Capítulo 7
Estava dormindo como uma pedra quando
ouço a porta de casa sendo aberta. Pulo da cama. Que horas são? Consulto o
relógio da mesinha de cabeceira: 11h07. Deito de novo. Não quero saber quem é,
até que, de repente, uma pequena bomba cai sobre mim e grita:
— Oi, tiaaaaaaaaaaaa!
Minha sobrinha Grace.
Penso num palavrão, mas logo olho a menina e a agarro para beijá-la com amor. Adoro minha sobrinha. Mas, quando eu e minha irmã nos olhamos, meu olhar não é nada amigável. Vinte minutos depois e assim que saio do chuveiro, entro de pijama na cozinha. Minha irmã está preparando algo para o café da manhã, enquanto minha querida Grace aperta entre seus braços o coitadinho do Trampo e assiste aos desenhos da televisão.
Entro na cozinha, me sento na bancada e pergunto:
— Posso saber o que você faz na minha casa num sábado às onze da manhã?
Minha irmã me encara e coloca um café na minha frente.
— Me trai — diz num cochicho.
Surpresa com suas palavras, me preparo para responder, mas ela abaixa a voz para Grace não ouvir e prossegue:
— Acabo de descobrir que o sem-vergonha do meu marido me trai! Passei a vida inteira fazendo dieta, indo à academia, cuidando do meu corpo pra estar sempre linda e esse desgraçado me trai! Mas não, isso não vai ficar assim. Te juro que vou contratar o melhor advogado que eu encontrar e vou tirar até o último centavo dele.
Te juro que... Preciso de um segundo. Uma pausa. Levanto a mão e pergunto:
— Como você sabe que ele te trai?
— Eu sei e ponto.
— Essa resposta não vale — insisto, até que a menina entra na cozinha.
— Mãe, vou ao banheiro.
Mary faz que sim e diz:
— Olha, não se esqueça de limpar o bumbum com papel, tá?
A menina desaparece de nossa vista.
— Ontem Luiza, mãe de uma amiguinha da Grace — continua —, me contou que descobriu que seu marido a estava traindo quando ele começou a comprar ele mesmo sua própria roupa. E, justamente, há dois dias Whale comprou uma camisa e algumas cuecas! Isso me deixa perplexa. Não sei o que dizer. Realmente, dizem que um dos sintomas para se desconfiar de um homem é esse. Mas, claro, não dá para dizer que isso é regra geral em todos os casos. E menos ainda no caso do meu cunhado. Não, não imagino isso dele.
— Mas, Mary, isso não quer dizer nada...
— Sim. Isso quer dizer muito.
— Para com isso, sua exagerada! — rio para minimizar a questão.
— Exagerada nada, maninha. Ele me olha dum jeito estranho... como se quisesse me dizer alguma coisa e... quando fazemos amor, ele...
— Não quero ouvir mais nada — interrompo.
Pensar no meu cunhado numa cena de sexo não me agrada nem um pouco. De repente minha sobrinha surge na cozinha e pergunta:
— Tia... por que esse batom não pinta mas treme?
Ao escutar isso, tenho vontade de morrer. Olho para ela e vejo que está segurando o vibrador que Emma me deu de presente. Pulo da bancada e o arranco das mãos dela. Minha irmã, mergulhada em suas próprias questões, nem se dá conta. Menos mal. Guardo o maldito batom no primeiro lugar que encontro. Na calcinha.
— É um batom de mentirinha, fofa. Não percebeu?
A menina solta uma risadinha e eu fico desconcertada. Bendita inocência. Minha irmã olha para nós duas, e minha sobrinha diz:
— Tia, não esquece a festa de terça-feira.
— Não vou esquecer, meu amor — murmuro, ao mesmo tempo que afago sua cabeça com ternura.
Minha sobrinha me olha com seus olhinhos castanhos, torce a boca e diz:
— Briguei com a Alicia de novo. É uma boba e não quero ficar de bem nunca mais.
Alicia é a melhor amiga da minha sobrinha. Mas são tão diferentes que não param de brigar. Mesmo assim, não conseguem viver uma sem a outra. E eu sou a intermediária das brigas.
— Por que vocês brigaram?
Grace solta o ar bufando e olha para cima com impaciência.
— Porque eu emprestei um filme pra ela, e ela disse que era mentira — cochicha. — Me chamou de boba e coisas piores, e fiquei triste. Mas ontem ela me trouxe o filme, me pediu desculpas e eu não aceitei.
Sorrio. Minha sobrinha fofa e seus grandes problemas.
— Grace, eu já te disse que, quando a gente gosta de uma pessoa, a gente tem que tentar resolver os problemas, né? Você gosta da Alicia?
— Gosto.
— E, se ela pediu desculpas pelo erro dela, por que você não aceita?
— Porque estou chateada com ela.
— Está bem, eu entendo sua chateação, mas agora você precisa pensar se isso é tão importante a ponto de você deixar de ser amiga de uma pessoa de quem você gosta muito e que ainda por cima te pediu desculpas. Promete pensar nisso?
— Prometo, tia. Vou pensar.
Segundos depois, a menina desaparece dentro do apartamento.
— Posso saber o que você está escondendo nessa calça? — pergunta Mary.
— Já disse. Um batom de mentira — rio ao lembrar que está dentro da minha calcinha.
Convencida ou não, aceita minha resposta e não pede mais explicações. Fico aliviada. Meia hora mais tarde, depois de minha irmã contar tudo o que aconteceu e de detonar meu cunhado, ela e minha sobrinha vão embora e me deixam em paz em casa.
Consulto o relógio. São 12h05.
Então lembro que Emma virá me buscar e digo um palavrão. Não pretendo sair com ela. Que ela saia com a mulher com quem se encontrou ontem à noite. Vou ao meu quarto, pego meu celular e, surpresa, vejo que recebi uma mensagem. É dela.
“Não se esqueça. Passo aí às 13h.”
Isso me deixa furiosa. Mas quem ela pensa que é para ocupar meu tempo? Respondo: “Não pretendo sair.”
