Capítulo 15
O fim de semana passa e na
segunda-feira pegamos um avião até Guipúzcoa. A atitude de Amanda em relação a
mim não mudou quase nada. Está mais distante e agressiva, mas com Emma ela não
é assim. Fico irritada com o esforço que ela faz para que ela não preste
atenção em mim. Mas o tiro sai pela culatra o tempo todo. Emma, em suas funções
de chefe, me solicita continuamente, e isso tira Amanda do sério. As reuniões
se sucedem e, após Guipúzcoa, vamos às Astúrias.
Durante o dia, Emma e eu trabalhamos lado a lado como chefe e secretária, e à noite brincamos e curtimos uma a outra. Sua luxúria parece algo inato, e cada vez que estamos juntas ela me enlouquece com a forma como me faz fantasiar e com seu jeito de me tocar e de me possuir. Adora olhar para mim enquanto me masturbo com o vibrador que ela me deu de presente — capricho que eu lhe concedo com muito prazer. O prazer que me faz sentir é tanto que sinto vontade de ir de novo a uma casa de swing e experimentar o mesmo da outra vez. Quando confesso isso, Emma cai na gargalhada e, ao me penetrar, imagina que outra pessoa está me possuindo enquanto ela observa. Essa fantasia me deixa louca.
Na quarta-feira, quando chegamos a Orense, vamos direto para uma reunião. No caminho, Emma fala por telefone com uma tal de Marta e se mostra irritada. O dia passa e ela termina se estressando pela falta de profissionalismo do chefe da sucursal. Não preparou nada do que era necessário, e Emma reage muito mal. Tento interferir para apaziguar os ânimos, mas Emma, minha chefe, acaba me repreendendo e me mandando calar a boca.
Na viagem de volta, o humor de Emma está péssimo. Amanda olha para mim com ar de superioridade e eu tenho vontade de matá-la.
Quando chegamos ao hotel, Emma pede a Amanda que desça do carro e nos deixe um minuto a sós. Ela obedece e, assim que fecha a porta, Swan olha para mim com uma expressão que me magoa.
— Que esta tenha sido a última vez que você fala numa reunião sem que eu peça.
Entendo sua irritação. Ela está certa e, embora sua bronca tenha me magoado, quero pedir desculpas, mas ela me interrompe:
— No fim das contas a Amanda pode ter razão. Tua presença não é necessária.
Me dá muita raiva ouvir Emma mencionando essa mulher e saber que ela fala de mim.
— Não estou nem aí para o que essa idiota diz sobre mim.
— Mas talvez eu, sim, esteja aí — replica.
Passa a mão nos cabelos em forma de exasperação, e nos olhos. Sua cara não está nada boa. O telefone dela toca. Emma olha para o aparelho e interrompe a chamada. E, numa tentativa de amenizar o mal- estar entre nós, murmuro:
— Você está com uma cara péssima. Está com dor de cabeça?
Sem responder, me lança seu olhar impiedoso.
— Boa noite, Regi. Até amanhã.
Olho para ela, surpresa. Está me expulsando?
Com a dignidade que me resta, abro a porta do carro e saio. Amanda espera a poucos metros e prefiro não olhar para ela quando passo a seu lado, senão vou acabar partindo para cima dessa mulher. Vou direto para o quarto.
Na manhã seguinte, quinta-feira, quando o despertador toca às 7h20, eu solto um palavrão. Quero dormir mais.
Em meio a grunhidos, me levanto e ando até o chuveiro. Preciso da água fria no meu corpo para me acordar.
Debaixo d’água, me lembro de que já é quinta-feira e isso me deixa alegre. Em breve Emma e eu teremos o fim de semana inteiro para ficarmos juntas. Ótimo! Quando volto para o quarto, enrolada numa toalha felpuda de cor creme que tem um cheiro maravilhoso, dou uma olhada na mesinha de cabeceira.
— Ah, vibradorzinho! Adorei nossa noite ontem.
Solto umas risadas. Em cima de lenços de papel está o vibrador em formato de batom que usei ontem à noite para relaxar. Pego o presentinho de Emma. Suspiro enquanto me lembro da explosão de prazer que senti ao brincar com ele.
Bem-humorada desde cedo, pego o vibrador e volto ao banheiro. Passo uma água nele e o coloco na bolsa. Agora já não esqueço mais. Eu e o vibradorzinho, juntos até a morte. Abro a mala e pego uma calcinha. Enquanto a coloco, lembro que tenho que pedir a Swan que me devolva a que ela roubou de mim, ou então vai ficar faltando calcinha para os próximos dias. Minha irritação desapareceu completamente. Tenho certeza de que a dela também e de que temos um dia maravilhoso pela frente.
Dou uma olhada no armário e escolho um conjunto azul com saia justa e uma camisa aberta. Hoje quero estar sexy para que Emma sinta vontade de voltar logo ao hotel.
Às oito, alguém toca a campainha do meu quarto e, segundos depois, uma camareira muito gentil deixa um lindo carrinho com o café da manhã e em seguida vai embora. Quando levanto as tampas das travessas, pulo de felicidade ao ver a quantidade de bolinhos que tenho diante de mim. Pego uma cadeira e me sento. Bebo um pouco de suco de laranja. Hummmm, que delícia! Tomo um café com um minissanduíche. Depois como um pão doce e, quando estou quase atacando uma rosquinha, me controlo e consigo vencer a tentação. Muita comida!
O celular apita. Recebi uma mensagem. Emma. “8h30 na recepção.” Que direta! Nem um simples “Bom dia, pequena”, “Regi” ou o que for.
Mas, sem tempo a perder e ansiosa para vê-la de novo, pego minha pasta. Enfio nela o notebook e os documentos de ontem. Hoje vamos a outra sucursal das Astúrias, e só espero que o dia transcorra melhor do que ontem.
Ao chegar à recepção, vejo Emma apoiada numa mesa.
Está incrível com seu terninho preto e sua camisa de ceda branca. Noto que seu lindo cabelo ainda está um pouco molhado do banho e estremeço. Teria adorado tomar banho com ela.
Duas mulheres que passam a seu lado se viram e ficam olhando. Normal. É uma mulher muito atraente. Ao passarem a meu lado, observo suas caras e percebo que estão cochichando. Imagino sobre o que falam. Decidida, caminho em meus saltos altos na direção dela e passo a mão nas suas costas enquanto a observo lendo concentrada o jornal. Quando chego bem à sua frente, eu a cumprimento com voz melosa:
— Bom dia!
Emma não olha para mim.
— Bom dia, senhorita Mills.
Mas peraí... voltamos aos malditos sobrenomes?
Não esperava que ela me pegasse em seus braços e sorrisse para mim como se fosse minha namorada. Mas, por favor, um pouco mais de cordialidade após uma noite separadas!
Sua indiferença me desconcerta.
Por que não olha para mim?
Mas, sem querer entrar no jogo de gato e rato, continuo a seu lado esperando que decida quando vamos sair. Dou uma olhada no relógio. Oito e meia. Olho para a entrada do hotel e vejo a limusine esperando. Por que continuamos parados aqui? Emma ignora minha presença e segue lendo o jornal com expresão tensa. Será que ainda está irritada? Tenho vontade de perguntar, mas não quero tomar a iniciativa. Não quero dar o primeiro passo.
