sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Peça-me o que quiser Capítulo 23

Capítulo 23

Três dias depois, ainda continuamos em Zahara de los Atunes e nossos anfitriões insistem para ficarmos mais tempo no chalé. Acabamos aceitando, encantadas. Emma recebe várias ligações e mensagens de uma tal de Marta, e toda vez preciso me controlar para ficar de boca fechada em vez de perguntar: “Quem é essa mulher que fica te ligando tanto?” 
No quarto dia, Maura e eu resolvemos descer uma noite ao vilarejo para beber alguma coisa. Nossas mulheres jogam xadrez e preferem continuar no chalé.
 
Chegamos a um pub chamado “lacosita”. Pedimos umas cubas libres e nos sentamos ao balcão pra bater papo. Conversar com Maura é fácil. Ela é divertida, falante e encantadora.
— Faz muito tempo que está casada com Jane?
 
— Oito anos. E a cada dia fico mais feliz por ter atropelado ela.
 
— Como assim?
 
Maura cai na gargalhada e explica:
 
— Conheci Jane porque a atropelei com o carro.
 
Isso me faz rir.
 
— Me conta essa história. Quero saber tudo.
 
Maura toma um gole de sua bebida e começa a contar:
 
— Nós duas estávamos indo à faculdade de medicina em Nuremberg. E no primeiro dia em que fui de carro, quando ia estacionar, não a vi e a atropelei. Por sorte, ela não sofreu nada grave, exceto um ou outro hematoma. Foi uma atração instantânea. E, desde esse dia a gente não se desgrudou mais.
 
Nós duas rimos e volto a perguntar:
 
— Ah, vem cá, e essa coisa de sexo e joguinhos, foi ideia de quem?
 
— Minha.
 
— Foi ideia sua?
 
Ela faz que sim com a cabeça.
 
— Você precisava ver a cara dela quando falei disso pela primeira vez. Ela não quis nem saber. Mas um dia a convidei para uma dessas festas, e a apresentei a Emma e, bom... a partir desse dia, ela gostou!
 
— Emma?!
 
— Sim. Somos amigas há anos e frequentávamos o mesmo grupo. Algo que, como você já deve ter percebido, continuamos fazendo. Aliás, acho que você já sabe que fui eu naquele dia no hotel que...
 
— Sim... Ela me contou.
 
— Pra mim foi um prazer dar prazer a vocês duas.
 
De repente me ocorre algo e eu pergunto:
 
— Ah, vem cá, você participou da roda que Helena organizou outro dia?
 
— Sim — diz Maura, rindo. — Adoro esse tipo de jogos, e Jane fica louca também.
— E não é estranho?
 
— Estranho? — surpreende-se. — Por quê?
 
— Não sei... Você não acha humilhante estar ali para satisfazer os desejos delas? Vocês ficam peladas. Vocês ficam entregues. Vocês são as que... bom, isso aí que você já sabe.
 
Maura solta uma gargalhada e tira do rosto uma mecha de cabelo.
 
— Não, querida. Adoro o tesão desse momento. Me deixa louca ver como me desejam, como minha mulher me oferece, como as outras mulheres me possuem. Eu gosto e a Jane gosta. É isso que conta, que as duas gostem e que a gente curta a experiência.
 
Quero perguntar mais coisas sobre os jogos, sobre Emma, Betta ou Marta, mas começa a tocar a música Love is in the air, de John Paul Young, e Maura grita empolgada:
 
— Adoro essa música. Vamos dançar!
 
Animadas, nós duas vamos até a pequena pista e dançamos ao som dessa linda canção, enquanto percebo que várias pessoas ali nos observam. Somos duas mulheres jovens, sozinhas, e isso é um prato cheio.
 
Por volta das três da manhã, Maura e eu decidimos voltar ao chalé. Estamos exaustas. Caminhamos até o BMW que deixamos no estacionamento da praia, e dois caras saem ao nosso encontro.
 
— Opa... opa... aqui estão as garotas que não paravam de dançar no pub.
Ao avistá-los, lembro deles e sorrio.
 
— Se vocês não quiserem problemas, o melhor é saírem da nossa frente.
 
Maura me olha. Em seu rosto percebo a insegurança. Estamos no estacionamento da praia e não há ninguém por perto. Eu não me deixo levar pelo medo, pego Maura pelo cotovelo e continuo andando na direção do carro.
 
— Ah... venham aqui, gatas. Vocês estão morrendo de tesão e a gente quer dar o que vocês querem.
 
— Vão à merda — eu solto.
 
Os homens continuam atrás de nós. Dá pra perceber que estão embriagados e eles continuam com as grosserias.
 
Quando chegamos ao carro, exijo que Maura me dê as chaves. Está tão nervosa que tenho de pegar nas suas mãos e então sinto que um desses caras está atrás de mim e põe a mão na minha bunda. Dou uma bela cotovelada no peito. Maura grita e ele solta uns palavrões. O outro tenta agarrar Maura e, para isso, me empurra e eu caio na areia. É a gota d’água para mim, e me levanto rapidamente.
 
O sujeito que me tocou se aproxima para me imobilizar, mas eu sou mais rápida e lhe dou um soco no queixo que o faz gritar. Eu grito também, mas de dor: machuquei meus dedos. Em seguida ele se levanta e me joga de novo no chão. Meus dedos doloridos se chocam na areia e nas pedras. Isso me enche de raiva e eu decido acabar com essa situação toda. Me levanto com a adrenalina a mil, me posiciono diante do cara e lhe dou um novo soco na bochecha e um chute na boca do estômago. Depois, agarro o sujeito que imobiliza Maura pelo cabelo e lhe dou um chute que o faz voar alguns metros. Olho para Maura e digo:
 
— Vamos. Entre no carro.
 
Os dois homens estão no chão e aproveitamos para fugir. Assim que saímos do estacionamento e chegamos a uma rua com gente sentada nas varandas, eu paro o carro. Me viro pra Maura, afastando uma mecha de cabelo do rosto.
 
— Você está bem?
 
Maura, um pouco assustada, faz que sim.
 
— Onde você aprendeu a se defender assim?
 
— Caratê. Meu pai nos matriculou, minha irmã e eu, num curso quando éramos crianças. Sempre disse que tínhamos de aprender a nos defender e, veja só, ele tinha razão!
 
— Você mandou muito bem. É minha heroína! — diz Maura, sorrindo.
 
— Esses caras tiveram o que mereceram e... Ai, meu Deus, Regina, sua mão!
 
Nós duas olhamos pra minha mão direita. Os nós dos dedos estão vermelhos e inchados. Mexo os dedos o máximo que consigo e tento não dar importância a isso.
 
— Não é nada... não se preocupe. Mas vou precisar de gelo para diminuir o inchaço. Você poderia dirigir?
 
