Capítulo 13
Minha chefe fica furiosa quando Emma
avisa que vou acompanhá-la em sua viagem às sucursais. Killian se sente
aliviado por não ser ele. Minha chefe tenta convencer Emma de mil maneiras a
não me levar junto com ela. Argumenta, por exemplo, que não tenho experiência e
estou há pouco tempo na empresa, mas acaba desistindo. Emma é quem manda, e ela
tem de acatar. Bem feito!
Ligo para meu pai na quarta-feira e explico que vou adiar minhas férias por causa da viagem. Ele aceita numa boa e me incentiva a fazer um bom trabalho. Se ele soubesse o que está por trás dessa história, me trancaria bem trancada para me impedir de sair. Minha irmã, ao contrário, fica irritada comigo. Para ela, estar longe de Madri por várias semanas é uma falta de consideração da minha parte. Com quem ela vai desabafar?
Na quinta-feira, Emma passa para me buscar com seu motorista às seis da manhã. Viajamos em seu jatinho particular, e eu fico chocada com tanto luxo. Acho que acabamos de sair da cidade. Olho para tudo com tanta curiosidade que tenho a impressão de que Emma está se esforçando para não rir.
Quando chegamos a Barcelona, um carro nos pega no aeroporto de Prat e nos leva ao hotel Arts. Que vida dura! É só o melhor da cidade!
Nos hospedamos no último andar em duas suítes.
Ela cumpriu sua promessa: quartos separados. Quando a porta se fecha atrás de mim e eu me vejo no meio daquele cômodo imenso, olho a meu redor. Tudo é grande, espaçoso. E o melhor de tudo: há uns janelões que me permitem apreciar o mar.
Animada com o luxo que me cerca, largo minha mala e me aproximo da janela. Incrível! Após curtir a paisagem por alguns minutos, começo a bisbilhotar e a mexer nas coisas. Abro o frigobar e vejo chocolate. Devoro alguns. Quando descubro a parte do quarto onde fica a cama, não contenho meu espanto. É maravilhosa! Janelões que dão para o mar, e roupa de cama violeta combinando com um divã lindo. A cama é enorme e eu me jogo nela. Como é macia! O banheiro é outra maravilha. Madeira clara e uma banheira rodeada de espelhos. Uau!
Quando saio do banheiro, o telefone toca. É Emma.
— E aí, gostou da suíte?
— Adorei. Enorme. Cinco vezes maior que a minha casa — brinco. Escuto seu riso do outro lado da linha.
— Em meia hora te espero na recepção — avisa. — Não esquece os documentos.
Chego à recepção pontualmente e vejo Emma conversando com uma mulher. Alta, glamorosa e loura. Louríssima. Quando ela me vê, faz sinal para que me junte a elas e nos apresenta uma à outra:
— Amanda, esta é minha secretária, a senhorita Mills. A tal Amanda me olha de cima a baixo e isso me deixa intrigada, mas, num gesto de profissionalismo, apertamos as mãos e Emma acrescenta em alemão:
— Senhorita Mills, a senhorita Fisher veio de Berlim. Ela vai passar uns dias conosco. Amanda é a encarregada de verificar se podemos lançar nosso medicamento no Reino Unido.
Sorri enquanto a loura de pernas compridas concorda com a cabeça. Mas percebo algo estranho em seu olhar. Não sei o que é, mas não me agrada. Um homem se aproxima e nos informa que nosso carro nos espera lá fora. Caminhamos as três até uma enorme limusine preta. Emma senta ao lado da mulher e se esquece de mim. Fico inquieta. Mas o que mais me incomoda é perceber que entre elas houve ou há alguma coisa. Os olhares da loura revelam isso. De qualquer forma, como sou muito profissional, mantenho a compostura enquanto olho pela janela e tento pensar em outra coisa. Quando chegamos aos escritórios centrais de Barcelona, somos recebidos pelo chefe da sucursal, Xavi Dumas. Assim que me vê, sorri para mim e logo cumprimenta a chefona e Amanda.
— Oi, Regina — dirige-se a mim, em seguida. — Que bom te ver de novo!
— Digo o mesmo, senhor Dumas.
Em seguida, sua secretária Laura me cumprimenta.
— Regi, por que não me disse que viria?
— Porque até ontem eu não sabia que precisaria vir — respondo e lhe dou um abraço. Com expressão divertida, Laura observa Emma e logo me olha com malícia.
— Com a chefona alemã... Está podendo, hein?!
Nós duas rimos, mas logo nos dirigimos até uma salinha que ela nos indica.
Instantes depois, vários diretores, entre eles Emma e Amanda, entram nessa parte do escritório. É uma sala retangular com painéis escuros e uma parede de vidro que dá para uma mata. No centro da sala há uma mesa comprida com várias cadeiras e, num dos lados, várias mesinhas menores. Sento numa dessas mesinhas, e Emma presidirá a reunião bem na minha frente. Seu olhar implacável me faz lembrar o apelido que Killian colocou nela: Icewoman. A lembrança me faz sorrir.
A reunião começa e Laura, avisada por seu chefe, levanta do meu lado e senta na mesa maior. Seu chefe quer que ela traduza para a tal Amanda tudo o que ele for dizendo. Presto atenção ao que eles dizem e observo que Laura é uma ótima tradutora. Mas ocorre algo que me surpreende. Em dado momento, o senhor Dumas menciona o pai de Emma e esta, muito séria, mas também muito educadamente, lhe pede que não volte a citá-lo. O que será que houve entre o pai e a filha?
Uma hora depois, no meio da reunião, recebo uma mensagem no meu notebook.
Ligo para meu pai na quarta-feira e explico que vou adiar minhas férias por causa da viagem. Ele aceita numa boa e me incentiva a fazer um bom trabalho. Se ele soubesse o que está por trás dessa história, me trancaria bem trancada para me impedir de sair. Minha irmã, ao contrário, fica irritada comigo. Para ela, estar longe de Madri por várias semanas é uma falta de consideração da minha parte. Com quem ela vai desabafar?
Na quinta-feira, Emma passa para me buscar com seu motorista às seis da manhã. Viajamos em seu jatinho particular, e eu fico chocada com tanto luxo. Acho que acabamos de sair da cidade. Olho para tudo com tanta curiosidade que tenho a impressão de que Emma está se esforçando para não rir.
Quando chegamos a Barcelona, um carro nos pega no aeroporto de Prat e nos leva ao hotel Arts. Que vida dura! É só o melhor da cidade!
Nos hospedamos no último andar em duas suítes.
Ela cumpriu sua promessa: quartos separados. Quando a porta se fecha atrás de mim e eu me vejo no meio daquele cômodo imenso, olho a meu redor. Tudo é grande, espaçoso. E o melhor de tudo: há uns janelões que me permitem apreciar o mar.
Animada com o luxo que me cerca, largo minha mala e me aproximo da janela. Incrível! Após curtir a paisagem por alguns minutos, começo a bisbilhotar e a mexer nas coisas. Abro o frigobar e vejo chocolate. Devoro alguns. Quando descubro a parte do quarto onde fica a cama, não contenho meu espanto. É maravilhosa! Janelões que dão para o mar, e roupa de cama violeta combinando com um divã lindo. A cama é enorme e eu me jogo nela. Como é macia! O banheiro é outra maravilha. Madeira clara e uma banheira rodeada de espelhos. Uau!
Quando saio do banheiro, o telefone toca. É Emma.
— E aí, gostou da suíte?
— Adorei. Enorme. Cinco vezes maior que a minha casa — brinco. Escuto seu riso do outro lado da linha.
— Em meia hora te espero na recepção — avisa. — Não esquece os documentos.
Chego à recepção pontualmente e vejo Emma conversando com uma mulher. Alta, glamorosa e loura. Louríssima. Quando ela me vê, faz sinal para que me junte a elas e nos apresenta uma à outra:
— Amanda, esta é minha secretária, a senhorita Mills. A tal Amanda me olha de cima a baixo e isso me deixa intrigada, mas, num gesto de profissionalismo, apertamos as mãos e Emma acrescenta em alemão:
— Senhorita Mills, a senhorita Fisher veio de Berlim. Ela vai passar uns dias conosco. Amanda é a encarregada de verificar se podemos lançar nosso medicamento no Reino Unido.
Sorri enquanto a loura de pernas compridas concorda com a cabeça. Mas percebo algo estranho em seu olhar. Não sei o que é, mas não me agrada. Um homem se aproxima e nos informa que nosso carro nos espera lá fora. Caminhamos as três até uma enorme limusine preta. Emma senta ao lado da mulher e se esquece de mim. Fico inquieta. Mas o que mais me incomoda é perceber que entre elas houve ou há alguma coisa. Os olhares da loura revelam isso. De qualquer forma, como sou muito profissional, mantenho a compostura enquanto olho pela janela e tento pensar em outra coisa. Quando chegamos aos escritórios centrais de Barcelona, somos recebidos pelo chefe da sucursal, Xavi Dumas. Assim que me vê, sorri para mim e logo cumprimenta a chefona e Amanda.