Após enviar a mensagem, respiro aliviada, mas meu alívio dura pouco, até que o telefone apita e eu leio: “Não me irrite, pequena.”
Que não a irrite?
Essa mulher é fogo. E, antes que eu responda, meu celular apita de novo.
“Pelo seu bem, te espero às 13h.”
Ler isso me faz sorrir.
Que folgada...! Então decido responder assim:
“Pelo seu bem, Swan, não venha. Não estou a fim.”
Meu celular imediatamente volta a apitar.
“Senhorita Mills, você quer me irritar?”
Boquiaberta, olho para a tela e escrevo:
“O que eu quero é que você me esqueça.”
Deixo o celular sobre a bancada da cozinha, mas ouço um novo apito. Eu o pego rapidamente.
“Você tem duas opções. A primeira: me mostrar Madri e passar o dia comigo. E a segunda: me irritar, mas lembrando que sou sua CHEFE. Você decide.”
Sinto uma raiva! Seu abuso de autoridade me tira do sério, mas ao mesmo tempo me excita.
Que boba!
Com as mãos trêmulas, deixo o celular na bancada. Não penso responder. Mas o telefone apita de novo, e eu, curiosa que sou, leio sua mensagem:
“Escolha uma das opções.”
Irritada, xingo baixinho. Consigo imaginá-la sorrindo enquanto escreve esses torpedos. Isso me irrita ainda mais. Largo o telefone. Não pretendo responder e, três segundos depois, ouço um novo apito. Leio:
“Estou esperando e minha paciência não é infinita.”
Desesperada, me lembro de tudo que fizemos. E por fim respondo:
“Às 13h estarei pronta.”
Espero sua resposta, mas não chega nada. Convencida de que estou me metendo num jogo que eu não deveria jogar, faço outro café e, quando olho o relógio do micro-ondas, vejo que já são 12h40. Sem tempo a perder, corro pela casa.
— Oi, tiaaaaaaaaaaaa!
Minha sobrinha Grace.
Penso num palavrão, mas logo olho a menina e a agarro para beijá-la com amor. Adoro minha sobrinha. Mas, quando eu e minha irmã nos olhamos, meu olhar não é nada amigável. Vinte minutos depois e assim que saio do chuveiro, entro de pijama na cozinha. Minha irmã está preparando algo para o café da manhã, enquanto minha querida Grace aperta entre seus braços o coitadinho do Trampo e assiste aos desenhos da televisão.
Entro na cozinha, me sento na bancada e pergunto:
— Posso saber o que você faz na minha casa num sábado às onze da manhã?
Minha irmã me encara e coloca um café na minha frente.
— Me trai — diz num cochicho.
Surpresa com suas palavras, me preparo para responder, mas ela abaixa a voz para Grace não ouvir e prossegue:
— Acabo de descobrir que o sem-vergonha do meu marido me trai! Passei a vida inteira fazendo dieta, indo à academia, cuidando do meu corpo pra estar sempre linda e esse desgraçado me trai! Mas não, isso não vai ficar assim. Te juro que vou contratar o melhor advogado que eu encontrar e vou tirar até o último centavo dele.
Te juro que... Preciso de um segundo. Uma pausa. Levanto a mão e pergunto:
— Como você sabe que ele te trai?
— Eu sei e ponto.
— Essa resposta não vale — insisto, até que a menina entra na cozinha.
— Mãe, vou ao banheiro.
Mary faz que sim e diz:
— Olha, não se esqueça de limpar o bumbum com papel, tá?
A menina desaparece de nossa vista.
— Ontem Luiza, mãe de uma amiguinha da Grace — continua —, me contou que descobriu que seu marido a estava traindo quando ele começou a comprar ele mesmo sua própria roupa. E, justamente, há dois dias Whale comprou uma camisa e algumas cuecas! Isso me deixa perplexa. Não sei o que dizer. Realmente, dizem que um dos sintomas para se desconfiar de um homem é esse. Mas, claro, não dá para dizer que isso é regra geral em todos os casos. E menos ainda no caso do meu cunhado. Não, não imagino isso dele.
— Mas, Mary, isso não quer dizer nada...
— Sim. Isso quer dizer muito.
— Para com isso, sua exagerada! — rio para minimizar a questão.
— Exagerada nada, maninha. Ele me olha dum jeito estranho... como se quisesse me dizer alguma coisa e... quando fazemos amor, ele...
— Não quero ouvir mais nada — interrompo.
Pensar no meu cunhado numa cena de sexo não me agrada nem um pouco. De repente minha sobrinha surge na cozinha e pergunta:
— Tia... por que esse batom não pinta mas treme?
Ao escutar isso, tenho vontade de morrer. Olho para ela e vejo que está segurando o vibrador que Emma me deu de presente. Pulo da bancada e o arranco das mãos dela. Minha irmã, mergulhada em suas próprias questões, nem se dá conta. Menos mal. Guardo o maldito batom no primeiro lugar que encontro. Na calcinha.
— É um batom de mentirinha, fofa. Não percebeu?
A menina solta uma risadinha e eu fico desconcertada. Bendita inocência. Minha irmã olha para nós duas, e minha sobrinha diz:
— Tia, não esquece a festa de terça-feira.
— Não vou esquecer, meu amor — murmuro, ao mesmo tempo que afago sua cabeça com ternura.
Minha sobrinha me olha com seus olhinhos castanhos, torce a boca e diz:
— Briguei com a Alicia de novo. É uma boba e não quero ficar de bem nunca mais.
Alicia é a melhor amiga da minha sobrinha. Mas são tão diferentes que não param de brigar. Mesmo assim, não conseguem viver uma sem a outra. E eu sou a intermediária das brigas.
— Por que vocês brigaram?
Grace solta o ar bufando e olha para cima com impaciência.
— Porque eu emprestei um filme pra ela, e ela disse que era mentira — cochicha. — Me chamou de boba e coisas piores, e fiquei triste. Mas ontem ela me trouxe o filme, me pediu desculpas e eu não aceitei.
