sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Peça-me o que quiser Capítulo 26

Capítulo 26

Viver sem Emma está difícil para mim. Difícil e insuportável. 
Me acostumei a vê-la circular pelo escritório e pela minha casa, e estar sozinha me desestabiliza.
 
Antes de ir embora, ela quis contar à minha chefe a verdade sobre nossa relação, mas eu a proibi. Odeio fofocas e, por mais que eu saiba que elas serão inevitáveis quando todo mundo ficar sabendo, prefiro adiar esse momento.
 
No mesmo dia em que embarca para a Alemanha, me liga umas vinte vezes. Precisa falar comigo e me lembra de pensar na sua proposta de eu me mudar para a Alemanha. Ela precisa de mim e precisa logo.
 
No dia da cirurgia, Cora me liga para informar que tudo correu bem, mas que o humor de Emma está péssimo. Ela não é uma boa doente. Os dias passam e comento com Cora sobre a possibilidade de eu ir à Alemanha. Ela consulta Emma e sua resposta é não.
 
Emma rejeita a ideia. Não quer que eu a veja nesse estado. Tento convencê-la, mas ela me lembra que já me alertou que sua filha não é uma boa doente e que, num momento assim, é melhor não contrariá-la.
 
Desesperada, ligo para o meu pai e lhe conto o que está acontecendo.
 
Ele tenta me acalmar e me manda ir para a cama descansar.
 
No dia seguinte, quando chego do trabalho, encontro meu pai e minha irmã me esperando em casa. Em meio a lágrimas e soluços, explico a eles o que está acontecendo com Emma.
 
Vejo a tristeza em seus olhos. Percebo como eles se entreolham sem saber o que me dizer. Mas, como sempre, não me deixam na mão. Tentam me colocar para cima e afirmam que Emma é uma mulher forte e que, independentemente do que acontecer, ela voltará para mim. Quero acreditar nisso. Preciso acreditar nisso.
 
De madrugada, eu e meu pai conversamos. Comento com ele a possibilidade de eu ir para a Alemanha morar com Emma e Flyn, e ele parece aceitar a ideia. Entende a situação e me incentiva a viver ao lado da pessoa que eu amo e que me ama. Papai é a pessoa mais compreensiva do mundo e, apesar da dor que sente por saber que vou ficar longe dele, acredita no amor e na necessidade de viver o momento.
 
Uma semana depois, meu pai volta a Jerez. Precisa tomar conta de sua oficina, mas minha irmã está sempre comigo. É maravilhosa. Gosto dela do fundo do meu coração e, apesar de às vezes me encher o saco, é a melhor irmã do mundo.

De: Emma Swan
 
17 de outubro de 2012 20:38
 
Para: Regina Mills
 
Assunto: Estou com saudades
 
Odeio o tratamento e a minha irmã. Ela me deixa muito irritada. Quanto a Flyn, não sei o que fazer com ele. Estou com saudades de você. Te amo.
 
Emma

De: Regina mills
 
17 de outubro de 2012 20:50
 
Para: Emma Swan
Assunto: Re: Estou com saudades.
 
Você irritada? Sério? Não acredito... impossível! Uma mulher como você não sabe o que é isso. Sobre Flyn, dê tempo ao tempo. Ele ainda é muito novo.
 
Te amo... te amo... te amo... Regina

De: Regina Mills
18 de outubro de 2012 23:12
 
Para: Emma Swan
Assunto: Oieeeeeee Oi, aqui é sua namorada!!!
Como você está hoje, minha querida? Espero que um pouquinho melhor. Ah, vai, abre um sorriso, que tenho certeza de que você está com a cara fechada. E tá booooom, já entendi a indireta de que você não quer que eu vá te ver. Vou ter de me aguentar. Aqui em Madri já está começando a fazer frio. Hoje no escritório foi um dia louco e só há pouquinho cheguei em casa. Estou com tanto trabalho que mal tenho tempo de respirar. Espero que Flyn esteja mais fácil de lidar. Beijos, querida, que passe uma boa noite.
 
Te amo. Me responde amanhã?
 
Sua pequena

De: Emma Swan
19 de outubro de 2012 08:19
 
Para: Regina Mills
 
Assunto: Olá
Odeio que você trabalhe tanto. Isso são horas de chegar em casa? Quando eu voltar a Madri, vou ter uma conversa muito séria com a idiota da sua chefe.
 
Te amo, pequena.
 
Emma
De: Regina Mills 
19 de outubro de 2012 20:21
 
Para: Emma Swan
Assunto: Não se mete no meu trabalho
 
Como eu já escrevi na linha de assunto, não se mete no meu trabalho! O fato de eu ser sua namorada não te dá o direito de se envolver nas minhas questões de trabalho. E a propósito... Eu te amo mais!
 
Regina
De: Emma Swan
19 de outubro de 2012 22:16
Para: Regina Mills
 
Assunto: Sou sua chefe
 
Não volte a me dizer pra não me meter no seu trabalho. SOU SUA CHEFE. E, quanto a quem ama mais a outra, logo, logo eu vou te provar!
 
Emma

De: Regina Mills
19 de outubro de 2012 22:19
 
Para: Emma Swan
Assunto: Hummmmmmm E, vem cá, por que você não me liga em vez de me escrever? Não tem vontade de ouvir minha voz? Estou morrendo de vontade de te ouvir, nem que sejam seus resmungos. Anda... seja bonzinha e me liga, CHEFE. E, sobre aquele assunto de quem ama mais... me prove!
 
Regina


Aperto “enviar” e espero... espero e espero e, como diz aquela música de antigamente “e eu desesperando”!
 
Não liga. Nem me escreve. Nada.
 
Às onze da noite, decido preparar alguma coisa para jantar. Não estou com muita fome, então faço uma omelete, mas acho que ficou tão sem graça no prato que resolvo acrescentar um ingrediente secreto que a Grace adora: confetes! Omelete com confetes!
 
Ótimo jantar!
 
Pego o prato e o levo até a mesinha junto com uma Coca. Ligo a tevê e, para variar, aparece um programa desses sobre a vida de celebridades. Assisto por alguns minutos e acabo trocando. Quando chego ao canal Divinity, vejo que está passando Brothers & Sisters e deixo ali, porque gosto muito dessa série. Abro a Coca, tomo um gole e a campainha toca.
 
