quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Peça-me o que quiser Capítulo 5

Capítulo 5

No dia seguinte, quando chego ao escritório e entro na sala da minha chefe para buscar uns arquivos, suspiro ao me lembrar do que aconteceu ali na véspera. Quase não dormi. Não paro de pensar em Emma Swan e no que houve entre nós. Na noite anterior, ao chegar em casa, vi na televisão a reprise do jogo Alemanha-Itália. Que jogaço da Itália! Quero esfregar na cara dessa sujeita pedante a eliminação de seu país. 
Killian aparece e vamos juntos tomar café da manhã. Paco e Raul se juntam a nós e conversamos animados, enquanto observo a entrada na expectativa de que Emma, a chefona, a mulher que me convidou para jantar e me deixou superexcitada, passe por aquela porta. Mas isso não acontece. E eu fico decepcionada. Então, depois que acabamos o café, voltamos a nossas respectivas salas.
Ao retornarmos, Killian vai ao departamento administrativo. Precisa resolver algo que a senhora Swan lhe pediu no dia anterior.
 
Disposta a enfrentar um novo dia, ligo meu computador e em seguida meu telefone toca. É da recepção para avisar que um jovem com um buquê de flores está perguntando por mim. Flores? Nervosa, me levanto da cadeira. Nunca ninguém me mandou flores e tenho certeza de quem foi: Emma.
 
Com o coração disparado, vejo as portas do elevador se abrirem, e um jovem com um boné vermelho e um lindo buquê confere a numeração das salas. Mas, ao se dar conta de que estou olhando para ele, aperta o passo.
— Por acaso você é a senhorita Mills? — pergunta ao chegar perto de mim.
Quero gritar: “Sim! Meu Deeeeeeus!”
O buquê é espetacular. Lindas rosas amarelas. Amei!
O jovem do boné vermelho me olha e, por fim, respondo “sim” à sua pergunta.
 
— Assine aqui e, por favor, entregue esse buquê à senhora Zelena Mader. Minha boca abre e não fecha mais.
É pra minha chefe?
 
Um balde de água fria. Meus breves segundos de felicidade por me considerar alguém especial se desfazem num piscar de olhos. Mas, sem querer deixar minha decepção transparecer, pego o buquê, olho para ele e quase choro. Seria tão bom se fosse para mim...
 
Deixo o buquê sobre minha mesa e assino o papel que o rapaz estende na minha direção. Depois que ele vai embora, levo as lindas flores à sala da minha chefe. Coloco- as em cima da sua mesa e me viro para sair. Mas então sou dominada pela curiosidade, daí me viro de volta e procuro o cartão entre as flores. Eu o abro e leio: “Zelena, repetimos na próxima vez? Emma Swan.”
 
Ler isso me deixa nervosa. Como assim “repetimos”?
 
Fala sério! Parece propaganda de chocolate. “Repetimos?”
 
Rapidamente deixo o cartão no seu devido lugar e saio da sala. Meu humor agora está péssimo. Espero que ninguém me encha nas próximas horas ou vai pagar muito caro. Eu me conheço e sei que sou bem perversa quando fico chateada.
 
Sem conseguir tirar da cabeça esse “repetimos?”, começo a digitar um relatório no computador, até que minha chefe aparece.

— Bom dia, Regina. Entre na minha sala — diz sem olhar para mim.
Não! Agora não. Mas me levanto e a sigo.
 
Quando entro e fecho a porta, ela vê o buquê de flores e o pega. Tira o cartão e eu a vejo sorrir. Que idiota! Meu pescoço está coçando! Malditas brotoejas.

— Falei com Roberto, do RH — me diz.
 
Ai, minha nossa! Vai me demitir?
 
— Vai haver umas mudanças na empresa. Ontem tive uma reunião muito interessante com a senhora Swan, e algumas coisas vão mudar em muitas das sucursais espanholas.
 
Escutar que ela teve uma reunião interessante é algo que me incomoda. Mas logo o telefone toca e eu atendo imediatamente.
 
— Bom dia. Sala da senhora Zelena Mader. Sou a secretária, a senhorita Mills. Em que posso ajudá-lo?
 
— Bom dia, senhorita Mills. — É Swan! — Poderia me passar para sua chefe?
 