— Claro.
 
Maura desce do carro e nós trocamos de lugar. Ela entra e arranca para o chalé. Quando chegamos, a luz da sala está acesa e, segundos depois, Emma, juntamente de Jane, aparece para nos receber. Nós duas sorrimos, mas, à medida que nos aproximamos, Emma repara na minha mão e vem rápido.
 
— O que aconteceu com você?
 
Vou responder, mas Maura se adianta.
 
— Quando saímos do pub, uns caras tentaram nos agarrar. Ainda bem que a Regina soube nos defender. Foi incrível! Você tinha que ver os chutes e socos que ela deu neles. Aliás, precisamos pôr gelo. E já!
 
Emma faz cara de espanto, enquanto Maura descreve de novo o episódio e fala sem parar. Está tão impressionada que não consegue ficar quieta. Jane, ao ver que nós duas estamos bem, abraça a mulher. Emma continua a um passo de mim com expressão severa. Noto pelo seu olhar angustiado que levou um susto e tanto. Por fim, pra tentar encerrar o assunto, lhe dou um beijo.
 
— Não se preocupe. Não foi nada. Só uns idiotas que estavam pedindo pra levar um bela surra.
 
— Entra no carro, Regina — exige Emma de repente.
 
— O quê?!
 
Descontrolada, ela tira as chaves da mão de Maura.
 
— Você vai me dizer quem são esses filhos da mãe e eles vão se arrepender de ter tocado em vocês.
 
Jane e Maura se colocam rapidamente ao seu lado. Jane pega as chaves e Maura diz:
 
— Posso saber aonde você vai?
 
— Dar a esses caras o que eles merecem. Me devolve as chaves, Jane.
 
Emma respira com dificuldade. Seus olhos estão furiosos.
 
— Para com isso, Emma — digo, querendo que desista dessa bobagem. — Não foi nada. O que você quer? Que realmente aconteça alguma coisa que a gente tenha que lamentar depois?
 
Meu grito a faz olhar para mim. Bate com força a porta do carro, e vem passar a mão pela minha cintura:
 
— Você está bem?
 
— Estou, sim. Está tudo bem. Só preciso de água oxigenada pra limpar os machucados e gelo para o inchaço.
 
— Meu Deus, pequena... — balbucia, encostando sua testa na minha. — Podia ter acontecido algo contigo.
— Emma... não aconteceu nada. E mais: você precisava ter visto como esses sujeitos ficaram. — Enquanto Maura e Jane entram na casa, acrescento: — Acabei com eles.
 
Me abraça. Me aperta contra si e coloca o rosto no meu pescoço. Permanecemos assim durante alguns minutos.
 
— Lembre-se do que eu te disse: campeã de caratê.
 
Noto que ela sorri e seus músculos relaxam. Por fim beija meus lábios com ternura.
 
— Ah... pequena, o que eu faço com você?

Os maravilhosos dias juntas continuam, e aquele episódio vira apenas mais uma história para contar. Passamos o tempo pegando sol, conversando e curtindo a companhia uma da outra. Os torpedos da tal de Betta continuam chegando e eu tento não pensar nisso. Não devo. Robin também me manda mensagens, e Emma não fala nada.
 
Certa manhã, vamos as quatro à cidade de Tarifa para ver as ruínas romanas de Baelo Claudia em Bolonia. Almoçamos num delicioso restaurante das redondezas e, quando vamos pagar, encontramos Helena, a amiga de Emma, e outra amiga.
 
Elas, muito simpáticas, falam conosco, e vamos todas juntos tomar um café numas mesinhas ao ar livre. Fico sabendo que Helena é uma advogada alemã e que está de férias pelo sul. A outra amiga, uma tal de Bette, é uma viticultora francesa. Conversamos qualquer besteira, mas percebo os olhares que Helena me lança de vez em quando. Emma também nota e chega perto do meu ouvido.
 
— Helena está louca pra te provar de novo.
 
— E você não se incomoda com isso?
 
Emma sorri e beija meu pescoço.
 
— Não. É uma grande amiga e sei que nunca faria nada sem minha permissão. Além disso, estou com vontade de te oferecer a ela de novo, se você quiser.
 
O calor toma conta do meu rosto e me abano com um leque, enquanto Emma sorri.
 
— Ficou com calor, pequena?
 
— Fiquei.
 
Passa a mão pelas minhas coxas, como dona delas, e vejo que Helena nos observa. Emma, atenta a tudo, murmura:
 
— Você quer que a gente vá a um hotel e te coma?
 
— Emma!
 
— Ou melhor... O que acha de irmos à praia e na água a gente...?
 
— Emma!
 
— Só de pensar em como você abre a boca quando geme, eu já fico molhada.
 
Rindo, ela tira a mão das minhas pernas. Diverte-se com suas provocações e meu calor aumenta. Me abano e Emma sorri.
Após os cafés, quando vamos nos despedir, ouço Jane perguntar:
 
— Helena, Bette, querem jantar lá em casa?
 
Aceitam imediatamente e sinto ainda mais calor. Depois de nos despedirmos delas e marcarmos o jantar pras nove horas, caminho junto com Maura até o carro.
 
— Uaaaaau...! Hoje à noite teremos festinha particular.
Durante todo o trajeto de volta, Emma não faz outra coisa além de me olhar e sorrir. E, quando chegamos em casa e tomamos banho, ela me provoca e me sussurra ao ouvido que hoje à noite vai me oferecer. Pede que eu coloque para o jantar um vestido verde e uns sapatos de salto de que ela gosta, e me sugere que eu não use nada por baixo.
 
Às nove, Helena e Bette chegam. Sinto como Helena percorre meu corpo com o lhar. Isso me inquieta, já que sei o objetivo da sua visita.
 
Jane prepara o jantar. É uma cozinheira fantástica e, sentadas à mesa, nós seis saboreamos a carne assada. Durante o jantar, Emma não tira os olhos de mim e vejo que sorri ao notar meus mamilos duros como pedras marcando o vestido. Está curtindo meu nervosismo e isso me deixa ainda mais histérica.
 
Assim que terminamos o jantar, Emma se levanta impaciente, pega minha mão e uma garrafa de champanhe e, após olhar para Helena, balbucia:
 
— Vamos pra sobremesa.
 
Helena limpa sua boca com o guardanapo, sorri e anda na direção de Emma. Fico sem palavras. Me deixo conduzir por Emma. Ela me leva ao quarto azul com a cama redonda. Assim que nós três entramos, me solta e diz:
 
— Não se mexa.
 
Eu paro de repente e vejo que ela se senta na cama. Põe três taças sobre uma mesinha e começa a enchê-las. Meu calor aumenta. Em cima da cama há vários potes e... e... o vibrador. Começo a arder. Fico olhando os lençóis. Brilham. Parecem de plástico e nesse instante sinto Helena atrás de mim. Emma pega uma das taças e começa a beber.
 
