuuuuuuito, mais é muuuuuuuuuito exagerada.
    Volta a jogar água na nuca e arfa como um cachorrinho. Ainda não pode acreditar no que fez. Mas desejando que sorria, digo:
    - Acho que hoje você tirou Whale de vez da sua vida. – E, divertida, acrescento - : Esse mexicano deixou tudo muito claro.
    - Ai, maluquinha, não fique rindo.
    - Não posso evitar, Mary..
    Olhando-se no espelho, horrorizada, sussurra:
    - Esse homem vai pensar que sou uma vadia.
    - Mas, você estava dizendo que queria ser moderna?
    - Sim, mas não uma vadia – insiste chateada.
    Consciente que precisa reanimar a sua vida, olho e digo:
    - Olha, Mary, deixe que ele pense o que quiser. Você gostou do beijo?
    Não hesita e responde em menos de um segundo:
    - Sim… Não vou negar isso.
   - Pois então. Seja positiva e pense em duas coisas. A primeira, é que se livrou de Whale e, a segunda, é que um mexicano, como os atores das novelas que você gosta, te deu um beijo que tirou seus sentidos.
    Ao ouvir isso, ela sorri e eu a imito. Alguns segundos depois, me olha e diz:
    - Meu Deus, maluquinha… Como ele com tomate!
   
     As despedidas nunca me agradam e menos ainda quando são meu pai, minha irmã e minhas sobrinhas. Afastar-me deles novamente me corta o coração, mas aí esta minha Emma para me fazer sorrir e prometendo-me que vamos vê-los sempre que eu quiser.
    No aeroporto de Jerez o jato nos aguarda. Minha sobrinha está determinada a subir. Quer chocolate e a aeromoça lhe dá encantada. Mas o relógio avança e precisamos ir, então finalmente não há outra escolha senão dizer adeus.
    - Escuta moreninha, - diz meu pai enquanto me abraça: - Você está muito feliz. Eu vejo isso. Sempre gostei de Emma, desde o primeiro minuto, você sabe, certo? – Eu concordo. – Pois então, sorria e aproveite a vida e eu aproveitarei também.
    Eu faço o que meu pai diz, mas respondo:
    - Papai, é que vejo vocês muito pouco. E isto de não saber quando eu vou voltar a vê-los me mata e...
    Meu pai sorri, coloca um dedo em meus lábios e diz:
    - Eu prometi a Emma, que no próximo Natal passaremos todos juntos na Alemanha. Essa mulher te ama e não parou de me pedir até que me convenceu.
    - Sério?
    Meu sorriso se alarga e volto a abraçar meu pai. Enquanto estou em seus braços, olho para Emma, que neste momento se despede de minha irmã e sorri. Nunca imaginei que uma mulher como ela se preocuparia tanto com o meu bem estar. Porém, aí está, esta alemã quadrada que eu amo, conseguindo me fazer sorrir novamente.
    Depois que me afasto do meu pai, é minha irmã que se aproxima de mim e, com cara de patinho triste, sussurra:
    - Mas você nem se foi e eu já sinto saudades.
    Eu sorrio, a abraço e digo:
    - Oh, minha maluquinhaaaaaaaaaa, como eu te amo!
    Nós duas rimos e eu insisto:
    - Seja gentil com o mexicano. E, mesmo que você queira ser moderna, pense nas coisas antes de fazer, já que de moderna você tem muito pouco, certo?
    Minha irmã louca sorri e, mais perto do meu ouvido, sussurra:
    - Ele me pediu para acompanhá-lo a Madrid.
    - Sério? -Mary concorda com a cabeça e eu pergunto: - Quando?
    - Em três semanas. Amanhã ele irá para Barcelona e quando voltar, prometi que irei acompanhá-lo. Bem, no fundo é bom que eu vá, assim posso trazer as coisas de Grace que preciso, e fique tranquila, eu sou moderna, mas não dormirei com ele. Eu não estou assim desesperada! – Ao ver minha cara de brincadeira, acrescenta: - Ontem à noite eu comentei com papai sobre a viagem e ele aceitou bem. Além disso, ele disse que gosta do mexicano. Que é um homem que se veste pelos pés.
    Isso me faz rir. Meu pai e os seus homens que se vestem pelos pés.
    - Olha Mary, você tem certeza do que vai fazer?
    Ela sorri. Olha para onde está Juan Alberto e o resto do grupo e diz:
    - Não Regina. Mas eu preciso fazer algo louco. Nunca fui espontânea e quero experimentar algo diferente com esse homem. A nossa história vai durar o tempo que ele estiver na Espanha, mas...
    - Mary, você vai sofrer quando ele se for. Eu te conheço!
    Minha irmã balança a cabeça e com uma serenidade que ultimamente me deixa surpresa, responde:
    - Eu sei, Regina.., mas o tempo que estiver aqui quero aproveitar-lo. Estou ciente da minha situação e que eu tenho duas filhas, mas acho que algumas emoções loucas eu posso ter na vida. Portanto, vou aproveitar, nem que sejam dois dias!
    Eu sorrio, mas eu sinto muito que ela se sinta assim. Ela é muito jovem para acreditar que sua vida nunca mais será emocionante e quando eu vou dizer algo, Emma se aproxima e, me agarrando pela cintura, diz:
    - Desculpe interromper este momento, mas o piloto disse que temos de partir.
    Neste momento, se aproxima de nós o tão falado mexicano e, enquanto minha irmã e Emma se despedem, eu olho, mas antes que eu possa dizer qualquer coisa, ele diz:
    - Eu sei. Não se preocupe. Eu me encarregarei de que ela e todos fiquem bem. Certamente, a Emma já falei, mas agradeço a você por deixar-me ficar em Villa Moreninha.
    Eu não posso dizer nada.
    Eu não posso reprovar nada.
    E, sorrindo, eu bato nele com o punho no peito.
    - Já sabe cara, como eu faço se algo não me agrada. Entendido? – Advirto-o.
O ficante selvagem de Mary sorri e me dá dois beijos. Quando me separo dele, volto a abraçar meu pai, minha irmã, beijo a minha Grace que está se lamentando porque Flynn vai embora, Tá pra morrer!!! E enquanto beijo a minha pequena Lucy e volto a falar balbuciando, meu pai diz:
    - Lembre-se moreninha, quero mais netos e se vier um menino, melhor!
    - Eu prefiro outra moreninha - sussurra minha esposa.
    Eu não respondo.
    Meu rosto diz tudo.
   Ambos sorriem e eu viro os olhos enquanto coço o pescoço.
   Filhos. Mas será que não me deixaram em paz sobre esse assunto?!

3 comentários:

  1. Diz q vai ter um final por favor. ��

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    1. Dianna aqui. Ja li tres vezes e quase choro sem esse final. A prposito vc escreveu a Emma dos meus sonhos

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    2. Dianna aqui. Ja li tres vezes e quase choro sem esse final. A prposito vc escreveu a Emma dos meus sonhos

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