Capítulo 25
A semana começa com força total e tento
processar tudo o que Emma me contou.
Sobre Betta? Não me interessa. Não me importa. Sei que ela não quer nada com ela, realmente acredito nisso, embora eu não tenha querido me aprofundar no assunto do pai. Agora entendo por que nunca fala dele.
Quanto ao sobrinho, eu compreendo, mas a história me inquieta. Se algo acontecesse com minha irmã e meu cunhado, não tenho a menor dúvida de que Grace ficaria comigo. Eu cuidaria dela e por nada no mundo ia querer vê-la sofrer.
Morar na Alemanha nunca me passou pela cabeça. Mas, por Emma, eu iria. Prefiro viver com ela a viver amargurada sem ela. Isso está claro para mim, se bem que preciso pensar um pouco melhor. Ir embora significaria ver menos meu pai, minha irmã e minha sobrinha, e isso seria difícil para mim. Muito difícil.
Mas o que me desequilibra emocionalmente é a sua doença.
Procuro na internet toda a informação sobre glaucoma e entendo o medo e a preocupação de Emma. Choro na minha casa quando ela não está por perto. Só então eu me permito chorar. Tenho que ser forte. Ela deixou claro o medo que sente da doença, e não quero que perceba que eu também estou com medo.
Pensar em Emma cega me parte o coração. Emma, uma mulher tão forte, tão dominadora, tão cheia de vida... Como pode ficar cega?
Começo a ter pesadelos. Já são quatro noites seguidas em que acordo sobressaltada entre seus braços e ela me abraça e se arrepende por ter me contado tudo. Meu apetite desaparece e, ainda que eu tente sorrir, o sorriso fica no meio do caminho. Quase não cantarolo mais, nem danço direito, só consigo pensar nela. Só quero saber que ela está bem para que eu também fique bem. Mas uma noite, enquanto nós duas lemos estiradas no sofá do meu apartamento, vejo em seus olhos a raiva e a dor pela insegurança que me passou, e me dou conta de que tenho que fazer alguma coisa.
Meu comportamento tem de ser outro.
Preciso que ela veja que voltei a ser a Regi maluquinha que ela conheceu, então resolvo reprimir meu medo, a insegurança e as lágrimas e começo aos poucos a ser o que eu era. Ela respira aliviada e parece grata pela minha mudança.
A partir de então, Emma começa a viajar mais à Alemanha. Seu sobrinho precisa dela e ela precisa de mim tanto quanto eu preciso dela. Duas semanas depois, quando o despertador toca numa segunda-feira às sete e meia, Emma já está de pé. Chega perto de mim, me beija com carinho e aceito tudo com prazer. Me nego a irmos juntas ao escritório. As pessoas fariam fofoca e eu não quero isso. No fim das contas, Emma telefona para Tomás, que a pega na porta da minha casa. Eu vou no meu próprio carro.
Na cantina do nono andar, tomo um café na companhia de Killian quando vejo Emma aparecer com minha chefe e outros dois chefes. Pela maneira como ela me olha, entendo que se incomoda de me ver com meu colega. Mas não me levanto. Killian é meu amigo, e Emma precisa aceitar isso.
Quando voltamos às nossas salas, sinto que ela me observa da sua. Cada vez que meu olhar cruza com o dela, meu corpo arde.
Sei o que ela pensa...
Sei o que ela quer...
Sei o que ela deseja...
Mas nós duas devemos manter a compostura e esperar a noite, quando então poderemos curtir nosso momento de intimidade.
Ao meio-dia, Emma sai de sua sala. Sua cara é indescritível. O que será que houve com ela? Eu a sigo com o olhar, dissimuladamente, enquanto ela caminha pelo andar e de repente vejo que vai direto falar com uma jovem loura perto dos elevadores. Dão dois beijinhos na bochecha e ela lhe acaricia o rosto. Será que é Betta?
Por alguns minutos conversam e depois vão embora. Uma hora depois, Emma volta ainda com a mesma expressão e eu gostaria que ela me chamasse. Espero quinze minutos e, como ela não me chama, decido entrar por conta própria. Emma está falando ao telefone. Quando me vê entrar, despede-se do seu interlocutor antes de desligar.
— Agora não posso, mãe. Te ligo daqui a pouco.
Assim que desliga, olha para mim.
— Deseja algo, senhorita Mills?
— Nem minha chefe nem Killian estão por aqui — explico. — O que aconteceu?
— Nada. Por que teria que ter acontecido alguma coisa?
— Emma... te vi sair com uma jovem loura e...
— E o quê?
Sua voz é de aborrecimento. Esse tom irritado que ela usa me deixa chateada, então, sem dizer mais nada, dou meia-volta e saio da sala. Antes de chegar à minha mesa, meu telefone interno toca e é Emma me pedindo para voltar. Volto e fecho a porta.
— Rgi... o que você veio perguntar realmente?
— Acho que combinamos que haveria sinceridade entre nós duas e tenho a sensação de que hoje você não está cumprindo o combinado.
Emma faz um gesto concordando. Entende o que digo.
— Entre no arquivo.
— Lá vem você com essa história de arquivo!
— Regi... é o único lugar onde temos privacidade.
— Bem, você é que gosta de resolver tudo no arquivo.
Sem me deixar falar mais nada, me pega pelo braço e fecha a porta de acesso à sala da minha chefe.
— Regi... te juro que você não tem que se preocupar com essa mulher.
— Ok... Mas quem é ela?
Sorri e sussurra:
— Me dá um beijo e eu te digo quem é.
— Nem pensar. Você conta e depois eu te beijo.
— Regina...
— Emma...
Sem perder um segundo, me agarra, me atrai para si e me beija. Então, quando parece que vai responder à minha pergunta, ouço Killian bater na porta da sala. Rapidamente, Emma me olha.
— Você não tem com que ficar preocupada. Hoje tenho muito trabalho e não posso me atrasar, mas no fim do dia conversamos na sua casa, combinado, querida?
Combinado, claro. Ela me dá um beijo rápido e sai em direção à sua sala. Abro com cuidado as portas do arquivo e saio pela sala da minha chefe. Depois do almoço, volto à minha mesa e no corredor topo com Emma. Ela está conversando com o chefe da administração e, ao me ver, apenas me cumprimenta com cordialidade. Sorrio sem jeito quando cruzo com ela e ando até minha mesa. Ao chegar, pego uns documentos e me enfio no arquivo. Mas me surpreendo ao ver minha chefe com várias gavetas do arquivo abertas.
— Estou procurando os dados do último trimestre de Alicante e Valência...
— Quer que eu procure?
— Não... eu vou achar.
Dou meia-volta para sair e vejo Emma parada na porta do arquivo.
Me seguiu até ali.
— Boa tarde, senhora Swan — sussurro quando passo a seu lado.
Minha chefe, ao me escutar, ergue os olhos e vê Emma apoiada na porta.
— Me dá um minutinho, Emma, e já te entrego o que você pediu.
Ela faz um movimento concordando e, enquanto deixo uns documentos em cima da mesa da minha chefe, ela me observa. Sorrio ao vê-la tão nervosa e tensa. Então, antes de sair da sala, me detenho, ponho a mão na maçaneta da porta e levanto a parte de trás da saia para lhe mostrar minha calcinha. Isso me faz rir, sobretudo quando me viro e vejo sua cara de surpresa.
Achando graça do que acabo de fazer, saio da sala e me sento à minha mesa. Meu celular apita. Uma mensagem de Emma: “Vou te fazer pagar muito caro pelo que acaba de fazer. Depravada!”
Sem me mover, olho de relance e vejo Emma sentada à sua mesa. Por alguns segundos, nós nos olhamos e eu me dou conta de que, de onde ela está, pode ver minhas pernas. Dou uma checada em volta e, como não há ninguém, eu as abro e digito no celular: “A depravada deseja teu castigo.” Volto a olhar para Emma e vejo que se mexe nervosa em sua cadeira. Quando minha chefe sai do arquivo, fecho logo as pernas. E, com um risinho bobo nos lábios, continuo trabalhando.
Saio do escritório às seis da tarde, e vou direto para casa. Assim que chego, só tenho tempo de deixar a bolsa em cima do sofá, tirar o blazer e a campainha toca. Abro a porta e Emma se lança sobre mim. Me beija com prazer, me pega entre seus braços e murmura após me dar um tapinha:
— Depravada. Que história é essa de ficar me provocando no escritório?
Achando graça de seu comentário, solto uma risada enquanto ela acaricia meu pescoço.
— Vou te fazer pagar por ter me deixado excitada o dia todo.
Continuo rindo enquanto ela desabotoa minha saia, que desliza pernas abaixo. Nesse momento, me desvencilho de suas mãos e corro pela casa. Ela vai atrás de mim e rimos à beça. Chegamos ao quarto, subo na cama e começo a pular como uma criança. Emma me olha, sorri e enquanto tira sua blusa e a calça social, avisa:
— Pula... pula... vai pulando, que já já eu te agarro e aí você vai ver só.
