segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Peça- me o que Quiser, Capítulo 55

   

    Dois dias depois, começa a Oktoberfest, a festa da cerveja mais importante no mundo. Emma combinou de ir com os amigos e a família.
    Quando terminei de me vestir, olhei-me no espelho. Pareço uma camponesa 
alemã com o dirndl, que é um traje típico, composto por uma saia longa, avental, 
corpete e blusa branca. Divertida, comecei a trançar meus cabelos, olhando-me no espelho, sorrindo. Estou convencida de que Emma amará minha aparência exuberante. 
    Ouço uma batida na porta do meu quanto e Flynn entra. Está lindíssimo com um short de couro marrom, suspensórios, um gorro verde e jaqueta cinza.
    - Está pronta?
    - Como você está bonito Flynn.
    O pequeno sorri, e dou uma volta na frente dele e pergunto:
    - Pareço uma alemã vestida assim?
    - Você está linda, mas você é como eu, não tem cara de alemã.
    Nós dois rimos, nos divertindo com o que ele disse, enquanto faço outra trança.
    - Diga a sua tia que desço em menos de cinco minutos.
    O garoto sai correndo pela casa, enquanto termino com meu cabelo e ao me virar, me surpreendendo ao ver Emma, encostada na porta.
    Me olha... E logo diz com um sorriso torto:
    - Não sei o que você faz, mas está sempre linda. 
    Fico com a boca ressecada.
    Meu Deus, como é maravilhosa minha esposa!
    Maravilhosa, linda, preciosa, impressionante e surpreendente!
    De trança tiara e Dirndl com corpete creme, está perfeita. Não imaginei que Emma, vestida assim de bávaro ficaria tão angelical e ao mesmo tempo, sexy. Me perco admirando-a e quando volto ao meu raciocínio, me aproximo, dou uma voltinha e quando olho para Emma suas mãos já estão na minha cintura e ela me beija possessivamente. 
    Ah sim... Eu amo essa intensidade.
    Arrepiada, eu agarro seu pescoço, pulando em seu colo, lhe cercando com 
minhas pernas, e digo:
    - Se continuar me beijando, vou fechar a porta e iremos fazer uma festinha 
particular aqui no nosso quarto.
    - Eu gosto muito da idéia, meu amor.
    Novos beijos...
    Mais intensidade...
    - Mas, o que vocês estão fazendo? Flynn nos surpreende – Parem de se beijar e vamos à festa. Todos nos esperam.
    Nos olhamos e sorrimos.
E vendo que o pequeno está com os braços cruzados, parado na porta, esperando a nossa saída, Emma me coloca no chão e sussurra:
    - Isto não termina aqui.
    Me divertindo, desço e corro atrás de Flynn, enquanto sei que Emma sorri e 
caminha atrás de mim.
    Laura e Graciela nos esperam e estão realmente lindas com seus trajes 
bávaros. Uma vez que estamos prontos, nos despedimos de Simona, que se nega 
a nos acompanhar, e vamos para o carro.

     Norbert nos deixa o mais perto possível da Esplanada Theresienwiese, palco para a grande festa. O tumulto é incrível, e surpresa, pergunto a Emma:
    - Você acredita que isso me lembra a Feira de Abril de Servilla? Estou prestes 
a gritar “Olé... Toureiro!                          Emma sorri e eu acrescento:
- Isso mesmo, aqui vocês se vestem de bávaros e bebem cerveja e lá vamos 
vestidos de flamencos e bebemos rebujito.
    Minha icewoman feliz me dá um beijo na cabeça, enquanto centenas de alemães e estrangeiros vestidos de todas as maneiras possíveis se divertem com música e litros e mais litros de cerveja.
    Emma segura a minha mão com força e com a outra segura Flynn. 
    Não querendo perder nenhum dos dois, e olhando para Laura e Graciela, diz:
    - Sigam-me.
    Caminhamos entre as pessoas e percebo que os estandes têm nomes de 
marca de cerveja. Em uma delas, o segurança que está na porta, ao ver Emma, nos deixa passar. A música soa. As pessoas cantam, dançam e bebem. É tudo tão bom. Que legal! Emma pára, olha ao seu redor e quando localiza o que deseja continuamos caminhando.
    - Isto aqui está lotado! – grito
    Ela balança a cabeça e diz:
    - Relaxa, nós temos nosso espaço reservado todos os anos.
    Ao fundo, no meio do tumulto, vejo Maura e Cora, com o pequeno Logan nos 
braços, enquanto Marta e Jane dançam.
