quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Peça-me o que quiser Capítulo 6

Capítulo 6


Nua e com seu corpo forte e macio sobre o meu, tento recuperar o controle da minha respiração. O que acabou de acontecer foi fantástico! Acaricio a cabeça dela, que descansa sobre meu corpo, e aspiro seu perfume. É muito bom e, eu gosto. Sinto sua boca sobre meu peito e isso também é gostoso. Não quero me mexer. Não quero que ela se mexa. Quero aproveitar este momento um pouco mais. Mas então ela gira para o lado direito da cama e olha para mim. 
— Tudo bem, Regi?
 
Faço que sim com a cabeça. Ela sorri.
 
Instantes depois ela se levanta e sai do quarto. Ouço o chuveiro. Quero tomar banho com ela, mas ela não me convidou. Me sento na cama, que está úmida de suor, e vejo no relógio digital que são sete e meia. Quanto tempo ficamos transando? Minutos depois ela aparece nua e molhado.
 
Um tesão! Me surpreendo ao ver que ela pega sua calcinha e veste.
 
— Ontem à noite vocês perderam o jogo contra a Itália. Sinto muito! Mandaram vocês de volta pra casa. Emma me olha e diz:
 
— Sabemos perder, eu te disse. Fica pra próxima. Continua se vestindo sem se perturbar com o que acabo de dizer.
 
— O que você está fazendo? — pergunto.
 
— Me vestindo.
 
— Por quê?
 
— Tenho um compromisso — responde secamente.
Um compromisso? Vai embora e me deixa assim?
 
Irritada por sua falta de tato, após o que houve entre nós duas, visto a camiseta e a calcinha.
 
— Vai repetir com minha chefe? — provoco, incapaz de segurar a língua.
 
Minha pergunta a deixa surpresa.
 
Ai, meu Deus! O que é que me deu?
 
Sem mexer um só músculo de seu rosto, Emma vem até mim apenas de calcinha.
 
— Eu sabia que você era curiosa, mas não a ponto de ler cartões que não são pra você — reage, me examinando com o olhar.
 
Isso me deixa constrangida. Acabo de me dar conta de que sou uma intrometida. Mas continuo incapaz de controlar minha língua.
 
— Não me importo com o que você pensa — digo.
 
— Deveria se importar, pequena. Sou sua chefe.
 
Com um atrevimento inacreditável, eu olho para ela, dou de ombros e respondo:
 
— Mas não me importo mesmo assim. Levanto da cama e vou até a cozinha.
Quero água, água! Não champanhe com aroma de morango. Quando volto, ela está bem atrás de mim.
 
— Por que você ainda não se vestiu nem foi embora? — pergunto sem me perturbar e erguendo a sobrancelha.
 
Não responde. Apenas me olha de rabo de olho, de um jeito desafiador.
 
Furiosa, eu a empurro e saio da cozinha.
 
Volto ao meu quarto e sinto que ela vem atrás de mim.
 
— Vista-se e saia da minha casa — grito, virando-me na direção dela. — Fora!
 
— Regi... — eu a ouço dizer baixinho.
— Pare de me chamar assim! Quero que vá embora da minha casa. E, aliás, por que você veio mesmo?
 
Me olha de um jeito que me faz ter vontade de lhe dar um soco. Mas me contenho. É minha chefe.
 
— Vim você sabe para quê.
 
— Sexo?
 
— Sim. Prometi ensinar você a usar o vibrador.
Diz isso e continua imperturbável. Cara de pau!
 
— Mas você me acha tão idiota assim, a ponto de nem saber como se usa um vibrador? — grito mais uma vez, irritada.
 
— Não, Regi — responde com ar distraído, ao mesmo tempo que sorri para mim. — Eu apenas queria ser a primeira.
 
— A primeira?
 
— Sim, a primeira. Porque tenho certeza de que a partir de agora você vai usá-lo muitas vezes enquanto pensa em mim.
 
Essa certeza cheia de ironia me mata e, contrariada, eu rebato, disposta a tudo:
 
— Mas que convencida! Metida! Vaidosa e pretensiosa! Quem você pensa que é? O centro do mundo e a mulher mais irresistível do planeta?
 
