sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Peça-me o que quiser Capítulo 17

Capítulo 17


Acordo sobressaltada. 
Olho a hora. São 4h38.
 
Estou sozinha na cama. Onde está Emma?
 
Me assusto. Não quero que ela tenha ido embora. Levanto com rapidez. Quando chego à sala, está pingando umas gotas nos olhos, enfiando algo na boca e dando um gole num copo d’água. Depois se senta, põe nos ouvidos os fones do meu iPod e fecha os olhos. Eu a observo por alguns minutos e sorrio. Está ouvindo música!
Ao sentir minha presença, abre os olhos e se levanta.
 
— Está tudo bem?
 
Enquanto seguro lágrimas de felicidade por ver que ela ainda está ali, toco em seu braço e respondo:
 
— Sim. É só que, quando não te vi, pensei que você tivesse ido embora.
 
Emma sorri.
 
— Durmo pouco. Já te falei.
 
— Vi que você tomou algo. O que era?
 
— Uma aspirina. Estou com dor de cabeça — responde com um sorriso encantador. Satisfeita com sua resposta, ando até a cozinha. Preciso de água.
 
Quando abro a geladeira, vejo as trufas e sinto vontade de comer algumas. Bebo a água, ponho duas trufas num prato e volto para a sala. Emma, sentada no sofá, sorri ao me ver.
 
— Gulosa
Divertindo-me com seu comentário, lhe devolvo o sorriso e percebo sua expressão cansada. Normal, ela não dorme. Sento a seu lado.
 
— Adoro essa música.
 
Tiro um dos fones de seu ouvido, aproximo da minha orelha e ouço a voz de Malú.
 
— Eu também. A letra me faz lembrar nós duas.
 
Ela faz que sim. Pego uma das trufas e começo a mordiscá-la.
 
Sorri.
Meu Deus! Adoro vê-la sorrir!
 
— Posso provar sua trufa?
 
— Claro.
 
E, quando vejo que ela vai dar uma mordida na trufa que tenho nas mãos, eu a aproximo da minha boca, a esfrego em meus lábios e murmuro:
 
— Já pode provar.
 
Sorri de novo. Seu olhar se ilumina e ela obedece sem hesitar. Seus lábios encostam nos meus e, com uma calma e uma meiguice que me deixam a mil, ela os chupa, os lambe e finaliza com um beijo doce.
— Deliciosa... a trufa também.
 
Quando diz isso, eu largo o resto da trufa no pratinho que deixei em cima da mesa e me levanto. Tiro o pijama e, só de calcinha, monto sobre ela.
Antes eu tinha três vícios. Coca-Cola, morangos e chocolate. Agora acrescento mais um. Um vício forte, sexy e poderosa chamada Emma. Eu a desejo... desejo e desejo. Não importa a hora, o momento ou o lugar... eu a desejo.
 
Surpresa com minha iniciativa, ela tira os fones de ouvido.
 
— O que você está fazendo, Regi?
 
— O que você acha?
 
— Estou com dor de cabeça, pequena...
 
Como resposta, eu a beijo. Um beijo caliente, repleto de erotismo e de desejo.
 
— Regi...
 
— Eu te desejo.
 
— Regi, agora não...
 
— Emma, agora sim. Te desejo com tuas ordens. Com vontade. Com desejo. Quero que você me coma. Quero que usufrua de mim. Quero tudo o que você quiser e quero agora. Acomoda-se no sofá e, com cuidado, envolve seus braços na minha cintura. Eu olho para ela e percebo que não esperava meu comando e que isso a deixa louca. Meus quadris ganham vida própria e se movem sobre ela. Sua resposta é imediata. Noto em seus olhos a luxúria crescendo e isso me estimula ainda mais.
Uma de suas mãos abandona minha cintura para subir pelas minhas costas até chegar aos meus cabelos. Ela os segura e me puxa para si. Sim... essa é a Emma!
 
Meu pescoço fica totalmente exposto à sua boca, e ela o chupa, lambendo com ansiedade, com capricho, e me fazendo suspirar de prazer.
 
Sua outra mão abandona minha cintura e chega até meus peitos, que ficam bem diante dela. Seus lábios rosados se dirigem a eles e os chupam, os devoram. Emma morde meus mamilos que ficam duros. Me provoca.
 