Não me mexo. Minha respiração mal se ouve. Tenho certeza de que está esperando algum movimento da minha parte para logo soltar suas palavras ácidas. As pessoas, em sua maioria executivos como nós, passam ao nosso lado. São 8h35. Me espanta que ainda estejamos aqui, já que Emma é obcecada com horário. Já são 8h40. Continua muito calma, sem se importar com o fato de eu estar parada a seu lado como uma idiota, quando ouço uns saltos acelerados. Amanda, com um blazer e uma saia branca, se aproxima de nós.
Nem olha na minha cara. Só tem olhos para Emma, a quem se dirige em alemão:
— Desculpa a demora, Emma. Um probleminha com minha roupa.
Vejo que ela sorri. Olha para ela, examinando-a de cima a baixo com seus olhos verdes.
— Não se preocupe, Amanda. A demora valeu a pena. Dormiu bem?
Ela sorri. — Sim — responde, sem se importar com minha presença.
— Consegui dormir um pouco.
Disse “Consegui dormir um pouco”? Peraí, o que essas idiotas estão dando a entender? Ela sorri, toda boba após a farra da noite anterior, e toca na cintura dela.
Essa intimidade me incomoda. Acho repugnante. E ao mesmo tempo seus sorrisos me revelam muitas coisas.
Respiro com dificuldade ao me dar conta do que houve entre essas duas, e tenho vontade de gritar e espernear. De repente, Emma apoia a mão nas costas de Amanda e, tocando rapidamente sua cintura, diz:
— Vamos, o motorista está esperando.
E, sem olhar para mim, começa a caminhar com essa mulher a seu lado e me ignora completamente.
Eu as observo petrificada.
Não sei o que fazer. Um ciúme incontrolável que até então eu não havia sentido se instala no meu estômago, e estou com vontade de pegar o lindo jarro de cima da mesa e quebrar na cabeça dela.
Meu coração está a mil. Sua batida é tão forte que tenho a sensação de que a recepção inteira consegue ouvir. Aquilo me humilha, me aborrece, e ela continua impossível.
Idiota!
A frieza de Emma continua e eu não entendo por quê. Mas não. Não vou aceitar isso. Emma não me conhece, e ninguém ousa me humilhar dessa forma.
Começo a caminhar atrás delas.
Se essa babaca alemã acha que vou armar um barraco, ela acertou. Não vou deixar por menos! Quando chegamos à limusine, o motorista abre a porta. Amanda entra, em seguida Emma entra e, na minha vez de entrar, ela faz um gesto com a mão.
— Senhorita Mills, sente-se na cabine da frente com o motorista, por favor.
Putz! Que golpe desgraçado que ela me dá bem na frente de Amanda. Mas, surpreendentemente, sorrio com frieza e digo:
— Como a senhora quiser, senhora Swan.
Estou furiosa. Irritada. Exasperada.
Não gosto desse joguinho e não entendo por que ela faz isso comigo.
Instintivamente cravo as unhas nas palmas das mãos, até que o motorista me pergunta:
— Quer ouvir música, senhorita?
Faço que sim com a cabeça. Não consigo falar nada. Coloco meus óculos escuros e escondo meus olhos. De repente, começa a tocar a música de Dani Martín Mi lamento e eu sinto muita vontade de chorar.
Meus olhos estão ardendo e as lágrimas imploram para sair. Mas não. Não vou chorar. Engulo as lágrimas e tento curtir a música e a viagem. Chego até a cantarolar. Durante os 45 minutos do trajeto, minha mente trabalha a toda velocidade. O que aquelas duas estão fazendo ali atrás? Por que Emma me pediu para sentar na frente? Por que continua chateada comigo? Quando o carro para, desço sem esperar que o motorista abra a porta para mim. Que ele faça isso as duas lá de trás. As patroas.
Assim que desço, sorrio ao ver Penélope. É a secretária dessa sucursal e entre nós duas sempre rolou uma química. Mas uma química do bem. Decente. O motorista abre a porta, e Emma e Amanda saem do carro. Não me viro para elas. Me limito a olhar para a frente com meus óculos escuros.
Emma cumprimenta Gutiérrez, o chefe da sucursal, e o pessoal da diretoria. Apresenta todos eles a Amanda e depois a mim. Com profissionalismo, aperto as mãos deles para depois acompanhá-los até uma sala. Mas agora, em vez de ir atrás de Emma e Amanda, me demoro para poder cumprimentar Penélope. Damos dois beijinhos e entramos na sala conversando.
Antes de nos sentarmos, umas senhoras nos oferecem café. Aceito com prazer. Preciso de café. Tomo três. Conforme o tempo vai passando, a distância de Emma e a conversa com Penélope começam a me acalmar. Nesse momento, percebo que Emma se vira. É só um instante, mas sei que olhou para mim. Me procurou.
Penélope e eu continuamos conversando e nós duas rimos, quando ela conta algumas coisas da filha dela. É uma mãezona e isso me comove. Dez minutos depois, todos nós passamos à sala de reuniões, nos acomodamos em nossos lugares e, como sempre, Emma senta à cabeceira da mesa. Amanda fica à sua direita e eu tento me colocar num segundo plano. Não quero olhar para ela. Não sinto vontade.
— Senhorita Mills — ouço minha chefe me chamar.
Sem hesitar, me levanto e me aproximo dela com profissionalismo.
Seu perfume invade minhas narinas e me desperta mil sensações, mil emoções. Mas consigo manter inabalada a expressão do meu rosto.
— Sente-se na outra ponta da mesa, por favor. De frente para mim.
Eu vou matá-la... matá-la e matá-la.
Não quero olhar para ela, nem quero que olhe para mim. Mas, disposta a ser a secretária perfeita, pego meu notebook e me sento onde ela indica. Do outro lado da mesa, de frente para ela.
A reunião começa e eu fico atenta a tudo que falam. Não olho para ela e acho que ela também não está me olhando. Estou com o notebook aberto diante de mim e temo receber alguma mensagem de Emma. Por sorte, não chega nenhuma. À uma da tarde, a reunião é interrompida. Hora do almoço. O chefe da sucursal reservou mesa num hotel próximo, e Penélope me convida para ir no carro dela. Aceito.
Sem olhar para Icewoman, que está ao lado de Amanda, passo reto por ela, até que a ouço me chamar. Peço a Penélope que me dê um segundo e vou até minha chefe.
— Vai aonde, senhorita Mills?
— Ao restaurante, senhora Swan.
Emma olha para Penélope.
— Pode vir conosco na limusine.
Ótimo. Agora a desconfiada é ela.
Que se dane!
Amanda nos olha. Não entende o que estamos dizendo. Falamos em espanhol, e imagino que isso a incomode.
— Obrigada, senhora Swan, mas, se não se importa, irei com Penélope.
— Me importo — responde.
Não há ninguém ao nosso redor. Ninguém pode nos escutar.
— Pior para a senhora.
Dou as costas a ela e saio.
Dá-lhe, fúria espanhola!
Espanha 1 – Alemanha 0.
Sei que acabo de cometer a maior imprudência que uma secretária pode fazer. E ainda maior em se tratando de Emma. Mas eu precisava disso. Precisava fazê-la se sentir como eu me sinto.
Sem pensar nas consequências, entre elas a demissão certa, ando até Penélope e seguro seu braço com intimidade. Entramos em seu Opel Corsa e nos dirigimos ao restaurante, enquanto começo a pensar no desemprego. Depois dessa, vou ser demitida com certeza.
Quando chego ao estabelecimento, corro com Penélope para tomar várias Coca-Colas.
Ai, meu Deus! Como gosto de sentir suas borbulhas na minha boca... Mas até as borbulhas se desfazem quando vejo entrar Emma, seguida de Amanda e dos outros chefes. Olha na minha direção e posso perceber sua irritação. Os diretores entram no salão e rapidamente se acomodam em seus lugares. Emma faz menção de se sentar, mas logo se desculpa com seus colegas e me faz um sinal com a mão. Eu e Penélope a avistamos, e não posso me recusar a ir.
Dou mais um gole na minha Coca, que deixo no balcão e me aproximo de Emma.
— Diga-me, senhora Swan. Em que posso ajudá-la?
Emma abaixa a voz e, sem alterar a expressão de seu rosto, pergunta:
— O que você está fazendo, Regi?
Surpresa por voltar a ser “Regi”, respondo:
— Tomando uma Coca. Zero, por sinal, que engorda menos.
Minha resposta irreverente a desespera. Sei disso e gosto disso.
— Por que você está me irritando o tempo todo? — pergunta, me deixando desconcertada. Que cinismo...!
— Eu?! — sussurro. — Mas que cara de...
Seu olhar é tenso. Duro e desafiador.
Suas pupilas se contraem e me dizem algo, mas hoje eu não quero entendê-las. Recuso-me.
— Vá para o salão — me diz, antes de se virar. — Vamos almoçar.
Quando eu e Penélope chegamos ao salão, nos sentamos na outra ponta da mesa. Meu celular toca: minha irmã! Decido ignorá-la outra vez, não estou a fim de escutar seus resmungos. Mais tarde ligo de volta. A comida está ótima e eu continuo de papo com minha amiga.
De vez em quando, lanço olhares na direção da minha chefe e vejo que ela sorri para Amanda. Minha desconfiança aumenta. Mas, quando seus olhos cruzam com os meus, me sinto arder. Meu corpo se incendeia. Seu olhar de Icewoman consegue fazer com que todas as minhas terminações nervosas se agitem ao mesmo tempo e eu me queime inteira.
Às quatro e meia, voltamos à sede da empresa. Eu, claro, pego carona com Penélope. A reunião recomeça e só acaba às sete. Estou exausta!
Quando tudo acaba, Amanda, Emma e eu nos dirigimos até a limusine que nos espera e, sem dar tempo a Emma para me humilhar de novo, me sento logo ao lado do motorista. Nem vem!
Eu as ouço falar. Inclusive escuto Amanda cochichando e rindo como uma galinha. Ouço o que falam e fico morrendo de raiva. Não gostaria de me sentir assim. Só de olhar para Amanda já dá para saber o que ela procura. Cadela!
Imagino que vão fechar os ambientes da limusine, mas desta vez Emma não dá essa ordem. Quer que eu fique a par de toda a conversa. Fala em alemão, e ouvi-la me deixa agitada. Me provoca.
Ao chegar ao hotel, a limusine para. Abro minha porta, desço. Desejo com todas as minhas forças perder de vista Emma e essa imbecil, mas espero educadamente que minha chefe e sua acompanhante desçam do carro. Depois me despeço e vou embora.
Quase corro até o elevador e, quando as portas se fecham, suspiro aliviada. Enfim, sozinha!
O dia foi horrível e quero desaparecer. Quando chego à suíte, jogo a pasta no lindo sofá. Ligo o som. Solto o cabelo, tiro o blazer e ponho a blusa para fora da saia. Preciso de um banho.
Então ouço batidas na porta. Minha mente me diz que é ela. Olho ao redor. Não tenho escapatória, a menos que me jogue do topo do prédio e morra espatifada em pleno asfalto. Que desgosto para o meu pobre pai! Nem pensar!
Decido ignorar as batidas. Não quero abrir, mas a pessoa do outro lado insiste. Cansada, finalmente abro a porta e qual não é minha surpresa quando vejo Amanda na minha frente. Me olha de cima a baixo.
— Posso entrar? — pergunta em alemão.
— Claro, senhorita Fisher — respondo também em seu idioma.
A mulher entra. Fecho a porta e me viro.
— Você vai ficar por aqui no fim de semana, como fez em Barcelona? — pergunta, antes que eu possa dizer qualquer coisa.
Faço o que Emma costuma fazer. Contraio a expressão do meu rosto. Penso... penso e penso e por fim respondo:
— Vou.
Minha resposta a deixa irritada. Passa as mãos pelo cabelo e depois as coloca na cintura.
— Se sua intenção é ficar com ela, pode esquecer. Ela vai estar comigo.
Enrugo a testa, como se ela falasse chinês e eu não entendesse nada.
— Do que está falando, senhorita Fisher?
— Você e eu sabemos muito bem do que estou falando. Não se faça de desentendida. Vai me dizer que você não é uma espanhola sem um tostão furado que vê em Emma uma oportunidade?
Fico boquiaberta pelo que ela acaba de dizer. Pisco os olhos e deixo cair a máscara que carrego dentro de mim.
— Olha, querida, você está se confundindo comigo. E, se você continua por esse caminho, vai ter problemas, porque eu não sou de ficar de bico calado, não. Portanto, cuidado com o que diz, senão vai ter que passar por cima de uma espanhola sem um tostão furado.
Amanda se afasta um passo de mim. Deve ter levado a sério minha advertência.
— Acho que o mais inteligente da sua parte seria se afastar dela — acrescenta. — Eu própria vou me encarregar de tudo o que Emma precisar. Eu a conheço muito bem e sei como satisfazer suas vontades.
Aperto os punhos. Tão forte que acabo cravando as unhas neles. Mas estou consciente de que não posso agir como gostaria. Então conto até vinte, porque até dez não é suficiente, ando até a porta e a abro.
— Amanda — digo, com toda a gentileza de que sou capaz —, saia já do meu quarto porque, se continuar aqui, algo terrível vai acontecer.
Quando ela vai embora, bato com a porta enquanto solto os maiores palavrões. Tiro os sapatos e os atiro com fúria no sofá. Que ódio!
Minha indignação me enlouquece. Emma estava me usando para colocar ciúmes naquela boneca inflável. Xingo tudo e todos e dou um chute na poltrona chique. Como fui tão imbecil? Sem querer pensar em mais nada, tiro meu notebook da pasta, até que meu celular apita. Recebo uma mensagem. Emma. “Venha ao meu quarto.”
Ler isso me deixa ainda mais irritada. Sempre me considerei uma bonequinha em seus braços, mas neste momento me dou conta de que sou uma boneca idiota. Digito com raiva: “Vai à merda.”
A resposta chega rápido.
Ao fim de alguns segundos, ouço o barulho de uma porta se abrindo e, bem na minha frente, aparece Emma sem camisa, apenas com seu top, com cara de chateada e a chave na mão. Sem dizer nada, aproxima-se de onde estou sentada, me pega pelo braço, me levanta e me beija. Me beija de forma tão profunda, que sinto sua língua na entrada da minha garganta. Tento não corresponder. Me nego. Mas meu corpo me trai. Meu corpo a deseja. É incontrolável. E, instantes depois, sou eu quem a beija em busca de mais.