    - Você veio? – grita Cora ao ver seu neto.
    Ela o abraça, enquanto Flynn começa a brincar com Logan, e ele sorri.
    Maura feliz ao me ver, olha para mim e exclama:
   - Mulher.. Qualquer roupa que você usa lhe cai bem.
    Eu sorrio maliciosamente, me aproximo dela e respondo:
   - Sim, e mais do que eu, está Emma. Você já viu como ela está maravilhosa? 
    Minha amiga olha para ela de cima abaixo e diz:
    - É verdade, está sim, Emma está muito bem, mas a minha Jane também está muito linda e bem... bem... bonita é aquela que esta vindo, e está 
acompanhada.
    Sigo a direção que seu dedo aponta e vejo Helena, em todo seu esplendor, de braço dado com uma “poodle” e com uma loira no outro. As pessoas 
olham para elas. A tal Bianca é muito conhecida por ser apresentadora de tv e logo todos a rodeiam para lhe pedir autógrafos.
    Me aproximo e vejo que a outra loira é Diana. Helena consegue retirar sua garota das garras de seus fãs e quando chega até nós, dá um beijo nela, tentando ser amável com a apresentadora.
    - Olá Bianca.
    Ela me olha de cima abaixo e depois diz:
    - Perdão, não recordo seu nome, como se chama?
    - Regina.
    - Ah sim, certo. - e voltando-se para a sua amiga, diz : - Esta é Regina.
    Diana concorda. Já nos conhecemos, e se aproximando de mim diz: 
    - É um prazer revê-la, Regina.
    Meu estômago se contrai ao relembrar o que esta mulher fez comigo na noite 
de swingers e respondo:
    - Também é um prazer revê-la.
    De repente, ouço que a “poodle antipática” exclama:
    -Emma, que alegria voltar a vê-la! Venha, que quero te apresentar a Diana.
    Filha da puta essa poodle.
    Não se lembra do meu nome, mas se lembra do de Emma?
    Se eu já não gostava dela, agora gosto menos ainda.
    Como se estivesse lendo a minha mente, minha esposa cumprimenta ela e 
Diana, mas logo em seguida vem a mim. Sabe o que penso. Então, me levantando 
em seus braços, diante de todos, diz:
    - Pessoal, essa é a primeira Oktoberfest de Regina na Alemanha, e gostaria que fizéssemos um brinde a ela.
    Nesse momento, todos os alemães, conhecidos e desconhecidos, que estão 
ao nosso redor, levantam suas imensas canecas de cerveja e dão um grito de guerra, brindando por mim. Eu sorrio e Emma me beija. 
    Lá se foi meu aborrecimento.
    Flynn quer ir aos brinquedos, Marta e eu nos oferecemos para acompanhá-lo. 
    Preciso de um pouco de ar.
    Quando saímos da tenda, a multidão nos absorve. Marta olha para mim e diz 
para eu não me preocupar e vou atrás dela. Quando chegamos a uma das atrações para crianças, Flynn sobe no brinquedo encantado, Marta e eu esperamos.
    - Meu Deus, o que eles estão cantando. – Eu aponto para algumas pessoas 
bêbadas.
    Marta sorri e responde:
    -Tem pinta de ser ingleses. Saber o que estão cantando é seu problema? – eu 
nego com a cabeça e Marta me diz sorrindo: Claro que estão tentando acompanhar na cerveja algum alemão só que não sabem que a cerveja que é servida nessa festa é muito mais forte que a habitual – Eu começo a gargalhar – E a menor caneca tem um litro, o que você espera?
    Rindo, aguardamos que Flynn acabe e, quando isso acontece, corremos para 
outra atração. Quando voltamos para a tenda, Emma pisca para mim e Maura puxa minha mão e me faz subir em uma das mesas para cantar um típica canção alemã. 
    Me divertindo, acompanho.  Curiosamente eu sei a canção, e Emma sorri junto com a sua mãe. 
    Quando desço da mesa, um homem vem até mim e me ajuda. Ele me pega 
pela cintura e, quando estou no chão, ainda me segurando diz:
    - Você sabe que é uma mulher muito bonita?
    Eu sorrio, agradeço e volto para perto do meu grupo, mas quando me aproximo 
paro e sinto uma fúria subir pelo meu corpo até meus olhos, ao ver Amanda na 
frente de Emma.
    O que Amanda faz aqui?
    Odeio essa mulher!