Sorrio. Minha sobrinha fofa e seus grandes problemas.
— Grace, eu já te disse que, quando a gente gosta de uma pessoa, a gente tem que tentar resolver os problemas, né? Você gosta da Alicia?
— Gosto.
— E, se ela pediu desculpas pelo erro dela, por que você não aceita?
— Porque estou chateada com ela.
— Está bem, eu entendo sua chateação, mas agora você precisa pensar se isso é tão importante a ponto de você deixar de ser amiga de uma pessoa de quem você gosta muito e que ainda por cima te pediu desculpas. Promete pensar nisso?
— Prometo, tia. Vou pensar.
Segundos depois, a menina desaparece dentro do apartamento.
— Posso saber o que você está escondendo nessa calça? — pergunta Mary.
— Já disse. Um batom de mentira — rio ao lembrar que está dentro da minha calcinha.
Convencida ou não, aceita minha resposta e não pede mais explicações. Fico aliviada. Meia hora mais tarde, depois de minha irmã contar tudo o que aconteceu e de detonar meu cunhado, ela e minha sobrinha vão embora e me deixam em paz em casa.
Consulto o relógio. São 12h05.
Então lembro que Emma virá me buscar e digo um palavrão. Não pretendo sair com ela. Que ela saia com a mulher com quem se encontrou ontem à noite. Vou ao meu quarto, pego meu celular e, surpresa, vejo que recebi uma mensagem. É dela.
“Não se esqueça. Passo aí às 13h.”
Isso me deixa furiosa. Mas quem ela pensa que é para ocupar meu tempo? Respondo: “Não pretendo sair.”
Após enviar a mensagem, respiro aliviada, mas meu alívio dura pouco, até que o telefone apita e eu leio: “Não me irrite, pequena.”
Que não a irrite?
Essa mulher é fogo. E, antes que eu responda, meu celular apita de novo.
“Pelo seu bem, te espero às 13h.”
Ler isso me faz sorrir.
Que folgada...! Então decido responder assim:
“Pelo seu bem, Swan, não venha. Não estou a fim.”
Meu celular imediatamente volta a apitar.
“Senhorita Mills, você quer me irritar?”
Boquiaberta, olho para a tela e escrevo:
“O que eu quero é que você me esqueça.”
Deixo o celular sobre a bancada da cozinha, mas ouço um novo apito. Eu o pego rapidamente.
“Você tem duas opções. A primeira: me mostrar Madri e passar o dia comigo. E a segunda: me irritar, mas lembrando que sou sua CHEFE. Você decide.”
Sinto uma raiva! Seu abuso de autoridade me tira do sério, mas ao mesmo tempo me excita.
Que boba!
Com as mãos trêmulas, deixo o celular na bancada. Não penso responder. Mas o telefone apita de novo, e eu, curiosa que sou, leio sua mensagem:
“Escolha uma das opções.”
Irritada, xingo baixinho. Consigo imaginá-la sorrindo enquanto escreve esses torpedos. Isso me irrita ainda mais. Largo o telefone. Não pretendo responder e, três segundos depois, ouço um novo apito. Leio:
“Estou esperando e minha paciência não é infinita.”
Desesperada, me lembro de tudo que fizemos. E por fim respondo:
“Às 13h estarei pronta.”
Espero sua resposta, mas não chega nada. Convencida de que estou me metendo num jogo que eu não deveria jogar, faço outro café e, quando olho o relógio do micro-ondas, vejo que já são 12h40. Sem tempo a perder, corro pela casa.
Que roupa eu coloco? Acabo vestindo uma
calça jeans e uma blusa preta do Guns’n’Roses que ganhei de presente da minha
amiga Katheryne. Prendo o meu cabelo num rabo alto e às 13h o interfone toca.
Que pontual! Certa de que é ela, não atendo. Que tente de novo. Dez segundos
depois, toca novamente. Sorrio. Pego o interfone e pergunto indiferente:
— Sim?
— Desce. Estou te esperando.
Uau! Nem um bom-dia, nem nada. A Senhora Mandona está de volta!
Depois de beijar a cabeça do Trampo, saio de casa esperando que meu look com jeans não lhe agrade nem um pouco e que ela desista de sair comigo. Mas fico maravilhada quando chego à rua e a vejo de calça jeans e regata preta ao lado de uma espetacular Ferrari vermelha que me deixa sem palavras.
Ah, se meu pai visse isso! O sorriso volta a meus lábios. Adorei!
— É sua? — pergunto, aproximando-me de Emma.
Dá de ombros e não responde.
Então presumo que o carro é alugado e me apaixono à primeira vista por aquela máquina imponente. Passo a mão com delicadeza, enquanto sinto que Emma olha para mim.
— Posso dirigir? — pergunto.
— Não.
— Ah, vaaaaaai — insisto. — Não seja desmancha-prazeres. Deixa, por favor! Meu pai tem uma oficina mecânica e te garanto que sei o que fazer. Emma olha para mim. Eu olho de volta.
Ela suspira e eu sorrio. Por fim, nega com a cabeça.
— Me mostre Madri e, se você se comportar direitinho, talvez eu deixe você dirigir. — Isso me empolga e ela continua:
— Eu dirijo e você me diz aonde ir. Então, aonde vamos?
Fico pensando um minuto, mas em seguida respondo:
— O que acha de irmos à parte mais turística de Madri? Plaza Mayor, Puerta del Sol, Palacio Real, conhece?
Não responde, então dou a direção e mergulhamos no trânsito. Enquanto ela dirige, aproveito o fato de estar numa Ferrari. Surreal! Aumento o volume do rádio. Adoro essa música de Juanes. Emma abaixa o volume. Aumento de novo. Ela abaixa mais uma vez.
— Assim não consigo ouvir a música! — protesto.
— Está surda?
— Não... não estou, mas um pouco de animação dentro de um carro não é nada mau.
— Mas também tem que cantar?
Essa pergunta me pega tão de surpresa que respondo:
— Qual é o problema? Você não canta nunca?
— Não.
— Por quê?