— Sobremesa maravilhosa — diz, após um gole —, não acha, Helena?
 
Em décimos de segundo, as mãos de Helena pousam na minha cintura e descem pela minha bunda, enquanto Emma nos observa. Helena me aperta e diz:
 
— Hummm... que delícia.
Me mexo enlouquecida enquanto essa mulher continua me tocando sem pudor. Os olhos de Emma faíscam de excitação quando nota que meu movimento facilita as carícias de Helena. Por alguns minutos, ela se limita a me tocar por cima do vestido. Meus mamilos arrepiados estão marcados no tecido, e ela pousa sua boca ali. Brinca com eles até que Emma diz:
 
— Vem, Regi... vou tirar sua roupa.
Em questão de segundos, o vestido cai aos meus pés e eu fico totalmente nua na frente delas. Helena se senta junto a Emma na cama.
 
— Adoro sua mulher... É tão gostosa que tenho vontade de chupá-la inteirinha.
 
Emmma abre um sorriso devasso, me dá uma palmada na bunda que me queima e faz um gesto a sua amiga, enquanto me conduz até mais perto dela.
 
— Pode chupá-la, é sua sobremesa. Quero ver como você faz.
Escutar isso faz meu estômago se contrair, e então Helena, ainda vestida, se deita na cama.
 
— Vamos, linda. Vem cá. Ajoelhe-se bem na minha frente e me dê sua bocetinha. Você é minha sobremesa e eu vou te comer todinha.
 
Subo na cama e faço o que ela me pede, excitada pelo que ela diz e, principalmente, pelo olhar possessivo de Emma.
 
Sem hesitar, segura minhas coxas e sua boca passeia, acelerada, pelo meu sexo. Ela lambe, chupa, suga, esfrega na cara enquanto seus dentes me dão mordidinhas que me fazem gemer. Fecho os olhos. Estou em êxtase e rebolo sobre sua boca, enquanto meus seios se movem de um lado pro outro.
Não vejo Emma. Está sentada atrás de mim e, por causa da minha posição, não consigo ver seu rosto. Mas sinto seu olhar bem nas minhas costas e sei que ela me observa me esfregando sobre a boca de sua amiga em busca de prazer. Esse novo mundo que estou descobrindo me envolve cada vez mais e, a cada instante, o prazer que sinto é maior que a vergonha. Ouço o barulho de algo sendo abotoado e imagino que Emma esteja colocando a cinta. De repente sinto Emma me puxando pelos quadris e me colocando de quatro em cima de sua amiga. Helena junta meus seios e se ergue para enfiá-los na boca, enquanto Emma vai metendo aos poucos o dildo em mim.
 
Duas mulheres. Uma em cima e a outra embaixo. Estou à mercê delas. Tão excitada que sinto meus fluidos escorrendo pelas minhas pernas. Até que ouço a voz de Emma:
 
— Isso... encharcada pra mim.
 
As mãos de Helena e as de Emma estão na minha cintura. Quatro mãos me seguram e eu grito ao notar que elas me movem para me afundar no "pênis" de Emma. A cada grito que dou, ouço suas respirações fortes.
 
Uma vez, e outra, e mais uma. Emma me penetra enquanto Helena empurra meus quadris na direção dela, até que de repente percebo que algo duro e muito molhado tenta entrar pelo mesmo lugar por onde Emma me penetra. Me mexo e Emma sussurra:
 
— É um vibrador, querida. Não se preocupe. Algum dia quero que sejamos duas te comendo pelo mesmo lugar.
 
Calor... calor e mais calor. Vou explodir!
 
Emma continua suas penetrações, enquanto Helena chupa meus mamilos e, com uma de suas mãos, enfia aos poucos o vibrador junto ao dildo. Me dilato. Meu corpo e o interior da minha vagina se adaptam ao invasor e eu começo a curtir. Tudo é loucura. Tudo é caliente. Emma me dá mais um tapa e volta a me penetrar com força. Eu grito e sinto que vou explodir. Helena retira o vibrador, deixa na cama e murmura enquanto abre minhas coxas para Emma:
 
— Você é uma delícia.
 
Emma detém seus movimentos e pega o lubrificante que está ao nosso lado enquanto Helena continua dizendo safadezas bem na minha cara e me dá tapinhas no traseiro que me atiçam.
 
— Abre ela — murmura Emma.
 
Helena segura minhas nádegas e as puxa para separar. Nesse instante, sinto Emma, com a ponta do dedo, passando lubrificante no meu ânus. O líquido escorregadio está morno, e Emma o introduz com o dedo. Ela o enfia... o retira e volta a enfiar. Respiro ofegante e me mexo inquieta. Nunca fiz sexo anal e tenho medo da dor. Emma tira o dedo e o enfia de novo com mais lubrificante. Desta vez seu dedo gira em pequenos círculos em meu interior.
 
— Isso, querida, isso... relaxa. Você está indo muito bem — balbucia Emma.
 
Solto um gemido e me inclino pra frente. Meus seios caem sobre Helena, que aproveita para morder de leve os mamilos.
 
— Assim, linda... assim... dá sua bundinha pra gente e eu te prometo que você vai adorar.
 
Sinto o dedo de Emma entrando e saindo cada vez com mais facilidade. Cheia de tesão, mexo meu traseiro em busca desse novo prazer quando sinto Emma introduzir dois dedos. A pressão dentro de mim é imensa, e eu arqueio a cintura à procura de alívio. Mas a dor com dois dedos fica insuportável.
 
— Emma... Emma, está doendo.
 
Imediatamente, com cuidado, tira os dedos e enfia algo em forma de chupeta e respiro ofegante ao sentir minha carne se abrindo e se encaixando nela. Abro a boca em busca de ar e, quando sinto que Emma retira o que enfiou, eu solto vários gemidos. Instantes depois, Emma se aproxima de mim e dá um beijo na minha nuca.
 
— Por hoje chega, amor. Não vou mais tocá-lo.
 
Helena solta minha bunda, e ela volta a abrir minhas pernas.
 
— Emma... vamos lá... faça os seios dela balançarem sobre mim.
 
Emma penetra bem fundo, exatamente como eu gosto. De uma vez só, enfia-se dentro de mim e eu grito. Meus seios se movem bem na cara de Helena, que agarra um e o mete na boca para morder meu mamilo. Quando o solta, olha pra mim e, enquanto eu me movimento pelas investidas de Emma, Helena sussurra:
 
— Espero que algum dia Emma me deixe "provar" sua bundinha apertada. Deve ser maravilhoso te foder por aí.
 
Não sei o que dizer. Apenas mexo a cabeça enquanto ela me olha e eu observo o desejo que sente de me comer.
 
Helena não me beija. Não se aproxima da minha boca. Ainda se lembra de que Emma lhe disse que minha boca é só dela. Meu corpo salta sobre ela com Emma me comendo.
 
Uma... duas... três... dez.
Emma me penetra várias vezes, até que desmorona sem forças sobre mim. Caio sobre Helena, sentindo a maciez de seus seios. O suor de Emma encharca minhas costas e sua boca beija minha cintura. Sorrio ao senti-la bem e feliz. Depois, desgruda o corpo do meu, se levanda e diz:
 
— Agora você...
 
Helena faz que sim com a cabeça, me coloca de um lado, e começa a me acariciar com as mãos. Emma me olha enquanto seu peito sobe e desce pelo esforço que acaba de fazer.
 
— Deita na cama, linda — murmura Helena.
 
Faço o que ela pede. Em seguida vejo os duas cochichando algo e Helena faz um gesto afirmativo. Depois, as duas sobem na cama e Emma pega a garrafa de champanhe.
 
— Junte as solas dos pés e flexione os joelhos.
 
De novo meu sexo aberto, úmido e escorregadio fica diante delas. Helena se agacha e passeia novamente com sua boca ali, enquanto Emma derrama champanhe no meu umbigo. Meu estômago se contrai e o champanhe desliza pela minha barriga. Helena lambe a trilha de álcool e murmura:
 
— Hummmmm... Maravilhoso. Quero mais...
 
Emma volta a despejar champanhe. Desta vez sobre meu púbis, e eu me contorço, enquanto Helena chupa e lambe com vontade o frescor que o champanhe deixa sobre mim.
 
— Masturbe-se pra gente, Regi — pede Emma e me entrega um vibrador para o clitóris.
 
Derrama champanhe outra vez e me delicio novamente com o frescor, mas Helena me enxuga depressa com a língua. Ligo o vibrador e coloco na potência 1, fazendo o clitóris inchar. Me mexo sufocada e aumento para a potência 2. Solto um gemido ao notar como se abre a flor que há em mim com aquele movimento. E, quando Emma aumenta para a potência 3 e Helena apoia suas mãos nas minhas coxas para me impedir de fechá-las, o calor se apodera do meu corpo e eu tiro o vibrador do meu clitóris enquanto grito e ergo os quadris.
 
Helena, louca para entrar em mim, ainda mais depois do que acabo de fazer, segura minhas coxas e as encaixa em cima dos seus ombros. Enfia com cuidado o dildo em mim. Eu grito e mete outra vez, enquanto Emma se aproxima de mim pela cabeceira da cama, ficando com meu rosto entre suas pernas, rega sua vagina com champanhe e coloca na minha boca.
 
— Toda sua, pequena.
 
Excitada, brinco com a glande de Emma na minha boca. Desenho círculos com a língua ao redor dela e sinto que ela reage. Fica mais sem controle e isso aumenta enquanto a chupo, e eu escuto Emma gemer ao mesmo tempo que Helena me come. Como meus braços estão livres, levo uma de minhas mãos a sua entrada, e fico rodeando ali com o dedo.
 
— Ahhhh... — sussurra.
 
As duas me tomam inteira.
 
Helena pela vagina e Emma pela boca, até que sinto Emma se retirando de minha boca, em puro êxtase, e observa como meu corpo reage às penetrações de Helena.
 
— Meu Deus, vou gozar! — diz Helena, ofegante.
 
Me segura pelos quadris e me aperta contra si. Isso faz com que eu me contorça e solte um gemido. Meus seios balançam diante delas, meu corpo se dobra e eu grito:
 
— Mais!
 
Helena sai de mim e volta a entrar. Abro os olhos e vejo Emma observando com luxúria ao meu lado. Gosto disso. Me excita. Helena dá um grito de prazer, se joga pra trás e por fim goza. Suor escorre por seu rosto, e vem descendo entre seus seios. Emma senta na cama, pôe de novo a cinta e me diz:
 
— Regina, venha... senta por cima de mim.
 
Com as pernas tremendo, obedeço. Estou pronta para que me comam outra vez. Eu quero isso. Seu "pênis" entra na minha vagina aberta e, sem piedade alguma, ela me aperta os seios.
 
— Assim... vamos, querida, arranhe minhas costas.
 
Solto um gemido... grito e a arranho. Por alguns minutos, Emma movimenta os quadris em círculo e seu "pau" se move dentro de mim ao mesmo tempo que ela morde, lambe e chupa meus seios. Adoro essa sensação.
 
— Emma...
 
— Fala, querida... — sussurra com meus mamilos em sua boca. Me come, me chupa e me dá a impressão de que vai me partir em duas.
 
— Adoro isso... ah... sim... adoro.
 
Levanta a cabeça e faz que sim com os olhos faiscando.
 
— Eu sei, pequena... eu sei.
 
Um espasmo percorre meu corpo. Grito... respiro ofegante.
 
Um gemido alto chama minha atenção e logo vejo Maura em cima da cama. Em que momento ela entrou?
 
Parece estar com tanto tesão quanto eu. Duas mulheres comem ela. Jane, sua mulher, pela vagina, e Bette com força pelo ânus. Nossos olhares se encontram e eu fico arrepiada. Nós duas gostamos do que estamos vivenciando, enquanto nos sentimos como suas bonecas, seus brinquedinhos, e cedemos aos seus caprichos.
 
Sinto que um orgasmo devastador vai sair de mim... calor... calor... calor... Minha vagina se contrai. Emma volta a chupar meus seios. Nós duas gritamos. Eu gozo, enquanto Emma saboreia meu orgasmo.
Exausta, fico entre seus braços e ela me sussurra palavras de amor cheias de ternura. Parece mentira que tenhamos essa intimidade na frente de outras pessoas. Mas sim. Esse é um momento totalmente íntimo entre nós duas.
Dois dias depois, após a noite de sexo selvagem que tivemos no quartinho de jogos de Jane e Maura, a vida segue seu rumo. Cada vez estou mais envolvida com Emma, e ela cada vez está mais ligada a mim. Tudo de que preciso ou que desejo, antes mesmo de eu pedir, ela me dá. Será que está se apaixonanda por mim? 
Esta manhã, Jane decide pedir uma paella na praia. Por volta das duas da tarde, descemos para comer no quiosque. Está deliciosa. A melhor paella mista que já comi na vida. O telefone de Emma toca o tempo todo, e várias vezes leio o nome de Marta ou o de Betta. Não digo nada, e seus gestos já dizem tudo. Após a paella, resolvemos deitar na praia e pegar um pouco de sol.
 
O telefone de Emma volta a tocar. Ela digita alguma coisa no aparelho, mas logo fica aflita e pede a Jane que a leve ao chalé. Seu humor mudou e, por mais que ela tente disfarçar, sua cara mudou completamente. Levanto, rápida, e começo a recolher as coisas. Emma, ao me ver, me pega pela mão.
 
— Fica aqui com Maura, amor. Jane voltará pra ficar com vocês.
 
— Não... não, vou contigo — insisto.
 
— Eu disse pra você ficar, Regi... não quero companhia. Estou com dor de cabeça e preciso ficar sozinha.
 
Seu mau humor me enerva.
 
— Olha aqui, sua chata, não me interessa se você não quer companhia, eu disse que volto contigo e não se fala mais nisso.
 
— Porra! — diz, grunhindo. — Eu disse pra você ficar.
 
Seu jeito ríspido de falar me assusta.
 
— Não gosto desses showzinhos e menos ainda quando não sei o motivo. Então vou contigo e pronto.
 
Mas Emma não deixa. Está irritada e, por mais que eu tente convencê-la, a única coisa que consigo fazer é deixá-la ainda mais aborrecida comigo. Que idiota ela é! Finalmente Maura se coloca entre nós duas e tenta apartar a discussão. Jane fala algo com Emma e a acalma. Não entendo por que ela está assim e me recuso a lhe dar um beijo quando ela vai embora com Jane.
 
Por um momento, Maura e eu ficamos quietas pegando sol, até que ela diz:
 
— Regina, não se preocupa. Não está acontecendo nada.
 
Mordo os lábios. Estou irritada. Sento na toalha.
 
— Está acontecendo, sim, Maura. As mudanças de humor dela me desesperam. Uma hora está bem e na outra...
 
— Vocês se conhecem há pouco tempo, né?
 
— É. Uns dois meses, mais ou menos.
 
— Só isso?
 
— Só.
 
Faz um gesto com a cabeça.
— Então, menina... te garanto que conheço Emma há muitos anos e nunca a vi tão envolvida com uma mulher.
 
— Ah, sim... claro.
 
— Estou falando sério, Regina. Não tenho por que mentir pra você.
 
Quero acreditar no que ela diz. Preciso disso. Mas então lembro como ela estava aborrecida.
 
— Não a conheço bem, Maura. Ela não permite, a não ser no plano sexual e, apesar de estar descobrindo coisas que gosto e que sem ela eu nunca experimentaria, quero e preciso saber sobre ela. Sobre Emma como pessoa.
 
Maura contrai os lábios. Tenho vontade de lhe fazer mil perguntas.
 
— Quem são Betta e Marta? Todo dia recebe várias mensagens delas.
 
Noto que minha pergunta incomoda Maura.
— Sei que você sabe do que estou falando. Não negue. Por favor, me diga o que está acontecendo.
 
Maura levanta os óculos escuros para me olhar diretamente nos olhos, e murmura:
 
— Regina...
 
Por alguns instantes eu a encaro e por fim baixo o olhar, rendida. Tudo é misterioso em torno dela, e eu digo enquanto me deito na toalha:
 
— Tá bom, Maura, vamos pegar um bronzeado.
Cerca de duas horas depois, Jane desce para nos buscar na praia. Está de bom humor e, enquanto andamos até o carro, me diz que Emma está descansando. Faço que sim com a cabeça. Não quero perguntar mais nada. Já basta a preocupação com as ligações daquelas mulheres. Quando chegamos ao chalé, vou direto para a piscina. Se Emma está descansando, não quero incomodar.
Maura e Jane desaparecem e eu fico sozinha na piscina. Pego meu iPod e coloco os fones. Escuto Regina Spektor estirada numa das espreguiçadeiras e cantarolo. Meia hora depois, Emma aparece na porta usando óculos escuros. Para ao meu lado. Não olho pra ela. Não digo nem oi. Continuo chateada. Por mais de dez minutos, permanecemos em silêncio até que ela tira um dos meus fones de ouvido.
 
— Oi, moreninha.
Com uma expressão que demonstra meu aborrecimento, tiro o fone de sua mão e o recoloco no meu ouvido. Ao ver minha pouca disposição para conversar, senta-se confortavelmente numa das espreguiçadeiras em frente a mim, põe os braços acima da cabeça e me olha. Me olha... Me olha... Me olha e, ao fim, eu a provoco:
 
— Pelo seu bem, pare de me olhar.
 
— Ah é? Por quê? Você vai me bater?
 
Solto o ar bufando. Sinto vontade de lhe dar uma bofetada com a mão bem aberta.
 
— Olha, Emma, agora quem não quer você por perto sou eu. Vai dar uma volta.
 
Ela sorri e isso me irrita mais ainda.
 
Me levanto e ela faz o mesmo. E, sem pensar em mais nada, eu a empurro e ela cai de roupa na piscina.
 
— Mas, Regi, o que você está fazendo? — protesta.
 
Com rapidez, pego minha bolsa de praia e corro para o quarto. Entro e vou direto para o chuveiro. Ali vejo a nécessaire aberta de Emma e pela primeira vez examino os frascos de comprimidos. O que é isso? Mas, antes que eu possa chegar mais perto para ler os rótulos, ela entra no banheiro e começa a tirar a roupa molhada.
 
— Então, Regi, o que há com você?
 
Não olho para ela. Passo ao seu lado e respondo aborrecida:
 
— Nada que te interesse.
 
— De você me interessa tudo, pequena.
 
Senti-la tão relaxada, enquanto eu estou no maior estresse, me faz olhar pra ela com mais raiva ainda.
 
— Emma, quando estou irritada, é melhor não falar comigo, ok?
 
— Por quê?
 
— Porque não.
 
— E por que não?
 
— Bom, vamos ver, você é burra? Não vê que está me irritando ainda mais?
 
— Se você quiser, posso falar com Maura pra você fazer uma faxina geral agora mesmo. Te conheço e sei que, quando está irritada, gosta de limpar a casa.
 
Ao escutar isso, solto um grunhido. Não estou no clima de brincadeira. Ela chega mais perto de mim e se abaixa, ficando na minha altura.
 
— Posso passar metade da minha vida te pedindo desculpas. Mas vale a pena pelo simples fato de estar contigo e ver sua cara quando você me perdoa.
 
Tenta me beijar e eu não deixo.
 
— Outra vez me virando a cara?
 
Seu comentário e principalmente sua expressão acabam me fazendo sorrir.
 
— Sim e, se você não se afastar, vou te dar um tapa.
 
— Uau! Adoro esse seu temperamento tão espanhol...
— E sua teimosia alemã me tira do sério, sua cabeça-dura!
 
Em seguida, me enlaça pela cintura, me deita na cama e me beija. A toalha fica pelo caminho e eu estou nua. Tento desviar sua boca da minha, mas ela é mais forte que eu e, quando consegue me enfiar a língua, já não raciocino mais, a irritação foi embora, e eu correspondo aos seus beijos selvagens.
 