— Oi, Regina — dirige-se a mim, em seguida. — Que bom te ver de novo!
— Digo o mesmo, senhor Dumas.
Em seguida, sua secretária Laura me cumprimenta.
— Regi, por que não me disse que viria?
— Porque até ontem eu não sabia que precisaria vir — respondo e lhe dou um abraço. Com expressão divertida, Laura observa Emma e logo me olha com malícia.
— Com a chefona alemã... Está podendo, hein?!
Nós duas rimos, mas logo nos dirigimos até uma salinha que ela nos indica.
Instantes depois, vários diretores, entre eles Emma e Amanda, entram nessa parte do escritório. É uma sala retangular com painéis escuros e uma parede de vidro que dá para uma mata. No centro da sala há uma mesa comprida com várias cadeiras e, num dos lados, várias mesinhas menores. Sento numa dessas mesinhas, e Emma presidirá a reunião bem na minha frente. Seu olhar implacável me faz lembrar o apelido que Killian colocou nela: Icewoman. A lembrança me faz sorrir.
A reunião começa e Laura, avisada por seu chefe, levanta do meu lado e senta na mesa maior. Seu chefe quer que ela traduza para a tal Amanda tudo o que ele for dizendo. Presto atenção ao que eles dizem e observo que Laura é uma ótima tradutora. Mas ocorre algo que me surpreende. Em dado momento, o senhor Dumas menciona o pai de Emma e esta, muito séria, mas também muito educadamente, lhe pede que não volte a citá-lo. O que será que houve entre o pai e a filha?
Uma hora depois, no meio da reunião, recebo uma mensagem no meu notebook.
De: Emma Swan
5 de julho de 2012 10:38
Para: Regina Mills
Assunto: Sua boca Cara senhorita Mills, está acontecendo alguma coisa com a senhorita? Sua boca a denuncia.
PS: A senhorita é a mulher mais sexy da reunião.
Emma Swan.
Sem mover a cabeça, eu a observo de
relance. Que cara de pau! Está me ignorando desde que apareci na recepção do
hotel e agora vem com essa. Então decido responder.
De: Regina Mills
5 de julho de 2012 10:39
Para: Emma Swan
Assunto: Estou trabalhando Prezada senhora Swam, eu lhe agradeceria se a senhora me deixasse trabalhar.
Regina Mills.
Sei que ela recebeu a mensagem. Vejo-a
olhando com interesse para a tela do computador e percebo que muda de cara. Ao
fim de poucos segundos, digita de novo e eu recebo outro e-mail.
De: Emma Swan
5 de julho de 2012 10:41
Para: Regina Mills
Assunto: Irritada?
Suas palavras me desconcertam. Está irritada com alguma coisa?
De: Emma Swan
5 de julho de 2012 10:41
Para: Regina Mills
Assunto: Irritada?
Suas palavras me desconcertam. Está irritada com alguma coisa?
PS: Essa roupa fica maravilhosa na
senhorita.
Emma Swan.
Emma Swan.
Desconfortável, me mexo na cadeira.
Será que ela percebe? Tento sorrir, constrangida, mas minha boca se recusa. Por
alguns minutos presto atenção à reunião, até que meu computador indica que
recebi uma nova mensagem.
De: Emma Swan
5 de julho de 2012 10:46
Para: Regina Mills
Assunto: A senhorita decide
Advirto-lhe, senhorita Mills, que, se a senhorita não responder minha mensagem em cinco minutos, vou parar a reunião.
PS: Está de fio dental por baixo da
saia!
Emma Swan.
Emma Swan.
Ao ler aquilo, arregalo os olhos,
assustada, mas tento manter a calma. Ela está atacada. Gosta de me provocar.
Sorrio e a encaro. Ela não sorri de volta. O tempo passa e eu relaxo. Vejo-a
olhando para o computador e imagino que está escrevendo outro e- mail para mim,
quando de repente interrompe a reunião.
— Senhores, acabo de receber uma mensagem que preciso responder imediatamente. Um contratempo. Peço-lhes desculpas. — E, levantando-se, acrescenta: — Os senhores fariam a gentileza de nos deixar a sós, eu e minha secretária, por alguns minutos? E, por favor, não quero ser interrompida por nada neste mundo. Minha secretária avisará aos senhores quando tivermos terminado.
Quero morrer.
Ela está louca?
Abro os olhos o máximo que consigo e vejo que todos os diretores pegam suas pastas e saem da sala. Laura me lança um olhar e acompanha seu chefe. A última a sair é a tal da Amanda. Olha para mim com ódio e, após dizer a Emma em alemão “Estarei lá fora”, fecha a porta atrás de si.
Ainda sentada na minha cadeira, eu a encaro sem entender nada. Emma fecha o computador, se estica em sua cadeira e crava seu olhar em mim.
— Senhorita Mills, venha cá.
Me levanto como uma flecha e, surpresa com o que ela acaba de fazer, me dirijo até ela:
— Mas... Mas por que você fez isso?
Ela olha, sorri e não responde.
— Por que parou a reunião? — insisto.
— Te dei cinco minutos.
— Mas...
— Quem parou a reunião foi você — responde.
— Eu?!
Emma faz que sim com a cabeça e, assim que paro à sua frente, pega minha mão e, ainda sentada, me coloca entre suas pernas. Logo me empurra e me faz sentar sobre a mesa. Diante dela. Excitada, olho a meu redor em busca de câmeras, mas ela diz:
— A sala não tem câmeras, mas também não tem isolamento acústico. Se você gritar, todo mundo vai saber o que está acontecendo.
Faço menção de protestar, já que a cada instante estou com mais tesão, mas Emma se aproxima de mim e faz aquilo que me deixa tão louca. Passa sua língua pelo meu lábio superior. Me olha. Depois lambe o lábio inferior, mordendo-o em seguida, até que eu abro a boca e ela enfim me beija. Suga minha boca de tal maneira que me deixa sem ar e, como sempre, perco totalmente o controle. Me deita na mesa e levanta minha saia. Suas mãos sobem devagar pelas minhas coxas até que chegam a meus quadris. Então segura minha calcinha e a arranca.
— Hummmm... Adorei que você está de fio dental.
Curto o momento e entro no jogo como uma loba.
Passo a língua pelos meus próprios lábios e quero gritar “Sim!!!”. Meu gesto a estimula e a deixa louca. Abro as pernas sem pudor, pedindo-lhe mais, e ela levanta a cabeça, sem mover o resto do corpo.
— Trouxe na bolsa o que eu disse pra você levar sempre?
Fecho os olhos e me xingo frustrada.
— Deixei no hotel.
Minha reação a faz sorrir. Me retira da mesa sem me tocar, com exceção da parte interna das minhas coxas.
— Que pena, pequena. Tenho certeza de que na próxima vez você não vai esquecer.
Olho para ela, paralisada.
Vai me deixar assim?
Me dá um tapinha no traseiro quando desço da mesa.
— Senhorita Mills, temos de seguir com a reunião. E, por favor, não a interrompa outra vez.
Sinto minhas bochechas ardendo e o desejo ainda dominando meu corpo, enquanto ela é supercontrolada. Isso me enche de raiva. Ela sabe disso. Segura minha mão e me puxa num gesto possessivo.
— Quando terminarmos a reunião, quero você nua no hotel. Por enquanto, fico com a sua calcinha.
— O quê?!
— Isso que você ouviu.
— Sem chance. Devolva.
— Não.
— Emma, por favor. Como vou ficar sem calcinha?
Ela se levanta. Sorri com malícia e dá de ombros.
— Muito simples. Ficando! — responde.
Veste minha saia em mim. Me empurra até a porta e insiste:
— Vamos. Diga a eles que entrem. A reunião é importante.
Histérica e a ponto de ter um troço, me limito a bufar.
Como isso pode estar acontecendo comigo? Por fim fecho os olhos, depois caminho com determinação até a porta e antes de abrir me viro para ela.
— Essa você me paga.
Emma continua imperturbável. Um minuto depois, retomamos a reunião e tudo volta ao normal. Tudo, exceto o fato de que estou sem calcinha.
A reunião se estende mais do que o esperado e só saímos do escritório às oito e meia da noite. Emma está com uma cara séria. A tal da Amanda é chata demais para o meu gosto: tudo o que fez foi colocar obstáculos em cada coisa que se discutia.
Entramos na limusine, com Amanda. Durante o trajeto, Emma fica protegida atrás de uma máscara de hostilidade que não me agrada, e me pede vários papéis. Eu lhe entrego. Ela e Amanda leem os documentos e falam sem parar.
Quando chegamos ao hotel, quero correr para o meu quarto e tirar a roupa, como ela pediu. Não consigo parar de pensar nisso. Emma e eu. Emma em cima de mim. Emma me possuindo. Mas ela me joga um balde de água fria quando diz:
— Senhorita Mills, quer jantar comigo e com Amanda?