Feliz pelo momento tão bobo que estamos vivendo, pulo fora da cama e corro de novo até a sala. No corredor Emma me agarra pela cintura e me encosta na parede. Seus lábios se colam aos meus outra vez e sua língua me invade com sofreguidão.
Ela tira minha blusa e a joga no chão. Desabotoa o sutiã e arranca a calcinha.
— Meu Deus... — diz, em meio a risadas. — Passei o dia inteiro desejando fazer isso.
Ela tira minha blusa e a joga no chão. Desabotoa o sutiã e arranca a calcinha.
— Sério? — Pergunto erguendo uma sobrancelha.
— Sim, querida... sério.
Dou um beijo nela. Eu também estava desejando esse momento e, ao sentir minha reação tão instantaneamente acolhedora, Emma deixa escapar um suspiro de satisfação, me ergue e com seus longos e ágeis dedos mergulha- os devagar em mim. Fecho os olhos, solto um gemido, me contorço e, quando sinto que ela não se move, abro os olhos e murmuro perto de sua boca:
— Vamos... vamos.
Emma ri, sai de mim e devagar torna a entrar.
— Emma...
— Que foi, querida?
— Mais... quero mais.
Sai de mim novamente.
— Mais o quê?
O sangue ferve descontrolado por todo o meu corpo, e eu arranho suas costas exigindo mais. Ela ri e obedece. Aumenta o ritmo e me dá o que estou pedindo. Uma vez... depois outra... e mais outra, enquanto eu morro de prazer e ela morde meu queixo com paixão. Ela me come cada vez mais fundo e, quando meu orgasmo chega e eu grito, ela grita também e me aperta contra seu corpo.
— Sim, Regi.. siiiiiiim.
Exaustas, ficamos apoiadas na parede do corredor, enquanto beijo seu ombro e ela respira em meu pescoço. De novo, acabamos de fazer o que sabemos fazer de melhor e estamos plenas e satisfeitas.
Me coloca no chão e vamos nuas até a cozinha. Precisamos de água e, quando voltamos para a sala, ela me ergue outra vez entre seus braços.
— Te ver no escritório e não poder te tocar é uma tortura.
— Uma tortura... confesso... pra mim também.
— Te vi com Killian hoje de manhã. O que você estava fazendo?
— Tomando café, como todo dia de manhã.
— Esse cara...
— Escuta, minha lindinha desconfiada — eu a interrompo —, eu e Killian somos apenas colegas. Nos damos superbem e nada mais. É verdade que ele arrasta as asinhas pro meu lado, mas ele sabe que não tem a menor chance comigo.
— Tá vendo? Você acaba de admitir. Ele dá em cima de você.
Adoro essa sua expressão séria. Seu ciúme bobo é irresistível. Eu a beijo.
— Não tem perigo. Não perca tempo se preocupando com algo que nunca vai acontecer.
— Nunca mesmo?
— Nunca, Emma... acredita em mim, meu amor. Eu só amo você e só preciso de você. — Quando vejo como me olha, eu me assusto com o que acabo de dizer e acrescento: — Em compensação, eu, sim, tenho motivo pra me preocupar.
— Você? Por quê?
Respiro fundo e pergunto:
— Você já fez algum dos seus joguinhos com minha chefe?
Seus olhos verdes ficam me encarando. Por um instante que me parece eterno, ela pensa como vai responder.
— Jantei com ela e reconheço que ficamos flertando, mas não muito mais que isso. Nunca misturo trabalho com minhas brincadeiras.
Sua resposta me faz rir.
— Sei... E eu sou o quê? Não se esqueça de que trabalho na sua empresa...
— Você foi minha única exceção. Desde a primeira vez que te vi no elevador e você me confessou que poderia se transformar na menina do Exorcista, acho que me apaixonei por você.
— Ah é?
— É... Por isso não parei de te perseguir até ter você como tenho agora. Nua em meus braços.
— Bom saber — reconheço encantada.
Emma me beija e me deixa sem ar.
— Melhor ainda é saber que tenho você... Regina.
Sorrio e desta vez sou eu quem a beija.
— A partir de agora, te proíbo que fale gracinhas para a minha chefe, entendeu?
Minha deusa grega move a cabeça num gesto de concordância e me devora os lábios de um jeito só dela.
— Eu quero só você, querida. Só preciso de você.
Sua boca desce até meus seios; me curvo para trás e eles ficam à mostra. Me mexo e levo minha mão entre suas pernas, comprovando o quanto ela está excitada. Quero continuar a brincadeira. Emma sorri e me dá uma palmada, e bem nesse momento a porta da rua se abre e eu quase caio para trás ao ver minha irmã e minha sobrinha.
— Pelo amor de Deus, o que você está fazendo? — grita minha irmã ao nos ver. Rapidamente tapa os olhos da minha sobrinha e elas dão meia-volta. Achando graça nós duas nos olhamos. Quero rir, mas, ao ver que minha sobrinha tenta se virar e olhar para nós, digo baixinho:
— Vamos nos vestir. Ela concorda. — Maryl, dá uns minutinhos pra gente. Já voltamos.
— Tá bem, fofinha.
Emma me olha e pergunta intrigada:
— Fofinha?
Belisco seu braço.
— Nem pensar me chamar assim, ok?
Em meio a risadas, voltamos para o quarto. Nos vestimos em poucos minutos e em seguida vamos encontrar minha irmã na sala. Ao nos ver, Mary move a cabeça num gesto de reprovação. Eu a pego pelo braço e a levo até a cozinha.
— Vem cá, Mary...
Emma e minha sobrinha ficam na sala. Quando entro com minha irmã na cozinha, sussurro:
— Você quer fazer o favor de tocar a campainha antes de entrar?
— Me... me... me desculpa. Mas, ao ver vocês duas nuas, e como eu estava com Grace...
— Mary.... para de gaguejar. E tudo bem, Grace não viu nada que vá traumatizá-la. Mas te garanto que, se vocês tivessem chegado cinco minutos antes, talvez ela visse coisa pior, então, por favor, bate antes de entrar, ok?
— Ok... e... Ah, Regina! É a Emma, né?
— É.
— Que bom, fofinha. Vocês se acertaram?
— Por enquanto acho que sim.
— Ah, você não sabe como fico feliz em ouvir isso — diz minha irmã.
— E eu...
Mary sorri e chega mais perto de mim.
— Como papai vai ficar contente. Já me falou que foi muito com a cara dela. Aliás, que bumbum bonito ela tem.
— Mary?! — digo, achando graça.
— Ai, filha...! O que você quer que eu diga? Não pude deixar de olhar. Tem um bumbum perfeito.
— Verdade. Não tenho como negar.
— E que braços... E não digo nada das outras coisas em que reparei, porque... Ai, meu Deus!
— Para... — Eu rio. — Para... que eu te conheço.
Minha irmã também está rindo.
— Saiba que você tem muita sorte por ela ser grande. Eu gostaria que meu Whale pudesse me pegar nos braços assim. Ai, meu Deus... isso até me dá calor! Anda, toma... Vim te trazer uns croquetes e... desculpa por ter aparecido num momento desses.
Alguns minutos depois, minha irmã e minha sobrinha vão embora.
Emma me olha.
— Sabe o que tua sobrinha me disse?
Convencida de que essa bruxinha soltou alguma de suas pérolas, olho para Emma e ela desata a rir.
— Ela disse literalmente: “Se você bater de novo na minha tia, eu te dou um chute que você vai ver só.”
Tapo a boca e arregalo os olhos antes de cair na gargalhada. Ao ver minha expressão, Emma ri comigo e, cheia de vontade de continuar com a brincadeira de antes, murmura:
— Vamos pro chuveiro. Quero continuar de onde paramos.
— Devo te lembrar que você disse que tínhamos que ter uma conversa séria.
— Exatamente... — Sorri. — Mas agora tenho outras coisas mais importantes pra fazer... fofinha.
Sobre Betta? Não me interessa. Não me importa. Sei que ela não quer nada com ela, realmente acredito nisso, embora eu não tenha querido me aprofundar no assunto do pai. Agora entendo por que nunca fala dele.
Quanto ao sobrinho, eu compreendo, mas a história me inquieta. Se algo acontecesse com minha irmã e meu cunhado, não tenho a menor dúvida de que Grace ficaria comigo. Eu cuidaria dela e por nada no mundo ia querer vê-la sofrer.
Morar na Alemanha nunca me passou pela cabeça. Mas, por Emma, eu iria. Prefiro viver com ela a viver amargurada sem ela. Isso está claro para mim, se bem que preciso pensar um pouco melhor. Ir embora significaria ver menos meu pai, minha irmã e minha sobrinha, e isso seria difícil para mim. Muito difícil.
Mas o que me desequilibra emocionalmente é a sua doença.
Procuro na internet toda a informação sobre glaucoma e entendo o medo e a preocupação de Emma. Choro na minha casa quando ela não está por perto. Só então eu me permito chorar. Tenho que ser forte. Ela deixou claro o medo que sente da doença, e não quero que perceba que eu também estou com medo.