Acho estranho e olho as horas. São 23h21. Me levanto, espio pelo olho mágico e logo grito “Emma!”. Abro a porta e, sem dizer nada, me lanço em seus braços.
 
— Eiiiii, cuidadooooooooooo!
 
Mas que se dane o cuidado!
Emma está bem na minha frente. Não posso acreditar!
 
Eu a encho de beijos, e ela ri e me ergue em seus braços. Quando me põe no chão, estou sem ar e explodindo de tanta felicidade.
 
— Oi.
 
— Oi, querida.
 
Volta a me abraçar e eu fecho os olhos. Ainda não consigo acreditar que ela está aqui. Na minha casa. Na minha sala. Nos meus braços. Quando consigo me separar um pouquinho dela e vejo sua cara cansada e seus olhos avermelhados, logo me arrependo da minha empolgação.
 
— Ai, querida...! Como eu sou bruta, desculpa!
 
Emma sorri e chega mais perto de mim.
— Não precisa pedir desculpas. É isso que eu precisava de você: sua naturalidade.
 
Seguro sua cabeça entre minhas mãos com ternura.
 
— Como você está?
 
— Bem... muito melhor agora que estou contigo.
 
— E Flyn?
 
Sua expressão se contrai.
 
— Está bem, eu o deixei bem. Vamos ver quanto tempo vai durar assim.
 
Sorrio. Não imagino Emma lidando com um menino de 9 anos.
 
— Por que você não me disse que vinha?
 
— Era surpresa. Além disso, você não me escreveu há alguns minutos, me pedindo pra te ligar nem que fosse pra você ouvir meus resmungos? Pois aqui estou eu, em carne e osso.
 
Nós duas rimos.
 
— Que tal me convidar pra entrar na sua casa?
 
Fecho a porta, retiro sua pesada jaqueta vermelha e a levo até o sofá. Ao me sentar na sua frente, reparo que ela está mais magra, mas sua aparência geral é boa. Sinto vontade de apertá-la, mas me dou conta de que não é o momento de fazer isso. Não quero que se canse.
 
— Quer beber alguma coisa?
 
— Um pouco de água.
 
Rapidamente me levanto, encho uma jarra de água e vou até a mesa. Quando me sento a seu lado, ela me olha e aponta o prato.
 
— O que é isso?
 
— Meu jantar, quer?
 
— E o que tem aí exatamente?
 
Achando graça da forma como ela olha o prato, respondo:
 
— Omelete com confetes.
 
— Omelete com confetes?
 
Eu rio. Ela deve pensar que perdi o juízo.
 
— Quando tomo conta da minha sobrinha, às vezes ela não quer jantar. E descobri há algum tempo que, se eu coloco confetes em vez de batatas fritas ou arroz, ela come a omelete. E hoje, como eu não estava muito a fim de cozinhar, decidi imitá-la. Fim da história.
— Meu Deus, Regina — murmura, sorrindo —, eu estava morrendo de saudades de você!
 
—Eu também... eu também...
 
Emma me olha e eu não consigo deixar de olhá-la também.
 
— Por que não me abraça?
 
— Não quero te apertar demais.
 
— Vem cá. Estou bem, sua boba... muito bem.
Me faz sentar no seu colo e começa a encher meu pescoço de beijos.
 
— Me aperta e me beija. Você é meu melhor remédio!
 
Minutos depois, nuas sobre o sofá, Emma demonstra todo o desejo que sente por mim e o tanto que sentia minha falta. Com sua sofreguidão habitual, fazemos amor duas vezes.
De volta ao escritório, meu mundo recupera sua relativa normalidade.
 
A diferença é que agora Emma está ao meu lado: e seus mimos e carinhos me alegram. Continua hospedada no hotel, embora passe algumas noites lá em casa. Ter um lugar de referência para cada uma é algo que consideramos necessário, apesar de gostarmos muito de ficar juntas. Cada vez sente mais vontade de contar para todo mundo que sou sua namorada, mas rejeito a ideia. Não sei por quê, mas não quero que ninguém fique sabendo. Temos conversado muito sobre a questão da mudança para a Alemanha. Percebo que ela precisa que eu dê uma resposta logo, mas ainda não sei o que fazer. Ela não me pressiona e eu fico agradecida por isso.
 
Vários dias se passaram desde que Emma voltou. Toda manhã lhe pergunto como está e sua resposta é sempre a mesma: “Bem.” Não teve mais dor de cabeça e acho que também não sentiu enjoos, e isso me deixa mais tranquila.
 
Certo dia, quando estou na cantina com Killian, vejo Emma entrar. Seu olhar me diz que ela não aprova o fato de eu estar tomando o café da manhã com meu amigo.
 
Senta-se ao fundo da cantina e pede um café. Eu continuo falando com Killian, até que meu celular toca. Emma.
 
— Posso saber o que você está fazendo? — pergunta irritada.
 
Não olho para ela, já que eu acabaria rindo.
 
— Tomando o café da manhã.
 
— Por que você tem que tomar café todo dia com esse cara?
 
Sentado na minha frente, Killian me olha e, por meio de gestos, me pergunta quem é.
 
— Meu pai — respondo, e murmuro dissimulada: — Fala, pai, estou tomando café, o que você quer?
 
— Seu pai? Como seu pai? — diz Emma, grunhindo.
 
Achando graça, sorrio enquanto ouço meu amor bufando de raiva do outro lado da linha.
 
— Ah, pai, não se preocupe, te garanto que estou comendo diretinho, ok?
 
— Regi... — murmura entredentes.
 
Nesse instante, Raul e Paco se juntam a nós. Como sempre, me dão um beijo na bochecha e se sentam na nossa mesa.
A reação de Emma não demora.
 
— Beijos? Quem lhes deu permissão pra te beijar?
 
Não sei o que responder. Acabo rindo. Paco e Raul são um casal e, quando estou quase dizendo a primeira coisa que me passa pela cabeça, Killian chega perto de mim, retira uma mecha de cabelo do meu rosto e coloca atrás da minha orelha.
 
— Que inferno — diz Emma, enfezada. — Por que esse cara está tocando em você?
 
— Pai, posso te ligar quando chegar em casa? — Antes que Emma responda qualquer coisa, eu digo e delisgo: — Um beijinho, pai. Te amo.
 