Com uma tranquilidade que me desconcerta, responde enquanto veste seu jeans:
 
— Não, Regi. Não me acho nada disso. Mas fui a primeira a brincar com um vibrador no seu corpo. Isso, goste você ou não, é algo que você nunca poderá negar. E, mesmo que no futuro você brinque sozinha ou com outras pessoas, sempre... saberá que fui a primeira.
 
Ouvir isso me deixa excitada.
Me dá calor.
 
O que eu sinto por essa mulher?
 
Mas não estou disposta a cair na sua armadilha.
 
— Tá bom, você foi a primeira. Mas a vida é muito longa e eu te garanto que não será a ou o único. Sexo é uma coisa maravilhosa e sempre consegui transar com quem eu quis, quando quis e como quis. E você tem razão, senhora Swan. Tenho que agradecer a senhora. Agradeço por não ter me dado de presente um buquê de rosas insosso e, em vez disso, me presentear com um vibrador que com certeza será muito útil quando eu estiver fazendo sexo com outras pessoas. Obrigada por alegrar minha vida sexual.
Escuto seu suspiro. Ótimo. Estou conseguindo irritá-la.
— Um conselho — responde, me pegando de surpresa. — Leve sempre na bolsa o outro vibrador que te dei. Parece batom e é bem discreto para que ninguém, a não ser você, saiba do que se trata. Tenho certeza de que será de grande utilidade e que você encontrará lugares adequados para usá-lo sozinha ou acompanhada.
 
Seu comentário me tira dos eixos. Esperava que ela me mandasse à merda, mas não isso.
 
Mal-humorada, me preparo para rodar a baiana, quando de repente ela me pega pela cintura e me atrai para si. Eu olho para ela e, por um momento, me sinto tentada a dar uma joelhada em seu estômago. Mas não. Não posso fazer isso. É Emma Swan, e gosto muito dela. Então põe a mão no meu queixo e me faz olhá-la nos olhos. E, antes que eu possa dizer ou fazer qualquer coisa, passa a língua pelo lábio superior da minha boca. Depois lambe o inferior e, quando sinto sua mão na borda da minha calcinha, murmura:
 
— Quer que eu te coma?
Quero dizer que não.
 
Quero que vá embora da minha casa.
 
Eu a odeio por me sentir usada!
Mas meu corpo não responde. E se nega a me obedecer. Tudo o que consigo fazer é continuar olhando para ela enquanto um desejo imenso cresce com força dentro de mim e eu nem me reconheço mais. O que está acontecendo comigo?
 
— Regi, responde — exige.
Convencida de que só posso dizer sim, balanço a cabeça concordando e ela, sem rodeios, me vira entre seus braços. Me faz caminhar junto com ela até o aparador do quarto. Apoia minhas mãos nela e me inclina para a frente. Depois arranca minha calcinha de uma só vez e eu solto um gemido. Tira a calça e a calcinha com uma das mãos, ao mesmo tempo que massageia minha bunda com a outra. Fecho os olhos, enquanto espero ansiosa o que vem a seguir. Não sei o que estou fazendo. A única coisa que eu sei é que estou à mercê dela, pronta para deixá-la fazer o que quiser comigo.
 
— Abra as pernas — sussurra em meu ouvido.
 
Minhas pernas têm vida própria e fazem o que ela manda enquanto acaricia meu traseiro com uma das mãos e, com a outra, enrola meu cabelo para me segurar forte.
 
— Isso, pequena, assim.
 
Ela encaixa sua mão em minha vagina e com uma forte investida, me penetra com seus ágeis dedos e eu escuto um gemido ofegante no meu pescoço. Isso me atiça. Em seguida me dá um tapinha caprichado. Gosto disso! Me seguro no aparador e sinto as pernas fraquejarem. Ela deve ter notado, porque me agarra pela cintura com a mão livre de modo possessivo e começa a enfiar seus dedos com uma intensidade incrível dentro e fora de mim. Uma vez, outra vez. Uma vez, outra vez.

Naquela posição e sem salto alto, me sinto pequena diante dela. Mais que isso, me sinto como uma boneca que movimentam em busca de prazer. De repente, as estocadas desaceleram e sua mão que me segurava o quadril desce até minha vagina. Enfia os dedos dentro e procura o clitóris. Minha respiração fica entrecortada.
 