Pensar em Emma cega me parte o coração. Emma, uma mulher tão forte, tão dominadora, tão cheia de vida... Como pode ficar cega?
Começo a ter pesadelos. Já são quatro noites seguidas em que acordo sobressaltada entre seus braços e ela me abraça e se arrepende por ter me contado tudo. Meu apetite desaparece e, ainda que eu tente sorrir, o sorriso fica no meio do caminho. Quase não cantarolo mais, nem danço direito, só consigo pensar nela. Só quero saber que ela está bem para que eu também fique bem. Mas uma noite, enquanto nós duas lemos estiradas no sofá do meu apartamento, vejo em seus olhos a raiva e a dor pela insegurança que me passou, e me dou conta de que tenho que fazer alguma coisa.
Meu comportamento tem de ser outro.
Preciso que ela veja que voltei a ser a Regi maluquinha que ela conheceu, então resolvo reprimir meu medo, a insegurança e as lágrimas e começo aos poucos a ser o que eu era. Ela respira aliviada e parece grata pela minha mudança.
A partir de então, Emma começa a viajar mais à Alemanha. Seu sobrinho precisa dela e ela precisa de mim tanto quanto eu preciso dela. Duas semanas depois, quando o despertador toca numa segunda-feira às sete e meia, Emma já está de pé. Chega perto de mim, me beija com carinho e aceito tudo com prazer. Me nego a irmos juntas ao escritório. As pessoas fariam fofoca e eu não quero isso. No fim das contas, Emma telefona para Tomás, que a pega na porta da minha casa. Eu vou no meu próprio carro.
Na cantina do nono andar, tomo um café na companhia de Killian quando vejo Emma aparecer com minha chefe e outros dois chefes. Pela maneira como ela me olha, entendo que se incomoda de me ver com meu colega. Mas não me levanto. Killian é meu amigo, e Emma precisa aceitar isso.
Quando voltamos às nossas salas, sinto que ela me observa da sua. Cada vez que meu olhar cruza com o dela, meu corpo arde.
Sei o que ela pensa...
Sei o que ela quer...
Sei o que ela deseja...
Mas nós duas devemos manter a compostura e esperar a noite, quando então poderemos curtir nosso momento de intimidade.
Ao meio-dia, Emma sai de sua sala. Sua cara é indescritível. O que será que houve com ela? Eu a sigo com o olhar, dissimuladamente, enquanto ela caminha pelo andar e de repente vejo que vai direto falar com uma jovem loura perto dos elevadores. Dão dois beijinhos na bochecha e ela lhe acaricia o rosto. Será que é Betta?
Por alguns minutos conversam e depois vão embora. Uma hora depois, Emma volta ainda com a mesma expressão e eu gostaria que ela me chamasse. Espero quinze minutos e, como ela não me chama, decido entrar por conta própria. Emma está falando ao telefone. Quando me vê entrar, despede-se do seu interlocutor antes de desligar.
— Agora não posso, mãe. Te ligo daqui a pouco.
Assim que desliga, olha para mim.
— Deseja algo, senhorita Mills?
— Nem minha chefe nem Killian estão por aqui — explico. — O que aconteceu?
— Nada. Por que teria que ter acontecido alguma coisa?
— Emma... te vi sair com uma jovem loura e...
— E o quê?
Sua voz é de aborrecimento. Esse tom irritado que ela usa me deixa chateada, então, sem dizer mais nada, dou meia-volta e saio da sala. Antes de chegar à minha mesa, meu telefone interno toca e é Emma me pedindo para voltar. Volto e fecho a porta.
— Rgi... o que você veio perguntar realmente?
— Acho que combinamos que haveria sinceridade entre nós duas e tenho a sensação de que hoje você não está cumprindo o combinado.
Emma faz um gesto concordando. Entende o que digo.
— Entre no arquivo.
— Lá vem você com essa história de arquivo!
— Regi... é o único lugar onde temos privacidade.
— Bem, você é que gosta de resolver tudo no arquivo.
Sem me deixar falar mais nada, me pega pelo braço e fecha a porta de acesso à sala da minha chefe.
— Regi... te juro que você não tem que se preocupar com essa mulher.
— Ok... Mas quem é ela?
Sorri e sussurra:
— Me dá um beijo e eu te digo quem é.
— Nem pensar. Você conta e depois eu te beijo.
— Regina...
— Emma...
Sem perder um segundo, me agarra, me atrai para si e me beija. Então, quando parece que vai responder à minha pergunta, ouço Killian bater na porta da sala. Rapidamente, Emma me olha.
— Você não tem com que ficar preocupada. Hoje tenho muito trabalho e não posso me atrasar, mas no fim do dia conversamos na sua casa, combinado, querida?
Combinado, claro. Ela me dá um beijo rápido e sai em direção à sua sala. Abro com cuidado as portas do arquivo e saio pela sala da minha chefe. Depois do almoço, volto à minha mesa e no corredor topo com Emma. Ela está conversando com o chefe da administração e, ao me ver, apenas me cumprimenta com cordialidade. Sorrio sem jeito quando cruzo com ela e ando até minha mesa. Ao chegar, pego uns documentos e me enfio no arquivo. Mas me surpreendo ao ver minha chefe com várias gavetas do arquivo abertas.
— Estou procurando os dados do último trimestre de Alicante e Valência...
— Quer que eu procure?
— Não... eu vou achar.
Dou meia-volta para sair e vejo Emma parada na porta do arquivo.
Me seguiu até ali.
— Boa tarde, senhora Swan — sussurro quando passo a seu lado.
Minha chefe, ao me escutar, ergue os olhos e vê Emma apoiada na porta.
— Me dá um minutinho, Emma, e já te entrego o que você pediu.
Ela faz um movimento concordando e, enquanto deixo uns documentos em cima da mesa da minha chefe, ela me observa. Sorrio ao vê-la tão nervosa e tensa. Então, antes de sair da sala, me detenho, ponho a mão na maçaneta da porta e levanto a parte de trás da saia para lhe mostrar minha calcinha. Isso me faz rir, sobretudo quando me viro e vejo sua cara de surpresa.
Achando graça do que acabo de fazer, saio da sala e me sento à minha mesa. Meu celular apita. Uma mensagem de Emma: “Vou te fazer pagar muito caro pelo que acaba de fazer. Depravada!”
Sem me mover, olho de relance e vejo Emma sentada à sua mesa. Por alguns segundos, nós nos olhamos e eu me dou conta de que, de onde ela está, pode ver minhas pernas. Dou uma checada em volta e, como não há ninguém, eu as abro e digito no celular: “A depravada deseja teu castigo.” Volto a olhar para Emma e vejo que se mexe nervosa em sua cadeira. Quando minha chefe sai do arquivo, fecho logo as pernas. E, com um risinho bobo nos lábios, continuo trabalhando.
Saio do escritório às seis da tarde, e vou direto para casa. Assim que chego, só tenho tempo de deixar a bolsa em cima do sofá, tirar o blazer e a campainha toca. Abro a porta e Emma se lança sobre mim. Me beija com prazer, me pega entre seus braços e murmura após me dar um tapinha:
— Depravada. Que história é essa de ficar me provocando no escritório?
Achando graça de seu comentário, solto uma risada enquanto ela acaricia meu pescoço.
— Vou te fazer pagar por ter me deixado excitada o dia todo.
Continuo rindo enquanto ela desabotoa minha saia, que desliza pernas abaixo. Nesse momento, me desvencilho de suas mãos e corro pela casa. Ela vai atrás de mim e rimos à beça. Chegamos ao quarto, subo na cama e começo a pular como uma criança. Emma me olha, sorri e enquanto tira sua blusa e a calça social, avisa:
— Pula... pula... vai pulando, que já já eu te agarro e aí você vai ver só.
Feliz pelo momento tão bobo que estamos vivendo, pulo fora da cama e corro de novo até a sala. No corredor Emma me agarra pela cintura e me encosta na parede. Seus lábios se colam aos meus outra vez e sua língua me invade com sofreguidão.
Ela tira minha blusa e a joga no chão. Desabotoa o sutiã e arranca a calcinha.
— Meu Deus... — diz, em meio a risadas. — Passei o dia inteiro desejando fazer isso.
Ela tira minha blusa e a joga no chão. Desabotoa o sutiã e arranca a calcinha.
— Sério? — Pergunto erguendo uma sobrancelha.
— Sim, querida... sério.
Dou um beijo nela. Eu também estava desejando esse momento e, ao sentir minha reação tão instantaneamente acolhedora, Emma deixa escapar um suspiro de satisfação, me ergue e com seus longos e ágeis dedos mergulha- os devagar em mim. Fecho os olhos, solto um gemido, me contorço e, quando sinto que ela não se move, abro os olhos e murmuro perto de sua boca:
— Vamos... vamos.
Emma ri, sai de mim e devagar torna a entrar.
— Emma...
— Que foi, querida?
— Mais... quero mais.
Sai de mim novamente.
