quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Peça-me o que quiser Capítulo 8

Capítulo 8


Entre risadas, insinuações e carícias, bebemos quase toda a garrafa de champanhe, na linda e enorme varanda da suíte. Madri está a meus pés, e eu adoro olhar a meu redor. Mas a proposta que ela fez no restaurante não me sai da cabeça. 
Eu deveria aceitar ou recusar pelo que ela significa?
 
Estou levemente embriagada. Não estou acostumada a beber, e menos ainda champanhe. Emma fala com alguém pelo celular, e eu a observo. Vestida com esse jeans de cintura baixa e essa blusa preta, ela me deixa com tesão. É forte e atlética. A típica mulher de olhos claros e cabelos louros que, quando você vê, não consegue deixar de observá-la.
 
Examino seu corpo com luxúria. Me detenho na parte superior de sua calça e então me dou conta de que ela desabotoou o primeiro botão. Me deixa louca. Me excita. Me incita. Me provoca. Instantes depois, larga o celular e vai até o balde de gelo. Olha para mim e sorri. Calor. Estou com muito calor. Serve as últimas taças e deixa ali a garrafa vazia. Vem para perto, me entrega a taça e murmura enquanto beija minha testa:
 
— Vamos pro quarto.
O nervosismo se apodera de mim novamente e eu sinto meu sexo se contraindo. Faço menção de calçar meus sapatos de salto, mas ela diz que não, então obedeço.
 
Chega o momento que eu estava desejando e imaginando desde que a vi me esperando na porta da minha casa com a Ferrari.
 
Quando entramos num dos lindos e espaçosos quartos, fico admirando a enorme cama. Uma king size. Emma se movimenta pelo cômodo e, de repente, uma música sensual nos envolve. Ela se senta e apoia uma das mãos na cama. Com a outra segura a taça e dá um gole.
 
— Está preparada para brincar, pequena?
 
Meu ventre se contrai de ansiedade e sinto que estou ficando molhada. Vendo-a assim, tão sexy, tão... Estou pronta para tudo o que ela quiser, e consigo responder:
 
— Sim.
 
Ela balança a cabeça afirmativamente. Levanta-se. Abre uma gaveta.
 
Tira dois lenços de seda pretos, uma câmera de vídeo e algumas luvas. Isso me surpreende e me assusta ao mesmo tempo. Mas, incapaz de me mover, permaneço parada à espera de que se aproxime. E ela então vem. Passa a língua por minha boca de forma provocativa e aperta meu traseiro com suas mãos.
 
— Você tem uma bundinha maravilhosa. Estou com vontade de ex​pe​- rimentar.
 
Assustada, dou um passo para trás.
 
Nunca fiz sexo anal!
Emma entende minha resposta silenciosa. Dá um passo na minha direção. Me agarra de novo pelo traseiro e, enquanto volta a me apertar contra si, murmura:
 
— Calma, pequena. Hoje não vou penetrar seu lindo traseiro. Me excita saber que serei a primeira, mas quero que você aproveite e, quando fizermos isso, será devagarzinho e eu vou ficar te estimulando para que você sinta prazer, não dor. Confie em mim.
Engulo a enxurrada de emoções que estão presas em minha garganta, e tento dizer alguma coisa.
 
— Hoje vamos brincar com os sentidos — prossegue. — Colocarei esta câmera em cima daquele móvel para gravarmos tudo. Então logo poderemos ver juntas o que tivermos feito. Que tal?
 
— Não gosto de gravações... — consigo dizer.
 
Abre um sorriso cativante. Seus olhos brilham e ela os crava em mim.
 
— Não tem problema, Regina. Eu sou a maior interessada em não deixar mais ninguém ver o que gravarmos. Você não acredita em mim?
 
Penso por alguns instantes e chego à conclusão de que ela tem razão. Ela é rica e poderosa. De nós duas, é quem mais tem a perder. Acabo aceitando. Ela deixa a câmera em cima do móvel e aperta um botão. Aproxima-se de mim novamente.
— Vou tapar seus olhos com esse lenço. Toca nele!
 
Obedeço sem hesitar e sinto a suavidade do tecido. Seda.
 
— O que você vai sentir quando estiver nua na cama é a mesma suavidade que sentiu ao tocar o lenço.
 
Escutar isso me atiça de novo. Concordo num gesto.
 