Isso me paralisa. Aquela pergunta, na realidade, deveria ser: “Amanda, quer jantar comigo e com a senhorita Mills?”
Sinto a raiva se concentrando no meu estômago. Estou ardendo por dentro. Mas, desta vez, o ardor não tem nada a ver com desejo. Percebo o olhar daquela mulher sobre mim. No fundo, ela fica tão chateada quanto eu por ter que dividir a companhia de Emma com outra pessoa.
— Obrigada pelo convite, senhora Swan — respondo, disposta a não lhe dar o gostinho —, mas já tenho outros planos.
Emma faz cara de surpresa. Por seu olhar, sei que esperava qualquer resposta, menos aquela. Ela se acha! Dou boa-noite e me afasto. Sinto o olhar de Emma nas minhas costas, mas continuo andando. Quando chego ao elevador e as portas se fecham, consigo respirar. E, assim que entro no quarto, grito frustrada.
— Idiota! Você é uma idiota!
Irritada até com o ar que respiro, entro no banheiro. Olho para a banheira, mas por fim resolvo tomar uma chuveirada. Não quero pensar em Emma. Que se dane! Saio do chuveiro. Seco o cabelo e me obrigo a voltar a ser a mulher forte que sempre fui. Toca o telefone do quarto. Não atendo. Pego rapidamente meu celular. Três chamadas perdidas da minha irmã. Que mala! Decido ligar de volta outra hora e telefono para uma amiga de Barcelona. Como era de se esperar, fica animada ao saber que estou na cidade, e marcamos de nos encontrar. Desligo o celular. Ninguém vai estragar minha alegria, muito menos Emma.
Então, ansiosa para sair do quarto o quanto antes sem ser vista, coloco um vestido curto e sandálias de salto alto. Faz um calor infernal e esse vestido superleve me cai como uma luva. Quando estou pronta, pego a bolsa. Abro a porta com cuidado e espio pelo corredor. Não há ninguém e eu saio. Mas sei que Emma está na suíte ao lado e, em vez de esperar o elevador, resolvo ir pela escada. Desço cinco lances e finalmente pego o elevador.
Sorrio pela minha proeza e, quando chego à recepção e atravesso as portas do hotel Arts, quase dou pulos de alegria. Mas minha animação dura pouco. De repente me dou conta de que deixei o caminho livre para essa loba da Amanda, e o mau humor volta a tomar conta de mim.
Pego um táxi e dou o endereço. Minha amiga Katheryn está me esperando. Quando chego ao lugar combinado, logo a vejo. Está linda e rapidamente nos abraçamos sinceramente. Eu e Katheryn somos amigas de infância. Minha mãe era catalã e até o fim de sua vida íamos todo verão a Hospitalet.
— Nossa, amiga. Como você está gata! — grita ela.
Após uma sucessão de beijos, abraços e elogios mútuos, andamos até o porto. Katheryn sabe que adoro pizza e vamos a um restaurante do qual ela tem certeza de que vou gostar. Como sempre, comemos à beça, tomamos litros de Coca-Cola e fofocamos durante horas. Por volta de duas da manhã, estou cansada e quero voltar ao hotel. Nos despedimos e combinamos de nos ligar no dia seguinte.
Feliz pela noitada com Katheryn, volto ao hotel cheia de energia. Minha amiga é tão otimista e tem tanta vitalidade que estar com ela sempre me faz muito bem. Quando o táxi para na linda entrada do hotel Arts, pago ao motorista, dando boa-noite e desço sem perceber que uma limusine branca está parada à direita.
Caminho com determinação até a porta, quando ouço uma voz atrás de mim:
— Regina!
Eu me viro e o coração dispara. Dentro da limusine, pela janela, vejo o rosto petrificado de Emma, também conhecida como Icewoman. Meu estômago se contrai. O jeito como mexe a boca me revela que está irritada, e seu olhar me confirma isso. Tento não me importar, mas é impossível. Eu me importo com essa mulher. Então caminho lentamente até o carro. Noto que seus olhos me percorrem inteirinha, mas Emma não se move. Quando chego perto dela, me inclino para olhar pela janela aberta.
— Onde você estava? — pergunta grunhindo.
— Me divertindo.
Um silêncio incômodo se instala entre nós duas, até que não consigo resistir e pergunto:
— E sua noite, foi boa? Você e Amanda se divertiram?
Emma suspira. Seus olhos me fulminam.
— Você deveria ter dito onde estava — diz. — Te liguei mil vezes e...
— Senhora Swan — eu a interrompo e, num tom cordial, acrescento educadamente: — Se não me engano, a senhora me deu a opção de decidir se queria jantar com o senhora e com a senhorita Amanda... Não se lembra disso?
Não responde.
— Simplesmente decidi me divertir tanto ou mais que o senhora — continua a mulher perversa que existe em mim.
Isso a enche de raiva. Dá para ver nos seus olhos. Olho para sua mão e percebo que os nós de seus dedos estão brancos de tanta fúria. De repente, abre a porta da limusine.
— Entra — ordena.
Reflito por alguns segundos. O suficiente para deixá-la ainda mais irritada. Ao fim, decido entrar. Na verdade era tudo o que eu estava querendo. Fecho a porta. Emma me olha de um jeito desafiador e, sem tirar os olhos de mim, aperta um botão da limusine.
— Arranque.
Sinto o carro se deslocar.
— Para sua informação, senhorita Mills — acrescenta, com a mandíbula tensa —, o jantar com a senhorita Amanda foi de negócios. E, como manda o protocolo, a senhorita é a secretária e por isso era à senhorita que eu deveria convidar e não a Amanda Fisher.
Estou de acordo. Tem razão. Eu sei, mas continuo aborrecida. Em algumas ocasiões não consigo ficar quieta, e esta é uma delas. Sem querer dar o braço a torcer, respondo:
— Espero que a senhora ao menos tenha se divertido na companhia dela.
O olhar de Emma me incendeia, enquanto ela se mantém a poucos centímetros de mim, sem se aproximar. Seu perfume embriaga meus sentidos e centenas de borboletas começam a bater asas no meu estômago.
— Eu lhe garanto, acredite ou não, que eu teria aproveitado mais se estivesse na companhia da senhorita. E, antes que continue se comportando como uma menina malcriada, exijo saber com quem esteve e onde. Estou há horas esperando a senhorita voltar, sentada nesta limusine, e quero uma explicação.
Seu comentário acaba com minha indiferença.
— É sério que você ficou horas me esperando na porta do hotel?
— É.
Meu lado princesa que ainda acredita em contos de fadas tem vontade de dar pulos de alegria. Ela ficou me esperando!
— Emma, que fofo — murmuro num tom carinhoso. — Me desculpa. Eu achava que... Noto seus ombros relaxando.
— Sei... — diz, sem abandonar o jeito duro de falar. — Voltei a ser Emma, senhorita Mills? Isso me faz sorrir. Ela não move nem um músculo. Ai, minha Icewoman! E, como ela já conseguiu me atingir, chego ainda mais perto dela. Sinto a expressão do seu rosto voltando ao normal.
— Emma... desculpa.
— Não peça desculpas. Tente se comportar como um adulto. Não acho que estou pedindo muito.
Ótimo. Ela acabou de me chamar de imatura. Em outras circunstâncias, eu teria descido do carro e fechado a porta na cara dela, mas não consigo. Seu encanto já me enfeitiçou. Continua sem olhar para mim, mas eu não desisto.
— Passei o dia inteiro pensando em ficar nua para você. E quando você falou desse jantar com a Amanda eu...
Não me deixa terminar a frase. Crava seus lindos olhos em mim e me interrompe:
— Esta viagem é basicamente de trabalho. Esqueceu?
A dureza com que se dirigiu a mim rompe o encanto do momento e, com isso, também minha trégua vai por água abaixo. Minha expressão muda. Minha respiração se acelera e eu acabo colocando para fora meu temperamento espanhol.
— Sei muito bem que esta viagem é de trabalho. Deixamos isso bem claro antes de sair de Madri. Mas hoje você parou uma reunião no meio, expulsou todo mundo da sala e depois tirou minha calcinha. Você acha que sou de ferro? Ou mais um brinquedo dos seus joguinhos? — Como ela não responde, eu continuo: — Tá bom, eu aceitei a viagem. Sou a culpada por estar nesta situação contigo e...
— Agora você está de calcinha normal ou fio dental?
Olho para ela boquiaberta. Ficou louca? Surpresa com aquela pergunta, contraio as sobrancelhas e me afasto dela.
— Não te interessa o que estou usando. — Mas meu gênio ressurge dentro de mim e eu grito como uma descontrolada: — Pelo amor de Deus! Estamos aqui discutindo e você me pergunta se estou de calcinha ou fio dental?
— Sim.
Me recuso a responder, enfurecida. Tenho a sensação de que vou enlouquecer.
— Você ainda não me disse com quem saiu ontem e aonde foram.
Solto o ar bufando. Discutir com ela é muito cansativo.
Por fim, me deixo cair no encosto do assento do carro e me rendo.
— Jantei com minha amiga Katheryn no porto e estou usando uma calcinha normal. Mais alguma coisa?
— Humm...Uma amiga..Só vocês duas?
Por um instante penso em mentir e dizer a ela que jantamos com o time feminino inteiro de vôlei da cidade, mas não quero que ela me interprete mal.
— Sim, só nós duas. Quando eu e Katheryn nos encontramos, gostamos de falar, falar e falar.
Ela parece aliviada com minha resposta e vejo que a expressão de seu rosto se suaviza. Olha para mim. Sinto que ela se mexe no banco e se aproxima de mim, como se quisesse me beijar.
— Me dá tua calcinha — diz.
— Mas, vem cá, por que eu tenho que te dar minha calcinha? — protesto.
Emma sorri e me beija. Enfim uma trégua! Depois do beijo, ela se afasta.
— Porque, da última vez que você esteve comigo, não estava usando e não te dei permissão para colocar uma.
— Ah tá. Então você está me dizendo que eu deveria ter saído por Barcelona sem calcinha? — Vejo que minha brincadeira não a diverte, e murmuro, retirando-a depressa:
— Tome essa maldita calcinha.
Ela a pega e enfia no bolso de sua calça. Está supergata com essa calça larga e uma blusa justa azul. Olha para minhas pernas, passa a mão nelas e seu olhar sobe até meus seios.
— Vejo que você não está de sutiã.
— Não. Com esse vestido não precisa.
Concorda. Toca meus seios por cima da roupa.
— Senta na minha frente.
Sem me opor, mudo de lugar e me sento diante dela. Estica o braço e toca minhas pernas.
— Adoro sua pele macia.
Meu vestido curto chega até as coxas, e Emma o levanta mais alguns centímetros. Logo me faz separar os joelhos.
— Excelente e tentador.
Noto que começa a respirar mais forte. Faço menção de fechar as pernas, mas ela não permite.
— Deixa elas abertas pra mim.
Sinto que o sexo está se aproximando, e fico desconcertada por não saber quando nem como. Mas meu corpo todo já está se excitando. Eu a desejo.
O carro para. Emma abaixa meu vestido e, segundos depois, a porta se abre. Estamos em frente a um barzinho em cujo letreiro está escrito “Chaining”. Emma me dá a mão para descer da limusine e a brisa envolve minhas pernas. Estremeço. Meu vestido é muito curto, e sem calcinha eu me sinto quase nua. Emma apoia a mão nas minhas costas, e o homem da recepção abre a porta. Emma lhe diz algo, e ele nos deixa passar.
Do lado de dentro, a música e o burburinho das pessoas nos envolve. Sinto a mão de Emma na minha bunda, e isso me deixa excitada outra vez. Ela me guia até o balcão e pedimos algo para beber. O garçom lhe entrega um uísque puro e, para mim, rum com Coca-Cola. Bebo um gole enorme. Estou com sede. Olho ao redor, movida pela curiosidade, e vejo as pessoas conversando e rindo animadamente, até que sinto Emma perto do meu ouvido.
— Seu mau comportamento esta noite merece um castigo.
Olho para ela, surpresa.
— Senhora Swan, gosto muito de você, mas, se você pensa em encostar em mim de uma forma que eu ache ofensiva, te garanto que você vai pagar.
Com sua superioridade de sempre, ela sorri. Dá um gole no uísque, chega mais perto do meu rosto e murmura, me deixando arrepiada:
— Pequena, meus castigos não têm nada a ver com o que você está pensando. Lembre-se disso.
Sem tirarmos os olhos uma da outra, bebemos de nossos copos, e minha sede, somada à minha tensão, me faz acabar a bebida rapidamente. Percebendo isso, Emma segura minha cabeça e me beija com voracidade. Seu gesto me deixa louca, e, quando ela afasta os lábios, murmura:
— Me acompanhe.
Eu a sigo, empolgada, enquanto ela abre caminho e não permite que ninguém encoste em mim. Adoro o jeito como me protege. É excitante. Segundos depois, entramos em outro salão. Está menos cheio. A música não é tão alta e as pessoas parecem mais tranquilas. De novo, nos aproximamos do balcão. Desta vez nos acomodamos num canto, e Emma pede as mesmas bebidas de antes. O garçom prepara e coloca na nossa frente, junto com uma espécie de balde com água e uns guardanapos de linho. Emma pega um banquinho alto e me convida a sentar ali. Obedeço logo. Meus sapatos já estão começando a me machucar.
Ao me sentar, cruzo as pernas. Morro de medo de que vejam que estou sem calcinha. Emma me abraça. Coloca suas mãos na minha cintura, enquanto eu ponho as minhas ao redor de seu pescoço. Momento romântico. Desta vez sou eu quem aproxima os lábios dos dela. Passo a língua pelo lábio superior, mas, quando vou fazer o mesmo no inferior, ela sobe a mão da cintura para a nuca e de novo me beija com voracidade. Enfia sua língua na minha boca e a invade com verdadeira paixão, o que outra vez me faz sentir como uma bonequinha em seus braços.
— Abre as pernas pra mim, Regina.
Eu a encaro por alguns segundos e, depois, dou uma olhada ao redor. Calculo que a escuridão do lugar e a posição em que me encontro, num canto do balcão, não deixarão que vejam que estou sem calcinha, mesmo que eu abra as pernas. Sorrio. Descruzo as pernas e, sem deixar de olhar para ela, faço o que me pede e apoio os saltos na barra do banco.
Emma pousa as mãos nos meus joelhos e sinto que ela vai subindo com elas muito... muito lentamente. Aproxima seus lábios dos meus e eu a escuto dizer “Te adoro”, bem pertinho. Fecho os olhos, e suas mãos deslizam pela parte interna das minhas coxas. Inquieta, me mexo. Quero mais. Fazer isso num lugar público me deixa nervosa, mas ao mesmo tempo me excita. Ela percebe e encosta a boca na minha orelha.
— Fique calma, pequena. Estamos num clube de swing e todo mundo veio aqui com o mesmo objetivo.
Isso me assusta.
Um clube de swing?
Fico paralisada.
Horror, pavor e estupor. Emma gira meu banco e me faz olhar para as pessoas ao nosso redor. De repente tomo consciência de que, no balcão, várias mulheres e homens de diferentes idades estão olhando para nós duas. Nos observando.
— Todos eles estão querendo enfiar a mão por baixo do seu vestidinho curto — sussurra Emma em meu ouvido. — A expressão deles revela que estão loucos para chupar seus mamilos, tirar sua roupa e, se eu permitir, te comer até você gozar. Não reparou na cara deles? Estão excitados e querem sentir seu clitóris entre os dentes para te fazer gritar de prazer.
Meu coração dispara.
Vou ter um troço!
Nunca fiz nada parecido, mas a ideia me deixa excitada. Muito excitada. Minha respiração fica entrecortada. Imaginar o que Emma está descrevendo para mim faz meu corpo arder de tanto calor. Muito calor. Tento girar o banquinho para outra direção, mas Emma o segura para mantê-lo parado.
— Você disse para eu te contar tudo o que eu gosto, pequena, e o que eu gosto é disso. A perversão. Estamos num clube privado em que as pessoas trepam e se deixam levar por seus desejos. Aqui as pessoas ficam totalmente desinibidas e pensam apenas no prazer e nos joguinhos sexuais.
Sinto o pescoço me pinicando. As brotoejas!
Mas Emma percebe, segura minhas mãos e sopra meu pescoço.
— Em lugares como este — continua —, as pessoas oferecem o corpo e o prazer em troca de nada. Há casais que fazem swing, outros que procuram alguém para fazer um trio e outros que simplesmente se juntam a uma orgia. Neste clube há vários ambientes e agora estamos na antessala do jogo. Aqui a pessoa decide se quer brincar ou não e, principalmente, escolhe com quem.
Emma gira o banco. Me encara e acrescenta sem alterar sua expressão: — Regi, estou louca para brincar. Minha vagina está latejando e eu estou morrendo de vontade de te foder. Somos um casal e podemos atravessar a porta dos fundos do clube.
Minha boca está seca. Pastosa. Pego o copo de rum e bebo um bom gole.
— Você já veio aqui, né?
— Já. Aqui e em outros lugares parecidos. Você já sabe que gosto de sexo, de perversão e de mulheres.
Já sabia. Ficamos em silêncio por alguns segundos.
— O que há atrás dessa porta?
— Uma sala escura onde você toca e é tocada sem saber por quem. Depois há uma pequena sala com poltronas separadas por cortinas pretas pra quem não quer ir até as camas, duas jacuzzis, vários quartos privativos para que você transe com quem quiser sem ser visto e um quarto grande com várias camas ao lado da segunda jacuzzi, onde quem quiser pode participar da orgia.
Sinto minhas pernas tremerem. Onde foi que essa louca me meteu? Ainda bem que estou sentada, porque senão eu cairia no chão. Emma percebe meu estado e me aperta contra ela.
— Pequena, nunca farei nada que você não aprove antes. Mas quero que saiba que seu jogo é meu jogo. Seu prazer é meu prazer, e você e eu somos as únicas donas de nossos corpos.
— Que poético — consigo dizer.
Emma bebe seu uísque com calma, enquanto sinto meu coração batendo muito rápido. Esse mundo é estranho demais para mim, mas me dou conta de que não é algo que me assusta, e sim me atrai.
— Escuta, Regi. Entre nós, quando estivermos em lugares como este ou acompanhados de outras pessoas entre quatro paredes, haverá duas condições. A primeira: nossos beijos são só para nós duas. Pode ser?
— Pode.
Isso me alegra. Odeio que beije outra mulher e em seguida me beije.
— E a segunda condição é o respeito. Se algo te incomodar ou me incomodar, deveremos dizer. Se você não quiser que alguém te toque, te penetre ou te chupe, deve me dizer e eu logo vou interromper isso e vice-versa. Combinado?
— Combinado. — E num fio de voz murmuro: — Emma... eu... eu não estou preparada pra nada do que você disse.
Vejo que sorri e faz um gesto compreensivo com a cabeça.
Depois enfia sua mão entre minhas pernas, passa por minha vagina molhada e sussurra:
— Você está preparada, está com vontade e está molhada. Mas tudo bem, só faremos o que você quiser. Como se você só quisesse olhar... E, quando chegarmos ao hotel, vou te foder porque estou quase explodindo.
Sinto um calor terrível no rosto e no corpo inteiro. Vou explodir também! Emma está muito fogosa e sinto sua mão deslizando entre minhas coxas. Depois ela coloca a palma da mão na minha vagina.
— Você está encharcada... suculenta... receptiva. Te excita estar aqui?
Negar seria uma bobagem, então respondo:
— Sim. Mas o que mais me excita são as coisas que você diz.
— Hummmm... Te excita o que eu digo?
— Muito.
— Isso significa que está disposta a aceitar todos os meus joguinhos e caprichos, e eu gosto disso. Me deixa louca.
Sinto sua mão pressionando minha vagina. Instintivamente, solto um gemido. Com sua outra mão, Emma pega a minha e a coloca sobre seu sexo. Toco por cima da calça e me derreto toda. Está molhada. Incrivelmente molhada. Me beija. Suga meus lábios.
— Vou girar o banco para te mostrar as pessoas — diz, a poucos centímetros do meu rosto, quando se separa de mim. — Não junte as coxas e não abaixe o vestido.
Me incendeio. Me queimo. Estou ardendo de tesão.
E, quando Emma faz o que diz e eu fico de pernas abertas diante deles, uma explosão selvagem toma conta de mim e eu respiro ofegante. Três mulheres me observam. Me comem com os olhos. Seus olhares sobem das minhas coxas até minha vagina, e percebo o tesão delas. Querem me possuir e de certo modo já fazem isso com o olhar. Desejam me tocar. De repente, me sinto sensacional e perversa e meus mamilos ficam duros como pedras, enquanto continuo com as pernas abertas, mostrando minha intimidade àquelas mulheres.
Emma, que está atrás de mim, encosta sua bochecha na minha, e eu noto que ela sorri. Começa a passar suas mãos nas minhas coxas e as afasta ainda mais. Me expõe totalmente a elas. Me enfia o dedo bem diante delas e depois o retira e o leva à minha boca. Eu o chupo e, como uma atriz pornô, passo a língua nos lábios, deliciando-me, enquanto observo os olhares pervertidos das três mulheres. Nesse instante, Emma gira rapidamente o banco e me olha nos olhos:
— Gosta da sensação de ser observada?
Minha cabeça diz sim. Ela faz o mesmo.
— Você gostaria que eu e uma ou vários dessas mulheres entrássemos num reservado contigo e tirássemos sua roupa? — Meu coração se acelera, e Emma continua: — Eu abriria tuas pernas e te ofereceria a elas. Te chupariam e te tocariam enquanto eu te seguraria e...
Minha vagina se contrai e eu faço que sim outra vez. Fecho os olhos. Só de escutar suas palavras já estou à beira do orgasmo. Quero fazer tudo o que ela descreveu. Quero brincar com ela e fazer o que ela deseja. Estou com tanto tesão que me sinto disposta a fazer qualquer coisa que ela quiser, porque, mais uma vez, Emma é mais forte do que minha razão.
Ela me beija enquanto sinto o olhar das três mulheres nas minhas costas. Emma se diverte com isso. Enfia um dedo na minha vagina, logo dois, e começa a movê-los dentro de mim. Abro as pernas mais um pouco e me mexo, consciente de que elas me observam. Quero mais. Me inflamo e, quando estou prestes a gozar, Emma para.
— Meu castigo por seu comportamento de hoje será que você não vai fazer nada do que propus. Ninguém vai te tocar. Eu não vou te comer e agora mesmo vamos voltar para o hotel. Amanhã, se você se comportar direito, talvez eu retire o castigo.
Incendiada pelo momento, só consigo parar de ofegar, enquanto a indignação vai crescendo dentro de mim.
Por que faz isso comigo?
Por que me leva a esses limites e logo depois me deixa assim?
Por que é tão cruel?
Emma abaixa meu vestido, pega uma das toalhinhas de pano que estão no balcão e seca as mãos. Icewoman está de volta. Faz sinal para que eu desça do banco e me arrasta para fora do bar.
A limusine chega imediatamente e nós entramos. Fazemos todo o trajeto até o hotel sem falar nada. Emma não me dirige o olhar. Apenas olha pela janela do carro e vejo que está tensa. Acalorada e ao mesmo tempo irritada pelo que aconteceu, não sei o que pensar. Não sei o que dizer. Estive a ponto de fazer algo que nunca havia passado pela minha cabeça e agora me sinto frustrada por não ter podido ir adiante.
Quando chegamos ao hotel, Emma me acompanha até minha suíte. Quero convidá-la a entrar. Quero que ela faça comigo o que ficou dizendo a noite toda que faria. Preciso disso. Mas ela nem se aproxima de mim. Assim que entro no quarto, ela me olha sem ultrapassar o limite da porta e diz antes de fechá-la:
— Boa noite, Regina. Durma bem.
Fecha a porta. Vai embora e eu fico ali plantada como uma idiota, excitada, frustrada e irritada.
— Senhores, acabo de receber uma mensagem que preciso responder imediatamente. Um contratempo. Peço-lhes desculpas. — E, levantando-se, acrescenta: — Os senhores fariam a gentileza de nos deixar a sós, eu e minha secretária, por alguns minutos? E, por favor, não quero ser interrompida por nada neste mundo. Minha secretária avisará aos senhores quando tivermos terminado.
Quero morrer.
Ela está louca?
Abro os olhos o máximo que consigo e vejo que todos os diretores pegam suas pastas e saem da sala. Laura me lança um olhar e acompanha seu chefe. A última a sair é a tal da Amanda. Olha para mim com ódio e, após dizer a Emma em alemão “Estarei lá fora”, fecha a porta atrás de si.
Ainda sentada na minha cadeira, eu a encaro sem entender nada. Emma fecha o computador, se estica em sua cadeira e crava seu olhar em mim.
— Senhorita Mills, venha cá.
Me levanto como uma flecha e, surpresa com o que ela acaba de fazer, me dirijo até ela:
— Mas... Mas por que você fez isso?
Ela olha, sorri e não responde.
— Por que parou a reunião? — insisto.
— Te dei cinco minutos.
— Mas...
— Quem parou a reunião foi você — responde.
— Eu?!
Emma faz que sim com a cabeça e, assim que paro à sua frente, pega minha mão e, ainda sentada, me coloca entre suas pernas. Logo me empurra e me faz sentar sobre a mesa. Diante dela. Excitada, olho a meu redor em busca de câmeras, mas ela diz:
— A sala não tem câmeras, mas também não tem isolamento acústico. Se você gritar, todo mundo vai saber o que está acontecendo.
Faço menção de protestar, já que a cada instante estou com mais tesão, mas Emma se aproxima de mim e faz aquilo que me deixa tão louca. Passa sua língua pelo meu lábio superior. Me olha. Depois lambe o lábio inferior, mordendo-o em seguida, até que eu abro a boca e ela enfim me beija. Suga minha boca de tal maneira que me deixa sem ar e, como sempre, perco totalmente o controle. Me deita na mesa e levanta minha saia. Suas mãos sobem devagar pelas minhas coxas até que chegam a meus quadris. Então segura minha calcinha e a arranca.
— Hummmm... Adorei que você está de fio dental.
Curto o momento e entro no jogo como uma loba.
Passo a língua pelos meus próprios lábios e quero gritar “Sim!!!”. Meu gesto a estimula e a deixa louca. Abro as pernas sem pudor, pedindo-lhe mais, e ela levanta a cabeça, sem mover o resto do corpo.