— Gosto assim... — me diz. — Que você seja uma fera que, quando eu quero, consigo domesticar.
 
Seu comentário machista me faz lhe dar uma mordida no ombro, e ela se encolhe, olha para mim e morde meu pescoço.
 
— Sua besta...!
 
— Para você, sempre, pequena. Somos como a bela e a fera. Claro, a bela é você, e a fera, a besta, sou eu.
 
Isso me faz sorrir outra vez e, após aceitar com prazer o beijo de reconciliação, percebo que a cara dela não está boa.
 
— Está tudo bem, Emma?
 
— Sim. Mas quem importa aqui é você, não eu.
 
— Não, senhora Swan, não. A senhora está muito enganada. Aqui quem não estava bem agora há pouco e não está com uma cara nada boa neste momento é você. Se alguém aqui precisa se preocupar, é a minha humilde pessoa, não a senhora.
 
Emma sai de cima de mim, vem pro meu lado, com o rosto bem na minha frente.
 
— Você é linda.
 
— Não vem com conversa fiada, Emma... e me responde, o que você tem? Acabei de encontrar na sua nécessaire vários frascos de remédios e...
 
— Você é a mulher mais bonita e interessante que já tive o prazer de conhecer.
 
— Emma! Quer que eu te xingue e te dê um chute?
 
— Hummmmm... adoro esse seu lado guerreira.
 
Sem perder meu sorriso, acaricio seus cabelos.
 
— Não importa o que você diga. Não vou mudar de assunto. O que você tem? O que são esses remédios todos que você tem?
 
— Nada.
— Mentira.
 
— Você acha?
 
— Sim... acho. E fique você sabendo que está me irritando de novo.
 
Seus olhos me encaram e eu sei que ela luta para conseguir responder às minhas perguntas. Por fim, murmura sem muita convicção:
 
— Não está acontecendo nada. E não quero te preocupar.
 
— Mas me preocupa, sim.
 
Por alguns instantes que me parecem uma eternidade, ela pensa... pensa... pensa e finalmente diz:
 
— Regi... há coisas que você não sabe e...
 
— Me conta e eu logo fico sabendo.
 
De repente ela sorri e encosta seu nariz no meu em um gesto amoroso.
 
— Não, querida. Não posso te contar, senão você vai saber tanto quanto eu.
 
Continuo sem entender e cada vez tenho mais certeza de que ela está me escondendo alguma coisa.
 
— Escuta, cabeça-dura...
 
— Não, escuta você. — Mas logo se arrepende do que vai dizer e remexe no meu cabelo. — Ah... pequena! O que eu faço com você?
 
Querendo que ela confie totalmente em mim, abro meu coração:
 
— Se deixar se envolver por mim tanto quanto estou envolvida por você. Talvez, no fim, você passe a me amar e deixe de me esconder seus segredinhos.
 
Espero uma risada. Uma resposta imediata. Mas Emma fecha os olhos e, com o rosto sério, responde:
 
— Não posso, Regi. Se eu permitir esse sentimento, só vou sofrer e te farei sofrer também.
 
— Mas que bobagem é essa? — protesto.
 
Emma, ao ver minha expressão, tenta mudar de assunto.
 
— O que você está a fim de fazer amanhã?
 
Sento na cama e tiro o cabelo do rosto.
 
— Emma Swan, que história é essa de que, se você tiver sentimentos, vai fazer nós duas sofrermos?
 
— É verdade.
 
— Meu sentimento por você já é forte e não há nada que eu possa fazer contra isso. Gosto de você. Você me enlouquece. Adoro você. E não minta pra mim: sei que provoco a mesma coisa em você. Eu sei disso. Sua cara me diz, seus olhos me observando, suas mãos quando me acariciam e seu modo possessivo quando fazemos amor. E agora me diga de uma vez por todas o que são esses remédios.
 
Seu rosto se contrai e, com um movimento decidido, Emma se levanta da cama. Vou atrás dela. Eu a sigo até o banheiro, onde joga água no rosto, pega a nécessaire que fecha e arremessa contra a parede. Sem saber o que está havendo, eu a encaro:
— O que está acontecendo? O que foi que eu disse pra te deixar assim? Isso tem alguma coisa a ver com as ligações da tal da Marta e da tal da Betta? Quem são elas? Porque, olha só, eu tentei ficar quieta, ser prudente e não perguntar nada, mas... mas não consigo mais! Emma não me olha. Sai do banheiro e vai em direção a janela. Vou atrás dela e depois me planto bem na sua frente.
 
— Não foge de mim. Nós duas estamos neste quarto e eu quero que você seja totalmente sincera comigo e me conte o que está acontecendo. Porra, Emma, não estou te pedindo amor eterno. Só preciso saber o que você tem e quem são essas mulheres.
 
— Chega, Regina. Não quero falar.
 
Me desespero e, ao ver meu corpo nu refletido no espelho do armário, decido me vestir. Ponho uma calcinha, uma camiseta rosa e um macaquinho jeans. Depois me viro para ela.
 
— Então, sobre o que você não quer mais falar?
 
— Já disse que chega! Por hoje, já estouramos a cota de showzinhos.
 
— Cota de showzinhos? Mas do que você está falando?
 
— Esse seu interrogatório está me enchendo.
 
Mas ganho coragem e agora sou como um touro que entra para matar.
 
— Ah, minhas perguntas estão te enchendo? Que pena...! Pois saiba que o que me enche é sua falta de respostas. A cada dia te entendo menos.
 
— Não é pra você me entender mesmo.
 
— Ah, não?
 
— Não.
 
Sinto vontade de quebrar o abajur na sua cabeça. Quando responde tão na defensiva, me tira completamente do sério.
 
— Sabe, eu já tinha praticamente te esquecido depois que você sumiu da minha vida, mas quando você apareceu na porta da casa do meu pai...
 
— Esquecido? — diz Emma, pertinho do meu rosto. — Como você poderia ter me esquecido e fazer essa tatuagem?
 
Tem razão.
 
A frase que tatuei é nossa, e não tenho como rebater isso.
 
— Verdade, tatuei essa frase por sua causa. Eu mal te conhecia quando fiz isso, mas alguma coisa dentro de mim me dizia que seria alguém importante na minha vida e eu queria ter no meu corpo algo que fosse apenas nosso e que durasse pra sempre.
 
— Nosso?
 
— Sim — grito, cheia de raiva.
 
— Então quer dizer que, quando você for pra cama com outra pessoa, vai ver essa frase e repetir, e você vai se lembrar de mim?
 
— Provavelmente.
 
— Provavelmente?
— É — eu berro como uma louca. — Provavelmente vou me lembrar de você e cada vez que outra pessoa me disser “Peça-me o que quiser”, quando ler essa frase no meu corpo, conseguirei ver seus olhos e sentir o que sinto com você quando cedo aos seus caprichos e transamos.
 