— Adoro seus olhos — murmuro, sem conseguir me conter. — Seu olhar.
 
Emma me olha por alguns segundos e, sem fazer referência ao que acabo de dizer, continua:
 
— Além de vendar você, como sei que confia em mim, vou amarrar suas mãos e prendê-las na cabeceira da cama para te impedir de me tocar. — Faço menção de protestar, mas ela põe um dedo nos meus lábios e acrescenta: — É seu castigo, senhorita Mills, por ter esquecido o vibrador.
Seu comentário me faz sorrir e eu olho para as luvas com curiosidade. Emma as coloca em mim e toca meus braços. A suavidade que sinto me encanta. Não sinto seus dedos, apenas a suavidade que essas luvas me proporcionam.
Sem falar nada, senta-se em cima da cama e olha para mim. Rapidamente entendo o que quer, e obedeço. Tiro a calça e a blusa. Repito a operação do dia anterior. Ainda de calcinha e sutiã, me aproximo dela e sinto-a de novo apoiar sua testa na minha barriga e colocar a boca na minha calcinha. A sensação atiça meu clitóris e eu o sinto latejar. Emma retira as luvas que deixa sobre a cama. Me pega pela cintura com suas mãos e me faz montar em cima dela. Olha para mim e sussurra enquanto sinto seu hálito nos meus seios:
— Está preparada para participar do meu jogo?
 
— Estou — respondo, cheia de desejo.
 
— Tem certeza?
 
— Tenho.
 
— Pra qualquer coisa? — murmura, perto da minha boca.
 
Encosto minhas mãos em seu cabelo e massageio sua cabeça.
 
— Para qualquer coisa, exceto...
— Sado — ela completa, e eu sorrio.
 
Desabotoa meu sutiã, e meus seios inchados ficam livres diante dela. Com avidez, Emma os leva à boca. Primeiro um, depois o outro. Endurece meus mamilos com sua língua e seus dedos, e isso me faz gemer.
 
— Me ofereça seus seios — pede com voz rouca.
Montada em cima dela, eu seguro meus seios com as mãos e os aproximo da boca de Emma. Quando ela faz menção de chupá-los, eu os afasto e ela me dá um tapinha no meu traseiro. Nos olhamos, e as faíscas entre nós duas parecem prestes a provocar um curto- circuito. Emma me dá outro tapinha. Desta vez arde. E, sem vontade de receber um terceiro, chego com os seios perto da sua boca e ela os toma para si. Dá mordidinhas e os lambe enquanto eu os entrego a ela.
Olho na direção da câmera. É inacreditável que eu esteja fazendo isso, mas não posso nem quero parar. A sensação me agrada. Emma e seu jeito ousado me matam de desejo, e, num momento como este, estou disposta a fazer tudo o que ela me pedir. De repente, sinto seus dedos por baixo da minha calcinha e isso me excita mais ainda.
— Fique de pé — me ordena.
 
Obedeço e a vejo deslizar e se sentar no chão entre minhas pernas. Tira devagar minha calcinha e, quando passa pelos meus pés, ela os separa, apoia suas mãos nos meus quadris e me faz flexionar os joelhos. Meu sexo. Minha vagina encharcada. Meu clitóris e eu inteirinha ficamos expostos diante dela.
Sua boca exigente sorri e me provoca com seu olhar para que eu ponha a vagina em sua boca. Faço como ela pede e explodo e respiro ofegante ao sentir seu contato. Emma me agarra pelos quadris e me aperta contra sua boca. Me sinto estranha. Pervertida naquela postura.
 
Emma está sentada no chão e eu estou em cima dela, movendo meu sexo em sua boca. Gosto disso. Me enlouquece. Me atiça. Sinto meu orgasmo chegando enquanto ela me segura pela parte superior das minhas coxas e me devora com avidez. Sua língua entra e sai de mim e em seguida percorre meu clitóris, me fazendo gemer, enquanto o mordisca com os dentes. Mil sensações tomam conta do meu corpo e eu me entrego a elas. Sou sua. Meu corpo é seu. E, quando põe meu clitóris com cuidado entre seus dentes e sinto- a puxando, solto um grito e enlouqueço.
 
O calor se espalha por todo o meu corpo. Então sinto que esse ardor está estampado no meu rosto, e acho que vou gozar.
— Deita na cama, Regi — diz ela parando o que estava fazendo.
Com a respiração entrecortada, eu faço o que ela manda. Quero que continue.
 