Contrai a expressão do rosto enquanto pensa... pensa... e pensa.
— Sinceramente, não sei — responde, enfim.
Espantada com isso, eu olho para ela e digo:
— Mas ouvir música é uma coisa maravilhosa. Minha mãe sempre dizia que quem canta seus males espanta, e algumas letras podem ser tão significativas pro ser humano que até são capazes de nos ajudar a entendermos nossos sentimentos.
— Você fala da sua mãe no passado. Por quê?
— Morreu de câncer há alguns anos. Emma toca minha mão.
— Sinto muito, Regi — murmura.
Faço um gesto de compreensão com a cabeça e, sem querer parar de falar sobre a minha mãe, acrescento:
— Ela adorava cantar e eu também adoro.
— E você não tem vergonha de cantar na minha frente?
— Não, por quê? — respondo, dando de ombros.
— Sei lá, Regi. Talvez por pudor.
— Que nada! Sou viciada em música e passo o dia cantarolando. Sério, eu recomendo. Volto a aumentar o volume e, demonstrando a pouca vergonha que tenho, mexo os ombros e começo a cantarolar.
— Sim?
— Desce. Estou te esperando.
Uau! Nem um bom-dia, nem nada. A Senhora Mandona está de volta!
Depois de beijar a cabeça do Trampo, saio de casa esperando que meu look com jeans não lhe agrade nem um pouco e que ela desista de sair comigo. Mas fico maravilhada quando chego à rua e a vejo de calça jeans e regata preta ao lado de uma espetacular Ferrari vermelha que me deixa sem palavras.
Ah, se meu pai visse isso! O sorriso volta a meus lábios. Adorei!
— É sua? — pergunto, aproximando-me de Emma.
Dá de ombros e não responde.
Então presumo que o carro é alugado e me apaixono à primeira vista por aquela máquina imponente. Passo a mão com delicadeza, enquanto sinto que Emma olha para mim.
— Posso dirigir? — pergunto.
— Não.
— Ah, vaaaaaai — insisto. — Não seja desmancha-prazeres. Deixa, por favor! Meu pai tem uma oficina mecânica e te garanto que sei o que fazer. Emma olha para mim. Eu olho de volta.
Ela suspira e eu sorrio. Por fim, nega com a cabeça.
— Me mostre Madri e, se você se comportar direitinho, talvez eu deixe você dirigir. — Isso me empolga e ela continua:
— Eu dirijo e você me diz aonde ir. Então, aonde vamos?
Fico pensando um minuto, mas em seguida respondo:
— O que acha de irmos à parte mais turística de Madri? Plaza Mayor, Puerta del Sol, Palacio Real, conhece?
Não responde, então dou a direção e mergulhamos no trânsito. Enquanto ela dirige, aproveito o fato de estar numa Ferrari. Surreal! Aumento o volume do rádio. Adoro essa música de Juanes. Emma abaixa o volume. Aumento de novo. Ela abaixa mais uma vez.
— Assim não consigo ouvir a música! — protesto.
— Está surda?
— Não... não estou, mas um pouco de animação dentro de um carro não é nada mau.
— Mas também tem que cantar?
Essa pergunta me pega tão de surpresa que respondo:
— Qual é o problema? Você não canta nunca?
— Não.
— Por quê?
Contrai a expressão do rosto enquanto pensa... pensa... e pensa.
— Sinceramente, não sei — responde, enfim.
Espantada com isso, eu olho para ela e digo:
— Mas ouvir música é uma coisa maravilhosa. Minha mãe sempre dizia que quem canta seus males espanta, e algumas letras podem ser tão significativas pro ser humano que até são capazes de nos ajudar a entendermos nossos sentimentos.
— Você fala da sua mãe no passado. Por quê?
— Morreu de câncer há alguns anos. Emma toca minha mão.
— Sinto muito, Regi — murmura.
Faço um gesto de compreensão com a cabeça e, sem querer parar de falar sobre a minha mãe, acrescento:
— Ela adorava cantar e eu também adoro.
— E você não tem vergonha de cantar na minha frente?
— Não, por quê? — respondo, dando de ombros.
— Sei lá, Regi. Talvez por pudor.
— Que nada! Sou viciada em música e passo o dia cantarolando. Sério, eu recomendo. Volto a aumentar o volume e, demonstrando a pouca vergonha que tenho, mexo os ombros e começo a cantarolar.
Por fim, vejo seus lábios insinuando um
sorriso. Isso me dá confiança e eu continuo cantando, música após música. Ao
chegarmos ao centro de Madri, paramos a Ferrari num estacionamento subterrâneo,
e eu olho com tristeza para o carro enquanto nos afastamos dele. Emma percebe e
sussurra ao pé do meu ouvido:
— Lembre-se. Se você se comportar bem, vou te deixar dirigir.
Minha expressão muda, e um tremor de alegria me domina por completo quando eu a ouço rir. Finalmente! Ela sabe rir! Tem uma risada muito bonita. É algo que ela não faz muito, mas, nas poucas vezes que faz, é encantador. Após sair do estacionamento, me pega pela mão com firmeza. Isso me surpreende e, como me agrada, não a retiro. Caminhamos pela calle del Carmen e desembocamos na Puerta del Sol. Subimos pela calle Mayor e chegamos à Plaza Mayor. Vejo que ela se maravilha com tudo o que vê, enquanto continuamos nosso passeio em direção ao Palacio Real. Quando chegamos está fechado e, como a fome começa a bater, sugiro almoçarmos num restaurante italiano de uns amigos meus.
Ao chegarmos, meus amigos nos cumprimentam encantados. Logo nos acomodam numa mesinha meio afastada das outras e, depois de pedirmos os pratos, eles nos trazem algo para beber.
— É boa a comida daqui?
— A melhor que tem. Giovanni e Pepa cozinham muito bem. E posso te garantir que todos os produtos vêm diretamente de Milão.
Dez minutos depois, ela comprova o que eu disse ao degustar uma saborosa mozarela de búfala com tomate.
— Uma delícia.