— Mais o quê?
O sangue ferve descontrolado por todo o meu corpo, e eu arranho suas costas exigindo mais. Ela ri e obedece. Aumenta o ritmo e me dá o que estou pedindo. Uma vez... depois outra... e mais outra, enquanto eu morro de prazer e ela morde meu queixo com paixão. Ela me come cada vez mais fundo e, quando meu orgasmo chega e eu grito, ela grita também e me aperta contra seu corpo.
— Sim, Regi.. siiiiiiim.
Exaustas, ficamos apoiadas na parede do corredor, enquanto beijo seu ombro e ela respira em meu pescoço. De novo, acabamos de fazer o que sabemos fazer de melhor e estamos plenas e satisfeitas.
Me coloca no chão e vamos nuas até a cozinha. Precisamos de água e, quando voltamos para a sala, ela me ergue outra vez entre seus braços.
— Te ver no escritório e não poder te tocar é uma tortura.
— Uma tortura... confesso... pra mim também.
— Te vi com Killian hoje de manhã. O que você estava fazendo?
— Tomando café, como todo dia de manhã.
— Esse cara...
— Escuta, minha lindinha desconfiada — eu a interrompo —, eu e Killian somos apenas colegas. Nos damos superbem e nada mais. É verdade que ele arrasta as asinhas pro meu lado, mas ele sabe que não tem a menor chance comigo.
— Tá vendo? Você acaba de admitir. Ele dá em cima de você.
Adoro essa sua expressão séria. Seu ciúme bobo é irresistível. Eu a beijo.
— Não tem perigo. Não perca tempo se preocupando com algo que nunca vai acontecer.
— Nunca mesmo?
— Nunca, Emma... acredita em mim, meu amor. Eu só amo você e só preciso de você. — Quando vejo como me olha, eu me assusto com o que acabo de dizer e acrescento: — Em compensação, eu, sim, tenho motivo pra me preocupar.
— Você? Por quê?
Respiro fundo e pergunto:
— Você já fez algum dos seus joguinhos com minha chefe?
Seus olhos verdes ficam me encarando. Por um instante que me parece eterno, ela pensa como vai responder.
— Jantei com ela e reconheço que ficamos flertando, mas não muito mais que isso. Nunca misturo trabalho com minhas brincadeiras.
Sua resposta me faz rir.
— Sei... E eu sou o quê? Não se esqueça de que trabalho na sua empresa...
— Você foi minha única exceção. Desde a primeira vez que te vi no elevador e você me confessou que poderia se transformar na menina do Exorcista, acho que me apaixonei por você.
— Ah é?
— É... Por isso não parei de te perseguir até ter você como tenho agora. Nua em meus braços.
— Bom saber — reconheço encantada.
Emma me beija e me deixa sem ar.
— Melhor ainda é saber que tenho você... Regina.
Sorrio e desta vez sou eu quem a beija.
— A partir de agora, te proíbo que fale gracinhas para a minha chefe, entendeu?
Minha deusa grega move a cabeça num gesto de concordância e me devora os lábios de um jeito só dela.
— Eu quero só você, querida. Só preciso de você.
Sua boca desce até meus seios; me curvo para trás e eles ficam à mostra. Me mexo e levo minha mão entre suas pernas, comprovando o quanto ela está excitada. Quero continuar a brincadeira. Emma sorri e me dá uma palmada, e bem nesse momento a porta da rua se abre e eu quase caio para trás ao ver minha irmã e minha sobrinha.
— Pelo amor de Deus, o que você está fazendo? — grita minha irmã ao nos ver. Rapidamente tapa os olhos da minha sobrinha e elas dão meia-volta. Achando graça nós duas nos olhamos. Quero rir, mas, ao ver que minha sobrinha tenta se virar e olhar para nós, digo baixinho:
— Vamos nos vestir. Ela concorda. — Maryl, dá uns minutinhos pra gente. Já voltamos.
— Tá bem, fofinha.
Emma me olha e pergunta intrigada:
— Fofinha?
Belisco seu braço.
— Nem pensar me chamar assim, ok?
Em meio a risadas, voltamos para o quarto. Nos vestimos em poucos minutos e em seguida vamos encontrar minha irmã na sala. Ao nos ver, Mary move a cabeça num gesto de reprovação. Eu a pego pelo braço e a levo até a cozinha.
— Vem cá, Mary...
Emma e minha sobrinha ficam na sala. Quando entro com minha irmã na cozinha, sussurro:
— Você quer fazer o favor de tocar a campainha antes de entrar?
— Me... me... me desculpa. Mas, ao ver vocês duas nuas, e como eu estava com Grace...
— Mary.... para de gaguejar. E tudo bem, Grace não viu nada que vá traumatizá-la. Mas te garanto que, se vocês tivessem chegado cinco minutos antes, talvez ela visse coisa pior, então, por favor, bate antes de entrar, ok?
— Ok... e... Ah, Regina! É a Emma, né?
— É.
— Que bom, fofinha. Vocês se acertaram?
— Por enquanto acho que sim.
— Ah, você não sabe como fico feliz em ouvir isso — diz minha irmã.
— E eu...
Mary sorri e chega mais perto de mim.
— Como papai vai ficar contente. Já me falou que foi muito com a cara dela. Aliás, que bumbum bonito ela tem.
— Mary?! — digo, achando graça.
— Ai, filha...! O que você quer que eu diga? Não pude deixar de olhar. Tem um bumbum perfeito.
— Verdade. Não tenho como negar.
— E que braços... E não digo nada das outras coisas em que reparei, porque... Ai, meu Deus!
— Para... — Eu rio. — Para... que eu te conheço.
Minha irmã também está rindo.
— Saiba que você tem muita sorte por ela ser grande. Eu gostaria que meu Whale pudesse me pegar nos braços assim. Ai, meu Deus... isso até me dá calor! Anda, toma... Vim te trazer uns croquetes e... desculpa por ter aparecido num momento desses.
Alguns minutos depois, minha irmã e minha sobrinha vão embora.
Emma me olha.
— Sabe o que tua sobrinha me disse?
Convencida de que essa bruxinha soltou alguma de suas pérolas, olho para Emma e ela desata a rir.
— Ela disse literalmente: “Se você bater de novo na minha tia, eu te dou um chute que você vai ver só.”
Tapo a boca e arregalo os olhos antes de cair na gargalhada. Ao ver minha expressão, Emma ri comigo e, cheia de vontade de continuar com a brincadeira de antes, murmura:
— Vamos pro chuveiro. Quero continuar de onde paramos.
— Devo te lembrar que você disse que tínhamos que ter uma conversa séria.
— Exatamente... — Sorri. — Mas agora tenho outras coisas mais importantes pra fazer... fofinha.
Os dias passam e não volto a perguntar quem era aquela mulher. Na quarta-feira à tarde, meu pai me liga. Minha irmã já fez fofoca com ele, dizendo que voltei com Emma, e ele diz que está feliz por mim. De coração.
Na quinta, quando chego ao trabalho, estranho ao ver Killian juntando suas coisas.
— O que você está fazendo?
— Juntando minhas coisas.
— Por quê?
Killian suspira e dá de ombros.
— Não renovaram meu contrato e, gentilmente, me informaram que hoje é meu último dia de trabalho.
Olho para ele perplexa. E por que será que minha chefe não renovou o contrato? Não consigo ficar quieta.
— Como assim, cara? Que história é essa de não renovarem o contrato? Você já falou com a senhora Swan?
— Não. Pra quê? Ela não vai com a minha cara, você sabe.
— Mas... mas você tem que falar com ela — insisto. — Killian, lá fora o desemprego está altíssimo e a Müller atualmente é sua única opção.
— E?
Vejo um movimento na sala da minha chefe e pergunto:
— E com a chefe, você falou? Você e ela se dão muito bem e...
— Foi ela mesma quem disse que não renovariam o contrato — responde Killian.
Isso me deixa furiosa. Como essa bruxa não pode renovar o contrato se ela é sua amante? E, sem conseguir mais não mencionar o segredo que guardo há meses, cochicho para ele:
— E você não vai fazer nada pra que ela mude de opinião? — Killian olha para mim e continuo: — Olha só, Killian, não sou boba, sei que rola uma historinha entre vocês. Além disso, uma vez eu estava no arquivo enquanto vocês se pegavam na sala dela.
Meu colega fica com uma cara de espanto.
— Porra! Você sabia?
— Sabia. E por isso não entendo por que ela não faz nada pra conseguir a renovação do teu contrato.
Killian se apoia na mesa.
— Olha, Regina, a única coisa que eu posso te dizer é que já faz um mês que eu e sua chefe não temos nada. Ela foi atrás de outro. Óscar, o vigia.
— Óscar?
— É.
— Mas ele é um menino...
— Pois é, linda. Você já sabe que a chefe gosta dos mais novinhos.