— Vai mais para cima... mais. Abre as pernas pra que eu possa ver o que quero.
 
Obedeço e ela solta um gemido enlouquecido.
 
— Assim, pequena... assim, mostra tudo pra mim.
 
Tira a blusa preta e a joga num dos lados da cama. Seus seios são incríveis e apetitosos. Depois tira a calça e, enquanto abro as pernas e vejo como ela observa a umidade que eu lhe mostro, noto que as luvas estão a meu lado junto a uma caixa aberta com vários objetos sexuais. Com firmeza, pega um dos lenços de seda e monta sobre mim.
 
— Me dá suas mãos.
 
Obedeço. Ela me amarra pelos pulsos.
 
Me beija e depois estica minhas mãos atadas por cima da minha cabeça e amarra o lenço a um dos suportes da cabeceira da cama. Respiro com dificuldade. É a primeira vez que deixo amarrarem minhas mãos e estou nervosa e excitada. Quando ela vê que estou bem presa, aproxima seu rosto do meu e me beija primeiro num olho e depois no outro. Instantes depois, coloca na minha frente o outro lenço e amarra na minha cabeça. Não enxergo nada. Apenas ouço a música sensual ao fundo e imagino o que está acontecendo.
 
Nua e totalmente exposta a ela, sinto sua boca no meu queixo. Ela o beija. Quero me mexer, mas não tenho como. Os nós que ela deu impedem qualquer movimento. Sua boca desce pelos meus seios. Ela se entretém com meus mamilos até endurecê-los de novo e depois usa seus dedos para estimulá-los. Continua descendo até chegar ao meu umbigo, e minha respiração se acelera de novo. Sinto sua boca chegando à minha vagina, beijando-a e me abrindo as pernas. Seus dedos brincam ali e sinto que escorregam pela minha umidade. Ela volta a mergulhar sua boca em mim. Me lambe. Me suga e eu solto gemidos enquanto abro as pernas totalmente para que ela tenha tudo o que quer de mim.
— Adoro seu sabor... — ela diz, após passar alguns segundos chupando meu inchado clitóris.
Depois de dizer isso, sinto sua respiração entre minhas coxas até que um rastro de beijos doces começa a descer em direção a meus tornozelos. A cama se move. Ouço-a afastar-se e escuto de repente que a música está mais alta. Respiro com mais agitação. Quero que ela continue, mas fico com medo por não saber o que vai acontecer. Instantes depois, sinto a cama se mover outra vez e, pelos movimentos, percebo que ela está vestindo as luvas. Acerto. Suas mãos enfiadas nas luvas começam a percorrer devagar as minhas pernas.
Solto um gemido... outro gemido... e outro...
 
Só consigo gemer!
 
Quando ela dobra minhas pernas e separa meus joelhos... Ai, Deus! Sua boca, de novo exigente, toca meu sexo à procura do meu clitóris. Dá mordiscadas e eu grito. Ela o estimula com a língua e eu solto mais um gemido. Sinto que Emma novamente o pega entre os dentes, mas desta vez não o puxa. Preso entre seus dentes, ela dá toquezinhos com a língua e eu volto a gritar. A pressão que suas mãos exercem sobre mim, acompanhada dos movimentos de sua boca, me deixa louca.
 
Solto um gemido... outro... e outro... e tento fechar as pernas. Ela não deixa.
Seus dentes agora dão mordidinhas a um dos meus lábios internos, e isso me mata de prazer. Me retorço, gemo enlouquecida e abro mais as pernas. Seu jogo me agrada e me excita. Quero mais e ela me dá. De repente, sinto que ela enfia algo em minha vagina. É suave, frio e duro. Introduz com cuidado, gira e logo o retira, depois repete a operação. Estou enlouquecendo de tesão e meus quadris se erguem em busca de mais. Sua boca volta à minha vagina, enquanto ela enfia novamente em mim.
 