Tira mais um pedaço e me oferece. Aceito.
— Não é? — digo. — Eu te falei.
Faz que sim com a cabeça. Pega outro pedaço e volta a me oferecer. E eu aceito de novo, entrando no seu jogo. Agora sou eu que tiro um pedacinho e dou a ela. Comemos da mão da outra sem nos importarmos com o que as pessoas ao nosso redor estão pensando. Terminada a mozarela, Emma limpa a boca com o guardanapo e olha para mim.
— Quero te propor uma coisa — diz.
— Hummmmm... Vindo de quem vem, tenho certeza de que é algo indecente.
Sorri diante do meu comentário. Toca com o dedo a ponta do meu nariz e diz:
— Vou passar um tempo aqui na Espanha e depois volto à Alemanha. Imagino que você saiba que meu pai morreu há três semanas... Quero visitar todas as sucursais da empresa na Espanha. Preciso conhecer a situação de cada uma delas, já que pretendo ampliar o negócio a outros países. Antes era o meu pai quem cuidava de tudo e... bem... agora quem dirige a empresa sou eu.
— Sinto muito pelo seu pai. Me lembro de ter escutado...
— Ouça, Regi — me interrompe. Não me deixa entrar em sua vida. — Tenho várias reuniões em diferentes cidades espanholas e gostaria que você me acompanhasse. Você sabe falar e escrever perfeitamente em alemão e preciso que, após as reuniões, você envie uma série de documentos à minha sede na Alemanha. Na quinta-feira eu tenho que estar em Barcelona e...
— Não posso. Tenho muito trabalho e...
— Em relação ao trabalho, você não precisa se preocupar. A chefe sou eu.
— Está me pedindo que largue tudo e te acompanhe nas suas viagens? — pergunto boquiaberta.
— Estou.
— E por que você não pede a Killian? Ele era o secretário do seu pai.
— Prefiro você. — E ao ver minha cara, ela acrescenta: — Você viria como secretária. Suas férias seriam adiadas até nossa volta e depois você poderia tirá-las. E, claro, os honorários da viagem você é quem vai decidir.
— Uffff....! Não me anime com meus honorários, que eu vou abusar de você.
Apoia os cotovelos na mesa. Junta as mãos. Põe o queixo sobre elas e murmura:
— Pode abusar de mim.
Meus lábios ficam trêmulos. Não quero entender o que ela está me propondo. Ou pelo menos não quero entender da forma como estou entendendo. Mas, como não consigo ficar quieta de jeito nenhum, pergunto:
— Você vai me pagar para estar comigo?
Assim que digo isso, ela me olha fixamente e responde:
— Vou te pagar pelo seu trabalho, Regina. Que tipo de mulher você acha que sou? Nervosa, sinto meu estômago se contrair e pergunto novamente. Desta vez num sussurro, para ninguém ouvir:
— E meu trabalho, qual será?
Imperturbável, crava em mim seus impressionantes olhos verdes e diz:
— Acabei de te explicar, pequena. Você vai ser minha secretária. A pessoa encarregada de enviar aos escritórios centrais da Alemanha tudo o que falarmos nessas reuniões.
Minha cabeça começa a girar, mas, antes que eu diga qualquer coisa, ela pega minha mão.
— Não posso negar que você me atrai. Adoro te surpreender e, principalmente, te ouvir gemer. Mas, acredite em mim, tudo o que estou te propondo agora é totalmente decente. Isso me deixa excitada e me faz rir. De repente me sinto como Demi Moore no filme Proposta indecente.
— Nos hotéis, ficaremos em quartos separados, né? — pergunto.
— Claro. Cada uma vai ter seu próprio espaço. Você tem até terça para pensar. Nesse dia preciso de uma resposta ou vou procurar outra secretária.
Giovanni chega com uma apetitosa pizza quatro estações e a coloca no centro da mesa. Depois vai embora. O aroma de especiarias me deixa com água na boca e eu sorrio. Emma me imita e a partir de então não tocamos mais no assunto. Fico aliviada por isso. Preciso pensar. E agora nos limitamos a aproveitar nosso maravilhoso almoço.
Após sair do restaurante, Emma pega minha mão novamente de forma possessiva, e eu me deixo levar. Cada vez gosto mais das sensações que me provoca, apesar de eu estar meio perturbada com sua proposta.
Uma parte de mim quer recusar; mas outra quer aceitar. Gosto de Emma. Gosto de seus beijos. Gosto do jeito como me toca e de seus joguinhos. Caminhamos em busca de sombra pelos jardins do Palacio Real, enquanto falamos sobre mil coisas, mas nada em profundidade.
— Topa ir ao meu hotel? — pergunta de repente.
— Agora?
Olha para mim. Percorre meu corpo com desejo e sussurra com voz rouca:
— Sim. Agora. Estou hospedada no hotel Villa Magna.
Sinto um aperto no estômago. Entrar num quarto com Emma significa... sexo. Sexo, sexo e mais sexo. E, após encará-la por alguns segundos, balanço a cabeça concordando, certa de que é isso que quero dela. Sexo. Caminhamos de mãos dadas até o estacionamento.
— Vai me deixar dirigir?
Me olha com seus inquietantes olhos verdes e aproxima sua boca do meu ouvido.
— Você se comportou bem?
— Muitíssimo bem.
— E vai cantar de novo?
— Com certeza.
Eu a ouço rir, mas ela não me responde. Depois de pagarmos o estacionamento, ela olha de novo para mim e me entrega as chaves.
— Seu desejo é uma ordem, pequena.
Emocionada, dou um salto à Rocky Balboa que a faz sorrir de novo. Fico na ponta dos pés e beijo seus lábios. Desta vez sou eu quem a segura pela mão e a puxa para procurarmos a Ferrari.
— Uhuuuuu! — grito, empolgada.
Emma entra no carro e coloca o cinto de segurança.
— Bem, Regi — diz. — É todo seu.
Dito e feito. Ligo o motor e depois o rádio. A música de Maroon 5 preenche o interior do veículo e, antes que Emma mexa no volume, eu olho para ela e murmuro:
— Nem pense em abaixar.