    Meu pescoço pinica. Eu coço e xingo em espanhol, a fim de que ninguém me entenda.
    De repente, ela me vê. Emma, ao ver seu gesto incômodo, vira e me avista também. Irritada, dou a volta e encontro o homem que segundos antes me elogiava e de repente percebo que estou encurralada.
    - Olá de novo, linda.
    Eu não respondo e ele insiste:
    - Deixe-me lhe comprar uma cerveja?
    - Não, obrigada.
    Dou a volta. Estou com raiva, muita raiva, quando sinto que alguém me agarra pela cintura.  Maldito bêbado. Me inclino e lanço a curva do cotovelo para trás, tentando empurrá-lo para longe de mim com todas as minhas forças. Ouço um protesto, e quando viro meu coração para, ao ver Emma encolhida, que me olha e rosna:
    - Mas o que é isso?
    Sua reação me diz que a machuquei.
    Meu Deus, como sou bruta!
    Eu congelo. Ela se recupera, pega a minha mão com força, e sem me soltar me leva para o outro lado da tenda. Quando chegamos diz com raiva:
    - O que houve para você me dar aquela cotovelada?
Vou responder, mas ela impede e imediatamente continua:
    - Se é por causa da Amanda, ela é alemã e tem direito de vir à festa. E antes que você siga bufando por aí, ou dando cotoveladas, deixe-me dizer que ela não tem se insinuado, nem me ligado e nem feito nada que você tenha que se 
preocupar, porque ela valoriza o emprego e não quero que nos cause problemas. 
Ela no mesmo instante entendeu. E Você entende?
    Não quero dizer nada.
    Me recuso.
    Não vou responder. Ainda estou com raiva por tê-la visto.
    Emma espera... espera... espera e quando vejo que a desespero solto:
    - Ok, entendi.
    Ela relaxa. Acaricia meu cabelo e sussurra:
    - Amor, só você me importa.
    Vai me beijar, mas eu viro.
    -Você acabou de fazer a cobra, Sra. Swan?
    Seu gesto, sua voz, sua risada, conseguem que eu finalmente sorria e responda:
    - Tenha cuidado, ou vou fazer a víbora, entendido?
    Emma solta uma gargalhada, me abraça e retornamos para junto dos nossos amigos, quando fico sem palavras ao ver Graciela sentada no colo de  Laura enquanto ela a segura e a beija. Ah... Acho que essas duas voltaram a beber a cerveja Los Leones. 
    Ao vê-las, Emma olha para mim e sussurra:
    - Todos estão beijando, menos eu.
     Sua ironia me diverte e, voltando para ela, me agarro em seu pescoço, numa 
atitude possessiva e, olhando em seus olhos lhe peço:
   - Beije-me, sua boba.
    Ela não pensa. Me beija na frente de todos e sua mãe é a primeira a fazer um 
brinde e beber um gole de cerveja.
    Não vejo mais Amanda. Ela se foi.

    Tarde da noite, a festa continua. Helena sai com suas amigas e Marta com Artur. Maura e Jane se vão com o pequeno Logan, que está cansado, Laura e Graciela querem ir para casa. Elas estão com pressa e eu sorrio ao ver o rosto da chilena.
    Emma, sem perguntar, liga para Norbert pelo celular e marcamos no mesmo lugar onde nos deixou. Cinco minutos mais tarde, Laura e Graciela, acompanhados por Cora e Flynn desaparecem, e Emma sussurra em meu ouvido: 
    - Acho que esta noite alguém terá uma noite muito boa em nossa casa.
    Ela me faz sorrir.
    Finalmente, as duas vão dar prazer uma a outra e, se tudo der certo, talvez se deem uma chance.
    Durante uma hora, Emma e eu ficamos nos divertindo, até que o telefone vibra, 
depois de ler a mensagem me diz: 
    - É Helena.
    Nossos olhos se encontram.   Nos encaramos durante alguns segundo e ela 
acrescenta:
    - Ela está em um local chamado Sensations e está perguntando se queremos ir.
    Meu corpo esquenta. Sexo. E vejo como minha menina travessa curva o canto direito de sua linda boca e diz: 
    - Só iremos se você quiser.
    Ufa, que calor!
    Estava quente por tanta bebida, agora queimo.
    Eu bebo minha cerveja enquanto Emma me observa.   Estou nervosa e finalmente pergunto: 
    - As mulheres que a estavam acompanhando estarão lá?
    Emma me olha. Ela sentiu que a poodle e eu somos incompatíveis e responde:
    - Só Diana.