Solta meu cabelo e eu consigo olhar seu rosto novamente. Suas mãos estão junto aos meus seios e, com sofreguidão, ela os junta e os aperta para enfiar os dois mamilos na boca.
 
— Você me deixa louca...
 
— E você me deixa mais ainda, apesar de às vezes ser uma babaca.
 
Sorri. Me grudo a ela.
 
— Regina... seu braço. Cuidado. Vai se machucar.
 
Sua preocupação me faz suspirar. Quando vai tomar as rédeas da situação, eu seguro suas mãos e sussurro perto de sua boca:
 
— Não... Emma...eu é que mando agora. Esse é seu castigo por não ter cooperado comigo há algumas horas na minha cama.
 
— Meu castigo?
 
— É. Acho que vou ter que começar a te castigar, como você faz comigo.
 
— Nem pense, pequena.
 
Seu olhar carregado de erotismo me deixa extasiada.
Por alguns segundos, resiste a permitir que eu controle a situação, que eu a possua, mas afinal noto suas mãos voltando às minhas pernas e, enquanto as desliza por elas, murmura:
 
— Tudo bem... mas só hoje.
Decido jogar seu jogo e me deixo levar pela excitação. Pego suas mãos e as retiro das minhas coxas, e ao mesmo tempo ordeno:
 
— Está proibida de tocar.
Ela gesticula. Quer protestar e enruga a testa.
Quando vejo que permanece quieta, eu seguro meus peitos e levo à sua boca. Ofereço a ela. Obrigo-a a primeiro chupar um e depois o outro e, quando meus mamilos ficam duros novamente, eu os retiro de sua boca e sorrio. Emma geme.
 
— Me dá sua mão — peço.
 
Passeio sua mão por minha perna até chegar à parte interna das coxas. Deixo que ela me toque e logo ela enfia um dedo por dentro da minha calcinha. Permito que se dedique ainda mais e, quando ela se anima, eu a obrigo a tirar o dedo e o levo à sua própria boca.
 
— Escorregadia e molhada, como você gosta.
 
Tenta me segurar de novo pela cintura, mas eu a afasto.
 
— Proibido tocar, senhora Swan.
 
— Senhorita Mills... modere suas ordens.
 
Sorrio, mas ela não. E eu gosto disso.
 
Subo minha mão esquerda até seu pescoço, coloco-a entre o sofá e ela e a seguro pelos cabelos com cuidado. Não quero aumentar sua dor de cabeça. Seu pescoço fica totalmente exposto a mim, enquanto sinto meu coração bater entre minhas pernas, e sei, que com ela não é diferente.
— Senhora Swan, não esqueça que agora quem manda sou eu.
 
Ponho minha língua para fora e chupo seu pescoço. Me delicio com seu sabor e finalmente acabo em sua boca. Adoro sua boca. Devoro seus lábios e ouço um gemido profundo sair de dentro dele.
 
— Adoro seus olhos — murmuro. — São lindos.
 
— Eu odeio.
 
Seu comentário me faz rir. Emma tem olhos verdes maravilhosos que certamente causam furor por onde quer que ela passe. A cada segundo me sinto mais alterada, de novo coloco meus seios perto da sua boca e, quando ela está prestes a chupá-los, eu os retiro. Sem deixar de olhá-la nos olhos, deslizo entre suas pernas e, com cuidado para não forçar o braço, enfio minha mão dentro de sua calcinha boxer, e meus dedos fazem um caminho perigoso por sua vagina quente.
Ai, meu Deus! É incrível.
 
A pulsação poderosa daquela glande molhada e inchada faz minha vagina estremecer de impaciência. E, quando aproximo meus lábios de seu prepúcio rosado e introduzo minha lingua naquela região, sinto que é Emma quem estremece agora. Minha língua, desejosa, passeia por sua vagina e a enche de doces beijos carregados de erotismo e desejo. Brinco de forma carinhosa com seu sexo até que os gemidos de Emma me fazem olhar pra ela. Ela está com a cabeça recostada no sofá e os olhos fechados. Seu rosto está tenso e treme de prazer. Ah, sim... sim! De repente, noto suas mãos em minha cabeça e digo alto para que me escute:
 
— Imagine que estamos no clube de swing e alguém nos olha e você permite que essa pessoa me toque enquanto você me chupa. Gosta disso?
 
— Siiiiim... — consegue dizer enquanto enfia seus dedos nos meus cabelos.
 