Faz cara de contrariada, mas sorri. Está de bom humor. Saímos do estacionamento e eu me sinto como uma amazona com esse carro incrível nas minhas mãos. Sei onde fica o hotel Villa Magna, mas antes decido dar uma voltinha pela rodovia M-30. Emma não fala nada, apenas me observa e aguenta, imperturbável, o volume do rádio e minha cantoria. Meia hora depois, quando me dou por satisfeita, diminuo a marcha e saio da M-30 para seguir até o hotel Villa Magna.
— Feliz com o passeio?
— Muito — respondo, emocionada por ter dirigido um carro desses.
Suas mãos fazem cosquinhas nas minhas pernas e acabam se detendo no meu púbis. Faz pequenos círculos sobre ele, e eu fico molhada no mesmo instante. Constrangida, quero fechar bem as pernas.
— Espero que dentro de meia hora você esteja ainda mais feliz — diz.
Seu comentário me faz rir, enquanto sinto suas mãos brincalhonas me tocando por cima do jeans. Isso me deixa ainda mais excitada e, quando chegamos à entrada do Villa Magna e descemos do carro, ela segura minha mão, pega de volta as chaves do carro e as entrega ao porteiro. Depois me puxa até o hall dos elevadores. Dentro de um deles, o ascensorista não precisa perguntar nada: sabe perfeitamente aonde tem que nos levar. Quando chegamos ao último andar, as portas do elevador se abrem e eu leio: “Suíte Presidencial.”
Ao entrar, respiro o luxo e o glamour em estado puro. Móveis cor de café, jardim japonês... Então percebo que há duas portas na suíte. Resolvo abri-las e descubro dois quartos maravilhosos com camas king size.
— Por que você se hospeda numa suíte dupla?
Emma se aproxima de mim e se apoia na parede.
— Porque num quarto eu brinco e no outro eu durmo — murmura.
De repente, umas batidas na porta chamam minha atenção, e entra um homem de meia-idade. Emma olha para ele e diz:
— Traga morangos, chocolate e um bom champanhe francês. Deixo à sua escolha.
O homem faz que sim e sai do quarto. Eu ainda estou em choque sentindo o prazer das coisas exclusivas. Nos afastamos da porta alguns metros e andamos pelo quarto. Vou direto pra uma varanda. Abro as portas e entro.
Logo sinto Emma atrás de mim. Me pega pela cintura e me aperta contra seu corpo. Depois abaixa a cabeça e eu sinto seus lábios encherem meu pescoço de beijos doces. Fecho os olhos e me deixo levar. Percebo suas mãos por baixo da minha blusa, agarrando com força os meus seios. Ela os massageia e eu começo a estremecer. Foi só entrar no quarto e já estou sentindo que ela quer me possuir. A urgência toma conta dela. Precisa agir imediatamente.
— Emma, posso te perguntar uma coisa?
— Pode.
A cada segundo que passa, me sinto mais molhada pelas coisas que ela me faz sentir.
— Por que você está indo tão depressa?
Me olha... me olha... me olha... e, finalmente, diz:
— Porque não quero perder nada e menos ainda em se tratando de você. — Um suspiro sai da minha boca e agora é Emma quem pergunta:
— Trouxe o vibrador?
Ao me lembrar disso, me recrimino em silêncio.
— Não — respondo.
Ela não diz nada e, sem que eu me mexa, percebo que ela está abrindo o botão da minha calça e baixando o zíper. Coloca a mão dentro da calcinha, atravessa os lábios úmidos e começa a estimular o clitóris.
— Eu te disse pra sempre levar na bolsa, lembra?
— Lembro.
— Ah, Regina...! Você tem que lembrar os conselhos que te dou se quiser que a gente desfrute plenamente do sexo.
Concordo com um gesto, totalmente entregue a ela, quando seu dedo se detém e ela o retira devagar da minha calcinha. Quero lhe pedir que continue. Em vez disso, ela leva o dedo à minha boca.
— Quero que você conheça seu próprio sabor. Quero que entenda por que estou louca para te devorar de novo.
Sem precisar de mais nada, mexo o pescoço e enfio seu dedo na minha boca. Meu gosto é salgado.
— Hoje, senhorita Mills — murmura de novo no meu ouvido —, você vai pagar por não ter trazido o vibrador e por ter atrapalhado um dos meus jogos.
— Desculpa e...
— Não. Não peça desculpas, pequena — diz. — Brincaremos de outra coisa. Pode ser?
— Sim — suspiro, mais excitada a cada instante que passa.
— Tem certeza?
— Tenho.
— Sem limites?
— Sado não.
Ela sorri, até que voltamos a escutar batidas na porta. Emma se afasta de mim e, ao voltar, vejo que um garçom nos traz uma linda mesa de cristal e prata com o que havíamos pedido. Emma abre o champanhe, serve duas taças e me entrega uma para brindarmos.
— Brindemos à diversão que temos pela frente em nossas brincadeiras, senhorita Mills.
Eu olho para ela. Ela olha para mim. Sinto meu corpo reagir diante da palavra “brincadeiras”.
Se eu visse esse olhar numa foto sua no Facebook, não hesitaria em dar um “Curtir”. Por fim sorrio, bato minha taça na dela e concordo:
— Brindemos a isso, Swan.
— Lembre-se. Se você se comportar bem, vou te deixar dirigir.
Minha expressão muda, e um tremor de alegria me domina por completo quando eu a ouço rir. Finalmente! Ela sabe rir! Tem uma risada muito bonita. É algo que ela não faz muito, mas, nas poucas vezes que faz, é encantador. Após sair do estacionamento, me pega pela mão com firmeza. Isso me surpreende e, como me agrada, não a retiro. Caminhamos pela calle del Carmen e desembocamos na Puerta del Sol. Subimos pela calle Mayor e chegamos à Plaza Mayor. Vejo que ela se maravilha com tudo o que vê, enquanto continuamos nosso passeio em direção ao Palacio Real. Quando chegamos está fechado e, como a fome começa a bater, sugiro almoçarmos num restaurante italiano de uns amigos meus.
Ao chegarmos, meus amigos nos cumprimentam encantados. Logo nos acomodam numa mesinha meio afastada das outras e, depois de pedirmos os pratos, eles nos trazem algo para beber.
— É boa a comida daqui?
— A melhor que tem. Giovanni e Pepa cozinham muito bem. E posso te garantir que todos os produtos vêm diretamente de Milão.
Dez minutos depois, ela comprova o que eu disse ao degustar uma saborosa mozarela de búfala com tomate.
— Uma delícia.
Tira mais um pedaço e me oferece. Aceito.
— Não é? — digo. — Eu te falei.
Faz que sim com a cabeça. Pega outro pedaço e volta a me oferecer. E eu aceito de novo, entrando no seu jogo. Agora sou eu que tiro um pedacinho e dou a ela. Comemos da mão da outra sem nos importarmos com o que as pessoas ao nosso redor estão pensando. Terminada a mozarela, Emma limpa a boca com o guardanapo e olha para mim.
— Quero te propor uma coisa — diz.
— Hummmmm... Vindo de quem vem, tenho certeza de que é algo indecente.
Sorri diante do meu comentário. Toca com o dedo a ponta do meu nariz e diz:
— Vou passar um tempo aqui na Espanha e depois volto à Alemanha. Imagino que você saiba que meu pai morreu há três semanas... Quero visitar todas as sucursais da empresa na Espanha. Preciso conhecer a situação de cada uma delas, já que pretendo ampliar o negócio a outros países. Antes era o meu pai quem cuidava de tudo e... bem... agora quem dirige a empresa sou eu.
— Sinto muito pelo seu pai. Me lembro de ter escutado...
— Ouça, Regi — me interrompe. Não me deixa entrar em sua vida. — Tenho várias reuniões em diferentes cidades espanholas e gostaria que você me acompanhasse. Você sabe falar e escrever perfeitamente em alemão e preciso que, após as reuniões, você envie uma série de documentos à minha sede na Alemanha. Na quinta-feira eu tenho que estar em Barcelona e...
— Não posso. Tenho muito trabalho e...
— Em relação ao trabalho, você não precisa se preocupar. A chefe sou eu.
— Está me pedindo que largue tudo e te acompanhe nas suas viagens? — pergunto boquiaberta.
— Estou.
— E por que você não pede a Killian? Ele era o secretário do seu pai.
— Prefiro você. — E ao ver minha cara, ela acrescenta: — Você viria como secretária. Suas férias seriam adiadas até nossa volta e depois você poderia tirá-las. E, claro, os honorários da viagem você é quem vai decidir.
— Uffff....! Não me anime com meus honorários, que eu vou abusar de você.
Apoia os cotovelos na mesa. Junta as mãos. Põe o queixo sobre elas e murmura:
— Pode abusar de mim.
Meus lábios ficam trêmulos. Não quero entender o que ela está me propondo. Ou pelo menos não quero entender da forma como estou entendendo. Mas, como não consigo ficar quieta de jeito nenhum, pergunto:
— Você vai me pagar para estar comigo?
Assim que digo isso, ela me olha fixamente e responde:
— Vou te pagar pelo seu trabalho, Regina. Que tipo de mulher você acha que sou? Nervosa, sinto meu estômago se contrair e pergunto novamente. Desta vez num sussurro, para ninguém ouvir:
— E meu trabalho, qual será?
Imperturbável, crava em mim seus impressionantes olhos verdes e diz:
— Acabei de te explicar, pequena. Você vai ser minha secretária. A pessoa encarregada de enviar aos escritórios centrais da Alemanha tudo o que falarmos nessas reuniões.
Minha cabeça começa a girar, mas, antes que eu diga qualquer coisa, ela pega minha mão.
— Não posso negar que você me atrai. Adoro te surpreender e, principalmente, te ouvir gemer. Mas, acredite em mim, tudo o que estou te propondo agora é totalmente decente. Isso me deixa excitada e me faz rir. De repente me sinto como Demi Moore no filme Proposta indecente.
— Nos hotéis, ficaremos em quartos separados, né? — pergunto.
— Claro. Cada uma vai ter seu próprio espaço. Você tem até terça para pensar. Nesse dia preciso de uma resposta ou vou procurar outra secretária.
Giovanni chega com uma apetitosa pizza quatro estações e a coloca no centro da mesa. Depois vai embora. O aroma de especiarias me deixa com água na boca e eu sorrio. Emma me imita e a partir de então não tocamos mais no assunto. Fico aliviada por isso. Preciso pensar. E agora nos limitamos a aproveitar nosso maravilhoso almoço.
Após sair do restaurante, Emma pega minha mão novamente de forma possessiva, e eu me deixo levar. Cada vez gosto mais das sensações que me provoca, apesar de eu estar meio perturbada com sua proposta.
Uma parte de mim quer recusar; mas outra quer aceitar. Gosto de Emma. Gosto de seus beijos. Gosto do jeito como me toca e de seus joguinhos. Caminhamos em busca de sombra pelos jardins do Palacio Real, enquanto falamos sobre mil coisas, mas nada em profundidade.
— Topa ir ao meu hotel? — pergunta de repente.
— Agora?
Olha para mim. Percorre meu corpo com desejo e sussurra com voz rouca:
— Sim. Agora. Estou hospedada no hotel Villa Magna.
Sinto um aperto no estômago. Entrar num quarto com Emma significa... sexo. Sexo, sexo e mais sexo. E, após encará-la por alguns segundos, balanço a cabeça concordando, certa de que é isso que quero dela. Sexo. Caminhamos de mãos dadas até o estacionamento.
— Vai me deixar dirigir?
Me olha com seus inquietantes olhos verdes e aproxima sua boca do meu ouvido.
— Você se comportou bem?
— Muitíssimo bem.
— E vai cantar de novo?
— Com certeza.