Com o coração acelerado, consigo balbuciar:
 
— Um momento, por favor.
Nem preciso dizer que minha chefe, quando informo que é ela, aplaude — não apenas com as mãos — e pede que eu me retire da sala. Mas antes de sair eu a ouço dizer: — Oieeee! Chegou bem ao hotel ontem à noite?
 
Ontem à noite? Ontem à noite? Como assim “ontem à noite”?
 
Fecho a porta. Mas ontem à noite ela estava comigo!
Então minha mente fantasiosa logo começa a imaginar o que aconteceu. Ela era a mulher com quem ela falava ao telefone no carro. Me deixou em casa e foi encontrá-la. Será que voltou ao Moroccio? 
A cada segundo que passa, fico com mais raiva. Mas por quê? A senhora Swan e eu não temos nada. Apenas jantamos, ela colocou a mão em mim por cima da roupa e assistimos juntos a um espetáculo sexual. Isso me dá o direito de ficar com raiva?
 
Volto à minha cadeira e continuo a digitar. Tenho que trabalhar. Não quero pensar. Em algumas ocasiões pensar não é bom, e esta é uma dessas ocasiões. A uma da tarde, minha chefe sai da sala e, após dirigir o olhar para Killian, ele se levanta e eles vão embora juntos. Sei o que vão fazer. Treparão como coelhos durante as duas horas de almoço, e sabe-se lá onde.
 
Trabalho, trabalho e mais trabalho. Me concentro no meu trabalho. Estou tão mal-humorada que ataco minhas tarefas com muita energia e me livro de uma pilha de papéis. Por volta de duas e meia, chega Óscar, um dos seguranças que ficam na portaria.
— O motorista da senhora Swan deixou isto aqui pra você — diz, me entregando um envelope.
 
Boquiaberta, olho para o envelope fechado com meu nome escrito. Agradeço a Óscar, e ele se retira. Fico um tempo observando a embalagem e, sem saber por quê, abro uma gaveta e o guardo ali. Não pretendo abrir até segunda-feira. Hoje é sexta. Dia de trabalhar direto até as três, sem pausa para o almoço.
O telefone toca. Atendo e, após dizer as palavras de sempre, escuto do outro lado: 
— Abriu o pacote que te mandei?
 
Swan! Não respondo e ela acrescenta:
 
— Estou ouvindo sua respiração. Responda.
 
Mil respostas passam pela minha cabeça. A primeira: “Mandona!” A segunda é pior.
 
— Senhora Swan, o pacote acabou de chegar e resolvi esperar até segunda-feira — respondo finalmente.
 
— É um presente para você.
— Não quero nenhum presente seu — murmuro com um fio de voz, surpresa com suas palavras.
 
— Por quê?
 
— Porque não.
 
— Ah! Senhorita Mills, essa resposta não me serve. Abra o pacote, por favor.
 
— Não — insisto. Eu a ouço bufar... Estou irritando essa mulher.
 
— Por favor, abra.
 
— E por que eu deveria abrir?
 
— Regi, porque é um presente que comprei pensando em você.
Ah tá... Então voltei a ser Regi? E, como sou uma fraca, uma idiota e ainda por cima uma curiosa incorrigível, acabo abrindo a gaveta, pego o envelope, rasgo, olho dentro dele.
— O que é isso? Escuto sua risada.
 
— Você disse que estava disposta a tudo.
 
— Bem... eu...
 
— Você vai gostar, pequena, te garanto — me interrompe.
 
— Um é para casa e o outro é pra você levar na bolsa e usar em qualquer lugar e a qualquer hora.
 
Ao ouvir o tom de sua voz quando diz “a qualquer hora”, sinto falta de ar.
 
Meu Deus, cá estamos nós outra vez!
 
— Passo na sua casa às seis — afirma antes que eu possa responder. — Vou te ensinar a usar.
 
— Não estarei lá. Vou à academia.
 
— Às seis.
 
A ligação cai e eu fico com cara de idiota.
Enquanto ouço o telefone apitar do outro lado da linha, sinto vontade de soltar um monte de palavrões. Mas só eu escutaria. Ela já foi embora.
 
Irritada, desligo. Olho de novo dentro do envelope e leio “Vibrador Fairy. Sucesso no Japão”. Nesse momento, meu corpo reage e eu suspiro. Acabo guardando-o na minha bolsa e apoio os cotovelos na mesa e minha cabeça entre as mãos.
 