Fecho o celular e deixo sobre a mesa. Com curiosidade lanço o olhar na direção de Emma e a vejo parada com o telefone ainda na orelha. Sua expressão diz tudo. Está muito...muito irritada. Não gosta que eu desligue o telefone e é isso que acabo de fazer. Imediatamente se levanta. Passa ao nosso lado, e Killian, alheio ao que está acontecendo, toma tranquilamente seu café, enquanto eu, em compensação, sinto meu estômago se contrair.
 
Minha chefe entra acompanhada de Gerardo, o chefe do RH, e, pouco à vontade com a presença dela, saio da cantina dez minutos depois e vou para minha sala. Sei que Emma estará por ali. Me sento à mesa e meu telefone toca. É ela. Me manda ir até sua sala. Quando entro, fecho a porta atrás de mim e ela me lança um olhar frio. Sorrio. Ela não. Sei que está com vontade de xingar e reclamar, mas se controla. Esse não é o lugar adequado para ela armar um barraco. Me olha... me olha e me olha e finalmente se levanta com uns papéis na mão. Aproxima-se de mim.
 
— Papai?!
 
Encolho os ombros. Faço menção de responder, mas ela começa a resmungar:
 
— Estou chateada de verdade.
 
Tendo em mente onde estamos, murmuro:
 
— Mas você já sabe... uma faxina geral te relaxaria.
 
Minha resposta a enfurece ainda mais e rapidamente me arrependo de ter sido tão espontânea, embora meu lado masoquista tenha se alegrado ao perceber sua raiva... Gosto disso!
 
— Por que esses caras têm que te tocar e te beijar? Por quê?
 
Tento encontrar uma resposta que não a deixe ainda mais irritada, mas não me ocorre nenhuma. Tudo me parece terrivelmente absurdo.
 
— Ah, para com isso, por favooooor... Killian só tirou o cabelo do meu rosto, e Paco e Raul me cumprimentaram com um beijinho no rosto.
 
— Não dei permissão pra eles te tocarem.
 
Suas palavras me deixam perplexa:
 
— Mas do que você está falando?
 
Icewoman, em sua versão rabugenta, olha para mim. Me examina com seus olhos injetados e furiosos e, sem levantar a voz, sussurra: — Não quero que te toquem nem te beijem de novo, escutou?
 
— Sim... escutei.
 
— Ótimo!
 
— Se vou obedecer ou não, aí são outros quinhentos. — Sinto a frustração em seu olhar. — Mas, vem cá, o que há contigo? Realmente está com ciúme pelo que viu e... e... e ao mesmo tempo você não se importa que... que... a gente jogue com outras pessoas e...?
 
— É diferente, Regina. Incrível você não entender isso.
 
— É que não dá pra entender — digo, respirando fundo.
 
— Chega! Vou sair agora mesmo e contar pra todo mundo que você é minha namorada. Que você é a namorada da chefe.
 
Seu comentário me deixa alarmada.
 
— Emma Swan, se você ousar fazer isso, vai me pagar.
 
— Está me ameaçando?
 
— Com cereteza.
 
— Por que você não quer que eu conte?
 
— Porque não.
 
— Essa resposta não vale. Por que não?
 
Olho para ela bufando de raiva.
 
— Bem... não quero que o pessoal fique fofocando e pense que sou uma golpista que se envolveu com a chefe. Se nossa história for adiante, haverá tempo de sobra pra contar. Por que devemos nos precipitar?
 
Nesse momento, a porta se abre e minha chefe aparece. Surpresa ao me ver, pergunta:
 
— O que houve?
 
Não sei o que responder. Me dá um branco. Mas Emma reage com rapidez.
 
— Eu estava pedindo à senhorita Mills que enviasse uns documentos por fax.
 
Me entrega os papéis que estava segurando.
 
— Quando você tiver os relatórios, mande-os para mim, por favor.
 
— Pode deixar, senhora.
 
Assim que saio da sala, respiro aliviada.
 
Discutir com Emma me deixa exausta. Nunca nos entendemos.
 
Pelo resto do dia, Emma não sai da sala. Continua pensativa. Na hora do almoço, saio e fico surpresa quando minha chefe me informa que Emma foi embora e disse que não voltaria mais hoje.
 
Não telefono nem envio mensagens.
 
Não quero invadir seu espaço. Vou para a academia. Preciso extravasar, e de novo eu topo com Marisa, que vem falar comigo com intimidade. Me apresenta duas amigas que estão com ela, Rebeca e Lorena. Nós quatro fazemos uma aula de aeróbica e, quando terminamos, suadas, vamos para os chuveiros.
 
— O que acham de irmos pra jacuzzi? — propõe Rebeca, e todas nós aceitamos.
 
Entramos na jacuzzi e começamos a conversar. Além de divertida, Marisa é uma mulher muito culta e logo começa a falar de sua última viagem à Índia. Sempre adorei viajar, apesar de ser um luxo que, com meu salário, mal posso me permitir.
 
Quando saímos da jacuzzi, em meio a risadas pelas histórias que Marisa nos contou, tomamos uma chuveirada e Rebeca vê minha tatuagem e faz um comentário. Eu não dou muita bola e mudo de assunto.
 
Ao sairmos da academia, vamos a um pub que fica ao lado e tomamos uma bebida geladinha. Trocamos telefone e combinamos de nos ligar e marcar de sair para jantar em casais. Depois, Lorena nos convence a acompanhá-la a uma loja para buscar umas roupas que ela encomendou. Ao chegar, vejo se trata de uma casa particular que vende lingerie. Enquanto esperamos, observo as peças ao meu redor, e a dona nos convence a provar algumas coisas. Aceito sem hesitar. Elas também. Provo dois conjuntos de calcinha e sutiã muito sensuais que tenho certeza de que Emma vai adorar.
 
— Ficou lindo — diz Rebeca, que entra no provador espaçoso.
 
— Você acha mesmo?
 
Ela faz que sim com a cabeça, aproxima-se por trás e deixa um conjunto de calcinha e sutiã sobre o banquinho.
 
— Leva. Tenho certeza de que sua namorada vai adorar.
 
— Sim, com certeza. — Sorrio ao imaginar a cara de Emma.
 
De repente, Rebeca pega minha mão.
 
— Que anel lindo.
 
Eu olho para ele, admirando.
 
— Ganhei de presente da minha namorada.
 
— Ela tem muito bom gosto.
 
— Obrigada.
 
Me olho no espelho enquanto ela se despe de novo para provar outro conjunto.
 
— Toma. Prova esse aqui — diz e me entrega um espartilho de couro preto.
 
Achando graça, tiro as peças que acabei de provar e fico nua como ela, no provador. Quando me agacho para tirar a calcinha, noto que ela se agacha também. Assim que me desfaço da minha calcinha, Rebeca fica bem diante da minha tatuagem. Não me mexo, apenas a encaro. Rebeca passa um dedo pela minha vagina e beija meu púbis. Me afasto depressa.
 
— O que você está fazendo?
 
Ela se levanta e diz:
 
— Marisa me disse que te viu brincando numa festinha em Zahara, é verdade? Desconfortável, eu a encaro.
 
— Sim, mas eu só jogo na presença da minha namorada.
 
— É a regra de vocês duas?
 
— É.
 
Ela faz que sim e recua. Para de me tocar.
 
— Sua namorada não precisa ficar sabendo. Será um segredo nosso.
 
— Não — respondo com firmeza.
 
Rebeca abre a cortina do provador e eu vejo Marisa, Lorena e a dona da loja nuas em cima de um sofá, transando. Fico sem palavras. Rebeca se aproxima de mim por trás e segura meus seios.
 
— Elas estão se divertindo. Vamos, aproveite o momento.
 
Solto o espartilho e me desvencilho de suas mãos. Me afasto dela. Vou até minha roupa, me agacho para pegar a calça e começo a me vestir. Não quero olhar e quero sair desse lugar o quanto antes. De repente, me agarra pelos quadris, aproxima seu púbis do meu traseiro e se esfrega nele.
 
— Vamos, Regina... eu sei que você quer. Você quer abrir as pernas pra mim. Não adianta negar.
 
— Já disse que não. E me solta!
 
Minhas palavras fazem as outras mulheres nos olharem. Rebeca se afasta de mim. Não volta a me tocar, mas o olhar que me dirige não me agrada. Parece divertir-se com meu constrangimento. Quando termino de me vestir, saio correndo da loja sem dizer nada.
 
Ao chegar em casa, estou descontrolada. Como pude ser tão idiota? Tomo um banho, nervosa. Penso em Emma e sinto uma vontade enorme de falar com ela e contar o que aconteceu. Ligo para ela e escuto sua voz fria do outro lado da linha.
 
— Fala, Regi.
 
— Tudo bem?
 
— Tudo.
 
Com receio de que ela esteja se sentindo mal, pergunto:
 
— Está com dor de cabeça ou alguma coisa assim?
 
— Não.
 
— Está enjoada ou vomitou?
 
— Não.
 
— Então por que não voltou pro escritório hoje à tarde?
 
Não responde. Seu silêncio me incomoda.
 
— Bom... Se fisicamente você está bem, o que houve? Se está assim pelo que aconteceu no escritório, por favooooor, é uma bobagem!
 
— Pode ser uma bobagem pra você, mas não pra mim.
 
— Quero te lembrar que sou uma pessoa adulta, não uma criança, como seu sobrinho, em quem você pode dar bronca.
 
— Isso, me deixe ainda mais irritada — diz, grunhindo.
 
Sua desconfiança me entristece. E eu preciso contar a ela o que aconteceu comigo.
 
— Emma...
 
Mas ela está chateada e me corta.
 
— Você sabe que eu não vou com a cara desse Killian, não sabe?
 
— Sei, mas...
 
— Não. Me escuta, Regina. O que você acharia se amanhã eu deixasse sua querida chefe tocar no meu cabelo enquanto eu estivesse tomando café da manhã com ela? Tenho certeza de que ela gostaria. Ah..., e talvez também adorasse me dar um beijinho, que tal?
 
Não... não... não. Só de pensar eu já me sinto mal. Conheço minha chefe e sei que ela está ansiosa para que Emma lhe dê a chance de se aproximar e conseguir algo mais. Fecho os olhos e, com esse exemplo, passo a entender sua frustração.
 
— Ok... captei a mensagem.
— Que bom, Regi. Fico feliz em saber que você finalmente me entendeu. Uma coisa é você permitir que uma mulher toque em mim, outra muito diferente é que uma mulher que você sabe que me deseja toque em mim sem sua permissão. Compreende agora?
 
— Sim.
 
— Pensa nisso, porque não estou a fim de repetir nem mais uma vez — acrescenta após um silêncio sepulcral. — Não me importo que você tome café da manhã com Killian ou com quem você quiser, mas não aceito que ninguém, homem ou mulher, te toque ou te beije sem o meu consentimento. Boa noite, Regina. Amanhã te vejo no escritório.
 
Em seguida, desliga o telefone e fico desconcertada. Como posso lhe contar o que aconteceu comigo sem despertar ainda mais desconfiança?
 
Aturdida, me sento no sofá com a sensação de que, sem querer, acabei de fazer uma coisa que, se Emma ficar sabendo, vai deixá-la muito aborrecida. Coço o pescoço que começou a pinicar. Ninguém está por perto para me impedir.
Ao chegar ao escritório na manhã seguinte, não me surpreendo ao encontrar Emma trabalhando. Como se nem reparasse na presença dela, deixo minhas coisas na mesa e o telefone interno começa a tocar. Emma. Quer que eu vá à sala dela.
 
— Bom dia, senhorita Mills.
 
— Bom dia, senhora Swan.
 
Logo vejo Julio Merino, um rapaz da empresa, sentado na mesinha redonda da sala de Emma, com uns papéis nas mãos.
 
— Senhor Merino — diz Emma, recostando-se na cadeira —, poderia me trazer um cafezinho?
 
O jovem se levanta.
 
— Sim, senhora Swan... é pra já.
 
Quando passa ao meu lado, faz cara de impaciência e eu tento segurar o riso. Assim que eu e Emma ficamos a sós na sala, ela suaviza o tom:
 
— Dormiu bem?
— Muito mal... estava sentindo sua falta.
 
Noto seus lábios se encurvando.
 
— Com certeza não tanto quanto eu senti a sua.
 
— Até parece... tenho certeza de que eu senti tanto quanto você ou até mais.
 
Nos olhamos. Um duelo de olhares. Já aprendi a sustentar o seu olhar.
 
— Essa noite você vai dormir comigo no hotel.
 
— Ok.
 
Adorei a proposta. Fico louca só de pensar e já imagino que será um bom momento para contar a ela o que aconteceu ontem.
 
— O que acha de brincarmos com outras pessoas?
 
Meu estômago se contrai. Brincarmos acompanhadas? Sei o que significa e já estou há muito tempo sem fazer isso. Engulo a avalanche de emoções que ficaram entaladas na minha garganta.
 
— Por mim tudo bem, se você quiser.
 
Sem levantar da cadeira, move a cabeça.
 
— Está excitada? — pergunta ao notar meu nervosismo.
 
Faço que sim. Emma sorri e se levanta.
 
— Por favor, senhorita Mills, entre no arquivo.
Sem pensar duas vezes, me dirijo ao arquivo e minha respiração fica entrecortada. Ali dentro, Emma chega perto de mim, meu traseiro esbarra nos arquivos e, apoiando seus quadris nos meus, sinto sua mão se enfiando por dentro da minha saia e tocando minha coxa direita.
 
— Há muito tempo que não te ofereço e não vejo a hora de fazer isso de novo.
 
— Emma...
 
— Continuo chateada contigo e você merece um castigo.
— Um castigo?
 
— É... minha pequena. E hoje à noite você vai saber qual é.
 
Voltamos a nos enfrentar num duelo de olhares.
 
— Gostaria de te lembrar — murmuro — que o castigo que você me deu em Barcelona foi me deixar excitada naquela casa de swing e depois me levar embora sem realizar nenhuma daquelas fantasias.
Ela sorri e passa o nariz pelo meu cabelo.
 
— Nunca se sabe, Regi... nunca se sabe.
 
Emma separa minhas pernas. Toca a tirinha da minha calcinha.
 
— Seu castigo está te esperando no meu hotel — sussurra ao meu ouvido. — Quando sair do escritório, pega o carro e vai direto pra lá.
 
Tira a mão de baixo da minha saia e se afasta.
 
— Muito bem, já pode voltar ao trabalho.
 
Excitada e irritada por esse tratamento tão frio, dou meia-volta para sair quando sinto uma palmada. Me viro para repreendê-la e então Emma me puxa para si, me beija com paixão e murmura com um sorriso provocante:
 
— Te amo, pequena...
 
Essas palavras carinhosas produzem em mim o efeito Swan. Minha irritação some e eu sorrio como uma pateta enquanto ela me abraça e me beija com voracidade.
 
Segundos depois, me solta.
 
— Senhorita Mills, poderia fazer a gentileza de parar de me provocar para que eu possa dirigir esta empresa?
 
Seu comentário me faz rir.
 
Ajeito minha saia, me retiro do arquivo, depois saio da sala e, com um sorriso bobo estampado no rosto, volto à minha mesa. Hoje à noite estou decidida a contar a ela o que aconteceu.
 
Julio chega com o café e, quando passa ao meu lado, murmura:
 
— Pô... hoje a chefe está atacada!
 
Sorrio e tento me concentrar no trabalho.
 
Às seis da tarde saio nervosa do escritório e faço o que ela me pediu. Pego o carro e vou direto para o hotel. Tomás está esperando na porta e, ao me ver, acena com a mão. Freio, abaixo a janela e o ouço dizer:
 
— A senhora Swan a espera na suíte. Pode deixar seu carro comigo.
 
Admirada com a regalia, desço, entro no hotel e vou ficando cada vez mais excitada. Desde Zahara de los Atunes que não jogo e estou ansiosa. O ascensorista sorri e me cumprimenta. Subimos em silêncio e, assim que as portas do elevador se abrem, eu me surpreendo ao encontrar Emma me esperando no hall.
 
— Oi, amor.
 
— Oi — respondo, radiante, enquanto passeio meus olhos por ela e reparo em como está gata com essa calça justa preta e a regata branca. Sem rodeios, ela me beija, me pega pela cintura e me guia até a suíte. Ouço uma música na sala. Há alguém lá dentro, mas não consigo ver quem é. Emma me leva diretamente ao quarto e fecha a porta.
 
— Em cima da cama está o que quero que você use. Tome uma ducha e, quando estiver pronta, vá até a sala.
Dito isso, dá meia-volta e sai, me deixando sozinha.
 
Surpresa, caminho até a cama. Lençóis de seda pretos. Que excitante! Sobre os lençóis vejo uma fina e curta camisola de seda junto a sapatos pretos de salto bem alto. Não há calcinha, apenas uma cinta-liga lilás. Minha boca fica ressecada só de pensar. Sexo!
 
Sem conseguir tirar os olhos dessa peça de roupa, fico nua e entro no banheiro. Tomo uma chuveirada e me delicio ao sentir a água correndo pela minha pele. Me enxugo e visto o que Emma pediu.
 
Abro a porta do quarto. Emma me vê e faz sinal para eu me aproximar. Quando chego perto, vejo duas mulheres. Uma delas, vestida como eu. Surpresa, olho para Emma em busca de uma explicação.
 
— Regina, essa é Alice e essa é amiga dela, Marisa. Amigas minha.
 
Alice vem e me dá dois beijinhos no rosto, e, quando a luz reflete na segunda mulher, me dou conta de que é Marisa de la Rosa.
 
Por que age como se não me conhecesse?
 
Vem até mim e dá dois beijinhos também.
 
— Oi, Regina, que bom te ver.
 
— Digo o mesmo — respondo, confusa.
 
Não menciona nossos encontros na academia, nem o que aconteceu ontem. Eu também não falo nada. Me sinto estranha ao omitir isso, mas, sabe-se lá por quê, não consigo agir de outro modo.
 
Emma me pega pela cintura e me puxa para si.
 
— Elas estavam naquela festa à fantasia em Zahara. Desde então, Marisa não para de me mandar e-mails pedindo pra te conhecer.
 
Me viro para ela e a vejo sorrir.
 
— Estou louca pra provar você, Regina.
 
Não respondo. Não posso. Tudo o que consigo ver é a mulher me olhando de alto a baixo e se detendo nos meus seios. Parece o gato Frajola quando quer devorar o Piu-Piu.
 
A expressão de Emma é de malícia. Ela gosta do que está vendo. Isso a deixa excitada.
 
— Tenho uma namorada muito... muito atraente.
 
Eu a encaro e ela me beija sem se importar que os outros estejam olhando.
 
Quando me solta, vejo de relance que Marisa e a amiga cochicham, enquanto servem champanhe. Emma pega do sofá um lenço de seda comprido e o amarra na própria mão.
 
— Lembra disso?
 
— Lembro.
 
— Talvez eu te amarre na cama em algum momento pra te oferecer. Alguma objeção? Excitada pelo que ela diz, murmuro:
 
— Confio em você.
Seus olhos faíscam. Estão brilhantes. Emma chega mais perto e diz:
 
— Marisa é uma mulher muito ativa e está louca pra brincar contigo. O que, claro, eu permito.
 
— Como assim?
 
Ela sorri e beija meu ombro.
 
— Esse é seu castigo hoje, querida.
Fico perplexa. Faço menção de responder, mas ela me impede.
 
— Vamos, senhorita Mills, satisfaça meus caprichos.
 
Alice está sentada no sofá e Marisa nos observa. Estou supernervosa.
 
— Emma.
 
— Fala, Regi.
 
— Não quero fazer isso... não.
 
Emma me olha... me olha... me olha e por fim diz num tom calmo:
 
— Ok, Regi. Vai pro quarto e se veste. Tomás vai te levar pra casa.
 
Isso me desconcerta. Não quero ir embora. Quando estou dando meia-volta para sair, fecho os olhos.
 
— Emma.
 
— Fala, Regi.
 
— Se eu ficar, meus beijos vão ser só seus e os seus vão ser só meus.
 
Imperturbável, Emma balança a cabeça afirmativamente.
 
— Isso sempre, querida... sempre.
 
Eu a beijo ansiosa e ela aceita minha boca.
 
Depois me viro para Marisa.
 
— Tudo bem, então.
 
Emma se senta ao lado de Alice.
Aquela mulher e eu ficamos de pé , vestidas apenas com nossas camisolas curtas, enquanto a música continua tocando. A excitação começa a crescer em mim quando sinto que ela se aproxima por trás e põe suas mãos na minha cintura. Emma pega a garrafa de champanhe e serve uma taça. Em seguida deixa a garrafa no balde e nos olha, esparramando-se no sofá.
 
— Marisa, você finalmente tem minha namorada todinha pra você. Por onde quer começar?
Suas palavras me queimam por dentro. Emma acaba de dizer que sou toda dela. Toda! Mas, antes que eu consiga protestar, a mulher se antecipa:
 
— Por enquanto, quero tocá-la.
 
Dito isso, encosta seu nariz no meu pescoço e passa as mãos pelo meu corpo. Toca meus quadris, seios, púbis, tudo isso por cima da camisola de seda preta supersensual. Escuto sua respiração excitada e não faço nada, apenas a deixo invadir meu corpo diante do olhar atento das mulheres no sofá.
 
— Emma... me dá cinco minutos a sós com ela.
 
— Trinta segundos! — responde ela.
 
Faço menção de protestar, de recusar o que ela está propondo, mas logo sinto Marisa apertando o corpo junto ao meu.
 
— Vamos pra cama — sussurra em meu ouvido.
 
Me puxa pela mão. Eu olho para Emma, ela levanta a taça e sorri, ainda sentada no sofá. Caminho de mãos dadas com a mulher e chegamos ao quarto. Não posso acreditar que Emma não estará presente.
 
Marisa me faz deitar na cama e se coloca de quatro sobre mim.
 
— Escuta, Regi. Não se assusta. Não vou te machucar. Só vou te dar prazer e espero que você me dê também. Emma te ofereceu pra mim por causa de alguma coisa que aconteceu entre vocês duas. Isso não me interessa. O que quero é te saborear e desfrutar do seu corpo.
 
— Por que você não contou pra ela que a gente já se viu antes?
 
Ela sorri e me olha com luxúria.
 
— Porque a gente não precisa explicar tudo, né?
 
Quando vou protestar, ela abaixa as alças da minha camisola, põe meus seios para fora, e isso me deixa sem palavras. Meus mamilos ficam arrepiados e eu a vejo sorrir. Ela então os lambe e chupa. Eu me mexo, agitada. Não gostaria de admitir, mas a situação está me deixando excitada. Sua boca se fecha sobre meus seios e ela os chupa com avidez, até que me solta.
 
— Gostou? — pergunta.
 
Faço que sim com a cabeça. Não consigo falar.
 
— Na academia, toda vez que te vejo nua no vestiário, sinto vontade de te chupar assim. Aliás, Rebeca mandou lembranças.
 
Quando estou me preparando para dizer uns desaforos, ela abaixa as alças de sua camisola e deixa à mostra seus maravilhosos e firmes seios siliconados. Pega minhas mãos e coloca sobre eles, fazendo-me acariciá-los. E continuo, mesmo quando ela solta minhas mãos. Toco os mamilos dela do jeito como eu gosto que toquem os meus, e aperto em seguida. Ela olha para mim, morde os lábios e solta um gemido. Aproxima seu rosto do meu. Não me mexo e, quando acho que ela vai me beijar e não tenho mais como recuar, Marisa murmura:
— Emma já me avisou que não posso provar esses lábios tão apetitosos que você tem, mas vou devorar seus outros lábios e o que eles escondem, exatamente como eu desejo cada vez que te vejo. Vou te morder e te chupar de um jeito que vai te levar a querer fazer o mesmo em mim.
 
— Não... eu não... — sussurro, tentando marcar um pouco meu território.
 
— Você não o quê? —Ela me olha — Não quer fazer em mim?
 
— Não.
 
Mexe-se sobre mim. Dá um giro até sua vagina ficar bem na minha cara, e a minha ficar embaixo da sua boca. Não roça em mim, apenas a exibe e sussurra enquanto sinto seu cheiro:
 
— Faz só uma vez. Se não gostar, prometo que me retiro.
 
Essa vagina está tão perto. Está limpa, depilada como a minha, reluzente e tentadora. Concentrada, eu fico olhando para ela até que escuto Marisa respirar ofegante.
 
— Regina... põe sua língua uma vez... Só uma vez. Olha, assim...
 
Sinto sua língua passar lentamente sobre os lábios externos. Estremeço. Enfeitiçada pelo momento e pela excitação que toma conta de mim, faço o que ela pede.
 
— Isso, assim... — eu a ouço dizer.
Curto a sensação e eu volto a passar minha língua ali. Ela faz o mesmo e quem respira ofegante agora sou eu.
 
— Vamos fazer uma coisa. Repita o que eu fizer em você.
 
Sem esperar mais, a mulher abre meus lábios externos e pousa sua boca quente bem ali. Solto um gemido... e em seguida faço o mesmo que ela. Abro minha boca e chupo seu interior. Por alguns segundos tento reproduzir o que ela faz, mas não consigo... Quero mover minha língua de outra forma e morder seus lábios internos.
Deixo de lado meus preconceitos para com ela e começo a dar mordidinhas. Noto que ela estremece. Ela se abre para mim, e eu vejo o clitóris. levo minha língua até lá e começo a roçá-la. Seu clitóris responde imediatamente, inchando-se, e eu fico excitada.
— Ai... Regina... você está me deixando louca... É sério que você não queria fazer isso em mim? —Pergunta, dicimulada.
— É.
 
Estimulada pela visão do clitóris, faço o que Emma costuma fazer comigo. Eu coloco a ponta da língua no clitóris, descrevendo círculos, e, quando fica inchado, prendo entre meus lábios e puxo. Marisa se contrai e geme. Tenta se desvencilhar, mas seguro firme suas coxas e chupo seu clitóris para estimulá-lo mais e mais. Passeio minha boca por sua vagina perfeitamente depilada e dou mordidinhas em seu clitóris. Me sinto poderosa com isso. Marisa se esfrega em mim e eu a ouço gemer. Nesse momento eu desejo mais... muito mais, só que ela quer me possuir e me interrompe. Volta a ficar de quatro sobre mim.
 
— Agora que você já sabe o que eu quero de você, me deixa ter prazer com o seu corpo. Agarra meus seios, junta os mamilos e enfia os dois na boca. Ela os deixa eriçados e brinca com eles. Quando escuta meus gemidos, Marisa os larga.
 
— Vou tirar sua camisola. Fecha os olhos e se entrega.
 
Faço que sim, excitada.
 
Vejo Emma e Alice entrando no quarto. Cada uma senta num lado da cama, e ambas nos observam. Marisa tira minha roupa. Com suas mãos suaves, abaixa a camisola e a retira pelas minhas pernas. Me acaricia desde os tornozelos até chegar às minhas coxas. À minha cinta-liga. Com delicadeza, morde a parte interna das minhas coxas e sobe... sobe até dar mordidinhas nos meus seios.
 
— Gosto do que estou vendo... — sussurra Emma no meu ouvido.
Marisa continua sua festa e, quando meus mamilos estão absurdamente estimulados, ela desce até minha cintura e brinca com o umbigo. Estremeço. Sua boca ardente chega ao meu púbis e se detém. Percorre minha tatuagem com a língua e diz em voz alta e provocante:
 
— Regina, essa tatuagem é muito sedutora. Tenho certeza que desperta paixões.
 
Olho para Emma. Ela sorri. Eu sei por que ela diz isso, mas fico quieta. Não abro a boca. Marisa ergue o olhar por um instante, e uma corrente de emoções se apodera de mim quando sinto suas mãos brincando entre minhas pernas. Estou encharcada. Molhada. Receptiva. Ela me toca por cima e, sem esforço, enfia um dedo em mim enquanto roça meu clitóris com a palma da mão. Excitada, começo a me mover contra sua mão, buscando meu prazer.
— Vamos, Meninas... — eu a ouço dizer. — Venham participar da minha brincadeira.
 
Alice toca meu seio direito e Emma leva sua boca até o esquerdo. Cada uma a seu modo, elas me estimulam e me sugam. Marisa abre minhas pernas e me chupa.
 
— Ah... — solto um gemido enquanto três pessoas me tocam e me chupam.
 
Ardente e escancarada aos desejos de Marisa, reajo imediatamente e me contorço cheia de tesão. Gosto do que estão fazendo comigo. Gosto de ser o brinquedinho delas. Sua língua habilidosa se move dentro e fora de mim e se detém no meu clitóris para fazer o que acabei de fazer com ela. Ela o chupa. Descreve círculos e o puxa. Me mexo extasiada. Calor... calor... muito calor.
 
Emma abandona meu seio, procura minha boca e logo a encontra e me beija. Sua língua me domina, excitada e possessiva, enquanto Marisa me arranca gemidos que deixam Emma enlouquecida. Beijos... carícias... palavras sussurradas que desejo escutar.
 
— Assim, Regina... assim... se entrega e goza todinha pra mim.
— Só pra você — repito em meio a gemidos.
 
Durante um tempo que me parece uma eternidade, Marisa brinca entre minhas pernas enquanto Alice dá mordidinhas nos meus mamilos e Emma me beija. Até que sinto Alice segurar uma das minhas coxas, e Emma a outra. Me sentam na cama, me abrem para Marisa e me oferecem a ela.
A mulher, enlouquecida por ter conseguido o que estava querendo fazia tempo, chupa meu clitóris com habilidade. Eu me contorço. Me agarra pela bunda e me aperta sobre sua boca. Me saboreia de mil maneiras possíveis e sinto prazer com tudo isso. Ondas de prazer intenso e ardente percorrem meu corpo uma vez... depois outra.... e mais uma...
 
— Molhada e pronta pra mim — eu a ouço dizer.
 
Não sei a que se refere, mas sua "amiga" me solta, se levanta e desaparece do quarto. Emma não fala nada. Apenas me observa extremamente excitada ao mesmo tempo que me segura para Marisa. A mulher introduz dois dedos bem fundo em mim, move-os ali dentro e depois retira. Ergo meus quadris em busca de mais. Ela volta a enfiá-los e retira outra vez, e então percebo que a lubrificação dos seus dedos é minha própria lubrificação. Sua amiga aparece, senta-se num lado da cama e nos mostra um vibrador preto de duas cabeças.
 
— Estou louca pra ver como vocês vão foder uma à outra.
 
Olho para Emma e ela aproveita e me beija. Morde meus lábios e sussurra palavras carinhosas. Os dedos de Marisa continuam me invadindo enquanto eu respiro ofegante e me delicio com o momento. Instantes depois, ela para o que estava fazendo e leva sua boca safada de novo ao centro do meu desejo. Me deixa mais e mais molhada. Eu solto uns gritos, até que ela põe o vibrador de duas cabeças entre nós duas e diz:
 
— Você está muito caliente... Vamos foder.
 
Emma fica atrás de mim. Não me abandona. Está o tempo todo atenta a mim e ao que estou fazendo. Pega o vibrador e, após chupá-lo, vai metendo ele aos poucos me mim. Centímetro a centímetro, enquanto eu sinto aquele objeto me abrindo a carne, e solto um gemido.
 
— Sim... assim... — sussurra Emma no meu ouvido.
 
Quando Emma para, Marisa abre as pernas, pega a outra ponta do vibrador e se encaixa nele. Morde os lábios e geme enquanto o enfia em seu corpo e com isso se aproxima ainda mais de mim.
 
— Cuidado, pequena... — murmura Emma.
 
Me fixo em Marisa e em como, com seu olhar provocante, ela se move em busca do orgasmo. Mexe os quadris. O brinquedo entra em mim e nela, arrancando ondas de prazer em nós duas. Marisa faz um movimento com a pélvis, aproximando-se de mim, e eu grito, mas não me acovardo, e agora sou eu quem pressiona a pélvis contra o corpo dela. Esse jogo faz o vibrador entrar e sair de nós, proporcionando um prazer maravilhoso.
 
Sentadas uma diante da outra, Marisa me segura pelos braços e se move um pouco para a frente. Me olha, aperta os dentes e respira ofegante. Eu grito enlouquecida, mas, instantes depois, sou eu quem agarra seus braços e os aperta para ela gritar. Gritos... gemidos... tudo isso, somado às palavras de Emma em meu ouvido, faz nós duas gozarmos, sentadas na cama e unidas por um vibrador. Exaustas, nos deixamos cair para trás.
— Vamos... querida. —Diz Emma me puxando. —Você precisa de um banho de banheira. Me pega entre seus braços e eu me aninho nela. Beija minha testa.
 
— Te amo.
 
Sorrio.
 
— Também te amo.
 
A experiência que acabo de ter me deixa exausta, mas suas palavras fazem meu coração bater mais forte. Vejo a jacuzzi preparada, Emma me leva até lá e diz:
 
— Abaixa e se segura na borda.
 
Faço tudo o que ela pede. Me agacho e a água chega até a cintura. Que delícia! Ouço-a abrir o chuveiro. Deve estar tomando banho. Quando fecha a torneira, Emma entra na jacuzzi e começar a me ensaboar. Está com o cabelo preso em um coque alto, o que deixa seu rosto mais visível. É linda. Ela Lava meu cabelo, faz uma massagem na cabeça e a enxágua com delicadeza. Depois pede que eu me vire. Seus olhos cruzam com os meus. Continua ensaboando meu corpo e, enquanto o enxágua, me dá um beijo no ombro.
 
— Pronto, querida...
 
Emma está com sua típica cara de safada. Sai da jacuzzi e me estende a mão. Saio também. Minhas pernas tremem e eu a faço sentar-se na tampa da privada. Em seguida monto nela. Pego sua mão e a faço enfiar seus dedos em mim, bem lentamente.
 
— Meu Deus, Regina...
 
— Agora você... — sussurro ansiosa. — Agora você...
 
Fecho os olhos enquanto sinto que ela chega bem fundo dentro de mim. Jogo a cabeça para trás e contraio a pélvis. Emma respira ofegante e eu também. Sua mão esquerda agarra minha cintura e me aperta contra seu corpo. Gosto disso. Ela me enlouquece quando faz assim. Sentir ela em mim , entrando fundo me deixa mais excitada e eu volto a contrair a pélvis. Nós duas gememos.
 
— Assim... me possui. Você é minha.
 
Suas ordens são música para meus ouvidos.
 
Me esfrego nela e me contraio de novo, prendendo-a, e quanto mais fundo ela vai, mais eu sinto que ela vai me rasgar por dentro. Essa sensação é nossa. Eu a busco. Preciso dela. Só ela me chega tão fundo e eu quero mais.
Me inclino para trás e Emma geme em resposta à tensão eletrizante que sentimos. Abro a boca em busca de ar. Cada tranco meu é um gemido dela. Cada gemido dela é um tranco meu. O movimento dos meus quadris fica mais insistente, mais delirante. Seu ritmo mais forte, e, quando sinto que estou prestes a gozar, eu olho para ela e sussurro:
 
— Minha. Você é só minha.
 
Um grito gutural sai da sua garganta e outro da minha quando Emma enfia totalmente seus dedos em mim, e sentimos nossos fluidos escorrendo pelas nossas pernas. Nos abraçamos e o ritmo desacelera enquanto ela beija meus cabelos. Por vários minutos não nos mexemos, apenas ficamos abraçadas até que ela pega uma toalha seca e envolve meu corpo. Estremeço.
 
Emma começa a distribuir milhares de beijos carinhosos afastando o cabelo molhado de meu rosto. Continuo sentada em cima dela, ela continua com seus dedos dentro de mim. Escuto gemidos e imagino que os outras duas estão brincando no quarto.
 
— Emma.
— Que foi, amor?
 
— Você está bem?
 
Sorri ao notar minha preocupação com ela.
 
— Estou ótima, meu amor, e você?
 
— Extasiada.
 
— Meu castigo foi muito duro?
Abro um sorriso e beijo seu pescoço.
 
— Seus castigos me deixam louca.
 
Nós duas rimos e Emma me olha nos olhos.
 
— Espero que não tenham sido muito duros pra você.
 
Emma me dá um beijo na ponta do nariz e sussurra:
 
— Fico louca quando vejo que você está aproveitando, querida. Te oferecer é um prazer pra mim. Me dá um tesão que não consigo controlar e...
 
— Você está pedindo desculpas por isso?
 
Ela faz que sim e murmura:
 
— Regina... preciso fazer isso. Esses jogos não faziam parte da sua vida. Sei que você faz isso por mim e...
 
— ... e eu gosto — eu a interrompo. — Adoro que você me ofereça e fique assistindo. Isso, por mais que você não acredite, me dá o mesmo prazer que pra você. E, se te deixa louca que Helena, Marisa ou quem a gente escolher se enfie entre minhas pernas e brinque comigo, eu aceito. Aceito com prazer, porque aproveito tanto que um dia vou explodir.
 
— Tem certeza, querida?
 
Eu a encaro. Aproximo meu nariz do seu e sinto necessidade de perguntar:
 
— Na Alemanha a gente vai continuar com esses joguinhos?
 
Isso a pega de surpresa. Minha pergunta confirma a Emma o que ela desejava escutar e ela me abraça com alegria, antes de devorar minha boca.
 
— Na Alemanha eu te prometo tudo o que você quiser.

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