Sinto seu quadril se mover, e abre mais as pernas para se acomodar ainda mais em minha boca. Isso me dá forças para continuar enquanto eu vejo que ela toda se contrai de prazer. Com delicadeza, dou mordidinhas ao redor de seus grandes lábios e me detenho em seu clitóris inchado. Minha língua desliza por ele, fazendo Emma se mover e respirar ofegante, principalmente quando eu o seguro com meus lábios e o puxo.
 
Como se fosse um sorvete, eu a chupo e me delicio. Me lembro da trufa que está sobre a mesa e sorrio. Pego um pouco com meu dedo, passo em sua vagina enquanto me divirto e murmuro que na próxima vez será ela que passará essa trufa no meu clitóris para que outras mulheres me chupem. Emma respira ofegante, morrendo de prazer.
 
Com a outra mão, agarro seus seios por baixo da camisa e os massageio. Emma tem um espasmo, depois outro, e sorrio ao ouvi-la suspirar.
 
Sedenta por sua vagina, volto a ela. Abocanho com delicadeza seu clitóris, está tão grande e inchado e é tão apetitoso, que não consigo parar...então decido subir e descer minha língua por ele enquanto o sabor da trufa me faz aproveitar ainda mais. O que eu faço e digo a deixa louca, então repito minhas palavras algumas vezes até que seus gemidos ficam mais contínuos e fortes. Seus quadris me acompanham, seus dedos em meu cabelo ficam tensos e ela goza, quente e firme em minha boca.
A sensação me embriaga. Ela é deliciosa! Estou possuindo Emma com minha boca e gosto de tê-la em minhas mãos e em meu poder. Ponho uma das mãos em seu abdômen definido e cravo as unhas nele. Isso a faz respirar ofegante enquanto seus quadris não param de se mover. Acoplo minha mão em sua lubrificada vagina e começo a masturbá-la com movimentos potentes, do jeito que ela gosta, enquanto fantasio sobre o que outra pessoa estaria fazendo comigo.
 
O corpo de Emma se contrai uma e outra vez, mas ela se nega a deixar-se levar.
 
— Sobe em mim, Regina. Por favor.
 
Sua voz suplicante e meu desejo por ela me levam a lhe obedecer. Monto sobre Emma, e ela me arreganha as perna e sem serimônia, me penetra com seus longos e firmes dedos. Estou molhada e escorregadia. Ela me puxa mais para cima dela, se encaixando totalmente em mim e nós duas gritamos.
 
— Nossa, pequena, fico louca com o que você diz.
 
Disposta a tudo, eu olho para ela.
 
— É isso que eu quero... Participar do seu jogo e fazer tudo o que você quiser, porque seu prazer é meu prazer e eu quero experimentar tudo com você.
— Regi... — diz, ofegando.
 
— Tudo... Emma... tudo.
 
Sinto-a abrindo caminho dentro de mim. Enlouquecida, me seguro em seus ombros enquanto ela me agarra impaciente pelo pescoço e me faz subir e descer em seus dedos para que se encaixe em mim uma vez depois da outra, ao mesmo tempo que me olha e me devora ávida.
 
Seus dedos entram e saem de mim com desespero, enquanto minha vagina se contrai e os suga. Mexo os quadris freneticamente e estremeço enquanto Emma, com movimentos fortes e devastadores, continua me le​vando ao clímax.
 
Meus seios pulam diante dela e, quando sua boca agarra um mamilo e o morde ao mesmo tempo que ela me penetra, um orgasmo avassalador invade meu corpo. Enquanto isso, ela me come com força até que não consigo mais segurar e eu a escuto sussurrar meu nome entre grunhidos e gemidos. Quando tudo acaba e eu fico em cima dela, extasiada e suada, me dou conta de uma grande verdade. Estou completamente entregue a Emma e apaixonada por ela.

Depois de um maravilhoso sábado juntas, na madrugada de domingo eu acordo por volta das seis da manhã e ouço uns barulhos estranhos no banheiro. Levanto e me surpreendo ao ver Emma vomitando. Quando nota minha presença, me pede irritada que eu saia e que a espere do lado de fora. Obedeço e, assim que ela finalmente sai, com expressão de dor, se atira no sofá e fecha os olhos.
 
— O que houve?
 
— Alguma coisa que comi ontem à noite.
 
— Quer um chá de camomila para acalmar o estômago?
 