— Trouxe na bolsa o que eu disse pra você levar sempre?
Fecho os olhos e me xingo frustrada.
— Deixei no hotel.
Minha reação a faz sorrir. Me retira da mesa sem me tocar, com exceção da parte interna das minhas coxas.
— Que pena, pequena. Tenho certeza de que na próxima vez você não vai esquecer.
Olho para ela, paralisada.
Vai me deixar assim?
Me dá um tapinha no traseiro quando desço da mesa.
— Senhorita Mills, temos de seguir com a reunião. E, por favor, não a interrompa outra vez.
Sinto minhas bochechas ardendo e o desejo ainda dominando meu corpo, enquanto ela é supercontrolada. Isso me enche de raiva. Ela sabe disso. Segura minha mão e me puxa num gesto possessivo.
— Quando terminarmos a reunião, quero você nua no hotel. Por enquanto, fico com a sua calcinha.
— O quê?!
— Isso que você ouviu.
— Sem chance. Devolva.
— Não.
— Emma, por favor. Como vou ficar sem calcinha?
Ela se levanta. Sorri com malícia e dá de ombros.
— Muito simples. Ficando! — responde.
Veste minha saia em mim. Me empurra até a porta e insiste:
— Vamos. Diga a eles que entrem. A reunião é importante.
Histérica e a ponto de ter um troço, me limito a bufar.
Como isso pode estar acontecendo comigo? Por fim fecho os olhos, depois caminho com determinação até a porta e antes de abrir me viro para ela.
— Essa você me paga.
Emma continua imperturbável. Um minuto depois, retomamos a reunião e tudo volta ao normal. Tudo, exceto o fato de que estou sem calcinha.
A reunião se estende mais do que o esperado e só saímos do escritório às oito e meia da noite. Emma está com uma cara séria. A tal da Amanda é chata demais para o meu gosto: tudo o que fez foi colocar obstáculos em cada coisa que se discutia.
Entramos na limusine, com Amanda. Durante o trajeto, Emma fica protegida atrás de uma máscara de hostilidade que não me agrada, e me pede vários papéis. Eu lhe entrego. Ela e Amanda leem os documentos e falam sem parar.
Quando chegamos ao hotel, quero correr para o meu quarto e tirar a roupa, como ela pediu. Não consigo parar de pensar nisso. Emma e eu. Emma em cima de mim. Emma me possuindo. Mas ela me joga um balde de água fria quando diz:
— Senhorita Mills, quer jantar comigo e com Amanda?
Isso me paralisa. Aquela pergunta, na realidade, deveria ser: “Amanda, quer jantar comigo e com a senhorita Mills?”
Sinto a raiva se concentrando no meu estômago. Estou ardendo por dentro. Mas, desta vez, o ardor não tem nada a ver com desejo. Percebo o olhar daquela mulher sobre mim. No fundo, ela fica tão chateada quanto eu por ter que dividir a companhia de Emma com outra pessoa.
— Obrigada pelo convite, senhora Swan — respondo, disposta a não lhe dar o gostinho —, mas já tenho outros planos.
Emma faz cara de surpresa. Por seu olhar, sei que esperava qualquer resposta, menos aquela. Ela se acha! Dou boa-noite e me afasto. Sinto o olhar de Emma nas minhas costas, mas continuo andando. Quando chego ao elevador e as portas se fecham, consigo respirar. E, assim que entro no quarto, grito frustrada.
— Idiota! Você é uma idiota!
Irritada até com o ar que respiro, entro no banheiro. Olho para a banheira, mas por fim resolvo tomar uma chuveirada. Não quero pensar em Emma. Que se dane! Saio do chuveiro. Seco o cabelo e me obrigo a voltar a ser a mulher forte que sempre fui. Toca o telefone do quarto. Não atendo. Pego rapidamente meu celular. Três chamadas perdidas da minha irmã. Que mala! Decido ligar de volta outra hora e telefono para uma amiga de Barcelona. Como era de se esperar, fica animada ao saber que estou na cidade, e marcamos de nos encontrar. Desligo o celular. Ninguém vai estragar minha alegria, muito menos Emma.
Então, ansiosa para sair do quarto o quanto antes sem ser vista, coloco um vestido curto e sandálias de salto alto. Faz um calor infernal e esse vestido superleve me cai como uma luva. Quando estou pronta, pego a bolsa. Abro a porta com cuidado e espio pelo corredor. Não há ninguém e eu saio. Mas sei que Emma está na suíte ao lado e, em vez de esperar o elevador, resolvo ir pela escada. Desço cinco lances e finalmente pego o elevador.
Sorrio pela minha proeza e, quando chego à recepção e atravesso as portas do hotel Arts, quase dou pulos de alegria. Mas minha animação dura pouco. De repente me dou conta de que deixei o caminho livre para essa loba da Amanda, e o mau humor volta a tomar conta de mim.
Pego um táxi e dou o endereço. Minha amiga Katheryn está me esperando. Quando chego ao lugar combinado, logo a vejo. Está linda e rapidamente nos abraçamos sinceramente. Eu e Katheryn somos amigas de infância. Minha mãe era catalã e até o fim de sua vida íamos todo verão a Hospitalet.
— Nossa, amiga. Como você está gata! — grita ela.
Após uma sucessão de beijos, abraços e elogios mútuos, andamos até o porto. Katheryn sabe que adoro pizza e vamos a um restaurante do qual ela tem certeza de que vou gostar. Como sempre, comemos à beça, tomamos litros de Coca-Cola e fofocamos durante horas. Por volta de duas da manhã, estou cansada e quero voltar ao hotel. Nos despedimos e combinamos de nos ligar no dia seguinte.
Feliz pela noitada com Katheryn, volto ao hotel cheia de energia. Minha amiga é tão otimista e tem tanta vitalidade que estar com ela sempre me faz muito bem. Quando o táxi para na linda entrada do hotel Arts, pago ao motorista, dando boa-noite e desço sem perceber que uma limusine branca está parada à direita.
Caminho com determinação até a porta, quando ouço uma voz atrás de mim:
— Regina!
Eu me viro e o coração dispara. Dentro da limusine, pela janela, vejo o rosto petrificado de Emma, também conhecida como Icewoman. Meu estômago se contrai. O jeito como mexe a boca me revela que está irritada, e seu olhar me confirma isso. Tento não me importar, mas é impossível. Eu me importo com essa mulher. Então caminho lentamente até o carro. Noto que seus olhos me percorrem inteirinha, mas Emma não se move. Quando chego perto dela, me inclino para olhar pela janela aberta.
— Onde você estava? — pergunta grunhindo.
— Me divertindo.
Um silêncio incômodo se instala entre nós duas, até que não consigo resistir e pergunto:
— E sua noite, foi boa? Você e Amanda se divertiram?
Emma suspira. Seus olhos me fulminam.
— Você deveria ter dito onde estava — diz. — Te liguei mil vezes e...
— Senhora Swan — eu a interrompo e, num tom cordial, acrescento educadamente: — Se não me engano, a senhora me deu a opção de decidir se queria jantar com o senhora e com a senhorita Amanda... Não se lembra disso?
Não responde.
— Simplesmente decidi me divertir tanto ou mais que o senhora — continua a mulher perversa que existe em mim.
Isso a enche de raiva. Dá para ver nos seus olhos. Olho para sua mão e percebo que os nós de seus dedos estão brancos de tanta fúria. De repente, abre a porta da limusine.
— Entra — ordena.
Reflito por alguns segundos. O suficiente para deixá-la ainda mais irritada. Ao fim, decido entrar. Na verdade era tudo o que eu estava querendo. Fecho a porta. Emma me olha de um jeito desafiador e, sem tirar os olhos de mim, aperta um botão da limusine.
— Arranque.
Sinto o carro se deslocar.
— Para sua informação, senhorita Mills — acrescenta, com a mandíbula tensa —, o jantar com a senhorita Amanda foi de negócios. E, como manda o protocolo, a senhorita é a secretária e por isso era à senhorita que eu deveria convidar e não a Amanda Fisher.
Estou de acordo. Tem razão. Eu sei, mas continuo aborrecida. Em algumas ocasiões não consigo ficar quieta, e esta é uma delas. Sem querer dar o braço a torcer, respondo:
— Espero que a senhora ao menos tenha se divertido na companhia dela.
O olhar de Emma me incendeia, enquanto ela se mantém a poucos centímetros de mim, sem se aproximar. Seu perfume embriaga meus sentidos e centenas de borboletas começam a bater asas no meu estômago.
— Eu lhe garanto, acredite ou não, que eu teria aproveitado mais se estivesse na companhia da senhorita. E, antes que continue se comportando como uma menina malcriada, exijo saber com quem esteve e onde. Estou há horas esperando a senhorita voltar, sentada nesta limusine, e quero uma explicação.
Seu comentário acaba com minha indiferença.