Minhas palavras a ferem. Sua cara se contrai e ela dá um soco na parede.
 
— Isso é um erro. Um erro imperdoável da minha parte. Eu deveria ter deixado você continuar sua vida com Robin ou com quem você quisesse.
 
— Do que você está falando?
 
Movimenta-se pelo quarto como uma leoa enjaulada. Seu rosto está petrificado.
 
— Pega suas coisas e vai embora.
 
— Está me expulsando?
 
— Estou.
 
— Como assim?!
 
— Quero que você vá embora.
 
— O quê?!
 
— Vou chamar um táxi pra te levar pra casa do seu pai.
 
Irritada pela resposta, grito:
 
— Nem pense em fazer isso! Não chame um táxi, que eu não preciso.
Emma se detém. Olha para mim e sinto a dor em seus olhos. O que está acontecendo com ela? Não entendo. Estou com vontade de chorar. As lágrimas imploram para sair, mas me controlo. Ela percebe e se aproxima.
 
— Regina...
 
— Você acaba de me expulsar daqui, Emma, não encosta em mim!
 
— Escuta, amor...
 
— Não encosta em mim... — repito devagar
Ela fica a um passo de mim e, nervosa, passa as mãos pelo cabelo.
 
— Não quero que você vá embora... mas...
 
Esse “mas” não me agrada nada. Odeio essa porcaria de palavra. Nunca antecipa nada de bom.
 
— Olha, melhor eu ir. Com “mas” ou sem “mas”. Estou de saída!
 
— Querida... me escuta.
 
— Não! Não sou sua querida. Se eu fosse sua querida, você não falaria comigo da forma que falou. E, além disso, seria sincera comigo. Me diria quem são Marta e Betta. Me explicaria por que não posso mencionar seu pai e, principalmente, me diria pra que servem esses malditos comprimidos que você guarda na nécessaire.
 
— Regina... por favor. Não torne as coisas mais difíceis.
 
Convencida de que quero ir embora, pego minha mochila e começo a enfiar minhas coisas nela. Vejo de relance que ela está me olhando. Está inflexível, com a cara toda tensa e as mãos tremendo. Está nervosa. E, assim como eu, furiosa.
 
— Você é uma idiota egocêntrica que só pensa em si mesmo...
— Regina...
 
— Esqueça meu nome e continue trocando mensagens com aquelas mulheres. Elas com certeza sabem mais sobre você do que eu.
 
— Que saco, mulher, quer parar de gritar? — berra.
 
— Não. Não estou com vontade. Eu grito porque quero, porque você merece e porque eu preciso. Babaca! No fim das contas vou acabar dando razão a Robin.
 
Está claro que ela não esperava essa frase.
 
— Vai dar razão em relação a quê?
 
— Ele falou que você me usaria e depois se cansaria de mim.
 
— Aquele imbecil te disse isso?
 
— Sim. E acabo de me dar conta de que é isso mesmo.
O desespero faz Emma se afastar e berrar como uma louca. A porta se abre, e Jane e Maura entram. Nossos gritos devem ter chamado a atenção delas. Maura vem pro meu lado e tenta me acalmar, enquanto Jane vai para perto da amiga. Mas Emma não quer falar, apenas solta palavrões em alemão e seus gritos se ouvem até na Conchinchina. Surpresa com tudo isso, Maura me puxa pela mão e me leva para a cozinha. Me dá um copo d’água e tira a mochila das minhas costas.
 
— Não se preocupe. Jane vai acalmá-la.
Irritada com todo mundo, bebo água e respondo:
 
— Mas, Maura, eu não quero que Jane a acalme. Quero eu mesma acalmá-la e, principalmente, quero entender por que ela é assim tão misteriosa. Não posso perguntar nada. Não me responde nunca. E, ainda por cima, quando se aborrece, sai correndo ou me expulsa, como fez agora.
 
— O que houve?
 
— Não sei. Estávamos brincando, conversando e, de repente, perguntei sobre uns remédios que vi na nécessaire dela e sobre as mensagens e ligações que ela recebe o tempo todo de Betta e Marta.
 
Caio no choro. A tensão por fim diminui e consigo desabafar. Maura me abraça, me faz sentar a seu lado na cozinha e murmura:
 
— Regi... fique calma. Tenho certeza de que o que vocês tiveram foi uma briguinha de casal apaixonado e já vai passar.
 
— Apaixonados? — pergunto, intrigada.
 
— Mas você não ouviu o que eu disse?
 
— Sim. Ouvi muito bem. E, ainda que Emma não te diga, eu repito o que te falei há algumas horas lá na praia. Está louca por você. É só ver como ela te olha, como te trata e como te protege. Eu a conheço há mais de vinte anos, somos grandes amigas, e pode acreditar em mim quando digo que sei que ela sente algo muito forte por você.
 
— E como você sabe?
 
— Sabendo, Regi. Confia em mim e, sobre essas mulheres, não se preocupa. Pode acreditar em mim.
Nesse instante, Jane aparece na porta, olha para mim e murmura com uma cara constrangida:
 
— Regina... Emma quer que você suba no quarto.
 
— Não. Nem pensar. Ela que desça.
 
Minha resposta as desconcerta. As duas se olham e Jane insiste:
 
—Por favor, sobe, ela quer falar contigo.
 
— Não. Ela que desça — insisto. — Mas, bem, quem ela pensa que é pra que eu tenha que ir atrás dela como uma idiota? Não. Não vou subir. Se ela quiser, que desça.
 
— Regina... — sussurra Maura.
 
— Por favor — imploro, louca para ir embora dali —, preciso que vocês chamem um táxi. —Por favor...
 
Jane e sua mulher se olham, alarmadas, e Jane diz:
 
— Regina, Emma disse que...
 
Com a raiva instalada no meu rosto, nas minhas veias e em todo o meu ser, contesto:
 
— Não estou nem aí pro que Emma disse, assim como ela não está nem aí pra mim. Por favor, chama um táxi. É só isso que te peço.
 
— Não ponha palavras na minha boca — diz Emma, que aparece na porta.
 
Eu a encaro. Ela me encara também e voltamos a nos comportar como duas rivais.
 
— Maura, por favor, chama um táxi — exijo.
 
Ela encara Jane. Não sabem o que fazer. Emma, transtornada, não se aproxima de mim.
 
— Regi, não quero que você vá embora. Sobe comigo até o quarto e a gente conversa.
 
— Não. Agora sou eu que não quero falar contigo e que quero ir embora. Não vou mais deixar você me usar. Acabou!