Fico desconcertada, e Killian acrescenta:
— Olha, Regina. Não se envolva com nenhum chefe, porque, quando eles se cansam de você, vai te chutar e buscar outra. Seu comentário me atinge em cheio. Se ele soubesse... Nesse momento olho na direção da sala de Emma e vejo que está ao telefone. Tenho que falar com ela. Killian é um bom funcionário e merece que renovem seu contrato.
— Vou falar com a senhora Swan.
— Está louca?
— Deixa isso por minha conta, está bem?
Killian dá de ombros, senta-se à sua mesa e continua arrumando suas coisas enquanto me dirijo à sala de Emma e bato na porta. Quando entro, Emma já desligou o telefone e agora examina uns documentos.
— O que deseja, senhorita Mills?
Sem deixar de interpretar meu papel, vou direto ao ponto:
— Senhora swan, por que a senhora não renovou o contrato do seu secretário?
Emma me olha surpresa.
— Do que a senhorita está falando?
— Killian está arrumando tudo dele já. Minha chefe informou que não renovariam o contrato.
Está tão admirada quanto eu.
— Se sua chefe decidiu não renovar, ela deve ter os motivos dela, não acha?
— Mas ele é o seu secretário... — insisto.
A mulher por quem estou apaixonada me olha.
— Ele nunca teve a minha simpatia e a senhorita sabe disso — replica. — O fato de ele e sua chefe ocuparem as horas do expediente em outra coisa que não o próprio trabalho é algo de que não gosto nem um pouco. Seu profissionalismo pra mim ficou totalmente comprometido.
Fico perplexa, olhando para ela, mas Emma segue com seu discurso:
— E, antes que a senhorita solte alguma de suas pérolas, senhorita Mills, deixe-me lembrá-la de que essas coisas eu só permito a mim mesma na empresa, entendido?
Mais chocada ainda, respondo:
— Isso é abuso de poder.
— Exatamente. Mas aqui a chefe sou eu.
Sua resposta me deixa sem palavras.
— Senhorita Mills, o que veio me pedir?
Eu a provoco com o olhar e contesto:
— Que não o demitam. Encontrar um trabalho hoje em dia está muito difícil.
Emma me olha... me olha... me olha e finalmente diz:
— Sinto muito, senhorita Mills, mas não posso fazer nada.
Ouço uma porta, olho para trás e vejo minha chefe saindo da sua sala. Passa na frente de Killian e nem lhe dirige o olhar. A raiva me corrói e cochicho para que ninguém nos escute:
— Como você não pode fazer nada? Você é a chefe, merda! Essa idiota, pra não dizer coisa pior, foi procurar outro amante e por isso está demitindo Killian. Pelo amor de Deus, Emma... faz alguma coisa! Pode realocá-lo na empresa. Ele foi o secretário do seu pai por muito tempo e o seu também, por mais que você não goste muito dele.
— Você se importa tanto assim com killian?
Sua pergunta faz meu sangue ferver.
— Não me importo nesse sentido que você imagina, então não comece a pensar bobagem senão vou ficar zangada de verdade. Só estou te dizendo que Killian é um cara jovem que sem este trabalho vai passar fome. Ele, assim como você, tem seus gastos, precisa de um teto e comida pra sobreviver e... e... Meu Deeeeus! É tão difícil entender isso que estou dizendo?
A expressão de Emma não muda, mas, ao passar as mãos nos cabelos, ela murmura:
— Já te disse alguma vez que você fica linda quando está nervosa?
— Emma!
— Tudo bem — suspira. — Vou falar com o RH. O contrato dele vai ser renovado, mas pedirei que o transfiram a outro departamento. Não quero vê-lo aqui, entendido?
— Obrigaaaaaaada!
Quero pular de alegria, mas me contenho. Sei que Emma obrigará o RH a renovar o contrato.
— A propósito, senhorita Mills, quando precisam renovar o contrato da senhorita?
— Em janeiro.
Emma se apoia na sua poltrona, me olha de alto a baixo e murmura:
— Veja como se comporta, porque, caso eu descubra que a senhorita está fazendo algo parecido com o que fez seu colega, no arquivo ou qualquer outro lugar da empresa, vai pro olho da rua.
Devo ter feito uma cara ridícula.
Emma sorri com malícia.
— Algo mais?
— Não... bem, sim. — Ela ergue a sobrancelha e eu murmuro: — Você fica muito linda quando sorri.
Ela ri, e, achando graça, dou meia-volta e saio. Me sento na minha sala e cinco minutos depois toca o telefone da mesa de Killian. É do RH, para avisá-lo de que seu contrato será renovado e ele será transferido de departamento.
Na segunda-feira, Emma tem que viajar à Alemanha. Pede que eu vá com ela, mas acho que não é o caso. No início ela fica chateada, mas eu a faço entender que, por mais que adoremos ficar juntas 24 horas por dia, seu sobrinho não iria gostar muito de dividi-la comigo.
Na mesma segunda, à noite, Emma me liga e ficamos mais de três horas ao telefone. Diz que está morrendo de saudades e comento que tudo perde a graça sem ela por perto. Na terça-feira, ao sair do trabalho, decido ir à academia. Desde que Emma está comigo, mal tenho tempo para malhar. Esteira e spinning são atividades que me relaxam. Termino completamente suada. Adorei o ritmo que a professora de spinning impôs na aula. Era bem o que eu estava precisando. Entro no banheiro, tiro a roupa e vou direto para o chuveiro. Ai, que delícia! Depois de me refrescar, vou até a jacuzzi e, ao não ver ninguém, decido entrar por uns minutos. E, pouquinho antes disso, ouço uma voz atrás de mim:
— Regina?
Olho a mulher que vem na minha direção e me chama.
— Oi, não se lembra de mim?
Sua cara não me é estranha, mas não consigo saber de onde a conheço, até que ela diz:
— Marisa. Marisa de la Rosa. Nos conhecemos no verão em Zahara de los Antunes, numa festa à fantasia. Quem nos apresentou foi a Maura. Lembra?
Logo sei quem é e do que está falando.
— Ah, claro... lembro, sim. Você era de Huelva, né?
— Isso mesmo. — Sorri enquanto enrola a toalha no corpo. — Como você está?
— Exausta — respondo. — Acabei de fazer uma aula de spinning superforte que me deixou outra pessoa.
Marisa continua sorrindo.
— Eu não posso fazer spinning. Me deixa totalmente fora de combate. Você vai à jacuzzi?
— Era isso que eu ia fazer.
— Ah, legal, vou com você.
Conversamos por vários minutos, enquanto as borbulhas explodem ao nosso redor. Estou alerta. Essa mulher já deu em cima de mim naquela festa de Zahara, mas desta vez, surpreendentemente, ela não faz qualquer insinuação. Depois da jacuzzi, nós tomamos uma ducha e, antes de nos despedir, trocamos telefones.
Na sexta-feira ao meio-dia recebo no escritório um lindo buquê de rosas vermelhas e, quando abro o cartão, quase choro de emoção ao ler: “Estou morrendo de vontade de te beijar, pequena.”
Às quatro, assim que volto do almoço, me surpreendo ao ver Emma conversando com vários chefes. Fico superfeliz e tenho vontade de pular de alegria. Ela me vê e por alguns segundos me observa, mas logo depois se vira e continua falando. Dez minutos mais tarde, recebo um torpedo dela: “Te espero no meu hotel. Esteja linda. Te amo.”
Apatetada de tanta felicidade, saio do escritório às seis. Assim que chego em casa tomo logo um banho e me arrumo. Quero estar deslumbrante para Emma e ponho um vestido novo bordô que tenho certeza que ela vai amar.
Às oito chego ao Villa Magna e vou direto para o elevador. O ascensorista já foi avisado da minha chegada e me leva até o andar em que Emma está hospedada. Quando entro na suíte, acho estranho não a encontrar ali. Eu a procuro, mas só vejo sua mala e, em cima da cama, o notebook. Convencida de que ela não vai demorar, volto à sala e ligo o som. Música é sempre bom para alegrar o ambiente. Sintonizo a rádio que costumo ouvir e começa a tocar September, de Earth, Wind and Fire. Adoro essa música. Sem hesitar, tiro os sapatos e começo a dançar enquanto vou cantarolando:
Do you remember
the 21st night of September?
Love was changing the minds of pretenders
While chasing the clouds away Our hearts were ringing
Ba de ya – say that you remember
Ba de ya – dancing in September
Ba de ya – never was a cloudy day.
Love was changing the minds of pretenders
While chasing the clouds away Our hearts were ringing
Ba de ya – say that you remember
Ba de ya – dancing in September
Ba de ya – never was a cloudy day.
Rebolo um pouco seguindo o ritmo, canto
e curto a música. Com os olhos fechados, dou umas voltinhas na hora do refrão,
levanto os braços e me deixo levar pelo momento.
De repente, a música para, abro os olhos e me vejo diante de Emma e de uma mulher de meia-idade que me observam. Ofegante pela dancinha que acabo de fazer, fico logo morrendo de vergonha do espetáculo que devo ter dado, até que a mulher sorri para mim.
— Admito que sempre que ouço essa música tenho vontade de dançar.