— É sério que você ficou horas me esperando na porta do hotel?
— É.
Meu lado princesa que ainda acredita em contos de fadas tem vontade de dar pulos de alegria. Ela ficou me esperando!
— Emma, que fofo — murmuro num tom carinhoso. — Me desculpa. Eu achava que... Noto seus ombros relaxando.
— Sei... — diz, sem abandonar o jeito duro de falar. — Voltei a ser Emma, senhorita Mills? Isso me faz sorrir. Ela não move nem um músculo. Ai, minha Icewoman! E, como ela já conseguiu me atingir, chego ainda mais perto dela. Sinto a expressão do seu rosto voltando ao normal.
— Emma... desculpa.
— Não peça desculpas. Tente se comportar como um adulto. Não acho que estou pedindo muito.
Ótimo. Ela acabou de me chamar de imatura. Em outras circunstâncias, eu teria descido do carro e fechado a porta na cara dela, mas não consigo. Seu encanto já me enfeitiçou. Continua sem olhar para mim, mas eu não desisto.
— Passei o dia inteiro pensando em ficar nua para você. E quando você falou desse jantar com a Amanda eu...
Não me deixa terminar a frase. Crava seus lindos olhos em mim e me interrompe:
— Esta viagem é basicamente de trabalho. Esqueceu?
A dureza com que se dirigiu a mim rompe o encanto do momento e, com isso, também minha trégua vai por água abaixo. Minha expressão muda. Minha respiração se acelera e eu acabo colocando para fora meu temperamento espanhol.
— Sei muito bem que esta viagem é de trabalho. Deixamos isso bem claro antes de sair de Madri. Mas hoje você parou uma reunião no meio, expulsou todo mundo da sala e depois tirou minha calcinha. Você acha que sou de ferro? Ou mais um brinquedo dos seus joguinhos? — Como ela não responde, eu continuo: — Tá bom, eu aceitei a viagem. Sou a culpada por estar nesta situação contigo e...
— Agora você está de calcinha normal ou fio dental?
Olho para ela boquiaberta. Ficou louca? Surpresa com aquela pergunta, contraio as sobrancelhas e me afasto dela.
— Não te interessa o que estou usando. — Mas meu gênio ressurge dentro de mim e eu grito como uma descontrolada: — Pelo amor de Deus! Estamos aqui discutindo e você me pergunta se estou de calcinha ou fio dental?
— Sim.
Me recuso a responder, enfurecida. Tenho a sensação de que vou enlouquecer.
— Você ainda não me disse com quem saiu ontem e aonde foram.
Solto o ar bufando. Discutir com ela é muito cansativo.
Por fim, me deixo cair no encosto do assento do carro e me rendo.
— Jantei com minha amiga Katheryn no porto e estou usando uma calcinha normal. Mais alguma coisa?
— Humm...Uma amiga..Só vocês duas?
Por um instante penso em mentir e dizer a ela que jantamos com o time feminino inteiro de vôlei da cidade, mas não quero que ela me interprete mal.
— Sim, só nós duas. Quando eu e Katheryn nos encontramos, gostamos de falar, falar e falar.
Ela parece aliviada com minha resposta e vejo que a expressão de seu rosto se suaviza. Olha para mim. Sinto que ela se mexe no banco e se aproxima de mim, como se quisesse me beijar.
— Me dá tua calcinha — diz.
— Mas, vem cá, por que eu tenho que te dar minha calcinha? — protesto.
Emma sorri e me beija. Enfim uma trégua! Depois do beijo, ela se afasta.
— Porque, da última vez que você esteve comigo, não estava usando e não te dei permissão para colocar uma.
— Ah tá. Então você está me dizendo que eu deveria ter saído por Barcelona sem calcinha? — Vejo que minha brincadeira não a diverte, e murmuro, retirando-a depressa:
— Tome essa maldita calcinha.
Ela a pega e enfia no bolso de sua calça. Está supergata com essa calça larga e uma blusa justa azul. Olha para minhas pernas, passa a mão nelas e seu olhar sobe até meus seios.
— Vejo que você não está de sutiã.
— Não. Com esse vestido não precisa.
Concorda. Toca meus seios por cima da roupa.
— Senta na minha frente.
Sem me opor, mudo de lugar e me sento diante dela. Estica o braço e toca minhas pernas.
— Adoro sua pele macia.
Meu vestido curto chega até as coxas, e Emma o levanta mais alguns centímetros. Logo me faz separar os joelhos.
— Excelente e tentador.
Noto que começa a respirar mais forte. Faço menção de fechar as pernas, mas ela não permite.
— Deixa elas abertas pra mim.
Sinto que o sexo está se aproximando, e fico desconcertada por não saber quando nem como. Mas meu corpo todo já está se excitando. Eu a desejo.
O carro para. Emma abaixa meu vestido e, segundos depois, a porta se abre. Estamos em frente a um barzinho em cujo letreiro está escrito “Chaining”. Emma me dá a mão para descer da limusine e a brisa envolve minhas pernas. Estremeço. Meu vestido é muito curto, e sem calcinha eu me sinto quase nua. Emma apoia a mão nas minhas costas, e o homem da recepção abre a porta. Emma lhe diz algo, e ele nos deixa passar.
Do lado de dentro, a música e o burburinho das pessoas nos envolve. Sinto a mão de Emma na minha bunda, e isso me deixa excitada outra vez. Ela me guia até o balcão e pedimos algo para beber. O garçom lhe entrega um uísque puro e, para mim, rum com Coca-Cola. Bebo um gole enorme. Estou com sede. Olho ao redor, movida pela curiosidade, e vejo as pessoas conversando e rindo animadamente, até que sinto Emma perto do meu ouvido.
— Seu mau comportamento esta noite merece um castigo.
Olho para ela, surpresa.
— Senhora Swan, gosto muito de você, mas, se você pensa em encostar em mim de uma forma que eu ache ofensiva, te garanto que você vai pagar.
Com sua superioridade de sempre, ela sorri. Dá um gole no uísque, chega mais perto do meu rosto e murmura, me deixando arrepiada:
— Pequena, meus castigos não têm nada a ver com o que você está pensando. Lembre-se disso.
Sem tirarmos os olhos uma da outra, bebemos de nossos copos, e minha sede, somada à minha tensão, me faz acabar a bebida rapidamente. Percebendo isso, Emma segura minha cabeça e me beija com voracidade. Seu gesto me deixa louca, e, quando ela afasta os lábios, murmura:
— Me acompanhe.
Eu a sigo, empolgada, enquanto ela abre caminho e não permite que ninguém encoste em mim. Adoro o jeito como me protege. É excitante. Segundos depois, entramos em outro salão. Está menos cheio. A música não é tão alta e as pessoas parecem mais tranquilas. De novo, nos aproximamos do balcão. Desta vez nos acomodamos num canto, e Emma pede as mesmas bebidas de antes. O garçom prepara e coloca na nossa frente, junto com uma espécie de balde com água e uns guardanapos de linho. Emma pega um banquinho alto e me convida a sentar ali. Obedeço logo. Meus sapatos já estão começando a me machucar.
Ao me sentar, cruzo as pernas. Morro de medo de que vejam que estou sem calcinha. Emma me abraça. Coloca suas mãos na minha cintura, enquanto eu ponho as minhas ao redor de seu pescoço. Momento romântico. Desta vez sou eu quem aproxima os lábios dos dela. Passo a língua pelo lábio superior, mas, quando vou fazer o mesmo no inferior, ela sobe a mão da cintura para a nuca e de novo me beija com voracidade. Enfia sua língua na minha boca e a invade com verdadeira paixão, o que outra vez me faz sentir como uma bonequinha em seus braços.
— Abre as pernas pra mim, Regina.
Eu a encaro por alguns segundos e, depois, dou uma olhada ao redor. Calculo que a escuridão do lugar e a posição em que me encontro, num canto do balcão, não deixarão que vejam que estou sem calcinha, mesmo que eu abra as pernas. Sorrio. Descruzo as pernas e, sem deixar de olhar para ela, faço o que me pede e apoio os saltos na barra do banco.
Emma pousa as mãos nos meus joelhos e sinto que ela vai subindo com elas muito... muito lentamente. Aproxima seus lábios dos meus e eu a escuto dizer “Te adoro”, bem pertinho. Fecho os olhos, e suas mãos deslizam pela parte interna das minhas coxas. Inquieta, me mexo. Quero mais. Fazer isso num lugar público me deixa nervosa, mas ao mesmo tempo me excita. Ela percebe e encosta a boca na minha orelha.
— Fique calma, pequena. Estamos num clube de swing e todo mundo veio aqui com o mesmo objetivo.
Isso me assusta.
Um clube de swing?
Fico paralisada.
Horror, pavor e estupor. Emma gira meu banco e me faz olhar para as pessoas ao nosso redor. De repente tomo consciência de que, no balcão, várias mulheres e homens de diferentes idades estão olhando para nós duas. Nos observando.