Em Jerez, meu pai não fala nada, fica só me olhando. 
Faz três dias que cheguei e estou um trapo humano. Meu pai sabe que não estou bem, que aconteceu alguma coisa entre mim e Emma, mas respeita meu silêncio. Já os vizinhos se comportam de forma diferente. Volta e meia me perguntam pela “Frankfurt” e isso me deixa desesperada. Algumas vezes eles não têm o menor tato, e esta é uma dessas vezes.
 
Alguém avisa Robin de que cheguei. Ele manda torpedos e no terceiro dia aparece. Estou na beira da piscina, deitada numa espreguiçadeira, quando o vejo chegar.
 
— Oi — me cumprimenta.
 
— Oi — respondo.
 
Senta-se na espreguiçadeira ao lado da minha e não diz nada. Nenhum de nós diz nada. Meu pai se debruça na janela da cozinha e nos olha, mas não se aproxima. Deixa a gente conversar.
 
— Você está bem, Regina?
 
— Estou.
 
Silêncio... ninguém diz mais nada, até que Robin acrescenta:
 
— Sinto muito que você esteja assim.
 
— Tudo bem — respondo com um sorriso.
 
— Como você mesmo previu, acabei me dando mal.
 
— Não me alegro por isso, Regina.
 
— Eu sei.
 
De novo, silêncio. De repente, começa a tocar no rádio Satisfaction, dos Rolling Stones e só podemos sorrir. No final quem fala sou eu:
 
— Sempre que escuto essa música, me lembro da festa que Rocío deu há alguns anos. Você lembra que a gente acabou ficando junto bem nessa hora?
 
Robin sorri concordando e começa a cantar. Ele se levanta, sai dançando e isso me faz rir. Canto e danço junto com ele, esquecendo todos os problemas. Quando a música termina, nós dois rimos e nos olhamos. Levanto os braços em busca de um abraço e nós nos abraçamos.
 
— Assim que eu gosto de te ver, Regina. Alegre. Como você é. Me desculpa por ter me metido onde não era chamado, mas às vezes nós, homens, nos comportamos feito idiotas.
 
— Está desculpado, Robin. Me desculpa também.
 
— Claro. Não tenha a menor dúvida disso.
 
Nessa noite, saio para jantar com ele e encontrar nossos amigos. Minha amiga Rocío se surpreende ao me ver aparecer com ele, e não me pergunta sobre Emma. Ninguém faz a menor referência a mulher com a qual me viram nas últimas semanas, e eu me limito a não pensar e a curtir tudo que posso.
 
Os dias passam e Emma não faz qualquer contato. Não entendo como umas férias maravilhosas podem acabar assim, tão de repente e num clima tão ruim, quando na verdade nos entendíamos só de nos olhar. A presença de Robin esses dias me faz sorrir. Não tentou nada comigo. Não se aproximou de mim mais que o necessário, e eu fico agradecida por ele se comportar como um amigo.
 
Minha irmã aparece sem avisar, com Whale e minha sobrinha, como sempre faz. Meu pai fica louco de felicidade. Ter por perto as filhas e a neta é seu maior prazer, e ele fica todo orgulhoso.
 
Grace é a alegria da casa. Com ela ganho uma nova energia. Minha irmã e meu cunhado estão felizes. Trocam carinhos, saem toda noite para jantar e voltam superempolgados. Isso me deixa feliz. Fazia anos que eu não via Mary tão sorridente, disposta e apaixonada.
Contente por sua felicidade, vejo como meu cunhado a observa, como se olham e como procuram, sempre que podem, ficar sozinhos. O casal está tão desinibido, que até meu pai às vezes olha para eles assombrado. Mary tenta falar comigo. Sabe que estou mal, por mais que eu sorria, mas eu lhe peço que deixemos a conversa para outro dia. Pela primeira vez na minha vida, a chata da minha irmã respeita minha decisão. Deve estar realmente me achando com uma cara péssima.
 
Uma noite, depois de Robin me deixar em casa, pelas três da manhã, vou até o balanço dos fundos da casa. Faz uma noite linda e o céu está muito estrelado. Meu pai me vê pela janela e vem se sentar ao meu lado. Traz duas Cocas. Pego uma e ele dá um gole na outra.
 
— Estou muito feliz por ver sua irmã tão contente, mas me parte o coração te ver tão triste, e em geral costuma ser o contrário.
 
— Que ela continue assim por muito tempo, pai. Ficamos muito felizes.
 
Nós dois sorrimos e meu pai me cochicha:
 
— Eu não estranharia nada se logo, logo eu fosse avô outra vez... Você reparou como eles estão?
 
Achando graça, concordo com ele.
 
— Reparei, sim, pai. É maravilhoso ver como eles estão se entendendo tão bem.
 
Tomamos outro gole de nossas Cocas.
 
— Escuta, moreninha. Você tem muito valor, e eu tenho certeza de que Emma sabe disso.
 
— E de que adianta, pai?
 
— De muita coisa, querida, você logo vai descobrir. Emma é uma mulher sábia e você vai ver só como ela não vai te deixar escapar.
 
— Talvez eu é que vá deixá-la escapar.
 
Meu pai sorri e acaricia meu cabelo.
 
— Mas, nesse caso, moreninha, é você quem vai fazer a maior besteira da sua vida.
 
Incapaz de continuar guardando meu segredo, olho para ele e digo:
 
— Pai, Emma é minha chefe. a chefona da empresa. Pronto, agora você já sabe.
Meu pai fica em silêncio por alguns segundos e coça a barba.
 
— É casada?
 
— Não, pai... Emma é solteira e sem compromisso. Quem você pensa que sou?
 
Sinto que meu pai respira aliviado. A última coisa que ele iria querer era escutar que Emma é casada, então sei que minha resposta, de certa forma, o deixa mais tranquilo.
 
— Não te olha como uma chefe e eu sei o que estou dizendo, filha. Essa mulher te olha como a mulher que ela ama e deseja proteger. Mas preciso admitir que Robin te olha da mesma forma e eu sinto pena do rapaz.
 
Dou de ombros e suspiro. Ao ver que não digo mais nada sobre o assunto, ele pergunta:
 
— E aí, volta amanhã pra Madri?
— Volto. Logo depois do café, ponho a mala no carro e pego a estrada. Quero chegar numa hora boa pra fazer umas compras e essas coisas todas.
 
— E aqui, quando você vai voltar?
 
— Não sei, pai. Quando eu tiver mais de quatro dias seguidos de foga. Você já sabe que não gosto de vir pra passar só algumas horas...
 
— Eu sei... querida... eu sei.
 
Como fazia quando eu era pequena, me abraça, me embala em seus braços e beija meu cabelo.
 
— Sei que você vai ser feliz porque você merece. E, se você e essa Emma não se derem uma nova chance, vão se arrepender pelo resto da vida. Pensa nisso, ok?
 
— Ok, pai... vou pensar.

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