—Oi, sou Cora, mãe de Emma, e você é...?
A mãe dela? O que a mãe dela está fazendo aqui?
Me recomponho o melhor que posso, afastando o cabelo do rosto, e me apresento:
— Prazer em conhecê-la, senhora. Sou Regina.
Ela me dá dois beijinhos. Depois olha para a filha, que não abriu a boca até agora, e pergunta enquanto calço os sapatos:
— E Regina... é?
Emma olha para ela divertida.
— Mãe, ela é....Regi.
A senhora me olha e grita:
— Ah... que burra que eu sou, claro...! Regina é Regi...! Você é a namorada de Emma!
Apoiada numa mesinha para me calçar, acabo caindo ao escutar isso. Namorada?
Emma e sua mãe vêm correndo até mim.
— Está bem, filha?
— Sim... sim... não se preocupe, senhora. Eu escorreguei.
— Por favor, Regi... me chame de “você”.
— Ok, Cora. Estou bem.
Emma me levanta, me atrai para si e me olha.
— Você está bem, querida?
Como um bonequinho, balanço a cabeça afirmativamente, meus olhos ficam piscando e vai me subindo um calorão.
Namorada dela?
Acabo de conhecer sua mãe e ela já disse que sou a namorada dela?
Me sinto nas nuvens ao longo da meia hora seguinte. Cora, a mãe de Emma, é muito simpática e faladeira. Fisicamente não se parece nada com ela, exceto no jeito clássico de se vestir. É morena de olhos negros, como eu, e dá para perceber que é uma mulher que cuida da aparência. Quando sai para se trocar para o jantar, Emma me olha e pergunta baixinho:
— Tudo bem?
— Vem cá, Emma, sua mãe disse que sou sua namorada?
— Disse.
— E como ela ficou sabendo disso antes de mim?
Emma me olha. Pensa... pensa... pensa e, quando me vê quase explodindo de alegria, diz:
— Você não sabia que era minha namorada?
— Não.
— Não?
Estou atordoada de alegria.
— Não. Não sabia.
Emma insiste.
— Tem certeza, moreninha? Certeza, certeza?
— E como tenho. Eu... eu pensava que era sua... sua amiga... sua amante... seu casinho... sua garota, como você me apresentou a alguns amigos em Zahara. Mas... sua namorada? — Mas lembro que no Moroccio você mesma disse que era a senhora Swan, mas...
—Mas nem "mas" nem meio “mas”... senhorita Mills. Te chamei para morar comigo na Alemanha. Comentei isso com minha mãe e ela quis te conhecer.
— O quê?!
Emma sorri e continua:
— Querida, diante da insistência da minha mãe pra eu voltar à Alemanha, não me restou outra opção a não ser explicar a ela que aqui há uma linda espanhola que me deixa louca e a quem estou convencendo a vir morar comigo. Ao saber disso, ela quis te conhecer, e é isso aí. Te amo e você é minha namorada. Assunto encerrado.
— Como assim “assunto encerrado”?
Seu olhar inquietante se fixa no meu e ela dá um passo à frente.
— Não quer ser minha namorada?
Meu coração dispara desenfreado, eu quero tudo o que ela quiser, absolutamente tudo, mas decido entrar num joguinho com ela e murmuro enquanto dou um passo para trás:
— Não sei, Emma... não sei se você e eu...
— Você e eu o quê? — insiste e se aproxima de mim novamente.
— É que... você e eu somos muito diferentes e...
Ela percebe a brincadeira e isso a alegra, mas continua vindo mais para perto de mim.
— Você se lembra da nossa música? Sorrio ao me lembrar de Blanco y negro, de Malú. É a nossa música.
— Lembro.
— Se você fosse tão rígida como eu em tantas coisas, te garanto que eu nunca teria ficado a fim de você. Gosto de você do jeito que você é, como se comporta, como me desafia e, principalmente, como me faz ver a vida em cores e não em preto e branco.
Uma expressão risonha se esboça nos meus lábios ao ouvir isso.
— Muito bem... Swan, a senhora está muito romântica. O que houve?
Emma vem para mim com a mão aberta e vejo uma caixinha de veludo vermelho. Pisco os olhos... pisco e pisco de novo. Até que Emma fala baixinho ao perceber o quanto estou confusa:
— Abre. É pra você.
Com as mãos tremendo, abro a caixinha e na minha frente surge um maravilhoso anel de brilhantes. Fico sem palavras.
— Gosta?
— Mas... mas... mas é muito exagerado, Emma. Eu não preciso de nada disso.
Ela sorri, pega o anel e coloca no meu dedo.
— Mas eu, sim, preciso te dar. Quero encher minha namorada de presentes.
Depois que ela coloca o anel, eu olho admirada para minha mão. É lindo. Um solitário brilhante e elegante. Feliz pelo gesto, me agarro ao pescoço de Emma.
— Obrigada, querida. É lindo.
— A partir de agora, você é oficialmente minha namorada.
Eu a beijo com paixão. Com amor. Com tesão.
— Senhorita Mills, a senhorita está muito safadinha.
Isso me faz sorrir e meu lado pervertido se anima.
— Emma... quando você vai me oferecer de novo?
Surpresa com minha pergunta, ela franze a testa.
— Não sei. Você me deixa tão louca que eu te quero todinha só pra mim. — Eu rio e ela pergunta: — Você está com vontade de que eu te ofereça?
— Estou... — respondo, vermelha como um tomate.
— Ok... ok... Está a fim de brincar, senhorita Mills?
— Sim... muito a fim de satisfazer seus caprichos, minha senhora.
Eu a olho enfeitiçada, e em seguida ela beija meu pescoço.
— Hummmmm... não me diga isso, senhorita Mills, ou terei que lhe dar uma palmada enquanto mando outra mulher te foder.
— Gosto de ser uma depravada.
— Depravada??
— Para a senhora... sim.
Achando graça, ela toca meus seios por cima do vestido.
— Estou com muita vontade disso também, senhorita. Mas devo lembrá-la de que combinamos de encontrar minha mãe, e esses joguinhos são só entre nós duas.
Me aprisiona contra a parede e isso me faz rir. Sua boca procura a minha e ela sussurra antes de me beijar:
— Você me deixa louca... fofinha.
Me beija com sofreguidão. Em suas mãos, como sempre, fico totalmente rendida, adoro quando me domina. Suas mãos percorrem meu corpo e, quando solto um gemido, ela aperta seu joelho entre minhas pernas volto a gemer. Estou pronta. Quero que ela tire minha roupa. Que arranque minha calcinha e faça comigo o que quiser. Lambe meu queixo e, quando mais um gemido sai de dentro de mim, ela se afasta.
— Controle-se, senhorita Mills. Sua sogra pode pensar que a senhorita é mesmo uma depravada. Vamos... ela está nos esperando na recepção.
Seu comentário me faz rir. Sogra! Nunca tive sogra.
— Por essa você me paga — eu digo e em seguida a pego pela mão. — Não se esqueça disso.
— Hummmm.... não vejo a hora.
De repente, a música para, abro os olhos e me vejo diante de Emma e de uma mulher de meia-idade que me observam. Ofegante pela dancinha que acabo de fazer, fico logo morrendo de vergonha do espetáculo que devo ter dado, até que a mulher sorri para mim.
— Admito que sempre que ouço essa música tenho vontade de dançar.
—Oi, sou Cora, mãe de Emma, e você é...?
A mãe dela? O que a mãe dela está fazendo aqui?
Me recomponho o melhor que posso, afastando o cabelo do rosto, e me apresento:
— Prazer em conhecê-la, senhora. Sou Regina.
Ela me dá dois beijinhos. Depois olha para a filha, que não abriu a boca até agora, e pergunta enquanto calço os sapatos:
— E Regina... é?
Emma olha para ela divertida.
— Mãe, ela é....Regi.
A senhora me olha e grita:
— Ah... que burra que eu sou, claro...! Regina é Regi...! Você é a namorada de Emma!
Apoiada numa mesinha para me calçar, acabo caindo ao escutar isso. Namorada?
Emma e sua mãe vêm correndo até mim.
— Está bem, filha?
— Sim... sim... não se preocupe, senhora. Eu escorreguei.
— Por favor, Regi... me chame de “você”.
— Ok, Cora. Estou bem.
Emma me levanta, me atrai para si e me olha.
— Você está bem, querida?
Como um bonequinho, balanço a cabeça afirmativamente, meus olhos ficam piscando e vai me subindo um calorão.
Namorada dela?
Acabo de conhecer sua mãe e ela já disse que sou a namorada dela?
Me sinto nas nuvens ao longo da meia hora seguinte. Cora, a mãe de Emma, é muito simpática e faladeira. Fisicamente não se parece nada com ela, exceto no jeito clássico de se vestir. É morena de olhos negros, como eu, e dá para perceber que é uma mulher que cuida da aparência. Quando sai para se trocar para o jantar, Emma me olha e pergunta baixinho:
— Tudo bem?
— Vem cá, Emma, sua mãe disse que sou sua namorada?