Por alguns minutos, meu corpo é seu corpo. Sou sua escrava sexual. Não quero que pare e, quando ela retira de dentro de mim o que enfiou e sua boca volta a procurar meu clitóris, grito de satisfação quando ela começa a puxá-lo. Gosto disso. Sua mão suave passeia agora pelo meu traseiro. Agarra minha bunda e me aperta contra sua boca. Vou explodir, enquanto um de seus dedos brinca no meu ânus. Descreve pequenos círculos sobre ele, e eu peço mais.
O objeto que antes me deixou louca passeia agora sobre meu orifício anal. Me excita, mas Emma não o enfia em mim. Somente o passeia por ali, como se quisesse indicar que algum dia não vai se contentar só com isso. De repente, um orgasmo me invade, e eu me convulsiono de prazer, enquanto sinto que ela solta minhas pernas.
— Adoro seu sabor, Regina... — repete, ao mesmo tempo que aperta minhas coxas enquanto ouço-a mexendo na caixa ao meu lado. Encendiada pelo desejo mais incrível que já pude imaginar, sinto meu corpo inteiro arder. Me queimo. Noto que a cama afunda e sinto seu corpo forte e macio em quatro sobre mim.
 
— Abra as pernas pra mim.
 
Sua voz me dando essa ordem neste momento é música celestial para meus ouvidos. Seu corpo se encaixa no meu. Sinto-a colocando algo duro em contato com minha vagina molhada. Deduzo que seja um dildo.
— Peça-me o que quiser — diz.
 
Meu Deus! Que frase!!!
 
Ela me enlouquece quando diz isso.
 
Minha impaciência faz com que eu me mexa na cama.
 
Não respondo e ela exige:
 
— Peça. Fale logo ou eu não continuo.
Escondida atrás do lenço, respiro com dificuldade.
 
— Me come! — consigo dizer em resposta à sua ordem. Escuto sua risada.
 
Sinto suas mãos sobre minha vagina. Calor! Me toca e abre meus lábios vaginais para enfiar todo o dildo em mim. Me contorço. Emma não se move, mas sinto as batidas do seu coração quando me sussurra ao ouvido:
 
— Gosta assim?
 
Balanço a cabeça afirmativamente. Não consigo falar. Minha boca está tão seca que quase não posso articular as palavras.
 
— Gozou?
 
— Sim.
 
— Sentiu prazer?
 
— Sim... Ofegante, ela dá um tapinha no meu traseiro.
 
— Ótimo, pequena... Agora é minha vez.
 
Contenho um gemido enquanto sinto meu corpo voltar a arder. Ela belisca suavemente meus mamilos.
— Você está molhadinha e pronta... Adoro isso.
 
Sinto a cama se mexer de novo. E, ainda dentro de mim, fica de joelhos em cima da cama. Segura meus quadris e começa a bombear com força. Dentro... fora... dentro... fora.
 
Forte... forte...
 
Me dá a sensação de que vai me rasgar por dentro, mas de tanto prazer.
— Você gosta que eu te foda assim? — me pergunta entre sussurros.
 
— Gosto... gosto...
 
Dentro... fora... dentro... fora. Meu corpo volta a ser dela. Não quero que pare.
Ouço seus gemidos, sua respiração entrecortada, a poucos metros de mim. Sua força me enlouquece e, apesar de que suas mãos, agora sem luvas, me apertam os quadris, não reclamo e abro as pernas para ela. Explodo num orgasmo. Sem poder ver a cena, eu apenas a imagino e isso me deixa com mais tesão ainda. Sou como uma boneca nas suas mãos, e me delicio como me possui. Então ela se inclina sobre mim e, após uma selvagem estocada final, ouço seu grunhido de satisfação.
Instantes depois e ainda ofegante, ela me dá um beijo forte e possessivo. Quando se afasta de mim, desata minhas mãos. Depois ela as segura com carinho e beija meus pulsos. Retira o lenço dos meus olhos e nós nos olhamos.
— Está tudo bem, pequena?
Extasiada e um pouco dolorida pela penetração tão profunda, faço um gesto afirmativo com a cabeça.
 
— Sim.
 
Me dou conta de que só digo sim... sim... sim... mas é que não consigo dizer outra coisa além de “sim!”.
 
Ela sorri. Levanta-se da cama. Retira o strapOn e vai até o banheiro.
 
— Fico feliz.
 
Sua estranha frieza num momento como este me desconcerta. Vejo-a desaparecer e observo o quarto. Meus olhos se detêm na filmadora. Estou louca para assistir ao que gravamos. Me levanto e caminho sem roupa até o banheiro. Escuto o chuveiro. Quero tomar um banho!
 