Eu a ouço rir, mas ela não me responde. Depois de pagarmos o estacionamento, ela olha de novo para mim e me entrega as chaves.
— Seu desejo é uma ordem, pequena.
Emocionada, dou um salto à Rocky Balboa que a faz sorrir de novo. Fico na ponta dos pés e beijo seus lábios. Desta vez sou eu quem a segura pela mão e a puxa para procurarmos a Ferrari.
— Uhuuuuu! — grito, empolgada.
Emma entra no carro e coloca o cinto de segurança.
— Bem, Regi — diz. — É todo seu.
Dito e feito. Ligo o motor e depois o rádio. A música de Maroon 5 preenche o interior do veículo e, antes que Emma mexa no volume, eu olho para ela e murmuro:
— Nem pense em abaixar.
Faz cara de contrariada, mas sorri. Está de bom humor. Saímos do estacionamento e eu me sinto como uma amazona com esse carro incrível nas minhas mãos. Sei onde fica o hotel Villa Magna, mas antes decido dar uma voltinha pela rodovia M-30. Emma não fala nada, apenas me observa e aguenta, imperturbável, o volume do rádio e minha cantoria. Meia hora depois, quando me dou por satisfeita, diminuo a marcha e saio da M-30 para seguir até o hotel Villa Magna.
— Feliz com o passeio?
— Muito — respondo, emocionada por ter dirigido um carro desses.
Suas mãos fazem cosquinhas nas minhas pernas e acabam se detendo no meu púbis. Faz pequenos círculos sobre ele, e eu fico molhada no mesmo instante. Constrangida, quero fechar bem as pernas.
— Espero que dentro de meia hora você esteja ainda mais feliz — diz.
Seu comentário me faz rir, enquanto sinto suas mãos brincalhonas me tocando por cima do jeans. Isso me deixa ainda mais excitada e, quando chegamos à entrada do Villa Magna e descemos do carro, ela segura minha mão, pega de volta as chaves do carro e as entrega ao porteiro. Depois me puxa até o hall dos elevadores. Dentro de um deles, o ascensorista não precisa perguntar nada: sabe perfeitamente aonde tem que nos levar. Quando chegamos ao último andar, as portas do elevador se abrem e eu leio: “Suíte Presidencial.”
Ao entrar, respiro o luxo e o glamour em estado puro. Móveis cor de café, jardim japonês... Então percebo que há duas portas na suíte. Resolvo abri-las e descubro dois quartos maravilhosos com camas king size.
— Por que você se hospeda numa suíte dupla?
Emma se aproxima de mim e se apoia na parede.
— Porque num quarto eu brinco e no outro eu durmo — murmura.
De repente, umas batidas na porta chamam minha atenção, e entra um homem de meia-idade. Emma olha para ele e diz:
— Traga morangos, chocolate e um bom champanhe francês. Deixo à sua escolha.
O homem faz que sim e sai do quarto. Eu ainda estou em choque sentindo o prazer das coisas exclusivas. Nos afastamos da porta alguns metros e andamos pelo quarto. Vou direto pra uma varanda. Abro as portas e entro.
Logo sinto Emma atrás de mim. Me pega pela cintura e me aperta contra seu corpo. Depois abaixa a cabeça e eu sinto seus lábios encherem meu pescoço de beijos doces. Fecho os olhos e me deixo levar. Percebo suas mãos por baixo da minha blusa, agarrando com força os meus seios. Ela os massageia e eu começo a estremecer. Foi só entrar no quarto e já estou sentindo que ela quer me possuir. A urgência toma conta dela. Precisa agir imediatamente.
— Emma, posso te perguntar uma coisa?
— Pode.
A cada segundo que passa, me sinto mais molhada pelas coisas que ela me faz sentir.
— Por que você está indo tão depressa?
Me olha... me olha... me olha... e, finalmente, diz:
— Porque não quero perder nada e menos ainda em se tratando de você. — Um suspiro sai da minha boca e agora é Emma quem pergunta:
— Trouxe o vibrador?
Ao me lembrar disso, me recrimino em silêncio.
— Não — respondo.
Ela não diz nada e, sem que eu me mexa, percebo que ela está abrindo o botão da minha calça e baixando o zíper. Coloca a mão dentro da calcinha, atravessa os lábios úmidos e começa a estimular o clitóris.
— Eu te disse pra sempre levar na bolsa, lembra?
— Lembro.
— Ah, Regina...! Você tem que lembrar os conselhos que te dou se quiser que a gente desfrute plenamente do sexo.
Concordo com um gesto, totalmente entregue a ela, quando seu dedo se detém e ela o retira devagar da minha calcinha. Quero lhe pedir que continue. Em vez disso, ela leva o dedo à minha boca.
— Quero que você conheça seu próprio sabor. Quero que entenda por que estou louca para te devorar de novo.
Sem precisar de mais nada, mexo o pescoço e enfio seu dedo na minha boca. Meu gosto é salgado.
— Hoje, senhorita Mills — murmura de novo no meu ouvido —, você vai pagar por não ter trazido o vibrador e por ter atrapalhado um dos meus jogos.
— Desculpa e...
— Não. Não peça desculpas, pequena — diz. — Brincaremos de outra coisa. Pode ser?
— Sim — suspiro, mais excitada a cada instante que passa.
— Tem certeza?
— Tenho.
— Sem limites?
— Sado não.
Ela sorri, até que voltamos a escutar batidas na porta. Emma se afasta de mim e, ao voltar, vejo que um garçom nos traz uma linda mesa de cristal e prata com o que havíamos pedido. Emma abre o champanhe, serve duas taças e me entrega uma para brindarmos.
— Brindemos à diversão que temos pela frente em nossas brincadeiras, senhorita Mills.
Eu olho para ela. Ela olha para mim. Sinto meu corpo reagir diante da palavra “brincadeiras”.
Se eu visse esse olhar numa foto sua no Facebook, não hesitaria em dar um “Curtir”. Por fim sorrio, bato minha taça na dela e concordo:
— Brindemos a isso, Swan.
Nenhum comentário:
Postar um comentário