Emma, com os olhos fechados, recusa com um gesto e murmura:
 
— Por favor... apaga a luz e volta a dormir.
 
— Mas...
 
— Regi — sussurra, irritada.
 
— Mas como você é resmungona, nossa! — insisto.
 
— Tá bom... sou resmungona. Agora, por favor, faz o que te pedi.
 
Sem dizer mais nada, desapareço e me deito na cama. Não quero dar muita importância a isso. Me esforço para entender que, se ela está mal, o que ela menos quer é que eu fique ao seu lado fazendo perguntas. Adormeço de novo e só acordo por volta das dez. Assim que abro os olhos, vejo Emma ao meu lado. Sorri e está com uma aparência boa.
 
— Bom dia.
 
— Bom dia... está melhor?
 
— Estou ótima. Como eu te disse, alguma coisa que eu comi deve ter caído mal. — Quando vou responder, ela acrescenta: — Olha o que preparei pra você. A meus pés há uma bandeja com o café da manhã. E, sobre ela, uma flor de papel. Como uma boba, eu a pego e sorrio. Ela me beija e murmura:
 
— Me dá um lugar na cama. Depois tomamos o café. O que acha?
 
— Ótimo.
 
Por volta do meio-dia, após fazermos amor, eu a vejo tão bem, tão recuperada, que lhe sugiro mostrar o mercado popular Rastro de Madri. Eu a levo até o metrô, um lugar em que Emma nunca esteve.
 
— Por fim sou a primeira em alguma coisa — digo, fazendo-a rir. — A primeira a te levar ao metrô de Madri.
 
Quando descemos na estação de La Latina, sua surpresa é enorme. Ver tanta gente de todo tipo a deixa atordoada.
 
Insiste em me comprar uns colares de prata que eu fiquei olhando numa barraca. Para mim, quarenta euros é caríssimo. Para ela, é uma bagatela. Acabo aceitando. Mas, em troca, em outro lugar eu lhe compro uma camiseta de Madri com a frase “O melhor de Madri... você”. Tento convencê-la a vestir a camiseta que lhe dei de presente. Ela cede e fica linda com a roupa nova.
Tiramos fotos com meu celular e eu as guardo como meu maior tesouro. Animadas, passeamos de mãos dadas como um casal comum, até que, ao chegar em frente a uma barraca de luminárias hippies, ela quer comprar duas para levar à Alemanha e se lembrar de sua visita ao mercado. Pede que eu escolha e eu escolho duas de cor lilás. Depois de pagar, confessa que uma delas é para mim. Fico emocionada. Cada uma de nós terá uma dessas luminárias em sua própria casa e, sempre que olharmos para ela, nos lembraremos uma da outra.
 
Sugiro alguns restaurantes, mas ela prefere algo mais íntimo. Por fim, compro uns sanduíches e nos sentamos na grama para comer, enquanto rimos e revemos as lindas luminárias.
 
— São maravilhosas. Adorei!
 
— Sim. São muito bonitas.
 
Emma sorri.
 
— Você trouxe batom na bolsa?
 
Ao escutar isso, olho para ela e enrugo a testa.
 
— De que tipo de batom você está falando? Gostaria de te lembrar que estamos num parque e eu não quero parar na cadeia por atentado ao pudor.
 
Sua gargalhada me anima e ela responde me dando um beijo impulsivo na ponta do nariz.
— Não me refiro a isso que você está pensando, safadinha. Me refiro a um batom comum, entende?
 
Abro a bolsa. Tiro uma pequena nécessaire e, satisfeita, mostro a ela.
 
— Passe o batom nos lábios — pede.
 
Surpresa, começo a fazer o que ela sugere, mas paro no meio.
 
— Pra quê?
 
— Faz o que estou pedindo.
 
— Não. Primeiro quero saber pra quê.
Ela dá de ombros e suspira.
 
— Quero que seus lábios fiquem marcados na cúpula da minha luminária, junto com seu nome.
 
— Uau! Adorei a ideia! Mas então quero a mesma coisa na minha.
 
— Quer que eu passe batom?
 
— Quero — respondo, rindo.
 
— Nem pensar!
 
— Que bobagem, Emma — protesto.
 
— Eu também quero seus lábios na minha luminária junto com seu nome.
Por alguns minutos brincamos uma com a outra. Rimos. Mas terminamos nós duas passando batom e deixando nossas marcas nas luminárias. Limpamos nossas bocas com um lenço de papel e Emma me entrega uma caneta. Sob a marca dos meus lábios eu escrevo “Regina”, e sob a dos seus, “Emma”.
 