Emma me vê entrar. Está mexendo numa nécessaire e, ao me ver refletida no espelho, se irrita e fecha a bolsinha.
 
— O que você está fazendo aqui?
 
Sua voz me paralisa. O que houve com ela?
 
— Estou com calor e quero tomar uma chuveirada.
 
Com a sobrancelha franzida, responde:
 
— Por acaso te pedi que entrasse no chuveiro comigo?
 
Olho para ela desconcertada.
Mas... o que deu nela?
 
Sem responder nada e irritada com sua reação, lhe dou as costas. Que se dane! Mas então sinto sua mão molhada segurando a minha. Me solto e digo:
 
— Quer saber? Odeio quando você fica desse jeito. Já sei que o que temos é só sexo, mas não entendo por que uma hora você está legal comigo e, de repente, numa fração de segundo, tudo muda e você vira uma insensível. Sério, por que você precisa falar comigo desse jeito?
 
Emma olha para mim. Vejo-a fechar os olhos e por fim ela me puxa para si. Me deixo abraçar.
— Desculpa, Regi. Você tem razão. Desculpa pelo meu tom.
 
Estou irritada. Tento me soltar, mas ela não permite. Me pega no colo, me leva até o enorme boxe onde fica o chuveiro, me solta e diz enquanto a água nos molha:
 
— Vire de costas.
 
Percebo suas intenções e me nego, furiosa.
 
— Não!
 
Ela sorri. Inclina a cabeça e murmura, segurando-me de novo entre seus braços:
 
— Tudo bem.
 
Ao estar novamente suspensa no meio dos seus braços, com os pés sem tocar o chão, sinto uma de suas mãos descendo e parando entre minhas pernas . Olho para Emma, e ela aproxima seus lábios dos meus. Mas eu recuo rapidamente.
 
— O que você está fazendo?
 
— A cobra.
 
— A cobra? — ela repete, surpresa.
Sua expressão de desconcerto me faz rir. Minha irritação se dissipa.
 
— Na Espanha, dizemos “fazer a cobra” quando alguém vai te beijar e você se afasta — explico. Isso a faz rir, e sua risada é irresistível. Instintivamente envolvo sua cintura com minhas pernas.
— Se eu te beijar, você vai me “fazer a cobra” de novo? — pergunta, sem se aproximar de mim.
 
Faço cara de pensativa, mas, quando sinto seus dedos em meu sexo, murmuro:
 
— Não... se você me foder.
 
Meu Deus! O que eu disse?! Eu disse “foder”?
 
Me sinto vulgar por soltar essa frase, mas esse sentimento logo desaparece quando vejo Emma sorrir e, enfiar seus dedos, fazendo movimentos circulares na minha vagina. Perversa. Neste momento me sinto perversa. Malvada. Me apoia contra a parede e eu me seguro a uma barra de metal.
 
— O que foi que você me pediu, pequena?
 
Meu peito sobe e desce de tão excitada que estou ao ver seu olhar. Então repito:
 
— Me fode!
Minhas palavras lhe agradam e a atiçam. Posso ver em seu olhar. Ela gosta de usar esse verbo, fica mais excitada. Mais selvagem. Sem me importar com nada, debaixo do jato do chuveiro sinto minha carne se abrindo quando ela enfia em mim seus dedos maravilhosos e molhados. É uma delícia! Alucinante.
Meu frenesi aumenta. E, quando sinto seus seios se esfregando contra mim, me agarro a seus ombros para marcar o movimento. Mas Emma, como sempre, não me deixa. Põe sua mão livre na minha bunda, as aperta com força e, após me dar um leve tapa que me faz olhá-la nos olhos, me move em busca de nosso prazer.
 
O som de nossos corpos se chocando, junto ao da água, me consome totalmente. Fecho os olhos e me deixo levar enquanto nossos gemidos ecoam no banheiro luxuoso.
 
— Olhe para mim — exige. — Se você gosta dos meus olhos, olhe para mim.
Abro os olhos e a encaro.
 
Vejo sua mandíbula tensionada, mas seu olhar esverdeado é o que me enfeitiça. O esforço que sinto em seu rosto e sua boca entreaberta me excita mais ainda. Então aumenta o ritmo das estocadas e eu grito e jogo a cabeça para trás.
— Olhe pra mim. Olhe pra mim sempre — volta a exigir.
Com os olhos vidrados pelo momento, me agarro com força em seus ombros e fixo os olhos nela. Me deixo guiar enquanto seu olhar diz muita coisa. Me pede aos gritos que eu goze. Quer meu orgasmo e, quando não consigo mais segurar, cravo as unhas nos seus ombros e solto um grito agoniado mas cheio de prazer.
 