Com urgência leva suas mãos ao botão traseiro da minha saia, e nos chocamos contra a parede. Sem salto alto eu sou muito pequena a seu lado. Sempre gostei disso, assim como ela gosta de sentir sua superioridade. Com sua perna ela separa as minhas, enquanto uma de suas mãos chega em baixo da minha blusa e desliza pelo meu ventre. Fecho os olhos e me deixo levar. Deixo que ela continue. Sem tirar minha saia, sua mão continua o caminho até que se enfia por dentro da minha calcinha e me toca até chegar ao clitóris. Me estimula. Me excita.
Com seus dedos, sua experiência e minha lubrificação, ela me massageia e me inflama. Meu clitóris se incha e eu solto um gemido. Respiro ofegante. Enlouqueço e me esfrego contra ela ao sentir aquela invasão, até que, com sua mão livre, me dá um tapinha. Isso me excita mais ainda. Me deixa louca e, instantes depois, ela desabotoa a própria calça, e noto que ela está usando a cinta. Que safada! Minha safada!
Tira a mão do meu sexo e me puxa até me levar ao centro do quarto. Fixa seus olhos em mim e murmura enquanto aproxima seus lábios dos meus:
— Pequena, você não faz ideia do quanto eu te desejo.
Abaixa o zíper da minha saia, e ela cai no chão. Agacha-se, encosta o nariz na minha calcinha e aspira. Dá uma leve mordidinha no meu púbis e eu respiro ofegante. Suas mãos possessivas me tocam e me acariciam. Sobem por minhas pernas e seguram a borda da minha calcinha. Ela a retira. Estou nua outra vez da cintura para baixo na frente dela e não falo nada. Não ofereço a menor resistência. Me deixo levar enquanto ela me estimula, me possui e me enlouquece.
Levanta-se. Me empurra até o encosto do sofá, me vira de bruços e me faz recostar ali. Meus braços e minha cabeça caem, enquanto meu traseiro continua totalmente exposto a ela. Por alguns segundos eu curto as mordiscadas que ela dá na minha bunda e sinto suas mãos invasoras sobre mim. De novo um tapa. Desta vez mais forte. Me arde. Mas a ardência diminui quando sinto Emma se apertar contra mim e "seu pênis" me avisar de que vai me fazer sua.
Abre minhas pernas, enquanto com uma das mãos aprisiona minha barriga sobre o encosto do sofá para que eu não me mexa. Com a outra mão pega o dildo e passeia desde minha vagina quente até meu ânus e vice-versa. Brinca entre minhas pernas, encharcando-me ainda mais.
— Vou te foder, Regina. Hoje você está me deixando louca e eu vou te foder do jeito que fiquei o dia inteiro imaginando.
Ouvir isso me sufoca.
Aguça todos os meus sentidos e eu adoro isso.
Percebo que curvo meu traseiro disposta a recebê-la. Me sinto como uma cadela no cio em busca de alívio. Emma deixa seu corpo cair sobre o meu. Morde meu ombro, depois minhas costas, e eu me contorço. Estou encharcada, pronta e molhada para ser fodida. Meu corpo implora. Emma me penetra de uma vez só e exige:
— Preciso te ouvir gemendo. Agora!
Sem conseguir evitar, um gemido ruidoso sai da minha boca.
Sua ordem me deixa mais excitada.
Suas mãos exigentes me agarram pela cintura e me apertam contra ela até que estou completamente possuída. Grito. Me contorço. Vou explodir. Sai de mim uns centímetros, mas entra de novo várias vezes, me preenchendo com uma série de movimentos rápidos e fortes que me fazem gritar. Quando seu dedo toca meu clitóris e o pressiona, eu grito de novo. Grito de prazer.
A cada estocada sinto que ela me rasga. Isso me excita e eu me abro ainda mais para que continue me rasgando e me faça totalmente sua. A dureza de suas palavras e sua vontade de me comer me enlouquecem de uma forma selvagem.
Minha vagina se contrai a cada investida e sinto como ela a absorve, a atrai, a deixa completamente rendida. Escuto sua respiração agitada em minha orelha e os ruídos calientes de nossos corpos se chocando, uma vez, outra vez... uma vez, outra vez. São viciantes.
Calor.
Estou morrendo de calor.
Uma quentura me sobe pelos pés e invade meu corpo todo. Quando chega à minha cabeça, explode e eu explodo junto. Grito. Me contorço e sinto convulsões, ao mesmo tempo que percebo fluidos escorrendo pelas minhas pernas. Tento me soltar. Mas Emma não deixa. Continua me penetrando enquanto meu orgasmo devastador nos enlouquece.
Meu corpo, esgotado de tanto prazer, se contorce e, após uma investida potente que me encaixa ainda mais no encosto da poltrona, Emma sai de dentro de mim, apoia a cabeça em minhas costas e, depois de um grunhido forte , sinto algo escorrendo em meu traseiro. Ela goza em cima de mim.
Por alguns segundos, permanecemos nessa posição. Ela em cima de mim. Nas minhas costas. Nossos corações acelerados precisam voltar a seu ritmo normal antes que possamos dizer qualquer coisa, enquanto no som do quarto está tocando Garota de Ipanema.
Quando Emma se ergue e me solta, eu faço o mesmo. Vestida só de blusa, eu olho para ela, e ela sorri satisfeita enquanto põem o dildo para dentro da calça e a abotoa. Acabamos de fazer um sexo selvagem, e ela gosta disso. Eu sei. Meu sangue ferve. Estou indignada. Sem conseguir me conter, minha mão me escapa e eu acabo lhe dando uma bofetada ruidosa.
— Sai daqui — exijo. — É o meu quarto.
Não fala nada. Apenas me encara. Seus olhos, que há poucos minutos sorriam, agora estão frios. Icewoman voltou e em sua pior versão. Incapaz de permanecer calada diante dela, depois do que acabo de fazer, grito:
— Quem você pensa que é para entrar no meu quarto?
Não responde e eu grito de novo:
— Quem você pensa que é para me tratar desse jeito? Acho... acho que você se enganou comigo. Não sou sua puta...
— O quê?!
— O que você ouviu, Emma — insisto, enquanto vejo o desconcerto em seus olhos. — Eu não sou sua puta para que você entre aqui e me coma sempre que te dá vontade. Para isso você tem a Amanda. A maravilhosa senhorita Fisher, que está disposta a continuar fazendo tudo o que você quiser. Quando você pretendia me contar que está ficando com ela? O que está acontecendo? Já estava planejando uma orgia entre nós três sem me consultar?
Não responde.
Apenas me encara, e vejo raiva, fogo e desconcerto em seu olhar.
Sua respiração é ritmada e profunda. Quero que ela vá embora. Quero que suma do meu quarto, antes que a víbora que há dentro de mim acabe ressurgindo e dizendo coisas piores. Mas Emma não se move. Tudo o que faz é me olhar, até que me dá as costas e sai. Quando a porta se fecha, levo minha mão à boca e, sem querer, começo a chorar.
Dez minutos depois, tomo um banho.
Preciso tirar o cheiro que está na minha pele. E, quando saio do chuveiro, algo está bem claro para mim. Preciso ir embora daqui. Abro o notebook e reservo uma passagem de volta para Madri. Às onze da noite estou sentada dentro de um avião enquanto repasso mentalmente o bilhete que deixei em cima da cama e que tenho certeza de que Emma lerá.
Durante o dia, Emma e eu trabalhamos lado a lado como chefe e secretária, e à noite brincamos e curtimos uma a outra. Sua luxúria parece algo inato, e cada vez que estamos juntas ela me enlouquece com a forma como me faz fantasiar e com seu jeito de me tocar e de me possuir. Adora olhar para mim enquanto me masturbo com o vibrador que ela me deu de presente — capricho que eu lhe concedo com muito prazer. O prazer que me faz sentir é tanto que sinto vontade de ir de novo a uma casa de swing e experimentar o mesmo da outra vez. Quando confesso isso, Emma cai na gargalhada e, ao me penetrar, imagina que outra pessoa está me possuindo enquanto ela observa. Essa fantasia me deixa louca.
Na quarta-feira, quando chegamos a Orense, vamos direto para uma reunião. No caminho, Emma fala por telefone com uma tal de Marta e se mostra irritada. O dia passa e ela termina se estressando pela falta de profissionalismo do chefe da sucursal. Não preparou nada do que era necessário, e Emma reage muito mal. Tento interferir para apaziguar os ânimos, mas Emma, minha chefe, acaba me repreendendo e me mandando calar a boca.
Na viagem de volta, o humor de Emma está péssimo. Amanda olha para mim com ar de superioridade e eu tenho vontade de matá-la.
Quando chegamos ao hotel, Emma pede a Amanda que desça do carro e nos deixe um minuto a sós. Ela obedece e, assim que fecha a porta, Swan olha para mim com uma expressão que me magoa.
— Que esta tenha sido a última vez que você fala numa reunião sem que eu peça.
Entendo sua irritação. Ela está certa e, embora sua bronca tenha me magoado, quero pedir desculpas, mas ela me interrompe:
— No fim das contas a Amanda pode ter razão. Tua presença não é necessária.
Me dá muita raiva ouvir Emma mencionando essa mulher e saber que ela fala de mim.
— Não estou nem aí para o que essa idiota diz sobre mim.
— Mas talvez eu, sim, esteja aí — replica.
Passa a mão nos cabelos em forma de exasperação, e nos olhos. Sua cara não está nada boa. O telefone dela toca. Emma olha para o aparelho e interrompe a chamada. E, numa tentativa de amenizar o mal- estar entre nós, murmuro:
— Você está com uma cara péssima. Está com dor de cabeça?
Sem responder, me lança seu olhar impiedoso.
— Boa noite, Regi. Até amanhã.
Olho para ela, surpresa. Está me expulsando?
Com a dignidade que me resta, abro a porta do carro e saio. Amanda espera a poucos metros e prefiro não olhar para ela quando passo a seu lado, senão vou acabar partindo para cima dessa mulher. Vou direto para o quarto.
Na manhã seguinte, quinta-feira, quando o despertador toca às 7h20, eu solto um palavrão. Quero dormir mais.
Em meio a grunhidos, me levanto e ando até o chuveiro. Preciso da água fria no meu corpo para me acordar.
Debaixo d’água, me lembro de que já é quinta-feira e isso me deixa alegre. Em breve Emma e eu teremos o fim de semana inteiro para ficarmos juntas. Ótimo! Quando volto para o quarto, enrolada numa toalha felpuda de cor creme que tem um cheiro maravilhoso, dou uma olhada na mesinha de cabeceira.
— Ah, vibradorzinho! Adorei nossa noite ontem.
Solto umas risadas. Em cima de lenços de papel está o vibrador em formato de batom que usei ontem à noite para relaxar. Pego o presentinho de Emma. Suspiro enquanto me lembro da explosão de prazer que senti ao brincar com ele.
Bem-humorada desde cedo, pego o vibrador e volto ao banheiro. Passo uma água nele e o coloco na bolsa. Agora já não esqueço mais. Eu e o vibradorzinho, juntos até a morte. Abro a mala e pego uma calcinha. Enquanto a coloco, lembro que tenho que pedir a Swan que me devolva a que ela roubou de mim, ou então vai ficar faltando calcinha para os próximos dias. Minha irritação desapareceu completamente. Tenho certeza de que a dela também e de que temos um dia maravilhoso pela frente.
Dou uma olhada no armário e escolho um conjunto azul com saia justa e uma camisa aberta. Hoje quero estar sexy para que Emma sinta vontade de voltar logo ao hotel.
Às oito, alguém toca a campainha do meu quarto e, segundos depois, uma camareira muito gentil deixa um lindo carrinho com o café da manhã e em seguida vai embora. Quando levanto as tampas das travessas, pulo de felicidade ao ver a quantidade de bolinhos que tenho diante de mim. Pego uma cadeira e me sento. Bebo um pouco de suco de laranja. Hummmm, que delícia! Tomo um café com um minissanduíche. Depois como um pão doce e, quando estou quase atacando uma rosquinha, me controlo e consigo vencer a tentação. Muita comida!
O celular apita. Recebi uma mensagem. Emma. “8h30 na recepção.” Que direta! Nem um simples “Bom dia, pequena”, “Regi” ou o que for.
Mas, sem tempo a perder e ansiosa para vê-la de novo, pego minha pasta. Enfio nela o notebook e os documentos de ontem. Hoje vamos a outra sucursal das Astúrias, e só espero que o dia transcorra melhor do que ontem.
Ao chegar à recepção, vejo Emma apoiada numa mesa.
Está incrível com seu terninho preto e sua camisa de ceda branca. Noto que seu lindo cabelo ainda está um pouco molhado do banho e estremeço. Teria adorado tomar banho com ela.
Duas mulheres que passam a seu lado se viram e ficam olhando. Normal. É uma mulher muito atraente. Ao passarem a meu lado, observo suas caras e percebo que estão cochichando. Imagino sobre o que falam. Decidida, caminho em meus saltos altos na direção dela e passo a mão nas suas costas enquanto a observo lendo concentrada o jornal. Quando chego bem à sua frente, eu a cumprimento com voz melosa:
— Bom dia!
Emma não olha para mim.
— Bom dia, senhorita Mills.
Mas peraí... voltamos aos malditos sobrenomes?
Não esperava que ela me pegasse em seus braços e sorrisse para mim como se fosse minha namorada. Mas, por favor, um pouco mais de cordialidade após uma noite separadas!
Sua indiferença me desconcerta.
Por que não olha para mim?
Mas, sem querer entrar no jogo de gato e rato, continuo a seu lado esperando que decida quando vamos sair. Dou uma olhada no relógio. Oito e meia. Olho para a entrada do hotel e vejo a limusine esperando. Por que continuamos parados aqui? Emma ignora minha presença e segue lendo o jornal com expresão tensa. Será que ainda está irritada? Tenho vontade de perguntar, mas não quero tomar a iniciativa. Não quero dar o primeiro passo.
Não me mexo. Minha respiração mal se ouve. Tenho certeza de que está esperando algum movimento da minha parte para logo soltar suas palavras ácidas. As pessoas, em sua maioria executivos como nós, passam ao nosso lado. São 8h35. Me espanta que ainda estejamos aqui, já que Emma é obcecada com horário. Já são 8h40. Continua muito calma, sem se importar com o fato de eu estar parada a seu lado como uma idiota, quando ouço uns saltos acelerados. Amanda, com um blazer e uma saia branca, se aproxima de nós.
Nem olha na minha cara. Só tem olhos para Emma, a quem se dirige em alemão:
— Desculpa a demora, Emma. Um probleminha com minha roupa.
Vejo que ela sorri. Olha para ela, examinando-a de cima a baixo com seus olhos verdes.
— Não se preocupe, Amanda. A demora valeu a pena. Dormiu bem?
Ela sorri. — Sim — responde, sem se importar com minha presença.
— Consegui dormir um pouco.
Disse “Consegui dormir um pouco”? Peraí, o que essas idiotas estão dando a entender? Ela sorri, toda boba após a farra da noite anterior, e toca na cintura dela.
Essa intimidade me incomoda. Acho repugnante. E ao mesmo tempo seus sorrisos me revelam muitas coisas.
Respiro com dificuldade ao me dar conta do que houve entre essas duas, e tenho vontade de gritar e espernear. De repente, Emma apoia a mão nas costas de Amanda e, tocando rapidamente sua cintura, diz:
— Vamos, o motorista está esperando.
E, sem olhar para mim, começa a caminhar com essa mulher a seu lado e me ignora completamente.
Eu as observo petrificada.
Não sei o que fazer. Um ciúme incontrolável que até então eu não havia sentido se instala no meu estômago, e estou com vontade de pegar o lindo jarro de cima da mesa e quebrar na cabeça dela.
Meu coração está a mil. Sua batida é tão forte que tenho a sensação de que a recepção inteira consegue ouvir. Aquilo me humilha, me aborrece, e ela continua impossível.
Idiota!
A frieza de Emma continua e eu não entendo por quê. Mas não. Não vou aceitar isso. Emma não me conhece, e ninguém ousa me humilhar dessa forma.
Começo a caminhar atrás delas.
Se essa babaca alemã acha que vou armar um barraco, ela acertou. Não vou deixar por menos! Quando chegamos à limusine, o motorista abre a porta. Amanda entra, em seguida Emma entra e, na minha vez de entrar, ela faz um gesto com a mão.
— Senhorita Mills, sente-se na cabine da frente com o motorista, por favor.
Putz! Que golpe desgraçado que ela me dá bem na frente de Amanda. Mas, surpreendentemente, sorrio com frieza e digo:
— Como a senhora quiser, senhora Swan.
Estou furiosa. Irritada. Exasperada.
Não gosto desse joguinho e não entendo por que ela faz isso comigo.
Instintivamente cravo as unhas nas palmas das mãos, até que o motorista me pergunta:
— Quer ouvir música, senhorita?
Faço que sim com a cabeça. Não consigo falar nada. Coloco meus óculos escuros e escondo meus olhos. De repente, começa a tocar a música de Dani Martín Mi lamento e eu sinto muita vontade de chorar.
Meus olhos estão ardendo e as lágrimas imploram para sair. Mas não. Não vou chorar. Engulo as lágrimas e tento curtir a música e a viagem. Chego até a cantarolar. Durante os 45 minutos do trajeto, minha mente trabalha a toda velocidade. O que aquelas duas estão fazendo ali atrás? Por que Emma me pediu para sentar na frente? Por que continua chateada comigo? Quando o carro para, desço sem esperar que o motorista abra a porta para mim. Que ele faça isso as duas lá de trás. As patroas.
Assim que desço, sorrio ao ver Penélope. É a secretária dessa sucursal e entre nós duas sempre rolou uma química. Mas uma química do bem. Decente. O motorista abre a porta, e Emma e Amanda saem do carro. Não me viro para elas. Me limito a olhar para a frente com meus óculos escuros.
Emma cumprimenta Gutiérrez, o chefe da sucursal, e o pessoal da diretoria. Apresenta todos eles a Amanda e depois a mim. Com profissionalismo, aperto as mãos deles para depois acompanhá-los até uma sala. Mas agora, em vez de ir atrás de Emma e Amanda, me demoro para poder cumprimentar Penélope. Damos dois beijinhos e entramos na sala conversando.
Antes de nos sentarmos, umas senhoras nos oferecem café. Aceito com prazer. Preciso de café. Tomo três. Conforme o tempo vai passando, a distância de Emma e a conversa com Penélope começam a me acalmar. Nesse momento, percebo que Emma se vira. É só um instante, mas sei que olhou para mim. Me procurou.
Penélope e eu continuamos conversando e nós duas rimos, quando ela conta algumas coisas da filha dela. É uma mãezona e isso me comove. Dez minutos depois, todos nós passamos à sala de reuniões, nos acomodamos em nossos lugares e, como sempre, Emma senta à cabeceira da mesa. Amanda fica à sua direita e eu tento me colocar num segundo plano. Não quero olhar para ela. Não sinto vontade.
— Senhorita Mills — ouço minha chefe me chamar.
Sem hesitar, me levanto e me aproximo dela com profissionalismo.
Seu perfume invade minhas narinas e me desperta mil sensações, mil emoções. Mas consigo manter inabalada a expressão do meu rosto.
— Sente-se na outra ponta da mesa, por favor. De frente para mim.
Eu vou matá-la... matá-la e matá-la.
Não quero olhar para ela, nem quero que olhe para mim. Mas, disposta a ser a secretária perfeita, pego meu notebook e me sento onde ela indica. Do outro lado da mesa, de frente para ela.
A reunião começa e eu fico atenta a tudo que falam. Não olho para ela e acho que ela também não está me olhando. Estou com o notebook aberto diante de mim e temo receber alguma mensagem de Emma. Por sorte, não chega nenhuma. À uma da tarde, a reunião é interrompida. Hora do almoço. O chefe da sucursal reservou mesa num hotel próximo, e Penélope me convida para ir no carro dela. Aceito.
Sem olhar para Icewoman, que está ao lado de Amanda, passo reto por ela, até que a ouço me chamar. Peço a Penélope que me dê um segundo e vou até minha chefe.
— Vai aonde, senhorita Mills?
— Ao restaurante, senhora Swan.
Emma olha para Penélope.
— Pode vir conosco na limusine.
Ótimo. Agora a desconfiada é ela.
Que se dane!
Amanda nos olha. Não entende o que estamos dizendo. Falamos em espanhol, e imagino que isso a incomode.
— Obrigada, senhora Swan, mas, se não se importa, irei com Penélope.
— Me importo — responde.
Não há ninguém ao nosso redor. Ninguém pode nos escutar.
— Pior para a senhora.
Dou as costas a ela e saio.
Dá-lhe, fúria espanhola!
Espanha 1 – Alemanha 0.
Sei que acabo de cometer a maior imprudência que uma secretária pode fazer. E ainda maior em se tratando de Emma. Mas eu precisava disso. Precisava fazê-la se sentir como eu me sinto.
Sem pensar nas consequências, entre elas a demissão certa, ando até Penélope e seguro seu braço com intimidade. Entramos em seu Opel Corsa e nos dirigimos ao restaurante, enquanto começo a pensar no desemprego. Depois dessa, vou ser demitida com certeza.
Quando chego ao estabelecimento, corro com Penélope para tomar várias Coca-Colas.
Ai, meu Deus! Como gosto de sentir suas borbulhas na minha boca... Mas até as borbulhas se desfazem quando vejo entrar Emma, seguida de Amanda e dos outros chefes. Olha na minha direção e posso perceber sua irritação. Os diretores entram no salão e rapidamente se acomodam em seus lugares. Emma faz menção de se sentar, mas logo se desculpa com seus colegas e me faz um sinal com a mão. Eu e Penélope a avistamos, e não posso me recusar a ir.