— Disse.
— E como ela ficou sabendo disso antes de mim?
Emma me olha. Pensa... pensa... pensa e, quando me vê quase explodindo de alegria, diz:
— Você não sabia que era minha namorada?
— Não.
— Não?
Estou atordoada de alegria.
— Não. Não sabia.
Emma insiste.
— Tem certeza, moreninha? Certeza, certeza?
— E como tenho. Eu... eu pensava que era sua... sua amiga... sua amante... seu casinho... sua garota, como você me apresentou a alguns amigos em Zahara. Mas... sua namorada? — Mas lembro que no Moroccio você mesma disse que era a senhora Swan, mas...
—Mas nem "mas" nem meio “mas”... senhorita Mills. Te chamei para morar comigo na Alemanha. Comentei isso com minha mãe e ela quis te conhecer.
— O quê?!
Emma sorri e continua:
— Querida, diante da insistência da minha mãe pra eu voltar à Alemanha, não me restou outra opção a não ser explicar a ela que aqui há uma linda espanhola que me deixa louca e a quem estou convencendo a vir morar comigo. Ao saber disso, ela quis te conhecer, e é isso aí. Te amo e você é minha namorada. Assunto encerrado.
— Como assim “assunto encerrado”?
Seu olhar inquietante se fixa no meu e ela dá um passo à frente.
— Não quer ser minha namorada?
Meu coração dispara desenfreado, eu quero tudo o que ela quiser, absolutamente tudo, mas decido entrar num joguinho com ela e murmuro enquanto dou um passo para trás:
— Não sei, Emma... não sei se você e eu...
— Você e eu o quê? — insiste e se aproxima de mim novamente.
— É que... você e eu somos muito diferentes e...
Ela percebe a brincadeira e isso a alegra, mas continua vindo mais para perto de mim.
— Você se lembra da nossa música? Sorrio ao me lembrar de Blanco y negro, de Malú. É a nossa música.
— Lembro.
— Se você fosse tão rígida como eu em tantas coisas, te garanto que eu nunca teria ficado a fim de você. Gosto de você do jeito que você é, como se comporta, como me desafia e, principalmente, como me faz ver a vida em cores e não em preto e branco.
Uma expressão risonha se esboça nos meus lábios ao ouvir isso.
— Muito bem... Swan, a senhora está muito romântica. O que houve?
Emma vem para mim com a mão aberta e vejo uma caixinha de veludo vermelho. Pisco os olhos... pisco e pisco de novo. Até que Emma fala baixinho ao perceber o quanto estou confusa:
— Abre. É pra você.
Com as mãos tremendo, abro a caixinha e na minha frente surge um maravilhoso anel de brilhantes. Fico sem palavras.
— Gosta?
— Mas... mas... mas é muito exagerado, Emma. Eu não preciso de nada disso.
Ela sorri, pega o anel e coloca no meu dedo.
— Mas eu, sim, preciso te dar. Quero encher minha namorada de presentes.
Depois que ela coloca o anel, eu olho admirada para minha mão. É lindo. Um solitário brilhante e elegante. Feliz pelo gesto, me agarro ao pescoço de Emma.
— Obrigada, querida. É lindo.
— A partir de agora, você é oficialmente minha namorada.
Eu a beijo com paixão. Com amor. Com tesão.
— Senhorita Mills, a senhorita está muito safadinha.
Isso me faz sorrir e meu lado pervertido se anima.
— Emma... quando você vai me oferecer de novo?
Surpresa com minha pergunta, ela franze a testa.
— Não sei. Você me deixa tão louca que eu te quero todinha só pra mim. — Eu rio e ela pergunta: — Você está com vontade de que eu te ofereça?
— Estou... — respondo, vermelha como um tomate.
— Ok... ok... Está a fim de brincar, senhorita Mills?
— Sim... muito a fim de satisfazer seus caprichos, minha senhora.
Eu a olho enfeitiçada, e em seguida ela beija meu pescoço.
— Hummmmm... não me diga isso, senhorita Mills, ou terei que lhe dar uma palmada enquanto mando outra mulher te foder.
— Gosto de ser uma depravada.
— Depravada??
— Para a senhora... sim.
Achando graça, ela toca meus seios por cima do vestido.
— Estou com muita vontade disso também, senhorita. Mas devo lembrá-la de que combinamos de encontrar minha mãe, e esses joguinhos são só entre nós duas.
Me aprisiona contra a parede e isso me faz rir. Sua boca procura a minha e ela sussurra antes de me beijar:
— Você me deixa louca... fofinha.
Me beija com sofreguidão. Em suas mãos, como sempre, fico totalmente rendida, adoro quando me domina. Suas mãos percorrem meu corpo e, quando solto um gemido, ela aperta seu joelho entre minhas pernas volto a gemer. Estou pronta. Quero que ela tire minha roupa. Que arranque minha calcinha e faça comigo o que quiser. Lambe meu queixo e, quando mais um gemido sai de dentro de mim, ela se afasta.
— Controle-se, senhorita Mills. Sua sogra pode pensar que a senhorita é mesmo uma depravada. Vamos... ela está nos esperando na recepção.
Seu comentário me faz rir. Sogra! Nunca tive sogra.
— Por essa você me paga — eu digo e em seguida a pego pela mão. — Não se esqueça disso.
— Hummmm.... não vejo a hora.
A mãe de Emma se revela uma mulher inteligente e encantadora.
Durante o jantar, ela ri e brinca o tempo todo e me faz sentir como se nos conhecêssemos a vida toda. Me conta histórias de Emma quando era pequena, e ela, horrorizada, a repreende mas logo sorri. Adoro ver como ela fica olhando para a própria mãe. Dá para perceber que ela gosta muito dela e isso me deixa imensamente feliz. O celular de Emma toca, e ela se levanta para atender. Nesse momento, Cora olha para mim e diz:
— Obrigada.
— Por quê? — pergunto surpresa.
— Por fazer minha filha sorrir. Fazia anos que eu não a via tão feliz, e isso, para mim que sou sua mãe, enche meu coração de felicidade. Vejo como ela te olha, como você olha pra ela, e sinto vontade de pular da cadeira e gritar como louca: “Finalmente! Finalmente minha filha se permite ser amada!”
Emocionada, e achando graça, sorrio e me aproximo dela.
— Foi um osso duro de roer. Te garanto!
— Sério?
— Sério.
— Minha Emma é osso duro?
— Sim... sua Emma.
Cora solta uma gargalhada ao ouvir isso.
— Ah, Regi...! Não sei como uma moça tão simpática como você consegue aguentá-la. Emma tem um gênio do cão. Bom... imagino que você já tenha percebido por conta própria. Quando mete alguma coisa na cabeça, não para até conseguir.
— Mas posso te garantir que comigo foi um páreo duro. — Eu rio, divertida.
Olho para Emma, vejo que nos observa do fundo do restaurante e suspiro ao admirar seu corpo. Está gatíssima com seu elegante macacão preto. Ela pisca para mim e estremeço. Eu a desejo com toda a minha alma.
— Regi, posso te fazer uma pergunta?
— Claro, Cora.
A mulher dá uma olhada rápida para a filha e diz:
— O que você sabe sobre Emma?
Entendo aonde ela quer chegar e respondo:
— Se você está se referindo a Flyn, a Betta e à doença dela, sei de tudo. Ela me contou e eu a amo do mesmo jeito.
Cora pega minha mão e percebo que ela faz um esforço imenso para não chorar. Vejo a emoção em seus olhos, mas ela se controla. Faz que sim com a cabeça e bebe um pouco de vinho.
— Emma merece alguém como você. Uma pessoa que a ame e que a compreenda.
— É fácil amá-la. Ela só tem que deixar. — Sorrio.
Ela concorda num gesto de cabeça e chega mais perto de mim.
— A desgraçada da Betta a fez sofrer muito. Emma passou por poucas e boas, e eu pensei que ela nunca voltaria a sorrir por uma mulher. Mas você... você é namorada dela, e estou tão feliz por vê-la feliz que eu poderia passar a noite inteira te agradecendo por gostar assim dela.
Sorrio. Bebo um pouco de vinho e Cora diz:
— Toda vez que me lembro da agonia dela, fico morrendo de raiva. Flagrar a própria namorada com o sem-vergonha do pai juntos na cama... Esse dia foi terrível... terrível.
— Calma, Cora... calma — murmuro, tocando em sua mão ao perceber sua dor.
De repente, reconheço a mulher com quem Emma está falando. É a loura que vi há alguns dias no escritório e com quem ela saiu do prédio. Cora olha na mesma direção que eu.
— Minha nossa — sussurra. — O que ela está fazendo aqui?
Observo que Emma a pega pelo cotovelo e lhe diz algo. Ela se solta e começa a caminhar até nossa mesa. Meu sangue ferve. Não sei quem é essa mulher. Só vejo a expressão ofuscada de Emma e fico sem palavras. De repente, Cora se levanta e pergunta:
— O que você está fazendo aqui?