— Isso... assim... goza pra mim.
 
Minha vagina se contrai e meus espasmos internos conseguem fazer o que quero. Dar prazer a ela. Vejo isso em seus olhos. Ela está gostando. Após uma estocada brutal, tira seus dedos de dentro de mim e eu a escuto soltar o ar entre os dentes, enquanto morde meu ombro pelo esforço feito.
A água desliza pelos nossos corpos enquanto respiramos ofegantes. O que fizemos foi sexo em estado puro. E reconheço que gosto disso tanto quanto ela. Emma abre um pouco mais a água fria. Isso me faz gritar e, como duas crianças, começamos a brincar debaixo do chuveiro do hotel.
ido es� ;(a o �1W P� tinha me sentido assim. Me sinto como uma flor que está prestes a se abrir para o mundo. 
Vou explodir de prazer!
E, quando não consigo mais segurar, um gemido incontrolável sai da minha boca. Fecho as pernas e me contorço, estremecendo, enquanto ela retira o vibrador do meu clitóris. Por alguns segundos eu estremeço.
 
O que aconteceu?
Ao sentir que ela se deita sobre mim e encosta os lábios nos meus, ressurjo das cinzas e começo a beijá-la. O desejo. Devoro sua boca querendo mais.
 
— Peça-me o que quiser — eu a ouço dizer enquanto continua me beijando. Sua voz, o tom ao dizer essa frase provocativa, me deixa ainda mais excitada. Agarro o cós de seu jeans e, levando a sério suas palavras, digo:
 
— Quero sentir você dentro de mim. Agora!
Meu pedido é urgente para ela.
Tira depressa a calça e a calcinha. Fica totalmente nua e eu estremeço de prazer. Emma é incrível. É forte. Seu corpo todo bem definido. Seu sexo absurdamente molhado está pronto para mim. Estendo meu braço e a toco. Suave. Ela fecha os olhos.
— Pare um segundo ou não poderei te dar o que você me pediu. Obediente, faço o que ela mandou enquanto a vejo se agachar lentamente sobre mim. Põe minhas pernas sobre seus ombros e, sem tirar os olhos de mim, com três dedos, me penetra devagar até o fundo.
 
— Assim, pequena, assim. Abra-se para mim.
 
Imóvel sob seu peso, lhe permito entrar no meu corpo.
 
Ahhh, que delícia!
 
Seus dedos me enlouquecem e sinto-a desesperada buscando refúgio dentro de mim. Me penetra bem fundo e eu suspiro quando ela movimenta os quadris.
— Gosta assim?
 
Faço que sim. Mas ela exige que eu fale, e para até que eu respondo:
 
— Gosto.
 
— Quer que eu continue?
Desejando mais, estico as mãos, seguro sua bunda e a aperto contra mim. Seus olhos brilham, eu a vejo sorrir e me contorço de prazer. Emma é poderosa e possessiva. Seus olhos, seu corpo, tudo nela me deixam louca e, quando começa uma série de investidas rápidas e eu sinto seu olhar ardente, ela me mata de prazer. Um tempo depois, retira minhas pernas de cima de seus ombros e as coloca em torno das suas próprias pernas. A brincadeira continua. Agarra meus quadris com uma de suas mãos.
 
— Olhe para mim, pequena.
 
Abro os olhos e a encaro.
 
É uma deusa e eu me sinto uma simples mortal em suas mãos.
 
— Quero que você me olhe sempre, entendeu?
 
Volto a concordar com a cabeça como uma idiota, e não tiro os olhos de cima dela enquanto, excitada de novo, sinto-a mergulhando mais um de seus dedos dentro de mim mais algumas vezes. Ver sua expressão e sua força me enlouquece. Abro minhas pernas o máximo que consigo para lhe dar mais espaço. Depois de meter fundo várias vezes, me rasgando por dentro e me revirando por completo, Emma fecha os olhos e gozamos juntas depois de um gemido sexy, ao mesmo tempo que me aperta contra ela. Por fim, cai sobre mim.

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