Dou mais um gole na minha Coca, que deixo no balcão e me aproximo de Emma.
— Diga-me, senhora Swan. Em que posso ajudá-la?
Emma abaixa a voz e, sem alterar a expressão de seu rosto, pergunta:
— O que você está fazendo, Regi?
Surpresa por voltar a ser “Regi”, respondo:
— Tomando uma Coca. Zero, por sinal, que engorda menos.
Minha resposta irreverente a desespera. Sei disso e gosto disso.
— Por que você está me irritando o tempo todo? — pergunta, me deixando desconcertada. Que cinismo...!
— Eu?! — sussurro. — Mas que cara de...
Seu olhar é tenso. Duro e desafiador.
Suas pupilas se contraem e me dizem algo, mas hoje eu não quero entendê-las. Recuso-me.
— Vá para o salão — me diz, antes de se virar. — Vamos almoçar.
Quando eu e Penélope chegamos ao salão, nos sentamos na outra ponta da mesa. Meu celular toca: minha irmã! Decido ignorá-la outra vez, não estou a fim de escutar seus resmungos. Mais tarde ligo de volta. A comida está ótima e eu continuo de papo com minha amiga.
De vez em quando, lanço olhares na direção da minha chefe e vejo que ela sorri para Amanda. Minha desconfiança aumenta. Mas, quando seus olhos cruzam com os meus, me sinto arder. Meu corpo se incendeia. Seu olhar de Icewoman consegue fazer com que todas as minhas terminações nervosas se agitem ao mesmo tempo e eu me queime inteira.
Às quatro e meia, voltamos à sede da empresa. Eu, claro, pego carona com Penélope. A reunião recomeça e só acaba às sete. Estou exausta!
Quando tudo acaba, Amanda, Emma e eu nos dirigimos até a limusine que nos espera e, sem dar tempo a Emma para me humilhar de novo, me sento logo ao lado do motorista. Nem vem!
Eu as ouço falar. Inclusive escuto Amanda cochichando e rindo como uma galinha. Ouço o que falam e fico morrendo de raiva. Não gostaria de me sentir assim. Só de olhar para Amanda já dá para saber o que ela procura. Cadela!
Imagino que vão fechar os ambientes da limusine, mas desta vez Emma não dá essa ordem. Quer que eu fique a par de toda a conversa. Fala em alemão, e ouvi-la me deixa agitada. Me provoca.
Ao chegar ao hotel, a limusine para. Abro minha porta, desço. Desejo com todas as minhas forças perder de vista Emma e essa imbecil, mas espero educadamente que minha chefe e sua acompanhante desçam do carro. Depois me despeço e vou embora.
Quase corro até o elevador e, quando as portas se fecham, suspiro aliviada. Enfim, sozinha!
O dia foi horrível e quero desaparecer. Quando chego à suíte, jogo a pasta no lindo sofá. Ligo o som. Solto o cabelo, tiro o blazer e ponho a blusa para fora da saia. Preciso de um banho.
Então ouço batidas na porta. Minha mente me diz que é ela. Olho ao redor. Não tenho escapatória, a menos que me jogue do topo do prédio e morra espatifada em pleno asfalto. Que desgosto para o meu pobre pai! Nem pensar!
Decido ignorar as batidas. Não quero abrir, mas a pessoa do outro lado insiste. Cansada, finalmente abro a porta e qual não é minha surpresa quando vejo Amanda na minha frente. Me olha de cima a baixo.
— Posso entrar? — pergunta em alemão.
— Claro, senhorita Fisher — respondo também em seu idioma.
A mulher entra. Fecho a porta e me viro.
— Você vai ficar por aqui no fim de semana, como fez em Barcelona? — pergunta, antes que eu possa dizer qualquer coisa.
Faço o que Emma costuma fazer. Contraio a expressão do meu rosto. Penso... penso e penso e por fim respondo:
— Vou.
Minha resposta a deixa irritada. Passa as mãos pelo cabelo e depois as coloca na cintura.
— Se sua intenção é ficar com ela, pode esquecer. Ela vai estar comigo.
Enrugo a testa, como se ela falasse chinês e eu não entendesse nada.
— Do que está falando, senhorita Fisher?
— Você e eu sabemos muito bem do que estou falando. Não se faça de desentendida. Vai me dizer que você não é uma espanhola sem um tostão furado que vê em Emma uma oportunidade?
Fico boquiaberta pelo que ela acaba de dizer. Pisco os olhos e deixo cair a máscara que carrego dentro de mim.
— Olha, querida, você está se confundindo comigo. E, se você continua por esse caminho, vai ter problemas, porque eu não sou de ficar de bico calado, não. Portanto, cuidado com o que diz, senão vai ter que passar por cima de uma espanhola sem um tostão furado.
Amanda se afasta um passo de mim. Deve ter levado a sério minha advertência.
— Acho que o mais inteligente da sua parte seria se afastar dela — acrescenta. — Eu própria vou me encarregar de tudo o que Emma precisar. Eu a conheço muito bem e sei como satisfazer suas vontades.
Aperto os punhos. Tão forte que acabo cravando as unhas neles. Mas estou consciente de que não posso agir como gostaria. Então conto até vinte, porque até dez não é suficiente, ando até a porta e a abro.
— Amanda — digo, com toda a gentileza de que sou capaz —, saia já do meu quarto porque, se continuar aqui, algo terrível vai acontecer.
Quando ela vai embora, bato com a porta enquanto solto os maiores palavrões. Tiro os sapatos e os atiro com fúria no sofá. Que ódio!
Minha indignação me enlouquece. Emma estava me usando para colocar ciúmes naquela boneca inflável. Xingo tudo e todos e dou um chute na poltrona chique. Como fui tão imbecil? Sem querer pensar em mais nada, tiro meu notebook da pasta, até que meu celular apita. Recebo uma mensagem. Emma. “Venha ao meu quarto.”
Ler isso me deixa ainda mais irritada. Sempre me considerei uma bonequinha em seus braços, mas neste momento me dou conta de que sou uma boneca idiota. Digito com raiva: “Vai à merda.”
A resposta chega rápido.
Ao fim de alguns segundos, ouço o barulho de uma porta se abrindo e, bem na minha frente, aparece Emma sem camisa, apenas com seu top, com cara de chateada e a chave na mão. Sem dizer nada, aproxima-se de onde estou sentada, me pega pelo braço, me levanta e me beija. Me beija de forma tão profunda, que sinto sua língua na entrada da minha garganta. Tento não corresponder. Me nego. Mas meu corpo me trai. Meu corpo a deseja. É incontrolável. E, instantes depois, sou eu quem a beija em busca de mais.
Com urgência leva suas mãos ao botão traseiro da minha saia, e nos chocamos contra a parede. Sem salto alto eu sou muito pequena a seu lado. Sempre gostei disso, assim como ela gosta de sentir sua superioridade. Com sua perna ela separa as minhas, enquanto uma de suas mãos chega em baixo da minha blusa e desliza pelo meu ventre. Fecho os olhos e me deixo levar. Deixo que ela continue. Sem tirar minha saia, sua mão continua o caminho até que se enfia por dentro da minha calcinha e me toca até chegar ao clitóris. Me estimula. Me excita.