— Preciso parar com isso — digo em voz baixa. — E já!
Quando chego em casa, meu Trampo me recebe. É um amor! Leio o bilhete em que minha irmã me explica ter dado o remédio ao gato, e isso me faz sorrir. Que fofa ela é! Ponho uma roupa mais confortável e preparo alguma coisa para comer. Cozinho um macarrão à carbonara delicioso, encho o prato e me sento no sofá para ver tevê enquanto devoro a comida.
 
Quando termino de comer, me recosto no sofá e, sem me dar conta, mergulho num sono profundo, até que um barulho estridente me acorda. Sonolenta, me levanto e o apito volta a soar. É o interfone.
— Quem é? — pergunto, esfregando os olhos.
 
— Regi, sou eu, Emma.
 
Então acordo rápido. Consulto o relógio. Seis em ponto. Por favor! Mas quanto tempo será que dormi? Fico nervosa. Minha casa está uma bagunça. O prato com os restos de comida sobre a mesa, a cozinha entulhada, e eu estou com uma cara horrível.
 
— Regina, pode abrir? — insiste.
Quero dizer não. Mas não tenho coragem e, após bufar, aperto o botão. Em seguida desligo o interfone. Sei que tenho cerca de um minuto e meio até que ela toque a campainha da porta. Como Ligeirinho, salto por cima da poltrona. Por pouco não bato com a cabeça na mesa. Pego o prato. Pulo de novo a poltrona. Chego à cozinha e, sem poder fazer mais nada, ouço a campainha. Deixo o prato. Jogo água em cima para esconder as sobras do macarrão. 
Ai, meu Deus! Está tudo sujo!
 
A campainha volta a tocar. Me olho no espelho. Meu cabelo está todo embaraçado. Dou um jeito como posso e corro para abrir a porta. Quando abro, respiro ofegante por causa da correria e me surpreendo ao ver Emma usando uma calça jeans super justa e camiseta escura. Está gatíssima! Sinto seu olhar me percorrendo, e ela pergunta:
— Você estava correndo?
 
Como uma idiota, me seguro na porta. Essa afobação toda acaba comigo. Ela me olha de cima a baixo. Estou prestes a gritar: “Já sei! Estou horrível.” Mas Emma me surpreende ao dizer:
 
— Adorei suas pantufas.
Fico vermelha como um tomate quando olho para minhas pantufas da úrsula que ganhei de presente da minha sobrinha. Emma entra sem pedir licença. Trampo se aproxima. Para um gato, ele até que é bem sociável. Emma se agacha e faz carinho nele. A partir desse momento, Trampo vira seu aliado.
 
Fecho a porta e me apoio nela. Trampo é tão maravilhoso que não consigo deixar de sorrir. Emma me olha, se levanta e me entrega uma garrafa.
 
— Tome, linda. Abra, coloque num balde com bastante gelo e traga duas taças.
Obedeço sem contestar. Ela está me dando ordens.
Ao entrar na cozinha, pego o balde que meu pai me deu de presente, encho de gelo, abro a garrafa e, ao colocá-la no gelo, me detenho com curiosidade no rótulo rosa e leio “Moët Chandon Rosado”.
— Você disse que gostava de morango — escuto ela dizer, enquanto sinto que me pega pela cintura.
 
— Nesse espumante o aroma que predomina é o de morangos silvestres. Você vai gostar.
Nas nuvens com sua presença, fecho os olhos e balanço a cabeça afirmativamente. Está me deixando louca. De repente, me gira para ela e eu fico apoiada entre ela e a geladeira. Respiro ofegante. Emma me olha. Eu retribuo o olhar, e então ela faz aquilo de que tanto gosto. Agacha-se, aproxima sua boca da minha e lambe meu lábio superior. 
Meu Deus, que delícia!
Abro minha boca à espera de que agora ela passe a língua no lábio inferior, mas não. Errei. Me ergue para que eu fique da sua altura e logo enfia sua língua direto na minha boca com uma paixão voraz.
 
Incapaz de continuar pendurada como uma linguiça, enrosco minhas pernas na sua cintura e, quando ela esfrega seu seu sexo no meu, eu me derreto. Sentir esse roçar sobre meu corpo me deixa com vontade de despi-la. Mas em seguida afasta sua boca da minha e me pergunta:
 
— Onde está o presente que te dei hoje?
 