    Saber que a poodle não vai me faz sorrir e, em seguida, fico curiosa para saber se as três predadoras vão jogar comigo. Emma, Helena e Diana. Eu gosto da idéia.
    Meu coração acelera e Emma, sentindo o que eu penso, murmura elevando mais ainda meu calor:
    - Quero te oferecer. Quero te foder e te olhar.
    Sim...
    Sim...
    Sim...
    E finalmente respondo com um sussurro, olhando em seus olhos:
    - Eu quero Emma. Eu quero muito.
    Minha meninona sorri. Digita algo no celular e, segundos depois, diz levantando:   
    - Vamos.
    Eu lhe seguiria até o fim do mundo, enquanto meu corpo está acelerado e minha mente só pensa em sexo!

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Peça-me o que Quiser, Capítulo 54

   
    Os dias passam, Laura e Graciela não avançam.
    Estão me cansando.
    Helena convida Graciela para jantar, ela aceita e Laura não diz nada.
    Mas esta mexicana não tem sangue nas veias?
    No dia seguinte pergunto à Graciela sobre seu encontro e, encantada, conta que Helena se comportou muitíssimo. Zero sexo.
    Honestamente, não estou surpresa. Se há algo sobre Helena, além de ser 
maravilhosa, é que ela é uma uma mulher super "cavalheira" e uma boa amiga de seus 
amigo.
    A escola de Flynn começa.  No seu primeiro dia de aula está nervoso. Durante 
o caminho, Norbert e eu sorrimos ao vê-lo tão feliz. Ele carrega em sua mochila a 
lembrança que fez para a sua amiga especial Luna, está ansioso para entregar- lhe.
    Mas sua expressão não é mais a mesma quando vamos buscá-lo à tarde. 
    Está triste e aflito.
    - O que houve? - Eu pergunto.
    Com lágrimas nos olhos, meu pequeno coreano-alemão me olha e murmura, 
ainda com o presente envolto nas mãos:
    - Luna não está mais na escola.
    - Por quê?
    - Ariadna me disse que seus pais mudaram de cidade.
    Oh, meu menino. Sua primeira decepção amorosa.
    Que pena. Porque o amor é sempre tão complicado?
    Eu o abraço e ele se deixa abraçar enquanto Norbert dirige. Eu beijo sua 
cabecinha morena e, tentando encontrar as melhores palavras que meu pai me diria, consigo dizer:
    - Ouça Flynn, entendo que você está triste por não ver Luna, mas tem que 
ser positivo e pensar que ela, embora não esteja nesta escola, está bem. Ou 
prefere que ela esteja mal?
    O garoto me olha, nega com a cabeça e diz:
    - Mas eu não vou vê-la novamente.
    - Isto nunca se sabe. A vida dá muitas voltas e, talvez um dia volte a  reencontrar sua amiga.
    Meu pequeno não responde e, tentando fazê-lo sorrir, proponho:
    - O que você acha de ir comprar alguns presentes para sua tia Emma? Sábado é seu 
aniversário.
    Concorda. Rapidamente, indico a Norbert que desvie e nos leve a uma joalheria, onde eu sei que há um colar que minha mulher gostará. Custa o valor de um terreno, mas hoje nós podemos nos permitir!
    Quando entramos na joalheria, a mim não conhecem, mas a Flynn e a
Norbert sim, e quando eu digo que sou a Senhora Swan, só faltam estender um tapete vermelho e jogar pétalas a meus pés.
    Que forte! O que o dinheiro não faz.
    Depois de comprar o colar e uma pulseira fina de ouro branco que Flynn 
escolheu para sua tia, deixo que empacotem tudo para presente e me entristeço ao
ver a carinha de meu sobrinho.  Eu não gosto de vê-lo tão triste, principalmente depois do último mês em que esteve tão feliz. Quando chegamos ao carro, tento fazê-lo sorrir.
    - Você sabe que, dentro de dois finais de semana participarei de uma corrida 
de motocross com jurgen?
    - Viva! Sim?
    Concordo e pergunto:
    - Você quer ser meu assistente?
    O garoto acena com a cabeça, mas não sorri e eu insisto:
    - O que você acha se começarmos no próximo fim de semana suas aulas com 
a moto?
    Sua expressão muda e os olhos se iluminam.
    Desde antes de nosso casamento, o pequeno queria aprender a andar de 
moto, por isso pedi a meu pai que aproveitasse o verão e o ensinasse primeiro a 
andar de bicicleta. Isto me facilitaria a tarefa.