Com seus dedos, sua experiência e minha lubrificação, ela me massageia e me inflama. Meu clitóris se incha e eu solto um gemido. Respiro ofegante. Enlouqueço e me esfrego contra ela ao sentir aquela invasão, até que, com sua mão livre, me dá um tapinha. Isso me excita mais ainda. Me deixa louca e, instantes depois, ela desabotoa a própria calça, e noto que ela está usando a cinta. Que safada! Minha safada!
Tira a mão do meu sexo e me puxa até me levar ao centro do quarto. Fixa seus olhos em mim e murmura enquanto aproxima seus lábios dos meus:
— Pequena, você não faz ideia do quanto eu te desejo.
Abaixa o zíper da minha saia, e ela cai no chão. Agacha-se, encosta o nariz na minha calcinha e aspira. Dá uma leve mordidinha no meu púbis e eu respiro ofegante. Suas mãos possessivas me tocam e me acariciam. Sobem por minhas pernas e seguram a borda da minha calcinha. Ela a retira. Estou nua outra vez da cintura para baixo na frente dela e não falo nada. Não ofereço a menor resistência. Me deixo levar enquanto ela me estimula, me possui e me enlouquece.
Levanta-se. Me empurra até o encosto do sofá, me vira de bruços e me faz recostar ali. Meus braços e minha cabeça caem, enquanto meu traseiro continua totalmente exposto a ela. Por alguns segundos eu curto as mordiscadas que ela dá na minha bunda e sinto suas mãos invasoras sobre mim. De novo um tapa. Desta vez mais forte. Me arde. Mas a ardência diminui quando sinto Emma se apertar contra mim e "seu pênis" me avisar de que vai me fazer sua.
Abre minhas pernas, enquanto com uma das mãos aprisiona minha barriga sobre o encosto do sofá para que eu não me mexa. Com a outra mão pega o dildo e passeia desde minha vagina quente até meu ânus e vice-versa. Brinca entre minhas pernas, encharcando-me ainda mais.
— Vou te foder, Regina. Hoje você está me deixando louca e eu vou te foder do jeito que fiquei o dia inteiro imaginando.
Ouvir isso me sufoca.
Aguça todos os meus sentidos e eu adoro isso.
Percebo que curvo meu traseiro disposta a recebê-la. Me sinto como uma cadela no cio em busca de alívio. Emma deixa seu corpo cair sobre o meu. Morde meu ombro, depois minhas costas, e eu me contorço. Estou encharcada, pronta e molhada para ser fodida. Meu corpo implora. Emma me penetra de uma vez só e exige:
— Preciso te ouvir gemendo. Agora!
Sem conseguir evitar, um gemido ruidoso sai da minha boca.
Sua ordem me deixa mais excitada.
Suas mãos exigentes me agarram pela cintura e me apertam contra ela até que estou completamente possuída. Grito. Me contorço. Vou explodir. Sai de mim uns centímetros, mas entra de novo várias vezes, me preenchendo com uma série de movimentos rápidos e fortes que me fazem gritar. Quando seu dedo toca meu clitóris e o pressiona, eu grito de novo. Grito de prazer.
A cada estocada sinto que ela me rasga. Isso me excita e eu me abro ainda mais para que continue me rasgando e me faça totalmente sua. A dureza de suas palavras e sua vontade de me comer me enlouquecem de uma forma selvagem.
Minha vagina se contrai a cada investida e sinto como ela a absorve, a atrai, a deixa completamente rendida. Escuto sua respiração agitada em minha orelha e os ruídos calientes de nossos corpos se chocando, uma vez, outra vez... uma vez, outra vez. São viciantes.
Calor.
Estou morrendo de calor.
Uma quentura me sobe pelos pés e invade meu corpo todo. Quando chega à minha cabeça, explode e eu explodo junto. Grito. Me contorço e sinto convulsões, ao mesmo tempo que percebo fluidos escorrendo pelas minhas pernas. Tento me soltar. Mas Emma não deixa. Continua me penetrando enquanto meu orgasmo devastador nos enlouquece.
Meu corpo, esgotado de tanto prazer, se contorce e, após uma investida potente que me encaixa ainda mais no encosto da poltrona, Emma sai de dentro de mim, apoia a cabeça em minhas costas e, depois de um grunhido forte , sinto algo escorrendo em meu traseiro. Ela goza em cima de mim.
Por alguns segundos, permanecemos nessa posição. Ela em cima de mim. Nas minhas costas. Nossos corações acelerados precisam voltar a seu ritmo normal antes que possamos dizer qualquer coisa, enquanto no som do quarto está tocando Garota de Ipanema.
Quando Emma se ergue e me solta, eu faço o mesmo. Vestida só de blusa, eu olho para ela, e ela sorri satisfeita enquanto põem o dildo para dentro da calça e a abotoa. Acabamos de fazer um sexo selvagem, e ela gosta disso. Eu sei. Meu sangue ferve. Estou indignada. Sem conseguir me conter, minha mão me escapa e eu acabo lhe dando uma bofetada ruidosa.
— Sai daqui — exijo. — É o meu quarto.
Não fala nada. Apenas me encara. Seus olhos, que há poucos minutos sorriam, agora estão frios. Icewoman voltou e em sua pior versão. Incapaz de permanecer calada diante dela, depois do que acabo de fazer, grito:
— Quem você pensa que é para entrar no meu quarto?
Não responde e eu grito de novo:
— Quem você pensa que é para me tratar desse jeito? Acho... acho que você se enganou comigo. Não sou sua puta...
— O quê?!
— O que você ouviu, Emma — insisto, enquanto vejo o desconcerto em seus olhos. — Eu não sou sua puta para que você entre aqui e me coma sempre que te dá vontade. Para isso você tem a Amanda. A maravilhosa senhorita Fisher, que está disposta a continuar fazendo tudo o que você quiser. Quando você pretendia me contar que está ficando com ela? O que está acontecendo? Já estava planejando uma orgia entre nós três sem me consultar?
Não responde.
Apenas me encara, e vejo raiva, fogo e desconcerto em seu olhar.
Sua respiração é ritmada e profunda. Quero que ela vá embora. Quero que suma do meu quarto, antes que a víbora que há dentro de mim acabe ressurgindo e dizendo coisas piores. Mas Emma não se move. Tudo o que faz é me olhar, até que me dá as costas e sai. Quando a porta se fecha, levo minha mão à boca e, sem querer, começo a chorar.
Dez minutos depois, tomo um banho.
Preciso tirar o cheiro que está na minha pele. E, quando saio do chuveiro, algo está bem claro para mim. Preciso ir embora daqui. Abro o notebook e reservo uma passagem de volta para Madri. Às onze da noite estou sentada dentro de um avião enquanto repasso mentalmente o bilhete que deixei em cima da cama e que tenho certeza de que Emma lerá.
Senhora Swan:
Voltarei no domingo à noite para continuar nosso trabalho. Se a senhora resolveu me demitir, por favor me avise para me poupar a viagem.
Atenciosamente, Regina Mills.
Voltarei no domingo à noite para continuar nosso trabalho. Se a senhora resolveu me demitir, por favor me avise para me poupar a viagem.
Atenciosamente, Regina Mills.
aiii meu Deusssss.. obrigadaaa por estar re-postando a fic... quase tive um treco qnd abri minhas atualizações e vi que 'peça-me o q quiser' havia sido excluida, visto que é minha fic favorita! vc vai postar todos os cap. até o 32 até o final dessa semana ja, ou vai ir aos poucos? obg por nao nos abandonar :)
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