Emma chega ao mesmo tempo que a jovem, e ela não a deixa falar.
— Mãe, não estou nem aí se essa cabeça-dura me mandar ir embora outra vez. Vim atrás dela e não penso em voltar pra Alemanha sem ela.
Surpresa, olho para Emma, que se aproxima de mim e diz:
— Querida, essa é minha irmã, Marta.
A jovem loura com cara de criança me olha e sorri.
— Oi, Regina... Ouvi falar de você. Pouco, mas bem. Aliás, eu e você precisamos conversar sobre a cabeça-dura da minha irmã.
— Marta! — protesta Emma.
— Ah... Emma, fica quietinha aí! Você já me irritou muito.
— Crianças... crianças... não comecem — intervém a mãe.
Sorrio para ela, e Cora me explica:
— Marta é filha do meu segundo casamento. — E, olhando para a filha, diz num tom de cochicho: — Regina é a namorada de Emma, sabia?
Emma faz cara de impaciência, eu rio e sua irmã pergunta:
— Sua namorada?
— É, minha namorada — diz Emma.
— Mas como você aguenta essa rabugenta?
— Masoquismo puro — respondo e todas riem, inclusive Emma.
Após umas risadas que deixam o clima mais leve, Marta, sem dar trégua, olha para a mãe e depois para a irmã.
— Agora que já foram feitas as apresentações, diz aí, Emma: quando você volta pra Alemanha? Eu e mamãe não estamos mais suportando o Flyn, e a babá dele qualquer dia o estrangula. Essa criança vai nos matar de desgosto. E daqui a pouco é hora de fazer a cirurgia. Você tem que se operar. Eu já te disse que você precisa baixar a pressão intraocular. E o que está acontecendo? Por que você não volta pra cuidar disso tudo? Tenho certeza de que sua namorada vai entender que você precisa viajar, né?
Balanço a cabeça afirmativamente. Faço cara de espanto. A história da cirurgia me pegou de surpresa. Não sabia que ela estava adiando a operação por minha causa. Isso me deixa furiosa e, quando Emma vê minha expressão, diz:
— Por que você não consegue ficar quieta, irmãzinha?
— Porque eu quero continuar tendo uma irmã rabugenta que vê minhas caras de emburrada quando brigo com ela, que tal?
— Que saco...! Quando você assume esse papel doutora-falando-com-o-paciente, me tira do sério.
— E você me tira do sério mais ainda, quando se comporta como uma cabeça-dura. Aliás, preciso te contar que ontem Flyn aprontou de novo no colégio.
Emma respira fundo. Não está à vontade com a conversa.
— Filha — acrescenta a mãe —, você insiste em não colocar Flyn num colégio interno. Você sabe que eu amo esse menino, mas o comportamento dele é...
— Chega, mãe!
— Ei, você... pode parar... não fala assim com a mamãe — solta Marta.
Furiosa, Emma olha para as duas.
— Já sou crescidinha pra decidir o que é melhor pra mim e pro Flyn.
— Ótimo — diz Marta. — Então levanta essa bunda da cadeira, vai pra Alemanha e cuida dessa história. Porque senão, no fim das contas, eu e mamãe é que teremos que decidir o que fazer com ele.
Emma diz palavrões, irritada.
Icewoman está de volta! De repente, o clima bom que havia na mesa vai por água abaixo. Fico transtornada ao ver como essas três se olham e se desafiam. Ao fim, mãe e filha se levantam da mesa e, sem falar nada, vão embora. Emma abre o celular e eu a ouço dizer:
— Tomás... minha mãe e minha irmã vão sair do restaurante. Leve as duas ao hotel. Nós vamos voltar de táxi.
Quando desliga o telefone, olha para mim, mas desta vez eu me antecipo:
— Estou muito chateada contigo.
Emma me olha... me olha... me olha e finalmente sussurra:
— Escuta, Regi. Eu, melhor do que ninguém, sei o que estou fazendo. Sobre Flyn, sei que elas têm razão. Vou voltar pra Alemanha e cuidar dele, mas não vou enfiá-lo num internato. Hannah não me perdoaria, nem eu. E, quanto a mim, pode ficar tranquila, sou a primeira a não querer ficar cega, está bem?
A palavra “cega” me faz estremecer. De repente, volta à minha consciência o fato de Emma, meu amor, a mulher que amo, ter uma doença terrível, e minhas angústias ressurgem em cascata. Minha expressão se contrai e, quando prendo a respiração para segurar as lágrimas, ela me pega pela mão.
— Calma, pequena... estou bem.
Minha cabeça concorda e não digo nada, pois senão meus olhos se transformariam nas cataratas do Niágara, de tanta água que sairia. Emma me puxa para si. Eu me levanto e sento no seu colo para abraçá-la sem me importar com as pessoas que estão à nossa volta. Preciso senti-la perto de mim. Preciso sentir seu cheiro. Preciso tê-la e, principalmente, preciso que ela saiba que tem a mim. Quinze minutos depois, quando já estou mais tranquila, Emma paga a conta e saímos em silêncio do restaurante. Voltamos ao hotel de táxi. Ao chegarmos à suíte, permaneço em silêncio. Não tenho forças nem para discutir, e, quando entramos no quarto, Emma segura minha mão.
— Escuta, Regi...
De repente, uma raiva incontrolável toma conta de mim.
— Não, escuta você, cabeça-dura desgraçada. Sobre Flyn, suas escolhas me parecem razoáveis, ele é seu sobrinho, e você, melhor que ninguém, sabe o que fazer com ele. Mas, quanto à sua doença, se você me ama e quer que a gente continue juntas, faz o favor de voltar com sua família pra Alemanha e fazer o que tiver que ser feito. — As lágrimas me invadem e começam a rolar pelas bochechas. — Não sei por que você está adiando isso, mas, se é por mim, te garanto que vou estar te esperando quando você voltar, ok? Você diz que sou sua namorada e, como tal, exijo que se cuide porque te amo e quero estar ao seu lado por muitos e muitos anos. Se você quiser, posso ir contigo. Ficarei ali o tempo que for necessário. Mas, por favor, preciso saber que você está bem. Porque, se acontecer alguma coisa de ruim com você, eu... eu... Emma me abraça e eu desmorono.
— Desculpa, pequena... desculpa.
Dou um empurrão nela e solto um grito, enquanto vejo como está séria e desesperada.
— Vai à merda, pra não dizer coisa pior! Se você me ama, seja responsável com suas obrigações e se cuide. Essa é a maneira de demonstrar que me ama.
Por alguns minutos, permanecemos caladas: eu choro; ela me olha. Sua dor é imensa, mas não consigo controlar minhas malditas lágrimas. Por fim, ela me estende sua mão.
— Vem cá, querida.
— Não.
— Por favor... vem.
— Não... não quero ir.
Ela acaba se sentando na cama, disposta a esperar que minha raiva passe. Já me conhece e sabe que é melhor me dar um tempo até eu me acalmar. Dez minutos depois, me sinto ridícula e vou me sentar no seu colo, de frente para ela. Eu a abraço e ela me abraça. Permanecemos assim um bom tempo, até que tento beijá-la e ela se esquiva.
— Você acabou de virar a cara pro meu beijo?
Emma sorri, e eu logo sinto que ela me segura com mais força.
— Alguma vez teria que ser eu, né?
Sorrio por fim e ela me beija com doçura, enquanto sinto seus braços me apertarem mais e mais contra si. Depois se levanta comigo e me deita na cama. Levanta meu vestido, tira minha calcinha e, sem deixar de olhar para mim, vai tirando sua roupa. Deita sobre mim segura minhas mãos com a mão esquerda e com a direita, vai afundando, cuidadosa, lenta e pausadamente seus dedos em meu interior. Meu corpo estremece e eu a recebo com prazer, contorcendo-me de olhos fechados.
— Olha pra mim, querida. Eu preciso.
Eu olho. Agora entendo que ela precisa ver minha expressão, meus olhos, meu rosto, quando se funde de novo em mim. Minha boca se abre para deixar escapar um gemido que Emma devora com os lábios, enquanto aumenta o ritmo de seus movimentos para me dar mais e mais prazer.
— Mais forte... mais forte — exijo.
Emma solta minhas mãos e segura meus quadris. Com um tranco me toma toda e eu grito, me contorço de prazer, sem deixar de olhar para ela.
— Isso, Regi... Isso, minha querida.
Instantes mais tarde, após entrar e sair vigorosamente em mim, chegamos juntas ao orgasmo, e ela desaba em cima de mim. Ficamos nessa posição durante alguns minutos, enquanto recuperamos o fôlego, até que Emma ergue o rosto e olha para mim.
— Tudo bem, Regi. Voltarei depois de amanhã e farei a cirurgia. Mas quero que você comece a pensar sério na proposta de ir morar comigo e com Flyn na Alemanha. Promete que vai pensar?
Claro que vou pensar. Concordo com a cabeça e abraço Emma.
Ola boa tarde, voce retirou essa fic do spirt e wattpad?
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