    Eu penso em Emma e me treme a carne. Eu sei que essas aulas vão me 
trazer mais dor de cabeça, mas também sei que Emma finalmente aceitará. Minha  
meninona prometeu mudar sua atitude e tem demonstrado isso.
    Flynn começa a fazer perguntas sobre a moto. Eu respondo da melhor forma 
possível, até que me olha e diz:
    - Tia Emma vai ficar brava, certo?
    Desdenhando do fato, beijo-o na cabeça e respondo, convencida de que tem 
razão:
   - Fique tranquilo. Eu prometo que vou convencê-la.
    Mas Flynn e eu estávamos certos. Naquela tarde, quando Laura e Graciela
saem para resolver alguns assuntos de sua empresa, eu falo com Emma sobre o 
assunto e ela fica extremamente brava.
    - E por que você tem que lembrá-lo? – Ela diz do outro lado da mesa de seu 
escritório.
    - Ouça Emma. - Respondo olhando a estante com as suas armas. - Flynn estava
destruído pela perda de Luna e eu pensei ...
    - Você decidiu trocar Luna por uma moto, certo?
    Eu olho. Ela me olha.
    Desafiamos-nos como sempre com o olhar e acrescento:
    - Antes do casamento você prometeu a ele que aprenderia a andar de moto.
    - Eu sei o que eu prometi, Regina. Eu não entendo é porque você teve que lembrá-lo.
    Ela tem razão. Como sempre, eu tenho sido muito impulsiva. Não penso nas coisas e faço logo. Porém, como não aprendo a lição, eu acrescento:
    - Ele me perguntou também. Dentro de dois finais de semana participarei com 
Jurgen de uma corrida e...
    - O que você vai fazer?
    Oh... oh... Mau momento.
    Franze o cenho e noto que fica tensa. Porém disposta que ela cumpra o que 
prometeu um dia, esclareço:
    - Eu já falei. Você sabe há um mês. Eu lhe disse que Jurgen me avisou desta corrida e você mesma disse que estava tudo bem. Por que então você ordenou que trouxessem a minha moto em seu avião?
    Espantada, me olha e pergunta:
    - Eu ordenei?
    - Sim. E se você tem menos memória que Doris, a amiga de Nemo, não é problema meu! - E antes que diga algo mais, eu acrescento: - Mas, bem, isso não importa agora, o que importa é falar de Flynn.
    Emma me olha com o cenho franzido.
    - Começando o ano letivo, não quero que se distraia dos estudos. Deixe as aulas de moto para a primavera.
    - Como?
    - Regina pelo amor de Deus. Flynn não se preocupa em aprender agora ou daqui 
um tempo.
    - Mas eu prometi que...
    - O que você prometeu não é assunto meu. - Me corta secamente. - Além disso, a moto de Hannah ou a sua são muito altas para ele. Teria que comprar uma adequada para uma criança.
    - Bommm... - Bufo.
    Eu aprendi com a moto do meu pai e aqui estou, inteirinha!
    - Olhe Regi, é claro que ele aprenderá a andar de moto, mas agora não é o 
momento.
    - Agora é sim
    Tensão...
    Muita tensão.
    - Regina... - Sussurra.
    Sem enfurecer, respondo:
    - Emma...
    Fazia um tempo que não sentia essa sensação. Ela me olha com seus olhos 
gelados de Icewoman e meu estômago se contrai. Deus, como ela me deixa! E 
quando vou dizer que não quero discutir, o telefone toca.    Emma o pega, faz um sinal 
para mim e eu entendo que é trabalho.
    Espero cinco minutos para retomar a conversa, mas ao ver que aquilo se arrasta, eu decido sair do escritório e ir para a cozinha tomar alguma coisa. Quando entro, encontro Flynn sentado. Voltou a estar abatido. Ainda mantém o pacotinho para Luna e, ao me ver olha e diz:
    - Eu não quero que você e minha tia briguem.
    - Está tudo bem, querido.
    - Mas eu ouvi que minha tia está brava.
    - Ela está irritada porque a recordei que vou participar de uma corrida de motos, não porque você vai aprender. - Eu minto, e ao ver sua carinha, insisto: - Está tudo bem querido, acredite.
    - Sim, sim vai passar. Eu a deixarei com raiva e você irá embora.
    Ao ouvir isto sorrio. Meu smurf mal-humorado me ama e isto me enche o 
coração. Então, me sento em uma cadeira ao seu lado, e faço que me olhe.