— Algum dia — diz — vou te comer enquanto te masturbo com o presentinho que te dei.
Digo que sim. Quero que ela faça isso. Quero que faça agora. Não quero que vá embora. Quero... quero... Seu movimento vai ficando cada vez mais lento e eu me mexo nervosa, estimulando-a a aumentar o ritmo. Ela sabe. Ela intui e pergunta no meu ouvido com sua voz rouca:
 
— Mais?
 
— Sim... sim... Quero mais.
 
Uma nova estocada até o fundo.
 
Estou ofegando de prazer.
 
— Quê mais você quer? — acrescenta, apertando os dentes.
 
— Mais. Grito de prazer com sua nova investida dentro de mim.
 
— Seja clara, pequena. Você está úmida e quente. O que você quer?
 
Minha mente funciona a uma velocidade doida. Sei o que quero. Então, sem me importar com o que vai pensar de mim, imploro:
 
— Quero que me penetre bem fundo. Quero que...
 
Um grito escapa da minha boca ao sentir como minhas palavras a atiçam. Sinto que ela respira ofegante. Minha frase a deixa louca. Suas estocadas fortes e profundas recomeçam e eu me contorço disposta a mais e mais, até chegar ao clímax. Segundos depois, ela chega também e solta um gemido de prazer enquanto me penetra uma última vez. Exausta e saciada, seguro o aparador com força. Sinto-a apoiada nas minhas costas e isso me reconforta.
Passado um tempo, me recupero e suspiro, e decido tomar um ar. Estou com calor. Agora sou eu quem caminha até o chuveiro, onde me delicio sozinha com a água deslizando no meu corpo.
 
Demoro mais que o normal. Só espero que ela não esteja mais em casa quando eu sair. Mas, quando saio, eu a vejo sentada tranquilamente na cama com a taça de champanhe na mão.
Minha reação é ridícula. Me dou conta de que minha testa está franzida e minha boca, tensa.
 
Olho para ela. Que me olha também. E, quando percebo que ela vai dizer algo, levanto a mão para interrompê-la:
 
— Estou mal-humorada. E quando estou mal-humorada é melhor você ficar quieta. Se não quer me ver virando a Evil queen da Branca de neve pega tuas coisas e vai embora da minha casa.
 
Ela segura minha mão.
— Me solta!
 
— Não. — Me empurra até me deixar entre suas pernas.
 
— Quer que eu fique aqui?
 
— Não.
 
— Tem certeza?
 
— Sim.
 
— Vai continuar falando só monossílabos?
 
Eu a fuzilo com o olhar. Contraio os olhos e faço um chiado, com vontade de arrancar dela aquele sorrisinho idiota.
 
— Que parte de “Estou mal-humorada” você não entendeu?
 
Emma me solta. Dá um trago na taça e, após saboreá-la, sussurra:
 
— Ah! As espanholas e sua personalidade forte. Por que vocês são assim?
 
Vou... Vou dar um tapa nela.
Juro que, se ela vier com mais uma pérola, quebro a garrafa de rótulo rosa na cabeça dela, mesmo sendo minha chefe.
 
— Tudo bem, pequena, estou indo. Tenho um encontro. Mas volto amanhã à uma. Te convido para almoçar e, em troca, você me mostra alguma coisa de Madri. Que tal?
 
Com uma expressão séria que nem mesmo Robert De Niro seria capaz de fazer, olho para ela e solto, grunhindo:
 
— Não. Acho melhor não. Arrume outra espanhola para te mostrar Madri. Tenho coisas mais importantes para fazer do que dar uma de guia de turismo pra você.
 
E ela volta a me provocar. Aproxima-se, chega os lábios mais perto da minha boca, percorre meu lábio superior com sua língua e continua:
 
— Amanhã eu passo para te buscar à uma. E não se fala mais nisso.
 
Atônita, abro a boca e respiro bufando. Ela sorri.
Quero mandá-la tomar no cu, mas não posso. Seus olhos me hipnotizam. Por fim, enquanto caminha em direção à porta, diz:
 
— Boa noite, Regina. E, se sentir saudades de mim, você já tem com o que brincar.

Pouco depois vai embora da minha casa e eu fico plantada como uma idiota olhando para a porta.

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