— Todos eles estão querendo enfiar a mão por baixo do seu vestidinho curto — sussurra Emma em meu ouvido. — A expressão deles revela que estão loucos para chupar seus mamilos, tirar sua roupa e, se eu permitir, te comer até você gozar. Não reparou na cara deles? Estão excitados e querem sentir seu clitóris entre os dentes para te fazer gritar de prazer.
Meu coração dispara.
Vou ter um troço!
Nunca fiz nada parecido, mas a ideia me deixa excitada. Muito excitada. Minha respiração fica entrecortada. Imaginar o que Emma está descrevendo para mim faz meu corpo arder de tanto calor. Muito calor. Tento girar o banquinho para outra direção, mas Emma o segura para mantê-lo parado.
— Você disse para eu te contar tudo o que eu gosto, pequena, e o que eu gosto é disso. A perversão. Estamos num clube privado em que as pessoas trepam e se deixam levar por seus desejos. Aqui as pessoas ficam totalmente desinibidas e pensam apenas no prazer e nos joguinhos sexuais.
Sinto o pescoço me pinicando. As brotoejas!
Mas Emma percebe, segura minhas mãos e sopra meu pescoço.
— Em lugares como este — continua —, as pessoas oferecem o corpo e o prazer em troca de nada. Há casais que fazem swing, outros que procuram alguém para fazer um trio e outros que simplesmente se juntam a uma orgia. Neste clube há vários ambientes e agora estamos na antessala do jogo. Aqui a pessoa decide se quer brincar ou não e, principalmente, escolhe com quem.
Emma gira o banco. Me encara e acrescenta sem alterar sua expressão: — Regi, estou louca para brincar. Minha vagina está latejando e eu estou morrendo de vontade de te foder. Somos um casal e podemos atravessar a porta dos fundos do clube.
Minha boca está seca. Pastosa. Pego o copo de rum e bebo um bom gole.
— Você já veio aqui, né?
— Já. Aqui e em outros lugares parecidos. Você já sabe que gosto de sexo, de perversão e de mulheres.
Já sabia. Ficamos em silêncio por alguns segundos.
— O que há atrás dessa porta?
— Uma sala escura onde você toca e é tocada sem saber por quem. Depois há uma pequena sala com poltronas separadas por cortinas pretas pra quem não quer ir até as camas, duas jacuzzis, vários quartos privativos para que você transe com quem quiser sem ser visto e um quarto grande com várias camas ao lado da segunda jacuzzi, onde quem quiser pode participar da orgia.
Sinto minhas pernas tremerem. Onde foi que essa louca me meteu? Ainda bem que estou sentada, porque senão eu cairia no chão. Emma percebe meu estado e me aperta contra ela.
— Pequena, nunca farei nada que você não aprove antes. Mas quero que saiba que seu jogo é meu jogo. Seu prazer é meu prazer, e você e eu somos as únicas donas de nossos corpos.
— Que poético — consigo dizer.
Emma bebe seu uísque com calma, enquanto sinto meu coração batendo muito rápido. Esse mundo é estranho demais para mim, mas me dou conta de que não é algo que me assusta, e sim me atrai.
— Escuta, Regi. Entre nós, quando estivermos em lugares como este ou acompanhados de outras pessoas entre quatro paredes, haverá duas condições. A primeira: nossos beijos são só para nós duas. Pode ser?
— Pode.
Isso me alegra. Odeio que beije outra mulher e em seguida me beije.
— E a segunda condição é o respeito. Se algo te incomodar ou me incomodar, deveremos dizer. Se você não quiser que alguém te toque, te penetre ou te chupe, deve me dizer e eu logo vou interromper isso e vice-versa. Combinado?
— Combinado. — E num fio de voz murmuro: — Emma... eu... eu não estou preparada pra nada do que você disse.
Vejo que sorri e faz um gesto compreensivo com a cabeça.
Depois enfia sua mão entre minhas pernas, passa por minha vagina molhada e sussurra:
— Você está preparada, está com vontade e está molhada. Mas tudo bem, só faremos o que você quiser. Como se você só quisesse olhar... E, quando chegarmos ao hotel, vou te foder porque estou quase explodindo.
Sinto um calor terrível no rosto e no corpo inteiro. Vou explodir também! Emma está muito fogosa e sinto sua mão deslizando entre minhas coxas. Depois ela coloca a palma da mão na minha vagina.
— Você está encharcada... suculenta... receptiva. Te excita estar aqui?
Negar seria uma bobagem, então respondo:
— Sim. Mas o que mais me excita são as coisas que você diz.
— Hummmm... Te excita o que eu digo?
— Muito.
— Isso significa que está disposta a aceitar todos os meus joguinhos e caprichos, e eu gosto disso. Me deixa louca.
Sinto sua mão pressionando minha vagina. Instintivamente, solto um gemido. Com sua outra mão, Emma pega a minha e a coloca sobre seu sexo. Toco por cima da calça e me derreto toda. Está molhada. Incrivelmente molhada. Me beija. Suga meus lábios.
— Vou girar o banco para te mostrar as pessoas — diz, a poucos centímetros do meu rosto, quando se separa de mim. — Não junte as coxas e não abaixe o vestido.
Me incendeio. Me queimo. Estou ardendo de tesão.
E, quando Emma faz o que diz e eu fico de pernas abertas diante deles, uma explosão selvagem toma conta de mim e eu respiro ofegante. Três mulheres me observam. Me comem com os olhos. Seus olhares sobem das minhas coxas até minha vagina, e percebo o tesão delas. Querem me possuir e de certo modo já fazem isso com o olhar. Desejam me tocar. De repente, me sinto sensacional e perversa e meus mamilos ficam duros como pedras, enquanto continuo com as pernas abertas, mostrando minha intimidade àquelas mulheres.
Emma, que está atrás de mim, encosta sua bochecha na minha, e eu noto que ela sorri. Começa a passar suas mãos nas minhas coxas e as afasta ainda mais. Me expõe totalmente a elas. Me enfia o dedo bem diante delas e depois o retira e o leva à minha boca. Eu o chupo e, como uma atriz pornô, passo a língua nos lábios, deliciando-me, enquanto observo os olhares pervertidos das três mulheres. Nesse instante, Emma gira rapidamente o banco e me olha nos olhos:
— Gosta da sensação de ser observada?
Minha cabeça diz sim. Ela faz o mesmo.
— Você gostaria que eu e uma ou vários dessas mulheres entrássemos num reservado contigo e tirássemos sua roupa? — Meu coração se acelera, e Emma continua: — Eu abriria tuas pernas e te ofereceria a elas. Te chupariam e te tocariam enquanto eu te seguraria e...
Minha vagina se contrai e eu faço que sim outra vez. Fecho os olhos. Só de escutar suas palavras já estou à beira do orgasmo. Quero fazer tudo o que ela descreveu. Quero brincar com ela e fazer o que ela deseja. Estou com tanto tesão que me sinto disposta a fazer qualquer coisa que ela quiser, porque, mais uma vez, Emma é mais forte do que minha razão.
Ela me beija enquanto sinto o olhar das três mulheres nas minhas costas. Emma se diverte com isso. Enfia um dedo na minha vagina, logo dois, e começa a movê-los dentro de mim. Abro as pernas mais um pouco e me mexo, consciente de que elas me observam. Quero mais. Me inflamo e, quando estou prestes a gozar, Emma para.
— Meu castigo por seu comportamento de hoje será que você não vai fazer nada do que propus. Ninguém vai te tocar. Eu não vou te comer e agora mesmo vamos voltar para o hotel. Amanhã, se você se comportar direito, talvez eu retire o castigo.
Incendiada pelo momento, só consigo parar de ofegar, enquanto a indignação vai crescendo dentro de mim.
Por que faz isso comigo?
Por que me leva a esses limites e logo depois me deixa assim?
Por que é tão cruel?
Emma abaixa meu vestido, pega uma das toalhinhas de pano que estão no balcão e seca as mãos. Icewoman está de volta. Faz sinal para que eu desça do banco e me arrasta para fora do bar.
A limusine chega imediatamente e nós entramos. Fazemos todo o trajeto até o hotel sem falar nada. Emma não me dirige o olhar. Apenas olha pela janela do carro e vejo que está tensa. Acalorada e ao mesmo tempo irritada pelo que aconteceu, não sei o que pensar. Não sei o que dizer. Estive a ponto de fazer algo que nunca havia passado pela minha cabeça e agora me sinto frustrada por não ter podido ir adiante.
Quando chegamos ao hotel, Emma me acompanha até minha suíte. Quero convidá-la a entrar. Quero que ela faça comigo o que ficou dizendo a noite toda que faria. Preciso disso. Mas ela nem se aproxima de mim. Assim que entro no quarto, ela me olha sem ultrapassar o limite da porta e diz antes de fechá-la:
— Boa noite, Regina. Durma bem.
Fecha a porta. Vai embora e eu fico ali plantada como uma idiota, excitada, frustrada e irritada.
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