— Agora ficou mais bonita — diz, rindo. — Seus lábios dão mais valor à luminária e, sempre que eu olhar pra ela na Alemanha, vou me lembrar de você.
 
Seu comentário me deixa triste. Ela voltará à Alemanha em seu jatinho particular e se afastará de mim. Já estou sentindo saudades, e ela ainda nem foi embora.
 
Quando termino o sanduíche, me deito na grama e ela faz o mesmo.
 
— Você vai voltar, né? — pergunto, incapaz de ficar quieta.
Como sempre, ela pensa antes de responder.
 
— Claro que sim, pequena. Parte da minha empresa está na Espanha.
 
Respiro aliviada.
 
— O que é isso de tão importante que te faz interromper a viagem? — continuo perguntando.
Não responde. Apenas me olha.
 
— É uma mulher — digo. — Não é?
 
— Não.
 
— Então é o quê?
 
— Tenho obrigações que não posso deixar de cumprir e vou voltar.
 
Sua resposta é tão fria que decido me calar.
 
Estou passando dos limites!
 
Observo as copas das árvores. Está ventando e eu adoro vê-las se movendo. Isso me relaxa. Emma põe sua cabeça no meu campo de visão e me beija.
 
— Regi... — começa a dizer, enquanto se afasta de mim.
 
— Tudo bem. Eu passei da conta. Sou muito curiosa.
 
— Regi...
 
— Tá bom... já entendi. Quem sou eu pra te fazer essas perguntas?
 
— Regi, me ouve, por favor.
 
Seu tom de voz faz com que eu olhe para ela.
 
— Promete que vai continuar com sua vida exatamente como era antes de eu aparecer.
 
Faço menção de responder, mas ela põe a mão na minha boca para continuar:
 
— Quero que me prometa que sairá com seus amigos e que vai ficar bem. Inclusive que vai voltar a ficar com aquele cara com quem se enfiou no banheiro do bar e com aquele tal de Robin, de Jerez. Quero que o que houve entre a gente fique na lembrança como algo que aconteceu e nada mais. Não quero que você dê tanta importância a isso e...
 
— Vamos lá. — Tiro bruscamente sua mão da minha boca. — Por que isso tudo agora?
 
— Estou retomando a conversa que tivemos na sua casa.
Ao me lembrar disso, fico indignada. Tento me levantar do chão, mas ela monta sobre mim, segura meus braços por cima da minha cabeça e me imobiliza.
 
— Preciso que você prometa o que eu pedi.
 
— Mas, Emma, eu...
 
— Promete!
 
Não entendo o que está havendo. Não entendo por que ela quer que eu prometa o que ela pede. Mas a determinação em seus olhos me faz dizer:
 
— Tá bom, eu prometo.
 
Sua expressão se descontrai, ela desce até minha boca e tenta me beijar. Eu viro o rosto.
 
— Você acabou de me desviar a cara, senhorita Mills?
 
— Sim.
 
— Por quê?
 
— Simplesmente porque não quero te beijar.
 
Divertida, ela comprime os lábios.
 
— Neste momento você me acha uma babaca?
 
— Acho. Um completa babaca, senhora Swan.
 
Emma me solta e se deita ao meu lado. Contemplamos as copas das árvores e não trocamos nenhuma palavra. Minutos depois, ela pega minha mão, a aperta e eu aceito. Uma hora mais tarde, seu celular toca. É Tomás. Nos espera na saída do Parque do Retiro que fica em frente à Puerta de Alcalá. Em silêncio, de mãos dadas, caminhamos até o carro. Ao nos avistar, Tomás abre a porta do automóvel e entramos. Já do lado de dentro, noto o olhar pensativo de Emma. Quero saber o que está pensando. Mas não vou perguntar. E, quando chegamos à minha casa, ela tira minha luminária da bolsa, me entrega e me dá um beijo suave nos lábios, ao mesmo tempo que afasta o cabelo do meu rosto.
— Sempre que eu olhar pra ela, vou me lembrar de você — murmura.
 
Não consigo falar. Isso é uma despedida. Se eu falar, vou chorar, e não quero que ela me veja chorando. Por fim sorrio, ela fecha a porta e vai embora.

2 comentários: