sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Peça-me o que quiser Capítulo 34

Capítulo 34


    Os dias passam — e estar com Emma é a melhor coisa que já me aconteceu. Ela me ama, me paparica e está atenta a tudo que necessito. Flyn é outra história. Rivaliza comigo em tudo, e eu tento fazer com que veja que não sou sua adversária. Se faço tortilhas de batata para ele, não gosta. Se danço e canto, me olha com desprezo. Se vejo alguma coisa na televisão, se queixa. Não me suporta de jeito nenhum e não disfarça. Isso me deixa mais preocupada a cada dia. 
    Falo com minha família em Jerez. Estão todos bem. Isso me conforta. Minha irmã conta de como está cansada com a gravidez e da trabalheira que minha sobrinha dá. Sorrio. Imagino Grace histérica à espera de que os Reis Magos a visitem. Que linda que é minha Grace!
    Uma manhã, chego à cozinha e encontro Simona assistindo à televisão. Está tão concentrada no que vê que não me ouve. Quando chego a seu lado, vejo que ela está angustiada, assustada.
    — Santo Deus, o que foi?
    A mulher seca os olhos com um guardanapo e diz, me olhando:
    — Estou vendo Loucura esmeralda, senhorita.
    Surpresa, olho a tevê e vejo que se trata de uma novela. Assistem a esses dramalhões mexicanos na Alemanha? Um sorriso me escapa, e Simona me imita.
    — Acho que a senhorita ia gostar também. Não conhecem esta novela na Espanha?
    — Não me lembro, mas não gosto dessas novelas.
    — Acredite, a mim também não, mas esta está causando furor aqui. Todo mundo vê Loucura esmeralda.
    Passada a surpresa, estou quase rindo. Então ela acrescenta:
    — É sobre a jovem Esmeralda Mendoza. Ela é uma bela moça que trabalha de empregada para os senhores Halcones de San Juan. Mas tudo se complica quando volta dos Estados Unidos o filho pródigo Carlos Alfonso Halcones de San Juan e se enrabicha por Esmeralda Mendoza. Mas ela ama em segredo Luis Alfredo Quiñones, o filho bastardo do senhor Halcones de San Juan. Santo Deus, é tudo tão difícil...
    Surpresa e achando graça, ouço com atenção o que a mulher vai me contando. Que xaropada! Minha irmã adoraria. Por fim, sem saber por quê, me sento com Simona e, de repente, estou mergulhada na história.
    Marta, a irmã de Emma, passa para me pegar no dia 2 de janeiro. Comentei com ela que preciso comprar uns presentes e ela, contente, se oferece para me acompanhar. Emma, animada por me ver sorrir, me dá um beijo na boca de despedida.
    — Divirta-se, querida.
    Faz um frio de rachar. Estamos com dois graus abaixo de zero às onze e meia da manhã. Mas me sinto feliz na companhia de Marta e sua conversa bem-humorada. Chegamos à praça central de Munique, Marienplatz, uma praça majestosa, rodeada de edifícios impressionantes. Aqui há um enorme e sensacional mercadinho de rua onde faço várias compras.
    — Tá vendo aquela sacada?
    — Estou.
    — É da prefeitura. Ali, todas as tardes, tocam música ao vivo.
    De repente, uma banca multicolorida com infinidade de árvores de Natal chama minha atenção. Há árvores vermelhas, azuis, brancas, verdes e de diferentes tamanhos. Em sua maioria estão decoradas com fotografias, bilhetes com desejos, tubinhos ou CD de plástico. Adoro! Olho Marta e pergunto:
    — O que acha que t
ua irmã vai pensar se boto uma árvore dessas na sala dela?
    Ela ri e acende um cigarro.
    — Vai ficar horrorizad
a.
    — Por quê?
    Aceito um cigarro enquanto Marta olha as árvores artificiais coloridas.
    — Porque estas árvores são modernas demais pra ela. Na verdade, nunca vi Emma botar uma árvore de Natal na casa dela.
    — Sério? — Estou perplexa e, ao mesmo tempo, convencida do que quero fazer. — Sinto por el
a, mas eu não posso viver sem ter minha árvore de Natal. Portanto, se horrorize ou não, terá que aguentar.
    Marta dá uma gargalhada. E eu me decido por uma árvore vermelha de 2 metros. Um escândalo! Compro também uma infinidade de fitas coloridas com sininhos pendurados. Quero decorar a casa como se deve. Afinal, para os espanhóis até o dia de reis ainda é Natal. Pago, e prometemos voltar no fim do dia para pegá-la.
    Durante mais de uma hora, compramos presentinhos e, quando estamos com os narizes vermelhos de frio, Marta me propõe ir beber alguma coisa. Aceito. Estou morta de frio, fome e sede. Deixo que ela me guie pelas bonitas ruas de Munique.
    — Vou te levar a um lugar muito especial. Outro dia que a gente sair iremos comer no restaurante da Torre Olímpica. É giratório. Você vai conhecer as vistas maravilhosas de Munique.
    Concordo, congelada, e observo que ali todos os táxis são de cor creme e a maioria Mercedes-Benz. É um luxo só, hein?! Poucos minutos depois, quando entramos num lugar enorme, Marta diz:
    —
Regina querida, como boa muniquense que sou, tenho o orgulho de dizer que você está na Hofbräuhaus, a cervejaria mais antiga do mundo. Olho ao redor, entusiasmada. O lugar é maravilhoso. Com tradição. Observo os tetos abobadados recobertos de pinturas curiosas e os bancos longos e grandes de madeira onde as pessoas se divertem bebendo e comendo.
    — Venha,
Regi. Vamos tomar alguma coisa — insiste Marta, me pegando pelo braço.
    Dez minutos depois, estamos sentadas num dos bancos de madeira junto com outras pessoas. Durante uma hora falamos e falamos enquanto curto uma cerveja Spatenbräu sensacional.
    A fome aperta. Decidimos comer antes de prosseguir com nossas compras. Deixo que Marta escolha, e ela pede leberkäs — um embutido quente —, almôndega de carne picada com bacon e uma rosquinha crocante salgada em forma de oito que pode ser mergulhada no molho. Tudo delicioso!
    — E aí, o que acha de Munique?
    Como um pedaço da rosquinha e respondo:
    — Pelo que vi até agora, majestosa. Acho que é uma cidade grandiosa.
    Marta sorri.
    — Sabia que nós, de Munique, somos conhecidos como os mediterrâneos da Europa?
    — Não.
    Rimos.
    — Veio pra ficar com E
mma?
    Nossa, sem enrolação, direto ao ponto, como gosto. Disposta a ser sincera, digo:
    — Sim. Somos como o fogo e o gelo, mas nos amamos e desejamos tentar.
    Marta aplaude, feliz. As pessoas ao nosso lado olham com estranheza. Mas sem se importar com os olhares, ela cochicha:
    — Ai, que bom, Regi! Espero que minha irmãozinha aprenda que a vida é algo mais que trabalho e seriedade. Acho que você vai abrir os olhos dela em muitos sentidos, mas sinto dizer que isso vai te trazer mais de um problema. Eu conheço Emma muito bem.
   — Problema?
    — Ahã!
    — Pois eu não quero problemas. — Ao dizer isso, lembro da canção de David de María e inevitavelmente sorrio. — Por que acha que vou ter problemas com E
mma?
    Marta passa o guardanapo nos lábios e responde.
    — E
mma nunca viveu com ninguém, exceto nestes últimos anos com Flyn. Ela se tornou independente muito cedo, e se há uma coisa que não suporta é que se metam em sua vida e em suas decisões. Ah, eu adoraria ver a cara dela quando você chegar com a árvore vermelha de Natal e as fitas coloridas que comprou. — Rimos. — Conheço essa cabeça-dura muito bem e tenho certeza de que você vai discutir com ela. Aliás, quanto à educação de Flyn, é péssima. Ermma superprotege o garoto. Só falta colocar numa caixa de vidro.
    Rio.
    — Não ria. Você mesma vai comprovar. E olha bem o que estou te dizendo: minha irmã não aprovará o presente que você comprou pro Flyn.
    Vejo a sacola que Marta está apontando e, surpresa, pergunto:
    — Como? Não aprovará o skate?
    — Não.
    — Por quê? — pergunto, pensando em como me divirto com minha sobrinha e seu skate.
    — Emma só verá os perigos. Você vai ver.
    — Mas comprei capacete, joelheiras e cotoveleiras! Se cair, não vai se machucar.
    — Tanto faz,
Regina. Emma só verá perigo nesse presente e o proibirá.
    Meia hora depois, saímos da cervejaria e nos dirigimos à rua Maximilianstrasse, considerada o trecho de ouro de Munique. Entramos na loja da D & G, e Marta vai direto ver uns jeans. Enquanto ela está no provador, compro rapidamente uma camiseta que vi que tinha gostado. Visitamos uma infinidade de lojas exclusivas, cada uma mais cara que a outra, e, quando entramos na Victoria Secrets, decido comprar uma camisola  de ceda branca  para Emma. Ela vai ficar linda.
