Capítulo 14
Quando meu despertador toca, sinto
vontade de morrer.
Estou cansada. Passei a noite em claro pensando no que ocorreu naquele bar. As palavras de Emma, seu olhar e o modo como aquelas mulheres me desejavam — tudo isso não me deixou dormir. No fim das contas, por volta das quatro da manhã, tirei o vibrador da mala e, após brincar um pouco com ele, consegui apagar meu fogo interno.
Assim como ontem, Amanda, Emma e eu saímos do hotel e o motorista nos levou até os escritórios para continuarmos a reunião. Hoje eu vim de calça. Não quero que aconteça a mesma coisa que ontem. Logo que me vê, Emma me olha de cima a baixo e, embora só tenha me dado bom-dia, pelo tom de sua voz eu percebo que ela já não está irritada.
Durante horas, enquanto escuto atenta a reunião, meu olhar e o de Emma se encontram várias vezes. Hoje ela não me manda nenhum e-mail, nem interrompe a reunião. Que alívio! Quero ser profissional no meu trabalho.
Às sete da noite, quando chegamos ao hotel, me despeço dela e de Amanda e subo para meu quarto. Estou morrendo de calor. Alguém toca a campainha. Abro e não me surpreendo quando vejo Emma. Me olha com determinação. Entra e fecha a porta, tira a jaqueta e a joga no chão, se aproxima de mim e me toma em seus braços e caminha até a cama com os olhos cheios de desejo.
— Ah, pequena... Estou morrendo de tesão por você.
Não precisa dizer mais nada. O desejo é mútuo, e a noite, longa e perfeita.
Quando acordo, às seis da manhã, Emma não está a meu lado. Foi embora, mas estou tão exausta por nossa maratona de sexo que volto a dormir.
Por volta das dez, o toque do meu celular me desperta. Corro para atender e leio uma mensagem de Emma: “Acorda.”
Pulo da cama e tomo uma chuveirada. É sábado. Hoje não temos nenhuma reunião e quero passar a maior parte do tempo com ela. Quando saio do banho, enrolada na toalha, alguém toca a campainha. Abro e encontro a maravilhosa Emma de jeans com cintura baixa e uma camisa branca de um pano tão fino, que chega aser meio transparente. Sua aparência é sedutora e selvagem. Ela está absurdamente gostosa.
Uau, que delícia que ela está!
— Bom dia, pequena.
— Oi! Olho para ela como se eu fosse uma colegial.
— Quer passar o dia comigo? — diz.
Sua pergunta me surpreende. Pela primeira vez, não está considerando nada garantido.
— Claro que quero!
— Ótimo! Vou te levar para almoçar num lugar delicioso. Põe o biquíni.
Sorrio concordando e ela entra na suíte.
— Se veste ou então meu almoço vai ser você — murmura com voz rouca.
Divertindo-me com suas palavras, corro para o quarto. Quando entro, ouço no rádio uma música que adoro, e, enquanto me visto, eu cantarolo:
Estou cansada. Passei a noite em claro pensando no que ocorreu naquele bar. As palavras de Emma, seu olhar e o modo como aquelas mulheres me desejavam — tudo isso não me deixou dormir. No fim das contas, por volta das quatro da manhã, tirei o vibrador da mala e, após brincar um pouco com ele, consegui apagar meu fogo interno.
Assim como ontem, Amanda, Emma e eu saímos do hotel e o motorista nos levou até os escritórios para continuarmos a reunião. Hoje eu vim de calça. Não quero que aconteça a mesma coisa que ontem. Logo que me vê, Emma me olha de cima a baixo e, embora só tenha me dado bom-dia, pelo tom de sua voz eu percebo que ela já não está irritada.
Durante horas, enquanto escuto atenta a reunião, meu olhar e o de Emma se encontram várias vezes. Hoje ela não me manda nenhum e-mail, nem interrompe a reunião. Que alívio! Quero ser profissional no meu trabalho.
Às sete da noite, quando chegamos ao hotel, me despeço dela e de Amanda e subo para meu quarto. Estou morrendo de calor. Alguém toca a campainha. Abro e não me surpreendo quando vejo Emma. Me olha com determinação. Entra e fecha a porta, tira a jaqueta e a joga no chão, se aproxima de mim e me toma em seus braços e caminha até a cama com os olhos cheios de desejo.
— Ah, pequena... Estou morrendo de tesão por você.
Não precisa dizer mais nada. O desejo é mútuo, e a noite, longa e perfeita.
Quando acordo, às seis da manhã, Emma não está a meu lado. Foi embora, mas estou tão exausta por nossa maratona de sexo que volto a dormir.
Por volta das dez, o toque do meu celular me desperta. Corro para atender e leio uma mensagem de Emma: “Acorda.”
Pulo da cama e tomo uma chuveirada. É sábado. Hoje não temos nenhuma reunião e quero passar a maior parte do tempo com ela. Quando saio do banho, enrolada na toalha, alguém toca a campainha. Abro e encontro a maravilhosa Emma de jeans com cintura baixa e uma camisa branca de um pano tão fino, que chega aser meio transparente. Sua aparência é sedutora e selvagem. Ela está absurdamente gostosa.
Uau, que delícia que ela está!
— Bom dia, pequena.
— Oi! Olho para ela como se eu fosse uma colegial.
— Quer passar o dia comigo? — diz.
Sua pergunta me surpreende. Pela primeira vez, não está considerando nada garantido.
— Claro que quero!
— Ótimo! Vou te levar para almoçar num lugar delicioso. Põe o biquíni.
Sorrio concordando e ela entra na suíte.
— Se veste ou então meu almoço vai ser você — murmura com voz rouca.
Divertindo-me com suas palavras, corro para o quarto. Quando entro, ouço no rádio uma música que adoro, e, enquanto me visto, eu cantarolo:
Muero por tus besos, por tu ingrata
sonrisa.
Por tus bellas caricias, eres tú mi alegría.
Pido que no me falles, que nunca te me vayas
Y que nunca te olvides, que soy yo quien te ama.
Que soy yo quien te espera, que soy yo quien te llora,
Que soy yo quien te anhela los minutos y horas...
Me muero por besarte, dormirme en tu boca
Me muero por decirte que el mundo se equivoca...
Por tus bellas caricias, eres tú mi alegría.
Pido que no me falles, que nunca te me vayas
Y que nunca te olvides, que soy yo quien te ama.
Que soy yo quien te espera, que soy yo quien te llora,
Que soy yo quien te anhela los minutos y horas...
Me muero por besarte, dormirme en tu boca
Me muero por decirte que el mundo se equivoca...
Quando me viro, Emma está apoiada no batente da porta, me observando.
— O que você está cantando?
— Você não conhece essa música?
— Não. Quem canta?
Termino de abotoar a calça jeans e respondo:
— Um grupo chamado La Quinta Estación. E a música se chama Me muero.
Emma se aproxima. Visto um top lilás e, sem conseguir deixar de sorrir, já imagino suas intenções. Me pega pela cintura.
— A música diz algo como “estou louco para te beijar”, não?
Faço que sim como uma boba. É impressionante como fico idiota ao lado dela...
— Pois é exatamente isso que está me passando pela cabeça agora mesmo, pequena.
Me toma entre seus braços. Me enlaça e me beija. Devora meus lábios com tamanho ímpeto que já quero que tire minha roupa e continue me devorando.
A música continua tocando, enquanto me beija... me beija... me beija. Mas de repente para, me solta e me dá um tapinha divertido na bunda.
— Termine de se vestir ou eu não respondo por mim.
Dou uma risada e entro rapidamente no banheiro para prender o cabelo num rabo alto. Quando saio, Emma está apoiada no aparador e olhando para fora. Seu perfil é incrível. Sexy. Quando me vê, sorri.
— O que você faz para ficar cada dia mais linda?
Feliz com esse elogio, abro um sorriso. Ela se aproxima de mim, segura meu pescoço e me beija. Uau! Depois se afasta e me olha nos olhos.
— Vamos logo antes que eu arranque sua roupa, pequena — murmura.
Em meio a risadas, chegamos à recepção do hotel. Ela não volta a me tocar nem se aproximar de mim mais que o necessário. Um jovem recepcionista, ao nos ver, chega mais perto e entrega umas chaves a Emma. Quando se afasta, olho para o chaveiro, movida pela curiosidade.
— Lotus?
Emma faz que sim com a cabeça e indica a porta do hotel, onde vejo estacionado um maravilhoso esportivo laranja.
— Uau! Um Lotus Elise 1600! Emma se surpreende.
— Senhorita Mills, além de entender de futebol, a senhorita também entende de carros?
— Meu pai tem uma oficina mecânica em Jerez — respondo orgulhosa.
— Gosta desse carro?
— Mas como não iria gostar? É um Lotus! — respondo. — Você vai me deixar dirigir, né? — digo, sem me aproximar dela, apesar da vontade que sinto.
Sem sorrir, Emma me olha... me olha... me olha e, por fim, joga as chaves para o alto e eu pego.
— Todo seu, pequena.
Quero me atirar no seu pescoço e beijá-la, mas me controlo. Ao fundo, vejo Amanda nos olhando com curiosidade e não quero que ela saiba de nada, embora eu tenha consciência de que ela já está tirando suas próprias conclusões. Que se dane! Sua cara diz tudo, e dá para sacar que ela está muito... muito irritada.
Emma e eu atravessamos a porta do hotel e, assim que entramos no carro e eu arranco, ligo o rádio. A música Kiss, do Prince, está tocando e eu movimento os ombros empolgada. Emma olha para mim e, brincando, faz cara de contrariada. Divertindo-me, sorrio por sua expressão e, antes que ela diga qualquer coisa, coloco meus óculos escuros.
— Manda ver, menina.
O dia tem tudo para ser maravilhoso. Estou dirigindo um Lotus incrível ao lado de uma mulher mais incrível ainda. Quando saímos de Barcelona em direção a Tarragona, me desvio por uma estradinha. Emma não olha.
— Não sei se você sabe, mas já passei muitos verões em Barcelona — digo.
— Não. Não sabia.
Sinto a adrenalina no auge enquanto dirijo.
— Vou te levar num lugar onde você vai poder experimentar esta maravilha. Você vai ver. Vai enlouquecer!
Com sua seriedade habitual, Emma olha para mim e diz:
— Regi... essa estrada não é para um carro como esse.
— Fica quietinha.
— O pneu vai furar, Regi.
— Cala a boca, sua estraga-prazeres!
Minha adrenalina vai a mil.
Continuo e vamos passando por várias poças d’água. O carro brilhante se enche de lama e Emma me olha. Eu cantarolo e finjo que nem estou reparando. Sigo meu caminho, mas, de repente, ah, ah...! O carro faz um movimento estranho e sinto que o pneu furou.
A adrenalina, a alegria e o bom humor se apagam em décimos de segundos e penso num palavrão. Com certeza ela vai dizer que me avisou e terei que concordar e ficar quieta. Reduzo a velocidade e, quando paro, mordo o lábio e olho para Emma com cara séria:
— Acho que o pneu furou.
Ela me encara com uma expressão irritada. Já percebi que Emma não gosta de imprevistos. Estamos no meio da estrada, ao meio-dia, com o sol a pino. Sem dizer nada, sai do carro e bate a porta com força. Eu saio também. Finjo ignorar seu gesto brusco com a porta. O carro está imundo e cheio de lama. Nada a ver com o lindo e reluzente carro que comecei a dirigir há apenas quarenta minutos. O pneu furado é bem o da frente e do lado do motorista. Emma fecha os olhos e suspira fundo.
— Ok, o pneu furou. Mas tudo bem. Não vamos entrar em pânico. Se o estepe está onde deve estar, eu troco rapidinho.
Não responde. Mal-humorada, anda até a traseira do carro, abre o porta-malas e vejo que tira um pneu e as ferramentas necessárias para trocá-lo. Irritada, se aproxima de mim, solta a roda no chão e me diz com as mãos sujas de graxa:
— Você pode sair da frente?
Suas palavras me deixam furiosa. Não apenas pelo tom, mas pelo que dão a entender.
— Não — respondo sem me mover um centímetro —, não posso sair da frente.
Minha resposta o surpreende.
— Regi — diz —, você acabou de estragar um dia lindo. Não o estrague mais ainda.
Ela tem razão. Cismei de entrar por aquele caminho, mas não gosto que ela fale desse jeito comigo.
— É você quem está estragando o dia lindo com sua falta de educação e sua cara emburrada — respondo, incapaz de ficar de boca fechada. — Porra! O pneu furou. Só isso. Não seja tão exagerada.
— Exagerada?!
— Sim, terrivelmente exagerada. E agora, por favor, saia da frente que eu mesma vou trocar esse pneu sozinha e apagar meu erro terrível e irreparável.
Emma está suando. Eu também. O sol não nos dá descanso e não trouxemos nem uma mísera garrafa de água para nos refrescarmos. Vejo a aflição em seu rosto, em seu olhar.
— Tudo bem, espertinha — ela diz, abrindo as mãos.
— Agora você vai trocar o pneu sozinha.
Em seguida começa a andar até uma árvore que está a uns dez metros do carro. Quando chega à sombra, Emma senta e me observa.
A fúria me domina por dentro e começa a pinicar meu pescoço. Maldita urticária! Sem parar para pensar nisso, ponho o macaco por baixo do carro e começo a fazer força para erguê-lo. O esforço me faz suar mais ainda. Estou ensopada de suor. Meus seios e minhas costas estão encharcados, alguns fios de cabelos que estão soltos do cabo de cavalo, grudam no meu pescoço mas eu continuo determinada, sem dar o braço a torcer.
Sou forte e autossuficiente!
Após um esforço terrível em que sinto que vou desmaiar, consigo retirar o pneu furado. Me sujo toda de graxa, mas não há o que fazer. Quando estou prestes a gritar de frustração, sinto Emma me agarrando pela cintura.
— Tá bom, você já provou que sabe fazer isso sozinha — diz com voz suave. — Agora, por favor, fica na sombra e eu termino de pôr a roda.
Quero dizer não. Mas estou com tanto... tanto calor que das duas uma: ou eu fico debaixo da árvore ou com certeza vou desmaiar.
Dez minutos depois, Emma liga o carro, dá uma volta e se aproxima de mim de marcha a ré.
— Vamos... suba.
Irritada, faço o que me pede.
Estou suja, furiosa e morrendo de sede.
Ela está igual, mas reconheço que seu humor está melhor que o meu. Dirige com cuidado pela droga de caminho e pega a autoestrada. Quando avista um enorme posto de gasolina, para o carro, olha na minha direção e pergunta:
— Quer beber alguma coisa bem gelada?
— Não... — Ao ver como me olha, acrescento: — Claro que quero beber alguma coisa. Estou morrendo de sede, você não está vendo?
— Posso saber o que te deu agora?
— O que me deu é que você é uma rabugenta. É isso que me deu.
— O quê?! — pergunta, surpresa.
— Sério, você acha que, só porque um pneu furou e você sujou sua roupa de graxa, o dia lindo foi por água abaixo? Por favor! Como é pequeno seu senso de humor e de aventura... Só podia ser alemã.
Faz menção de responder algo, mas se cala. Respira bufando, sai do carro e entra no posto de gasolina. Então vejo a meu lado um lava-jato manual e não penso duas vezes. Arranco com o carro, ponho o veículo em paralelo, enfio três euros na maquininha e a mangueira da água começa a funcionar. A primeira coisa que faço é molhar minhas mãos e tirar a graxa toda. E o calor é tão forte que solto o cabelo e, sem me importar com quem possa estar vendo, coloco a cabeça embaixo do jato de água. Ai, que geladinho! Uma delícia!
Quando minha cabeça já está refrescada, recupero o bom humor. Emma sai da loja de conveniência do posto com duas garrafas grandes de água e uma Coca-Cola, e vem até mim, surpresa.
— O que você está fazendo?
— Me refrescando e, de quebra, aproveitei para lavar o carro. — E, sem avisar, viro a mangueira na direção dela e a molho, morrendo de rir.
Sua expressão é impagável.
As pessoas nos olham e eu já começo a me arrepender do que estou fazendo. Meu Deus, que cara irritada! Essa minha espontaneidade vai me trazer problemas, e estou vendo que não vai demorar muito. Mas, para minha surpresa, Emma põe as garrafas de água e a Coca-Cola no chão.
— Tudo bem, meu amor, você pediu!
Corre na minha direção, me rouba a mangueira e me encharca inteira. Eu grito, rio e corro em volta do carro enquanto ela se diverte com o que está fazendo. Por alguns minutos nos molhamos uma a outra, e nossa raiva se desfaz junto com a lama e a sujeira. As pessoas nos olham achando graça da cena, enquanto nós, como duas crianças, continuamos nos molhando e caindo na gargalhada.
Quando a água para de repente porque os três euros já acabaram, estou ensopada e apoiada na porta do carro. Emma solta a mangueira e se gruda no meu corpo antes de me beijar. Devora minha boca com verdadeira paixão e me deixa arrepiada.
— Alguém tão imprevisível como você está conseguindo emocionar uma alemã rabugenta.
— Jura? — murmuro como uma boba.
Emma faz que sim e me beija.
— Onde você esteve a minha vida toda?
Grande momento!
Cena de filme! Me sinto a heroína. Sou Julia Roberts em Uma linda mulher. Babi em Tres metros sobre el cielo. Nunca ninguém me disse algo tão bonito num momento tão perfeito. Após um monte de beijos ardentes, decidimos ir embora. Estamos encharcadas e colocamos toalhas nos bancos de couro do carro. Emma me entrega as chaves do Lotus outra vez.
— Continuemos a aventura — murmura.
Entre risadas, chegamos a Sitges. Estacionamos o carro, e não me surpreendo quando, depois de guardar as chaves na minha bolsa, Emma busca minha mão. E, como um casalzinho, caminhamos de mãos dadas pelas ruas dessa bonita região.
O calor seca nossas roupas e Emma me leva a um restaurante maravilhoso onde almoçamos enquanto observamos o mar. Nossa conversa flui com facilidade, ou, melhor, a minha conversa flui com facilidade. Não paro de falar e ela sorri. Poucas vezes a vi assim. Nessa hora, nem ela é minha chefe nem eu sou sua secretária. Somos apenas um casal que aproveita um momento agradável.
À tarde, por volta das seis, decidimos dar um mergulho. Assim que entramos na água, Emma me pega em seus braços e caminha comigo até mais para o fundo, depois me solta e eu acabo engolindo um pouco de água. Ah, isso não vai ficar assim! Disposta a fazê-la pagar pela travessura, coloco uma perna entre as suas e, quando ela menos espera, eu vou lá e o afundo. Isso o surpreende, e agora preciso fugir dela, mas Emma me segura de novo e me afunda no mar.
Passamos um tempinho divertido na água e, quando saímos, nos atiramos sobre nossas toalhas na areia e nos secamos ao sol em silêncio. A moleza me domina e estou quase caindo no sono quando Emma se levanta e me propõe tomar alguma coisa gelada. Aceito imediatamente. Recolhemos nossas coisas e vamos a um quiosque.
Emma vai pedir as bebidas enquanto eu me sento numa mesinha e meu telefone toca. Minha irmã. Fico na dúvida se atendo ou não, mas ao fim decido que não e interrompo a chamada. O celular toca outra vez e eu acabo cedendo.
— Fala, sua chata.
— Chata? Como chata? Te liguei mil vezes, sua ingrata.
Sorrio. Não me chamou de “maninha”. Está chateada. Minha irmã é uma figura, mas, como não estou a fim de ficar três horas conversando com ela, pergunto logo:
— O que houve, Mary?
— Por que você não me liga?
— Estou muito enrolada. O que você quer? — pergunto enquanto observo Emma pedindo as bebidas e logo digitando alguma coisa no celular.
— Falar contigo, fofaaaaa.
— Mary, querida, posso te ligar mais tarde? Agora não estou podendo falar.
Do outro lado da linha, ela suspira.
— Tudo bem, mas me liga mesmo, tá?
— Beijossss.
Encerro a ligação e fecho os olhos.
A brisa do mar sopra no meu rosto e eu estou feliz.
O dia está sendo maravilhoso e eu não quero que acabe nunca.
O telefone toca outra vez e, convencida de que é minha irmã, respondo:
— Caramba, mas como você é mala, Mary. O que te deu?
— Oi, gostosa, sinto dizer que não sou a mala da Mary.
Logo percebo que é Robin, o filho do Bicho. Mudo o tom da voz e solto uma gargalhada.
— Oi, Robin, desculpa! Acabei de desligar com a minha irmã e você sabe como ela é chata... Escuto sua risada.
— Onde você está? — pergunta.
— Em Sitges, Barcelona.
— Fazendo o quê aí?
— Trabalhando.
— No sábado?
— Nããããão... hoje não. Hoje estou curtindo o sol e a praia.
— Com quem?
A pergunta me pega tão de surpresa que nem sei o que responder.
— Com um pessoal da minha empresa — digo, por fim.
Emma se aproxima. Deixa em cima da mesa uma Coca com muito gelo e uma cerveja, e se senta ao meu lado.
— Quando você vem a Jerez? Já estou te esperando.
— Daqui a alguns dias.
— Vai demorar tanto assim?
— Acho que sim.
— Que merda — ele diz.
Incomodada com a forma como Emma me observa e escuta a conversa, respondo:
— Você aproveite bem aí. Já sabe que não precisa sofrer por mim.
Robin suspira. Não gostou nem um pouco das minhas palavras, e acrescenta:
— Só vou aproveitar quando você chegar. As férias sem minha conterrânea preferida não têm a menor graça.
Seu comentário me faz rir.
Emma olha para mim.
— Ah, Robin, não seja bobo. Você vai ficar bem e, quando eu chegar aí, te dou um toque e a gente se vê, ok?
Após nos despedirmos, fecho o celular, deixo na mesa e pego a Coca-Cola. Estou morrendo de sede. Por alguns segundos, Emma me olha enquanto bebo.
— Quem é Robin?
Deixo o copo em cima da mesa e tiro o cabelo do rosto.
— Um amigo de Jerez. Queria saber quando vou pra lá.
De repente me dou conta de que estou lhe dando explicações. O que estou fazendo? O que deu em mim?
— Um amigo... muito amigo? — insiste.
Sorrio ao pensar em Robin.
— Digamos que só amigo.
A mulher maravilhosa que está a meu lado balança a cabeça concordando e olha para o horizonte.
— Qual é o problema? Você não tem amigas?
— Tenho... e com algumas eu faço sexo. Você faz sexo com Robin?
Se eu pudesse me ver, veria a cara de idiota que fiz ao ouvir a pergunta de Emma.
— Às vezes. Quando estamos a fim.
— É bom com ele?
Essa pergunta tão íntima me parece totalmente fora de lugar.
— É.
— Tão bom quanto comigo?
— É diferente. Você é você, ele é ele.
Emma crava os olhos em mim e me observa... me observa e me observa.
— Você está certa, Regi. Aproveite sua vida e o sexo.
Depois disso, não pergunta mais nada sobre Robin. Nossa conversa continua, e o clima bom entre nós também.
Às sete da noite, decidimos voltar a Barcelona. De novo Emma me dá as chaves do Lotus e eu dirijo fascinada, curtindo o momento.
Mais tarde, quando chegamos ao hotel, Emma pede que nos tragam algo para comer no meu quarto e durante horas transamos de forma selvagem.
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