Volto a ficar vermelha.
Essa mulher só pensa em sexo? Tá, admito, eu também. Mas, sem conseguir resistir a seus olhos indagadores, respondo:
 
— Ali.
 
Sem me soltar, olha na direção indicada. Anda até lá comigo enlaçada em seu corpo e depois me solta. Abre o envelope, pega o que há ali dentro e rasga o plástico da embalagem, primeiro de um dos presentes, e logo do outro. Enquanto faz isso, não tira os olhos de mim e respira com mais intensidade. Me sinto toda incendiada.
 
— Pegue o champanhe e as taças.
 
Obedeço. Essa mulher vai direto ao ponto.
 
Quando acaba de tirar os objetos da embalagem, caminha até a cozinha e os enfia embaixo da torneira. Em seguida enxuga com um guardanapo de papel, volta para perto de mim e pega minha mão.
 
— Me leve ao seu quarto — diz. Disposta a levá-la nos meus braços até o céu se preciso for, eu a conduzo pelo corredor até meu quarto e diante de nós está minha linda cama branca comprada numa loja de departamentos.
 
Entramos e ela solta minha mão.
 
Deixo em cima da mesa o champanhe e as duas taças, enquanto ela senta na cama.
 
— Tire a roupa.
Sua ordem me faz sair do universo de morangos e borbulhas no qual ela me havia feito mergulhar. E, ainda excitada, protesto:
 
— Não.
Sem tirar os olhos de mim, repete a ordem:
 
— Tire a roupa.
 
Fervendo no caldeirão de emoções em que me encontro, faço não com a cabeça. Ela faz que sim. Levanta-se com uma cara chateada. Joga em cima da cama os objetos que estava segurando.
 
— Ótimo, senhorita Mills.
 
Chega! Voltamos ao nosso círculo vicioso? Ao vê-la passar a meu lado, reajo e a agarro pelo braço. Puxo-a com força.
 
— Ótimo o quê, senhora Swan? — pergunto num tom desafiador.
 
Com ar arrogante, olha minha mão em seu braço. Em seguida eu a solto.
 
— Me chame quando você quiser se comportar como uma mulher e não como uma menina.
Isso me provoca.
 
Me irrita.
 
Quem ela pensa que é? Sou uma mulher. Uma mulher independente que sabe o que quer. Por isso respondo nos mesmos termos:
— Ótimo!
 
A resposta a desconcerta. Percebo em seus olhos e em seu olhar.
 
— Ótimo o quê, senhorita Mills?
 
Continuo olhando séria para ela, quase desmaio de tanta tensão.
— Talvez eu ligue quando o senhora quiser se comportar como uma mulher e não se achar um ser todo-poderoso a quem não se pode recusar nada. Eu disse “talvez”?
 
Meu Deus, mas que história é essa de “talvez”?
 
Eu quero essa mulher.
Quero tirar minha roupa.
 
Quero que ela tire a dela.
Desejo tê-la entre minhas pernas, e mesmo assim eu vou e solto: “Talvez ligue.” Uma tensão avassaladora se instala entre nós. Nenhum das duas parece querer dar o braço a torcer, até que minha mão procura a dela, e Emma, me surpreendendo, a segura. Lentamente e com ar perverso, se aproxima e me beija. Me lança um olhar sério.
Ah, como essa mulher me atrai!

Suga meus lábios com prazer e eu respondo ficando na ponta dos pés. De novo se afasta e senta na cama. Não falamos nada. Apenas nos olhamos. Descalço as pantufas da úrsula. Sem hesitar, tiro também minha bermuda e em seguida a camiseta. Fico só de calcinha e sutiã na frente dela. Ao perceber sua respiração ofegante, me sinto poderosa. Isso me agrada. Me excita. Nunca fiz algo assim com um desconhecido, mas descubro que adoro isso. 
Instintivamente chego perto dela. Começo a provocá-la. Vejo que está de olhos fechados e que aproxima o nariz da minha calcinha. Dou um passo atrás e noto que ela se assusta. Sorrio com malícia e ela faz o mesmo. Com uma sensualidade que eu não imaginava ter, abaixo uma alça do sutiã, depois a outra, e volto para perto dela. Desta vez ela me agarra com força pela bunda e não tenho mais como escapar. Novamente aproxima seu nariz da minha calcinha, e eu estremeço quando sinto sua respiração e uma doce mordida no meu púbis depilado.
Sem falar nada, levanta a cabeça e com uma das mãos tira o sutiã do meu seio direito. Me puxa mais para si e enfia o mamilo na boca com um gesto possessivo. Meu Deus! Estou tão excitada que vou gritar. Brinca com meu seio enquanto enfio minhas mãos em seu cabelo e a aperto contra mim. Me sinto poderosa novamente. Sensual. Voluptuosa. Me olho no espelho do armário e a imagem é, para dizer o mínimo, intrigante. Surreal. Quando acho que vou gozar, me afasto dela e, sem necessidade de que diga nada, sei o que ela quer. Tiro o sutiã e a calcinha e fico totalmente nua diante dela. Durante alguns segundos, vejo Emma percorrer meu corpo com seu olhar até que diz:
— Você é maravilhosa.
Ouvir sua voz rouca carregada de erotismo me faz sorrir e, quando ela me estende a mão, eu pego. Levanta-se. Me beija e sinto suas mãos poderosas por todo meu corpo. Que delícia. Ela me joga na cama e eu me sinto pequena. Pequenininha. Emma Swan me lança um olhar altivo, e um gemido sai de dentro de mim no momento em que ela me segura pelas pernas e as separa.
 
— Está tudo bem, Regina, você está com vontade.
 
Ela tira a camiseta e eu volto a gemer. Que mulher incrível, com esses seios lindos. Ainda de calça, fica de quatro em cima de mim e pega um dos presentes que me deu.
 
— Quando uma mulher lhe dar um aparelhinho como este aqui — murmura enquanto mostra para mim —, é porque ela quer brincar com ela e fazê-la vibrar. Deseja que a mulher se entregue toda em suas mãos, deseja desfrutar plenamente de seus orgasmos, de seu corpo, dela inteirinha. Nunca se esqueça disso. — Como sempre, balanço a cabeça afirmativamente como uma idiota, e ela continua:
 
— Este vibrador aqui é para o clitóris. Agora feche os olhos e abra as pernas para mim — sussurra.
 
— Te garanto que você terá um orgasmo maravilhoso.
 
Não me mexo.
 
Estou assustada.
 
Nunca usei um vibrador para o clitóris, e ouvir o que ela diz me deixa constrangida, mas ao mesmo tempo me excita. Emma vê a indecisão nos meus olhos. Passa a mão delicadamente sobre meu queixo e me beija. Quando se afasta, pergunta:
— Você confia em mim?
Eu a encaro por alguns segundos. É minha chefe. Devo confiar nela?
 
Tenho medo do desconhecido. Não a conheço! Nem sei o que vai fazer comigo.
 
Mas estou tão excitada que, no fim das contas, volto a concordar. Ela me beija e, instantes depois, desaparece do meu campo de visão. Sinto-a acomodar-se entre minhas pernas enquanto eu olho para o teto e mordo os lábios. Estou muito nervosa. Nunca me expus tanto a uma mulher assim. Meus relacionamentos até agora eram bem normais e, de repente, estou nua no meu quarto, estirada na cama e de pernas abertas para uma desconhecida que ainda por cima é minha chefe!
 
— Adorei você estar totalmente depilada — sussurra.
 
Beija a parte interna das minhas coxas enquanto acaricia minhas pernas com delicadeza. Estou tremendo. Em seguida ela dobra minhas pernas e eu fecho os olhos para não ver a imagem ridícula que devo estar passando. Logo sinto seus dedos percorrendo minha vagina. Isso me faz estremecer mais uma vez e, quando sua boca ardente se detém ali, tenho um sobressalto. Emma começa a mover a língua do mesmo jeito que faz quando está me beijando. Primeiro dá uma lambida, depois outra, e minhas pernas instintivamente se abrem mais um pouco. Sua língua alcança meu clitóris. Dá voltas nele e o estimula. Quando sente que está inchado, puxa-o com os lábios e começa a chupá-lo. Respiro ofegante.
Escuto um barulho. Um barulho estranho que logo identifico como o vibrador. Emma o esfrega na parte interna das minhas coxas, e eu tremo de tanto tesão. E, quando o passa pelos lábios da minha vagina, um gemido eletrizante me faz abrir os olhos.
 
— Prometo que você vai gostar, pequena — eu a ouço dizer.
 
E tem razão!
 
Eu gosto!
 
Essa vibração, acompanhada da atração pelo proibido, me enlouquece. Com cuidado me abre e coloca o aparelho sobre meu clitóris. Me mexo. É eletrizante. Segundos depois, ela o retira e eu sinto sua língua me lambendo com avidez. Pouco depois, sua boca se afasta e eu volto a sentir a vibração. Desta vez não no clitóris, mas ao lado. De repente, um calor intenso começa a invadir meu corpo desde o estômago até em cima. Sinto que vou explodir de prazer, quando me dou conta de que a vibração aumentou. Agora ficou mais forte, mais devastadora. Mais intensa. O calor se concentra no meu rosto e na testa. Respiro com agitação. Nunca tinha sentido esse calor. Nunca tinha me sentido assim. Me sinto como uma flor que está prestes a se abrir para o mundo.
 
Vou explodir de prazer!
E, quando não consigo mais segurar, um gemido incontrolável sai da minha boca. Fecho as pernas e me contorço, estremecendo, enquanto ela retira o vibrador do meu clitóris. Por alguns segundos eu estremeço.
 
O que aconteceu?
Ao sentir que ela se deita sobre mim e encosta os lábios nos meus, ressurjo das cinzas e começo a beijá-la. O desejo. Devoro sua boca querendo mais.
 
— Peça-me o que quiser — eu a ouço dizer enquanto continua me beijando. Sua voz, o tom ao dizer essa frase provocativa, me deixa ainda mais excitada. Agarro o cós de seu jeans e, levando a sério suas palavras, digo:
 
— Quero sentir você dentro de mim. Agora!
Meu pedido é urgente para ela.
Tira depressa a calça e a calcinha. Fica totalmente nua e eu estremeço de prazer. Emma é incrível. É forte. Seu corpo todo bem definido. Seu sexo absurdamente molhado está pronto para mim. Estendo meu braço e a toco. Suave. Ela fecha os olhos.
— Pare um segundo ou não poderei te dar o que você me pediu. Obediente, faço o que ela mandou enquanto a vejo se agachar lentamente sobre mim. Põe minhas pernas sobre seus ombros e, sem tirar os olhos de mim, com três dedos, me penetra devagar até o fundo.
 
— Assim, pequena, assim. Abra-se para mim.
 
Imóvel sob seu peso, lhe permito entrar no meu corpo.
 
Ahhh, que delícia!
 
Seus dedos me enlouquecem e sinto-a desesperada buscando refúgio dentro de mim. Me penetra bem fundo e eu suspiro quando ela movimenta os quadris.
— Gosta assim?
 
Faço que sim. Mas ela exige que eu fale, e para até que eu respondo:
 
— Gosto.
 
— Quer que eu continue?
Desejando mais, estico as mãos, seguro sua bunda e a aperto contra mim. Seus olhos brilham, eu a vejo sorrir e me contorço de prazer. Emma é poderosa e possessiva. Seus olhos, seu corpo, tudo nela me deixam louca e, quando começa uma série de investidas rápidas e eu sinto seu olhar ardente, ela me mata de prazer. Um tempo depois, retira minhas pernas de cima de seus ombros e as coloca em torno das suas próprias pernas. A brincadeira continua. Agarra meus quadris com uma de suas mãos.
 
— Olhe para mim, pequena.
 
Abro os olhos e a encaro.
 
É uma deusa e eu me sinto uma simples mortal em suas mãos.
 
— Quero que você me olhe sempre, entendeu?
 
Volto a concordar com a cabeça como uma idiota, e não tiro os olhos de cima dela enquanto, excitada de novo, sinto-a mergulhando mais um de seus dedos dentro de mim mais algumas vezes. Ver sua expressão e sua força me enlouquece. Abro minhas pernas o máximo que consigo para lhe dar mais espaço. Depois de meter fundo várias vezes, me rasgando por dentro e me revirando por completo, Emma fecha os olhos e gozamos juntas depois de um gemido sexy, ao mesmo tempo que me aperta contra ela. Por fim, cai sobre mim.

Nenhum comentário:

Postar um comentário