    Acabadas as compras, voltamos à praça da prefeitura para pegar minha bela árvore de Natal. Marta ri. Eu também, embora já comece a ter dúvidas se fiz bem em comprar.
    Um temporal toma o céu de Munique, e decidimos pôr um fim ao dia de compras. Quando, às seis da tarde, Marta me deixa em casa, Emma não está. Simona me diz que ela foi para o escritório, mas que não demora a chegar. Rapidamente subo as compras para o quarto e as escondo no fundo do armário. Não quero que Emma veja. Mas antes de mudar de roupa, olho pela janela. Chove forte. Me lembro de ter visto o cachorro abandonado perto das latas de lixo.
    Sem pensar duas vezes, vou ao quarto de hóspedes e pego um cobertor. Depois comprarei outro. Desço à cozinha, pego um pouco de refogado de carne na geladeira, ponho num recipiente plástico e esquento no microondas. Depois, toda feliz, saio de casa e ando entre as árvores até o portão, que abro. Me aproximo das latas de lixo.
    — Susto... — Eu batizei o cachorro com esse nome. — Susto, onde você está?
    A cabeça fina de um galgo caramelo e branco aparece atrás das latas. Treme. Está assustado e, pelo jeito, com fome e muito, muito frio. O animal, receoso, não se aproxima, e deixo a comida no chão enquanto o chamo para comer.
    — Vem, Susto, coma. Está delicioso.
    Mas o cachorro se esconde e, antes que eu o possa tocar, foge apavorado. Isso me entristece. Pobrezinho. Que medo tem dos humanos. Mas sei que ele vai voltar. Já são muitas as vezes que o vi perto das latas de lixo, e, disposta a fazer algo por ele, com umas madeiras e umas caixas, levanto uma espécie de casinha num lado. No centro da caixa, meto o cobertor que trouxe e a comida. Depois vou embora. Espero que o cachorro volte logo e coma.
     Em casa, subo de novo para meu quarto, troco de roupa e vou para a sala com a caixa da árvore de Natal. Flyn está jogando PlayStation. Me sento a seu lado e deixo a enorme e colorida caixa diante de minhas pernas. Com certeza isso chamará a atenção dele.
    Durante mais de vinte minutos eu o observo jogar sem dizer uma só palavra, enquanto a desgraçada da música estrondosa do videogame me arrebenta os tímpanos. Por fim, fraquejo e pergunto aos gritos:
    — Que tal me ajudar a armar a árvore de Natal?
    Flyn finalmente me olha. Para a música. Oh, que paz! Depois observa a caixa.
    — A árvore está aí? — pergunta, surpreso.
   — Sim. É desmontável. Que tal? — abro a caixa, puxando um pedaço.
   Faz uma cara sem expressão.
    — Não gosto — afirma rapidamente.
    Sorrio ou lhe dou uns cascudos? Decido sorrir.
    — Pensei em criar nossa própria árvore de Natal. E pra sermos originais e ter uma coisa que ninguém tem, podemos decorar com desejos que leremos quando desmontarmos a árvore. Cada um de nós escreverá cinco desejos. Que acha?
    Flyn pestaneja. Consegui atrair sua atenção e, mostrando a ele um caderno, duas esferográficas e uma fita colorida, acrescento:
    — Montamos a árvore e depois escreveremos os desejos em pedaços pequenos de papel. Aí os enrolamos e os atamos com as fitas coloridas. Não é uma boa ideia?
    O pequeno olha o caderno. Depois me encara com seus olhões escuros.
    — É uma ideia horrível. Além do mais, as árvores de Natal são verdes, não vermelhas.
    Me contraio toda. Que falta de imaginação! Se esse baixinho diz isso, o que dirá sua tia? Ele volta ao jogo, a música nas alturas de novo. Mas disposta a montar a árvore e me divertir com isso, me levanto e, com segurança, grito para que me ouça:
    — Vou botá-la aqui, perto da janela — digo, enquanto observo que continua chovendo. Espero que Susto tenha voltado e esteja comendo na sua casinha. — O que acha?
    Flyn não responde. Nem me olha. Assim, decido pôr mãos à obra.
    Mas a música estridente me mata e opto por contorná-la da melhor forma possível. Ligo o iPod que carrego no bolso de meus jeans, ponho os fones e, segundos depois, cantarolo:
                            
Euphoria
An everlasting piece of art
A beating love within my heart.
We’re going up-up-up-up-up-up-up



    Animada com minha musiquinha, me sento no assoalho, tiro a árvore da caixa, esparramo-a ao meu redor e olho as instruções. Sou a rainha da bricolagem, daí que em dez minutos a árvore já está montada. Ficou muito bacana. Vermelha, vermelha brilhante. Olho Flyn. Continua jogando diante da televisão.
    Pego a caneta e o caderno e começo a escrever pequenos desejos. Quando tenho uma porção, arranco as folhas e as corto com cuidado. Faço desenhozinhos natalinos ao redor do texto. Preciso me entreter com alguma coisa. Quando estou satisfeita, enrolo meus desejos e os ato com a fita colorida. Fico nessa por mais de uma hora, até que de repente vejo uns pés ao meu lado, levanto a cabeça e me deparo com a cara fechada de minha Icewoman.
    Caraca! Que coisa!
    Me levanto rapidamente e tiro os fones.
    — O que é isso? — diz, enquanto aponta a árvore vermelha.
    Vou responder quando o baixinho de olhos puxados se aproxima da tia e, com a mesma expressão séria dela, responde:
    — Segundo ela, uma árvore de Natal. Segundo eu, uma porcaria.
    — Que você ache uma porcaria minha linda árvore não significa que sua tia tenha que achar também — respondo ríspida. Depois olho Emma e continuo: — Tudo bem, talvez não combine com tua sala, mas eu vi esta árvore e não pude resistir. Não é bonita?
    — Por que não ligou pra me consultar? — diz minha alemã favorita.
    — Pra consultar você?
    Estou surpresa.
    — Sim. Sobre a compra da árvore.
    Tô chocada! Mando Emma à merda ou só a insulto? Por fim, decido respirar antes de dizer o que penso, mas, chateada, digo:
    — Nunca pensei que tivesse que pedir permissão pra comprar uma árvore de Natal.
    Emma me olha, me olha e então se dá conta de que estou ficando puta da vida. Para tentar me acalmar, pega a minha mão.
    — Olha, Regi, o Natal não é minha época preferida do ano. Não gosto das árvores nem dos enfeites que nestas datas todo mundo coloca em casa. Mas se você queria tanto uma árvore, eu podia ter encomendado um belo pinheiro.
     Nós três olhamos de novo minha árvore vermelha e, antes que Emma diga qualquer coisa, respondo:
    — Sinto que não goste da época natalina, mas eu adoro. E com certeza não gosto que se corte um pinheiro pelo simples fato de que seja Natal. São seres vivos, que levam muitos anos pra crescer, pra morrer só porque a gente gosta de decorar nossa sala com um pinheiro no Natal. — Tia e sobrinho me olham. — Sei que algumas dessas árvores são replantadas. Tudo bem, mas a maioria delas acaba seca, na lata do lixo. Eu tô fora. Prefiro uma árvore artificial, que uso e que, quando não preciso, guardo para o ano seguinte. Pelo menos sei que enquanto está guardada não morre nem seca.
    Os lábios de Emma se arqueiam. Acha graça de minha defesa dos pinheiros. Aproveito o momento e pergunto:
    — Não acha mesmo linda e original esta árvore?
    Com sua habitual sinceridade, levanta as sobrancelhas e diz:
   — Não.
    — É horrível — resmunga Flyn.
    Não me rendo. Evito responder ao menino e, toda carinhosa, olho minha menina grande.
    — Nem gosta se eu disser que é nossa árvore dos desejos?
    — Árvore dos desejos? — pergunta Emma.
    Faço um gesto afirmativo, e Flyn responde, enquanto toca um dos desejos que eu já pendurei na árvore:
    — Ela quer que a gente escreva cinco desejos pra pendurar aí. Depois, no fim das festas, que a gente leia pra que aconteçam. Mas eu não quero fazer isso. Isso é coisa de gente fresca.
    — Seria novidade se você quisesse — falo demasiado alto.
    Emma me repreende o comentário com um olhar. O menino, disposto a chamar a atenção, grita:
    — Além do mais, as árvores de Natal são verdes e são decoradas com bolas. Não são vermelhas nem são enfeitadas com desejos bobos.
    — Pois eu gosto dela vermelha e enfeitada com desejos, veja só.
    Emma e Flyn se olham. Em seus olhos vejo que se comunicam. Desgraçados! Mas, consciente de que quero minha árvore vermelha e do quanto vou ter de lutar com estes dois resmungões, tento ser positiva:
    — Olha, gente, é Natal, e um Natal sem árvore não é um Natal!
    Emma me olha. Eu a olho e faço um biquinho. Por fim, ela sorri.
    Ponto pra Espanha!
    Flyn, emburrado, vai se afastar quando Emma o pega pelo braço e diz, apontando o caderno:
    — Escreva cinco desejos, como Regi pediu.
    — Não quero.
   — Flyn...
    — Droga, tia! Não quero.
    Emma se agacha. Fica cara a cara com a criança.
    — Por favor, eu gostaria muito que fizesse isso. Este Natal é especial pra todos nós e seria um bom começo com Regi aqui em casa, né?
    — Detesto que ela tenha de cuidar de mim e me mandar fazer coisas.
    — Flyn... — insiste Emma com dureza.
    A batalha de olhares entre eles é velada. Por fim minha Icewoman vence. O menino, furioso, pega o caderno, rasga uma folha e agarra uma das canetas. Quando está para sair, digo:
    — Flyn, pegue a fita verde pra amarrar na árvore.
    Sem me olhar, pega a fita e vai até a mesinha em frente à tevê, onde começa a escrever. Com discrição me aproximo de Emma e, ficando na ponta dos pés, cochicho:
    — Obrigada.
   Minha alemã me olha. Sorri e me beija.
   Ponto pra Alemanha!
   Por um momento falamos sobre a árvore e tenho que rir com seus comentários. Emma é tão clássica para certas coisas que é impossível não rir. Um tempo depois, Flyn volta, pendura na árvore os desejos que escreveu e, sem nos olhar, vai para a poltrona. Pega o comando do Play, e a música barulhenta começa a soar. Emma, que não tira os olhos de mim, pega o caderno no assoalho e a caneta e pergunta em meu ouvido:
    — Posso anotar qualquer desejo?
    Sei onde quer chegar. Sei o que quer dizer. Melosa, murmuro mais pertinho dela:
   — Sim, senhora Swan, mas lembre que no fim da festa leremos os desejos todos juntos. Emma me observa por uns instantes, e eu só penso em sexo... sexo... sexo. Deus meu! Olhar para Emma me excita tanto que estou me transformando numa escrava do sexo! Por fim, a gata da minha namorada concorda com um gesto, se afasta uns metros e sorri.
    Uau! Como me deixa, quando me olha assim. Adoro essa mistura de desejo, intimidação e mau-humor. Sou pra lá de masoquista!
    Fico olhando Emma escrever apoiada na mesinha da sala de jantar. Gostaria de saber seus desejos, mas não me aproximo. Devo esperar até o dia marcado para ler.
    Quando Emma acaba, dobra o papel e pega a fita prateada que lhe estendo. Depois de pendurá-lo na árvore, me olha com malícia e vem pôr alguma coisa no bolso da frente de meu moletom. Me beija na ponta do nariz, dizendo:
    — Não vejo a hora de realizar este desejo.
    Sorrio, feliz, excitada. Deus meu, que tesão! Ficando na ponta dos pés, dou um beijo na boca de Emma enquanto meu coração vai a trocentos por hora. Depois de uma palmadinha cúmplice no meu traseiro, que me faz perceber o quanto ela me deseja, ela se senta com seu sobrinho. Eu aproveito, tiro a pequena caixa que pôs em meu bolso junto com um papel e leio:
    — Meu desejo é ter você nua esta noite em minha cama pra usar este brinquedo.
    Sorrio. SEXO!
    Curiosa, abro a caixinha e observo algo metálico com uma pedra verde. Que incrível! Para que será? Minha cara é de espanto quando leio no papel: “Joia anal Rosebud”.
    Puxa, não sabia que havia joias para o cu!
    Desato a rir.
    Alegre, vou até a janela, o rosto afogueado, e continuo lendo: “Joia anal de aço cirúrgico com cristal de Swarovski. Ideal para enfeitar o ânus e estimular a região anal.”
    Que diferente!
    Excitada, percebo que Emma me olha com expressão sacana. Comicamente, levanto o polegar em sinal de que gostei, e ambas rimos. Esta noite vai ser o máximo!
    Depois do jantar, proponho uma partida de Monopoly da Wii. Lance a lance vamos nos entusiasmando. Por fim, deixamos que Flyn ganhe e ele vai dormir todo prosa. Quando ficamos sozinhas na sala, Emma me olha. Seu olhar diz tudo: impaciência. Beijo-a e murmuro em seu ouvido:
    — Quero você em cinco minutos no quarto.
    — Chegarei em dois — responde autoritária.
    — Melhor!
    Dito isto, saio da sala. Corro escada acima, entro em nosso quarto, tiro o edredom, me dispo, deixo a joia anal ao lado do lubrificante sobre o travesseiro e me atiro na cama para esperá-la. Não há tempo para mais nada.
    A porta se abre, e meu coração bate com força. Excitação. Emma entra, fecha a porta, e seus olhos já estão sobre mim. Caminha até a cama, e a observo tirar a blusa cinza.
    — Teu desejo está esperando onde você o queria.
    — Perfeito — responde com voz rouca.
    Me olha como uma leoa faminta. Vejo que dá uma olhada na joia anal e sorri. O desejo me consome. Ela joga a blusa no assoalho e fica  de top aos pés da cama.
    — Dobra e abre as pernas.
    Meu Deus, meu Deus, que calor!
    Faço o que me pede e sinto que começo a respirar com dificuldade. Emma sobe na cama e leva sua boca até a parte interna das minhas coxas. Beija-as — beija-as com delicadeza, e eu me desmancho toda. Ela, com seu erotismo costumeiro, continua sua corrente de beijos. Agora sobe. Me beija o quadril, depois o umbigo, depois um dos seios, e quando sua boca está sobre a minha e me olha nos olhos, sussurra com voz carregada de desejo e erotismo:
    — Peça-me o que quiser.
    Meu Deus! Ai, meu Deus!
    Minha respiração se acelera. A vagina se contrai e sinto frio na barriga. Emma, minha Emma, chupa o lábio superior, depois o inferior. Antes de me beijar, dá sua mordidinha característica no lábio, o que me faz abrir a boca para lhe facilitar o acesso. Adoro seus beijos. Adoro sua exigência. Adoro como me toca. Eu a adoro. Depois do beijo, me olha à espera de que lhe peça algo. Então, como sei o que desejo, murmuro:
    — Me chupa.
    Sua corrente de beijos agora desce pelo meu corpo. Quando beija o púbis, passa com sensualidade seu dedo na tatuagem.
    — Vamos, querida, se abra com as mãos. Feche os olhos e fantasie. Sim, se ofereça como quando estivemos com outras pessoas.
    “Se ofereça! Outras pessoas!” Deus do céu, que tesão!
    Suas palavras provocam uma tremenda excitação, e minhas mãos se apressam. Me abro, me expondo totalmente a Emma, ansiosa para que me lamba enquanto imagino que não estamos apenas nós duas neste quarto. Sem demora, sua língua toca meu clitóris.
    Minha nossa, eu morro de prazer!
    O fogo abrasador de minhas fantasias e a excitação que Emma provoca me deixam sem forças. Deitada nua na cama, as lambidas ávidas me deixam louca, e suas mãos sobem por meu traseiro. Minha mulher, cheio de tesão, me agarra pelos quadris para chegar mais fácil dentro de mim.
    — Vamos, Regi,  se ofereça.
    Instigada, provocada, estimulada e louca pelo que imagino e pelo que ela me diz, aproximo minha vagina molhada de sua boca. Sem nenhum pudor, me aperto contra ela e me ofereço extasiada, desejosa de sentir e dar todo o prazer. Sua boca me chupa rapidamente, seus dentes se lançam ao meu clitóris, e eu, ofegante, quero mais e mais.
   Minha pele arde e um prazer louco e selvagem toma meu corpo. Me retorço em sua boca a cada toque de sua língua e exijo mais.
    Meu clitóris, inchado, está a ponto de explodir. Isso provoca Emma. Eu sei. Quando ela ergue a cabeça para me olhar, levanto rápido e beijo seus lábios molhados com meus fluidos. Seu gosto é meu gosto. Meu gosto é seu gosto.
    — Me fode — exijo.
    Emma sorri, morde o queixo e volta a me dominar. Me deita com brutalidade, e dessa vez meu corpo cai pela lateral da cama enquanto abre de novo minhas pernas, me dá uma palmadinha e continua seu ataque devastador. Noto algo úmido em meu ânus. Sim, o lubrificante. Emma me abre com um dedo, e instantes depois sinto que ela introduziu o brinquedinho. Aquela joia.
    — Lindo — diz Emma enquanto beija minha bunda.
    De minha posição, não posso ver seu rosto. Mas sua respiração e sua voz rouca me indicam que gosta do que vê e do que faz. Durante vários minutos, as paredes de meu ânus se contraem. Que delícia! Depois, Emma mete primeiro um dedo na vagina e depois dois.
    — Olha pra mim, Regina. 
   Com a cabeça virada de lado, viro os olhos para ela, que murmura, a voz rouca de emoção:
    — A joia é bonita, mas tua bunda é espetacular.
    Isso me faz sorrir.
    — Prefiro algo maior em  vez desse pequeno aço cirúrgico.
    — É mesmo?
    Confirmo.
    — Prefere que eu te coma com outras pessoas?
    Confirmo de novo. Seus dedos mergulham em mim. Que loucura! Arrebatada de paixão, insiste:
     — Tem certeza, pequena?
    — Sim — digo ofegante.
    Seus dedos entram e saem de mim, enquanto com a outra mão aperta a joia. E eu fico louca. Após um gemido, abro os olhos, e Emma está me olhando.
    — Logo seremos duas a te foder, pequena. Primeiro uma, depois a outra, e depois as duas. Vou te prender entre meus braços e abrir tuas coxas. Deixarei que a outra te foda enquanto eu te olho, e só permitirei que você goze pra mim, certo?
    — Sim, sim — digo ofegante de novo, extasiada com o que diz.
    Emma sorri, e eu tenho um espasmo de prazer. Minha vagina se contrai, e seus dedos percebem. Muito rápido,  sai de dentro de mim.  Vai ao banheiro e com uma rapidez absurda , volta usando o enorme dildo. Sobe em cima de mim, me enfia dois dedos e num piscar de olhos, os troca  pelo dildo, e sufoco um grito ao sentir o impressionante joguete.
    Santo Deus, como é bom!
   Com mãos experientes, me agarra pela cintura e me levanta. Me senta sobre ela na cama, me abraça e diz baixinho, perto da minha boca:
    — Seremos três na próxima vez.
     Aceno que sim, entre gemidos.
    — Sim, sim, sim...
    Emma me beija. Sentir sua respiração descontrolada me deixa louca.
    — Se mexa, pequena.
    Meus quadris obedecem com um ritmo lento e profundo. Acho que vou explodir. A fricção do brinquedo anal é tremenda. Emma e eu nos olhamos nos olhos, enquanto afundo cada vez mais.
    — Me beije — peço.
    Minha Icewoman me satisfaz, e eu aumento o ritmo, deixando-a louca. Uma vez depois da outra, entro e saio até que ela me para. Com um movimento, me deita na cama, faz eu me virar e me bota de quatro.
    — Tá fazendo o quê? — pergunto.
    Emma não responde, apenas mete seu "pênis" em mim, e depois de duas enfiadas que me fazem gemer, sussurra em meu ouvido:
    — Querida, quero teu cuzinho lindo. Posso?
    Tesão, muito tesão.
    Excitada ao extremo, mostro o anel em minha mão.
    — Sou toda sua.
    Com cuidado, ela  pega a joia e me passa mais lubrificante. Estou impaciente e ansiosa por sexo. Quero mais. Preciso de mais. Emma, ao ver minha impaciência, enquanto passa o lubrificante no dildo, me morde as costas. Nervosismo. Meus sentimentos são contraditórios. Não fiz mais sexo anal desde aquele último dia com ela e aquela mulher. Mas Emma sabe o que faz e, pouco a pouco, entra em mim. Me dilato. Minha mente fica louca, e o tesão toma conta de mim quando sinto que Emma me preenche:
    — Fundo, fundo, querida.
    Mas ela não obedece. Não quer me machucar. Mete devagarinho, e quando está totalmente dentro de mim, se agacha sobre minhas costas e, me abraçando com amor, sussurra em meu ouvido:
    — Minha nossa, pequena, como você é apertadinha!
    Me acostumo à nova situação, feliz com o prazer que sinto, enquanto ela entra e sai de mim. Eu gemo. Ardo. Queimo. Mas curto, entregue à delícia do sexo anal. Me sinto depravada. Praticar sexo selvagem com Emma me torna depravada. Louca. Desinibida. Estou de quatro para ela, com a bunda empinada, desesperada para que me foda, para que me faça sua infinitas vezes.
     — Emma... eu gosto — afirmo, enquanto empurro meu corpo contra o seu, desejando que Emma entre mais fundo.
     Continuamos nossa brincadeira por vários minutos. Ela me penetra, me agarra pela cintura, e eu me mostro receptiva. Uma, duas, três vezes. Paixão! Quatro, cinco, seis. Prazer! Sete, oito, nove. Desejo! Dez, onze, doze. Emma!
    Mas minha Icewoman já não pode mais se conter e seu lado selvagem faz com que penetre mais fundo ainda, enquanto caio com o rosto na cama. Deixo escapar um grito sufocado pelo colchão, e minha alemã sabe que meu prazer foi ao máximo. Então, ela crava seus dedos em meus quadris e me come por trás num ataque infernal.
    Oh, sim! Oh, sim!
    — Mais, mais, Emma! — suplico, estimulada.
    O prazer que isso me dá e o desejo que ela vê em mim a deixam louca. Quando não pode mais, dá um gemido selvagem e cai sobre mim.
    Ficamos assim por uns segundos. Unidas, alegres, excitadas. O sexo entre nós é eletrizante, e gostamos disso.
    Um pouco depois, Emma sai de dentro de mim. Nos permitimos ficar na cama, felizes, cansadas e suadas.
    — Minha nossa, Regina! Você vai me matar de prazer.
    Seu comentário me faz rir. Abraço Emma, e ela me abraça. Não precisamos falar — nosso abraço diz tudo. Lá fora, chove com vontade. De repente se ouve um trovão, e Emma se mexe.
    — Vamos levantar e nos vestir, amor.
   — Nos vestir?
    — Sim, botar qualquer coisa, um pijama, sei lá.
    — Por quê? — pergunto, querendo continuar brincando com ela.
    Mas Emma parece ter pressa.
    — Vamos, pegue a calcinha na mesinha — exige.
    Penso em protestar, mas desisto. Pego minha calcinha e um pijama. Mas não quero me vestir. Que coisa mais brochante!
    Emma, ao ver minha cara amarrada, me beija toda animada, guarda o lubrificante na mesinha e pega a joia anal. Depois, se levanta, e justamente aí, quando me pega pelo braço, a porta do quarto se abre pouco a pouco. Flyn, de pijama listrado e com cara de sono, nos olha boquiaberto. Me cubro com minha roupa do jeito que posso e resmungo:
    — Ei, não sabe bater na porta?
    O menino não sabe o que responder.
    — Flyn, já voltamos — diz Emma.
    Na hora, entramos no banheiro. Olho para Emma, à espera de uma explicação. Ela diz baixo:
     — Desde pequeno tem medo de trovão, mas não diga que te contei. — Me beija. — Sabia que ia vir pra nossa cama quando ouvi o trovão. Sempre faz isso.
    Agora quem a beija sou eu. Minha nossa, como amo e gosto dela! Quando abandono sua boca, com preguiça, pergunto:
    — Vem sempre pra tua cama?
    — Sempre — garante, brincalhona.
    Sua expressão me faz rir. Que linda que é a  minha alemã!
   Um novo trovão nos traz de volta à realidade. Emma me solta, deixa a joia no balcão do banheiro e se lava. Depois, se seca, veste uma calcinha e diz, antes de sair:
    — Não demore, Regi.
    Quando fico sozinha, pego a joiazinha e abro a torneira para lavá-la. Penso no Susto. Pobrezinho. Toda esta chuva e ele na rua. Depois me lavo, boto o pijama e olho no espelho. Enquanto penteio minha cabeleira rebelde, sorrio.
    Que viagem essa história em que estou me metendo!
    Então, segundos depois, lembro que eu era igual a Flyn quando era pequena. Os trovões me davam medo, esses barulhos infernais me faziam pensar que demônios feios e de unhas longas percorriam os céus para levar as crianças. Foram muitas noites dormindo na cama dos meus pais, embora, no final, minha mãe tenha conseguido me tirar o medo, com paciência e alguma ajuda extra.
    Quando saio do banheiro, Emma  está deitada na cama falando com Flyn. O menino me segue com o olhar; disfarçadamente, guardo a joia na gaveta da mesinha. Depois, quando me meto na cama, o baixinho pergunta a tia:
    — Ela tem que dormir com a gente?
    Emma faz um gesto afirmativo, e eu digo, me tapando com o edredom:
    — Mas é claro. Eu tenho medo de temporais, principalmente dos trovões. Vocês gostam de cachorros, né?
    — Não — respondem em uníssono.
    Vou dizer alguma coisa, mas Flyn explica:
    — São sujos, mordem, cheiram mal e têm pulgas.
    Boquiaberta, respondo:
    — Você se engana, Flyn. Os cachorros não costumam morder e com certeza não fedem nem têm pulgas se são bem cuidados.
    — Nunca tivemos animais em casa — explica E
mma.
    — Pois isso é muito ruim — cochicho, e vejo que Emma sorri. — Ter animais em casa dá outra perspectiva da vida, em especial às crianças. Olha, sinceramente, acho que um animalzinho de estimação cairia muito bem a vocês dois.
    — Nem pensar — se nega E
mma.
    — O cachorro do Leo me mordeu e doeu — diz o menino.
    — Um cachorro te mordeu?
    O menino confirma, levanta a manga do pijama e me mostra a cicatriz no braço. Guardo a informação e imagino o pavor que deve ter dos animais. Preciso acabar com isso.
    — Nem todos os cachorros mordem, Flyn — digo com carinho.
    — Não quero um cachorro — insiste.
    Sem dizer mais nada, me deito de lado para olhar Emma nos olhos. Flyn está entre nós e rapidamente me dá as costas. Só faltava essa! Emma me pede desculpa com o olhar, e eu lhe pisco um olho. Minutos depois, minha grande menina  apaga a luz e, mesmo na escuridão, sei que sorri e me olha. Eu sei.

6 comentários:

  1. Voltou 🎉🎉🎊🎉👏👏👏 meu deussss que capítulo foda 😻😻 amo muito kkkkkkkkkkk Regina e Emma juntas melhor coisa que tem 💕 felizes e se amando.. Nossa esse Flyn e Regina juntos não ta dando certo não kkkkkkkkkk 😂😂😂😂 que menino chato.

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  2. Felicidade em descobri que vc ta postando a fanfic em outro lugar *---*

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  3. Graças a Deus eu achei você.

    quando vi que o nyah tinha excluido a estoria fiquei doida.
    sai entrando no perfil dos outros e perguntando se alguem tinha contato com você.
    ate que a Detoxx falou que te conhecia e me mando o link daqui.

    sua estoria eh muito show o/

    beijoooo

    to muitooo feliz mesmo em ter te achado, sou muito fã dessa estoria e de ti tabem =D

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  4. Morrida com ese capítulo, tá bom de mais, só acho que esse flyn é um pé no saco.

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    1. Anjooo sua lindaaa *---* tbm te amo, superrr 💙💙😍😍
      Ps: Rachei da Regina falando da "joia pro cu" kkkkkkkkk e esse flyn é chato eim, fala sério

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