    - Olhe Flyn, sua tia e eu nos amamos muito, porém somos muito diferentes em tantas coisas que será muito difícil não discutir. Porém, ainda que briguemos, isto não quer dizer que eu vou embora, porque para eu ir embora e deixar você e ela, tem que acontecer algo muito... muito... muito grave, e isto eu não vou permitir que aconteça, certo?
    O menino concorda. Pego-o pela mão e faço que se sente sobre minhas pernas. Ainda que me surpreenda conseguir essa proximidade, quando me abraça e apoia sua cabecinha em meu ombro, murmuro:
    - Eu amo seus abraços, sabia?
    Noto que sorri e, por mais de cinco minutos continuamos assim, sem falar ou 
mover-nos, até que ele me olhando outra vez, diz:
    - E eu amo que você more conosco.
    Nós dois rimos e, voltando a me surpreender, ele acrescenta, pegando minha 
mão:
    - Já que Luna se foi, eu quero dar o presente para você.
    - Você tem certeza?
    Flynn concorda e eu pego o presente.
    Abro o papel e sorrio ao ver uma pulseirinha feita a mão com as peças do jogo Bratz de minha sobrinha, que curiosamente, é da minha cor favorita: lilás!
    - Ela é linda, eu adorei!
    - Você gostou?
    - Claro que eu gostei. - E, colocando, estendo a mão e pergunto: - O que você 
acha?
    - Fica muito bem em você. Além disso, fiz da sua cor favorita.
    - Como você sabe?
    - Grace me disse e lembro que um dia a tia Emma também comentou.
    Saber disto me faz sorrir e dando-lhe um beijo, sussurro:
    - Obrigada querido. Eu amei o presente.
    - Não discuta com minha tia por mim.
    - Flynn...
    Prometa-me. - Insiste.
    Ansiosa para que volte a sorrir, eu coloco o meu polegar junto ao seu e afirmo:
    - Eu prometo.
    Ele me abraça com força.   Tão forte que até me dói os ombros, mas eu não 
me queixo e, disposta a que esse menino seja feliz, sim ou sim, fazendo cócegas 
digo:
    - Eu vou te encher de beijos, sabia?
    Ele solta uma gargalhada e eu, encantada, rio muito, até que de repente nós
dois estamos cientes de que Emma está na porta. Nos olha. Seu olhar, como sempre
me impacta. Ela se aproxima de nós, se agacha para estar a nossa altura, e diz:
    - Ponto um: - Isto me faz sorrir - Regina não vai sair de nosso lado nunca, 
entendido? - O menino concorda e Emma continua: - Ponto dois: vamos comprar uma moto para um menino da sua idade, para que você possa começar as aulas com a Regi. E ponto três: o que você acha de irmos às compras agora para que Regina seja a
mais linda da Oktoberfest?
    Flynn pisca, se atira aos braços de sua tia e então sai correndo da cozinha. 
    Eu ainda não entendo nada.    O que aconteceu? Eu não me movo, enquanto meu
louco amor ajoelhada diante de mim, sussurra:
    - Muito... muito... muito... muito grave tem que ser o que aconteça entre você 
e eu para que te deixe ir embora, entendido pequena?
    Ao ouvir isso, sorrio e pergunto:
    - Você ouviu a conversa, correto?
    Emma concorda e, trazendo sua boca a minha, sussurra:
    - Eu ouvi o suficiente para saber que meu sobrinho e eu somos loucos por 
você e já não sabemos mais viver sem a nossa moreninha.
    Me desarma...
    Suas palavras derrubam todas as minhas defesas...
    Eu a beijo e ela gostando, corresponde. Desejo ela desesperadamente e 
quando minhas mãos a agarram com mais paixão, Emma me para e diz:
    - Embora o que eu mais quero no mundo neste momento é tirar sua roupa e 
fazê-la minha mil vezes, agora não dá.
    Eu protesto.
    Ela sorri e diz ao ver a minha cara:
    - Flynn vai voltar em breve para irmos às compras.
    - Compras, onde?
    Uma vez que levantamos as duas, minha mulher me beija... me beija... me beija, e quando eu perco o sentido inteiramente, diz, dando-me um empurrãozinho na bunda:
    - Vamos, devemos comprar algo muito bonito para a grande festa de Munique.
    Horas mais tarde, em uma loja típica nos encontramos com Laura e Graciela. 
    Quando nos vê, vêm ao nosso encontro e me divirto comprando trajes típicos 
bávaros.
    Nós vamos para a festa!